The Deeper Meaning of Liff – Douglas Adams & John Lloyd (03/2021)

 

deeper_meaning_if_liffCom o subtítulo de A Dictionary of Things There Aren’t Any Words for Yet – But There Ought to Be (“Um dicionário de coisas para as quais ainda não existe nenhuma palavra – mas que deveria existir”), o livro surgiu de uma brincadeira que Douglas Adams e seu amigo John Lloyd costumavam fazer quando estavam em um bar. A ideia da brincadeira é que existem diversas situações e sensações para as quais não existe uma palavra, enquanto ao mesmo tempo existe um número enorme de palavras que são “desperdiçadas” dando nome a locais. Então por que não juntar as duas coisas usando nomes de locais para nominar estas situações e sensações? E da brincadeira surgiu a ideia de criar o dicionário.

O livro começa com uma série de mapas que não querem dizem nada e são só para encher linguiça mesmo (e talvez a paciência de algum leitor desavisado não acostumado com estes recursos do humor britânico). Depois dos mapas tem um dicionário fonético bem no estilo do Douglas Adams: totalmente nonsense. Um humor que de tão bobo é genial!

Claro que como tudo o que Douglas Adams produziu, além deste humor meio nonsense, tem também aquela pitada de acidez, um humor mal-humorado até (baita contradição!!!….hahaha), também típico do humor britânico.

Porém, mesmo com um nível avançado de inglês, acabei “perdendo” várias piadas. Uma delas foi Frutal (“rather too eager to be cruel to be kind”), uma das duas cidades brasileiras no dicionário, ao lado de Canudos (“o desejo que os casais casados têm em ver seus amigos solteiros se casando”). Além de perder algumas piadas por conta do idioma, com certeza perdi outras tantas por conta de falta de referências. Acho que até falantes nativos de inglês de outros países perderiam algumas das tiradas que contêm referencias muito britânicas. Este provavelmente deve ser um dos motivos pelos quais (ainda) não existe uma tradução para o português.

Ainda assim tem vários termos interessantes, tanto pelo humor quanto por fazer a gente lembrar de algumas situações que as vezes passam despercebidas. E para descobrir que algumas delas são mundiais, tais como Bodmin: “a irracional e inevitável discrepância entre o valor arrecadado no racha e o valor da conta a ser pago no restaurante ou bar”. Ou Sturry: “aquela acenada agradecendo o carro que parou na faixa de pedestre para você cruzar, seguido por aquele movimento fingindo que estamos nos apressando pra atravessar a rua, mas que não altera em nada o tempo levado para finalizar a travessia” (em inglês era mais engraçado, juro!).

Mas o mais interessante foi notar que Adams devia ter alguma fixação por bundas (bem, quem nunca né?). São diversos termos que envolvem nádegas, como Elsrickle (“aquela gota de suor que escorre pelas suas costas bem pelo rego”) e Famagusta (“a corrente de ar que passa por entre duas bundas que se recusam a se tocar – como no transporte público”), pra citar somente duas.

Em cada um dos “capítulos” (um para cada letra do alfabeto) tem pelo menos um desenho exemplificando um dos termos do capítulo (inclusive alguns dos termos relativos a bunda). Mas a melhor parte do livro é o apêndice! Mais não vou falar para não estragar a piada.

Be happy 🙂

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis (02/2021)

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Machado de Assis é provavelmente o maior escritor brasileiro de todos os tempos e “Memórias Póstumas” é uma de suas principais obras (provavelmente a mais famosa e mais lida delas), que forma junto com Quincas Borba e Dom Casmurro aquilo é conhecido como a “trilogia Machadiana” (ou Trilogia Realista). Se você nunca leu esta obra ou se nunca leu Machado, apenas pare tudo o que está fazendo agora e vá ler. É imperdoável para qualquer brasileiro (diria até para qualquer falante nativo da Língua Portuguesa) não ter lido pelo menos a trilogia.

Eu tinha lido esta obra na minha adolescência, lá pelos 16 anos, numa edição “tijolo” que contava também com Quincas Borba e Dom Casmurro. A primeira coisa que me chamou a atenção à época foi o fato de ser um livro narrado em primeira pessoa, porém por um defunto. Ou seja, uma autobiografia póstuma! O livro começa exatamente com a dedicatória de Brás Cubas ao verme que “primeiro roeu suas carnes frias” para em seguida descrever como ocorreu o seu funeral. Genial! Depois deste início, ele volta ao começo de sua vida, na verdade até antes, descrevendo seus antepassados e toda a sua vida, até emendar com o funeral novamente.

Uma outra coisa que também me chamou a atenção foi o humor ácido e a fina e nobre arte da ironia. Se na época da primeira leitura eu já conhecesse o Monty Python, Douglas Adams, e outros do gênero, com certeza teria feito uma relação com o humor britânico. Imagino que o tipo de sarcasmo de Machado era bem à frente do seu tempo e que muito provavelmente o livro tenha sido incompreendido por muitos à época.

Não vou entrar em detalhes da estória pois, como já disse, ela é leitura obrigatória. Então vou falar um pouco da edição: quando soube que lançariam uma edição do Memórias com ilustrações do Candido Portinari, que haviam sido feitas para uma edição comemorativa na primeira metade do século XX, fui obrigado a colocar na lista. Edição de colecionador mesmo (e olha que eu não costumo guardar livros).

Os desenhos são fantásticos e ilustram muito bem personagens e passagens da obra (a capa é o próprio verme já citado!). As notas de rodapé, o prefacio (explicando a edição) e o posfácio (explicando Machado e sua obra) são muito interessantes também. Claro que tudo isto são “complementos” para o prato principal, que é o texto delicioso de Machado. Daqueles que te fazem não querer parar de ler o livro enquanto ele não termina.

Mas ainda bem que com o tempo eu aprendi a saborear o prazer de ler, ao invés de devorar livros, e desta vez pude apreciar cada momento da releitura (coisa que faço bem pouco também) décadas depois da primeira vez.

Be happy 🙂

Ghost Rider – Neil Peart (01/2021)

ghost_riderEntre Agosto de 1997 e Junho de 1998, Neil Peart, baterista e letrista do power trio canadense Rush (uma das minhas 4 bandas favoritas, junto com Beatles, Pink Floyd e Yes) perdeu a filha num acidente automobilístico e em seguida a esposa, vitima de um câncer (“na verdade de coração partido”, como ele escreve no livro). A fim de interromper uma espiral autodestrutiva ele resolve sair com sua BMW R 1100 GS vermelha praticamente sem destino, numa jornada com o único fim de manter a mente ocupada, pilotando pelo Canadá, EUA, México e chegando até Belize. Uma experiência que ele ele viria a chamar de  “viagens na estrada da cura” (Travels on the Healing Road, o subtítulo do livro).

É importante frisar o “praticamente sem destino”, já que, exceto por poucos lugares, as rotas e as estadias eram escolhidos quase que aleatoriamente, sendo estas escolhas muito influenciadas pelas condições meteorológicas e pelo “mood” de Neil. As exceções foram destinos com o intuito de visitar algum amigo ou familiar, pela necessidade de ter que agendar previamente algo (um ferry boat, por exemplo) ou para fazer manutenção da motocicleta.

A parte inicial do livro conta os desfortúnios, a “preparação” para a viagem e a primeira etapa da jornada. Após algumas semanas na estrada, Brutus – um dos seus melhores amigos e companheiro de viagens de moto – é preso. Neil então começa a se comunicar constantemente com Brutus através de cartas.

Esta primeira parte até a prisão (cerca de 1/3 do livro), além de contar com relatos escritos posteriormente (a parte dos desfortúnios e a preparação para a jornada), também conta os caminhos, locais e percalços pelos quais ele passou e que foram registrados num diário.

Ele também relata nesta parte como “aprendeu” a fazer as fotos do Ghost Rider, como ele viria a se chamar no decorrer do livro:  colocar a moto no cavalete central e tirar uma foto dela compondo a paisagem, o que dá a impressão de que a moto está rodando sozinha, sem ninguém pilotando. Ou como se a motocicleta estivesse sendo pilotada por um fantasma.

O restante do livro é basicamente uma transcrição das cartas que ele escrevia para Brutus e para algumas outras pessoas. Elas são legais, mas um tanto enfadonhas. Um pouco pelo fato dele se colocar em uma posição de vitimismo (o que é totalmente aceitável devido às agruras pelas quais ele passou), o que tornou a leitura um tanto cansativa e repetitiva. O segundo é o estilo do texto (cartas) em si, que não me agradou tanto. Preferi muito mais a primeira parte, em formato de um diário de bordo.

Um outro ponto interessante é que, nesta jornada sem roteiro, muitas das razões que fariam ele escolher algumas das rotas eram relacionadas ao que ele estava lendo no momento (Neil era um leitor voraz!). O livro foi ótimo para pegar algumas dicas literárias e até já comprei um do Jack London (The Sea-Wolf) para conhecer (mas ainda tenho uns 3 ou 4 na frente). Além da vontade de ler os autores citados, os relatos do livro também dão uma vontade danada de montar numa moto e sair sem rumo.

Infelizmente Neil faleceu no início de 2020. Mas como li uma vez (e meio que parafraseando Carl Sagan): não lamente a perda, comemore o prazer de ter coexistido com um ser como Neil no mesmo planeta e época, mesmo diante da imensidão do universo e da vastidão do tempo.

E sua obra, o seu legado, tanto literário quanto musical, está todo ai para ser apreciado. 

Be happy 🙂

Sagarana – João Guimarães Rosa (08/2020)

Confesso que nunca tinha lido João Guimarães Rosa na vida. Pelo menos não que eu me lembre. E olha que durante a adolescência eu era um leitor voraz, praticamente um rato de biblioteca. Mas sei lá por que, nunca um livro do autor cruzou meu caminho.

E também não sei por que cargas d’água eu encasquei que iria ler Sagarana há pouco mais de um ano atrás. Talvez alguém compartilhou no Facebook e acabou grudando no meu subconsciente. Então na última vez que estive no Brasil o livro já estava na minha lista. Mas não consegui encontrá-lo disponível no Submarino (ao menos não num tempo de entrega que me atendesse).

Neste interim fui arrumar umas tralhas minhas e dar fim em algumas coisas que ainda estão na casa da minha mãe e, dentre alguns outros livros que haviam no “quartinho da bagunça”, achei Sagarana. Uma edição de 1984, meio surrada até (inclusive com partes de algumas poucas páginas faltando). Parece que ele estava há um tempão me esperando!

O livro, o primeiro publicado por Guimarães Rosa, é uma coleção de contos, alguns com um certo ar de fábula. Todos eles retratando a vida, o cotidiano e os causos do povo do sertão, especificamente do sertão de Minas Gerais das primeiras décadas do século passado. As vezes dá a impressão de que são aqueles causos que são contados há diversas gerações, que ninguém sabe se ocorreram ou não e que vão se adaptando conforme são passados adiante.

Mesmo se for este o caso, Guimarães Rosa teve maestria em colocá-los no papel. Mais do que isto, em conduzir as narrativas de uma forma muito bonita e até terna, mesmo naqueles contos em que a estória era triste ou “pesada”. Me lembrou os poucos contos de Gorki que eu li.

Um outro ponto que chama a atenção no livro é a riqueza de detalhes em descrever o ambiente. É impressionante o conhecimento da fauna e da flora que Guimarães Rosa parecia ter. Foi tanto nome popular pra planta e bicho que até me perdia de vez em quando. Uma das diversões enquanto lia o livro era tentar imaginar como deve parecer algumas das plantas e animais mencionados. Mas confesso que recorri ao Google algumas vezes, só por curiosidade.

Todos os 9 contos são muito bons, mas se for pra destacar alguns, eu destacaria “O Burrinho Pedrês” (uma estória com várias miniestórias dentro),  “Conversa de Bois” (conto um tanto sombrio) e “A hora e vez de Augusto Matraga” (uma “jornada do herói” que conta até com algumas adaptações para teatro e cinema, entre elas esta que devo assistir logo mais: https://www.youtube.com/watch?v=0h2JAyfBObk )

Apesar do livro se situar em determinado ponto do tempo (primeiras décadas do século passado) e espaço (interior de Minas Gerais), qualquer uma das estórias poderia ser facilmente transportada para outros tempos e outros lugares do Brasil e talvez do mundo. Muitas delas eu conseguiria transportar para Ibaté, no interior de São Paulo, onde passava minhas férias durante a infância e adolescência. E onde também consumia vorazmente os livros pequena (a época) biblioteca local.

Be happy 🙂

The Ministry of Truth: The Biography of George Orwell’s 1984 – Dorian Lynskey (07/2020)

De tempos em tempos uma das duas principais obras de George Orwell (Animal Farm e 1984) ganham os holofotes. A mais recente delas ocorreu com a surpreendente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA em 2016. Após a cerimonia de posse, Sean Spicer, então secretário de imprensa de Trump, afirmou que a cerimonia tinha tido o maior público para uma cerimonia do tipo até então, não só nos EUA, mas no mundo todo, em qualquer momento da história, fato facilmente desmentido pelas imagens do evento. Quando questionada a respeito, já que os fatos eram contrários a tal afirmação, Kelliane Conway, então conselheira do presidente, disse que existiam fatos alternativos (e os jornalistas presentes perderam uma grande oportunidade de afirmar que qualquer alternativa a um fato é simplesmente mentira). As vendas de 1984 dispararam logo em seguida!

Aproveitando o embalo, Dorian Lynskey resolveu lançar uma “biografia” de 1984.

Usar o termo “biografia” para uma obra literária soa um pouco estranho, mas a palavra cabe, já que a proposta foi exatamente ter a obra como ponto central e tentar dissecar (outro termo aplicável a seres orgânicos) como a obra foi feita, influenciada e como ela influenciou outras obras e a sociedade em geral.

Obviamente que para entender tudo o que pode ter influenciado a obra, uma biografia do próprio autor se faz necessária, então o livro traz bastante detalhes sobre a vida de Orwell, especialmente sobre sua formação. Também a fim de explicar as influências, existem partes dissecando utopias que precederam 1984, como The Sleeper Awakes, de H.G. Wells (autor que mereceu um capítulo inteiro) e Looking Backwards, de Edward Bellamy, que foi o precursor do gênero utópico. Uma das hipóteses de Lynskey é que Orwell quis criar propositalmente um contraponto à este gênero.

Mas talvez a obra que mais motivou e inspirou 1984 tenha sido We, do escritor russo Yevgeny Zamyatin, que é provavelmente a primeira obra do gênero que viria a se chamar distopia. We é também considerado uma forte influência de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que forma junto com Farenheit 451, de Ray Bradbury, a trilogia clássica da distopia. Outra obra bastante citada no decorrer do livro e que recebeu influências de todas estas citadas é The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwoods.

Um outro ponto interessante do livro é uma análise de como o livro influenciou as sociedades. Duplipensar (doublethink), crimepensar (thoughtcrime), Big Brother, buraco da memória (memory hole). Todos são termos que se popularizaram a partir do livro. Até “orwelliano” virou uma expressão que é usada tanto no sentido de “prever” como Orwell ou de ser “previsto” por Orwell. Praticamente um duplipensar! Importante sempre frisar, como já fiz na resenha de Orwell’s Revenge, que o próprio Orwell não se considerava e nem gostava de ser entendido como um “profeta”.

Pelo lado da política, praticamente todas as correntes ideológicas já usaram termos cunhados ou ideias desenvolvidas por Orwell, geralmente atribuindo-os ao “outro lado”: socialistas e capitalistas, conservadores e liberais, autoritários e democratas. Nada mais Orwelliano!

Um livro bem interessante para quem, como eu, é fã do autor (1984 e Animal Farm estão no meu top 10 de melhores livros!). E claro, como não podia faltar, fica a dica de Animals, meu album preferido do Pink Floyd, que foi inspirado em Animal Farm..

Be happy 🙂

Noites Tropicais: solos, improvisos e memórias musicais – Nelson Motta (06/2020)

Nelson Motta é jornalista, compositor, produtor musical e exerceu muitas outras funções ligadas à arte, especialmente a música, nas últimas décadas no Brasil. Mesmo exercendo funções de “bastidores”, ele é bastante conhecido pois apresentou durante um bom tempo um quadro semanal sobre música no vespertino Jornal Hoje, da Rede Globo. Nesta autobiografia ele conta a história de sua vida e pedaços das histórias de vida de outras pessoas com os quais ele conviveu, especialmente artistas.

O livro não é lá muito bem organizado em termos de datas e contextualização, mas é justamente isto que o torna divertido. Dá a impressão de um bate-papo de mesa de boteco com aquele seu amigo falastrão que gosta de contar mentira e vantagem (e todo mundo tem um amigo assim). Nunca dá pra saber o que é verdade ou mentira, especialmente quando ele fala sobre os bastidores, já que muitos dos personagens envolvidos já não estão mais aqui para confirmar ou desmentir. De qualquer forma, sendo ou não verdade, ele mesmo acredita fielmente naquilo. Como li numa outra resenha: ele é o Forrest Gump da MPB.

Apesar da falta de precisão e da sensação de que ele está sempre aumentando um ponto, especialmente no que se refere ao seu próprio papel nos acontecimentos e movimentos, o livro passa um bom panorama do desenvolvimento da música popular no Brasil, desde o início da Bossa Nova (meio da década de 60) até o final dos anos 2000.

Acabei terminando o livro com a mesma sensação que tive quando terminei a biografia do Lobão: o cara pra ter vivido tudo isto deve ter agora uns 300 anos. Ainda assim é um bom passatempo, além de contar com dicas preciosas de artistas e músicas.

Be happy 🙂

Gilberto Gil – Todas As Letras – Carlos Rennó (05/2020)

Há várias maneiras de se cantar e fazer música brasileira: Gilberto Gil prefere todas” – Torquato Neto

Neste típico livro de mesa de centro, Carlos Rennó compila quase toda a obra de Gilberto Gil (até 2002, ano anterior ao que o livro foi publicado). “Quase” porque segundo o prefácio muita coisa que não foi gravada ou transcrita, especialmente do início de carreira, se perdeu. Em 2003, ano de lançamento do livro e em que já existiam diversos sites com letras (e cifras) de músicas, talvez uma compilação destas já não tivesse tanto apelo, a não ser pelo “detalhe” de ter muitas das letras comentadas pelo próprio Gilberto Gil.

Além dos comentários, uma parte extraída de outras fontes (como entrevistas) e outra parte feita especificamente para este livro, o “guia” conta também com duas seções com fotos (muitas de acervo pessoal) e uma minibiografia inicial, que é importante para entender a dinâmica da evolução das canções.

Mas o próprio livro é uma autobiografia em si, já que além de ser organizado por ordem cronológica, Gil traça um panorama do que estava acontecendo no Brasil e no mundo e pelo que ele estava passando e o que estava sentindo em cada comentário. E claro, como tudo isto influenciou aquela canção (ou canções), álbum ou período.

O livro traz também duas curiosidades muito pouco conhecidas do público geral. A primeira é que, ainda na Bahia e antes de se mudar para São Paulo para estagiar na Gessy Lever, Gil trabalhou como freelancer em uma agência de publicidade fazendo jingles para lojas e políticos. A outra é que, além de compor para si e para sua turma (Tropicalistas, Doces Bárbaros e os parceiros de sempre, como Chico Buarque e Caetano Veloso), Gil também fez algumas canções para outros artistas menos relacionados aos movimentos do quais fez parte, como Roberto Carlos, Alcione e Zezé Motta, algumas delas por encomenda.

A obra também é uma mostra da versatilidade de Gil: tem músicas que ele fez para poemas de outras pessoas, tem poemas que ele fez para músicas de outras pessoas, tem composições sozinho, tem parcerias (letra e música compostas com outras pessoas ao mesmo tempo), tem versões (de músicas em inglês e francês para o português), tem composições próprias em outras línguas (inglês e francês).

Enfim, um artista completo que além de grande poeta é também um músico sensacional. Para não falar da “pessoa” Gil, que transmite aquela sensação de paz, de serenidade, antes mesmo de tocar o primeiro acorde ou cantar a primeira sílaba.

Mesmo que o site de Gil atualmente contenha praticamente todas as letras (inclusive as posteriores ao livro), muitas delas com os mesmos comentários do livro e eventualmente até mais coisas (como a ficha técnica), ainda é um livro pra deixar lá na coffee table para dar uma folheada de vez em quando. Ou procurar alguma letra no índice ao ouvir a música. Bem mais agradável do que usar o Google.

Be happy 🙂

Wonder – R. J. Palacio (04/2020)

Livro infanto-juvenil curtinho, mas bem interessante. Conta a estória de Auggie Pullman, um garoto dos seus 11 anos de idade e que é portador de uma síndrome congênita que causa deformações no rosto, além de outros diversos problemas de saúde. Após ser educado pela própria mãe em casa até os 10 anos, inclusive por conta das constantes cirurgias que o impediriam de acompanhar um ano letivo completo na escola, seus pais resolvem que é hora dele começar a frequentar uma escola regular para finalmente começar a ter uma vida normal como qualquer outra criança na sua idade.

Porém o fato da doença de Auggie provocar deformações físicas causa inúmeros contratempos nesta adaptação a uma nova fase, em um novo ambiente e com novos potenciais amigos.

Uma boa parte do livro é contada a partir da perspectiva de Auggie, mas alguns capítulos trazem as perspectivas de outros envolvidos neste processo e mostra como todas as pessoas próximas são impactadas (especialmente sua irmã), o que torna a estória bem interessante.

Por coincidência, logo após começar a leitura de Wonder comecei também a assistir a série Atypical, da Netflix, que tem o mesmo mote: mostrar como uma condição pode afetar uma pessoa e aqueles à sua volta. A diferença é que no caso de Atypical o personagem principal (Sam) é um jovem de 18 anos diagnosticado dentro do espectro do autismo e a série aborda a transição do segundo-grau para a universidade. Mas várias situações me pareceram bastante similares (a irmã protetora, por exemplo) e achei inclusive que a série havia se inspirado no livro, o que não consegui confirmar.

No Brasil o livro saiu com o título de Extraordinário e em 2017 foi lançado um filme baseado no livro.

Uma boa dica de leitura para todas as idades!.

Be happy 🙂

Os Anjos Bons da Nossa Natureza – Steven Pinker (03/2020)

Já diria Renato Russo em Baader-Meinhof Blues: “a violência é tão fascinante!”

Neste já best-seller, Steve Pinker tenta provar (com muita referência bibliográfica) a afirmação contida no subtítulo do livro: “porque a violência diminuiu”. Note que não se trata de uma pergunta, mas de uma afirmação, já que, de acordo com os dados fornecidos ao longo do livro, ela realmente vem diminuindo.

Importante notar que a análise que ele faz se dá ao longo de praticamente toda a história da humanidade, ou seja, medida em milênios. Se olharmos períodos menores, de décadas, ou até mesmo de um século, é possível que naquele corte a violência tenha aumentado, mas ao ampliar o escopo, especialmente comparando os grandes saltos da humanidade, a redução dos níveis de violência fica clara, apesar da dificuldade de coletar ou estimar dados com mais de 2 ou 3 séculos (e para o mundo todo).

No capítulo 1, meio no estilo do Sapiens, Pinker dá um panorama geral de como a violência era uma constante e até aceita (quando não exaltada) durante boa parte da história da humanidade. Os diversos tipos de violência faziam parte da cultura de praticamente todos os povos.

Entre os capítulos 2 e 7, ele elabora mais a tese central dividindo a redução da violência em 6 movimentos principais e cumulativos:

  • Processo de pacificação: transição de sociedades de caçadores-coletores para civilizações com cidades e governos, o que diminuiu as disputas por território e transferiu para um mediador o uso da força.
  • Processo Civilizador: a consolidação de pequenos entes (como os feudos) em grandes territórios, que ampliou a abrangência do movimento anterior.
  • Revolução Humanitária: impulsionada pelos ideais iluministas de igualdade e respeito ao ser humano, passa-se a valorizar a vida e a existência humanas. Além disto, através da disseminação da cultura através das artes (literatura, teatro, música), aproxima povos antes distantes, que poderiam se ver como potenciais inimigos.
  • A longa paz: o período que se segue após a segunda guerra, onde os estados se convencem de que um acordo ruim é mais vantajoso do que uma boa briga em praticamente 100% das situações.
  • A nova paz: o período pós guerra-fria, onde os conflitos “menores” (guerras civis, genocídios, repressão por governos autocráticos e ataques terroristas) vêm reduzido.
  • Revoluções dos direitos: ocorre em paralelo a longa-paz e a nova-paz, e diz respeito aos direitos básicos (aqueles do iluminismo) estendidos a grupos minoritários e/ou identitários (LGBTQ, mulheres, crianças, dos animais, entre outros) que talvez antes não fossem abrangidos.

Nos capítulos 8 e 9 ele aborda quais seriam prováveis causas biológicas para a violência (capítulo 8 – demônios interiores) e para a não-violência (capitulo 9 – anjos bons).

Finalmente, no último capítulo, a conclusão que já vinha sendo desenvolvida ao longo dos demais capítulos, com as cinco principais forças históricas responsáveis pelos processos de pacificação:

  • O Leviatã – a ascensão do Estado-nação moderno e das forças policiais e judiciárias deste Estado que detém o “monopólio do uso legítimo da força”, o que inibe os ataques exploradores, o impulso de vingança e retaliação (inclusive preventiva) e a resolução de conflitos através da violência.
  • Comércio – o aumento do progresso tecnológico que permite aumentar as redes de comércio e comunicação a distâncias enormes, cobrindo basicamente todo o planeta. Isto torna todo mundo em provável parceiro comercial que vale mais vivo que morto.
  • Feminização – crescente respeito pelos “interesses e valores das mulheres”, que são mais avessas a resolução de conflitos através da violência, tendem a ter um respeito maior pela vida e geralmente são menos impulsivas quando colocadas em situações de pressão/perigo.
  • Cosmopolitismo – o surgimento de forças como a alfabetização, a mobilidade e a mídia de massa, que expande o círculo de simpatia das pessoas além das nações ou grupos étnicos.
  • A Escada Rolante da Razão – causado basicamente pelos mesmos fatores que o cosmopolitismo / expansão do círculo de simpatia, mas diferindo neste no sentido de que é um movimento mais racional, ao considerar os interesses de outros e ignorar crendices e superstições.

O livro é muito bom, mas achei ele muito longo. Poderia ter feito igual ao Harari e quebrado em dois ou três volumes. Mas apesar disto é o livro que eu gostaria de ter escrito.

A propósito, Baader-Meinhof é como ficou conhecida a Fração do Exército Vermelho (Rote Armee Fraktion, em alemão, ou RAF), grupo de extrema-esquerda da Alemanha Ocidental formado na década de 70 e que tinha entre suas principais características atentados e sequestros “cinematográficos” afim de chamar a atenção da mídia. Pode-se dizer que eles foram os precursores do tipo de atentados terroristas que viriam a ser realizados à partir de então, com o intuito de gerar o máximo de terror a um maior número de pessoas possíveis através da difusão de suas ações na mídia (imagina eles em termpos de internet!). O apelido do grupo vem do nome de dois de seus líderes: Andreas Baader e Ulrike Meinhof que eram tão famosos que tinham até fãs, como os grupos de rock à época. Existe um livro muito interessante, chamado Televisionários, que conta a história do grupo.

Be happy 🙂

Wanderlust #64 – Copenhagen, Dinamarca

(07/07/2019-09/07/2019)

Finalmente chegamos ao último dos países nórdicos da trip (aqui os relatos da Finlândia, Suécia e Noruega). E provavelmente o mais turístico deles. Talvez por conta da alta expectativa acabamos achando que era um destino superestimado, especialmente quando comparado com os demais. Mas ainda assim nos divertimos bastante.

Dia 1

Chegamos na cidade lá pra uma 10:00 horas da manhã, deixamos as malas no Cabinn City e fomos bater perna. Seguindo em direção à área mais central da cidade, passamos pelo famoso Tivoli Gardens, que ficava a umas duas quadras do hotel. O Tivoli é um parque de diversões no estilo Playcenter. Fiquei com a impressão de que o parque paulistano, inaugurado na década de 70, foi inspirado no de Copenhagen, que é de 1843, tamanha a semelhança. Mas como parque de diversões não é nossa praia, só passamos em frente.

A região mais central da cidade é composta por várias ruas com acesso somente para pedestres em torno da Praça Gammeltorv, sendo a principal delas a Strogert. Como era domingo de manhã a cidade parecia estar ainda de ressaca, com várias lojas abrindo e pouca gente por ali. Felizmente encontramos um pequeno estabelecimento para tomarmos um bom café da manhã. Ainda andando ao redor da Gammeltorv, passamos pela Helligaandskirken e caminhamos até a o Kongens Nytorv.

Em quase todas as praças e em algumas ruas existiam palcos armados. Em um deles paramos para ver um cartaz que existia ao lado e descobrimos que estava ocorrendo o Festival de Jazz de Copenhagen, com centenas de shows e eventos, a maioria gratuitos. Assim como já havia ocorrido quando fui a Edimburgo, novamente acabei topando com um festival de artes muito legal sem nem ter programado. Ô sorte!

Seguimos até o Kongens Have (Jardim do Rei), onde ficam o castelo Rosenborg e o respectivo jardim (sim, um jardim dentro de um jardim), que é muito bonito. A seguir atravessamos atrás do Castelo e fomos então ao Botanisk Have (Jardim Botânico), que dentre diversas atrações tem duas muito interessantes. A primeira é um jardim da cerveja, com pés de diversas plantas usadas na produção (trigo, cevada, aveia) e inclusive diversos pés de lúpulo. A outra é um jardim localizado bem no meio do parque que tem plantas de praticamente todo lugar do mundo. Deve dar um trabalho danado mantê-las, especialmente as de regiões mais quentes, como várias espécies de cactos e suculentas que lá havia.

Continuando nas andanças, passamos pelo Torvehallerne, um misto de mercadão e praça de alimentação, um pouco diferente dos que tínhamos visto em Estocolmo e em Oslo. Este era maior e com uma parte ao ar livre. Ainda assim tinha a mesma proposta de vender comidas e bebidas mais artesanais para consumir no local ou levar. De volta à área mais central passamos pela Rundetårn, uma torre de observação astronômica do século XVII, que é uma das atrações arquitetônicas da cidade.

Copenhagen, assim como outras diversas cidades europeias, é repleta de canais. Existem uma série de grandes canais contínuos que cortam a cidade verticalmente (de norte a sul, ou vice-versa), praticamente um rio (que é como vou chamá-lo de agora em diante). A beira deste rio existe um passeio chamado Havnegade. Decidimos caminhar então por este calçadão, que é repleto de atrações, como bares, museus, teatros e outros canais perpendiculares. Um dos mais famosos destes canais é o Nyhavn (literalmente Novo Porto – a palavra havn é muito parecido com haven e harbor, do Inglês, e Hafen, do Alemão). O Nyhavn é usado como estacionamento para várias embarcações pequenas e ao redor dele, dos dois lados, existem várias atrações. Uma das que vale uma parada é a sorveteria Vaffelbagere. Continuamos caminhando pela beira do rio até chegar em Kastellet.

Kastellet é uma cidadela em forma de estrela (de ninja!) cercada por canais artificiais (tipo o fosso do castelo). Logo em frente fica a atração mais famosa e mais “brega”: Den Lille Havfrue, a estátua da pequena sereia (a que inspirou o desenho). É brega mas é aquela foto quase obrigatória! Próximo à Kastellet também ficam a St Alban’s Church e a belíssima Gefionspringvandet (Gefion Fountain).

Na saída de Kastellet e a caminho da cervejaria Nørrebro Bryghus, que fica no bairro homônimo (Nørrebro, já que Bryghus pelo que percebi significa cervejaria), acabamos passando sem querer pelo palácio Amalienborg, que é uma das atrações mais famosas da cidade e que tínhamos colocado na programação do outro dia. Pelo que percebemos, Nørrebro é uma região boêmia da cidade, com bastante bares, restaurantes e alguns ateliês. Mas fomos direto tomar umas cervejas pois já tínhamos caminhado cerca de 30 kilometros e ainda teríamos 3 de volta até o hotel (45 mil passos computados pelo FitBit!)

Dia 2

No outro dia já havíamos programado atravessar o rio e visitar o bairro de Christianshavn, que também é todo cortado por canais. Primeiro cruzamos a Lille Langebro, uma ponte móvel exclusiva para pedestres e ciclistas. Interessante que diferentemente de outras pontes moveis, que normalmente abrem verticalmente, esta gira horizontalmente 90 graus em cima de um eixo (o pilar principal), ficando paralela ao rio para permitir a passagem dos barcos.

Já do lado de lá da ponte acabamos tropeçando e caindo sem querer no The Packhouse, um café bem charmoso no porão de um prédio residencial. Fica a dica para tomar um bom café da manhã com quitutes bem caseiros. Continuamos a caminhar pela beira do rio (pelo lado oposto do rio do percurso do dia anterior) até a Operaen, a ópera house de Copenhagen. De lá pegamos algumas ruas secundárias e desertas para cair em Christiania.

Christiania é um bairro de Copenhagen que tem um status especial, já que a maioria das leis da cidade e mesmo do país não se aplicam ali sendo as regras definidas pela comunidade (hippie) que habita a região. É como se fosse um minúsculo país dentro de outro país. Existem alguns ateliês, dois mercados (que eu notei), bares, restaurantes. Mas a atração mais interessante talvez seja a feira de maconha: vários ambulantes com barracas ou caixotes oferecendo inúmeras variedades de maconha (e outras drogas “leves”, já que drogas pesadas são proibidas ali pelas regras da comunidade), tanto para levar quanto para (e principalmente) consumir no local. Este é um dos motivos pelos quais as fotografias são proibidas ali: muita gente “normal” sai do escritório de terno e gravata na hora do almoço para ir ali fumar um em paz e voltar para o segundo tempo. A região também é repleta de grafites e deu para perceber que ocorrem muitos eventos culturais por ali.

Logo na saída de Christiania topamos com a Vor Frelsers Kirke (Igreja do Nosso Senhor Salvador), que tem uma arquitetura interessante: a torre me lembrou um sorvete de máquina, tipo do McDonalds, ou mesmo aqueles sorvetes de máquina antigos (que acabei de descobrir que se chamava “sorvete americano”!)

Voltamos então por este lado do rio, no sentido sul. Não tem muitas atrações turísticas deste lado, mas tem alguns parques e bares, aparentemente frequentados mais por nativos. O alvo desta caminhada era a região de Flæsketorvet, que era uma área onde existiam diversos matadouros, mas que foi revitalizada recentemente e hoje abriga uma série de bares, restaurantes, lojas. Estava até rolando uma feira gastronômica por ali. Paramos na Warpigs brewery, que tem bastante opção de cerveja e churrasco estilo Texano (brisket, pull pork, mac’n’cheese de acompanhamento, etc.).

De lá caminhamos até próximo a região central novamente, pois estando em Copenhagen, não podíamos deixar de ir até o Mikkeller Bar original. A Mikkeller é uma micro cervejaria com origem na cidade e que, apesar de muito famosa atualmente, ainda mantém o estilo “cigano”. Cigana é como são conhecidas as cervejarias que não têm capacidade de produzir volumes grandes e usam a infraestrutura de outras cervejarias para produção em maior quantidade. Normalmente eles têm um espaço reduzido onde desenvolvem as suas receitas em lotes pequenos (50, 100, 200 litros) e, quando pretendem produzir para comercializar, alugam o espaço de outras cervejarias. Existem até plantas cervejeiras que nem possuem marcas próprias e se prestam somente à produção (e às vezes distribuição) das invenções que saem das panelas dos ciganos.

No caso da Mikkeller eles ainda levam o termo “cigano” ao pé-da-letra, já que os fundadores viajam o mundo visitando cervejarias e produzindo colaborativamente, inclusive no Brasil. Com esta proposta, eles já lançaram centenas de rótulos, de todos os tipos imagináveis, em todos os locais imagináveis. Só pra ter uma idéia, no beeradvocate.com existem cadastradas mais de 1000 rótulos. E isto porque quem cadastra são os usuários, ou seja, dá pra estimar que deve ter pelo menos mais umas 1000 “perdidas”, já que o site é mais utilizado nos EUA.

Enfim, “passaporte carimbado”, cervejas tomadas, fomos andar a esmo e, sem querer, acabamos voltando próximo à região de Flæsketorvet e topando com o Halmtorvet 9, um bar com área aberta onde estava rolando um palco de jazz como parte do festival. Paramos então por ali para descansar, tomar umas cervejas e curtir o som. Como já estávamos na região, aproveitamos para jantar no mother que tem uma pizza bem famosa (e gostosa!). Andamos um pouco pela região de Vesterbro, mas como já tínhamos planejado de passear por ali no outro dia resolvemos voltar para a região central onde acabamos topando com o Fringe Jazz Fest (por sinal, o festival que citei no início, em Edimburgo, também se chamava Fringe), que é um evento paralelo ao festival principal e que foca no Jazz de New Orleans (coincidentemente também, onde havíamos passado o carnaval alguns meses antes). Este mini-festival rola num lugar bem legal chamado Pumpehuset, que lembra um pouco a Kulturbrauerei de Berlin.

Depois de toda esta maratona, ainda tivemos pique pra ir curtir um pouco mais de Jazz (e a saideira) na praça Nytorv. E depois foi voltar pro hotel e capotar.

Dia 3

Na Terça-feira, nosso terceiro e último dia na cidade, levantamos cedo e fomos tomar café no charmoso Café kopenhag, que ficava bem próximo ao hotel. De lá fomos dar uma volta em Chritiansborg, que é meio que uma ilha cercada pelo canal Nybrogade, bem na região central. Nesta ilha ficam vários prédios históricos e importantes, como o da Børsen (bolsa de valores), o Christiansborg Slot (um castelo enorme com um belo jardim), entre outros. Vale também uma passada no Bibliotekshave, o jardim da biblioteca que tem ali.

De lá, como já comentei, fomos até uma área mais periférica chamada Vesterbro. Fomos caminhando por uma avenida com comércio popular, para sentir um pouco da vida regular, até o Frederiksberg Have, um parque muito bonito que tem em uma de suas extremidades o castelo Frederiksberg e o Zoológico de Copenhagen. De lá caminhamos mais um pouco pelo bairro, inclusive por dentro de um outro parque que era na verdade um cemitério (como em Oslo) até a cervejaria BRUS, onde tomamos umas no beergarden.

Voltamos então para área central para experimentar as cervejas da BrewPub Copenhagen, que produz cervejas com temática inspirada em música, especialmente Jazz (como ninguém antes teve a idéia de uma Porter chamada Cole?!?!?). De lá voltamos ao Pumpehuset para curtir um pouco mais antes de fecharmos a passagem pela cidade.

Observações, dicas e considerações:

  • Por toda cidade existiam grafites “comerciais”: várias propagandas (de chocolate, refrigerante) estão espalhadas em forma de grafite por paredes cegas de edifícios, muros, bancas de jornais. Eu não pesquisei, mas talvez a ideia surgiu à partir de alguma proibição de outdoors (como existe na cidade de São Paulo).
  • Acho que comida por quilo é novidade e moda na cidade. Topamos com alguns e, diferentemente do Brasil, onde eles são locais para refeições rápidas e baratas, do dia-a-dia, parece que o pessoal sai exclusivamente para comer em quilo. Tipo um evento especial.
  • Muito interessante ver muitos jovens tanto curtindo quanto fazendo jazz.
  • Em vários pontos da cidade nos deparamos com pessoas usando fone de ouvido e andando de costas, seguindo uma linha marcada no chão. Trata-se do projeto REVERSE, que convida as pessoas a olharem a cidade de outra forma (os fones são um áudio-guia). Em locais mais perigosos, como escadarias ou cruzamento de vias, existem assistentes para auxiliar. Muito interessante!
  • Café é bem caro na cidade, muitas vezes mais do que o lanche ou o salgado.

Be happy 🙂