Critical Mass – Philip Ball (11/2018)

Critical Mass é um livro que tenta trazer ao público os conceitos da econofísica, um campo de estudo bem recente, ainda em desenvolvimento, que busca analisar a economia (um fenômeno comportamental e social, “a mais científica das ciências sociais”) através de teorias e métodos desenvolvidos para a física (o livro Why Information Grows, do César Hidalgo, é um ótimo exemplo deste campo). O livro tem 19 capítulos e mais um epílogo, que podem ser divididos em quatro partes principais.

Nos capítulos de um a quatro, Philip Ball, o autor, faz uma breve introdução sobre alguns conceitos necessários para os demais capítulos. O primeiro capítulo traz conceitos de sociologia e economia, principalmente baseados nas teorias de Thomas Hobbes e na sua obra-prima O Leviatã. Além de Hobbes, muitas das idéias de Adam Smith (e sua “mão invisível do mercado“), Karl Marx, John Locke, entre outros, são mencionadas. No decorrer do livro, outros teóricos, como Friedrich Hayek, John Maynard Keynes e Karl Popper também são também trazidos à tona.

No segundo e quarto capítulos, princípios de física, como a transição de fases entre estados da matéria, são ligeiramente explicados. E no terceiro capítulo, uma breve introdução à história da Estatística (“a ciência dos grandes números”) que ajudará bastante a compreender os capítulos seguintes é feita.

Com esta “base” estabelecida, inicia-se uma serie de capítulos onde casos especificos (dinâmica de tráfego de pedestres, mercado, colaboração, teoria dos jogos, etc.) são analisados sob a ótica destas ferramentas: a estatística analisando os dados para explicar a teorias sociais e econômicas e comparando com teorias observadas na física. É um livro bem denso e alguns trechos eu tive que reler várias vezes para poder entender, mas vale a pena o “esforço” pois traz muitos conceitos interessantes e muita informação acerca dos três temas principais (física, estatística e economia).

Be happy 🙂

Wanderlust #50 – Hoover Dam e Grand Canyon – Nevada/Arizona (9/51), Estados Unidos

(13/02/2018-14/02/2018)

South Rim – Grand Canyon

O Grand Canyon e um desfiladeiro “esculpido” pelo rio Colorado. Ele tem cerca de 450 kilômetros de comprimento e em alguns pontos chega a ter quase 30 kilômetros de largura e tem uma profundidade máxima de quase 2 kilômetros. Sendo uma obra impressionante da natureza dentro de um país que se orgulha e promove (as vezes até exageradamente) suas belezas naturais, era de se esperar que não fosse diferente com esta. A área fica dentro de um enorme parque, criado para preservar e explorar comercialmente a regiao. Além de várias opções de passeios (excursões, jipe, helicóptero, avião), principalmente à partir de Las Vegas, existe a possibilidade de pernoitar no parque em algumas das áreas que contam com hotéis, camping ou espaço para trailers. Resolvemos pernoitar na região mais popular, conhecida como South Rim, que além de conter uma pequena vila com alguma infraestrutura como hotéis, mercado e restaurantes, é onde se encontram as partes mais famosas do Canyon.

Porém, como estávamos indo de Las Vegas, resolvemos primeiro parar no Hoover Dam, uma barragem no Rio Colorado, exatamente na divisa entre os estados de Nevada e Arizona. A obra é impressionante, principalmente por ter sido construida há quase 90 anos. Vale uma passada, mas ainda acho o Canyon e a Barragem do Xingó bem mais bonitos.

Voltando ao Grand Canyon / South Rim: infelizmente além de ter nevado nos dias anteriores, na nossa chegada estava uma névoa muito forte, o que impedia de ver o pico das montanhas. Mas ainda assim deu pra dar uma caminhada pela beira do canion em uma das várias trilhas, além de termos conseguido ver o pôr do sol, mesmo entre algumas nuvens, que dizem ser uma das melhores atrações do local. A visão do canion é algo de tirar o fôlego! Realmente uma das obras mais fantásticas da mãe-natureza.

A noite jantamos em um dos restaurantes locais e fomos dormir cedo, pois no outro dia queríamos ver um outro pedaço, antes de irmos embora.

Foi uma passagem muito rápida, mas que vale pela beleza natural. A época não era muito propícia e talvez fazer a viagem de trem, deixando o carro em Willians, fosse mais interessante para aproveitar a paisagem do caminho, além do passeio de trem, obviamente. Mas valeu a pena ter ido de carro, pois a paisagem também é interessante e as estradas legais de se dirigir. Mas ainda pretendemos voltar em uma outra época para aproveitar mais.

A próxima parada foi Phoenix, antes passando por Sedona, mas como já falei sobre estes locais aqui e desde então pouca coisa mudou, não vou me tornar repetitivo.

Observações, dicas e considerações:

  • O Hoover Dam é aquela barragem que se rompe no primeiro filme do Superman (o do final da década de 70).
  • As regiões onde é possível chegar de carro no Grand Canyon, como o South Rim, são parques e cobra-se entrada.
  • No inverno as temperaturas são na faixa de zero graus e no verão em torno de 40. As melhores épocas para visitar, portanto, são no outono e na primavera.
  • Dá pra fazer um “bate e volta” de trem (entre a chegada e saída do trem, são quase quatro horas), mas o interessante é pelo menos pernoitar, para não correr e poder ver as coisas com calma.
  • Para quem gosta de trilhas e bike, talvez alguns dias a mais sejam interessantes, só que ai neste caso, precisa realmente ser na meia estação, pois não é aconselhável fazer estas atividades no verão, e não vai ser muito confortável no inverno.

Be happy 🙂

Hoover Dam

Hoover Dam

Hoover Dam

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

South Rim – Grand Canyon

 

 

 

Merchants of Doubt – Naomi Oreskes & Erik M. Conway (10/2018)

No final da década de 60, com a conclusão de muitos estudos científicos que associavam o consumo de tabaco com a incidência de câncer, e a possibilidade da regulação, a indústria do tabaco resolve contra atacar. Ela contrata então cientistas renomados (mas com pouco ou nenhum conhecimento em fisiologia, medicina ou biologia) para formar um corpo de “especialistas” afim de influenciar as decisões políticas e servirem como testemunhas nos tribunais. Além do uso evidente da falácia do apelo à autoridade, estes especialistas, na sua maioria renomados físicos que trabalhavam para o governo americano durante a guerra fria, entenderam que a melhor forma de atrasar alguma decisão defavorável era colocar a própria ciência (e os seus “colegas” cientistas) em xeque.

Contando com sua influência política e a conivência (quando não cumplicidade) de órgãos de imprensa, eles conseguiram não só atrasar em décadas regulações no mercado do tabaco, como também prestaram seus serviços (ou desserviço) em outras áreas, como a indústria do CFC (quando confrontado com as evidências do dano na camada de ozônio), a indústria armamentista (em relação ao projeto “guerra nas estrelas”), culminando finalmente nos trabalhos de negação do desequilíbrio climático e, mais tarde, na influência do ser humano neste desequilíbrio.

Parece uma história de filme, ou uma trama saída da cabeça de um conspiracionista, mas todo o envolvimento de Bill Nierenberg, Fred Seitz e Fred Singer, na negação da ciência afim de defender interesses de determinados grupos nos últimos 50 anos, é muito bem referenciado em “Merchants of Doubt“, inclusive através de documentos oficiais da própria indústria tabagista, que descrevem em detalhes a estratégia de montar uma rede de institutos “científicos” afim de desacreditar a própria ciência. Das 355 páginas do livro, quase 70 são só de referências.

O livro, que surgiu após o documentário de mesmo nome, é um compilado do esforço destes 3 personagens principais (e mais alguns coadjuvantes) em negar evidências científicas afim de evitar ao máximo regulação governamental em determinadas áreas. Além do fator dinheiro (que seus institutos recebiam das empresas em forma de “doações para pesquisa”) , o principal motivador destes personagens, como citado no livro, e uma fé enorme no livre mercado, a ponto dela cega-los quanto às deficiências deste (“o impacto ambiental talvez seja a maior falha do livre mercado”).

E infelizmente o dano que eles causaram em meio século ainda está aí, e só ver a quantidade de pessoas que “não acreditam” no aquecimento global, mesmo ele sendo um fato e mesmo que a influência do homem nele seja consenso na academia.

Be happy 🙂

Wanderlust #49 – Las Vegas – Nevada (8/51), Estados Unidos

(09/02/2018-13/02/2018)

Freemont Street – Downtown Las Vegas

Vegas é aquele lugar que é tão insólito, tão diferente de tudo, que virou um “mundo à parte” que todos deveriam conhecer. A cidade se situa no meio do deserto de Mojave e algo tão grande construído literalmente no meio do nada já é algo pra chamar a atenção. Além de ser uma das duas cidades onde se pode beber em público nos EUA (New Orleans é a segunda cidade americana onde o consumo de álcool em público é legal, apesar de ser tolerado temporária ou definitivamente em outras cidades) o estado de Nevada é o único onde a prostituição é legal.

Como a cidade foi erguida há pouco tempo, praticamente do zero e já com o propósito de servir como a Meca dos jogos de apostas, tudo foi pensado para girar ao em torno do tema “diversão” e a cidade parece um enorme parque de diversões. Uma Disneylândia de adultos.

Ficamos hospedados no Circus Circus, um pouco fora do burburinho da strip (já volto nisto), mas que em si é um complexo gigante. O hotel/resort conta até com um parque de diversões indoor, com montanha russa e tudo.

No nosso primeiro dia resolvemos caminhar até Downtown Las Vegas, a parte de Vegas que surgiu antes da cidade virar “Las Vegas”. Por lá se encontram algumas atrações mais antigas, mas a principal delas, com certeza, é a Freemont street, um “calçadão” (parcialmente coberto) onde existem muitos bares, restaurantes, quiosques vendendo de tudo (inclusive bebidas) e, claro, cassinos.

Depois de uma volta por lá, com uma passagem pelo Container Park, paramos para tomarmos umas na ótima cervejaria Banger Brewing. Depois ficamos passeando pela rua e aproveitando os diversos shows, tanto nos palcos quanto os proporcionados por artistas de rua. De lá, seguimos até a cervejaria Hop Nuts Brewing, que fica localizado no Arts District, um bairro com bastante atelies e arte de rua, meio que uma Vila Madalena. Interessante que quase toda cidade grande nos EUA que conhecemos tem um destes. Antes de irmos dormir, ainda tomamos mais umas no bar do hotel.

No outro dia fomos finalmente caminhar pela Strip, com destino até a placa de Welcome Las Vegas. Não tem muito o que falar sobre a strip. A avenida é margeada por enormes hotéis/cassinos, cada um com seu tema (Veneza, França, Império Romano, etc.). Obviamente existem várias lojas, de tudo quanto é tipo. E cada cassino em si e um mundo a parte, com as mais diversas atrações imagináveis. Talvez o mais legal de caminhar pela Strip seja observar a “fauna”, que é a mais variada possível: famílias, gamblers (apostadores), bêbados, grupos de jovens, enfim, tem de tudo.

Fomos até a tal placa, que por sinal é bem supervalorizada (ainda menos que o Hollywood sign), ou seja, valeu apenas pela longa caminhada. Na volta paramos na Beerhaus para umas cervejas e para fazer tempo, já que a noite iríamos assistir ao espetáculo Love, do Cirque du Soleil, com temática dos Beatles. Taí um negócio que eu aconselharia para quem vai pra cidade e não é um apostador: os espetáculos são fantásticos.

Como já tinhamos visto basicamente tudo, na segunda preferimos curtir novamente o clima da Freemont ao invés da Strip, apesar dela estar menos movimentada e não terem mais os concertos. No outro dia, ainda aproveitariamos mais um pedaço de Nevada no nosso caminho para o Grand Canyon, sobre o qual falo no próximo post.

Observações, dicas e considerações:

  • Como pode beber na rua, é comum ver o pessoal andando com uns copos de drinks (de plástico). São copos grandes, de até um metro de altura, geralmente no formato de instrumentos de laboratório de química, mas existem outros formatos (como botas). Normalmente além de servir como containeres para a bebida, vira um souvenir.
  • Os cassinos não têm janelas, tem iluminação bem forte, bem como som alto. Tudo isto para fazer as pessoas perderem a noção do tempo enquanto jogam. Creio ser este também o motivo para ser permitido fumar, assim você não sai e vê que o dia está amanhecendo.
  • Quando nos dirigiamos para a Beerhaus, nos deparamos com um grupo de homens, de todas as idades (literalmente dos 18 aos 80), trajando uma camisa metade amarela e metade preta, com o nome Karlsson escrito. Quando já estávamos em Phoenix (a terceira parada desta trip), acabamos topando novamente com o grupo, que estava curtindo a noite no bar onde o Tony estava tocando. Eles eram um grupo da Suécia que foi fazer uma trip nos EUA acompanhando alguns jogos de Hockey onde alguns jogadores suecos, como o tal do Karlsson joga. Eita mundo pequeno!
  • Ainda não entendi qual a pira de casar em Las Vegas.

Be happy 🙂

McCarran International Airport: ate o Aeroporto e um cassino!

Capelas e mais capelas.

So figuras na Freemont Street

Freemont Street

Circus Circus: sem janelas, muita iluminação e som alto!

Treasure Island

The Mirrage (com o anuncio do show, Love, do Cirque du Soleil)

O famoso Bellagio e suas aguas “dançantes”

Paris, Vegas….hahaha

O superestimado “Welcome to Fabulous Las Vegas Sign”

Luxor

New York-New York

Planet Hollywood (sim, isto e o teto do cassino)

Cassinos são um dos poucos lugares fechados onde se pode fumar

The Venetian – brega pra caramba!!!…hahhaha

The Strip

Freemont Street a noite

Tirolesa na Freemont Street

Bellagio a noite

Unido a Gente Fica Em Pé. Dividido a Gente Cai. – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 16 de Maio de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Há alguns dias um amigo compartilhou um artigo na web e comentou que era para quem defende o sistema de meritocracia. O foco era a qualidade do ensino público. Bem, respondi que, apesar de ter estudado em colégio público (o colegial fiz com este meu amigo), achava o sistema meritocrático o mais justo. Iniciou-se aí uma discussão – melhor, um debate –, onde cada um expunha suas razões e exemplos (de maneira civilizada e sem tentar impor sua opinião sobre o outro, pois é isto que as pessoas racionais fazem).

Ele defendia, por exemplo, os sistemas de cotas (tanto raciais quanto sociais), e exemplificou, dizendo que teve que se esforçar muito para conseguir entrar numa faculdade pública, pois o ensino público não havia nos dado base para concorrer de igual para igual com alunos das escolas privadas. Portanto, a “linha de partida” não era a mesma.

Eu contrapus a opinião dele (apesar de não ser contra cotas), mas por achar que este sistema deve ser temporário e que isto não invalida o sistema meritocrático. E também exemplifiquei, mudando um pouco a perspectiva de avaliação: citei exatamente que entre tantas pessoas que estudaram conosco, muitas destas nem se dignaram a tentar um cursinho para entrar numa faculdade pública (como ele) ou a abrir mão de várias coisas típicas da idade (passeios, viagens, roupas, etc.) para poder pagar a faculdade (como eu fiz), e que não achava justo que as pessoas que não se esforçaram da mesma forma que nós, colhessem os mesmos frutos.

No fundo, nós dois sabíamos e concordávamos que o problema é a falta de investimento na educação pública, tanto fundamental quanto superior, e que todos (ricos, pobres, negros, brancos, índios, etc.) temos direito à educação de qualidade provida pelo Estado, pois todos nós pagamos impostos. Porém, estávamos como dois médicos que ficam discutindo como tratar uma dor de cabeça, enquanto o paciente morre com um tumor no cérebro que já havia sido diagnosticado, ou seja, estávamos discutindo formas de amenizar os sintomas, e perdendo com isto tempo precioso no tratamento da causa.

Isto me levou a pensar em quantas discussões, conflitos e guerras foram causados por pequenas diferenças de ponto de vista. Temos vários exemplos recentes de pessoas e entidades que, na procura por uma qualidade de vida, por um país melhor, vêm se digladiando: é a polícia que bate nos manifestantes (e ambos querem um país melhor, imagino eu), são os manifestantes que matam um cinegrafista (teoricamente o fundo da manifestação é por um país melhor, o que provavelmente era o desejo do cinegrafista), são “vingadores” (que também em teoria buscam uma cidade melhor, mais segura) agredindo e acorrentando um suspeito de crime à um poste (teoricamente ele só quer levar uma vida melhor, apesar de ter escolhido um caminho errado, ilegal), só para citar os mais recentes.

Analisando estes conflitos, nota-se duas coisas comuns em todos estes fatos: uma maioria (povo) que é colocado em conflito constante entre si enquanto uma minoria fomenta este conflito. Só que os segundos estão imunes a praticamente qualquer “efeito colateral” (uma guerra, uma série de protestos violentos, um atentado, etc.) a que os primeiros estão expostos quando os ânimos se exaltam.

E esta característica se repete quando se começa a analisar dados históricos: a luta de classes pregada por Karl Marx e que só aconteceria através da “revolução proletária”, quando aplicada na Rússia foi responsável pelos piores massacres ocorridos no século 20, sendo que o que todos queriam (operários e burgueses), era uma melhoria na qualidade de vida existente naquele país à época. Hitler fomentou o antissemitismo a fim de eximir o seu governo da culpa pelas recessões econômicas da década de 30. Trazendo para a contemporaneidade: existem os fanáticos islâmicos que pregam contra o modo de vida ocidental (especialmente o americano) e incitam seus seguidores a praticar atos de terrorismo contra estes, o que invariavelmente também acaba gerando um ódio recíproco e mais violência, justificada desta forma como “segurança nacional”.

Os Músicos de Bremen: uma fábula que conta como a união faz a força.

Atualmente no Brasil existe o conflito de “espectro político”. Os “pensadores” e políticos fomentam o debate (na verdade um embate) entre esquerda e direita, entre conservadorismo e liberalismo, entre estatismo e privatismo, e enquanto o povo se digladia aqui embaixo, eles estão lá usufruindo da falta de foco deste mesmo povo para atuar em benefício próprio.

Se formos perguntar a qualquer cidadão, independente de sua orientação ou ideologia política, ele vai dizer que quer um país mais seguro, mais oportunidades, desenvolvimento, qualidade na educação, etc. Ou seja, no fundo temos todos o mesmo objetivo final, apesar de discordamos dos meios de obtê-lo.

Ao invés de passarmos tanto tempo discutindo as divergências, seria muito mais inteligente concentrarmos forças para solucionar o que é consenso, fazendo concessões de ambas as partes e provavelmente, quando estes problemas fossem solucionados, o que seria divergência já nem exista mais. Ou seja, é melhor juntos, brigarmos por aquilo que nos une, do que brigarmos entre nós por aquilo que nos divide.

P.S.: O título da coluna foi extraído de inserções do rapper Gustavo “Black Alien” (que fez parte do Planet Hemp) nas músicas Tabuleiro da Cor, da Banda Black Rio, e Um Bom Lugar, do falecido rapper paulistano Sabotage.

P.S. 2: Uma outra “inspiração” para a coluna foi a música Todos Juntos, trilha do filme “Os Saltimbancos Trapalhões” (o melhor filme nacional de todos os tempos!) e da peça “Os Saltimbancos”, ambos adaptações da obra Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, que conta, em forma de fábula, como uma Gata, uma Galinha, um Cachorro e um Burro, todos eles considerados fracos e inúteis individualmente, ao se unirem conseguem expulsar os ladrões de uma residência.

Be happy! 🙂

Wanderlust #48 – Virginia (7/51), Estados Unidos

(23/11/2017-26/11/2017)

Norfolk

E mais uma vez em um Thanksgiving resolvemos conhecer um estado pouco turístico e pouco famoso, assim como fizemos no ano anterior com Maryland. E mais uma vez fomos surpreendidos positivamente.

A Virgínia é um pequeno estado na costa leste americana, perto de Maryland, e que é famoso por dividir com este o District of Columbia, que fica na divisa entre os dois estados e onde se encontra a capital política dos EUA (Washington). Assim como o estado vizinho, a Virgínia ainda tenta se recuperar da crise de quase dez anos atrás.

Chegamos em Norfolk no final da tarde e, como já haviamos notado no caminho (e percebido no ano anterior), praticamente tudo estava fechado para a celebração do principal feriado americano. Fizemos o check-in e fomos dar uma volta. Como a natureza felizmente não tira folga, fomos presenteados com um por do sol fantástico à beira do Rio Elizabeth, que a cidade margeia. Depois das 20:00 a cidade começou a “despertar” do feriado e, caminhando a esmo acabamos topando ao acaso com a Brick Anchor, que tinha umas 20 torneiras de cervejas locais. Bom começo de feriado!

Na sexta de manhã fomos até Virgínia Beach, o balneário mais famoso do estado e a cidade com a maior população, e que deve lotar durante o verão. Ainda tinha um “rescaldo”, já que o frio demorou a chegar este ano e para a época até que estava bem movimentado. Tomamos um belo café da manhã na Log Cabin Pancake House e depois fomos caminhar no agradável boardwalk.

De volta a Norfolk fomos conhecer a cidade de dia (mas ainda sem muito movimento). Passeamos a beira do rio pelo Waterside District, depois pelo Town Point Park e pelo Freemason Harbour, um bairro antigo composto de várias casinhas de tijolos. Depois fomos até o Neon District e Ghent, duas áreas da cidade que estão passando por renovações. Ghent lembra um pouco da Europa (no entanto sem lembrar de sua homônima belga), com predinhos de 2 andares, muita vegetação e tranquilidade.

Já o Neon District é meio que uma Vila Madalena em menor escala: galerias de arte, um teatro, muito grafite, cafés, instalações artísticas em praças, etc. Depois de uma volta pelo bairro fomos “abrir” a Bearded Bird para umas cervejas. Numa das idas ao banheiro a Lu notou que havia um cartaz anunciando um “appetizer” brasileiro: a coxinha. Perguntei para a bar tender sobre a coxinha e ela me explicou que uma amiga dela, brasileira e proprietária do Taste of Brazil, fazia o petisco para a cervejaria quando não havia food truck servindo lá. A conversa parou e nós continuamos a tomar cerveja. Mas depois de uns 30 minutos aparece o entregador com as saborosas coxinhas. Isto é que é comfort food! Demos mais uma volta na cidade e voltamos ao hotel pois no outro dia iríamos para Richmond. Mas é claro que antes de sair de Norfolk tomamos um café da manhã no Taste of Brazil.

Chegamos a Richmond ainda de manhã, estacionamos o carro e fomos andar por downtown, passamos pelo Virginia State Capitol (parece que toda cidade americana tem seu Capitólio) e pelo restante da região central.

Depois de fazermos o check-in, fomos andar na Broad Street, onde se encontra a Virginia Commonwealth University. Depois andamos pela Monument Ave e fomos até Jackson Ward.

Havíamos mapeado algumas cervejarias, que ficavam em sua maioria no bairro de Scott’s Addition, meio afastado da região central da cidade. Então pegamos um Lyft e fomos conhecer a primeira delas, a Ardent Craft Ales. O mais interessante foi notar que o bairro era provavelmente uma região industrial, mas que agora os galpões estão sendo convertidos em bares, lojas, galerias de arte. Muito legal a transformação e dá para “perder” algumas horas passeando por ali. Após sair da Ardent, fomos até a Isley Brewing Company continuar a peregrinação. Local ótimo, tanto pelas cervejas, quanto pelo atendimento e a música ao vivo. Para encerrar voltamos ao centro para comermos e tomarmos a saideira no 7 Hills Brewing Company, que até já fechou. Sinal que eu tô bem atrasado com os posts de viagens!

Observações, dicas e considerações:

  • Existem estátuas de sereia espalhadas por toda cidade de Norfolk, tipo uma cow parade.
  • A estátua de Netuno em Virginia Beach impressiona pela imponência.
  • Os cigarros na Virginia são muito baratos, praticamente metade do preço de New Jersey. Quase compensa viajar até lá para abastecer o estoque.
  • O pessoal da Virginia é muito educado e prestativo.
  • A paisagem na Virginia durante o outono (especialmente na beira das estradas) é uma coisa que já faz valer a viagem.

Be happy 🙂

Norfolk

Virginia Beach

Virginia Beach

Norfolk

The Pagoda – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Ghent – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Comfort food na Bearded Bird – Neon District – Norfolk

Bearded Bird – Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Downtown Richmond

Downtown Richmond

Virginia State Capitol – Richmond

Jackson Ward – Virginia

Norfolk

The Signal and The Noise: Why So Many Predictions Fail-but Some Don’t – Nate Silver (09/2018)

Nate Silver e o fundador do famoso site de previsões FiveThrirtyEight. O site, que inicialmente era um blog, ficou famoso em 2008 ao predizer, com bastante acuracidade, a vitória do então senador Barack Obama sobre a ex-primeira dama e ex-senadora Hillary Clinton, na corrida pela nomeação do candidato a presidente do partido democrata norteamericano. Mais tarde Nate viria também a predizer a vitória de Obama.

Porém, mesmo antes da fama, como conta em The Signal and The Noise, Nate já havia acumulado alguma fama (e dinheiro) através do uso de análise estatística na produção de predições ou na criação de técnicas preditivas aplicadas. Algumas das áreas em que ele esteve envolvido com algum sucesso foram na análise de jogadores de baseball, bolsa de valores e no poker.

No livro, Nate traz uma série de casos em que o uso da estatística pode ser um fator determinante ou um fracasso, dependendo da forma como ela é usada. O ponto principal que o livro traz é a importância de conseguir separar o que realmente é um dado valioso para uso em modelos preditivos, do que é apenas “barulho”, ou seja, dados que, apesar de a primeira vista parecerem fazer sentido ao explicar algo, na verdade não passam de informação que não é útil e/ou que não apresenta causalidade, apesar de apresentar correlação.

O cuidado em separar o sinal do barulho é ainda mais preocupante no mundo atual, onde diariamente um enorme volume de dados é gerado, ou seja, onde a quantidade de sinal aumentou levemente, porem o ruído aumentou consideravelmente. É mais ou menos o conceito de “untangling the data hairball” presente no livro Big Data Marketing.

Cada capítulo do livro apresenta um tema central onde o autor traz exemplos de previsões que falharam miserávelmente e porque elas falharam, mas também casos onde o trabalho dos forecasters foi realizado com primazia. E aqueles que mais conseguem ser efetivos na função de predizer algo, seja na área política, na previsão do tempo ou na detecção e acompanhamento de furações, são justamente aqueles que sabem dos limites da análise estatística, dos seus próprios limites e que, além de se aterem aos dados e à ciência, sabem estimar o nível de imprevisibilidade dos dados que se propõem a estudar.

Acho que o único problema do livro e a doutrinação acerca da probabilidade bayesiana que o autor faz. Sim, o Teorema de Bayes pode ser aplicado a uma série de situações, mas existem diversas técnicas estatísticas importantes que não podem ser ignoradas, até porque para usar Bayes, provavelmente alguma destas técnicas precisam ser utilizadas na preparação dos dados.

É um livro interessante, porém que pressupõe que o leitor já tenha algum conhecimento em análise de dados, modelos estatísticos ou matemáticos, raciocínio lógico. Se não for o caso, ainda aconselho A Field Guide to Lies como “iniciação”.

Be happy 🙂

Cotas: Como Tratar os Sintomas (Equivocadamente) e não Ligar para as Causas de um Problema – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 14 de Maio de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Quem alguma vez na vida já jogou futebol na rua, sabe o quanto é importante, na hora do par ou ímpar, escolher o campo e, em se tratando de uma subida (ou descida, depende do ponto de vista), estar na parte mais alta. Quem joga na parte de cima, além de ter a vantagem de se cansar menos, ainda conta com a ajuda da gravidade, tanto em benefício do ataque, quanto em benefício da defesa, ou seja, o desnível do campo pode favorecer ou desfavorecer determinado time.

Os americanos costumam utilizar a expressão “level playing field” (campo de jogo “equalizado”) para descrever situações onde os “competidores” (seja no esporte, nos negócios ou na vida acadêmica) têm as mesmas regras, as mesmas oportunidades e o mesmo ponto de partida. É claro que, usando o esporte como exemplo, um atleta pode ter um patrocínio maior e ter mais disponibilidade para por exemplo, adquirir equipamentos melhores, porém, deve existir um ponto de partida mais equalizado para que a competição não se torne injusta (as divisões por peso e idade nos esportes de luta exemplificam bem isso).

(Antes de continuar, um aparte: não gosto muito de utilizar experiências pessoais negativas, pois fica parecendo que é “choro de perdedor” ou que estou me fazendo de coitadinho, o que não é o caso. As usarei aqui somente para ilustrar minhas ideias.)

Quando no último ano de faculdade, em 2002, já com 25 anos (por diversos motivos não pude cursar uma faculdade antes, aliás, até comecei uma com 19 anos e não pude continuar), fui atrás de estágio, senti na pele como pontos de partida diferentes influenciam na vida de uma pessoa. Me candidatei para inúmeros estágios, nas mais diversas empresas, especialmente as grandes (era um sonho fazer carreira numa grande empresa).

Porém, quando eventualmente era selecionado para participar do processo seletivo (fato raro), eu entrava na disputa como um azarão. Seja porque os outros “competidores” tinham estudado em colégios de renome (fiz o primeiro e segundo grau em colégios estaduais), seja porque eles puderam ter acesso às melhores faculdades (que ou eram públicas – e apesar de achar que estudando com afinco conseguiria uma vaga, eu não poderia deixar de trabalhar para estudar -, ou eram mais caras do que a faculdade que pude pagar) ou mesmo porque tiveram experiência internacional, sabiam falar dois idiomas além do português, entre outras coisas.

No final das contas fui fazer estágio em uma pequena consultoria de tecnologia, muito mais porque eu tinha um background profissional na área em que eles estavam precisando (e muito porque quem tinha o melhor curriculum, preferia as empresas maiores e de renome).

Por estes motivos, e por achar que a função maior do Estado é proporcionar qualidade de vida aos seus cidadãos, e que, qualidade de vida passa por oportunidades de desenvolvimento, entendo que o Estado deve sim interferir para corrigir injustiças e erros, que muito provavelmente foram causados por ele mesmo, e que irão influir no futuro dos cidadãos (e consequentemente da própria nação). Já deixei isto claro no meu artigo de estreia aqui na Feedback Magazine.

Comecei com esta história como um “gancho” para falar do assunto principal do artigo. Há algumas semanas vi pessoas compartilhando a notícia de que a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou uma cota de 20% das vagas para negros em concursos federais. A notícia quase passou despercebida, pois as pessoas estava mais preocupadas com a votação do Marco Civil da Internet (Ok! Atualmente, pra muita gente, a Internet é mais importante do que pessoas.), porém, pelas poucas pessoas que compartilharam e discutiram sobre o assunto, o que mais notei foram extremismos. Tinha quem era contra toda e qualquer cota, pois entendem que, independente de qualquer coisa, as pessoas têm que se esforçar para conseguir algo (talvez elas também achem que as paraolimpíadas sejam uma bobagem e, quem quiser competir, que o faça entre os atletas “normais”). Também tinha quem era totalmente à favor, pois o Estado deve corrigir injustiças do passado. Não vi ninguém discutindo a forma como esta compensação/correção é feita, o que para mim é o maior erro.

Como disse anteriormente, não sou contra estas compensações, porém discordo da forma com que elas são feitas atualmente e principalmente da justificativa.

A principal justificativa para a implementação das cotas raciais (pior que o conceito de raça nem é mais utilizado, e sim o de etnia) é corrigir o mal que foi causado aos negros por conta da escravidão.

Cotas são remoções de obstáculos.

Agora volto a outra história pessoal. Eu nasci e cresci nas periferias de São Paulo (e até da Grande São Paulo). Meu pai é de Sergipe e também filho de nordestinos, sendo que sua mãe tinha ascendência européia e seu pai era índio. Minha mãe nasceu no interior de São Paulo, sua mãe também tinha ascendência européia (até onde eu sei, portuguesa) e seu pai, ou seja, meu avô materno, era um mulato originário da Bahia. Sim, apesar da minha tez branca e jeito europeu, sou descendente de índios e negros.

Meu avô, como todos os negros no Brasil, sofreu com falta de oportunidades para estudar (ele era semialfabetizado) e para arrumar emprego (ele trabalhava de segurança noturno), ou seja, ele herdou todos os problemas causados pela escravidão no Brasil. O mesmo aconteceu com o meu outro avô, que herdou todos os problemas (extermínio, escravidão, migrações forçadas, etc.) que os índios sofreram na colonização do nosso país. Pois bem, se a justificativa para as cotas raciais é corrigir o grave erro da escravidão no Brasil, como seria possível mensurar que impacto a situação dos meus avôs influenciou a do meu pai (que era torneiro mecânico), da minha mãe (que cursou até a quarta série e é costureira até hoje) e consequentemente a minha? Será que nasci e me criei na periferia, tendo que estudar em colégio público (no meu caso, o famoso “Malocão”, cujo lema extraoficial era “Entra burro e sai ladrão!”), porque meus avôs também não tiveram oportunidades? De que forma seria possível identificar algum impacto disto na minha vida e fazer com que eu também fosse compensado?

Não sou idiota a ponto de falar que entendo o que um negro sente quando é preterido de algo ou mesmo ofendido, por causa da cor da sua pele, apesar de ter presenciado muitos casos (Até hoje!), inclusive na família. Mas entendo que, apesar da maior parte da população de baixa renda e que, consequentemente, não têm o mesmo “ponto de partida” dos mais abastados, ser formada por negros, existem também muitas pessoas de outras etnias (os índios, como meu avô e boa parte do pessoal do norte e nordeste), que também não puderam ter acesso às mesmas oportunidades. E aí eu entendo que as cotas apenas raciais acabam criando uma “exclusão entre os excluídos” ou uma “inclusão seletiva”, pois o “baiano” – para quem é de São Paulo, ou “paraíba” pra quem é do Rio –, que já teve oportunidades negadas no seu nascimento, novamente é colocado de lado em prol de outra “minoria”.

Mas o que mais me incomoda realmente é que estes mecanismos de ajustes são o remédio para o sintoma. E todo mundo fica discutindo como tratar ou não o sintoma enquanto se esquecem da causa do problema. O Brasil já tem um histórico de, pelo menos, 20 anos de uso de dispositivos sociais para diminuir as diferenças e injustiças, que têm sim sua efetividade, porém não vemos uma melhora nas causas do problema, especialmente no que tange a educação (já falei disto em um outro artigo meu).

Eu acho sim que devem existir dispositivos (auxílios, cotas, benefícios, etc.) a fim de corrigir injustiças do passado e erros que o Estado tenha cometido. Porém, estes dispositivos devem ser muito bem pensados, para que não acabem criando mais injustiças. E o principal: eles devem ser um paliativo enquanto a causa do problema não é solucionada, sendo que esta sim, é que deve demandar a maior parte dos esforços.

E não estou advogando em causa própria, pois já estou formado, pós-graduado e trabalho numa grande empresa multinacional. Consegui, apesar dos pesares, conquistar um certo nível de conforto.

Be happy! 🙂

Wanderlust #47 – Philadelphia, Pennsylvania (6/51), Estados Unidos

(16/Set/2017-17/Set/2017)

Já estive umas 3 ou 4 vezes na Philadelphia, além de algumas outras cidades da Pennsylvania, tanto a trabalho quanto a passeio, mas em todas as vezes havia feito apenas “bate-e-volta”. Desta vez aproveitamos o finalzinho do verão para aproveitarmos um final de semana inteiro na cidade.

Por ficar no meio do caminho entre New York e Washington, DC, a cidade costuma ser um ponto de parada para turistas que tem as duas cidades no roteiro, mas normalmente as pessoas passam rapidamente e não aproveitam tudo o que a cidade oferece. Normalmente estas pessoas fazem o chamado “turismo cívico”, que se concentra em um parque chamado Independence Hall, que foi o lugar onde foi declarada a independência dos EUA.

Mas a cidade tem outras atrações além disto e provavelmente a mais famosa é o Philadelphia Museum of Art, que ficou muito famoso por conta da cena do filme Rocky, em que o personagem de Sylvester Stalone sobe correndo a escadaria. Atualmente existe próximo ao local uma estátua representando a cena, normalmente com fila, tanto para tirar foto com a estátua como para tirar a foto imitando a icônica cena no topo da escadaria.

Chegamos cedo na cidade e fomos fazer estes passeios, o que rendeu uma boa caminhada, e várias outros pontos interessantes entre os dois, como o Reading Terminal Market, o Philadelphia City Hall e a Benjamin Franklin Pkwy (que é margeada por bandeiras de todos os países). Depois dos pontos turísticos, fomos fazer o que mais gostamos: explorar a cidade. Primeiro passamos pela Rittenhouse Square, uma região com lojas, restaurantes e bares. Uma das laterais da praça estava fechada para carros e com mesas espalhadas pela rua, e na praça estava ocorrendo uma feira de artesanato. Já que ainda era cedo para fazermos o check-in no hotel, paramos na Misconduct Tavern para tomarmos umas duas cervejas.

Depois de fazermos o check-in, fomos dar uma volta na região leste da cidade, além do Independence Hall. Esta área termina numa região portuária chamada Penn’s Landing. Ficamos sabendo que no dia seguinte, domingo, iria acontecer um Brazilian day ali. Depois caminhamos à beira do Delaware River até a Yards Beer Company, onde ficamos até o início da noite (e do final da tempestade que caiu no final de tarde). Voltamos para a área do hotel, próximo a Washington Square, jantamos e fomos experimentar o sorvete da Sweet Charlie’s, pois mais cedo notamos que havia uma grande fila, e onde tem grande fila, a chance de ter um sorvete bom é grande. Bingo! Muito bom o sorvete, daqueles feito na “chapa” (de gelo, óbvio).

No domingo de manhã voltamos no Reading Terminal Market para tomarmos o café da manhã. Depois andamos aleatoriamente pela cidade e passamos pela Washington Square, que ficava próxima ao hotel. Fomos novamente para a região do Penn’s Landing, desta vez por outro caminho, e acabamos topando com a ótima 2nd Story Brewing onde, claro, fui obrigado a provar o sample flight. Depois fomos dar uma olhada na Brazilian fest. Nada demais, mas deve servir para a galera local que nao vai ao Brasil há algum tempo matar saudade da música, de ouvir português e de provar alguns petiscos. Como não poderiamos deixar de fazer, fomos então provar um Philly Cheesesteak. Philly é como a cidade é carinhosamente chamada, então como o nome sugere, o lanche é o típico Cheesesteak da Philadelphia. Fomos até o famoso Jim’s Steaks e realmente o lanche foi um dos melhores cheesesteaks que já comi. Depois disto foi só pegar o carro e voltar para casa.

Observações, dicas e considerações:

  • Com um pouco de vontade dá pra fazer tudo a pé. Para quem não tem este pique, Uber e Lyft ajudam.
  • Fui a trabalho em um evento no museu Ben Franklin e recomendo para quem for passar mais tempo na cidade.
  • A não ser que voce goste muito de história, não vale encarar a fila para fotografar o Liberty Bell.
  • No verão, como na maioria das cidades onde o inverno e rigoroso, ocorrem muitos eventos (concertos, feiras), então é bom conferir a agenda pra ver o que tá rolando.
  • Para quem gosta de street-art em geral, a cidade é um prato cheio: além de muito grafiti, na maioria dos lugares turísticos existem painéis pintados, muitos deles há muito tempo.

Be happy 🙂

Independence Hall

Washington Square

Delaware River

Philadelphia Museum of Art

Benjamin Franklin Pkwy

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Philadelphia City Hall

Philadelphia Museum of Art

Tuesdays with Morrie – Mitch Albom (08/2018)

A exemplo do The Last Lecture, este livro conta a história final de vida do também professor universitário Morrie Schwartz. Porém desta vez, ao invés da perspectiva da própria pessoa em estado terminal, a história é contada à partir da perspectiva de Mitch Albom, jornalista que havia sido aluno de Morrie na década de 80.

Outra diferença que permeia o livro é que a doença que acometeu Morrie é mais lenta (mas não menos cruel que um câncer já descoberto em estado avançado, como no caso de Randy), já que a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) vai debilitando a pessoa aos poucos, até o ponto do corpo ser só “casca” com uma consciência dentro. E talvez isto seja o mais cruel da doença: a pessoa está totalmente consciente durante todo o processo e vai sendo aos poucos impossibilitada de fazer coisas básicas, como andar, respirar sem ajuda de aparelhos, falar, etc.

O livro tem um apelo sentimental maior quando comparado com o The Last Lecture (não dá pra não fazer comparações, já que são situações bem similares), o que talvez seja reflexo de um jornalista escrevendo sobre um professor da área de humanas (e não de exatas, como no caso de Randy). Achei até meio melodramático em certos pontos, meio que como um romance mesmo.

Ainda assim é uma boa leitura. E bem rápida.

Be happy 🙂