Sobre os “rolezinhos”: muito barulho por nada! – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 30 de Janeiro de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Eu estava um tanto quanto relutante para escrever sobre a polêmica da vez, o tal “rolezinho”, pois acho que estão gastando muito esforço com uma coisa desimportante. Mas vou fazê-lo mesmo assim, desta vez tentando observar os diversos pontos de vista.

Dos funkeiros “rolezeiros”

Primeiramente, para explicar o “fenômeno”, uma explanação sobre a geografia de São Paulo: a região central e a maioria dos bairros de classe alta e média alta de São Paulo são separados do resto da cidade (basicamente a periferia) pelos dois principais rios que cortam São Paulo (o Rio Tietê e o Pinheiros). Isto cria uma barreira geográfica entre as classes menos privilegiadas e a “elite”, tal barreira foi até cantada em uma música dos Racionais MC’s.

Como morador “do lado de cá da ponte”, do alto dos meus 13, 14 anos, eventualmente, quando havia condições financeiras, juntávamos um pessoal (da escola, do bairro, etc.) e “atravessávamos a ponte” para procurar diversão. Inicialmente esta diversão era concentrada em Shoppings (no caso o West Plaza e o Matarazzo, que ficavam mais próximos) ou o SESC Pompéia, todos eles no bairro Pompéia, Zona Oeste de São Paulo. Mais tarde, migramos para “rolês” na Galeria do Rock (durante o dia) e o bairro boêmio do Bixiga (reduto de vários bares de rock), ambos na região central de São Paulo. Outras “tribos” também buscavam diversão nesta “ilha” que existe na região central de São Paulo: Broadway (pessoal que curtia música eletrônica), Clube da Cidade (black music, samba), Clube do Palmeiras (black music, rap), Caipirão (sertanejo), etc.

O que buscávamos era apenas diversão: comer no McDonald’s, mexer com algumas garotas, mesmo aprontar alguma estripulia nestes lugares (subir uma escada rolante que estava descendo) e, vez ou outra, até uma briga acontecia. Coisas de adolescente. O que este pessoal do rolezinho procura é basicamente a mesma coisa que minha turma procurava: se divertir, beijar, comer e aprontar. O único problema é que, com o advento das redes sociais, estes eventos (que na minha época juntavam 8, 10, 12 pessoas e nunca chegou a passar de 15), tomou proporções bem maiores, chegando a juntar milhares de pessoas.

É claro que, em todo evento que reúne bastante gente, seja ele um jogo de futebol, um show, uma manifestação, uma praia, existirão pessoas de má índole ou má intencionadas, mais ou menos na mesma proporção em que elas existem na sociedade como um todo (aliás, o único lugar em que a existência de pessoas de má índole ou má intencionadas é superior é na política). Porém, como geralmente acontece com o Estado brasileiro, ao invés de identificar e punir os desvios de conduta, o Estado tenta fazer o “mais fácil” e cria proibições. Um bom exemplo: ao invés de identificar e punir eventuais brigões em jogos de futebol, resolveram proibir a entrada de bandeiras, instrumentos musicais ou qualquer coisa que pudesse ser usada como arma (frutas, por exemplo), o que não diminuiu em nada a violência relacionada ao futebol. Outro exemplo bem paulistano: para coibir os excessos no uso da propaganda visual em vias públicas, ao invés de fiscalizar e punir quem não obedecesse as regras, simplesmente resolveram proibir todo e qualquer outdoor em São Paulo. Agora no lugar dos outdoors ou temos muros e paredes cinzas e mal conservadas ou pixações. Chegou-se ao ponto de um vereador querer proibir o uso de motos para levar caronas, pois a maioria dos crimes praticados com motocicletas era praticado por duas pessoas. (Não seria mais fácil prender os bandidos?)

À despeito do tipo de som que estes adolescentes ouvem, ninguém pode julgar ninguém. Eu não gosto de funk, mas tem muita gente que também não gosta dos sons que costumo ouvir. É uma questão de gosto e ponto.

Dos Shoppings

Com o incremento na renda média do brasileiro e a consequente ascensão em massa de pessoas das classes D e E para as classes C e B que ocorreu nos últimos 20 anos no Brasil, os empreendimentos comerciais e de lazer resolveram “atravessar a ponte” para o lado de cá do rio. O problema é que, ao invés de tentarem entender o comportamento do público de periferia, estes empreendimentos vêm tentando implementar a mesma solução que existe nos bairros de classes A e B.

Não adianta fazer um shopping com música clássica como som ambiente, pois as pessoas de periferia, na sua grande maioria, ouvem samba, rap, sertanejo e funk. Este público tem comportamento diferente do público dos shoppings tradicionais e estes ambientes deveriam ser pensados exclusivamente para eles. Os mesmos “pais de família” que as administradoras de shopping alegam estar protegendo, há 10 anos atrás eram os mesmos adolescentes que hoje se reúnem nos tais “rolezinhos”.

Aliás, acho muito interessante que nenhum destes experts em mercado tenha atentado para o poder de consumo destes adolescentes. Muitos deles trabalham ou ganham mesada dos seus pais, o que os permite comprar os tais tênis de mil reais, bonés e camisetas de duzentos reais e andarem cheios de jóias. Além do potencial atual de consumo, estes lojistas estão se esquecendo que daqui cinco, dez anos, estes mesmos adolescentes serão os pais de família que irão frequentar as praças de alimentação e consumir nestes mesmos estabelecimentos.

Dos movimentos sociais e políticos e dos “experts” em comportamento humano

Aqui é um caso de tentar “capitalizar” um movimento sócio-cultural (sim, é cultural, mas está muito longe de ser político) para fomentar uma luta (de classes, de ideologias) da qual nem mesmo os participantes do movimento querem fazer parte, se é que estão cientes (como disse, eles só querem, como todo adolescente, se divertir).

Aí vêm os partidos e movimentos que tentam angariar simpatizantes entre as classes menos favorecidas pregar a eterna “luta de classes”, dizer que estes jovens veem no shopping o único lugar de lazer possível, pois não existem opções na periferia (engraçado que estes jovens elegeram os tais “templos do consumo” como opção de lazer).

Do outro lado, vêm os partidos e movimentos que tentam angariar simpatizantes entre as “elites” tentando insinuar que estas pessoas estão “invadindo” o seu território (todos os movimentos espontâneos ocorreram em shoppings de periferia) e generalizando todos estes adolescentes como bandidos (Por morarem na periferia? Por ouvirem funk? Por se vestirem espalhafatosamente?)

Da Mídia

A mídia vive de audiência. É com base na audiência que ela angaria mais anunciantes e patrocinadores e, consequentemente, mais dinheiro. É este o negócio deles. Como ficou bem claro durante as manifestações de Junho do ano passado, quando ao identificarem o apoio da maioria da população aos protestos, os órgãos de imprensa mudaram o discurso, que inicialmente classificava os atos como baderna para classificá-los como “uma linda manifestação do povo brasileiro”; a opinião deles muda conforme o “Ibope” que têm.

Então não se deve dar muita atenção ao que é veiculado, pois eles vão mostrar o que a maioria quiser ver e ouvir.

Do Estado

Como os próprios administradores de shopping alegam na tentativa de evitar os tais “rolezinhos”, o shopping é um local privado, portanto, não deveria ser o Estado (através de seu aparelho policial) o responsável por prevenir tais eventos e muito menos por zelar da segurança dos mesmos. Os próprios empreendimentos que contratem seguranças particulares, coloquem grades, proíbam menores desacompanhados… À polícia só cabe intervir em caso de algum ato ilícito estar sendo cometido.

Da mesma forma, chega a ser deprimente juízes perdendo o seu (nosso) precioso tempo para analisar pedidos e conceder liminares. Que os shoppings barrem quem quiserem barrar e, se alguém se sentir discriminado, aí sim, que procure a Justiça para exigir reparação, lembrando sempre que o ônus da prova cabe a quem acusa.

Das “Elites”

Uma das características do ser humano é tentar se diferenciar dos demais. Maslow explica isto de uma forma bem clara em sua pirâmide das necessidades humanas: satisfeitas as necessidades básicas (segurança, alimentação, sexo, etc.), outras necessidades surgem, como as necessidades sociais, de estima e de realização pessoal.

Numa sociedade capitalista, onde o dinheiro faz diferença e é medida de sucesso (antes de mais nada, não é uma crítica, é uma constatação), quem sempre se diferenciou neste quesito se sente “atacado” ao ser colocado no mesmo nível da maioria (não que foram rebaixados, os outros é que ascenderam). Daí nascem as críticas à capacidade atual de mais pessoas provenientes de baixa renda poderem viajar de avião (Vejam só, até para Miami!), terem carros importados (já vi Ferrari e Lamborghini aqui na Zona Norte de São Paulo) e estarem aptos a frequentarem e consumirem em shoppings.

É normal e totalmente compreensível, do ponto de vista do comportamento humano, o incômodo que quem sempre esteve por cima está tendo neste momento.

Conclusão

O movimento do “Rolezinho” é apenas um movimento social, que como tantos outros tende a ser efêmero. Daqui a pouco aparece outro modismo adolescente que vai despertar o interesse dos vários atores da sociedade. Estes adolescentes estão apenas procurando fazer o que todos os outros adolescentes, do mundo todo, independentemente de classe social, nível cultural e educacional fazem, que é apenas se divertir sem compromisso.

Os movimentos políticos e sociais resolveram tomar isto como bandeira para suas ideologias e seus projetos políticos, enquanto a mídia está dando uma atenção excessiva, a fim de angariar audiência. O Estado, que deveria interferir somente em casos extremos, até por ser formado por políticos, também está dando muita atenção ao fato.

Quem sempre foi “diferenciado” pelo poder aquisitivo, está se sentido perdido, pois seu ego não admite que pessoas de origem mais humilde hoje tenham acesso aos mesmos lugares, produtos e serviços que os diferenciavam, que os faziam “elite”.

Até aí tudo normal.

A única coisa que não achei normal nesta história toda foi a reação da iniciativa privada. Eles poderiam estar capitalizando em cima deste movimento, formando uma forte base de clientes (atuais e potenciais). Acho que eles precisam dar uma lida no livro “A Riqueza na Base da Pirâmide”, do professor C.K. Prahalad. Eu, se fosse um deles, já teria “oficializado” o evento, como por exemplo, agendando para um domingo por mês um “rolezinho oficial”. Aí quem não desejasse participar ou se sentisse incomodado, nem iria frequentar o shopping neste dia.

Be happy! 🙂

The Phoenix Project: A Novel about IT, DevOps, and Helping Your Business Win – Gene Kim, Kevin Behr e George Spafford (06/2018)

Trabalho com tecnologia da informação desde 1992 (caramba! 26 anos já!). Lá no início e durante boa parte da minha carreira, na transição de sistemas centralizados baseados em Mainframe para computação distribuida, impulsionada pela popularização dos PCs, as equipes de desenvolvimento de aplicativos trabalhavam no mesmo lugar e todos eram responsáveis por todas as partes do aplicativo (banco de dados, interface de usuário, segurança, fazia os testes, etc.), bem como todos eram também responsáveis por fazer a análise do sistema, a arquitetura, a implementação e o suporte. Se o aplicativo era muito grande ou complexo existiam pequenas equipes cuidando de partes do sistema (o cadastro de usuários, interface com outras aplicações, relatórios, etc.), mas cada uma destas pequenas equipes (que tinham uma coordenação central) cuidava de todos os componentes e fases.

Entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000, com a onda de reengenharia e terceirização, algum “guru dos negócios” (que nunca deve ter escrito um “hello world” na vida) resolveu achar que separar as funções iria trazer algum ganho. E como ocorre muitas vezes na área de tecnologia (em geral, não só da informação), alguém em algum posto alto tem uma idéia e força a implementação sem a menor idéia de quais as consequências na execução do plano. E como geralmente ocorre no meio empresarial, basta um fazer para todo mundo copiar.

Depois de uma década de projetos infinitos e bilhões de dólares desperdiçados em aplicativos que nunca se estabilizam (isto quando não são abandonados), finalmente chegaram à conclusão de que era melhor da forma antiga (ah vá!). Foi quando surgiu o movimento DevOps, que no fundo é uma volta àqueles tempos (com o auxilio de tecnologias e metodologias recentes para aumentar a produtividade da equipe). Alguns destes métodos já são utilizados há décadas em manufaturas e cairam como uma luva em TI. A Teoria das Restrições (Theory of Constraints) traz alguns destes métodos e ferramentas.

The Phoenix Project traz as agruras causadas por esta segmentação (time de desenvolvimento, de suporte/operações, de segurança, de testes, etc.) e a transformação deste modelo novamente para um modelo de times integrados, responsáveis por todos os componentes e fases do ciclo de vida de um software, inclusive além das fronteiras de um projeto (ou melhor ainda, não limitados por um projeto). Mas o legal do livro é que ele faz isto através de uma estória, com personagens, enredo, ambientação, início, meio e fim. E é impossível para quem viveu os dois mundos (ou três, se considerar o estado anterior, como no meu caso) não identificar as situações e os personagems e fazer paralelos com situações vivenciadas e pessoas com as quais trabalhamos ao longo da carreira. O livro é tão interessante que cheguei a ler 60 páginas de uma vez só, pois ao final de cada capítulo tinha um gancho que me fazia ler o seguinte.

O livro é interessante mas deixa uma sensação de “não precisava ter passado por isto”, já que a maioria das pessoas que “botam a mão na massa” já imaginava que a segmentação era uma aposta muito arriscada. Dá vontade de soltar um “eu não disse?”. Como disse o CIO da minha empresa outro dia, “DevOps é tão anos 90!”

Be happy 🙂

Wanderlust #45 – São Paulo – Brasil

(18/Ago/2017-02/Set/2017)

Praça Roosevelt

Uma vez assistindo um programa sobre brasileiros que moram no exterior (o programa era sobre Berlin, se não me engano), uma das brasileiras entrevistadas soltou uma frase maravilhosa: “o migrante se torna um apátrida, pois o país para o qual ele imigrou nunca será o seu lar, e o país do qual ele emigrou nunca mais será o seu lar”. Após quase um ano morando fora fui entender o sentido da frase. Mesmo com toda a tecnologia de comunicação disponível, principalmente através da internet, quem está fora do país acaba por perder referências durante o tempo que passou fora (de cultura, de política, etc.), ao mesmo tempo em que não tem as referências do novo país (um desenho que as pessoas assitiam na infância, uma moda, um brinquedo ou um programa de TV de dez anos atrás, etc.). O Gilberto Gil cantou isto lindamente na maravilhosa Lamento Sertanejo, em parceria com o Dominguinhos (aqui tem uma versão imperdível com o Hamilton de Holanda, a caboverdiana Mayra Andrade e o Yamandu Costa). E foi com este vácuo de quase um ano perdendo referências (ainda pouco tempo, mas uma diferença perceptível) que visitamos São Paulo pela primeira vez na condição de turistas (a primeira volta, em Dezembro, não conta, pois foi um “bate-e-volta”).

A primeira coisa notável é a forma como rapidamente já incorporamos alguns costumes, a ponto inclusive de nos irritarmos um pouco com alguns comportamentos, como por exemplo a falta de respeito às leis de transito. A cidade em sí não mudou muito, o que particularmente achei um mau sinal. São Paulo vinha numa mudança nos últimos 6 ou 7 anos para um estilo de cidade mais parecido com o que eu idealizo em uma metrópole, especialmente no que diz respeito ao uso do espaço público por sua população (não adianta, sempre terei Berlin como referência neste quesito). Parece que aquele impeto de ocupar os espaços públicos deu uma aplacada. A Praça Roosevelt, a Consolação e a Avenida Paulista (em um dia normal) me pareceram menos “festivas” do que eram quando nos mudamos. Felizmente a própria Paulista aos Domingos e a Vila Madalena, ainda estão com bastante atividade (apesar do clima um pouco diferente).

Este é um Wanderlust um pouco diferente. Sei lá, não sou mais um “paulistano”, mas ao mesmo tempo ainda não me sinto como um turista na cidade. Ainda posso dar dicas de alguns lugares interessantes, mas as dicas seriam de um “nativo” de um tempo passado (ou seja, podem ser uma furada), e não de um turista. Então desta vez vou me abster.

Se esta sensação me dá algum arrependimento da mudança? De forma alguma! Toda escolha que se faz na vida é sempre múltipla: voce escolhe uma opção, mas ao mesmo tempo deixa de escolher infinitas possibilidades. E eu acho uma besteira ficar com saudades do que poderia ter sido (obrigado Paul Austin). E como diria o mesmo Gilberto Gil, “o melhor lugar do mundo é aqui e agora“. E até que a sensação de “falta de pertencimento a algum lugar” (que na verdade não é nova, pois já fazem uns dez anos que eu não me sentia “em casa” no Brasil) se aplacou um pouco quando o oficial da alfândega nos desejou um “Welcome home!”.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu ainda estou pra ver alguma outra cidade que tenha algo como a Vila Madalena em termos de vida noturna. Uma mistura de tribos, de estilos, uma gama tão grande de opções (em uma área geográfica relativamente pequena) que ainda não encontrei nada nem parecido em Nova Iorque, Los Angeles ou Berlin (pra citar as grandes metrópoles que conheço a fundo e que são comparáveis a São Paulo, não conheço muito bem Londres).
  • Como querem promover o turismo na cidade se um turista não consegue nem comprar um bilhete único para se locomover pela cidade?

Be happy 🙂

Metrô Consolação: em SP pode beber em público. Não pode beber no metrô, mas pode também!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz) – ficou muito legal com os grafites!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Avenida Paulista aos Domingos – a ocupação do espaço público ainda resiste!

Beco do Batman – Vila Madalena

Pôr-do-sol na Ponte da Casa Verde/Marginal Tietê

What Is This Thing Called Theory of Constraints – Eliyahu M. Goldratt (05/2018)

Eu já falei e vou continuar falando que eu não gosto de livros de auto-ajuda, sejam pessoais ou “corporativos”. Qualquer coisa que envolva a “variável indomável” chamada “gente” (o ser humano) não é passível de possuir uma fórmula, uma receita, que possa ser replicada. No máximo pode-se compartilhar experiências e usar o passado como uma baliza para tentar prever e moldar o futuro. Como diria o mestre Raul Seixas, “cada um de nós é um universo“.

Mas eu “tive” que ler este livro (ossos do ofício) e, conforme outro axioma que eu tenho, qualquer livro tem algo aproveitável. Aliás, até ler bula de remédio é melhor do que não ler nada. Mas vou dizer que, apesar do teor auto-ajuda-corporativa, o livro traz uns pontos bem interessantes.

O primeiro é uma ferramenta chamada evaporating cloud, que tem o intuito de dirimir conflitos, desde que exista um objetivo em comum. Na maioria dos casos o conflito é resolvido analisando-se as premissas que cada parte tem e chegando num meio termo viável, isto quando ele não se resolve apenas com cada uma das partes conflitantes entendendo as razões da outra parte.

Outro ponto interessante é a forma como o “facilitador” do processo cria o entendimento acerca do problema. Utilizando o método socrático, através de questões e nunca dando as respostas, ele induz os próprios envolvidos a chegarem a conclusão de qual é o problema, sua causa e as possíveis soluções. Esta forma de solucionar o problema é chamada pelo autor de efeito-causa-efeito: primeiro detecta-se o problema (efeito), depois a causa do problema (causa) e depois, ao alterar a variavel da causa, tenta-se resolver o problema (efeito novamente).

O livro tem outros conceitos interessantes que são utilizados há décadas em manufaturas e, recentemente, vêm sendo implementados na área de Tecnologia da Informação (minha praia). A Teoria das Restrições (Theory of Constraints) é a base para um outro livro que estou lendo (Phoenix Project), que aplica os conceitos em um caso fictício, em forma de uma história (com enredo, personagens, etc). Mas fica para a próxima resenha.

Be happy 🙂

Sucker’s Portfolio – Kurt Vonnegut (04/2018)

Encontrei Kurt Vonnegut em uma referência do Orwell’s Revenge (agora lembrei que foi onde também encontrei a referência à The Machine Stops), pesquisei pelo autor na Amazon e coloquei alguns títulos dele meio que aleatóriamente na minha lista. Há quase um ano atrás fui comprar alguns livros e resolvi “experimentar” algum do autor, escolhendo este, também aleatóriamente, entre uns dez títulos que que eu tinha salvo.

Sucker’s Portfolio é uma coleção com seis contos e um texto que pode-se classificar como uma crônica. A coletânea foi lançada inicialmente pela Amazon em versão e-book e posteriormente na versão impressa. Os contos são em sua maioria histórias simples, de cotidiano, com uma linguagem fluída e que te leva a grudar no texto até que ele acabe. Mesmo Robotville and Mr. Caslow, um texto inacabado e que pode ser considerado um “conto de ficção científica” é algo factível em um futuro próximo (meio na linha Black Mirror).

Mas o capítulo que eu mais gostei foi o de crônica. Entitulado de The Last Tasmanian, é uma coletânea de pensamentos aleatórios, mas interligados, que o autor teve à partir de um número (1492, o ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América). Pelo que o texto deu a entender, o autor estava sozinho (quer dizer, com o seu gato) e começou a colocar no papel uma série de idéias que eram “sugeridas” pela idéia anterior. Tanto que o texto apresenta muitas vezes a expressão “e por falar nisto”. Achei muito interessante esta forma fluída de colocar idéias no papel. Preciso pegar um tempo para tentar o mesmo exercício algum dia.

Gostei bastante do estilo de Vonnegut e suspeito que ele tende a se tornar um dos meus autores favoritos em dois ou três livros.

Be happy 🙂

Wanderlust #44 – Mystic e New Haven – Connecticut – Estados Unidos

(21/Jul/2017-23/Jul/2017)

Yale tem até uma usina termoelétrica própria!

Este post vai ser curto, porque o passeio em si foi curto. Quer dizer, demorou pra chegarmos lá, mas as atrações eram limitadas. Nesta “missão” de conhecermos o maior número possível de estados americanos enquanto estivermos por aqui, fomos desta vez conhecer o pequeno estado de Connecticut, no noroeste dos EUA, região conhecida como Nova Inglaterra (expliquei no post de Boston). Como não conseguimos achar muitas atrações turísticas por lá, decidimos escolher a cidade que seria, teoricamente, a mais movimentada como base. New Haven, além de ter a segunda população do estado, com “impressionantes” 130 mil habitantes (pouco menos que a Freguesia do Ó), é onde fica a Yale University.

Chegamos na cidade na sexta à tarde, demos uma volta rápida e já paramos na Cask Republic para tomarmos umas. Saimos do bar e fomos andar um pouco mais pela região central, que é cheia de bares e restaurantes e paramos novamente, desta vez no The Beer Collective.

No sábado de manhã dirigimos cerca de uma hora até a cidade de Mystic, uma pequena cidade de veraneio que fica num “braço de mar” do Oceano Atlântico. Apesar de pequena, a cidade era bem movimentada, além de ser bem charmosa. Andamos por umas duas horas na cidade, paramos para tomar um sorvete e voltamos para New Haven.

Já em New Haven, fomos conhecer a cidade com um pouco mais de tempo, mas mesmo assim o passeio foi bem rápido. Passamos pela New Haven Green, a praça central da cidade, onde a noite aconteceria um show (e o pessoal já estava se acomodando), alguns prédios antigos que pertenciam à Yale e depois fomos para a região onde a maioria dos prédios da universidade se concentram. Diferente de Boston (MIT e Harvard) e Princeton (uma hora eu escrevo sobre), Yale é aberta e não dá para saber onde começa ou termina a universidade, exceto pelos nomes das escolas nos prédios. Uma diferença também é que os prédios, apesar de seguirem o estilo da Nova Inglaterra, tem um ar mais moderno. Arquitetura interessante.

Paramos no meio do caminho na Three Sheets para algumas cervejas e depois prosseguimos andando a esmo pela cidade. Caminhando novamente perto do hotel encontramos o melhor achado da cidade, o Barcade, um fliperama (com várias máquinas clássicas) com um bar de cervejas especiais. Que idéia fantástica!!!!

Apesar de não ter praticamente nenhuma atração turística, se fosse mais perto (umas duas horas), até que eu voltaria para a cidade outras vezes para curtir os bares e o clima jovial. E pernoitaria em Mystic para aproveitar a pequena cidade de veraneio.

Observações, dicas e considerações:

  • Infelizmente não achamos uma cervejaria na parte centra da cidade para fazer a famosa foto com o sample flight.
  • Connecticut e um nome dificílimo de pronunciar!
  • Pela Internet, música do Gilberto Gil do disco Quanta, de 1997, faz uma pequena referência ao estado.
  • O barman (acho que era dono) do Barcade, ao ver minha camisa do Santos já perguntou de cara: “brasileiro?”, quando respondi que sim ele me disse que era “corintiano” e depois me explicou que teve um grande amigo brasileiro que morava na cidade e que o “convenceu” a torcer pelo Corinthians. Talvez isto também explique o piso à lá calçadão de Copacabana no bar.

Be happy 🙂

Mystic

Mystic

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

Barcade, New Haven

Barcade, New Haven

New Haven

New Haven

The Machine Stops, The Celestial Omnibus, and Other Stories – E. M. Forster (03/2018)

Eu vou comprando livros e acumulando e as vezes nem lembro o que me levou a comprá-los. Comprei este livro há alguns (vários) meses atrás e não lembro quem deu a “dica”. O livro é um compêndio de estórias curtas de Edward Morgan Forster, um famoso escritor inglês que eu não conhecia, mas que pelo que eu pude pesquisar, possui uma vasta obra, algumas delas transformadas em filmes e séries pela BBC.

A primeira história do livro, The Machine Stops, é bem interessante e retrata, no melhor estilo distópico, uma sociedade futura onde as pessoas vivem em “vomitórios”, que se tratam de “células hexagonais” em colônias subterrâneas. Estas pessoas passam o dia todo se comunicando através de um sistema interligado (outra previsão do surgimento da Internet?), atendendo e dando aulas. Não há mais a necessidade de sair dos vomitórios porque finalmente chegaram à conclusão de “por que usar transporte para levar as pessoas às coisas, quando é mais fácil levar as coisas às pessoas?” (Amazon?!?!?). E não há a necessidade das pessoas visitarem outros lugares, já que tudo é “lamacento e poeirento” (e a máquina “conecta” as pessoas).

A entidade que controla tudo isto é conhecida como “A Máquina” (The Machine) e, apesar de, em tese, não existir religião nesta sociedade global, os membros acabam cultuando a própria máquina. Um dos membros desta sociedade resolve se aventurar na superfície e descobre que na verdade ainda existe um mundo a ser visto fora dos domínos d’A Máquina. A estória me lembrou muito Der Fisch.

Como gosto do estilo distópico, achei The Machine Stops bem interessante, ao contrário dos demais textos do livro. Apesar do conto principal ser uma estória fantástica, ao menos é algo factível. As demais estórias são fantásticas, mas já vão para o lado do misticismo, especialmente relacionados à um “ente superior que domina a natureza”.

Além de tudo o inglês utilizado é de difícil compreensão. Tive que reler vários parágrafos para poder entender. Encontrei uma versão traduzida de The Machine Stops aqui (tem o texto original e a tradução).

Be happy 🙂

Der Fisch – Lothar Streblow – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 15 de Julho de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Numa das aulas de alemão aqui em Berlim tive a grata surpresa de ouvir Der Fisch (O Peixe), uma ficção cientifica no melhor estilo distópico. Criada em 1972 (portanto, em plena Guerra Fria) por Lothar Streblow e produzida pela rádio Bremen, Der Fisch ganhou o prêmio de “Melhor Estória Radiofônica” daquele ano, concedido pelo consórcio das empresas radiofônicas da Alemanha (ARD). Infelizmente, não encontrei uma versão com legendas ou mesmo a transcrição da história. Porém, para quem entende um pouco de alemão, ela pode ser encontrada aqui.

A história é basicamente o diálogo (na verdade, uma sessão de interrogatório) entre um representante do Estado (der Vertreter der Behörde) e um cidadão (que veremos ser, na verdade, um réu – der Geladener) que afirma ter visto um peixe. O problema é que, em 2092 (período em que a trama acontece), as pessoas vivem dentro de redomas de vidro e não existe vida fora desta.

Outro “personagem” importante da obra é um computador (o “sistema”) que guia o representante do Estado e é suprido por ele com informações obtidas do cidadão.

Durante o diálogo, o representante tenta convencer o cidadão de que ele não viu o peixe, afinal isto seria impossível. Portanto, deve ter ocorrido uma simples ilusão de ótica, uma alucinação ou algo do tipo. O cidadão, por sua vez, não esconde a euforia: diante da possibilidade da existência do peixe fora da redoma, a probabilidade de existência humana também é grande.

O cidadão se incomoda muito pela forma com a qual o representante do Estado ignora a possibilidade da existência do peixe, até o momento em que o representante, ao ver que não conseguiria convencer o cidadão, expõe toda a verdade: o Estado (o computador – der Computer) e seus agentes sabem da existência de vida fora da redoma. Entretanto, a vida dos cidadãos é bem melhor na forma como está: confinados dentro da redoma e sem saber o que se passa fora dela.

Neste momento, o representante revela que aquilo não se tratava de um interrogatório, mas sim de um julgamento, onde a negação da vida fora da redoma (consequentemente a aceitação da “verdade” que o sistema impunha ao cidadão) seria motivo para absolvição e a convicção da verdade (da existência do peixe) foi o real motivo para condenação.

No final da estória o cidadão é condenado à reciclagem, ou seja, à morte.

Além da metáfora evidente do sistema vigente nos países do bloco comunista à época (e de sistemas atuais, como o de Cuba, Coréia do Norte e ainda a China), foi interessante notar a similaridade com 1984, além da semelhança dessas duas com a trilogia Matrix.

Quando meu alemão estiver melhor tentarei fazer uma transcrição e uma tradução do texto para vocês.

Be happy! 🙂

A Field Guide to Lies – Daniel J. Levitin (02/2018)

Em tempos de “pós-verdades” e fake news, é muito importante ficar atento à qualidade das informações que são obtidas, principalmente na Internet. É mais importante ainda verificar a veracidade e factualidade de qualquer informação antes de propagá-la. Em A Field Guide to Lies, Daniel Levitin traz um guia básico para fact-checking, especialmente relacionado às mídias sociais.

O livro é dividido em três partes que explicam como se pode mentir usando dados, palavras e credibilidade. A maioria dos exemplos utilizados são normalmente usados para sustentar falácias lógicas e, apesar de muitas vezes as “mentiras” se originarem apenas de erros (falta de conhecimento do autor) ou crendices (como as teorias da conspiração), em vários casos estas mentiras são geradas propositalmente, pois alguém ou algum grupo de interesse terá alguma vantagem (ou evitará alguma desvantagem) com a disseminação da mentira ou hoax (os boatos de internet). 

Os interesses vão desde motivos políticos e ideológicos (alavancar ou atacar uma corrente) até financeiros (obter lucro ou apoio da sociedade), não sem deixar de passar por questões religiosas (a pura crendice). E os meios são vários: cherry-picking (apresentar somente um pedaço da informação), descontextualização, representação gráfica confusa, apelo à autoridade, desqualificação/qualificação do autor (ao invés da idéia), etc.

Normalmente se conta uma mentira através de “pequenos pedaços da verdade”, o que acaba por convencer os menos céticos ou preparados para questionar as informações. E o autor monta um guia que mistura um pouco do método científico com a apuração jornalistica. Para quem já é habituado com o método cientifico, pode ser um livro até simples demais, mas com certeza é um bom guia para quem não está acostumado ao pensamento cético.

Uma pena que ainda não esteja disponível em Português!

Be happy 🙂

Wanderlust #43 – Lisboa, Sintra, Cascais e Setúbal – Portugal (Parte II)

(27/Jun/2017-03/Jul/2017)

Praça do Comércio – Lisboa

Dia 1
Chegamos na fantástica Estação do Oriente (que inclusive me lembrou a Hauptbahnhof de Berlin) e pegamos o trem local (tipo um CPTM) até Entre Campos, onde ficava o nosso hotel. Deixamos a mala e fomos dar uma volta, seguindo pela Avenida da República, que é uma área com muitos prédios comerciais. Descemos logo após pela Avenida da Liberdade até a região turística de Lisboa, que fica bem próxima ao Tejo.

Demos uma volta pela regiao do Chiado, Baixa, Rossio e Praça da Liberdade, bem rapidamente, pois queriamos parar em algum barzinho na Alta para tomarmos algo e darmos uma descansada.

O Bairro da Alta é formado por uma série de ruas paralelas, bem estreitas. Perpendicularmente existem vários “escadões”. A região é repleta de casarões antigos que foram convertidos em hotéis, hostels, bares, restaurantes, entre outros, e se juntaram aos comércios mais antigos.

Primeiramente paramos em um pequeno bar de cervejas especiais que encontramos por acaso (e cujo nome eu incrivelmente não me recordo). Depois encontramos uma tasquinha com mesas nos degraus (esta ficava numa perpendicular), onde pudemos nos sentar e petiscar algo enquanto observávamos a movimentação. A região da alta lembra muito a Vila Madalena, com uma galera bem diversa (turistas mais “chiques”, mochileiros e locais) circulando por ali, muitas vezes comprando cervejas num mercadinho e simplesmente sentando nas escadarias para ver o tempo passar.

Dia 2
Saimos cedo, debaixo de uma leve chuva, em direção a parte “turística” de Lisboa.  Passamos pelo Parque Eduardo VII e descemos por ele até a Praça Marques de Pombal. Pegamos a Avenida da Liberdade até a Praça dos Restauradores, onde pegaríamos o elétrico (como são conhecidos os bondes em Lisboa) até Belém.

Descemos em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, uma bela construção de mais de quinhentos anos que lembra o Mosteiro do Largo São Bento, em São Paulo. Atravessamos o Jardim da Praça do Império em direção à margem do Tejo. Fomos até o Padrão dos Descobrimentos, que é um monumento em homenagem aos navegadores e descobridores portugueses. Achei bem interessante, mais até do que a Torre de Belém, que fica logo ao lado e é a principal atração da região (Belém é um bairro de Lisboa, e não outra cidade, como pensava). A torre é até bonita, mas talvez quem ouça falar pense que ela é grande. Paga-se para entrar na torre (não fizemos). Ao lado da Torre fica também o Farol.

Na volta à região do Mosteiro, passamos pelo Centro Cultural de Belém, que é uma edificação antiga (provavemente um forte) que foi reformado para abrigar restaurantes, cafés e galerias de arte. Claro que antes de pegar o elétrico (que tem wi-fi livre!) de volta à região central de Lisboa, fomos experimentar os famosos Pastéis de Belém.

Desembarcamos do elétrico no Cais do Sodré, uma das várias regiões revitalizadas de Lisboa. Existem várias barraquinhas com comida e bebida e vale uma parada (pena que estava ventando muito!). Fomos em direção à região da Baixa-Chiado pois queria ir numa cervejaria naquela região. Paramos antes para comer no Tapas da Trindade, que tem petiscos muito bons. Depois finalmente fomos no Duque Brew Pub, que fica em um dos varios escadões que ligam a região da Baixa à Alta.

Depois das cervejas, fomos jantar no restaurante Lisboa 33 e, quando estávamos nos dirigindo ao metrô para voltar ao hotel, notamos que estava rolando uma apresentação de música no Largo Duque de Cadaval. Sentamos num bar por ali e, assim que pedimos a cerveja, a apresentação terminou. Pelo menos deu pra tomar mais uma!

Dia 3
Na quinta-feira tomamos o trem em direção a Sintra, uma cidade bem turística a oeste de Lisboa, em uma região montanhosa. Lá passamos pelo Palácio Nacional e pegamos a trilha que existe no Parque da Pena para subirmos morro acima até o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena.

A trilha tem uns três quilômetros de subida por um caminho bem sinuoso. É cansativo porém vale muito a pena para quem tem pique, já que o parque é bem bonito. Também se tem uma boa vista da cidade (que fica na parte baixa). Dá para tomar ônibus, táxi ou então optar por um dos diversos modos oferecidos pelas agências locais para se chegar até o topo. Preferimos não entrar em nenhum das duas atrações e resolvemos apenas vê-las por fora (o acesso é pago).

Na volta demos uma passada em frente à Quinta da Regaleira (cujo acesso também é pago) e passeando pelas ruas estreitas da cidade acabamos encontrando a Tascantiga, uma tasquinha bem aconchegante e com ótimas opções de petiscos, onde aproveitamos para “almoçar”.

De volta a Lisboa, conforme já haviamos nos programado, fomos visitar a Cerveteca, um bar de cervejas especiais bem interessante. Só precisa chegar cedo pois como o lugar é pequeno, lota rapidamente. Na saída fomos comer algo na Pão de Canela, que fica em frente ao belo Jardim Fialho de Almeida. Infelizmente não havia mais pães de sandes!

Dia 4
Na sexta fomos conhecer Cascais, mas descemos na estação de Estoril, que é uma freguesia (o equivalente aos bairros brasileiros) do município de Cascais e fomos andando em direção à area central da cidade (e mais além). Nesta caminhada, passamos por diversas praias, como a Praia do Tamariz, a Praia da Duquesa, a Praia da Ribeira. Todas muito belas, bem limpas, com água azul transparente.

Depois do centro da cidade, visitamos a Fortaleza Nossa Senhora da Luz, que foi transformada em um centro de artes com o nome de Cidadela Art District. Seguindo em direção à Boca do Inferno, uma falésia que foi esculpida pela açao das ondas, passamos também pelo farol de Santa Marta. Na Boca do Inferno existem uns dois ou três estabelecimentos para tomar um “refresco”, então aproveitamos para tomar umas cervejas artesanais que eles tinham engatadas. Na volta, como fazia tempo que não tomávamos cerveja na praia, resolvemos parar em um restaurante da Praia do Tamariz para tomarmos algumas geladas. Vou dizer que moraria fácil em Cascais / Estoril!

Na volta à Lisboa descemos no Cais do Sodré para caminharmos até a Sé de Lisboa. Também passamos pelo Portal de Alfama (que depois fui conhecer mais ao ler a História do Cerco de Lisboa, do Saramago), o Castelo de São Jorge e, andando pela região de Alfama acabamos caindo n’O Galhardo onde experimentamos um chouriço assado na hora e uma ótima farinheiro com ovos.

Dia 5
Sábado resolvemos ir até Setubal, meio que de última hora (a gente não faz muita programação antecipada). O passeio de trem passando pela Ponte 25 de Abril (irmã da Golden Gate, em São Francisco, que também tem algumas outras semelhanças com Lisboa) é em si uma atração turística. Lá chegando fomos andando a esmo pela cidade, primeiramente passando pelo Mercado do Livramento (conhecer os mercardos centrais das cidades é um ótimo programa), e depois na Praia da Saúde, onde paramos no Rockalot para experimentar o imperdível Caipirão.

Seguimos até o Parque Urbano de Albarquel e depois voltamos para a melhor das descobertas da cidade: o Yellow Bus, que já haviamos visto anteriormente, mas que estava fechado e nos programamos para voltar mais tarde. Que idéia fantástica a de montar um “beach club” tendo como base um ônibus transformado em bar! Sentamos alí e ficamos algumas belas horas só apreciando a paisagem e tomando umas cervejas (e mais uns caipirões, claro!).

Na volta à Lisboa, passamos pelo Chiado e fomos à Alta, pois ainda não havia assistido a uma apresentação de Fado (não pode faltar na visita à Lisboa). Paramos em um restaurante (que não lembro o nome) para jantarmos e assistirmos a uma apresentação.

Após o jantar, dando umas voltas pela Alta, acabamos topando com o Alface Hall, que é um bar com música ao vivo no térreo de um hostel. Muito boa pedida para curtir à noite!

Dia 6
No domingo pegamos o metro até a Estação do Oriente (onde haviamos desembarcado na cidade) para conhecer a região, que era uma zona portuária que foi recentemente revitalizada, mais ou menos como a Estação das Docas em Belém. A orla, que é bem maior que a da Estação das Docas, conta com um jardim linear, um teleférico (que simplesmente leva de uma ponta a outra da orla), alguns parques, locais para eventos, etc. Atrás do parque linear (e portanto sem vista para o Tejo) ficam os bares e restaurantes. Espero que façam o mesmo tipo de revitalização no Rio e começem a colocar bares e restaurantes naquela região do Pier Mauá.

Voltamos novamente para a região da Alta e, ao pararmos no Largo Trindade Coelho para tomarmos um sorvete, fomos presentados com uma apresentação de um coral. Já que já estávamos lá, resolvemos tomar umas cervejas e acompanhar a apresentação até o final. Depois fomos novamente até a alta para jantar e encerramos a noite (e a viagem) novamente no Alface Hall.

Observações, dicas e considerações:

  • A primeira observacão é sobre a educação dos portugueses. Tanto a educação formal (de falar correto, de quase todo mundo falar inglês praticamente sem sotaque, etc.) quanto os bons modos no tratamento dispensado às pessoas, não só turistas. Fiquei impressionado e muito feliz pelos patrícios.
  • Em Portugal também se deixa a esquerda livre na escada rolante.
  • Outra coisa é o cuidado na apresentação dos pratos em restaurantes. Pode ser a “birosquinha” mais simples, tem toda uma forma de montar o prato, de servir, de trazer a conta, etc.
  • Bem antes da internet os portugueses já tinham sua forma de obter feedback: o livro de reclamações (que também existe em alguns antigos estabelecimentos brasileiros) e o livro de elogios. É o “thumbs up” e “thumbs down” old school.
  • Nos pontos turísticos de Lisboa existem traficantes oferecendo seus “produtos” quase livremente. Como o consumo de qualquer droga, e o consequente porte para consumo, é liberado em Portugal, eles andam com poucas quantidades e, caso a polícia os enquadre, é só alegar que a droga é para consumo próprio. Como eles só serão presos caso forem flagrados vendendo, a polícia até faz vista grossa para estes pequenos traficantes.
  • Em tudo quanto é lugar a poesia se faz presente. Tem quadros e pinturas com trechos de textos de poetas portugueses em bares, estações de metro, padarias, etc.
  • Bem legal a idéia de colocar os adolescentes para trabalhar como voluntários na limpeza das praias, nos pontos de informação turistica, entre outros. É uma maneira de fazê-los ter uma consciência maior quanto ao seu papel na sociedade.
  • Em tudo quanto é biroska tem cerveja na pressão (as taps, ou chope, como chamam no Brasil).
  • Interessante o “fado de improviso”. É muito parecido com o repente e o samba de partido alto: tem uma estrofe que se repete e os cantores vao improvisando os versos das quadrinhas.

Be happy 🙂

Parque Eduardo VII – Lisboa

Mosteiro dos Jerónimos – Lisboa

Jardim da Praça do Império – Lisboa

Torre de Belém – Lisboa

O famoso pastel de nata de Belem – Lisboa

Cais das Colunas – Lisboa

Praça Rossio – Lisboa

Castelo dos Mouros – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Palácio da Pena – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Quinta da Regaleira – Sintra

Estoril

Piscina Oceânica Alberto Romano – Cascais

Boca do Inferno – Cascais

Alfama – Lisboa

Duas gratas surpresas: caipirão e Yellow Bus – Setúbal

Poesia até nas estacões do Metro – Entre Campos – Lisboa

Curtindo a sofrência do Fado – Lisboa

Oriente – Lisboa

Jardim do Passeio dos Heróis do Mar – Lisboa

Alfama – Lisboa