Tigeren på Jernbanetorget

Wanderlust #63 – Oslo, Noruega

(04/07/2019-06/07/2019)

E aí sim, fomos surpreendidos novamente!

À exemplo do que já havia ocorrido com Edimburgo e Zagreb, uma cidade que só entrou no roteiro porque “estava no caminho” conseguiu um lugar no meu top 5 de cidades favoritas (junto com Lisboa e Berlin, que estou quase colocando como hors-concours para abrir uma vaga!)

Dia 1

Chegamos na estação de trem central de Oslo, vindos do aeroporto Gardermoen, logo de manhã, debaixo de uma chuva que nos fez ficar uma meia hora esperando para podermos então ir até o hotel deixar as malas. Logo de início já achamos a cidade um pouco mais charmosa que as demais, com seus calçadões e bondes passando de um lado para o outro. Malas no locker, fomos bater perna.

A área mais central de Oslo é formada por alguns calçadões de paralelepípedo enfeitados com muitos vasos de flores, de todos os tipos e cores. Como o sol abriu depois da chuva estes calçadões estavam bem movimentados. Fomos “descendo” em direção ao palácio real, passando pelo Stortinget (o Parlamento Norueguês) e a linda praça Spikersuppa skøytebane, que tem um chafariz gigante, convertido em ringue de patinação durante o inverno.

Quando estávamos em frente ao Nationaltheatret (outro prédio muito bonito, mas como toda a cidade é bonita, vou parar de usar o adjetivo de agora em diante), notamos que a rua lateral à praça estava sendo fechada e as pessoas estavam se acumulando nas calçadas. Como bons curiosos fomos lá ver o que era e notamos uma tropa descendo a rua: era a troca da guarda real do Palácio. A tropa, composta por infantaria, cavalaria e uma banda marcial, sai do Karl Johans gate as 13:00 e chega ao palácio às 13:30, onde ocorre a cerimônia de troca, que dura até as 14:00.

Tiramos algumas fotos e continuamos na próxima praça, Studenterlunden Park, que conta com belos jardins (pô, não era mais pra usar adjetivos!) e várias estátuas. De lá subimos a colina até o Det Kongelige Slott (o palácio real) onde pegamos o finzinho da cerimonia (não tem nada demais também, o cortejo é mais bonito – aliás, geralmente o caminho é melhor do que o destino).

Voltamos então para a região dos calçadões e fomos à Oslo Domkirke, a catedral da cidade, que fica no meio de um jardim murado. Junto ao muro que cerca este jardim existem diversos estabelecimentos comerciais, inclusive bares! De lá fomos dar um pulo no Oslo Street Food, uma praça de alimentação com comidas de várias partes do mundo. No final da tarde tem DJ e às vezes som ao vivo. Deu pra notar que o pessoal local vai até lá durante este horário para fazer happy hour. Como o tempo estava bom, tinha bastante gente do lado de fora. Mas como ainda era cedo, só demos uma olhada e fomos continuar o passeio.

Nos dirigimos então para a região de Vulkan, que foi revitalizada recentemente e passou a abrigar uma das várias regiões boêmias da cidade. No meio do caminho passamos pela Kulturkirken Jakob (Igreja de Cultura, e nem precisei do Google Translator para entender!), uma antiga igreja que hoje abriga eventos culturais diversos. Já em Vulkan, demos uma volta pela rua principal, que dá nome à região e passamos no Mathallen um misto de mercado e praça de alimentação (como os existentes em Estocolmo). Mas achamos muito fancy. A rua é legal e tem várias outras atrações, mas infelizmente não voltaríamos mais tarde para ver como é à noite (3 dias foram muito pouco!)

De lá caminhamos até Grünerløkka, uma outra região com bastante bares e restaurantes, mas também com vários ateliês, galerias e brechós. A Olaf Ryes plass (praça, outra que não precisei de dicionário) tem alguns bares bem no meio e outros nas laterais. Em outra praça, Birkelunden, presenciamos uma cena engraçada (no bom sentido): estava garoando e tinha um casal sentado em um banco, debaixo de um guarda-chuva, comendo uma pizza e tomando uma cerveja, totalmente despreocupados com a vida, no melhor estilo Berlin (hmmmm, tá começando a ficar claro agora porque me apaixonei por Oslo!)

Na sequência fomos “abrir” a Schouskjelleren Mikrobryggeri, uma cervejaria charmosíssima, que fica no porão de um pequeno imóvel comercial, que por sua vez fica dentro de uma vila. Tentaram esconder mas conseguimos encontrar!

O bar parece um bunker e em caso de uma guerra nuclear era lá que eu gostaria de me esconder (com todas as ótimas cervejas, claro!) Na volta, como já havíamos decidido, voltamos ao Oslo Street Food para jantar. Escolhemos o Kain, um restaurante filipino muito bom. Eles têm uma ótima barriga de porco ao (molho?) adobo, mas o melhor prato é o tapsilog, que é um picadinho acompanhado por arroz e ovo pochê. A sobremesa de manga, coco e arroz (num estilo tapioca) chama a atenção, mas pode passar, pois é sem graça.

Dia 2

Na Schouskjelleren, eu pedi uma cerveja cujo nome era Tiger alguma coisa. O barman me explicou que a cidade de Oslo é conhecida como Tiger City. Então quando nos deparamos com a estátua de um Tigre ao lado da estação central no outro dia de manhã, já sabíamos do que se tratava.

Da estação seguimos até a Operahuset (Ópera House) Oslo, à beira do Fiorde de Oslo. Vale a pena subir até o terraço, que dá uma ótima vista tanto da baia quanto da cidade. A Operahuset, assim como uma boa parte das atrações de Oslo, ficam no Havnepromenaden, um calçadão que margeia quase toda a costa à beira da baia (que por sinal é bem recortada). Primeiramente fomos em direção ao leste, pois pretendíamos ir até o Ekebergparken. Neste lado do Havnepromenaden existem muitos prédios residenciais novos e uma das atrações é o Sørenga Sjøbad, um complexo de piscinas (inclusive uma com raias olímpicas) construído no fiorde (imagina o gelo!!!). Às margens existe uma praia e alguns decks, e mesmo no início da manhã já havia algumas pessoas por ali aproveitando o sol.

No final do calçadão e tentando achar o caminho do Ekebergparken passamos por Middelalderparken que tem as ruinas de Mariakirkens. Não achamos o Ekeberg (os caminhos no Google eram meio confusos), então andamos somente por Old Town. Uma atração curiosa por ali é o Gamlebyen gravlund, um cemitério sem muros e com algumas trilhas calçadas onde algumas pessoas davam uma corridinha (entre os túmulos!)

Voltamos então ao promenade para continuar a caminhada, agora sentido Oeste. No caminho passamos pelo Barcode Project, um conjunto comercial novo, atrás da ópera, que tem este nome pois os prédios, todos quadrados e quase da mesma altura, mas com larguras diferentes, lembram um código de barras quando olhados de longe. Já no calçadão, notamos que existem algumas “plataformas” dentro da água, boiando, onde alguns grupos de pessoas se reuniam para aproveitar o sol, o mar ou simplesmente para beber (pra acessar precisa de uma escada, já que o nível da água fica bem abaixo do nível do calçadão).

De frente para a Ópera fica o SALT, Havnepromenaden, um espaço com bares, lanchonetes, espaço para shows, exposições. Tinha bastante gente, provavelmente o pessoal que trabalha nos escritórios do Barcode, almoçando por ali. Aproveitamos e paramos para uma cerveja, porque ninguém é de ferro! Continuando a caminhada, passamos pelo Vippa, Havnepromenaden, uma praça de alimentação também à beira do fiorde. Deve ser bem legal comer ou tomar umas por ali, mas demos apenas uma rápida volta e continuamos a caminhada. Passamos em frente ao Akershus Fortress, uma das principais atrações da cidade, porém não entramos, e fomos até a Plac Rådhusplassen, uma enorme praça onde se encontram a prefeitura (Rådhuset) e o musel Nobel (mais um, já que existia outro em Estocolmo).

Continuando a caminhada, fomos dar uma volta em dois bairros novos e bastante movimentados: Aker Brygge e Tjuvholmen. Nesta área existem muitos restaurantes, hotéis, bares e até uma praia, que estava lotada com o pessoal aproveitando os 25 graus de calor!

De lá fomos dar uma bela caminhada, passando por uma área residencial, até chegar ao Vigelandsparken, um dos parques de esculturas da cidade, que é uma das várias atrações imperdíveis de Oslo.

Após toda esta caminhada, merecemos uma parada na Oslo Mikrobryggeri, que também fica numa área menos turística, para tomarmos umas. Na volta, sem querer, acabamos voltando pelo Slottsparken, o parque/jardim do palácio real.

Dia 3

No terceiro dia, pegamos um day-pass do transporte público para irmos às regiões mais distantes. Finalmente, agora de bonde, conseguimos chegar ao Ekebergparken Skulpturpark (que descobrimos que estava a uns 300 metros de onde passamos em Old Town no dia anterior). O Ekebergparken também é um parque de esculturas, só que dedicado a instalações mais contemporâneas (mas tem Dalí, Botero e Rodin). Muito legal mesmo! Tem até camping para quem quiser pernoitar lá.

Depois pegamos o bonde e mais um ônibus e fomos até a Península Bygdøy, mas não vale muito à pena, já que não conta com atrações fora os museus.

Voltamos então ao centro da cidade, próximo à estação central e, seguindo o conselho de um casal de amigos, fomos andar pela beira do canal Akerselva. A caminhada em sí é muito agradável e existem várias atrações interessantes. Uma delas é o (a?) Blå, um conjunto formado por galeria de arte e bar, mais algumas vielas e muros todos grafitados ou ladrilhados. A decoração de tudo ali é bem cool também (a porta do banheiro é uma porta de cofre). Achamos muito mais legal que o Vulkan (que também fica à beira do canal, mas mais à frente).

Grünerhagen é um enorme gramado, também às margens do Akerselva, onde as pessoas vão pra curtir o sol. Kunsthøgskolen i Oslo é a academia nacional de arte, um pouquinho mais acima. Lá quase no final do canal (a área mais central dele) encontra-se a Ringnes Brygghus, uma cervejaria bem legal e muito bem montada, apesar de difícil de achar também. O pessoal gosta de esconder as cervejarias nesta cidade. Nos banheiros da cervejaria tinham diversos artigos de higiene pessoal, como enxaguante bucal, desodorante, cotonete, etc. Mimos interessante para os clientes.

O passeio foi tão agradável que resolvemos voltar pela beira do canal, ao invés de fazer outro caminho e ai aproveitamos para dar uma parada no Blå para algumas cervejas. Já no final da tarde (lembrando que também não escurecia antes das 22:00 horas), voltamos ao Oslo Street Food para comermos no Filipino novamente (o tapsilog é realmente muito bom!)

Observações, dicas e considerações:

  • Fiquei impressionado com a quantidade de carros híbridos e elétricos. Proporcionalmente tem muito mais Teslas em Oslo do que em qualquer parte dos EUA. A caminho do Vigelandsparken resolvi contar quantos híbridos e elétricos tinham estacionados numa rua residencial. Dentre 10 carros, 6 eram elétricos e 2 híbridos (pelo que pude ver). O fato é mais interessante ainda pela Noruega ser o 15º maior produtor de petróleo do mundo.
  • A estação central é muito bem montada, com lojas, lanchonetes. Um bom ponto especialmente para pegar o wi-fi gratuito ou para um lanche rápido.
  • Como todo país de primeiro mundo e com uma cultura avançada, como a do estado de São Paulo, eles colocam purê no hot-dog. 
  • Uma coisa que notamos em Oslo e nos demais países nórdicos foi a quantidade de pais passeando com bebês. Era muito comum ver grupos de 3, 4 homens jovens, cada um empurrando um carrinho (ou levando no colo quando as crianças já eram maiorzinhas). Especialmente nos países latinos parece que esta “obrigação” cabe às mulheres, mas por ali a responsabilidade (e o prazer) de criar uma criança é compartilhado.
  • Como já havia comentado no post sobre Estocolmo, a nudez nos países nórdicos é encarada com naturalidade. É comum ver estátuas ou pinturas de pessoas nuas. Ao longo do Havnepromenaden existiam totens com o mapa da região, informações e fotos, de todas as épocas. Na maioria destas fotos as pessoas nadavam nuas (especialmente nas fotos mais antigas).
  • Os bilhetes do transporte público podem ser adquiridos em lojas de conveniência, como 7-eleven.
  • A caminho da Península Bygdøy passamos por uma fazenda, em plena área urbana. Mais tarde fomos descobrir que se trata da Bygdø Royal Farm, a casa de verão da família real norueguesa. No local se produz derivados de leite e frutas, que são consumidos pela família real e também colocados à venda.
  • A cidade inteira parecia ser um enorme canteiro de obras, com algumas partes sendo revitalizadas e outras modernizadas. Daqui alguns anos ela vai estar totalmente diferente. Já temos uma “desculpa” para voltar. Mais uma!

Be happy 🙂

Wanderlust #62 – Estocolmo, Suécia

(01/07/2019-03/07/2019)

Após a passagem pela Finlândia, nossa próxima parada foi a Suécia, o maior e mais populoso dos países nórdicos (desconsiderando o território da Groelândia, cuja área é maior que a somatória dos cinco países nórdicos “oficiais”).

Como havíamos planejado fazer durante toda esta trip, chegamos no Aeroporto de Arlanda no início da manhã e pegamos o trem para Estocolmo, que é composta por diversas ilhas interligadas por pontes. Depois de alguns minutos procurando o Comfort Hotel Xpress Stockholm Central, descobrimos que ele ficava exatamente na estação de trem, ao lado da porta do elevador de onde havíamos saído. Deixamos as malas na “barcepção” do hotel e fomos bater perna  até o horário do check-in.

Dia 1

Assim que começamos a caminhada, estávamos procurando algum lugar para tomar o café da manhã e felizmente acabamos encontrando a charmosíssima Fabrique Stenugnsbageri (que tem ótimos pães artesanais) que fica quase em frente à bela igreja de Santa Clara. Depois nos dirigimos até a Gamla Stan, a ilha mais turística da cidade.

Gamla Stan, além de ser o local onde fica o Palácio de Estocolmo, também conta com outras atrações, como a Praça Stortoget, onde fica o museu do Nobel (o do prêmio), a Catedral de São Nicolau e a Igreja de Santa Gertrudes. A ilha também é recheada de restaurantes, lojas de souvenirs, bares. Vale a pena dar uma olhada nas vielas em busca de surpresas.

Depois da volta em Gamla Stan, paramos no Kerstin & Britt Strömparterren Bar Café Restaurant, que fica numa outra ilhota, para tomarmos uma cerveja no beer garden deles e aproveitarmos o tempo aprazível (sempre quis usar esta palavra!). Depois de umas duas cervejas, só para curtirmos o clima, nos dirigimos até a ilha Skeppsholmen, de onde dá pra ter uma vista das outras ilhas. A ponte Skeppsholm, que dá acesso à Skeppsholmen é um bom lugar para fotografar a Gamla Stan e o Palácio.

Caminhamos então pelo Kungsträdgården, que estava lotado de pessoas aproveitando para almoçar ao ar livre, e acabamos saindo numa área mais comercial da cidade. Voltamos então ao hotel para fazermos o check-in.

Check-in feito, fomos dar uma volta no lado norte da cidade, uma área nada turística (mas vale sempre à pena, pra ver a cidade com ela é). Na volta passamos pela Stockholms stadshus, um belo prédio ocupado pela prefeitura e pelo conselho municipal (tipo uma câmara de vereadores) e cujo jardim, chamado de Stadshusparken, tem uma bela vista para a ilha Södermalm. De lá, atravessamos mais duas pontes e paramos no Evert Taubes Terrass que deve ser bem legal para apreciar o pôr-do-sol.

Porém tínhamos outros planos e nos dirigimos até a região de Götgatan, na ilha de Södermalm, que é uma das várias regiões boêmias de Estocolmo. Lá paramos na Omnipollos hatt, uma cervejaria pequena mas relativamente famosa entre apreciadores de cervejas artesanais. O local é bem procurado e invariavelmente tem uma espera para conseguir mesa (no esquema “se vira aí mano”). Mas a espera valeu a pena, já que eles produzem ótimas cervejas

Na volta, como passaríamos por Gamla Stan novamente, já havíamos planejado de tomar um sorvete no Café Kåkbrinken. Além do sorvete em si, que é muito bom, o waffle e a casca do sorvete, feitos no local e na hora, são outros atrativos que tornam a parada no café praticamente obrigatória.

Já no hotel, tomamos algumas no barception e fomos descansar.

Dia 2

No dia seguinte, debaixo de uma chuva fina, mas constante, fomos andar pela ilha de Södermalm. Passamos pela Sta Maria Magdalena kyrka (igreja em Sueco, palavra bem parecida com a alemã Kirche e mesmo com a inglesa Church, que são sinônimos), pela praça Mariatorget e acabamos caindo na Saluhallen Medborgarplatsen, que é um misto de praça de alimentação com Farmers Market, mas com um ar moderninho. Tem bastante opção de comida para consumir no local e para levar, inclusive muita coisa in natura. A praça em frente provavelmente deve receber bastante eventos e imagino que se tivesse um tempo bom como no dia anterior ela também estaria ocupada por gente almoçando.

De lá passamos, ainda debaixo de chuva, pela Katarina Kyrka e a caminho da Sofia kyrka (o bairro se chama Katarina-Sofia pois é delimitado pelas duas igrejas) descobrimos a Nytorget (já deu pra perceber que torget significa praça né?), uma praça toda rodeada de bares, cafés e restaurantes. Uma das ruas da praça estava fechada e com mesas (imaginamos que seja assim normalmente). Na praça também fica o Urban Deli Nytorget um misto de mercado e praça de alimentação, como vários outros que vimos em Estocolmo, voltado à alimentação orgânica e produtos locais (locavore).

De lá (ainda com chuva!) fomos andando até uma parte mais afastada que fica atrás de Södermalm (passamos outra ponte). Esta região parece ser bem mais nova, com vários prédios comerciais e residenciais (um ao lado do outro) grandes e modernos. O objetivo final era a Nya Carnegiebryggeriet, uma cervejaria que conta com uma enorme área externa de frente para o rio e que tem ótimas cervejas (são parceiros da Brooklyn Brewery).

Na volta, fizemos uma confusão enorme para pegar o barco, dando umas 3 voltas numa linha circular, até que desistimos e resolvemos fazer a enorme caminhada pra voltar a pé mesmo. Fomos então dar uma volta completa na ilha de Skeppsholmen, que não tínhamos feito no dia anterior.

Dia 3

No terceiro dia fomos andar em Norrmalm, que também é um bairro menos turístico. Entre as atrações da região estão a praça Maskrosbollen, que tem uma escultura interessante, e as igrejas S:t Peters kyrka e Gustaf Vasa kyrka. A Stockholms stadsbibliotek, também em Norrmalm, tem um belo prédio e o Observatorielunden fica no alto de uma colina em um parque bem interessante. Tanto na parte baixa do parque quanto lá em cima, na colina, existem bastante esculturas.

Depois de Norrmalm, caminhamos até Östermalm, que parece ser a “Oscar Freire” de Estocolmo, com muitas lojas de luxo e de marcas famosas. Norrmalm e Östermalm são separadas por uma íngreme colina. Existe um túnel para pedestres cortando por debaixo da colina, mas quem quiser se exercitar pode encarar uma escadaria para se locomover entre os bairros. Em Östermalm fica a avenida Kungsgatan, que é a via onde foi tirada aquela fotografia já bem famosa da confusão que se formou quando a Suécia implementou a mão de direção do lado direito da via, que é chamado de Dia H (Dagen H) no país.

Caminhando ainda pelo bairro, passamos ao lado do Humlegården, que parece ser um belo parque, mas não chegamos a entrar, passando apenas por uma de suas laterais. Uma outra atração interessante é o Dramaten, um antigo teatro com a fachada com muito dourado. Pegamos então um boardwalk na direção de Djurgården, conhecida como “ilha dos museus”.

Ao lado da ponte de acesso à ilha, existem vários barcos-bares ancorados para quem quer curtir uns drinks. Já na ilha, como a alcunha diz, encontram-se diversos museus e parques: Nordiska Museet, Vasamuseet, Galärparken. Mas o mais inusitado e curioso com certeza é o ABBA The Museum. Sim, existe um museu da atração musical mais popular do país (bem, em Berlin existe um museu dos Ramones!). Outra atração interessante e o Gröna Lund, um parque de diversões, tipo Playcenter, que também é palco de diversos shows, eventos e festivais de música.

Apesar de ser a “ilha dos museus”, também existe uma enorme área residencial na ilha, que acho que toma inclusive a maior parte dela.

Voltamos à Östermalm pois pretendíamos almoçar em um mercado / praça de alimentação na região (sim, havíamos feito tudo isto de manhã!) e no caminho passamos pela igreja Oscarskyrkan, pelo belo prédio da Riksantikvarieämbetet (tipo um IPHAN da Suécia), e pela igreja Hedvig Eleonora Församling, que ficaria justamente atrás do mercado. Porém, o mercado havia sido transferido temporariamente para outro lugar, a uma quadra dali. Além do mais, achamos ele meio “fancy” e abortamos a missão.

Havíamos já planejado outra longa caminhada até a região portuária, para irmos em outra cervejaria. Fomos através da Karlavägen, uma avenida (boulevard?) com um bonito jardim central, que termina na Karlaplan. Antes ainda de chegarmos no porto, passamos pelo Kaknässpåret, um parque totalmente aberto, e aí foi que o barraco desabou! Caiu uma baita tempestade e como estávamos em campo aberto, só deu tempo de sair correndo à procura de algum lugar para nos abrigarmos, já que nem jaqueta impermeável e muito menos guarda-chuva davam conta do toró. Encontramos um conjunto comercial e tivemos que ficar ali por quase uma hora.

Ainda tivemos que esperar mais uma hora na porta da Stockholm Brewing Co., já que ela abria mais tarde naquele dia (tanto o horário no Google quanto no site estavam errados). Mas valeu a pena, já que além de ótimas cervejas e petiscos bem interessantes, o atendimento foi muito bom. Pegamos então o metro (acho que já tínhamos andado uns 30 quilômetros) até a região central, próxima ao hotel, e depois fomos andando até o The Temple Bar (na Gamla Stan), onde paramos para assistir ao jogo da seleção feminina da Suécia pela Copa do Mundo Feminina de Futebol. Infelizmente a seleção perdeu para a dos EUA, que viria a ser a campeã do torneio.

Observações, dicas e considerações:

  • Systembolaget é a loja estatal autorizada a vender bebidas alcoólicas para levar. Porém encontra-se bebidas com até 3,5% nos mercados, como a Heineken.
  • Na cidade toda as pessoas usam muito a bicicleta para se locomover, apesar das distancias grandes (para os padrões europeu) e as várias colinas. Patinete elétrico também é uma febre em Estocolmo.
  • Existem muitos pubs, parklets e ruas fechadas para carros e ocupadas por mesas de bares e restaurantes.
  • Uma curiosidade interessante: a maioria dos estabelecimentos são cashless, ou seja, só aceitam cartões. É interessante considerar o IOF em todos os custos de viagem, já que nem adianta levar dinheiro pois simplesmente não aceitam.
  • A rede de fastfood Max é uma boa opção para uma refeição rápida (Hamburguers).
  • E o Arlanda Express é a melhor opção para ir do aeroporto até Estocolmo, mesmo que o ônibus seja mais barato.
  • A rainha Sílvia da Suécia, que muitos falam que é brasileira, nasceu na verdade na Alemanha, de mãe brasileira e pai alemão. Ela viveu em São Paulo durante dez anos. Não encontrei informação se ela possui cidadania brasileira, mas devido ao fato de que ela teve que se naturalizar como sueca pouco antes de se casar, imagino que não tenha.
  • Quando a gente visitou a cidade tinham acabado de colocar em pratica a lei que proibia fumar em restaurantes e bares abertos.
  • Assim como nos outros países nórdicos, existe muita gente tatuada.
  • E assim como nos demais países nórdicos, existe uma relação muito natural com o nú, que se nota nas esculturas, em fotos de praia e piscina (inclusive fotos antigas), etc. Mas volto a falar nisto no próximo post, sobre a fantástica Oslo.

Be happy 🙂

Bird Box – Josh Malerman (02/2020)

Bird Box é o livro que deu origem ao filme homônimo produzido pela Netflix e que fez algum burburinho em 2018. Pra início de conversa, eu não havia gostado do filme. A idéia central é bem legal, mas o filme é bem fraco na execução. Não é horrível, mas é aquele que você bota pra ver quando não tiver nenhuma outra opção ou apenas acompanha se estiver zapeando na TV e o encontra passando em algum canal (alguém ainda faz isto hoje em dia?).

Já haviam me dito que o livro era bem melhor (como ocorre via-de-regra), mas acabei não me interessando após ver o filme, até achá-lo numa promoção. Ficou alguns bons meses na estante, lá embaixo da minha lista de prioridades, até que resolvi finalmente ler.

A história, que se pretende ser um terror psicológico, se passa em torno de um mundo onde, de repente, a maioria das pessoas começa a apresentar um comportamento suicida após enxergar algo. Não vou entrar no detalhe do que é este algo para não dar spoilers. A solução então encontrada é que as pessoas não mais saiam de casa de olhos abertos, além de cobrirem todas as janelas dos imóveis (para evitar enxergar para fora). Mas até que as pessoas comecem a entender o que se passa e a encontrar esta “solução”, muito caos é instalado, com o colapso de tudo o que suporta nosso estilo de vida atual: transportes, telecomunicações, produção industrial, e assim por diante (algo parecido com o que uma pandemia pode causar se não for controlada).

É basicamente um misto de The Walking Dead com o Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago. Interessante pois sempre achei que The Walking Dead foi claramente inspirado no Ensaio, que por sua vez foi inspirado n’A Peste do Camus. De certa forma Bird Box tem a inspiração dos três.

O livro conta com duas estórias paralelas, intercaladas em capítulos alternados. Uma delas é a busca (às cegas) da personagem principal (Malorie, interpretada pela Sandra Bullock, o que salva um pouco o filme) por um local que promete ser um refúgio para trazer um pouco de paz em tempos de caos. A segunda linha traz a estória (em flashback) de Malorie desde o momento em que ela descobre uma gravidez não planejada até o ponto em que a busca por este refúgio se inicia. Ou seja, são duas linhas do tempo que se encontram no final do livro.

O livro é muito bem escrito, com o autor provendo muitos detalhes sem se tornar algo enfadonho. É um bom passatempo. Mas infelizmente como eu fiquei com os personagens do filme na cabeça não consegui montar os personagens e o filminho na minha imaginação, como normalmente ocorre. E este é o principal motivo pelo qual se deve, SEMPRE, ler o livro primeiro: para fazer sua imaginação voar.

A única exceção que encontrei até hoje para a regra de que o filme é SEMPRE melhor que o livro foi a adaptação de Good Omens, do Terry Pratchett e do Neil Gaiman. Não que o livro seja ruim, muito pelo contrário, tanto que foi um dos poucos livros que li mais de uma vez (quer dizer, em tese, já que li uma vez em inglês e outra em português). Mas a adaptação da Amazon em forma de mini-série ficou fantástica, muito por causa do elenco e, claro, pela fidelidade ao livro.

Be happy 🙂

Factfulness – Hans Hosling (01/2020)

Você acha que o mundo hoje está melhor ou pior do que há 20 ou 30 anos atrás? Bem, sugiro a você fazer o teste da Gapminder Foundation sobre como indicadores socioeconômicos têm mudado nas últimas décadas. Aposto que a maior parte das pessoas, por mais otimistas que sejam, não acertam todas as questões. Aproveite e assista também a uma das apresentações do Hans Hosling, como esta já famosa apresentação num TedTalk, ou alguma de Ola ou da Anna (filho e nora de Hans), colaboradores do livro e na fundação.

O enorme subtítulo, que numa tradução livre seria “Dez Razões Porque Estamos Enganados Acerca do Mundo – e Porque as Coisas Estão Melhores do que Você Pensa”, virou “O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” na versão brasileira, e talvez este subtítulo faça mais jus ao título (que nem é uma palavra de verdade, ainda…).

O livro trata de dez “instintos dramáticos”, cada um com um capítulo próprio, que turvam a nossa visão de mundo (já volto neles daqui a pouco). Estes instintos foram sendo desenvolvidos nos seres humanos através da evolução e nos foram muito úteis até aqui, afinal de contas, no meio da floresta ou da savana africana, é bem melhor começar a correr ao ouvir algum barulho do que parar para analisar o que poderia ser aquele barulho e, de repente, dar de cara com algum predador. Porém nos dias de hoje a maioria das ameaças que eram evitadas através do instinto já não se fazem tão presentes e analisar dados e fatos é a melhor forma de tomar as melhores decisões (ou as com maior chance de sucesso).

Porém, existem duas categorias de profissionais que exploram estes nossos instintos em benefício próprio e quase sempre a nosso desfavor: os jornalistas (que até o fazem sem má intenção, na maioria das vezes) e os políticos (que normalmente o fazem com má intenção!). No trecho em que ele fala em como a mídia abusa destes instintos, encontrei uma feliz coincidência: ele usa o mesmo exemplo que eu sempre uso para explicar porque usar somente informações da mídia (que dá atenção para os casos extremos, para os pontos fora da curva) ao moldar sua visão de mundo, via de regra conduz ao erro: o caso dos acidentes de avião.

Toda vez que acontece um acidente de avião a mídia explora o caso à exaustão, o que leva à má impressão de que voar de avião é inseguro. Porém, os acidentes são uma exceção muito rara diante do total de voos completados com sucesso. Só que não faria sentido nenhum a mídia noticiar todos os voos completados com sucesso. Imagina o jornal do meio dia listando todos os voos que deixaram sua origem e pousaram no destino sem nenhum incidente? 

Uma outra coincidência com outro trecho é quando ele faz a distinção entre ativistas e especialistas. O trecho discorre durante alguns parágrafos sobre as diferenças entre os dois, mais ou menos na mesma definição que eu uso: um especialista é alguém que vai analisar fatos e dados para moldar sua opinião e vai considerá-los mesmo que eles digam algo que vai contra os valores e princípios iniciais desta pessoa. Por outro lado, um ativista é alguém que vai procurar dados que confirmem os seus valores e princípios e, caso não os encontre, ele normalmente irá “fabricar” fatos. E no caso de encontrar dados que contradigam suas crenças, ele vai simplesmente ignorar.

Os dez instintos dramáticos trazidos à tona no livro são:

  1. Instinto de separação (gap instinct): o instinto de achar que tudo se divide em dois grupos muito distintos, com uma enorme distância entre eles, quando na verdade a maioria das coisas se concentra no meio e os extremos é que são minoria (a famosa distribuição normal).
  2. Instinto de negatividade (negativity instinct): sempre achar que as coisas estão piores do que estavam. As coisas podem não estar bem, mas geralmente quando falamos em indicadores socioeconômicos elas estão melhores do que há 10, 20, 30, 100 anos (varia dependendo do indicador). Ignorar o progresso é simplesmente jogar fora tudo o que foi feito de bom até o momento e que deveria continuar a ser feito.
  3. Instinto da linha reta (straight line instinct): assumir que uma linha de tendência vai sempre continuar na direção em que ela aponta. Quando se fala nestes indicadores socioeconômicos, geralmente nem é uma linha, mas sim uma curva, que atinge seu ápice ou vale e depois se estabiliza (afinal de contas nem tem como ter, por exemplo, taxa de mortalidade abaixo de zero).
  4. Instinto do medo (fear instinct): achar que as coisas são sempre ruins, que o pior vai sempre acontecer, deixando o medo se sobressair a racionalidade.
  5. Instinto do tamanho (size instinct): não colocar as coisas sob a perspectiva, a proporção correta, e achar que ou são muito grandes, ou muito pequenas.
  6. Instinto de generalização (generalization instinct): usar um exemplo ou um pequeno pedaço para definir o todo. Normalmente associado a preconceitos.
  7. Instinto do destino (destiny instinct): assumir que as coisas vão continuar a ser de um jeito porque elas sempre foram assim e uma mudança é inevitável. Muito relacionado aos instintos de tamanho e medo e, novamente, a preconceitos.
  8. Instinto da perspectiva única (single perspective instinct): querer usar sempre a mesma solução, a mesma “ferramenta”, para solucionar todos os problemas, por mais distintos um do outro que eles sejam.
  9. Instinto de (botar a) culpa (blame instinct): querer encontrar culpados ao invés de soluções.
  10. Instinto de urgência (urgency instinct): achar que tudo requer uma medida urgente, quando na verdade poucas coisas requerem tanta urgência a ponto de não se ter tempo de analisar a situação, as possibilidades e as consequências.

Cada um destes capítulos é recheado de dados e histórias da vida do próprio Hans, o que torna o livro uma quase biografia póstuma escrita pelo próprio. Infelizmente ele veio a falecer em 2017, vítima de um câncer no pâncreas diagnosticado cerca de um ano antes. O livro começou a ser escrito um pouco antes do diagnóstico e se tornou o trabalho final onde ele dedicou seus últimos meses de vida.

No final de cada capítulo, existem algumas dicas para evitar estes instintos, mais ou menos na pegada do A Field Guide to Lies. Sugiro demais a leitura do livro e, quem sabe, após a leitura você refaça o teste do início e se saia melhor do que os chimpanzés.

Be happy 🙂

Wanderlust #61 – Helsinki, Finlândia

(29/06/2019-30/06/2019)

Depois de termos ido à Islândia em 2018, havíamos colocado na lista uma trip pelos demais países nórdicos (que não é a mesma coisa de escandinavos, ver abaixo no “Dicas…”). Resolvemos então aproveitar o verão europeu e “matar esta pendência”, fazendo Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca. A Groelândia, que é um território autônomo ligado a Dinamarca, vai ficar pra outra oportunidade.

Apesar dos países terem muitas coisas em comum, eles também têm muitas particularidades, então além de indicar quando alguma dica ou curiosidade também vale para os demais, vou atualizando e colocando o link para os demais artigos assim que for publicando.

Dia 1

No metrô que liga o aeroporto, que fica em Vanta, uma cidade na região metropolitana de Helsinki (tipo Guarulhos), notamos um monte de gente vestindo roupas ou adereços com as cores do arco-íris. Após deixarmos as bagagens no locker do Forenom Aparthotel fomos dar uma volta na cidade e descobrimos que estava rolando a parada LGBT de Helsinki justamente naquele dia.

Após acompanharmos um pouco a parada, fomos explorar a cidade, que não é lá tão grande. Primeiro passamos por uma praça onde fica a famosa escultura Topelius and Children e logo à frente pela St. John’s Church. Cruzamos o parque Neitsytpuisto, passando pela Saint Henry’s Cathedral em direção ao porto.

Na região do Porto encontra-se o Vanha kauppahalli, um mercadão onde se pode comprar produtos alimentícios diversos (peixes, conservas, embutidos, frutas, etc.) e que também conta com alguns restaurantes. Logo à frente na Kauppatori (Market Square) existe também uma feira, com várias barracas de frutas, comidas e artesanato.

Bem próximo a Kauppatori fica a Esplanadi, um belo e florido Boulevard. Existem alguns bares e cafés na Esplanadi, além de alguns vendedores ambulantes (de sorvete por exemplo). Parece ser um local que os habitantes da cidade curtem bastante, mesmo durante o frio (ou seja, quase sempre).

De lá, caminhamos pelas ruas da área central, muitas delas somente para pedestres e todas lotadas de comércios, até a bela Helsinki Cathedral, onde ocorria um casamento. A grande escadaria ao lado da catedral parece ser um dos pontos mais fotografados da cidade.

Caminhamos então até a Helsinki Central Station, onde tínhamos descido de manhã, mas não paramos para admirar e de lá até a praça Narinkka, uma grande praça cercada de bares e comércio onde fica a famosa Kamppi Kappeli (Capela do Silêncio). Não chegamos a entrar pois ela já estava fechada para visitação, mas dizem que vale a pena.

Já quase no “final do dia” (lembrando que, assim como na Islândia, o sol praticamente não se põe durante o verão em Helsinki) fomos até Torikortellit, um distrito de uns 3 ou 4 quarteirões, com bares, restaurantes, lojas. Inclusive uma das ruas estava fechada para carros devido a uma feira com comida, bebida e música. Mas preferimos mesmo parar na Bryggeri Helsinki para tomarmos algumas cervejas artesanais locais.

De lá, demos mais umas voltas na cidade e acabamos topando com a Pien Shop & Bar, uma loja/bar de cervejas artesanais. Quando estávamos pra ir embora, já as 22:00 (e com o dia totalmente claro), resolvi levar umas cervejas diferentes para tomar no apartamento e aí fui surpreendido com a atrapalhada e complexa lei de álcool da Finlândia (exceto pela Dinamarca, em todos os demais países nórdicos a comercialização de álcool é extremamente regulada).

Escolhi umas cervejas e quando fui pagar o atendente pediu desculpas e disse que eu não poderia levar algumas delas. Segundo ele, pode-se vender cervejas com qualquer teor para tomar na loja até a meia noite e a partir disto só em bares com autorizações especiais. Para levar ele não pode vender nada acima de 5,5% de teor alcoólico. Só as lojas estatais podem vender qualquer coisa acima disto. Porém, após as 21:00 horas o teor cai pela metade e, portanto, ele não poderia me vender nada acima de 2,75% pra eu levar naquele horário. Se quisesse tomar lá tudo bem. Achei algumas cervejas interessantes dentro deste limite e consegui levar.

Na volta para o AP acabamos passando pela Kolme Seppa, uma outra escultura bem conhecida na cidade.

Dia 2

Como já tínhamos visto praticamente tudo na região mais central da cidade, fomos fazer um passeio recomendado por muita gente, a Suomenlinna, uma pequena ilha que faz parte de Helsinki e que precisa ser acessada de ferry. O ticket de ida e volta do ferry custa 5 euros e é válido por 24 horas, o ticket diário que dá direito ao transporte em toda a área central de Helsinki, incluindo Suomenlinna, custa 8 euros e também é válido por 24 horas (contadas à partir do primeiro uso).

A ilha parece uma pequena vila, daquelas que você vê em filme sobre pescadores. Tem várias trilhas e algumas atrações, como a grande (pro tamanho da ilha) igreja e a fortaleza de Suomenlinna. Existe uma pequena praia na ilha que pode ser usada para banho, um castelo e um antigo submarino (a visitação deste é paga).

Depois de algumas voltas, tomamos café no charmoso Café Piper (que só abriu as 10 no domingo!) e depois de passear pelas atrações acima, paramos no início da tarde na Suomenlinna Brewery. Realmente o passeio em Suomenlinna vale muito à pena. 

Voltando para a região continental de Helsinki, passamos de ferry pela Allas Sea Pool, um complexo que conta com piscinas (uma aquecida e uma com a água do mar à temperatura ambiente, ou seja, gelada!), que estava lotada com as pessoas aproveitando os 22 graus de calor. Também passamos em frente a Uspenskin katedraali, que fica em frente ao complexo. Depois fomos nos encontrar com o Hugo, um amigo Brasileiro que se mudou para a Finlândia há uns 5 anos atrás. Paramos no Dekki, um bar aberto que fica na praça Lasipalatsinaukio (que deve ser um paraíso para skatistas) para tomarmos algumas e botarmos o papo em dia, ele nos contando da sua experiência na Finlândia e nós da nossa nos EUA.

Depois de nos despedirmos do Hugo, voltamos à Piên para encerrarmos nossa passagem por este país interessantíssimo!

Observações, dicas e considerações:

  • A parada LGBT de Helsinki parecia ter mais “simpatizantes” do que público LGBT em si. Todo mundo se divertindo bastante. Parecia o carnaval deles.
  • Na praça do mercado existem diversas barracas de comida. É um ótimo local para experimentar a culinária local e também para comprar souvenirs.
  • Na porta de praticamente todos os prédios havia um equipamento composto por duas ou três escovas. Imaginamos que seja para limpar a neve das botas.
  • Até as 11:00 horas do domingo Helsinki parecia uma cidade deserta e nada abriu. Nem os cafés. Em compensação, em frente à estação de trem tinha muita gente “virada” de balada.
  • Como explicado acima, as leis relativas ao comércio de bebidas alcoólicas nos países nórdicos são bem restritivas. Já havíamos notado isto na Islândia e na Finlândia não é muito diferente, sendo que neste caso a estatal responsável pela comercialização de qualquer bebida acima dos 5,5% é a Alko. Nos mercados se encontram cervejas abaixo disto e também abaixo dos 2,75%, inclusive versões de cervejas populares mundialmente, como a Heineken, com este teor.
  • Notamos que em Helsinki havia muitos imigrantes e uma diversidade étnica grande. Imaginamos que o motivo talvez seja o fato de ser uma cidade portuária em um país que fica na divisa entre a Europa e a Ásia. Ok, a parte oeste da Rússia é considerada Europa, mas a maior parte do país fica na Ásia. Aliás, dá para pegar um trem de Helsinki e ir a São Petersburgo em cerca de 4 horas.
  • Somente há pouco tempo notei que as bandeiras dos países nórdicos seguiam o mesmo padrão. Depois de uma googlada descobri que eles estampam a Cruz Nórdica e só se diferem pelas cores. E agora acabei descobrindo também que o padrão inspira várias bandeiras ao redor do mundo, inclusive no Brasil.
  • A Finlândia é o único dos países nórdicos a integrar a União Europeia e a adotar o Euro como moeda. Entretanto os demais países são signatários de diversos acordos, incluindo o tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os países do espaço.
  • Como mencionado acima, a Finlândia é um dos países nórdicos, mas acabei descobrindo também (juntamente com a história das bandeiras) que Escandinávia é um termo mais restrito usado para a Dinamarca, Suécia e Noruega. Apesar disto, ninguém vai ficar chateado se alguém se referir à Islândia ou Finlândia como parte da Escandinávia.
  • O Hugo nos deu uma dica que, infelizmente, foi tardia. Ele nos disse que existem navios de cruzeiro que fazem o trecho entre Helsinki e Estocolmo (que seria nossa próxima parada). Normalmente eles saem no final da tarde e cruzam o Mar Báltico durante à noite, chegando na outra manhã à Suécia. Dependendo do Navio tem cassino, cinema, restaurantes, danceteria. Ele disse que é uma divertida opção de transporte entre os dois países.
  • Eu gosto bastante de prestar atenção no idioma dos países que visito, tentando inclusive fazer associações com os poucos idiomas que conheço. Normalmente, ao menos entre os idiomas de origem no ocidente, eu consigo encontrar algumas semelhanças (como citei no post da Islândia, linkado acima). Porém, eu não consegui encontrar nenhuma semelhança do Finlandês (escrito ou falado) com nenhum idioma. E sinceramente, aos meus ouvidos me pareceu mais estranho até do que idiomas do oriente (Chinês, Japonês, Coreano, os vários Indianos). Nosso amigo Hugo mesmo disse que desistiu de tentar aprender e que, se algum dia sentir que o Inglês não é suficiente, ele vai preferir tentar o Sueco, o outro idioma oficial do país.
  • Apesar disto, eles têm a forma mais correta de se referir ao transporte privado individual de passageiros: Taksi!

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The Long Dark Tea-time of the Soul – Douglas Adams (14/2019)

Na resenha sobre o primeiro livro da série Dirk Gently, eu expliquei um pouco do processo de criação do Douglas Adams. Também pontuei que achei o livro um tanto confuso, inclusive com uma das estórias não se encaixando muito bem na “colcha de retalhos” que os livros do Adams normalmente são.

Bem, não vou dizer que achei The Long…, o segundo livro da série, uma obra-prima, mas ao menos achei bem melhor que o primeiro. Talvez eu tenha pego a manhã de ler Douglas Adams em inglês, mas talvez o principal fato seja que neste as duas estórias principais (que se desenvolvem em paralelo, em conjunto com umas duas ou três linhas menores) ficaram bem melhor costuradas.

A primeira tem como ponto de partida um bate-boca entre dois passageiros e uma atendente de companhia aérea no balcão de check-in no Aeroporto Heathrow, em Londres, seguida por uma misteriosa explosão. A descrição de Adams para o aeroporto, suas áreas e respectivas funções é hilária! Já na segunda linha, nosso herói (?) se vê envolvido em na morte misteriosa de um de seus clientes (provavelmente o único cliente!).

A partir daí vários detalhes vão sendo adicionado à cada uma das linhas, bem como outras pequenas linhas vão sendo iniciadas, cada uma no apropriado tempo, para que no final todas elas se juntem. E aí achei o ponto fraco do livro: os capítulos que ligam todas as pontas têm um ritmo muito corrido e mereciam ser mais bem explorados. De qualquer forma, é um livro bem divertido.

Uma curiosidade a respeito do título: ele foi retirado de “A Vida, o Universo e Tudo Mais”, da série o guia. A frase foi usada para descrever o tédio miserável do ser imortal Wowbagger.

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Wanderlust #60 – Cape May e Wildwood, New Jersey (14/51)

(25/05/2019-26/05/2019)

New Jersey não é lá um estado muito turístico. Muita gente conhece por descer no aeroporto de Newark a caminho de New York. Ou por pegar a NJ Turnpike (route 95) entre NY e Washington ou Philadelphia. Mas praticamente ninguém planeja conhecer NJ durante umas férias nos EUA.

Apesar disto, é um estado que tem algumas particularidades interessantes. A parte próxima a NYC (Hoboken, Jersey City, Newark, Elizabeth, Union) é praticamente uma extensão da Big Apple, servindo inclusive como cidade dormitório para muita gente que trabalha em Manhattan. A parte central é repleta de natureza, e por isto o estado é conhecido como “The Garden State”. Florestas, parques, montanhas, vida selvagem em abundância, são algumas das características do estado. O litoral, ao menos entre os residentes, é uma outra atração e quem visita NY e gosta de jogatina pode se divertir em Atlantic City, uma mini-Las Vegas na costa leste dos EUA.

Depois de 3 anos morando no estado finalmente fomos fazer uma viagem que não era bate-e-volta, então agora dá para aproveitar a deixa e finalmente escrever um Wanderlust sobre Jersey (lê-se “djerzí”).

Aproveitamos uma Summer Friday para conhecer o mais famoso balneário do estado: Cape May, numa península bem lá no Sul, quase no estado de Delaware e separado deste apenas pela baía de mesmo nome. Ao pesquisarmos hospedagens, acabamos reservando algo em Wildwood, que fica no condado de Cape May, mas não na cidade principal de mesmo nome. Mas coisa de 15 minutos dirigindo.

Ao chegarmos fomos direto para Cape May, paramos o carro e fomos dar uma volta. Cape May é uma cidade praiana, com tudo o que uma cidade praiana tem: restaurantes, lojas de bugigangas, bares, hotéis. Tem até um calçadão central que reúne comércios de todos estes tipos. Uma coisa importante a citar é que em NJ o acesso a quase todas as praias é pago.

Isto mesmo: para acessar a praia é preciso pagar uma entrada ou adquirir um passe. Ainda assim a praia é considerada um local público e como em todo local público nos EUA o consumo de bebidas alcoólicas é proibido (às vezes até revistam coolers na entrada). Também não tem ambulantes. E cá entre nós, as praias da costa leste dos EUA, em sua maioria, também não são nada bonitas quando comparadas às praias brasileiras, ao Caribe e às do Mediterrâneo. Demos uma volta na cidade e logo fomos tomar umas na Cape May Brewing, que além de ter ótimas cervejas e um agradável beergarden, fica ao lado de um aeroporto.

De lá fomos à Wildwood e após fazermos o check-in na pousadinha fomos dar uma volta. Wildwood é uma das poucas praias que não se paga para acessar (quer dizer, “paga” uma caminhada de uns 300 metros da pista ou calçadão até o mar). Em compensação existe um enorme “calçadão” de madeira (boardwalk), suspenso, e alguns piers, com lanchonetes, sorveterias e parques de diversão. Demos uma volta pelo calçadão e depois fomos tomar um (enorme) sorvete e comer algo.

No final de tarde, paramos na Shamrock Beef & Ale. O bar seria apenas um pub dos mais simples, mas para a temporada eles usaram um pedaço enorme da área externa (que creio ser um estacionamento na baixa temporada) para montar um Tiki bar, com direito a um barco (de verdade) com algumas cadeiras de praia para serem ocupadas por clientes e onde um músico se apresentava (acabei de descobrir que esta área se chama Castaways Pirate Bar). Como não pode faltar em qualquer bar com área externa nos EUA, também tinham um Cornhole. De lá fomos jantar na Pasta Pesto e depois fomos descansar.

No outro dia, acordamos cedo e fomos tomar café da manhã no Pink Cadillac Diner. Diners são aqueles restaurantes muito comuns de se ver em filme, onde as pessoas geralmente param para tomar café da manhã (que normalmente é servido durante todo o dia). Diners são muito comuns em NJ e uma das características do estado é encontrar ao menos um em cada uma das cidades, por menor que seja.

Wildwood é a parte central do que é conhecido como Wildwoods, que além da própria praia central também engloba North Wildwood (ao norte…dã!), Wildwood Crest e Wildwood Gables (ao sul), todas elas contínuas e nas quais só se percebe que se saiu de uma e chegou na outra pelas placas. Pegamos o calçadão em direção ao sul até Wildwood Crest, que tem menos atrações (a parte suspensa do calçadão acaba) e mais prédios residenciais com muitos apartamentos. Entre as duas praias estava ocorrendo um festival de pipas, bem legal.

Já tínhamos conhecido todas as atrações e como não iriamos pegar praia e nem brincar nos parques de diversões, resolvemos então ir para nosso parque de diversões: as cervejarias. Primeiros fomos à Cold Spring Brewery, uma das mais charmosas que conheci, montado num celeiro e com uma área externa ótima. Depois fomos à MudHen, que havíamos tentado no dia anterior, mas que estava muito lotada. Pra finalizar, voltamos novamente no Tiki bar do Shamrock para aproveitar o verão e o sol se pondo após as 21:00hrs.

Observações, dicas e considerações:

  • Um pouco antes do início oficial do festival de pipas o sistema de alto falantes do boardwalk anunciou que iriam começar e, portanto, iriam tocar o hino nacional norte-americano. Parece que alguém com o controle remoto do mundo apertou o botão de pausa: todo mundo parou o que estava fazendo para respeitar. Os ciclistas desceram das bicicletas, pessoas pararam de caminhar, retiraram o chapéu e mantiveram silêncio total até o final, quando então alguém deu o play novamente.
  • Em vários dos hotéis/motéis havia grupos grandes de jovens e adolescentes, geralmente fazendo muita algazarra e aparentando estarem alcoolizados. Acho que deve ter algum lugar onde menor de 21 consegue comprar bebida alcoólica na cidade.
  • Wildwood parece que parou nos anos 60 ou 70. Toda a arquitetura da cidade lembra um filme antigo.
  • A costa de New Jersey é conhecida como “Jersey Shore” e existe até um reality show relativamente famoso com o mesmo nome gravado em Seaside Heights, um dos balneários do estado. Uma outra forma que os “Jersey boyz” se referem às praias é Down The Shore ou simplesmente DTS. Se um dia ouvir alguém dizendo “I’m going DTS this weekend” significa que ele vai para a praia em NJ. É praticamente o mesmo que o paulistano diz quando vai à praia (“vou descer pro litoral”).
  • New Jersey é atualmente o único estado norte-americano onde o auto abastecimento é proibido e somente pode ser feito por frentistas. Outro estado era o Oregon, porém em 2017 criaram várias brechas na lei que praticamente extinguiu esta exigência (ainda existem frentistas, mas é questão de tempo para eles sumirem por lá). Se por um lado isto encarece um pouco o combustível (cerca de 3% comparando com locais similares na Pennsylvania, por exemplo), por outro é uma mão na roda durante o inverno não ter que descer do carro e encarar o frio!
  • As leis de bebidas em New Jersey são muito confusas e bem restritivas. Além da proibição de consumo de álcool em público, que ocorre em praticamente todo os EUA, existem outras restrições, tais como:
    • Cidades “secas” onde o comércio é totalmente proibido.
    • Redes de supermercado só podem vender bebidas alcoólicas em duas lojas no estado todo (e respeitando as cidades onde é permitido o comércio), portanto muito poucos supermercados vendem bebidas.
    • As licenças para venda de álcool (tanto para consumo no local quanto para levar) são caras e limitadas. Por isto vários restaurantes não podem vender e permitem o BYOB (Bring Your Own Beverage – nas cidades que não são “secas” obviamente), inclusive oferecendo balde de gelo, copo, etc. para quem leva a própria bebida.
    • As cervejarias não podem vender comida e por isto a maioria trabalha em parceria com food-trucks, restaurantes vizinhos ou então disponibilizam vários cardápios de delivery para as pessoas pedirem comida (ou você simplesmente pode levar a sua). Além disto, eles só podem vender cerveja para consumo no local como parte de um tour. Então não estranhe se parar em uma cerveja, eles perguntarem se você já esteve lá e, diante da negativa, te mostrarem um quadro do processo cervejeiro durante dois segundos: este vai ser o “tour”….hahaha
  • Newark era até alguns anos atrás a cidade norte-americana com a maior comunidade brasileira (considerando os imigrantes e os filhos de brasileiros nascido nos EUA, posto ocupado atualmente por Framingham, em Massachusetts) e ainda conta com a maior comunidade Portuguesa. No bairro de Ironbound existem vários restaurantes, padarias e supermercados e é mais fácil ouvir o Português (do Brasil e de Portugal, ou então o Espanhol) do que o Inglês caminhando por lá.
  • Curiosamente, se você pegar um barco e navegar a partir da costa de NJ em linha reta no sentido leste você chegará em Portugal.
  • Jersey City e Hoboken podem ser consideradas a Niterói dos EUA: de lá consegue-se ver todo o belo skyline da cidade de New York, já que são separadas desta apenas pelo Rio Hudson. Mas as duas cidades (juntamente com Newark) tem lá suas atrações. Newark tem bares, universidade, um setor comercial; Jersey City também tem alguns restaurantes e bares (recomendo muito o Zeppelin Hall, um bar alemão com um enorme e ótimo beergarden) e Hoboken é uma cidade universitária com bastante movimento e onde se encontra também a famosa Carlos Bakery.
  • Os dois times de futebol americano que representam New York na NFL, o NY Jets e o NY Giants, mandam seus jogos no MetLife Stadium, que fica em East Rutherford, em New Jersey. O NY Red Bulls, time de futebol (de verdade!) que disputa a MLS, a principal liga norte-americana do nobre esporte bretão, também tem seu estádio no estado, em Harrison, do lado de Newark. Seria melhor eles mudarem os nomes para NJ Jets, NJ Giants e NJ Red Bulls.

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Darwin Sem Frescura – Reinaldo José Lopes e Pirula (13/2019)

O biólogo Pirula e o jornalista Reinaldo José Lopes já são duas figuras bastante conhecidas na área de divulgação científica no Brasil. O primeiro, além de doutor em paleontologia, produz vídeos no seu canal no YouTube (que conta hoje com quase 900 mil inscritos) sobre ciências (além de outros assuntos) desde 2006. O segundo é jornalista especializado no tema, tendo já escrito pra o G1, Folha de São Paulo, Revista Piauí, Superinteressante, entre outros.

Neste livro eles tentam trazer para uma linguagem popular as teorias de Darwin, que modificaram à época o entendimento sobre o desenvolvimento da vida na terra e até hoje surpreendem por sua capacidade de explicar como os seres (e até as culturas) nascem e evoluem. Usando curiosidades, atualidades e polêmicas como pano de fundo para explicar as várias nuances da teoria da evolução, o livro consegue tornar um tema complexo (e eventualmente até chato) em algo divertido e por muitas vezes cômico.

Para quem já acompanha o canal do Pirula, cada capítulo segue basicamente o conteúdo de um dos vídeos, mas com um formato diferente. O fato de ser escrito e não “filmado” também faz com que muita coisa “desnecessária” que talvez um vídeo teria seja “limada”, indo direto ao alvo e se atendo ao tema do capítulo.

É claro que quem já leu a própria A Origem das Espécies, ou mesmo outros livros sobre o tema, como O Gene Egoísta, do Dawkins, pode achar o livro um pouco superficial e até bobo. Mas é uma boa e divertida introdução e talvez possa despertar a curiosidade, especialmente de jovens e adolescente, pelo tema.

Agora uma ironia que não dá para deixar passar em branco é a semelhança, tanto nos títulos, textos e diagramação com a série “Guia Politicamente Incorreto”. Um ponto negativo é que achei o livro curto. Mas entendo que isto talvez tenha se dado por características do mercado editorial brasileiro (tornar a produção e preço mais baratos). Então espero que este seja o primeiro de uma série, já que o assunto é fascinante e extenso.

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Wanderlust #59 – New Orleans, Louisiana (13/51)

(21/02/2019-26/02/2019)

Uma das festividades que eu mais gosto no Brasil é o carnaval (tem uns relatos dos carnavais de 2014 e 2015 aqui e aqui). Na época em que eu precisava fazer plantão, sempre me oferecia para trabalhar no Natal ou no Ano Novo para poder pegar a folga no Carnaval. A festividade é uma das coisas que me dão mais saudades do Brasil, especialmente porque nos últimos anos o Carnaval de rua de São Paulo virou uma festa muito legal. Então já que fazia 3 anos que a gente não curtia a festa, porque não curtir um carnaval diferente e aproveitar o Mardi Gras em New Orleans, a cidade dos EUA famosa por esta festividade.

Dia 1

Como não conseguiria pegar os dias do Carnaval de folga, planejamos a viagem para a semana anterior. Ao pesquisarmos, descobrimos que os eventos do Mardi Gras começam já no dia de Reis (6 de Janeiro) e que no fim de semana do “pré” existem mais desfiles (Parades) do que no final de semana do feriado (que não é feriado nos EUA) em si. Além de tudo, passagens e hospedagens são mais baratas.

Chegamos no começo da noite e após nos instalarmos no apartamento da Sonder, já fomos bater perna na área mais movimentada da cidade: a Bourbon Street. Já no caminho dá pra perceber o clima diferente e, além do calor (mesmo sendo inverno), as pessoas pareciam mais entusiasmadas, mesmo numa quinta-feira à noite.

A Bourbon St é uma rua que fica no French Quarter, a área mais turística e boêmia da cidade. Durante a noite e aos finais de semana, o acesso de carros é fechado e vira um grande calçadão. Além de bares, restaurantes e várias lojas de bugigangas (souvernis, fantasias, adereços, beads, etc.), também existem vários hotéis antigos na rua, com varandas (alguns bares também têm varanda), que é de onde o pessoal joga os beads, aqueles colares típicos da festividade. Os próprios hotéis e bares compram quilos e quilos dos colares e deixam pendurados para que os clientes possam jogar. Segundo a tradição, para ganhar um colar você tem que pagar uma prenda. Uma das prendas “preferidas” é que as mulheres exibam os seios.

Uma coisa legal nos bares da Bourbon é que nenhum deles cobra entrada. Eles apenas conferem a identidade (na maioria das vezes), para permitir apenas maiores de 21 anos, que é a idade legal para poder beber nos EUA (a legislação é estadual, mas todos os estados seguem esta idade mínima). Como New Orleans é uma das duas cidades norte-americanas onde se pode beber em público (a outra é Las Vegas) eles também não ligam muito se você entrar ou sair bebendo dos bares (só não pode sair com copos e garrafas de vidro, mas os bares disponibilizam copos de plástico). A maioria dos bares têm ótimas bandas com tudo quanto é tipo de som: jazz, blues, soul, rock, country. Por tudo isto é bem comum ver as pessoas saindo de um bar e entrando em outro, pra ver como está o som, ou então aproveitando o intervalo de uma banda pra ir curtir outra em outro local.

Primeiro a gente deu uma volta, indo até o final da rua e voltando. Paramos então na Huge Ass Beers, que vende cervejas em tamanhos realmente grandes (copos de até dois litros!), pegamos uma cerveja e curtimos um pouco o som. Saímos para dar mais uma volta e depois paramos no Fat Catz Music Club que na nossa opnião tem as melhores bandas (soul, funk, rhythm and blues e pop em geral). Depois de curtirmos um pouco o som e tomarmos umas cervejas, passamos numa loja de conveniência, compramos um pack de cervejas e voltamos para o apartamento.

Dia 2

Na sexta de manhã, mesmo com o tempo nublado e ameaçando chover, fomos dar uma volta. Passamos primeiro pela Canal St, a avenida mais movimentada da cidade, com hotéis, mais lojas de bugigangas, restaurantes, cassino, shopping e até uma arena de shows. De lá fomos até o rio Mississipi, o segundo maior rio dos EUA, que corta praticamente o país todo de norte a sul, desaguando no Golfo do México. Existe um boardwalk com algumas atrações e vários parques. Passamos pela parte do French Quarter que fica à beira do Mississipi, pela Jackson Square (que basicamente se resume a um shopping montado em uma antiga fábrica de cervejas) e caminhamos até o French Market, um mercadão local, que diferentemente da maioria dos outros mercados centrais dos EUA, é bem aberto.

Depois fomos dar umas voltas na Bourbon Street durante o dia e logo após paramos para experimentar as cervejas da Crescent City Brewhouse. Na sequência fomos até a Royal Street para acompanharmos a parade (desfile) da Krewe of Cork. As krewes podem ser considerados uma mistura de bloco carnavalesco com escola de samba. Cada krewe tem um tema e a de Cork é vinho (cork é rolha em inglês). O tema domina as fantasias, que são desenhadas e elaboradas por “foliões” individualmente ou em pequenos grupos, ou seja, não existe um padrão. Eles também confeccionam beads alusivos ao tema central que jogam para a galera (sem nem precisar mostrar os peitinhos…hahaha). Além dos beads, existem outros throws que são jogados pelos componentes: bonecos, óculos, máscaras, basicamente qualquer “recordação” que eles tenham em mente e que seja parte do tema.

O único ponto ruim foi que não haviam banheiros no trajeto desta krewe, então para não passarmos perrengue, preferimos não comprar cerveja.

Como as ruas do French Quarter são estreitas, os “blocos” (vou começar a chamar assim à partir de agora) que desfilam por lá são menores e eles não desfilam com os floats, que são os carros alegóricos. Os blocos maiores desfilam, em sua maioria, na St Charles Ave, e foi pra lá que fomos, já no final da tarde, para acompanharmos os blocos que passariam por ali no dia.  

Na St Charles Ave, além da presença dos floats, que em tamanho se assemelham aos trios elétricos do Brasil, desfilam blocos bem maiores, alguns com mais de 3 mil foliões. A variedade de throws também é enorme. Porém, como o local na St Charles em que paramos fica no final do percurso, muitos floats já estavam sem os throws. E como é a parte mais perto do centro, fica bem lotado. Depois de acompanharmos um pouco, fomos jantar e voltamos ao ap.

Dia 3

Sábado de manhã fomos tomar o café da manha no French Market e experimentamos a Mufalleta original. Passeamos depois pelas ruas perpendiculares à Bourbon e passamos em frente ao Lafitte’s Black Smith Shop, considerado o bar mais antigo ainda em funcionamento nos EUA, com quase 300 anos. Estava meio cedo, mas como estava lotado acabamos não parando. Fica para a próxima. Fomos então ao Louis Armstrong Park, que é até charmosinho, mas sem muitas atrações.

Voltamos então para a St Charles para acompanharmos os blocos do dia. Desta vez escolhemos um lugar mais afastado do centro, e acabamos topando com uma ruazinha que contava com um bar que, além de servir de “base” (para usarmos o banheiro), tinha umas IPAs ótimas. Depois de quase duas horas debaixo de um sol inesperado (virei camarão até) finalmente os blocos começaram e pudemos nos divertir (e coletar mais beads and throws).

Já no final da tarde, mas com o dia ainda claro, voltamos à Bourbon e ficamos no Band Stand curtindo um som e tomando umas Abitas (quem puder, experimente a Purple Haze deles).

Dia 4

No domingo fomos procurar outro ponto para acompanhar as paradas do dia e acabamos topando com a Lee Circle, que é definitivamente o melhor lugar para acompanhá-las. Além de ser uma praça grande e aberta (muitas familias levam até churrasqueiras, cadeiras de praia, coolers, etc.), ali existem banheiros e tem um posto de gasolina com uma loja de conveniência vendendo cerveja a preços módicos. Também é o melhor lugar para pegar os giveaways. Ficamos ali praticamente o dia todo e depois fomos jantar no French Quarter e darmos mais uma volta na Bourbon.

Dia 5

Na segunda não tinham mais blocos, então fomos conhecer a cidade. Resolvemos pegar a Magazine Street, uma rua com bastante bares, boutiques e comércio diverso que leva até o bairro de East Riverside, o mais “luxuoso” da cidade. No meio do caminho paramos para tomar um café na La Boulangerie, uma padaria que quase lembra as brasileiras. A parte residencial do bairro também é bem interessante, com casas antigas numa arquitetura mista de Europa e Sul dos EUA. Imagino que fossem construções bem suntuosas para a época.

Depois de umas voltas pelo bairro pegamos a St Charles sentido centro. Quase no Lee Circle, paramos na The Courtyard Brewery, que além de ter cervejas muito boas (produzidas lá e por outras cervejarias locais) é bem charmosa. Uma pena que o tempo estava ruim e não pudemos aproveitar para tomarmos umas no jardim. Seguimos então no final da tarde para a região do French Quarter onde jantamos no restaurante Tableau. De lá fomos curtir um pouco no Fat Katz novamente.

Dia 6

Na terça, nosso último dia na cidade, fomos andar do lado oposto de East Riverside, em By Water. O bairro é mais residencial e mais “pobre” que East Riverside, porém pareceu mais interessante. Apesar da quantidade menor de comércios, ainda conta com alguns cafés e bares pequenos que, imagino eu, seja frequentado pela galera local mais “cool”. Em By Water também fica o St. Roch Market New Orleans, que é uma praça gastronômica (existe este termo?).

Na volta andamos pela Frenchmen St, passando pela Washington Square, que parece ser também uma região boêmia, e paramos na pequena Brieux Carré Brewing Co. que tem cervejas bem interessantes de estilos não muito populares e um patio no fundo onde é possivel apreciar as bebidas.

E claro, para fechar com chave de ouro, voltamos à Bourbon para fazer um tour por vários dos bares onde estava rolando música ao vivo.

Observações, dicas e considerações:

  • Mufalleta (ou muffuletta) é um sanduiche típico da região, de origem italiana. Ele é feito num pão redondo bem parecido com o pão italiano (o pão em sí chama muffuleta e tem origem na Sicília) recheado com salame, presunto, mortadela e queijo provolone. Vai também um molho feito com azeitonas (uns 90% do total do molho), salsão, couve-flor e cenoura picados em pedaçoes bem pequenos e curtidos no azeite, alho e orégano. Apesar de bem salgado é uma delícia.
  • Um outro quitute típico da região é o Beignet (pronuncia-se “benhê”) feito com uma massa frita (a massa lembra a das carolinas brasileiras) e coberta com açucar de confeiteiro. Normalmente come-se acompanhado com café logo após o preparo. É tipo um bolinho de chuva deles. A origem deste é francesa.
  • O percurso das paradas é gigante, coisa de 5, 7 quilômetros. Entao dependendo do lugar em que se pretende assistir ela pode passar umas 2 horas depois de ter iniciado (por isto esperamos tanto no segundo dia).
  • A parada em sí é igual qualquer outra parada nos EUA: tem as bandas marciais de escolas, tem carros de comércio ou entidades locais, tem as “alas” de academias, de escoteiros, de associações diversas. A única diferença basicamente são os floats e a temática. Mas pra quem já viu qualquer parada (St. Patricks, Natal, Veteran’s Day, etc.) é basicamente a mesma coisa. Mas o fato de poder beber parece que faz uma diferença na empolgação da galera.
  • A tradução de bead é conta, entao beads, no plural, é apenas um colar de contas.
  • Uma outra atração da cidade é o café com xicória, que pode ser encontrado facilmente no Café Du Monde. A xicória, que também é amarga, era adicionada ao café para baratear o custo, numa tradição que começou na Europa e chegou à New Orleans com os imigrantes que ali se instalaram quando a região ainda era uma colônia francesa (o estado se chama Louisiana em homenagem ao rei Luis XV).
  • O Kilwins, na Decatur St, é uma ótima pedida para quem, como eu, adora sorvete.

Be happy 🙂

Samba de Enredo – Alberto Mussa e Luiz Antônio Simas (12/2019)

Escrito à quatro mãos pelo linguista e historiador Alberto Mussa e pelo também historiador Luiz Antônio Simas, este já um conhecido especialista na história do gênero brasileiro mais popular, o Samba, o livro se propõe a fazer o que descreve no  subtítulo: mostrar a “história e arte” deste que é mais do que um gênero musical, já que o enredo é a figura central e a música, bem como as alegorias (artes plásticas), a apresentação (artes cenográficas), além de diversos outros tipos de arte, servem ao enredo.

Dividido em três partes principais, o livro descreve na primeira delas (que é ordenada cronologicamente e separando em “eras”) o desenvolvimento da arte desde a pré-história, ou seja, dos movimentos culturais que viriam a gerar as agremiações, até a era moderna do samba de enredo (ou samba-enredo).

Na segunda parte o foco é nas principais escolas do Rio de Janeiro, incluindo algumas que não existem mais e até de alguns blocos que seguiam a mesma proposta de apresentar um enredo. Nesta segunda parte, além da “biografia” das escolas, traz também algumas informações como as premiações, os principais enredos e compositores que marcam a história de cada uma delas.

A terceira parte muda o foco para os compositores, já que muitos deles compuseram sambas para mais de uma agremiação, trazendo uma breve biografia de cada um dos principais compositores do gênero. O apêndice final traz uma lista de todos os sambas que eles conseguiram mapear e analisar para o trabalho, também em ordem cronológica. Infelizmente, muitos se perderam parcialmente (tem-se alguns trechos, normalmente passados de boca em boca, muitos só com a letra e sem a melodia) ou totalmente, já que a tradição de se registrar os sambas de enredo em gravações só se iniciou em meados da década de 60.

O livro é muito interessante para entender um pouco deste mundo fantástico que envolve os desfiles de carnaval e as escolas de samba. Também serve como um guia para procurar os sambas listados no Youtube. Só achei que caberia um quarto capítulo fazendo pelo menos um apanhado geral do desenvolvimento da arte em outros locais, especialmente São Paulo. Mas posso apenas estar sendo bairrista.

Be happy 🙂