Sucker’s Portfolio – Kurt Vonnegut (04/2018)

Encontrei Kurt Vonnegut em uma referência do Orwell’s Revenge (agora lembrei que foi onde também encontrei a referência à The Machine Stops), pesquisei pelo autor na Amazon e coloquei alguns títulos dele meio que aleatóriamente na minha lista. Há quase um ano atrás fui comprar alguns livros e resolvi “experimentar” algum do autor, escolhendo este, também aleatóriamente, entre uns dez títulos que que eu tinha salvo.

Sucker’s Portfolio é uma coleção com seis contos e um texto que pode-se classificar como uma crônica. A coletânea foi lançada inicialmente pela Amazon em versão e-book e posteriormente na versão impressa. Os contos são em sua maioria histórias simples, de cotidiano, com uma linguagem fluída e que te leva a grudar no texto até que ele acabe. Mesmo Robotville and Mr. Caslow, um texto inacabado e que pode ser considerado um “conto de ficção científica” é algo factível em um futuro próximo (meio na linha Black Mirror).

Mas o capítulo que eu mais gostei foi o de crônica. Entitulado de The Last Tasmanian, é uma coletânea de pensamentos aleatórios, mas interligados, que o autor teve à partir de um número (1492, o ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América). Pelo que o texto deu a entender, o autor estava sozinho (quer dizer, com o seu gato) e começou a colocar no papel uma série de idéias que eram “sugeridas” pela idéia anterior. Tanto que o texto apresenta muitas vezes a expressão “e por falar nisto”. Achei muito interessante esta forma fluída de colocar idéias no papel. Preciso pegar um tempo para tentar o mesmo exercício algum dia.

Gostei bastante do estilo de Vonnegut e suspeito que ele tende a se tornar um dos meus autores favoritos em dois ou três livros.

Be happy 🙂

Wanderlust #44 – Mystic e New Haven – Connecticut – Estados Unidos

(21/Jul/2017-23/Jul/2017)

Yale tem até uma usina termoelétrica própria!

Este post vai ser curto, porque o passeio em si foi curto. Quer dizer, demorou pra chegarmos lá, mas as atrações eram limitadas. Nesta “missão” de conhecermos o maior número possível de estados americanos enquanto estivermos por aqui, fomos desta vez conhecer o pequeno estado de Connecticut, no noroeste dos EUA, região conhecida como Nova Inglaterra (expliquei no post de Boston). Como não conseguimos achar muitas atrações turísticas por lá, decidimos escolher a cidade que seria, teoricamente, a mais movimentada como base. New Haven, além de ter a segunda população do estado, com “impressionantes” 130 mil habitantes (pouco menos que a Freguesia do Ó), é onde fica a Yale University.

Chegamos na cidade na sexta à tarde, demos uma volta rápida e já paramos na Cask Republic para tomarmos umas. Saimos do bar e fomos andar um pouco mais pela região central, que é cheia de bares e restaurantes e paramos novamente, desta vez no The Beer Collective.

No sábado de manhã dirigimos cerca de uma hora até a cidade de Mystic, uma pequena cidade de veraneio que fica num “braço de mar” do Oceano Atlântico. Apesar de pequena, a cidade era bem movimentada, além de ser bem charmosa. Andamos por umas duas horas na cidade, paramos para tomar um sorvete e voltamos para New Haven.

Já em New Haven, fomos conhecer a cidade com um pouco mais de tempo, mas mesmo assim o passeio foi bem rápido. Passamos pela New Haven Green, a praça central da cidade, onde a noite aconteceria um show (e o pessoal já estava se acomodando), alguns prédios antigos que pertenciam à Yale e depois fomos para a região onde a maioria dos prédios da universidade se concentram. Diferente de Boston (MIT e Harvard) e Princeton (uma hora eu escrevo sobre), Yale é aberta e não dá para saber onde começa ou termina a universidade, exceto pelos nomes das escolas nos prédios. Uma diferença também é que os prédios, apesar de seguirem o estilo da Nova Inglaterra, tem um ar mais moderno. Arquitetura interessante.

Paramos no meio do caminho na Three Sheets para algumas cervejas e depois prosseguimos andando a esmo pela cidade. Caminhando novamente perto do hotel encontramos o melhor achado da cidade, o Barcade, um fliperama (com várias máquinas clássicas) com um bar de cervejas especiais. Que idéia fantástica!!!!

Apesar de não ter praticamente nenhuma atração turística, se fosse mais perto (umas duas horas), até que eu voltaria para a cidade outras vezes para curtir os bares e o clima jovial. E pernoitaria em Mystic para aproveitar a pequena cidade de veraneio.

Observações, dicas e considerações:

  • Infelizmente não achamos uma cervejaria na parte centra da cidade para fazer a famosa foto com o sample flight.
  • Connecticut e um nome dificílimo de pronunciar!
  • Pela Internet, música do Gilberto Gil do disco Quanta, de 1997, faz uma pequena referência ao estado.
  • O barman (acho que era dono) do Barcade, ao ver minha camisa do Santos já perguntou de cara: “brasileiro?”, quando respondi que sim ele me disse que era “corintiano” e depois me explicou que teve um grande amigo brasileiro que morava na cidade e que o “convenceu” a torcer pelo Corinthians. Talvez isto também explique o piso à lá calçadão de Copacabana no bar.

Be happy 🙂

Mystic

Mystic

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

Barcade, New Haven

Barcade, New Haven

New Haven

New Haven

The Machine Stops, The Celestial Omnibus, and Other Stories – E. M. Forster (03/2018)

Eu vou comprando livros e acumulando e as vezes nem lembro o que me levou a comprá-los. Comprei este livro há alguns (vários) meses atrás e não lembro quem deu a “dica”. O livro é um compêndio de estórias curtas de Edward Morgan Forster, um famoso escritor inglês que eu não conhecia, mas que pelo que eu pude pesquisar, possui uma vasta obra, algumas delas transformadas em filmes e séries pela BBC.

A primeira história do livro, The Machine Stops, é bem interessante e retrata, no melhor estilo distópico, uma sociedade futura onde as pessoas vivem em “vomitórios”, que se tratam de “células hexagonais” em colônias subterrâneas. Estas pessoas passam o dia todo se comunicando através de um sistema interligado (outra previsão do surgimento da Internet?), atendendo e dando aulas. Não há mais a necessidade de sair dos vomitórios porque finalmente chegaram à conclusão de “por que usar transporte para levar as pessoas às coisas, quando é mais fácil levar as coisas às pessoas?” (Amazon?!?!?). E não há a necessidade das pessoas visitarem outros lugares, já que tudo é “lamacento e poeirento” (e a máquina “conecta” as pessoas).

A entidade que controla tudo isto é conhecida como “A Máquina” (The Machine) e, apesar de, em tese, não existir religião nesta sociedade global, os membros acabam cultuando a própria máquina. Um dos membros desta sociedade resolve se aventurar na superfície e descobre que na verdade ainda existe um mundo a ser visto fora dos domínos d’A Máquina. A estória me lembrou muito Der Fisch.

Como gosto do estilo distópico, achei The Machine Stops bem interessante, ao contrário dos demais textos do livro. Apesar do conto principal ser uma estória fantástica, ao menos é algo factível. As demais estórias são fantásticas, mas já vão para o lado do misticismo, especialmente relacionados à um “ente superior que domina a natureza”.

Além de tudo o inglês utilizado é de difícil compreensão. Tive que reler vários parágrafos para poder entender. Encontrei uma versão traduzida de The Machine Stops aqui (tem o texto original e a tradução).

Be happy 🙂

Der Fisch – Lothar Streblow – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 15 de Julho de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Numa das aulas de alemão aqui em Berlim tive a grata surpresa de ouvir Der Fisch (O Peixe), uma ficção cientifica no melhor estilo distópico. Criada em 1972 (portanto, em plena Guerra Fria) por Lothar Streblow e produzida pela rádio Bremen, Der Fisch ganhou o prêmio de “Melhor Estória Radiofônica” daquele ano, concedido pelo consórcio das empresas radiofônicas da Alemanha (ARD). Infelizmente, não encontrei uma versão com legendas ou mesmo a transcrição da história. Porém, para quem entende um pouco de alemão, ela pode ser encontrada aqui.

A história é basicamente o diálogo (na verdade, uma sessão de interrogatório) entre um representante do Estado (der Vertreter der Behörde) e um cidadão (que veremos ser, na verdade, um réu – der Geladener) que afirma ter visto um peixe. O problema é que, em 2092 (período em que a trama acontece), as pessoas vivem dentro de redomas de vidro e não existe vida fora desta.

Outro “personagem” importante da obra é um computador (o “sistema”) que guia o representante do Estado e é suprido por ele com informações obtidas do cidadão.

Durante o diálogo, o representante tenta convencer o cidadão de que ele não viu o peixe, afinal isto seria impossível. Portanto, deve ter ocorrido uma simples ilusão de ótica, uma alucinação ou algo do tipo. O cidadão, por sua vez, não esconde a euforia: diante da possibilidade da existência do peixe fora da redoma, a probabilidade de existência humana também é grande.

O cidadão se incomoda muito pela forma com a qual o representante do Estado ignora a possibilidade da existência do peixe, até o momento em que o representante, ao ver que não conseguiria convencer o cidadão, expõe toda a verdade: o Estado (o computador – der Computer) e seus agentes sabem da existência de vida fora da redoma. Entretanto, a vida dos cidadãos é bem melhor na forma como está: confinados dentro da redoma e sem saber o que se passa fora dela.

Neste momento, o representante revela que aquilo não se tratava de um interrogatório, mas sim de um julgamento, onde a negação da vida fora da redoma (consequentemente a aceitação da “verdade” que o sistema impunha ao cidadão) seria motivo para absolvição e a convicção da verdade (da existência do peixe) foi o real motivo para condenação.

No final da estória o cidadão é condenado à reciclagem, ou seja, à morte.

Além da metáfora evidente do sistema vigente nos países do bloco comunista à época (e de sistemas atuais, como o de Cuba, Coréia do Norte e ainda a China), foi interessante notar a similaridade com 1984, além da semelhança dessas duas com a trilogia Matrix.

Quando meu alemão estiver melhor tentarei fazer uma transcrição e uma tradução do texto para vocês.

Be happy! 🙂

A Field Guide to Lies – Daniel J. Levitin (02/2018)

Em tempos de “pós-verdades” e fake news, é muito importante ficar atento à qualidade das informações que são obtidas, principalmente na Internet. É mais importante ainda verificar a veracidade e factualidade de qualquer informação antes de propagá-la. Em A Field Guide to Lies, Daniel Levitin traz um guia básico para fact-checking, especialmente relacionado às mídias sociais.

O livro é dividido em três partes que explicam como se pode mentir usando dados, palavras e credibilidade. A maioria dos exemplos utilizados são normalmente usados para sustentar falácias lógicas e, apesar de muitas vezes as “mentiras” se originarem apenas de erros (falta de conhecimento do autor) ou crendices (como as teorias da conspiração), em vários casos estas mentiras são geradas propositalmente, pois alguém ou algum grupo de interesse terá alguma vantagem (ou evitará alguma desvantagem) com a disseminação da mentira ou hoax (os boatos de internet). 

Os interesses vão desde motivos políticos e ideológicos (alavancar ou atacar uma corrente) até financeiros (obter lucro ou apoio da sociedade), não sem deixar de passar por questões religiosas (a pura crendice). E os meios são vários: cherry-picking (apresentar somente um pedaço da informação), descontextualização, representação gráfica confusa, apelo à autoridade, desqualificação/qualificação do autor (ao invés da idéia), etc.

Normalmente se conta uma mentira através de “pequenos pedaços da verdade”, o que acaba por convencer os menos céticos ou preparados para questionar as informações. E o autor monta um guia que mistura um pouco do método científico com a apuração jornalistica. Para quem já é habituado com o método cientifico, pode ser um livro até simples demais, mas com certeza é um bom guia para quem não está acostumado ao pensamento cético.

Uma pena que ainda não esteja disponível em Português!

Be happy 🙂

Wanderlust #43 – Lisboa, Sintra, Cascais e Setúbal – Portugal (Parte II)

(27/Jun/2017-03/Jul/2017)

Praça do Comércio – Lisboa

Dia 1
Chegamos na fantástica Estação do Oriente (que inclusive me lembrou a Hauptbahnhof de Berlin) e pegamos o trem local (tipo um CPTM) até Entre Campos, onde ficava o nosso hotel. Deixamos a mala e fomos dar uma volta, seguindo pela Avenida da República, que é uma área com muitos prédios comerciais. Descemos logo após pela Avenida da Liberdade até a região turística de Lisboa, que fica bem próxima ao Tejo.

Demos uma volta pela regiao do Chiado, Baixa, Rossio e Praça da Liberdade, bem rapidamente, pois queriamos parar em algum barzinho na Alta para tomarmos algo e darmos uma descansada.

O Bairro da Alta é formado por uma série de ruas paralelas, bem estreitas. Perpendicularmente existem vários “escadões”. A região é repleta de casarões antigos que foram convertidos em hotéis, hostels, bares, restaurantes, entre outros, e se juntaram aos comércios mais antigos.

Primeiramente paramos em um pequeno bar de cervejas especiais que encontramos por acaso (e cujo nome eu incrivelmente não me recordo). Depois encontramos uma tasquinha com mesas nos degraus (esta ficava numa perpendicular), onde pudemos nos sentar e petiscar algo enquanto observávamos a movimentação. A região da alta lembra muito a Vila Madalena, com uma galera bem diversa (turistas mais “chiques”, mochileiros e locais) circulando por ali, muitas vezes comprando cervejas num mercadinho e simplesmente sentando nas escadarias para ver o tempo passar.

Dia 2
Saimos cedo, debaixo de uma leve chuva, em direção a parte “turística” de Lisboa.  Passamos pelo Parque Eduardo VII e descemos por ele até a Praça Marques de Pombal. Pegamos a Avenida da Liberdade até a Praça dos Restauradores, onde pegaríamos o elétrico (como são conhecidos os bondes em Lisboa) até Belém.

Descemos em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, uma bela construção de mais de quinhentos anos que lembra o Mosteiro do Largo São Bento, em São Paulo. Atravessamos o Jardim da Praça do Império em direção à margem do Tejo. Fomos até o Padrão dos Descobrimentos, que é um monumento em homenagem aos navegadores e descobridores portugueses. Achei bem interessante, mais até do que a Torre de Belém, que fica logo ao lado e é a principal atração da região (Belém é um bairro de Lisboa, e não outra cidade, como pensava). A torre é até bonita, mas talvez quem ouça falar pense que ela é grande. Paga-se para entrar na torre (não fizemos). Ao lado da Torre fica também o Farol.

Na volta à região do Mosteiro, passamos pelo Centro Cultural de Belém, que é uma edificação antiga (provavemente um forte) que foi reformado para abrigar restaurantes, cafés e galerias de arte. Claro que antes de pegar o elétrico (que tem wi-fi livre!) de volta à região central de Lisboa, fomos experimentar os famosos Pastéis de Belém.

Desembarcamos do elétrico no Cais do Sodré, uma das várias regiões revitalizadas de Lisboa. Existem várias barraquinhas com comida e bebida e vale uma parada (pena que estava ventando muito!). Fomos em direção à região da Baixa-Chiado pois queria ir numa cervejaria naquela região. Paramos antes para comer no Tapas da Trindade, que tem petiscos muito bons. Depois finalmente fomos no Duque Brew Pub, que fica em um dos varios escadões que ligam a região da Baixa à Alta.

Depois das cervejas, fomos jantar no restaurante Lisboa 33 e, quando estávamos nos dirigindo ao metrô para voltar ao hotel, notamos que estava rolando uma apresentação de música no Largo Duque de Cadaval. Sentamos num bar por ali e, assim que pedimos a cerveja, a apresentação terminou. Pelo menos deu pra tomar mais uma!

Dia 3
Na quinta-feira tomamos o trem em direção a Sintra, uma cidade bem turística a oeste de Lisboa, em uma região montanhosa. Lá passamos pelo Palácio Nacional e pegamos a trilha que existe no Parque da Pena para subirmos morro acima até o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena.

A trilha tem uns três quilômetros de subida por um caminho bem sinuoso. É cansativo porém vale muito a pena para quem tem pique, já que o parque é bem bonito. Também se tem uma boa vista da cidade (que fica na parte baixa). Dá para tomar ônibus, táxi ou então optar por um dos diversos modos oferecidos pelas agências locais para se chegar até o topo. Preferimos não entrar em nenhum das duas atrações e resolvemos apenas vê-las por fora (o acesso é pago).

Na volta demos uma passada em frente à Quinta da Regaleira (cujo acesso também é pago) e passeando pelas ruas estreitas da cidade acabamos encontrando a Tascantiga, uma tasquinha bem aconchegante e com ótimas opções de petiscos, onde aproveitamos para “almoçar”.

De volta a Lisboa, conforme já haviamos nos programado, fomos visitar a Cerveteca, um bar de cervejas especiais bem interessante. Só precisa chegar cedo pois como o lugar é pequeno, lota rapidamente. Na saída fomos comer algo na Pão de Canela, que fica em frente ao belo Jardim Fialho de Almeida. Infelizmente não havia mais pães de sandes!

Dia 4
Na sexta fomos conhecer Cascais, mas descemos na estação de Estoril, que é uma freguesia (o equivalente aos bairros brasileiros) do município de Cascais e fomos andando em direção à area central da cidade (e mais além). Nesta caminhada, passamos por diversas praias, como a Praia do Tamariz, a Praia da Duquesa, a Praia da Ribeira. Todas muito belas, bem limpas, com água azul transparente.

Depois do centro da cidade, visitamos a Fortaleza Nossa Senhora da Luz, que foi transformada em um centro de artes com o nome de Cidadela Art District. Seguindo em direção à Boca do Inferno, uma falésia que foi esculpida pela açao das ondas, passamos também pelo farol de Santa Marta. Na Boca do Inferno existem uns dois ou três estabelecimentos para tomar um “refresco”, então aproveitamos para tomar umas cervejas artesanais que eles tinham engatadas. Na volta, como fazia tempo que não tomávamos cerveja na praia, resolvemos parar em um restaurante da Praia do Tamariz para tomarmos algumas geladas. Vou dizer que moraria fácil em Cascais / Estoril!

Na volta à Lisboa descemos no Cais do Sodré para caminharmos até a Sé de Lisboa. Também passamos pelo Portal de Alfama (que depois fui conhecer mais ao ler a História do Cerco de Lisboa, do Saramago), o Castelo de São Jorge e, andando pela região de Alfama acabamos caindo n’O Galhardo onde experimentamos um chouriço assado na hora e uma ótima farinheiro com ovos.

Dia 5
Sábado resolvemos ir até Setubal, meio que de última hora (a gente não faz muita programação antecipada). O passeio de trem passando pela Ponte 25 de Abril (irmã da Golden Gate, em São Francisco, que também tem algumas outras semelhanças com Lisboa) é em si uma atração turística. Lá chegando fomos andando a esmo pela cidade, primeiramente passando pelo Mercado do Livramento (conhecer os mercardos centrais das cidades é um ótimo programa), e depois na Praia da Saúde, onde paramos no Rockalot para experimentar o imperdível Caipirão.

Seguimos até o Parque Urbano de Albarquel e depois voltamos para a melhor das descobertas da cidade: o Yellow Bus, que já haviamos visto anteriormente, mas que estava fechado e nos programamos para voltar mais tarde. Que idéia fantástica a de montar um “beach club” tendo como base um ônibus transformado em bar! Sentamos alí e ficamos algumas belas horas só apreciando a paisagem e tomando umas cervejas (e mais uns caipirões, claro!).

Na volta à Lisboa, passamos pelo Chiado e fomos à Alta, pois ainda não havia assistido a uma apresentação de Fado (não pode faltar na visita à Lisboa). Paramos em um restaurante (que não lembro o nome) para jantarmos e assistirmos a uma apresentação.

Após o jantar, dando umas voltas pela Alta, acabamos topando com o Alface Hall, que é um bar com música ao vivo no térreo de um hostel. Muito boa pedida para curtir à noite!

Dia 6
No domingo pegamos o metro até a Estação do Oriente (onde haviamos desembarcado na cidade) para conhecer a região, que era uma zona portuária que foi recentemente revitalizada, mais ou menos como a Estação das Docas em Belém. A orla, que é bem maior que a da Estação das Docas, conta com um jardim linear, um teleférico (que simplesmente leva de uma ponta a outra da orla), alguns parques, locais para eventos, etc. Atrás do parque linear (e portanto sem vista para o Tejo) ficam os bares e restaurantes. Espero que façam o mesmo tipo de revitalização no Rio e começem a colocar bares e restaurantes naquela região do Pier Mauá.

Voltamos novamente para a região da Alta e, ao pararmos no Largo Trindade Coelho para tomarmos um sorvete, fomos presentados com uma apresentação de um coral. Já que já estávamos lá, resolvemos tomar umas cervejas e acompanhar a apresentação até o final. Depois fomos novamente até a alta para jantar e encerramos a noite (e a viagem) novamente no Alface Hall.

Observações, dicas e considerações:

  • A primeira observacão é sobre a educação dos portugueses. Tanto a educação formal (de falar correto, de quase todo mundo falar inglês praticamente sem sotaque, etc.) quanto os bons modos no tratamento dispensado às pessoas, não só turistas. Fiquei impressionado e muito feliz pelos patrícios.
  • Em Portugal também se deixa a esquerda livre na escada rolante.
  • Outra coisa é o cuidado na apresentação dos pratos em restaurantes. Pode ser a “birosquinha” mais simples, tem toda uma forma de montar o prato, de servir, de trazer a conta, etc.
  • Bem antes da internet os portugueses já tinham sua forma de obter feedback: o livro de reclamações (que também existe em alguns antigos estabelecimentos brasileiros) e o livro de elogios. É o “thumbs up” e “thumbs down” old school.
  • Nos pontos turísticos de Lisboa existem traficantes oferecendo seus “produtos” quase livremente. Como o consumo de qualquer droga, e o consequente porte para consumo, é liberado em Portugal, eles andam com poucas quantidades e, caso a polícia os enquadre, é só alegar que a droga é para consumo próprio. Como eles só serão presos caso forem flagrados vendendo, a polícia até faz vista grossa para estes pequenos traficantes.
  • Em tudo quanto é lugar a poesia se faz presente. Tem quadros e pinturas com trechos de textos de poetas portugueses em bares, estações de metro, padarias, etc.
  • Bem legal a idéia de colocar os adolescentes para trabalhar como voluntários na limpeza das praias, nos pontos de informação turistica, entre outros. É uma maneira de fazê-los ter uma consciência maior quanto ao seu papel na sociedade.
  • Em tudo quanto é biroska tem cerveja na pressão (as taps, ou chope, como chamam no Brasil).
  • Interessante o “fado de improviso”. É muito parecido com o repente e o samba de partido alto: tem uma estrofe que se repete e os cantores vao improvisando os versos das quadrinhas.

Be happy 🙂

Parque Eduardo VII – Lisboa

Mosteiro dos Jerónimos – Lisboa

Jardim da Praça do Império – Lisboa

Torre de Belém – Lisboa

O famoso pastel de nata de Belem – Lisboa

Cais das Colunas – Lisboa

Praça Rossio – Lisboa

Castelo dos Mouros – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Palácio da Pena – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Quinta da Regaleira – Sintra

Estoril

Piscina Oceânica Alberto Romano – Cascais

Boca do Inferno – Cascais

Alfama – Lisboa

Duas gratas surpresas: caipirão e Yellow Bus – Setúbal

Poesia até nas estacões do Metro – Entre Campos – Lisboa

Curtindo a sofrência do Fado – Lisboa

Oriente – Lisboa

Jardim do Passeio dos Heróis do Mar – Lisboa

Alfama – Lisboa

The Last Lecture – Randy Pausch (01/2018)

Nas universidades americanas é comum os professores serem convidados a dar uma “última aula” (Last Lecture, a tradução do livro em português ficou como “A Última Lição”). Normalmente é uma aula direcionada aos alunos que estão no último ano da graduação (na verdade, “undergraduate” , pois “graduado” nos EUA e Europa é quem tem título de Mestre ou Doutor) e o desafio dado ao professor é o seguinte: imagine que esta será a última aula que você dará na sua vida, qual mensagem você gostaria que a audiência levasse?

Randy Pausch, um professor da área de Tecnologia da Informação da conceituada Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, Pennsylvania, foi o convidado a dar “a última aula” para uma turma em 2007. Porém, Randy já estava lutando contra um câncer no pâncreas há alguns meses e havia sido alertado recentemente pelos seus médicos que teria cerca de seis meses de vida (ele viria a falecer em Julho de 2008, alguns meses além do “prazo”). Então esta realmente foi sua última aula.

A aula foi gravada e viralizou no Youtube (conta atualmente com mais de 18 milhões de visualizações, isto só a versão oficial). Aproveitando os últimos meses de vida e contando com a ajuda do jornalista Jeffrey Zaslow, Randy transcreveu as lições da palestra para o formato de texto. O livro e o vídeo (que são muito similares, sendo que o livro tem bem mais detalhes) são um compêndio das lições que o próprio Randy foi aprendendo durante sua vida e que achou interessante compartilhar.

Eu não sou fã de livros de auto-ajuda que tentam impor fórmulas de sucesso, mas eu gosto de ler experiências de vida. The Last Lecture traz exatamente isto: um compêndio da vida de um cara que simplesmente aproveitou o máximo possível a sua vida e que tentou, na medida do possível, ajudar outros a fazerem o mesmo. É muito mais a exposição de uma jornada de auto-conhecimento do que um “faça o que eu digo”, e por isto achei o livro interessante. Além disto, a atitude positiva diante de algo inevitável e a forma cética e racional de Randy ao encarar a sua própria morte foram outras coisas das quais eu gostei.

A versão oficial do vídeo pode ser assistida no Canal da Universidade (https://www.youtube.com/watch?v=ji5_MqicxSo). Dá pra assitir o vídeo e depois ler o livro. Ou fazer o inverso, como eu fiz. Ou só assistir o vídeo. Será interessante de qualquer forma.

Be happy 🙂

O Evangelho Segundo Jesus Cristo – José Saramago (12/2017)

“Homens, perdoai-Lhe (a Deus), pois ele não sabe o que fez.”

Esta obra prima do Saramago segue a mesma premissa de “O Cordeiro” (ou melhor, o Cordeiro segue a mesma premissa deste livro): contar a estória de Jesus Cristo de outro ponto de vista que não os existentes na Bíblia e cobrindo também os períodos ignorados nos evangelhos (praticamente tudo desde o nascimento até os 30 anos). Neste caso, a narração é conduzida pelo próprio Cristo, feita em terceira pessoa.

O estória abrange desde a hora da concepção (que ocorreu naturalmente, através de José), passando pela infância, adolescência e dando muita atenção ao momento em que Jesus descobre o seu destino e as consequências dele. O destino é apenas servir de instrumento para que o “fã clube” do seu pai aumente de tamanho, inflando assim o seu ego (e desta forma ele poderá se gabar junto aos outros deuses). As consequências, além do próprio sofrimento do filho, serão milhares de mortes, nas mais terríveis formas, ao longo de séculos.

“O único Deus sou eu, eu sou o Senhor, e tú és o meu Filho, Morrerão milhares, Centenas de milhares, Morrerão centenas de milhares de homens e mulheres, a terra encher-se-á de gritos de dor, de uivos e roncos de agonia, o fumo dos queimados cobrirá o sol, a gordura deles rechinará sobre as brasas, o cheiro agoniará, e tudo isto será por minha culpa, Não por tua culpa, mas por tua causa, Pai, afasta de mim este cálice, Que tu o bebas é a condição do meu poder e da tua glória, Não quero esta glória, Mas eu quero esse poder. O nevoeiro afastou-se, para onde estivera antes, via-se uma pouca de água ao redor do barco, lisa e baça, sem uma ruga de vento ou uma agitação de barbatana passando. Então o Diabo disse, É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue.”

De uma forma muito mais sutil que em O Cordeiro, mas muito mais contundente, Saramago questiona a filosofia por trás do cristianismo e de quebra por trás das demais religiões Abraonicas. É um livro para fazer pensar. A forma como ele questiona crendices e mitos que não fazem sentido lógico algum é fantástica. Especialmente porque fosse o ser humano dotado de maior inteligência, estes mitos já estariam há tempos na categoria de folclore, daqueles que você dá risada e se admira como podem ter guiado a vida de milhões de pessoas (e custado a vida de tantos outros milhões). Pensando bem, nem precisaria ser muito inteligente, só um pouco.

Como já disse anteriormente, o estilo do Saramago é complicado de acompanhar e exige muita atenção, mas ao mesmo tempo apresenta uma beleza única. Entre as obras dele que eu lí até hoje (acho que umas 6 ou 7) esta subiu para o topo e é um dos melhores livros que eu já lí.

Be happy 🙂

O MMA e a Síndrome de Cachorro Vira-Latas – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 09 de Janeiro de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.



No livro “O Guia politicamente incorreto da história do Brasil”, o primeiro da interessante série “Guia Politicamente Incorreto”, o autor, Leandro Narloch, nos presenteia com um trecho espetacular para definir o comportamento do Brasil enquanto nação e, consequentemente, o comportamento individual dos brasileiros:

“Se pudéssemos fazer uma terapia de grupo entre países, surgiriam comportamentos reveladores durante as sessões. Haveria aquele país que mal notaria a existência dos outros, como a França, talvez os Estados Unidos. A Alemanha se seguraria calada, sofrendo de culpa, desconfortável consigo e com os colegas ao redor. Uma quarentona insone, em crise por não ser tão rica e atraente quanto no passado, representaria muito bem a Argentina. Claro que haveria também países menos problemáticos, como o Chile ou a Suíça, contentes com a sua pouca relevância. Não seria o caso do Brasil, paciente que sofreria de diversos males psicológicos. Bipolar, oscilaria entre considerações muito negativas e muito positivas sobre si próprio. Obcecado com sua identidade, em todas as sessões aborreceria os colegas perguntando ‘Quem sou eu?’, ‘Que imagem eu devo passar?’, ‘O que me diferencia de vocês?’”

Esta busca do brasileiro por uma identidade é a causa do que o dramaturgo Nelson Rodrigues chamou de “Complexo de vira-latas”: o brasileiro sempre se coloca em uma posição inferior, quando comparado à outros povos e países. De tempos em tempos, esta síndrome é aplacada por algumas (ou algum período) de vitórias ou destaques, especialmente no campo esportivo.

Nelson Rodrigues, que criou o termo “Complexo de vira-latas”, logo após a derrota do Brasil na Copa de 1950.

Por exemplo, quando ouço falar que o brasileiro ama futebol, ou que o Brasil é o país do futebol, eu refuto esta ideia: o brasileiro não ama futebol, ele ama ganhar no Futebol para assim se sentir “o melhor” em alguma coisa. Esta necessidade não está relacionada somente ao futebol. O tricampeonato mundial obtido na Copa do Mundo de 1970 foi o ápice do domínio brasileiro neste esporte, porém se seguiu de um período de hiato, que teve seu vale em 1982, onde mesmo com um time muito bom, o Brasil não ganhou a Copa do Mundo daquele ano. Seguiu-se este hiato até 1994, onde o Brasil voltaria, depois de longos 24 anos, a ganhar uma Copa.

Durante este hiato, como o futebol não obteria os resultados esperados (para o Brasileiro não basta jogar bem, se não ganhar, não valeu de nada), outros esportes onde o Brasil (como time) ou brasileiros (individualmente) teriam destaques expressivos tiveram momentos importantes: o automobilismo, através das vitórias e títulos obtidos nas décadas de 70 e 80, o Vôlei entre as décadas de 80 e os anos 2000, um curto período de destaque no Basquete por conta da vitória sobre os EUA, na casa deles, no Pan-Americano de 1987, destaques na natação e no judô, por conta de resultados obtidos nas olimpíadas de 88, 92 e 96. Tivemos até pequenos booms de esportes mais elitizados, como o Tênis (devido às vitórias do Guga), Iatismo (irmãos Grael e Robert Scheidt) e até mesmo hipismo (vitórias do Doda).

Todas estas vitórias serviram para aplacar um pouco esta síndrome, já que, mesmo no caso de esportes individuais e que não recebem incentivos do Estado, o Brasileiro “toma para si” aquela vitória. As vitórias do Senna eram “vitórias do Brasil”, mesmo em um esporte individual e que depende, em grande parte, de um equipamento (mesmo que não tenhamos nenhuma equipe na Fórmula 1, nem mesmo uma montadora de origem brasileira, as vitórias “eram do Brasil”). O mesmo aconteceu com o Guga no Tênis: as vitórias não eram vitórias do Guga, eram vitórias do Brasil, mesmo ele não tendo tido apoio, exceto do seu treinador e de pessoas mais próximas, durante sua formação como atleta.

Da mesma forma que o brasileiro se apropria das vitórias, ele se exime nas derrotas, querendo encontrar uma desculpa, de forma a não admitir que alguém se tornou melhor naquele esporte. O próprio Guga já foi execrado pela torcida que comemorou suas vitórias. O Felipe Massa, passou de herói nacional a um “bosta” em 15 segundos em 2008. A França só ganhou em 1998 porque o Brasil entregou o jogo, por conta de uma teoria da conspiração que nem os autores de Arquivo X teriam bolado.

Gustavo Kuerten, um dos muitos esportistas brasileiros que tiveram “apropriação indevida” de suas vitórias, para logo em seguida serem execrados pelos antigos “fãs”.

Falei tudo isto como uma introdução para a “bola da vez” em aplacar a Síndrome de Vira-Latas do brasileiro: o MMA. Apesar de não ser praticante de nenhuma arte marcial (até treinei um pouco de Muay thai, há uns 15 anos atrás), sou fã da modalidade desde que ela se chamava “Vale-tudo” e tínhamos que alugar fitas na locadora para assistir aos primeiros UFCs ou sintonizar na Band (épocas pré TV à cabo) para assistir aos eventos do IVC ou WVC, no Maksoud Plaza. Sou até uma das poucas testemunhas do primeiro UFC Brazil, ocorrido em 1998, no Ginásio da Portuguesa, em São Paulo, evento que não estava lotado, apesar do custo de inimagináveis (para o UFC atual) R$ 20,00 do ingresso da arquibancada.

É impressionante para quem, como eu, acompanhou os primeiros passos de um novo esporte e/ou modalidade, ver como ele se desenvolveu em cerca de 20 anos (especialmente por concordar com o idealizador desta revista, quando diz que o MMA está chato). Além do tino comercial do Dana White, alguns outros fatores contribuiram em muito para a disseminação do esporte. No Brasil, alguns deles foram a popularização da TV a Cabo, a disseminação do uso da Internet e um aumento considerável na renda do brasileiro, durante estes vinte anos, que possibilitou que pessoas que não tinham acesso a academias e clubes pudessem passar a frequentá-los, e assim ter contato com outras modalidades de esporte que não as fomentadas nas escolas (Futebol, Basquete, Vôlei e Handball).

Mesmo assim, isto ainda seria pouco para o boom que ocorreu no Brasil, o que levou até o maior grupo de TV aberta do país a adquirir os direitos de transmissão e a fazer inserções de reportagens e chamadas para o evento nos seus horários nobres.

E novamente a explicação para tal boom vem da Síndrome de Vira-latas: com o futebol em baixa (não ganhamos um título mundial desde 2002) e o automobilismo brasileiro em vias de terminar (a Fórmula 1, assim como outras modalidades, como a Stock Car, que foram a válvula de escape durante o hiato do futebol das décadas de 70 e 80 estão em franca decadência), o brasileiro voltou suas atenções para um esporte onde existem chances reais de verem brasileiros ganhando.

Porém, novamente voltamos aos mesmos problemas: a apropriação indevida das vitórias por parte do povo (claramente incentivada pelos “novos” narradores desta fase do MMA) e a omissão, quando não crítica pura e ilógica, quando da derrota.

Até início deste ano, o Anderson Silva estava quase chegando ao nível de um “novo Senna” como ídolo dos brasileiros. Bastou uma derrota (justíssima, aliás), para um adversário que esteve melhor na luta, e não caiu no jogo psicológico do Spider, para nascerem as críticas ao modo dele lutar (para quem não sabe, ele sempre lutou com a guarda baixa, tentando desestabilizar emocionalmente o adversário) e até mesmo as teorias conspiratórias (“ele entregou a luta, pois ganharia mais numa eventual revanche”).

O pior são aqueles que, se aproveitando de uma infelicidade, um “acidente de trabalho”, que foi a fratura do mesmo nesta segunda luta contra o Weidman (que pra mim venceria a luta de qualquer jeito), já o “aposentaram” e criaram teorias de que ele já não estava bem na luta anterior ou ainda pregarem à favor da proibição do esporte.

Seria tão melhor para o país como um todo se cada um usasse suas frustrações como combustível para conseguir o sucesso individual. Ou ao menos minimizar os fracassos e complexidades individuais, ao invés de projetar isto em esportistas, até porque, como diria o mesmo Nelson Rodrigues acerca do futebol, e que poderia se estender à outros esportes: “das coisas menos importantes, o futebol é a mais importante”.

Be happy! 🙂

Algorithms to Live By – Brian Christian and Tom Griffiths (11/2017)

Este livro tem basicamente a mesma proposta de “Os Botões de Napoleão“: trazer para o grande público a aplicação prática de conceitos, teorias e descobertas científicas. No caso do Algorithms, o foco é em matemática, estatística e tecnologia da informação (três áreas de conhecimento muito interligadas) e em como alguns modelos e algoritmos podem ser aplicados na vida cotidiana de qualquer pessoa (isto quando já não são aplicados, intuitivamente e involuntariamente).

Cada um dos capítulos, dedicado a um algoritmo / modelo, inicia-se com a descrição do problema e os fatos históricos que levaram especialistas a se debruçarem sobre a questão em busca de alguma solução. Isto quando a solução é possível, pois em alguns casos existem problemas insolucionáveis (ou intratáveis).

Como contratar a melhor secretária, encontrar a pessoa com quem voce quer passar o resto da sua vida ou a melhor vaga para estacionar envolvem optimal stopping. Escolher entre um novo restaurante (com 50% de chances de se surpreender, mas também com 50% de chances de se decepcionar) ou um restaurante do qual voce ja gosta pode ser tratado com “explore/exploit” (explorar/usufruir). Aumentar as chances de ganhar num caça-níqueis, ou mesmo descobrir qual o tratamento mais eficiente para uma doença envolvem randomização e probabilidades. Resolver problemas muito complexos envolvem flexibilização (mudar o problema para encontrar uma solução mais facilmente). Mais pro final do livro aparecem alguns algoritmos mais voltados para a tecnologia em sí (em networking, por exemplo, que explica muito bem o funcionamento da internet).

O livro também inclui entrevistas com pessoas que participaram (e eventualmente participam) da resolução do problema (as vezes existe a melhor solução encontrada até agora, o que não quer dizer que seja a solução definitiva). Tudo muito bem documentado: entre notas (que poderiam estar no rodapé), referências, bibliografia e índice remissivo, são quase 100 páginas (1/3 do livro).

Dentre todos os modelos apresentados dois me atraíram mais a atenção: buffering e sorting (ordenação).

Buffering é um termo que não tem tradução para o português, mas explicando rapidamente: é uma área intermediaria (memória) do computador onde ficam alocados os programas mais usados (ou efetivamente em uso) afim de otimizar a inicialização (ou uso) destes programas. O HD de um note, além de ter uma quantidade grande de informações, o que dificulta a busca de algum dado específico, também é um mecanismo mais lento. Por isto existe a memória RAM (um dos vários tipos de buffer) que trabalha mais rápido que um HD, porém tem um custo por capacidade bem maior, e é onde os programas em uso são carregados. Com a internet funciona da mesma forma: toda vez que um site é visitado o browser salva alguns “pedaços” do site (imagens, mídias, etc.) localmente no computador. Da próxima vez que voce acessa o mesmo site, ele compara o que está na sua máquina com o que está no servidor (usando nome, data de atualização, tamanho de cada um dos arquivos, etc.) e baixa novamente somente o que foi alterado, usando as cópias locais para reduzir o tempo de carga da página.

Normalmente mantêm-se na area de buffer aquilo que foi usado recentemente, pois a chance de ser usado de novo é sempre maior do que algo que não é usado há muito tempo. Todo mundo tem aquela roupa que usa ao menos uma vez por semana, e aquela outra que a gente até esquece que tinha. E é ai que um buffer faz diferença: ao invés de perder tempo arrumando ou procurando em todo o seu armário, quando voce mantêm uma parte pequena para roupas que voce usa normalmente, tanto a organização quanto a procura se tornam mais rápidas. Eu sempre fiz isto e nunca liguei o ato a um algoritmo em específico (e eu sou da área de TI!).

No caso do sorting (ordenação, classificação), o livro traz um principio interessante: ordenar algo que você não vai precisar pesquisar é perda de tempo (despedício de recursos), procurar algo que não está ordenado é apenas ineficiente. Em computação sempre é necessário fazer escolhas que envolvem recursos limitados (bem, é assim na vida também). Eu sempre tive uma mania de manter as coisas bem organizadas: livros, CDs e DVDs em ordem alfabética, por exemplo. Só que cada vez que ia organizar algo, perdia uns 30 minutos, as vezes bem mais, sendo que mesmo fora de ordem, em alguns poucos minutos eu conseguiria encontrar um item. O investimento, não vale o retorno.

Comecei, desde que li este trecho, a não mais classificar e-mails, por exemplo. É um hábito que eu tenho desde que comecei a usar e-mail (há uns 20 anos atrás). Só que os mecanismos de busca dos aplicativos evoluiram tanto nos últimos anos que é bem mais fácil usá-los do que classificar itens no computador (e-mails, arquivos, etc.). E posso dizer, por esta pouca experiência, que realmente os 30 minutos perdidos por dia no trabalho, só classificando e organizando os e-mails, são um completo desperdício de tempo, já que raramente eu preciso procurar algo em e-mails antigos, e quando preciso, o próprio aplicativo faz isto em poucos segundos.

Be happy 🙂