Sapiens, A Brief History of Humankind – Yuval Noah Harari (3/2019)

Nos últimos anos tinha ouvido falar muito sobre Yuri Harari, considerado um dos grandes pensadores contemporâneos, e sua principal obra, Sapiens. O livro tem sido bastante mencionado por alguns divulgadores científicos que eu acompanho na internet, mas efetivamente eu nunca tinha parado para lê-lo ou assitir alguma palestra ou TEDx do Harari (existem dezenas disponíveis no Youtube). Finalmente resolvi ler esta obra.

Sapiens tenta contar de uma maneira amigável e não técnica como e porque o Homo sapiens evoluiu de uma das várias espécies humanas até se tornar a espécie no topo da cadeia (considerando todas as espécies). A hipótese central de Harari é de que os sapiens atingiram o estado atual pois é a única espécie capaz de criar uma realidade imaginada e que isto é essencial para que grupos cada vez maiores de indivíduos possam colaborar. Para contar todo o percurso, o livro é dividido em quatro partes.

Na primeira parte, chamada de revolução cognitiva, o livro conta a história do surgimento dos ancestrais dos Homos, em como estes ancestrais se espalharam pelo mundo, evoluindo em espécies distintas até o surgimento dos sapiens. Existe uma descrição também das hipóteses evolutivas que levaram apenas uma destas espécies a desenvolverem uma inteligência superior e sua capacidade cognitiva e imaginativa. A partir dai, conta-se a história de como esta espécie se espalhou pelo globo, promovendo a extinção das demais espécies de Homo.

Na segunda revolução, denominada revolução agricultural, é descrita a fase de transição dos sapiens do nomadismo para o sedentarismo, através do dominio sobre outras espécies e da modificação dos ambientes. Como consequência desta transformação e somando-se a capacidade imaginativa, foi possivel cada vez mais a organização de uma quantidade maior de indivíduos em grupos. E cada vez mais mitos eram necessários para unir as pessoas, fazendo com que elas colaborassem em prol de um objetivo comum. Harari pontua que este “truque da evolução”, apesar de muito positivo para a espécie, não foi tão boa para os indivíduos, que passaram a trabalhar cada vez mais, consumir uma variedade menor de alimentos e a ficarem restritos a espaços menores.

A terceira parte trata de como estes grupos se expandiram através de impérios, seja anexando, seja aniquilando outros grupos. Alguns mitos que tiveram (e ainda têm) um papel muito importante nesta expansão rumo a um império global foram a crença no mito das nações, as religiões e ideologias políticas (Harari coloca estes dois mitos na mesma categoria) e o mito do dinheiro. Mas esta expansão teve seus limites, que foram vencidos através da revolução seguinte.

Na revolução científica (e tecnológica), os mitos da fase dos grandes impérios são reforçados: através da consolidação das religiões monoteistas, das ideologias políticas como fios condutores das nações e da crença no dinheiro, culminando no capitalismo. Agora as barreiras que separavam diferentes grupos são quebradas, o que invariavelmente deveria resultar no grande império global. E até o limite da vida está em vias de ser sobrepujado através da ciência e tecnologia.

O livro recebeu muitas críticas de acadêmicos, a maioria delas por “não trazer nada de novo”. Mas o novo no caso, na minha opnião, foi justamente ter “traduzido” muito conhecimento produzido em áreas como história, biologia, antropologia, entre tantas outras, para uma linguagem mais palatável a quem não é especialista nestas áreas. E além de tudo com doses certeiras de humor. Altamente recomendado!

Be happy 🙂

Wanderlust #55 – Grécia

(18/08/2018-24/08/2018)

Dia 1 – Sábado

Depois de quase 12 horas de vôo, chegamos em Atenas, debaixo de um baita calor. Pegamos o metrô do aeroporto até a região central, na Praça Monastiraki, e nos hospedamos no hotel na rua Athinas. A região lembra bastante o centro das cidades brasileiras, especialmente o centro do Rio, com muito comércio, ruas estreitas, transito e muita, mas muita gente circulando.

Como haviamos reservado este dia em Atenas apenas como garantia pra não dar problemas com o vôo para Mykonos, fomos dar uma volta pela área turistica da cidade, passando em frente da Biblioteca de Adriano, da Acrópolis, do Santuário de Zeus e da Ágora antiga. Paramos por alguns minutos na rua Panos para beliscarmos algo e tomarmos uma cerveja pra refrescar. Em seguida continuamos a caminhada e fomos até o Arco de Adriano, que fica no sitio arqueológico de Olímpia.

Um pouco antes, enquanto estávamos andando pela região de Plaka, notamos um escadão repleto de bares e restaurantes. Após algumas voltas na região resolvemos parar por ali para tomarmos umas cervejas. O local lembra muito a regiao da Alta, em Lisboa. Ainda demos uma passada na Old Taverna Kritikou, que tem um ótimo roof top, mas que peca no atendimento.

Dia 2 – Domingo

Voltamos ao aeroporto para pegarmos o vôo para Mykonos. Após apenas 40 minutos de vôo chegamos na Ilha e nos hospedamos no Anamar Blu, que é mais uma pousada do que um hotel, mas é bem confortável. Após deixarmos as coisas, fomos caminhando até Chora. Pelo que entendemos, as ilhas são compostas de vários vilarejos que têm status de cidade. Chora seria a capital da Ilha. Saimos de Ornos, onde ficava o hotel, passando por Korfos, que é muito usada para a prática de Kite Surf, Magali Ammos e depois de uns 40 minutos de caminhada sem calçada e com um transito maluco, chegamos em Chora.

Primeiro paramos nos famosos moinhos de ventos Kato. A pronuncia de moinho em grego é mili, muito parecido com a palavra em inglês, mill. Depois fomos andar pelo centro de Chora, que é basicamente um emaranhado de ruas estreitas, predinhos pequenos pintados de branco com portas e janelas em azul, exatamente como se vê nos filmes. Passamos então por Little Vênice e fomos sair no porto antigo (onde aproveitamos para retirar as passagens do ferry que tomariamos dali a dois dias). Depois de comermos algo, voltamos então para a colina onde ficam os moinhos para apreciarmos o lindo pôr-do-sol.

Logo que chegamos, haviamos passado pelo Fabrica Food Mall, que fica bem em frente ao “terminal” de ônibus urbano (ou insular?) e notamos que havia uma cervejaria no local. Resolvemos parar por ali e tomarmos algumas antes de voltarmos para o hotel. O local onde fica o mall (chamado Fabrika) é uma confusão organizada e engraçada, com ônibus manobrando, dezenas de turistas com scooters ou jipes, pedestres, todo mundo “brigando” por um espaço neste ponto de confluência, já que todas as 5 ou 6 linhas de ônibus (modelos rodoviários) e vans fazem ponto neste local. Ou seja, para ir de um ponto a outro da ilha, se a linha de ônibus não passar pelos dois pontos, você tem que obrigatoriamente ir até este terminal (que na verdade não passa de um terreno onde os ônibus estacionam) para fazer baldeação.

Dia 3 – Segunda

Como já tinhamos planejado, tiramos boa parte do dia para (finalmente!) pegar uma praia e para isto resolvemos ficar em Ornos mesmo, que é uma das praias mais tranquilas da ilha. Voltamos para o hotel e curtimos um pouco a piscina e então voltamos para a região de Chora para aproveitarmos mais um pouco por ali.

Dia 4 – Terça

Saimos cedo para pegarmos o Ferry de Mykonos para Santorini. Depois de alguns atrasos e de algumas horas chegamos em Santorini. Ainda demorou um pouco para chegarmos no hotel, em Perissa (novamente, uma vila com status de cidade), então resolvemos ficar pela região mesmo.  Perissa conta com bastante opções de bares e restaurantes, e até algumas quase-baladas com DJ ou música ao vivo. É uma ótima opção para ficar hospedado e no final acabamos achando que deveriamos ter ficado mais tempo em Santorini para aproveitarmos a praia dali ao menos por um dia.

Dia 5 – Quarta

No dia anterior tinhamos planejado fazer um city tour usando a rede pública de transportes, que funciona no mesmo esquema de Mykonos: existe um terminal central, neste caso em Thera, de onde saem os ônibus para todas as cidades/vilas da ilha. Entao primeiramente pegamos um ônibus de Perissa para Thera, onde tomamos café da manhã, e depois de lá para Akrotiri, onde existe um sítio arqueológico (não entramos) e a bela Red Beach, que estava bem cheia.

Pegamos então o ônibus de volta para Thera e depois um outro ônibus para Kamari, que fica no lado oposto de uma montanha, em relação à Perissa. Existe a possibilidade de pegar uma trilha pesada entre as duas praias (não aconselhável na época que fomos por conta do calor) e usando transporte privado dá uns 15 minutos entre as duas, mas usando os ônibus obrigatoriamente precisa ir até Thera. Kamari é bem parecida com Perissa, inclusive com a mesma areia escura, resultado da origem vulcânica da ilha, que é literalmente a metade que sobrou da cratera após a erupção ocorrida há alguns milhares de anos. A diferença entre Kamari e Perissa pareceu ser de “agito”: enquanto Perissa, apesar de contar com bastante estabelecimentos (incluindo algumas baladas) é mais calma, Kamari pareceu ser mais agitada e mais “pagação”.

Depois de Kamari voltamos para Thera e pegamos o onibus para Oia, que é a parte mais famosa da ilha e que fica lotada durante o por-do-sol (preferimos passar). Assim como Chora, em Mykonos, o local é repleto das casinhas brancas e azuis, entrecortadas por ruazinhas com calçamento de pedra. A diferença é que Oia fica no ponto mais alto da cratera e parte das casas ficam na encosta do morro, proporcionando uma bela vista da “caldera” (que é como eles chamam a cratera localmente). O caminho entre Thera e Oia é um atrativo à parte, pois é feito durante a ida à beira de um desfiladeiro. Depois de algumas voltas em Oia (pronuncia-se Ia), voltamos novamente para Thera para, finalmente, darmos uma volta na “capital” da ilha.

Thera também fica numa parte alta da caldera e tem praticamente a mesma formaçao geológica de Oia. A diferença é que as ruas são mais largas e, ao invés de residências, existem vários empreendimentos comerciais. Existe ali também uma bela catedral ortodoxa. Paramos para algumas cervejas e petiscos num bar bem interessante, com um belo jardim e várias cervejas locais, mas infelizmente não consigo recordar o nome. No início da noite pegamos o ônibus de volta para Perissa, onde comemos novamente em um dos vários restaurantes locais.

Dia 6 – Quinta

Tomamos um café da manha na Padaria Santa Irini, que tem ótimos quitutes e um atendimento fantástico. Mesmo a falta de mesas e cadeiras (come-se num balcão na área externa) não tiraram o charme do local. Logo após o café, partimos para o porto para tomarmos o ferry com destino a Atenas e acabamos passando o dia todo praticamente no ferry. Ao chegarmos em Atenas, já no final da tarde, nos hospedamos na região de Omonia e fomos dar uma volta na região mais turística da cidade. Mais tarde paramos no O Thanasis para jantarmos.

Dia 7 – Sexta

Levantamos bem cedo, tomamos café na Attica Bakery da Praça Omonia, quem tem muitas opções de pães, doces, salgados, e mais um monte de comidas locais (voltariamos mais tarde para o almoço inclusive) e fomos fazer os passeios turísticos. Passamos pela Praça Monastiraki ainda vazia e depois fomos para a Acrópolis, que já tinha uma fila considerável para comprar o ticket de acesso. Passeamos por toda a Acrópolis por umas duas horas e depois fomos caminhar pela Dionysiou Areopagitou, um calçadão que margeia a área da Acrópolis.

Existe um parque sem nome neste calçadão e resolvemos caminhar um pouco por ele, subindo até uma colina que dá vista para quase toda a cidade. No primeiro dia na cidade, já haviamos visto uma série de bares na Apostolou Pavlou. Os bares ficam de um lado da rua (que é fechada para carros) e existem mesas debaixo de tendas do outro lado. Como já tinhamos feito uma bela caminhada debaixo de um sol inclemente, resolvemos parar um pouco por ali, no Senso Café, para descansarmos e nos refrescarmos com uma cerveja (porque ninguém é de ferro).

Após um tempinho fomos continuar a turistada na Ágora antiga (Ancient Agora). Ágora é a parte das cidades onde as pessoas se reuniam para assembléias e para comercializar suas mercadorias. O local é hoje um sítio arqueológico onde se encontram, além de ruinas, a Estoa de Átalo, uma bela construção que foi usada para diversos fins ao longo de mais de dois milênios, e o templo de Hefesto.

Em seguida fomos até a biblioteca de Adriano, outro sitio arqueológico. A maior atração do local (na minha opnião) é a estátua da deusa Nike, que é a deusa da vitória (agora sabemos de onde vem o nome da marca esportiva). Depois da biblioteca de Adriano, fomos ate a Ágora Romana, que tem este nome pois era a Ágora durante o domínio do Império romano na região. Finalizando assim os passeios pelos sitios arqueológicos.

Depois de almoçarmos, fomos dar uma volta na Avenida Omonia (ou Omonoia, vi as duas grafias), que é uma região menos turística, com comércio local, universidades e uma loja multimarcas de luxo. Voltamos então para a região de Plaka e ficamos dando umas voltas por ali, até o cansaço bater e resolvermos sentar novamente na Plaka escadaria, desta vez no Apollonia lyra para algumas cervejas e para olhar o movimento. Ainda fomos jantar na Ágora Square antes de voltarmos para o hotel e nos prepararmos para a próxima “perna” da viagem.

Observações, dicas e considerações:

  • Atenas
    • Logo nas primeiras horas em Atenas, presenciamos o furto de um celular. Um “trombadão” aproveitou um turista menos atento fazendo selfies, passou a mão no celular e fugiu. Ou seja, não dê mole pro azar, em lugar nenhum do mundo (bem, em Cuba ao menos nao tem este problema).
    • O acesso à Acropolis custa 20 euros, porém existe a opção do multi-site ticket, que custa 30 e dá acesso a outros sites, como a Ágora Antiga, Ágora Romana, Biblioteca de Adriano, entre outros. Ele é válido por 5 dias consecutivos (fazer tudo em um dia como fizemos pode ser bem cansativo).
    • Visitando a Estoa de Átalo descobri o porque do uso massivo de mármore: dentro da estoa estava quase uns 10 graus mais fresco que fora dela
  • Mykonos
    • Mykonos venta pra caramba, então é bom tomar cuidado com chapéus e andar sempre de óculos escuros
    • O uso das cadeiras nas praias é pago. Em Ornos custavam 25 euros as mais baratas, podendo chegar até 50 dependendo do bar e da proximidade com o mar. Infelizmente existe pouco espaço nas praias para quem leva a própria cadeira ou nem faz questão delas, geralmente nos cantos das praias. Ornos é considerada a praia mais tranquila para quem quer relaxar e/ou aproveitar a água (que nem é tão quente como eu imaginava)
    • Para quem chega bem cedo, existe a possibilidade de tomar café da manhã na praia, que é servido por quase todos os estabelecimentos
    • O centrinho (Fabrika, em Chora) parece aqueles filmes que retratam países de terceiro mundo: um monte de gente, diversos tipos de transporte, mas tudo se ajeitando “organicamente”
    • Dirigir por lá deve ser uma aventura, pela diversidade de veículos (onibus, vans, scooters, buggies, carros de passeios, etc.) e de motoristas
  • Santorini:
    • É um festival de sobe e desce e muitas curvas para se locomover na ilha
    • O solo lembra bastante o do Hawaii e de Iceland
    • Como já explicado, dá para fazer city tour usando somente transporte público. Além de mais barato, é bastante divertido observar os motoristas e cobradores. Muita gente faz isto (em Mykonos também)
    • Perissa (mais calma) e Kamari (mais agitada) são os melhores lugares para se hospedar
  • Geral:
    • Como explicado no post sobre a Islândia o grego tem um fonema parecido com o “TH” do inglês, só que no grego ele se pronuncia praticamente como um “F”, que é como uma boa parte dos brasileiros pronunciam o “TH” ao falar ingles. Entao Thera se pronuncia Fira mesmo
    • Apesar de ser um idioma totalmente estranho ao meu ouvido, existem algumas palavras no português que tem origem grega. Biblios é livro, e catálogo é o menu dos restaurantes. O engraçado é que no português usa-se catálogo para tudo, menos para comida em restaurantes
    • Tem uma lei interessante para evitar evasão fiscal na Grécia: se não te darem a nota fiscal você não é obrigado a pagar. Então não estranhe se num restaurante, a cada cerveja ou prato pedido, eles trazerem a nota. É só ir juntando e pagar tudo no final
    • Tem muito gato em todos os lugares. Dando uma pesquisada aprendi que é bem normal nos países situados no mediterrâneo e é algo cultural. Normalmente os gatos ficam livres e são eles que “adotam” umas duas ou três casas para aparecerem quando não acham comida na rua. Outro motivo é que eles controlam a população de roedores
    • O sistema de ferries na Grécia é algo singular. Não faça muitos planos contando com a assertividade deles, pois sempre existem mudanças de última hora, tanto nos horários quanto nos trajetos, já que as vezes eles juntam duas linhas diferentes (inclusive de empresas distintas) em uma só. Por isto também é bom chegar com pelo menos uma hora antes e ficar sempre verificando se não existe mudança de horários e itinerários. E quando o ferry aporta, bora correr para colocar a mala em um lugar adequado e para garantir um assento bom (esqueça a marcação de assentos)
    • Nos restaurantes não gostam muito de aceitar cartão de crédito, então quando você pede uma máquina eles já fazem uma cara feia (alguns nem aceitam). A cara só não é mais feia do que quando você pede a senha do wi-fi, o que inclusive negam muitas vezes, alegando que é só para uso do restaurante (para as maquininhas de cartão de crédito que eles se recusam a usar)

Be happy 🙂

Wanderlust #54 – Providence, Rhode Island (12/51)

(10/08/2018-12/08/2018)

Rhode Island é o menor estado americano (em área). Fica localizado no Nordeste dos EUA na região conhecida Nova Inglaterra, que também engloba os estados de Massachussets e Connecticut.  Sua capital, Providence, é também a cidade mais populosa, com quase 180 mil habitantes (o estado todo tem pouco mais de 1 milhão).

Chegamos na cidade no início da sexta-feira e fomos passear em downtown, primeiro passando pelo belo edificio da Rhode Island State House.  Em seguida caminhamos pela beira dos rios Woonasquatucket e Providence e caimos em Providence downtown. Como em outras cidades da Nova Inglaterra, os edifícios da parte central lembram bastante a Inglaterra original. A região vem passando por uma revitalização, com imóveis mais novos contrastando com os antigos. A área também é repleta de arte de rua.

Passamos ainda pelo Burnside Park e pelo Waterplace Park, um parque construido na beira do Woonasquatucket. Dali fomos tomar umas na Union Station Brewery que tem ótimas cervejas. Depois, ainda fomos conhecer a Trinity Brewhouse. Interessante que na Trinity voce pode levar sua bebida até a calçada.

No segundo dia estava garoando, mas fomos passear na Brown University e na Thayer Street, ambas na região de College Hill. Por ficar ao lado da universidade, a rua conta com bastante restaurantes, cafés, livrarias e lojas diversas. De lá atravessamos novamente downtown e fomos até a Federal Hill, que também conta com bastante restaurantes e comércio em geral na Atwells Ave, sua rua principal.

Caminhamos então até a Long Live Beerworks e assim que paramos desabou uma chuva torrencial, o que foi uma boa desculpa para nos abrigarmos por mais um tempo na cervejaria. Em seguida voltamos a downtown e paramos na The Malted Barley.  Como já tinhamos conhecido tudo, voltamos na Union Station para tomarmos novamente uma Cream Ale de Blueberry (que inclusive era servida com a fruta) que tinhamos experimentado no dia anterior e que estava muito boa. Os pratos do local também são muito bons. E ainda deu tempo de passar novamente na Trinity para experimentarmos mais algumas das cervejas produzidas por eles.

A cidade é realmente pequena e não tem muitos atrativos. Não recomendaria “perder tempo” para quem está só de passagem pela região, mas se dentro da programação estiver Boston e New York, vale a pena uma passada por algumas horas em Providence no caminho entre as duas cidades.

Observações, dicas e considerações:

  • Foi a primeira vez que ficamos numa Guest House, a Christopher Dodge House. Experiência bem interessante.
  • A cidade é realmente pequena, sendo possível percorre-la toda a pé. Como existe uma grande universidade e mais umas 4 facudaldes, imagino que tudo gire em torno da vida academica. Realmente uma “cidade universitária”.
  • Talvez o fato de ser uma cidade universitária explique o tanto de cervejarias existentes em Providence. Visitamos quatro delas e ainda faltaram duas, isto só em Providence mesmo. Ainda existem mais na região metropolitana.

Be happy 🙂

Wanderlust #53 – Islândia

(11/07/2018-14/07/2018)

Nunca tinha pensado em visitar a Islândia e o país nunca esteve na minha lista de destinos. Mas depois de assitir a série Sense 8 da Netflix e de ouvir alguns colegas de trabalho falando bem do destino, fizemos umas pesquisas e resolvemos conhecer. E que bela surpresa!

Chegamos em uma quarta-feira de manhã com uma baita chuva. Como o check-in do hotel seria só depois das 15:00, deixamos o carro em um estacionamento no centro de Reykjavík e fomos dar uma volta com chuva e tudo. Inicialmente chovia bastante, então tivemos que ficar debaixo de uma marquise até a chuva dar uma amansada. Na primeira oportunidade, fomos andar pela região central da cidade. Depois caminhamos até a Hallgrimskirkja, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Em seguida voltamos para o centro para fazer mais uma hora até dar o tempo do check-in.

Após o check-in feito, como já tinhamos praticamente conhecido tudo o que tinhamos programado para o dia, fomos até o Icelandic Craft Bar, um bar muito charmoso, que só serve cervejas locais. Fizemos o sample e fomos assistir ao jogo entre Croácia e Inglaterra no Bjarni Fel Sports Bar. Ainda continuamos a peregrinação no The English Pub. Umas 23:00hrs, com o dia ainda claro mas caindo de sono, voltamos ao hotel para descansar.

Na quinta-feira, como já programado, fomos fazer a road trip pela parte sul da ilha. Primeiro passamos por Seljalandsfoss e Skógafoss, duas quedas d’água fantásticas. A duas são maravilhas da natureza de literalmente deixar de queixo caido. Continuando o passeio, passamos por Vik, onde paramos na Black Sand Beach, que como o nome diz, tem areia preta de origem vulcânica. Infelizmente a chuva e a neblina não nos deixaram ver a Reynisdrangar, uma formação rochosa bem no meio do mar. Seguimos a viagem, parando por alguns pontos no meio da estrada até chegar à Diamond Beach e Jökulsárlón. Jökulsárlón é um lago onde existem icebergs que se descolam do glacial ali presente e ficam boiando no proprio lago, que é ligado ao mar por um canal. A cor azulada dos grandes blocos de gelo é fantástica. Pequenos pedaços que se espalham na beira do lago e na praia são bem translúcidos, como diamantes (daí o nome da praia). Depois do lago, voltamos um pouco no caminho para nos hospedarmos no Fosshotel Nupar onde pernoitamos. Imagino que o hotel seja bastante procurado durante o inverno por quem tem a intenção de assitir a aurora boreal.

Na sexta-feira, fomos completar a viagem, agora na parte central da ilha, num circuito turístico conhecido como Golden Circle. Primeiro passamos pelo Kerið, a cratera de um vulcão extinto onde existe atualmente um lago no fundo e onde eventualmente ocorrem alguns eventos. Infelizmente estava garoando e ventando muito forte, então decidimos nem descer até o fundo. De lá seguimos para Gullfoss, uma queda d’água enorme, bem maior que as anteriores e onde, diferentemente delas, o passeio é feito somente na parte superior. Na volta paramos no Geysir, que sinceramente achei meio sem graça. De lá fomos até o Þingvellir National Park, que é simplesmente fantástico. O local era usado para reuniões dos representantes dos povos/tribos que já habitavam a ilha há alguns séculos, quando estes tinham que decidir sobre algo, e portanto é um sitio arqueológico. Além disto também é o local de junção de duas placas tectonicas, que inclusive já espremeram uma estrada que passava por ali. De volta a Reykjavík fomos conhecer o Skúli Craft Bar, também especializado em cervejas locais.

No sábado bem de manhã fomos finalmente conhecer uma das principais atrações da Islândia, a Blue Lagoon. Ela fica bem próxima ao aeroporto e por isto muita gente resolve visitá-la na chegada ou na saída, já que eles contam até com armários para guardar bagagens. Bem diferente você pegar uma “piscina” aquecida (naturalmente) com a temperatura externa próxima do zero. É interessante reservar com antecedência, pois além do acesso ser controlado pra não lotar, também é possível pegar descontos (falha nossa, deixamos para ver isto na véspera).

Voltamos ao hotel para deixar a roupa de banho e fomos dar uma volta pela shore walk, um calçadão à beira da baía da cidade. Passamos pela Harpa, um belo prédio onde acontecem concertos e fomos comer o famoso hot-dog da Bæjarins Beztu Pylsur, que é bom mas não faz juz à fama (nem tinha purê!). De repente o sol resolveu aparecer (depois de dois meses, segundo os locais). Não era aquele calor, mas ao menos já dava pra andar só de camiseta para aproveitar o calor de 15 graus.

No caminho para o Old Harbor, que conta com uma pequena vila com bares, restaurantes e lojas de souvenirs, acabamos topando com o Kolaportið Flea Market. Flea markets e mercados centrais são sempre interessantes para conhecer um pouco da cultura local. Já no porto, notamos muita gente tomando sorvete (estava 15 graus! Calor caramba!) e acabamos encontrando a sorveteria Valdís, que estava relativamente cheia e vende ótimos sorvetes. Depois fomos até a cervejaria Bryggjan Brugghús e aproveitamos para tomarmos algumas cervejas produzidas por eles no deck externo. Mais algumas voltas depois paramos no MicroBar, um bar realmente pequeno, no subsolo de um restaurante. Eles não produzem cervejas, mas contam com algumas boas opções, tanto locais quanto importadas.

Para finalizar, voltando para o hotel, lá pelas 23:30, vimos um lindo por do sol (no lugar onde na verdade o sol não se põe). Quando viramos para o outro lado, fomos presentados com um belo arco-íris. E para variar, acabamos topando com um pedaço de Berlin: uma seção do muro, como vários existentes em toda a Europa, para que ninguém nunca se esqueça deste período triste da recente história do continente e da humanidade.

Para quem nunca tinha imaginado conhecer a Islândia estamos até pensando em voltar, desta vez no inverno para tentar ver a Aurora Boreal.

Observações, dicas e considerações:

  • A primeira observação: é frio! Mesmo no ápice do verão a temperatura de dia fica abaixo dos 10 graus. Os 15 que a gente pegou foram bastante atípicos. A boa notícia é que no inverno, devido as fontes geotérmicas debaixo de praticamente toda a ilha, a temperatura não é tão baixa, ficando na média dos 2 graus, exceto no Highlands (norte da Ilha) onde a altutide é maior. E chove pra caramba. Não uma chuva forte, mas aquela chuva fina e constante. E pelo jeito eles estão muito acostumados, porque simplesmente as pessoas andam na chuva sem guarda-chuva, capa, nada. Nem cobrir os carrinhos de bebê eles cobrem. Andam como se a chuva não existisse.
  • Por falar em Highlands, se a idéia é ir até lá, precisa obrigatoriamente alugar um carro 4×4.
  • E por falar em carro, à partir de duas pessoas, ele é a opção mais barata e mais flexivel para se locomover na ilha.
  • E por falar em barato, tirando o aluguel de carro e o combustível, tudo é bem caro. Uma cerveja num bar fica na faixa dos 14 dólares. Um lanche simples, na faixa dos 10. Um jantar um pouco mais elaborado, lá pelos 25 dólares. 
  • A cerveja (e qualquer bebida alcólica) é cara pois ela é supertaxada. Como é política nos países nórdicos, a comercialização de álcool e tabaco é bastante controlada. Em supermercados só se encontra produtos com no máximo 2,5% de teor alcólico e qualquer coisa acima disto é vendida somente nas Vínbúðin, as lojas estatais (ou então em bares e restaurantes, somente para consumo no local). Estas lojas tem horários bem restritos, inclusive nem abrindo aos domingos.
  • Quase não se usa dinheiro e o plástico (na maioria aqueles cartões que só enconstam) é usado para tudo. Não vi nenhum nativo usando dinheiro, só turistas.
  • Todo mundo fala inglês fluente. Mesmo! Eventualmente até entre eles. E na TV o que mais tem são canais da Inglaterra.
  • Nos postos de gasolina encontra-se de tudo: comida, roupas, souvenirs, itens de mercado, etc. (Chupa Posto Ipiranga!)
  • Algumas outras dicas ao dirigir: a velocidade máxima é de 90 km/h, mesmo nas poucas estradas com mais de uma faixa; o farol tem que estar aceso o tempo todo, mesmo na cidade e durante o dia; nas estradas, precisa tomar cuidado com animais (especialmente carneiros) atravessando a pista; várias pontes só tem uma faixa para os dois sentidos e a preferência para passar é de quem chega primeiro à elas.
  • A vegetação e as formações rochosas me lembraram muito o Hawaii. Provavelmente por ambas as ilhas serem resultado de explosões vulcânicas, o que deve “ditar” a flora.
  • Vale a pena subir os 429 degraus para chegar ao topo de Skógafoss. Se tiver tempo, existem algumas trilhas lá em cima também.
  • Roupa impermeável é indicada para as visitas as quedas d’água (e por conta da chuva também).
  • Boozt Bar é uma rede que vende smoothies feitos com skyr, um iogurte típico do país. Recomendo provar.
  • Fiquei imaginando do porque da Groelândia, que só tem gelo, ser chamada de Greenland (terra verde), enquanto a Islândia, que tem uma flora fantástica e é toda coberta de vegetação, ser chamada de Iceland (terra do gelo). Descobri que no caso da Islândia o nome de “terra do gelo” era dado para desestimular possíveis invasores vindos do continente. Acho que o inverso deve ocorrer com a Groelândia: deram este nome para atrair pessoas.
  • Esta história do sol não se pôr deixa o organismo realmente confuso. Imagina como deve ser no inverno, quando ele praticamente não nasce.
  • O Islândes tem uma letra que tem o mesmo fonema do “th” do Inglês, Þ, mas ele parece uma mistura de T com F com P que é praticamente impronunciável pra mim. Alguns meses depois visitando a Grécia (stay tuned!) descobri que eles também tem um fonema igual (Θ, theta), só que no grego ele se pronuncia literalmente como o F, que é como os brasileiros geralmente pronunciam o “th” do inglês (“fank” you!).
  • Nesta linha etimológica, também descobri que as palavras Falls (inglês), Foz (Português) e Foss (Islandês), além de terem praticamente a mesma pronúncia, também têm um sentido parecido, de água saindo de um lugar mais alto para um mais baixo, apesar das traduções literais diferirem.
  • Agora eu descobri de onde o Douglas Adam tirou inspiração para dar nomes aos planetas no seu Guia do Mochileiro das Galáxias.

Be happy 🙂

Dirk Gently’s Holistic Detective Agency – Douglas Adams (2/2019)

Em O Salmão da Dúvida e no Não Entre em Panico, duas biografias do Douglas Adams, explica-se um pouco de como ele costumava criar suas estórias. Basicamente ele criava pequenos contos, depois decidia onde iria encaixá-los (na série do Guia do Mochileiro, na série Dirk Gently, no Dr. Who) e depois ele costurava e ajustava estas pequenas estórias para o contexto do “pano” onde este retalho deveria se encaixar.

Dirk Gently’s Holistic Detective Agency é o primeiro livro da série Dirk Gently, que acabou tendo apenas dois livros. O terceiro seria o Salmão, que foi compilado postumamente à partir destes pequenos textos, alguns inacabados. Esta característica de diversas estórias costuradas é bem visível neste livro.

O pano de fundo é o assassinato de um milionário da indústria de software e à partir dai, as várias histórias são ligadas, sempre com aquela pitada de humor inglês característica de Adams. Como não podia faltar, o livro também tem ciência, misticismo, filosofia. Achei este um pouco confuso e demorado pra “pegar” um clima legal, especialmente porque uma das linhas (Eletronic Monk) acabou não se encaixando muito bem nesta colcha de retalhos.

Talvez isto tenha sido causado pelo fato de ser o primeiro dele que eu leio em inglês. Ou pela inevitável comparação com a série do Guia (que pretendo reler em inglês). Ainda assim é um Douglas Adams, e repetindo o que disse no texto de E Tem Outra Coisa…, foi um gênio que infelizmente nos deixou cedo demais.

Be happy 🙂

Identity: The Demand for Dignity and the Politics of Resentment – Francis Fukuyama (1/2019)

Francis Fukuyama é professor, escritor e cientista político e econômico. Muito famoso por sua defesa do liberalismo como forma de organização social, foi ele quem logo após a queda do muro de Berlin e da URSS decretou “a vitória do liberalismo”. Porém neste livro ele faz uma análise da ascenção recente de governos não-liberais, à direita (Turquia, Hungria e EUA, entre outros) e à esquerda (Venezuela, Russia), que colocam em risco as sociedades liberais. Ele tenta entender, da perspectiva do indivíduo, o que tem causado uma adesão em massa à estes movimentos iliberais que tanto ameaçam as democracias, inclusive as bem estabelecidas, como EUA e Reino Unido.

Mas antes de continuar, primeiro é preciso definir o que é o liberalismo clássico como filosofia de vida, e não somente a sua aplicação em economia. A filosofia liberal é apenas a filosofia do “viva e deixe viver”. Para que ela exista, todo indivíduo deve ser responsável pelas decisões que influenciam sua vida. Para isto ocorrer, todos devem ser tratados com igualdade, dignidade e respeito. A liberdade é o bem maior e deve ser defendida a todo custo. Um outro ponto importante a se frisar é que, de acordo com os “pais” do liberalismo, um indivíduo sozinho nao é capaz de garantir estes direitos, precisando se associar a outros indivíduos (no que pode se dado o nome de sociedade, cuja forma organizada normalmente resulta num Estado) afim de de fazê-lo.

Quando Fukuyama fala das democracias liberais isto engloba desde as sociais-democracias da Europa até a liberal-democracia norteamericana. O que define uma liberal-democracia, no conceito mais amplo do autor, é a premissa de que todos os seres humanos são iguais, todos devem ter as mesmas oportunidades e todos devem ter o máximo de liberdade possível. E para que isto ocorra no convívio em sociedade, a democracia é, até hoje, a melhor forma encontrada de organização social. Qualquer restrição às liberdades e qualquer ameaça à democracia acabará caindo ou no fascismo (autoritarismo à direita, que segundo Fukuyama, havia sido derrotado na segunda guerra) ou no socialismo (autoritarismo à esquerda, que havia sido derrotado quando da queda da URSS).

Porém, segundo o autor, tanto as sociais-democracias quanto as liberais-democracias têm falhado em suprir a necessidade que as pessoas têm de se sentirem parte de algo maior e de serem respeitados como invíduos. Os primeiros têm cada vez se concentrado em defender minorias “cada vez menores”, inclusive criando uma certa competição entre estas minorias é esquecendo que a sociedade e formada nao só por minorias, mas também por uma “maioria” que pode sentir colocada em segundo plano. Enquanto isto, os segundos se focaram na eficiência dos mercados achando que o bem estar financeiro seria suficiente e esquecendo que dinheiro só satizfaz os dois degraus mais baixos da famosa Pirâmide de Maslow.

O resultado está ai para todo mundo ver: bastante gente que, apesar da situação financeira confortável, se sente preterido em função de determinados grupos e que se acha no direito de ter uma posição privilegiada. Estas pessoas, que são maioria nas sociedades, são um alvo fácil para discursos nacionalistas ou religiosos que promovem justamente a segregação, afinal de contas, “nosso grupo” é melhor do que todos os demais, seja porque somos homens e/ou héteros e/ou brancos e/ou cristãos e/ou não-estrangeiros… E ai acabam partido para a tal democracia “iliberal” (numa tradução livre minha, uma “ditadura da maioria”), querendo impor seus valores para toda a sociedade (“as minorias que se curvem…ou simplesmente desapareçam”), colocando assim em risco os principais conceitos da filosofia liberal (de igualdade e liberdade) que deveriam reger as sociedades democráticas.

É um bom livro para tentar entender toda esta onda nacionalista que vem ocorrendo há pelo menos uns cinco anos e que, infelizmente, parece estar mais próxima de se espalhar do que de se retrair.

Be happy 🙂

Wanderlust #52 – Rehoboth e Wilmington, Delaware (11/51), Estados Unidos

(22/06/2018-24/06/2018)
Christina River, Wilmington

Nesta “missão” que nos demos (de conhecer o máximo de estados americanos possíveis) às vezes fica complicado de encontrar atrações em estados menos voltados para o turismo. Já havia acontecido com Connecticut e aconteceu novamente com Delaware, um pequeno estado na costa leste dos EUA, cuja maior cidade tem “incríveis” 70 mil habitantes (o estado todo tem cerca de 900 mil). Após dar uma pesquisada, decidimos passar uma noite na cidade costeira de Rehoboth, que recebe muitos turistas durante o verão, e outra em Wilmington, a capital de menos de 100 mil habitantes.

Saimos cedo para Rehoboth e depois de umas 4 horas dirigindo chegamos na cidade, onde estacionamos (ainda era cedo para o check-in) e fomos dar uma volta pelo boardwalk. O clima é como de qualquer cidade praiana que vive de temporada: restaurantes, sorveterias, lojas de tralhas de praia (brinquedos de areia, boias, guarda-sois, etc.), um monte de crianças e jovens em férias escolares e bastante idosos. Estava garoando um pouco, mas deu pra perceber que a praia e o clima lembram um pouco o litoral norte de São Paulo.

Depois do check-in, fomos conhecer Dewey beach, uma praia próxima que fica num istmo bem estreito (cerca de 200 metros) que separa o oceano Atlântico da Rehoboth bay. Demos uma parada no Rusty Rudder, de frente pra baia, para tomarmos umas cervejas. Uma pena que o tempo não estava ajudando, pois normalmente rola música ao vivo na grande área externa do bar.

Voltamos para o hotel para deixarmos o carro e fomos conhecer a cervejaria menos famosa da cidade, a Revelation Beer, que é bem aconchegante e tem ótimas cervejas. Estava rolando um som com dois caras tocando violão, bem num esquema “praiano” (um deles até de chinelo). Voltamos para a área mais movimentada e fomos conhecer o brewpub da Dogfish Head, uma das cervejarias mais famosas dos EUA, cuja sede fica em Milton (a uns 25 kilômetros de Rehoboth). O bar, que é bem grande e conta com 3 ambientes, estava bem cheio. Por sorte teve um show de uma banda bem boa e relativamente famosa no circuito alternativo dos EUA, chamada White Denim para animar a noite.

No segundo dia, tomamos café da manhã na cidade e fomos em direção a Wilmington. Paramos o carro na região central, mas estava chovendo bastante (mesmo!) e tivemos que ficar alguns minutos dentro do carro esperando a chuva parar. Quando conseguimos sair, ao passarmos pela Rodney Square, notamos que a praça estava cercada, havia um palco e algumas barracas, pois estava ocorrendo o Clifford Brown Jazz Festival naquele final de semana. Como iria começar mais tarde formos dar uma volta. Passamos no Riverfront Market, um pequeno “mercado central” com algumas lojas e restaurantes. Depois nos dirigimos ate a Stitch House Brewery pois iria chover novamente e lá conseguimos aproveitar para assistir ao jogo da Alemanha contra a Suécia pela Copa.

Voltamos então para a Rodney Square e acompanhamos um pouco do show. Depois fomos fazer o check-in no hotel, que ficava numa área um pouco periférica, mas ainda às margens do Christina River, que corta toda a cidade. Existe uma pista de caminhada que margeia o rio, passando por vários restaurantes, bares e pelo Constitution Yards, um beer garden onde existem algumas atrações, inclusive para crianças. Na volta, paramos no Timothy’s Riverfront Grill para jantarmos e tomarmos a saideira.

Como já disse, não é um estado que tenha muitas atrações turísticas, mas pretendemos voltar para pegar praia em Rehoboth no próximo verão.

Observações, dicas e considerações:

  • Pelo menos em Delaware, ao contrário de New Jersey, a praia é de livre acesso e de graça (sim, em New Jersey paga-se pra entrar na praia).
  • O estado de Delaware é tax free, ou seja, não existe o IVA (Imposto sobre Valor Agregado / VAT = Value-added tax) cobrado na maioria dos outros estados. É uma boa opção pra fazer compras para quem vai à Philadelphia (6% de IVA/VAT) ou está passando por lá no caminho entre New York (4%) e Washington (6% também).
  • Wilmington é praticamente colado na Philadelphia. Se alguém quiser se arriscar quando estiver visitando Philly dá pra fazer um bate e volta de boas. Se marcar dá até pra pegar um Uber.
  • Um negócio bem legal em Wilmington é que substituiram os parquímetros por um sistema eletrônico: voce baixa o aplicativo, cadastra sua placa, seu cartão de crédito e paga por ali. Dá pra deixar o carro sem preocupação com tempo, pois você pode colocar, por exemplo, duas horas de crédito, e ai quando faltarem 15 minutos para expirar o aplicativo te pergunta se você quer renovar e por quanto tempo.

Be happy 🙂

Born a Crime – Trevor Noah (13/2018)

Trevor Noah é um comediante e apresentador sul africano que “viralizou” há alguns anos atrás no Brasil por conta de um vídeo de standup sobre a colonização inglesa. Mas antes disto ele já fazia bastante sucesso no seu país natal e no Reino Unido e, já há alguns anos também nos EUA, onde apresenta um dos vários late night shows existentes na TV norte-americana.

Durante o Apartheid, regime segregacionista que existiu na África do sul durante boa parte do século 20, relações sexuais entre pessoas brancas e não brancas era um crime passível de punição de até 5 anos de cadeia. Por ser filho de mãe negra e pai branco nascido durante o Apartheid, Trevor é resultado de um ato ilegal, e isto explica o título do livro.

No livro, que é um misto de autobiografia e biografia da própria mãe de Trevor, ele dá um panorama do que foi o Apartheid visto de dentro. Melhor ainda, visto de dentro por alguém que era um pária dentro desta sociedade, ja que, apesar dos “colored people” (como eram chamados os “pardos”) terem alguns poucos privilégios em relação aos negros, eles normalmente eram isolados socialmente dos dois grupos (“too black to be white and too white to be black”). Além do retrato de uma sociedade onde o racismo era legal e foi implementado com planejamento, também mostra uma sociedade extremamente machista e cheia de crendices e mitos associados às religiões (tribais e ao cristianismo).

Apesar de não ter um intuito de “autoajuda” ou algo do tipo, ele acaba trazendo algumas “mensagens motivacionais” e alguns exemplos de como Trevor e sua mãe se adaptaram às situações a que eles foram submetidos afim de quebrar o ciclo de pobreza na qual todo não-branco era vítima na África do Sul. Um dos fatos que os ajudaram a quebrar este ciclo foi ambos serem fluentes em várias das línguas faladas no pais (Inglês, Afrikaner, Xhosa, Zulu, entre outras). A pegada de humor do livro também é muito boa (não poderia ser diferente).

Infelizmente o livro ainda não foi traduzido para o Português, mas existe a possibilidade do e-book. Tambem existe o audiobook, narrado pelo próprio Trevor, que segundo alguns reviews que eu li é melhor ainda que do livro, pois trata-se de um apresentador/comediante contando a própria história, ou seja, deve ter um ritmo bom e as partes cômicas devem ficar ainda mais interessantes.

Be happy 🙂

Ernest Hemingway – The Old Man and the Sea (12/2018)

O Velho e o Mar é um curto romance do Nobel de Literatura Ernest Hemingway.  Ele conta a história de Santiago, um velho pescador de Havana que já está há quase três meses sem conseguir pegar um bom peixe, o que é associado ao azar. Porém no 84º dia ele se depara e consegue fisgar o maior peixe da sua vida (um Marlin).  À partir dai o livro descreve a luta do velho pescador com este peixe e, mais do que isto, contra toda a natureza. Mas não só a natureza externa, mas a própria natureza de envelhecer, já que a idade cobra o seu preço a Santiago, tanto física quanto psicológica e emocionalmente.

Foi o primeiro livro que eu lí do Hemingway e a primeira impressão foi muito boa. A narrativa é bem fluida e em boa parte sai da “boca” do próprio personagem (seja em forma de pensamento ou de falas propriamente). O autor usa parágrafos bem curtos e que vão direto ao ponto, sem deixar de lado um nível de detalhes impressionante. Fiquei curioso pra conhecer outras obras dele.

Be happy 🙂

Wanderlust #51 – Chicago, Illinois (10/51), Estados Unidos

(25/05/2018-28/05/2018)

Chicago Riverwalk

Aproveitamos o feriado do Memorial Day e uma promoção de passagem aérea para conhecer Chicago, que muitos dizem ser a cidade mais legal dos EUA. Confesso que meu coração, atualmente dividido entre New York e Los Angeles (novamente), ficou abalado. A começar pelo belo O’Hare International Airport, muito bem decorado com bastante luz natural e trechos com neon e grafite. Bastante alegre, como deve ser a porta de entrada de qualquer cidade. O fato de também ter um metrô que liga o Aeroporto à Zona Central (e a praticamente qualquer lugar da cidade) é um ponto a mais em relação à Los Angeles (New York neste quesito ainda é imbatível dentro dos EUA).

Após o check-in no hotel, fomos dar uma volta pela região central (downtown), também conhecida como “The Loop” pelo fato dela ficar entre um quadrilátero formado por duas linhas circulares de trem, daquelas suspensas (um looping, já que os trilhos não tem fim, parecendo um ferrorama). A região conta com bastante lojas, comércio e uma universidade, então está sempre bem movimentada. Como era a última sexta-feira do mês, estava rolando uma Critical Mass, que é um evento que ocorre em várias cidades do mundo todo, sempre na última sexta de cada mês. Neste evento, os ciclistas “tomam” as ruas da cidade, preferencialmente no horário de pico. É uma forma de “marcar” território sobre os veículos automotores.

Depois da volta no centro, com direito a um sorvete, pois estava bem quente, fomos percorrer o Chicago Riverwalk que é tipo um parque linear às margens de um dos rios da cidade. Neste “parque” existem bares, restaurantes, espaços para simplesmente sentar e relaxar e mesmo os donos de barcos apenas param na margem para curtir o clima (existe a possibilidade de alugar um barco também). Como paulistano dá uma inveja danada quando eu vejo algum rio que corta uma metrópole sendo aproveitado ao invés de ser escondido ou usado como esgoto. Fomos procurar algum lugar para beber e acabamos caindo num bar meio sem graça que até esqueci o nome. Sinal que nem valeria a pena recomendar.

No sábado acordamos cedo, tomamos café e fomos conhecer o Millennium Park e mais uma série de parques contíguos a este (North Park, South Park, North Rose Garden), que formam um belo conjunto de lazer às margens do enorme lago Michigan. Depois andamos pela margem do lago até o Navy Pier. O caminho também pode ser feito de bicicleta, já que existe uma ciclovia que percorre toda a margem. No Navy Pier existem várias atraçoes, como parque de diversões, restaurantes e bares. Interessante que dá pra beber ao ar livre na área do pier. Continuamos andando, passando pela Ohio Street Beach e pela Oak Street Beach, duas das diversas praias existentes à margem do lago.

Em seguida, com o sol já a pino, nos dirigimos até Old Town, um distrito cheio de bares, atêlies, restaurantes, etc. Demos uma parada na Old Town Pour House para acompanhar a final da Champions (infelizmente o Liverpool perdeu). Dali, já no início da noite, nos dirigimos para a Goose Island, onde a tradicional foto foi feita, excepcionalmente, com a camisa do Liverpool.

No domingo já haviamos decidido conhecer a região da Logan Square e a Milwaukee Ave, que também conta com uma série de cafés, bares, atêlies, entre outras atrações. Descemos na estação Division St da Blue Line e resolvemos caminhar pela avenida os pouco mais de 4 kilometros até a Logan Square. Não foi lá uma idéia muito boa, pois o sol estava escaldante e a avenida tinha pouca sombra. Quase desistimos durante o percurso. Ainda bem que não desistimos, pois no meio do caminho conhecemos a Bloomingdale Trail, que é um parque contínuo construido sobre uma linha de trem desativada, igualzinho ao High Line de Nova Yorque. Esta trilha liga diversos parques, na chamada Rota 606. Também passamos pelo famoso Grettings from Chicago mural. Finalmente chegamos a Logan Square, que na verdade não tem nada demais, mas ao menos estava ocorrendo uma Farm Market. Depois voltamos alguns metros pela Milwaukee Ave para tomarmos uma cerveja na Revolution Brewing. De lá, como já tinhamos conhecido tudo que haviamos planejado, terminamos a trip na
Forbidden Root Restaurant & Brewery, uma ótima cervejaria, com petiscos muito bons.

Chicago me deu a impressão de ser uma cidade muito legal, daquelas que valeria a pena morar. Só agora escrevendo este artigo eu fui perceber que ela é a cidade dos EUA (das que eu conheço) que mais se assemelha a Berlin em diversos quesitos, como arquitetura, existência de vários parques, transporte público abrangente e com uma diversidade enorme. Talvez por isto ela tenha me encantado logo de cara.

Observações, dicas e considerações:

  • Chicago é onde foi filmado o clássico Curtindo a Vida Adoidado. Aquela cena dele cantando Twist & Shout e bem no The Loop. E reassistindo agora o vídeo percebi que se tratava de uma Oktoberfest….hahaha.
  • A cidade aparenta ser bem tolerante e diversa em todos os quesitos (etnias, LGBT, imigrantes, etc.).
  • No hotel em que ficamos estava rolando uma convenção da Mapfre da Espanha, um dia subindo de elevador entraram alguns espanhois e começaram a falar. Quase puxei um “bella ciao” (estava assistindo La Casa de Papel na época….kkk).

Be happy 🙂

O’Hare International Airport

O’Hare International Airport

New East Side

The Loop

Muddy Waters by Kobra – The Loop

The Loop

Millennium Park

Millennium Park

Buckingham Fountain

Lake Michigan

Navy Pier

Lake Michigan

Ohio Street Beach

Old Town

Lincoln Park South Fields

Bloomingdale Trail