Arquivo do autor:Wellington Cunha - Ruivo

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Sobre Wellington Cunha - Ruivo

Paulistano de nascimento e cidadão do mundo por vocação. Trabalha atualmente com TI, porém se interessa, literalmente, por todo tipo de assunto, o que faz dele um "palpiteiro" de marca maior. Consegue ser cético e ter ao mesmo tempo o otimismo de Cândido, achando que no final tudo dará certo. Entre suas paixões estão a música, a literatura e as conversas com amigos numa mesa de bar, regado a uma boa cerveja.

Negrinha – Monteiro Lobato (04/2016)

NegrinhaFinalmente lí algo de Monteiro Lobato! Sério, apesar de sempre ter lido bastante, este foi o primeiro livro do grande escritor brasileiro que eu li. E nada melhor para ser apresentado a um escritor do que um livro de contos.

Além do conto que dá título ao livro, mais 20 contos, escritos ao longo de mais de 20 anos, compõem esta coletânea. Destaques para o próprio “Negrinha”, “Bugio Moqueado” (que podemos considerar uma estória de terror!), “O Fisco” (um conto que poderia ser transportado para os dias de hoje sem muitas adaptações) e o hilário “O colocador de pronomes” (para mim o melhor do livro).

Por terem sido escritos ao longo de mais de 20 anos, o livro é uma boa fotografia do Brasil das decadas de 20 e 30 e também da evolução de Monteiro Lobato tanto como escritor, como pessoa.

Monteiro Lobato tem sido acusado nos últimos anos de ser racista. Talvez por usar frases como “um preto que valia por dois brancos”, tirada totalmente do contexto, as pessoas chegam à esta conclusão. Mas toda idéia deve ser colocada no seu momento histórico e, há quase 100 anos atrás infelizmente era um pensamento comum achar que negros (ou índios, ou ciganos, etc) eram “humanos inferiores”. Se até hoje tem gente que tem este pensamento, é complicado julgar alguém que nasceu quando ainda havia escravidão no Brasil. Pior é quando este julgamento parte de pessoas que levam à letra um livro escrito há quase dois mil anos (a bíblia).

Mas nota-se, a exemplo de Gorki, um carinho de Monteiro Lobato para com os seus personagens, especialmente os negros (o próprio conto do título é uma crítica ao tratamento dispensado aos filhos de escravos que haviam nascido após a lei do ventre livre), muito presentes nos contos desta coleção.

Be happy 🙂

Botecando #81 – Cerveja Artesanal São Paulo – São Paulo – SP

20160226_181722A Zona Oeste de São Paulo, mais especificamente os bairros da Pompéia, Perdizes, Sumaré, Vila Madalena e Pinheiros, virou mesmo a meca para os apreciadores de cervejas artesanais / especiais na cidade de São Paulo. Praticamente em cada quarteirão das áreas comerciais destes bairros se encontra uma loja ou bar oferecendo cervejas diferentes daquelas que o Brasileiro estava acostumado a tomar até há pouco tempo atrás (sim, felizmente o comportamento está mudando). Isto para não falar das escolas, lojas de insumos, associações e produtores que a região concentra.

Desta vez fui conhecer o Cerveja Artesanal São Paulo um dos novos bares da região, que está montado na Rua Paracuê, paralela à Avenida Heitor Penteado, a poucos minutos da estação Vila Madalena do Metro. É um imóvel amplo, onde a pequena parte da frente do imóvel e o “quintal dos fundos” é usado para abrigar mesas de madeira rústica. No que seria o “porão” da casa, se encontra a loja/bar, com algumas estantes com cerca de 200 rótulos, mais 4 expositores com garrafas para serem consumidas na hora e mais 4 torneiras.

Decoração à base de tampinhas

Decoração à base de tampinhas

O bar funciona mais ou menos no mesmo esquema do EAP: você vai até a geladeira escolher o que quer beber. A diferença é que eles não têm garçons, então é só se dirigir ao caixa com a cerveja (ou ir direto ao caixa, se for pedir alguma cerveja das torneiras), efetuar o pagamento e sentar em alguma das mesas do quintal.

O fato de ter que pagar sempre que pegar algo talvez possa ser um incômodo para algumas pessoas e talvez eles pudessem pensar em fazer um sistema igual nos EUA, onde existe a opção de você “abrir a mesa” deixando o cartão de crédito com o barman ou garçon.

Todos que trabalham ali são experts em cerveja e estão aptos a ajudar os iniciantes à escolher uma cerveja que mais lhe agrade ou então a explicar em detalhes alguma cerveja que tenha despertado o interesse do cliente.

Na parte dos “comes”, o Cerveja Artesanal São Paulo trabalha no mesmo esquema de outros bares do ramo, com convênio com Food Trucks que param na porta. Acho bem legal este esquema, tanto pelo fato das parcerias fazerem todos crescerem, como para que os donos dos bares fiquem concentrados na sua especialidade, que é cerveja (não é fácil gerenciar uma carta com 200 rótulos, controlando compras, estoque, validade, o que vai pra geladeira, etc). Neste dia, quem estava lá era a Kombi do Chef, vendendo ótimos e enormes lanches (quando tiver a oportunidade, leve a Cuca deles para casa também).

Para quem tem dog, o bar (ou loja) é “pet friendly” (existe este termo?). Como é um ambiente aberto, onde é proibido fumar e a loja fecha cedo, também dá para levar crianças.

Então fica a dica para quem quiser tomar umas cervejas de qualidade em um local agradável.

Onde: Cerveja Artesanal São Paulo (Rua Paracuê, 141 – Sumaré – SP)
Quando: 26/02/2016
Bom: localização e carta de cervejas.
Ruim: nada.
Site: http://www.cervejaartesanalsaopaulo.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/cervejaartesanalsaopaulo

Be happy! 🙂

Charmosa bandeija de caixote

Charmosa bandeija de caixote

As Memórias do Livro – Geraldine Brooks (03/2016)

As Memorias do LivroConvidada a restaurar a famosa Hagadá de Sarajevo (que existe de verdade!), uma conservadora e restauradora de livros australiana encontra na obra uma série de evidências (cristais, pêlos, etc) que poderiam explicar a trajetória do livro, datado do século XV, até a sua recuperação no pós Guerra da Bósnia.

Na sua busca para identificar o que seriam cada uma das evidências, ela vai se deparando com informações inusitadas que servem de gancho para pequenos capítulos sobre a “biografia” do livro e que são intercalados com os próprios capítulos da estória de Hanna, a protagonista. Alguns destes capítulos são baseados em histórias reais, como as de um estudioso e um bibliotecário que esconderam a Hagadá, respectivamente, na Segunda Guerra (dos Alemães) e na Guerra da Bósnia (dos Sérvios). Curiosamente ambos eram Muçulmanos protegendo uma obra Judaica. Mas a maioria das estórias é fruto da imaginação da autora, que conseguiu amarrar muito bem a “memória” do livro com a estória da protagonista.

Como a Hagadá é um livro que narra uma tradição religiosa Judaica (no caso da Hagadá de Sarajevo, ela se destaca pela presença de iluminuras, coisa proibida na religião à época), nestas pequenas estórias que são intercaladas, um apanhado do que foi a história dos Judeus na Europa desde o século XV também é mostrado.

“Você tem uma sociedade na qual as pessoas toleram a diferença, como a Espanha na época da Convivencia, e tudo vai bem: criativo e próspero. De repente, esse medo, esse ódio, essa necessidade de demonizar ‘o outro’; isso meio que abala e aniquila toda a sociedade. Inquisição, nazismo, nacionalistas sérvios extremistas… a mesma velha história.”

Neste ponto, é interessante notar como as 3 maiores religiões ocidentais se comportam: ora são os cristãos que perseguem os judeus e os muçulmanos os protegem, ora é o contrário, com os judeus sempre se mantendo isolados das sociedades em que se inserem (por razões próprias), empreendendo fuga quando se encontram perseguidos e estando sempre sob um estado constante de tensão (até hoje!).

“…passei muitas noites em claro neste quarto pensando que a Hagadá veio a Sarajevo por um motivo. Ela estava aqui para nos testar, para ver se alguém aqui perceberia que aquilo que nos une é muito maior do que qualquer coisa que nos divida. Que ser humano é muito mais importante do que ser judeu ou muçulmano, católico ou ortodoxo.”

A escrita em sí é bem interessante, daquelas fluídas, que fazem a gente acabar o livro em questão de horas, e a autora também teve uma ótima sacada ao contar duas estórias em uma, tendo em uma delas um livro como personagem principal.

Recomendo principalmente a quem é afccionado por leitura.

P.S. Somente a titulo de curiosidade, o livro menciona dois judeus históricos, Abraham Seneor e Isaac Abravanel. Provavelmente são parentes distantes de Senor Abravanel, o nosso querido Silvio Santos!

Be happy 🙂

Botecando #80 – Nelito – São Paulo – SP

Nelito 01O Nelito é um misto de restaurante e bar (mais restaurante que bar), inagurado há pouco mais de um ano e que fica localizado na Vila Romana (entre a Lapa e a Pompéia). Já de início, destaque para o imóvel, que não é muito grande, mas está localizado em uma esquina que tem a vantagem de ter uma parte da rua bloqueada aos automóveis.

E também fica os parabéns para a casa por não fazer como muitos outros estabelecimentos que privatizam o espaço público colocando mesas: eles conseguiram aproveitar o espaço colocando alguns bancos e brinquedos para as crianças e criaram uma pequena praça, que fez do bar um ótimo lugar para ir com os pequenos. Nesta “praça” aos sábados ocorre uma roda de chorinho.

Nelito 02Voltando ao imóvel, deixaram uma decoração bem clean, com fotos de família sobre os azulejos das paredes, um pequeno balcão, uma estante para garrafas e ao fundo uma parede com tinta de lousa onde existe o cardápio.

No quesito bebida, além das tradicionais (Heineken, Original, etc) havia a opção da 1500 da Conti, então preferi ir na Heineken mesmo, mas pedi uma caipirinha de limão com abacaxi e cachaça da casa que estava muito boa. Achei as porções um pouco pequenas. Mesmo se cobrassem um pouco mais, seria interessante tê-las maiores. De qualquer forma, o torresmo estava muito bom.

O atendimento peca um pouco pela falta de atenção (ficávamos alguns minutos tentando chamar a atenção dos garçons), mas em compensação a educação e simpatia do staff é indiscutível.

Acho que ainda falta uma “alma” para o bar (se a intenção é ser bar mesmo). Me pareceu ainda meio “insoso”, sem personalidade. Mas como a casa é nova, talvez eles encontrem uma “cara”. De qualquer forma, voltarei qualquer dia na hora do almoço para provar o picadinho que estava anunciado na lousa (servido somente na hora do almoço de segunda à sexta) e para ter uma segunda opnião.

Onde: Nelito (Rua Mário, 75 – Vila Romana – SP)
Quando: 20/02/2016
Bom: ambiente, localização e música ao vivo.
Ruim: atendimento um pouco desatento e porções pequenas.
Facebook: https://www.facebook.com/Nelito-1609931889220395

Be happy! 🙂

Nelito 03

Cartola: semente de amor sei que sou, desde nascença – Arley Pereira (02/2016)

CartolaSempre me intrigou e me impressionou a capacidade de alguns artistas praticamente iletrados de trabalhar com as palavras. Além de Cartola, um verdadeiro poeta, temos outros exemplos como o Jackson do Pandeiro ou o Gordurinha. Estes dois ainda usavam de licença poética para, de vez em quando, não utilizar a forma culta da língua. Mas Cartola é um caso à parte e pode-se contar nos dedos as raríssimas vezes em que ele usou desta licença, geralmente afim de colocar as palavras na boca de outras pessoas. Mas no geral, suas composições sempre foram de uma qualidade linguística impecável.

Portanto, nada mais justo do que convidar Arley Pereira, amigo pessoal de Cartola e outro mestre do jogo de bem usar as palavras, para escrever esta biografia.

O livro, apesar de curto (118 páginas), faz um apanhado geral da vida e da obra de Cartola e, além do texto primoroso (e carinhoso) de Arley, tem uma leitura fluída e cativante, daquelas que fazem com que você fique no “só vou ler mais um capítulo depois eu durmo”.

Alguém pode até reclamar que faltou precisão em datas, locais e outros fatos históricos, mas em se tratando da biografia do autor de versos como “Queixo-me às rosas, mas que bobagem / As rosas não falam / Simplesmente as rosas exalam / O perfume que roubam de ti, ai” e “Preste atenção, querida / De cada amor tu herdarás só o cinismo / Quando notares estás à beira do abismo / Abismo que cavaste com os teus pés” a exatidão histórica é menos importante do que a beleza das palavras, e neste ponto, o livro acerta em cheio.

Be happy 🙂

Cartola

O Jogo das Contas de Vidro – Herman Hesse (01/2016)

O Jogo das Contas de VidroConsiderado por muitos como o Magnus opus de Herman Hesse, o Jogo das Contas de Vidro conta a história de Castália, uma sociedade filosófica e mística (por mais que os integrantes de Castália queiram desvincular o misticismo de sua “arte”), existente no ano de 2200, que tem como principal atividade fim o “Jogo das Contas de Vidro” ou “Jogo de Avelórios”, um jogo onde a ciência e as artes se misturam, especialmente a matemática e a música. A primeira parte do livro se dedica a explicar a história (dentro da estória) do Jogo de Avelórios e de Castália.

Para integrar esta sociedade os jovens do sexo masculino são observados e recrutados por mestres e professores que possam identificar neles as virtudes necessárias a um membro de Castália e, objeto destas observações, surge um garoto chamado José Servo, um virtuose que chegará ao ponto mais alto entre os praticantes do jogo, o de Mestre de Avelórios (Magister Ludi). A segunda e mais extensa parte do livro trata-se de uma biografia de José Servo, desde os tempos de menino na escola até a sua morte.

A terceira parte é um conjunto de obras de José Servo.

Acho que dei azar com o Herman Hesse. Depois de uma tentativa frustrada de ler Der Steppenwolf em alemão (tentarei de novo num futuro próximo), fui tentar justo com uma obra densa como o Jogo das Contas de Vidro, que apesar de ter muito conteúdo interessante, tem um ritmo modorrento e cansaitvo.

A primeira parte é principalmente cansativa, pois tenta explicar o funcionamento e a origem do Jogo de Avelórios e precisa-se prestar muita atenção, quando não ler uma passagem mais de uma vez, para entender.

A segunda é modorrenta mesmo, pois reproduz muitos dos pensamentos e discussões filosóficas de Servo com seus interlocutores (Pedro Designori, “O Irmão mais velho”, “o Mestre da Música”, Frei Jakob, etc). Nada contra filosofia, que aliás acho bastante interessante, mas inserir estes pensamentos dentro de longos diálogos ou debates entre dois personagens de um romance não sei se foi a melhor idéia. De qualquer forma, existem várias passagens e pensamentos muito interessantes, mas o leitor precisa estar preparado para encontrar uma estória que não tem a devida fluidez de um romance.

A última parte foi a que achei mais interessante, pois traz os temas centrais de várias das discussões filosóficas ocorridas durante a segunda parte em forma de textos ou poemas de Servo.

Além de Der Steppenwolf, ainda tenho o Sidarta na lista, quem sabe eles não mudem minha impressão sobre Hesse.

Be happy 🙂

Wanderlust #33 – Berlin (e Potsdam), Alemanha

A imponente Karl-Marx-Alle e ao fundo a Berliner Fernsehturm

A imponente Karl-Marx-Alle e ao fundo a Berliner Fernsehturm

Eu tinha dito ano retrasado que talvez não voltasse tão cedo à Berlin, apesar de amar a cidade, porque tenho muitos outros lugares para conhecer, porém acabei não resistindo à uma promoção da Alitália e tive que voltar à melhor cidade do mundo.

Alexanderplatz

Alexanderplatz

Como já falei muita coisa sobre a Cidade (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), vou fazer um Wanderlust diferente: como desta vez (minha terceira vez na cidade, somando um total de 9 semanas) eu fui acompanhado, eu montei uma programação que incluia pontos turísticos obrigatórios e alguns pontos interessantes que eu ainda não conhecia na cidade (e creio que ainda falta muita coisa para eu conhecer), vou passar uma sugestão de programação de 7 dias na cidade (é o mínimo para se conhecer, e não apenas “passar” por Berlin, e estou incluindo Potsdam).

Estou colocando em dias da semana pela ordem (de Segunda à Domingo), mas pode-se chegar na quarta, por exemplo, e fazer a programação até a próxima terça. Mantendo as programaçòes de Sexta, Sábado e Domingo (especialmente a de domingo de dia), qualquer outro dia pode ser trocado, só prestando atenção às segundas e terças, já que muitos museus fecham nestes dias.

Anhalter Bahnhof

Anhalter Bahnhof

As programações têm entre 4 e 6 horas de duração (exceto Potsdam, que tem cerca de 8 horas, contando o tempo para ir e voltar) para deixar um tempo livre para que se possa explorar a cidade, pois esta é a melhor maneira de se envolver em Berlin. Se puder encaixar a programação entre o final da primavera e o verão, melhor ainda, pois os dias são mais longos e dá para aproveitar mais..

Segunda:
Desça na estação Frankfurter Tor e caminhe pela Karl-Marx-Allee até a Alexandeplatz (cerca de 2kms). A Karl-Marx-Allee foi planejada para ser o local onde ocorriam os desfiles militares do regime comunista (para mostrar ao Ocidente a “imponência” da URSS e seu regime) e foi projetada para ser parecida com Moscou. Os prédio são imponentes e praticamente simétricos. Aqui ficavam a maioria dos principais pontos de lazer e cultural da Berlin oriental (para aqueles que podiam se dar ao luxo de curtir lazer e cultura).

Potsdamer Platz

Potsdamer Platz

Já na Alexanderplatz se encontra a Fernsehturm, a famosa torre de TV de Berlin, de onde se tem visão de praticamente toda a cidade. Dá para comprar o ticket com antecedência pela Web, mas comprando lá a média de tempo de espera é entre 40 minutos e uma hora e ai pode-se aproveitar a espera para tomar uma cerveja no Biergarten da praça. O ideal é tentar subir no horário do por do sol.

Para fechar, se você não tiver conhecido Munique, vale uma passada na Hofbräu Berlin para tomar algumas cervejas e comer comida típica da Baviera ao som das músicas tradicionais desta região. Agora se já tiver ido à Munique ou estiver para ir, pode dispensar. É um programa bem turístico mesmo.

Terça:
Desça na estação Möckernbrücke, cruze o Elise-Tilse-Park até o Tempodrom, que é um ginásio de eventos que tem uma arquitetura bem interessante. Tanto o parque quanto o Tempodrom e a praça de esportes em frente (Sportplatz Anhalter Bahnhof) ficam no local onde se encontrava a antiga estação de trem Anhalter Bahnhof (hoje existe a estação do S-Bahn), que durante a segunda guerra foi uma das três estações usadas para transportar os judeus para os campos de concentração. A fachada principal da estação, que foi praticamente toda destruída pelos bombardeios da guerra, ainda se encontra no local (as estátuas de anjo que a decoravam se encontram na área de trens do Deutsches Technikmuseum).

Tiergarten

Tiergarten

Da Anhalter Bahnhof até a Potsdamer Platz são cerca de 600 metros, boa parte deles sobre o trajeto por onde o muro passava. Potsdamer é o ponto principal onde se nota o esforço de reconstrução de Berlin depois da queda do muro. A praça, que ficou totalmente destruida após a guerra, hoje acomoda uma série de edifícios gigantes e modernos, como a sede da DB (Deutsche Bahn, a estatal que administra as ferrovias alemãs), da Daimler e o Sony Center. Continuando pela Eberstraße, em direção ao Portão de Brandemburgo, a visita ao Memorial aos Judeus Mortos na Europa é obrigatória. Se tiver pique para andar, vale a pena caminhar os 2 kilômetros até a Siegessäule (Coluna da Vitória) por dentro do Tiergarten. Se tiver mais pique ainda, caminhe os 2 kilômetros de volta ao portão de Brandemburgo (vá por um lado e volte pelo outro) e note a cúpula do Reichstag, o Parlamento Alemão. Do outro lado do portão fica a bela Unter den Linden, uma das principais avenidas, cercada por lojas, cafés e hotéis.

Caminhando mais um pouco (e haja pique!) dá para acessar o Gendarmenmarkt, que além de duas belas catedrais, conta com um bonito e enorme teatro. Aconselho a andar pela praça olhando para o alto afim de notar a decoração dos topos dos prédios. Para os chocólatras de plantão, não deixem de passar na Schokoladenhaus Fassbender & Rausch Chocolatiers.

Brandenburger Tor

Brandenburger Tor

Quarta:
Potsdam é a capital do estado de Brandemburgo, região onde se encontra Berlin (nota: apesar de Berlin ficar geograficamente dentro do estado, ela tem o status de “cidade-estado” e portanto uma relação de hierarquia direta com a República Federal da Alemanha) e é colado na cidade (tipo como se fosse São Caetano, ou Diadema, ou Osasco, só que bonita….kkk). Além de alguns fatos históricos importantes (foi lá onde URSS, EUA, França e Grã-Bretanha assinaram o acordo que dividiu a Alemanha e Berlin), tem vários edifícios históricos que, incrivelmente, foram poupados durante os bombardeios. Também conta com o fabuloso parque Sanssouci, com seus vários castelos e jardins e uma supresa a cada esquina. Aconselho muito a visita à cidade e sugiro que o passeio em Potsdam seja feito à pé.

249 Gendarmenmarkt - Berlin - Alemanha

Gendarmenmarkt

Na volta, como será final de tarde, se houver pique de caminhar mais um pouco, a sugestão é conhecer a Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, a famosa igreja “sem teto”. As torres da igreja foram bombardeadas e decidiram conservá-la desta forma e, ao lado, construiram uma outra estrutura para efetivamente realizarem as cerimônias. Ela fica na região da Kurfürstendamm, que pode ser considerada a Oscar Freire de Berlin, com suas lojas de grife e luxo. Ali perto fica a KaDeWe, uma loja de departamentos cuja visita também vale à pena, especialmente à sua seção de alimentos e bebidas, onde pode-se encontrar itens de qualquer parte do mundo.

Lustgarten - Sanssouci Park - Potsdam

Lustgarten – Sanssouci Park – Potsdam

Quinta:
Ir à Berlin e não conhecer a East Side Gallery é um pecado, especialmente para os apreciadores de street art, portanto, aproveite a quinta para ir até lá, descendo na Ostbahnhof. Infelizmente de uns dois anos para cá os visitantes resolveram “deixar sua marca” escrevendo frases e nomes por cima das pinturas, o que tem levado a prefeitura a cercar o muro. Muito triste. Na volta, desça em Hackescher Markt e escolha entre algum dos museus da Museumsinsel ou então, para quem gosta de história, dirija-se diretamente ao DDR Museum, um museu que conta como era a vida na Alemanha Oriental. Ali na mesma região também existem outros museus, mas um outro que eu sugeriria (que não fica na mesma região), se houver tempo, é o Deutsches Technikmuseum, especialmente pela coleção de trens (sim, trens de verdade, e não é um só), barcos e aeronaves. E agora ainda contam com um anexo com automóveis, computadores e mais algumas bugigangas.

Nikolaikirche - Potsdam

Nikolaikirche – Potsdam

Na volta, vale uma passada em frente a Berliner Dom (fica ao lado do DDR e da Museuminsel) e depois se dirigir à Nikolaiviertel, o bairro onde Berlin nasceu. E estando lá vale muito à pena comer e tomar umas cervejas da Georgbraeu.

Sexta:
Além de vários parques, Berlin conta com várias florestas urbanas. Uma bem simpática, já fora da região central da cidade, é a Akazienwäldchen, próxima a estação Blaschkoallee (que também é bem charmosa). Ao lado do parque fica o Murugan Tempel, um templo indiano bastante colorido. Havendo tempo vale a visita.

O que não se pode deixar de visitar em Berlin é o Tempelhof, um Aeroporto que foi transformado em parque. Além da situação interessante de andar por onde trafegavam aeronaves, vale muito conhecer a história da ocupação e consequente transformação em parque.

Depois do Templelhof, a dica é ir até a Mariannenplatz, no bairro de Kreuzberg. A praça também é bem charmosa e é interessante notar que o tipo de iluminação e postes é diferente de cada lado das ruas que a cercam, já que ela ficava do lado oriental enquanto a rua em sí ficava na parte ocidental.

Dalí dá para caminhar até a Oberbaumbrücke, passando pelo Schlesisches Tor, ambos em Kreuzberg. O bairro de Kreuzberg, junto com Prenzlauerberg, sofreu ocupação de artistas, designers e outros profissionais ligados à arte à partir da metade da década de 90, o que transformou o bairro em um local repleto de galerias, brechós, bares, estúdios e casas de show.

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche

E já que falamos em Prenzlauer, a dica para a sexta à noite é fazer um esquenta no Zu mir oder zu dir (pode-se fumar no bar, o que pode ser incômodo para não fumantes. Cães também são permitidos) e depois procurar alguma festa, show e/ou balada na Kulturbrauerei, uma antiga cervejaria (a tradução exata é “cervejaria de cultura”), convertida em um enorme “shopping” de atividades culturais e de lazer. Podem ocorrer, na mesma noite, nos vários espaços, diferentes eventos. E ai fica à gosto do fregues escolher entre uma festa cubana, uma aula de capoeira, uma peça de teatro, um simples jantar ou uma rave.

Na volta, pegue uma cerveja em alguma das “später Kaufen” (as lojas de conveniências) e aproveite para curtir alguma apresentação que provavelmente estará ocorrendo nas escadarias da estação Eberswaldestraße.

Sábado:
Como disse em um dos artigos linkados acima, se você não tomar cuidado pode se perder e gastar seus dias em Berlin apenas visitando museus. A programação que eu estou citando aqui leva entre 4 e 6 horas e ai sobra tempo para que você escolha alguns museus de sua conveniência e encaixe, mas um dos que eu recomendo muito é o Topographie des Terrors, um museu gratuito que conta (com muitas, muitas fotos) toda a história desde a ascenção de Hitler até a queda do muro. Como fica a um quarteirão de Checkpoint Charlie, vale a passada neste ponto turístico para tirar umas fotos.

Akazienwäldchen

Akazienwäldchen

Se curtir carro e tiver afim de gastar uma grana, o passeio de Trabi do Trabiworld (entre o Topographie des Terrors e o Checkpoint Charlie) vale muito à pena.

Para a noite de sábado, a dica é explorar Kreuzberg, iniciando pela Hopfenreich, com suas 22 torneiras com o melhor da recente cena de cerveja artesanal/especial de Berlin. Na sequencia sugiro o Lido, que sempre conta com algumas apresentações bem interessantes, na linha de Soul, Funk, Disco, Jazz e Rap, inclusive de Brasileiros (Criolo, Emicida e Diogo Nogueira são alguns que já passaram por lá). Antes de sair não esqueça de tirar bastante água do joelho para poder aproveitar um pouco das atrações musicais (bandas, rappers, cantores) que se revezam durante as madrugadas em frente à estação Warschauer Straße. Imagino que se tivesse banheiro ali muita gente nem iria se preocupar em ir para as baladas de Kreuzberg.

Domingo:
Este programa deve ser feito justamente no domingo. Primeiramente desça em Hackescher Markt e caminhe pelo James-Simon-Park à beira do Spree no sentido da Neue Synagoge Berlin, outro local icônico de Berlin e da história do holocausto (a entrada só é liberada aos membros da comunidade judaica por motivos de segurança, e ainda assim após passar por um raio-X). Depois dá para ir andando até a Nordbahnhof, onde começa a Bernauer Straße e um museu a céu aberto sobre o muro.

Tempelhof

Tempelhof

A Bernauer Straße é icônica pois foi dividida ao meio pelo muro e várias das cenas e histórias mais conhecidas durante a construção e a existência do muro ocorreram ali: a igreja da reconciliação, que ficava de um lado enquanto seus fiéis ficavam do outro, o cemitério que foi “deslocado” para acomodar a “death strip”, fugas tanto por túneis quanto de pessoas pulando as janelas. Enfim, é uma aula de história e de a que ponto chega a imbecilidade humana.

A Bernauer termina no Mauerpark (Parque do Muro) um parque que “nasceu” depois da queda do muro, justamente na área da death strip e tem uma história de ocupação parecida com a do Tempelhof. Aos domingos ocorre ali um mercado das pulgas onde pode-se encontrar roupas novas e usadas, artesanato, camisas de times de futebol, brinquedos, eletrônicos, memoriabilia, uniformes militares, enfim, praticamente tudo. No mercado também são montadas algumas “praças de alimentação” com “ambulantes” vendendo comida, muitas delas tradicionais de regiões mais desconhecidas da Alemanha.

Mariannenplatz

Mariannenplatz

Saindo do mercado, o parque em sí também é outra atração imperdível, com gente fazendo churrasco, jogando bola, crianças brincando e muitos, muitos músicos, dos mais variados estilos, fazendo música em troca de moedas. No verão ocorre ainda, no anfiteatro do parque, um Karaokê ao ar livre que é fantástico. Passar um domingo no Mauerpark é a receita para sair com um sorriso de orelha a orelha (depois de derramar algumas lágrimas de emoção).

Observações, dicas e considerações:

  • Apesar do Outono na Alemanha apresentar uma beleza e mistura de cores impressionantes, à partir de novembro várias atrações, como as praias e alguns parques, começam a se preparar para o inverno e portanto fecham. Se puder escolher, a melhor opção é ir entre Abril e Outubro.
  • Interessante como quase nenhum estabelecimento oferece wi-fi. Nota-se que o Berlinense quando vai ao bar com amigos, ele vai ao bar com amigos. Se fosse pra ficar no smartfone ele ficava em casa.
  • Aproveite para tirar alguma foto em umas das várias máquinas espalhadas pela cidade. Custa apenas 2 euros e é um belo souvenir.
  • É tanto lugar legal para conhecer e coisas interessantes para se fazer em Berlin que fica até difícil montar um roteiro para apenas 7 dias e tive que “abrir mão” de várias coisas para não sobrecarregar.

Be happy 🙂

East Side Gallery

East Side Gallery

Warschauer Straße: a verdadeira passarela do álcool....hahaha

Warschauer Straße: a verdadeira passarela do álcool….hahaha

Neue Synagoge Berlin

Neue Synagoge Berlin

Mauerpark

Mauerpark

Botecando #79 – A Casa do Porco Bar – São Paulo – SP

Casa do Porco 1A recém inaugurada Casa do Porco é um misto de bar e restaurante localizado na Região da Praça da República. A localização já é o primeiro ponto positivo para a casa, por “arriscar” a montar um bar “fancy” na região central de São Paulo.

Como o próprio nome diz, a casa é especializada em carne suina (e aqui o contador de pontos positivos já estourou….hahaha) que ao que parece, entrou de vez no cardápio do Brasileiro, que até pouco tempo tinha certo preconceito com a carne (“é forte”, “é pesada”, “faz mal”, etc).

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na casa foi a qualidade do atendimento. Os recepcionistas e os garçons são todos muito solícitos e simpáticos. Junto com a decoração, que é chique sem parecer ser, deixam o bar com aquela cara de boteco, apesar de ser um bar “da moda”.

Outro ponto positivo é que eles oferecem uma carta de cervejas especiais, com destaque para a Horny Pig, uma Session IPA que, apesar de estar gelada demais (a casa é nova, eles acertam isto com o tempo), combina bem com carne suina.

No quesito comida, todas as porções que provamos estavam muito boas: a Porcopoca (um saquinho de pururuca), os Ovos com Bacon, o Torresmo com Misoshiro de Porco (ótimos, tanto o torresmo quanto o misoshiro, foram o destaque) e as Linguiças. Achei que todos eles estavam com um pouco de excesso nos condimentos, mas nada que estragasse o sabor. O pão que acompanha algumas porções, feito em padaria própria, também é muito bom!

Talvez o único ponto negativo seja o tamanho das porções em relação ao preço. Podiam ser um pouco maiores. Mas foram tantos pontos positivos que um negativo não estraga a experiência.

Onde: A Casa Do Porco Bar (Rua Araújo, 124 – Centro – SP)
Quando: 15/01/2016
Bom: atendimento e, claro, porco!
Ruim: porções pequenas pelo preço
Facebook: https://www.facebook.com/acasadoporcobar/

Be happy! 🙂

Até sorriu pra mim!

Botecando #78 – São Cristóvão Bar e Restaurante – São Paulo – SP

Sao Cristovao 01O São Cristóvão é um bar que ficar na Aspicuelta, bem no burburinho da Vila Madá. O nome do bar remete ao time carioca do São Cristóvão de Futebol e Regatas, campeão Carioca de 1926, clube pelo qual passaram Leônidas da Silva (o Diamante Negro, inventor da famosa bicicleta) e Ronaldo Nazário de Lima, o “Fenômeno”, pelas categorias de base.

Como pode-se imaginar, toda a decoração do bar, montado em uma casa, remete ao futebol, com muita memorabília de times, especialmente brasileiros. Um das maiores diversões é sentar perto de uma parede e ficar vendo escudos, fotos e bandeiras de times, especialmente os desconhecidos da grande mídia ou aqueles que já não existem mais.

Sao Cristovao 02Desde a chegada até o pagamento da conta o atendimento feito por todo o staff foi muito, mas muito, acima da média, com garçons prestativos e simpáticos. Pedimos uma porção de calabresa na cachaça que estava muito boa.

Eles oferecem uma carta de cervejas especiais. Tomei uma IPA da casa que não gostei muito, mas só pelo fato do bar contratar uma cervejaria para desenvolver uma cerveja própria, fora do padrão das Lagers comuns, já merece elogios.

Para ajudar, ainda tinha um grupo tocando gafieira da melhor qualidade.

Eu tinha ido ao São Cristóvão há uns 10 anos atrás e havia gostado bastante. Não sei porque demorei tanto tempo para voltar. Creio que não demorarei tanto tempo na próxima.

Onde: São Cristóvão Bar e Restaurante (Rua Aspicuelta, 533 – Vila Madalena – SP)
Quando: 09/01/2016
Bom: atendimento sensacional, comidas, som ao vivo, decoração, enfim, tudo!
Ruim: nada
Facebook: https://www.facebook.com/barsaocristovao

Be happy! 🙂

Sao Cristovao 03

Wanderlust #32 – Praga, República Tcheca

Wencelas Square

Wencelas Square

Não tem como não amar uma cidade que cheira a bacon e onde a cerveja é mais barata do que água!

Praga foi uma das cidades que sempre esteve no topo da minha lista de lugares a conhecer. Em 2012 quando estive na Alemanha pela primeira vez a intenção era ir para lá em um final de semana, mas por conta de custos acabei trocando por Varsóvia, bem menos procurada por turistas, mas que é tão bonita e charmosa quanto Praga. Mas desta vez consegui encaixar na programação.

02 Praga - Republica TchecaA cidade é pequena e, apesar de antiga, muito bem conservada. Além de ser muito charmosa. Em praticamente toda a cidade têm se a sensação de que você voltou no tempo e está na idade média. É tão pequena que, dependendo do pique, dá para conhecê-la praticamente toda em um só dia. Chegamos bem cedo no belo e moderno aeroporto de Praga e nos dirigimos ao centro da cidade (ônibus + metrô). Como ainda eram cerca de 10 horas da manhã e o check in era somente às 14:00, resolvemos dar uma volta.

Começamos em Wenceslas Square, uma bela praça bem no centro, que é cercada por prédio antigos e saimos andando à esmo. Depois de algumas horas andando pelas ruas, paramos para provar a típica sopa de goulash e tomar uma legítima Pilsen Tcheca. Depois de almoçar, já era hora do check in e nos dirigimos ao Fusion Hotel para nos hospedarmos. Por sorte um dos atendentes era Brasileiro e, ao ver que falávamos português, nos deu algumas dicas do que fazer na cidade nos 2 dias em que estaríamos por lá.

Sopa de Goulash

Sopa de Goulash

Na parte da tarde fomos até a Praça da Velha Cidade, uma grande praça rodeada por igrejas, castelos e outros edifícios imponentes. Ali se encontra o Relógio Astronômico que é bem famoso, mas na verdade não tem nada demais além da fama. Se estiver próximo da hora “fechada” ainda vale esperar para ver seu mecanismo funcionando, mas se faltar mais de 10 minutos e a intenção for continuar passeando, pode pular.

Depois seguimos pelas ruas estreitas da velha cidade até Ponte Carlos (Karlovy Most), que junto com o Castelo de Praga são as duas atrações turísticas mais famosas da cidade. Depois seguimos pela margem do Rio até a Ponte das Legiões (Most Legií), que dá acesso à uma pequena ilha que contem um parque e fica bem no meio do rio. Demos uma volta na ilha e atravessamos novamente para os lados da cidade antiga. A alguns metros da Ponte das Legiões fica o também famoso “dancing house”, um prédio com uma arquitetura diferentes que passa a impressão de movimento. Mas é outra atração que pode ser deixada de lado, a não ser por quem tem realmente muito interesse em arquitetura.

Old Town Square

Old Town Square

Já era noite e resolvemos voltar para o hotel, tomar um banho e ir fazer um happy hour no proprio bar (giratório) do hotel. Tomamos duas cervejas lá e fomos até o U Tří zlatých lvů  pois tinhamos lido em alguns blogs e sites que era uma boa opção para jantar na cidade, especialmente pela sua costelinha de porco. O restaurante não era tudo isto e nem a famosa costela era tão boa assim (pelo menos o imóvel abrigou Mozart quando este morou por um tempo na cidade). Teria sido melhor escolher algum lugar aleatóriamente, como fizemos com o Time Out pub: estávamos voltando para o bar do hotel quando passamos em frente uma escada que conduzia ao porão de um prédio e ouvimos uma bela voz feminina cantando modern jazz. Resolvemos arriscar e foi uma grata surpresa. Apesar do pub estar vazio (até a chegada da galera do pub crawl), ele era bem montado e decorado, o atendimento era bom e o trio de Jazz (voz, piano e violão) era muito bom. Ao perceber que éramos brasileiros fizeram inclusive um set com umas 4 ou 5 músicas brasileiras (Tom Jobim, Jorge Benjor, Gilberto Gil, etc) numa roupagem soft jazz. Como o bar virou uma zona quando a galera do pub crawl chegou (era impossível ouvir música, fazer pedidos, etc) e já estava tarde, resolvemos descansar para renovar as energias para o restante do passeio.

Ponte Carlos

Ponte Carlos

No segundo dia na cidade, depois de um café da manhã bem reforçado (com bacon, claro!), atravessamos novamente a Ponte Carlos e nos dirigimos até o Castelo de Praga. O acesso à pé ao castelo, por entre ruas, vielas e escadas, é cansativo (aconselho a pessoas com mais idade ou com algum problema físico a pegar um táxi), mas ao mesmo tempo interessante, principalmente pela beleza das antigas construções. O Castelo também é muito bonito e um dos mais legais que eu vi na Europa. A Catedral de San Vito, dentro do complexo do Castelo, impressiona tanto pelo tamanho, quanto pelas formas e detalhes. Depois do Castelo, fomos caminhando pelo parque Letná até um grande Biergarten onde se pode tomar uma cerveja apreciando a vista da cidade e do rio.

Castelo de Praga

Castelo de Praga

A única programação que eu tinha feito com antecedência era visitar a U Fleků, a cervejaria mais antiga da República Tcheca, e que eu havia visto em um guia de 10 bares a se conhecer no mundo. Não vou dizer que foi uma decepção total porque afinal de contas ainda é cerveja. Mas eu imaginava uma cervejaria que oferecesse uns 4 ou 5 tipos diferentes de cerveja, mas ela produz e vende exclusivamente um tipo de pilsen escura que lembra a nossa Malzbier. Ok, ao menos já tomei cerveja em 5 dos 10 bares da tal lista.

Voltamos para a região da praça da cidade antiga para procurar um lugar para continuar a noite e acabamos topando com a U Medvídků um misto de Hotel, Restaurante e Microcervejaria (esta já desativada, restando apenas os equipamentos como atração turística) que ai sim, servia algumas variedades da Budweiser (a original, não aquela porcaria que se faz nos EUA e que vendem como “premium” no Brasil), todas baseadas no estilo Pilsen, criado e desenvolvido na região. Além da carta de cervejas, o atendimento também era muito bom.

07 Praga - Republica TchecaJá meio alto com os 6 ou 7 canecões de cerveja que cada um de nós haviamos tomado, resolvemos voltar para o hotel, já que o vôo de volta à Berlin aconteceria cedo.

Apesar de pequena e de eu ter conhecido praticamente tudo na cidade, Praga é uma cidade em que, tendo a oportunidade, eu voltaria novamente.

Observações, dicas e considerações:

  • Alguns restaurantes oferecem Shisha em vários “sabores” (geralmente frutas). Shisha nada mais é do que o Narguilê, e não uma bebida, como pode-se imaginar ao ler o cardápio.
  • Ou seja, em vários restaurantes é permitido fumar, se não cigarro, ao menos a tal Shisha.
  • Os motoristas em Praga param em faixa de pedestre. Aliás, literalmente estancam quando vêm algum pedestre se aproximando, mesmo que estejam em alta velocidade.
  • Por outro lado, se você atravessar uma rua fora da faixa, eles vão acelerar o carro.
  • Algumas pessoas haviam me falado (e havia lido bastante à respeito) que o atendimento em praga era ruim, a ponto de ser mal educado. Não sei se foi questão de sorte, mas em todos os lugares por onde passei fui atendido com cortesia e educação.
  • Como disse, a cidade cheira a porco, já que a carne suina é praticamente a base de todos os pratos (outras opções locais são patos e peixes, mas em número bem menor de opções).
  • Em praticamente toda esquina de Praga existe uma banca assando o Trdlo, que é um pão típico da República Tcheca, feito com uma massa parecida com a do Pretzel doce americano e que é enrolada em torno de um cilindro, salpicada com açucar e canela e então assada sobre lenha. O formato lembra uma chaminé e pode-se pedir com algum recheio, tipo Nutella. Não deixe de provar!
  • Interessante a quantidade de bares, clubes e bandas de Jazz na cidade, de todos os estilos (desde dixieland até soft e modern jazz, passando por MPB, Fusion, Big Bands, etc). Tentei encontrar alguma informação que explicasse a razão mas não encontrei. Só me lembrei do filme “O Terminal” do Tom Hanks e imaginei que o país fictício de onde ele se origina (Krakozhia) foi baseado na República Tcheca….hehehe

Be happy 🙂

A Budweiser que presta!

A Budweiser que presta!

Castelo de Praga

Castelo de Praga

Catedral de San Vito

Catedral de San Vito

Castelo de Praga

Castelo de Praga

Castelo de Praga

Castelo de Praga

13 Praga - Republica Tcheca

Biergarten

Biergarten

15 Praga - Republica Tcheca