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Wanderlust #65 – Charlotte and Raleigh, North Carolina (15/51)

(29/08/2019-02/09/2019)

Wow! Já faz um tempão desde o último Wanderlust.

Como já disse antes, nesta saga de tentar conhecer todos os 50 estados norte-americanos (mais DC e alguns territórios) e já tendo conhecido os principais que podíamos conhecer de carro, cada novo feriado ou férias significa um tempo considerável tentando conciliar um estado novo com clima agradável e passagens a preços acessíveis.

Desta vez estávamos entre as Carolinas (Norte e Sul) e até pensamos em já fazer as duas de uma vez, mas depois de pesquisarmos um pouco resolvemos, felizmente, nos concentrar na do Norte. Apesar de não ser um estado muito grande e nem tão turístico, ele nos reservou algumas boas surpresas.

Dia 1 – Charlotte

Nesta de procurar passagens, encontramos as mais em conta pra Charlotte, que pelo que havíamos pesquisado, não tinha lá muitas atrações. Então planejamos ficar apenas os dias em que iriamos voar e nem nos preocupamos muito com localização de hotel. Pegamos um Super 8, uma rede de motéis bem simples. Só lembrando que motel nos EUA é apenas um hotel com estacionamento para carros, geralmente na beira de estrada e cujo proposito maior é apenas pernoitar durante viagens longas (motel = motor + hotel).

E como chegamos já de noite, apenas nos registramos e fomos comer algo (e tomarmos umas cervejas de leve).  Já havíamos mapeado a The Brass Tap, que é uma rede de franquias de bar de cervejas artesanais que tinha uma quantidade razoável de taps (acabei de descobrir que a unidade de Charlotte não existe mais, infelizmente não deve ter resistido à pandemia)

Dia 2 – Charlotte-Raleigh

Antes de pegar a estrada no outro dia em direção a Raleigh (lê-se “Róulei”), demos uma passada em Charlotte Downtown para aproveitarmos a passagem pela cidade. Além dos prédios comerciais a região conta com algumas praças e um museu. Ainda conta com bastante arte espalhada pelas ruas: esculturas, grafites, etc. Encontramos até um Urso Berlinense (United Berlin Bear).

Após a rápida visita no centro de Charlotte, dirigimos quase três horas até Raleigh. Lá ficamos hospedados num Holiday Inn bem no centro da cidade. O prédio é interessante, redondo, lembrando o Edifício Dacon, em São Paulo, onde trabalhei entre 2004 e 2006.

Depois do check-in feito, fomos dar uma volta no centro da cidade e logo em seguida, já no meio da tarde, passamos na ótima Crank Arm Brewing Company , cuja temática é bicicleta. “crank arm” é o termo em inglês para pé-de-vela – que acabei de descobrir agora que na verdade se escreve “pedivela” – que são aqueles “braços” onde são encaixados os pedais da bicicleta e que se conectam à coroa. Além de ótimas cervejas e da pipoca “digrátis” (“você disse pipoca?”) uma outra atração da cervejaria é a agradável área externa.

De lá caminhamos até Glenwood South, o bairro boêmio da cidade, que conta com diversos restaurantes, bares e baladas. Uma parada obrigatória na cidade é o Raleigh Beer Garden um bar e restaurante que conta com 366 taps! Se colocar como meta experimentar uma por dia, precisaria de um ano bissexto para provar todas. Claro que as cervejas estão sempre mudando, mas seria um desafio interessante.

Já no final da noite, fomos comer no La Santa Modern Mexican Food.

Dia 3 – Raleigh

No sábado, como tínhamos o dia todo em Raleigh, fomos conhecer a cidade “de verdade”, primeiro passando pelo capitólio do estado, que ficava próximo ao hotel. De lá fomos procurar algum lugar para tomar café da manhã e acabamos parando no charmoso Sir Walter Coffee.

Após o café fomos dar uma olhada na Moore Square, que é bastante frequentada por pais levando suas crianças. Próximo a praça fica o City Market, um conjunto de uns 3 quarteirões com lojas, cafés, livrarias. Vale uma passada se tiver tempo.

E aí voltando para a região do hotel nos deparamos com uma das melhores surpresas: estava rolando o African American Cultural Festival na Fayetteville street, uma das principais vias da cidade. Tinha bastante barracas de artesanato, música, barracas com temática de países da África e do Caribe. Muito legal! E já que estávamos na região do centro e existia uma outra cervejaria por ali, demos uma passada na Trophy Brewing Tap and Table para tomarmos uma (literalmente), só pra refrescar.

Na sequência fomos visitar o bem montado North Carolina Museum of Natural Sciences, cuja entrada é gratuita. É uma mini (bem mini) versão do Museu de História Natural do de New York. Outra atração bem interessante, especialmente para crianças e quem curte ciência.

De lá voltamos na Crank Arm para experimentarmos algumas das cervejas que não tínhamos experimentado no dia anterior e para aproveitarmos o sol pra umas cervejas ao ar livre. Demos uma andada no Warehouse District, um bairro industrial (como o nome diz) que está sendo revitalizado com lojas, espaços de co-working, etc. E de lá fomos conhecer a Clouds Brewing que nos pareceu bem fraquinha pra ser sincero.

Nas duas vezes que fomos na Crank Arm e andando pelo Warehouse District, sempre sentíamos um cheiro de barbecue (do churrasco mesmo e também do molho). Se tratava do The Pit Authentic Barbecue , e foi uma ótima opção para degustar um legitimo churrasco texano.  Bem na esquina em frente ao hotel, havia uma loja de cervejas (State Beer). Então claro que paramos lá pra saideira de Raleigh, já que no outro dia iriamos voltar para Charlotte.

Dia 4 – Raleigh-Charlotte

No dia anterior, quando fomos tomar café no Sir Walter, o pedido demorou quase uma hora para chegar. Por conta disto, mesmo sem termos reclamado, nos ofereceram um voucher. Então fomos “obrigados” a voltar no domingo, antes da viagem de volta pra Charlotte.

Retornando a Charlotte, antes de nos dirigirmos ao hotel para fazer o check-in (já que o nosso voo de volta só seria na segunda feira de manhã), demos uma passada no Freedom Park, que pelo que havíamos pesquisado era a atração turística mais famosa da cidade. Demos uma passeada pelo belo parque debaixo de um baita sol e na sequência fomos almoçar e dar mais um passeio em Downtown para enrolar até o horário do check-in.

Como não havíamos achado muitas atrações em Charlotte, havíamos decidido fazer uma via sacra em algumas cervejarias locais. E aí acabamos descobrindo que realmente existe uma “brewery trail” na cidade.

Primeiro passamos na Lenny Boy Brewing Co, que tem grande área externa, mas que já estava lotada (como a cervejaria inteira) quando chegamos. Além das ótimas cervejas, eles também produzem kombucha (e inclusive oferecem drinks com a bebida). Aos domingos geralmente rolam promoções (e talvez por isto estivesse tão lotada).

Continuando então nossa peregrinação, fomos até a Sycamore Brewing que também tem uma área externa enorme (maior até do que a Lenny Boy). A cervejaria é legal, mas infelizmente as cervejas eram servidas em copos de plástico barato, daqueles que influenciam o gosto. Entendo que com uma área externa daquele tamanho, copos de vidros são inviáveis, mas podiam ao menos utilizar aqueles copos de plástico mais rígido e transparente, próprios para cerveja. Ou então usar um sistema de Pfand igual na Alemanha, que reduziria o problema do custo do furto (mas não o de ter que lavar centenas, provavelmente milhares de copos, num dia cheio).

E ao fundo da Sycamore encontramos a pérola da cidade: existe uma linha de bonde (trolley/tram) e ao lado desta linha uma pista de caminhada e corrida. Resolvemos caminhar por ali até a próxima parada. As margens desta pista/linha têm alguns bares, sorveterias, restaurantes. Estava também bastante movimentada, com casais, grupos de jovens, pessoas passeando com seus cães, todos aproveitando o ótimo domingo.

Para finalizar o tour, passamos na Wooden Robot Brewery, que também tem ótimas cervejas. Depois de um sample na Wooden Robot, restou só voltar a The Brass Tap (que ficava ao lado) para jantar e tomar a saideira.

16 de Janeiro de 2021

Devido as restrições de viagem por conta da pandemia decidimos passar o final de 2020/começo de 2021 na Flórida. Fomos de carro de New Jersey, num trajeto de mais de dois mil quilômetros. Para não dirigirmos 24 horas direto (mesmo revezando seria muito cansativo), paramos para pernoitar no meio do caminho (tanto na ida como na volta). Na volta, escolhemos Raleigh, pois já conhecíamos a cidade.

A ideia era chegar, fazer o check-in, ir tomar umas na Crank Arm e depois ir jantar em algum lugar. Assim que fizemos o check-in e fomos caminhar até a cervejaria, notamos muito movimento praquele horário (especialmente no inverno). Já sentados e com uma cerveja, começamos a procurar algum lugar para jantar e não encontrávamos nenhum que ficava aberto até tarde. Fui dar uma googlada e descobri que, devido à pandemia, a cidade estava com toque de recolher as 22:00hrs (com a última bebida servida até as 21:30, no máximo). Claro! Como não imaginamos isto?!?! Acho que ficamos tão habituados com a “normalidade” da Flórida que quase esquecemos que estávamos no meio de uma pandemia.

O movimento anormal era apenas a galera curtindo balada antes do toque de recolher!

Tivemos que fechar a conta rapidamente na Crank Arm e saímos correndo atrás de um lugar pra comer. A primeira tentativa foi falha, pois a Tobacco Road Sports Cafe & Brewery já não estava mais aceitando clientes. Atravessamos a rua e fomos na Clouds, sem saber que era a mesma cervejaria que havíamos conhecido anteriormente (e que não havíamos gostado muito). A hostess nos ofereceu um lugar no balcão e, após pedirmos a primeira rodada, bateu aquele: “eita! Acho que a gente já veio aqui”.

Coincidentemente o lugar no balcão era exatamente o mesmo onde havíamos nos sentado 1 ano e meio antes. Mas desta vez achei até legal, tanto pelo atendimento, quanto pela ótima porção de nachos com bratwurst (um dos vários estilos de salsicha alemã, que neste caso é preparada assada), uma mistura que ficou bem interessante.

Observações, dicas e considerações:

  • Notei muitos fãs do Liverpool nas duas cidades. Havia muita gente passeando com camisa e muitos estabelecimentos tinham bandeiras e flamulas. Não consegui descobrir a razão.
  • Em Raleigh a bicicleta e muito usada como meio de locomoção e talvez isto explique o porquê de existir uma cervejaria com a temática na cidade.

Be happy 🙂