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Wanderlust #42 – Porto, Aveiro e Vila Nova de Gaia – Portugal (Parte I)

(23/Jun/2017-27/Jun/2017)

Cais da Ribeira – Porto

Chegamos no Porto propositalmente no dia da Festa de São João. A festa é o maior evento da cidade, atraindo mais de um milhão de pessoas de todo o mundo. Já no aeroporto havia uma recepção de organizadores da festa distribuindo os tradicionais martelinhos (explico abaixo) e o calendário das atrações, que contava com vários shows na Avenida dos Aliados e a tradicional queima de fogos no Cais da Ribeira (as barcas com os fogos ficam no Rio Douro). Este ano os balões foram proibidos devido ao tempo seco e a onda de calor, que haviam causado uma tragédia em Pedrógão Grande poucos dias antes.

Dia 1
Após chegarmos na cidade, numa sexta-feira, demos uma rápida volta na região do hotel Mira D’Aire, onde haviamos nos hospedado (ótimo, por sinal), comemos algo e fomos em direção ao Cais da Ribeira para acompanhar a festividade. Não vou dizer que gostei. Ao menos não do “evento principal” (a queima de fogos): tem que chegar cedo, lota demais, não tem banheiro e para “ajudar” ainda houve um atraso de quase meia hora na queima de fogos. Pelo que já me falaram do réveillon em New York, é meio que a mesma roubada (quer dizer, se colocar o frio, provavelmente NY é até pior). Talvez os “eventos paralelos” sejam mais interessantes.

Dia 2
No sábado começou realmente o passeio pela cidade. Saímos da freguesia (equivalente aos bairros brasileiros) da Cedofeita, e fomos em direção à Praça dos Leões, onde fica a Universidade do Porto e a bela Igreja do Carmo, cuja lateral é coberta por aqueles tradicionais azulejos desenhados em azul (será que dai vem a palavra azulejo?) e branco. Passamos pelo Jardim da Cordoária, pela Torre dos Clérigos, a Praça de Lisboa e depois fomos em direção à Avenida dos Aliados.

Depois fomos até a estação de trem São Bento para comprarmos as passagens para  Aveiro. A estação também é toda revestida com belas imagens feitas com os famosos azulejos. Vale perder um tempo admirando os detalhes das paredes e do teto. Na sequencia, subimos até a Sé do Porto, de onde se tem uma bela vista da cidade (e de Vila Nova de Gaia). E claro, do Rio Douro, que separa as duas cidades. E aqui vale um comentário: a paisagem do Rio Douro é uma das mais belas que eu já tive a oportunidade de ver.

Cruzamos o Douro pela parte superior da Ponte Luís I, que junto com o próprio rio e as duas cidades vizinhas, formam uma das paisagens mais icônicas da Europa. Já do lado de Vila Nova de Gaia, caminhamos pela beira do rio e podemos ter uma ótima visão da cidade do Porto (será que rola a mesma “provocação” que rola em relação à Niterói e o Rio?).

Voltamos para o Porto pela parte inferior da Ponte Luís I e fomos caminhar pelo cais da Ribeira, desta vez sem toda a muvuca da noite anterior. A região é cheia de restaurantes, bares e lojinhas de souvenirs. A arquitetura da região é muito interessante e lembra muito algumas cidades portuárias brasileiras, como o próprio Rio de Janeiro e Santos. Andamos mais um pouco pela área central e fomos relaxar na Cervejaria do Carmo. Ainda andamos mais um pouco pela cidade à noite e depois fomos descansar.

Dia 3
No domingo fomos até Aveiro, em um gostoso passeio de trem. A cidade é conhecida como a Veneza Portuguesa por conta dos canais e das “gôndolas”. Achei meio tosca esta historia das gôndolas (motorizadas) subindo e descendo o canal principal. Mas fora isto a cidade (que é bem pequena) é bastante charmosa. Como era domingo estava ocorrendo um “mercado de pulgas” na área central. Demos uma volta no local, experimentamos o famoso doce de ovos e depois acabamos encontrando o ótimo Zeca Aveiro, um pequeno bar / café, com um atendimento muito bom e algumas cervejas artesanais produzidas na cidade. Petiscamos um pouco e fomos dar uma volta pela área antiga da cidade, do outro lado do canal. A cidade era uma vila de pescadores e a principal rua desta área da cidade (um calçadão fechado para carros) é toda decorada com redes de pesca. Por ser domingo, a maioria do comércio local estava fechado.

Na volta ao Porto fomos direto à Letraria,  o bar / Biergarten  da cervejaria A Letra.  O Bar inicialmente dá a impressão de ser apenas um pequeno estabelecimento, mas ai você desce uma escada e se depara com um belo e grande jardim, com algumas árvores frutíferas. Um dos bares mais agradáveis que já fui na minha vida (sério!). Altamente recomendado. Ao sair de lá resolvemos procurar algum lugar para comer e acabamos encontrando a ótima Casa do Carmo. Pelo site parece ser um lugar mais fancy, mas é só a aparência mesmo. Os petiscos são ótimos e muito baratos. Pedimos os Rojões, as Punhetas e as Moelas. Tudo muito bem feito e delicioso. Na volta ao hotel ainda acabamos cruzando com um DJ tocando forró na Praça de Carlos Alberto. Pena que já estávamos cansados e não conseguimos ficar por muito tempo.

Dia 4
Na segunda-feira era o dia de visitar os primos da Lu (e agora meus também!) no Porto, então fizemos uma programação pensando em metade do dia. Inicialmente fomos (na verdade eu fui) até a Livraria Lello, que é considerada uma das mais belas do mundo. Em seguida fomos fazer o tour por uma das caves que produzem o famoso Vinho do Porto (uma invenção Inglesa, que é produzida no vale do Rio Douro e envelhecida em Vila Nova de Gaia!). Acabamos escolhendo a Calém porque era a mais conveniente para nós. Não creio que haja muitas diferenças entre elas, tanto em questão de preço como de atrativos. Pra quem não é um conhecedor/apreciador do Vinho do Porto qualquer uma vai servir ao propósito de conhecer a história, entender o processo de produção e tomar os samples. Mesmo para adquirir os vinhos não precisa passar pela visita e pode-se ir direto para a loja que cada uma das caves possuí.

Depois demos uma parada num pequeno restaurante do lado da cave para tomar um caldo verde antes de irmos visitar os primos!

No outro dia, antes de nos dirigirmos ate a estação de Campanha para tomarmos o trem para Lisboa ainda deu tempo de passar, pela segunda vez, na Confeitaria da Lapa. Uma confeitaria nova, mas que foi criada nos moldes das tradicionais confeitarias Portuguesas, que por sua vez inspiraram as padarias brasileiras. Ótimas opções de comida e um ótimo de atendimento. Fica a dica para quem se hospedar no hotel ou na região. Tinha até coxinha!

Observações, dicas e considerações:

  • O sistema de transporte público do Porto, muito baseado em VLT/Tram, é muito eficiente e dá pra se virar muito bem na cidade com ele. E funciona 24 horas durante os fins de semana (só em São Paulo que “não é tecnicamente possível!”).
  • Para os Portugueses os Brasileiros falam outra língua: o Brasileiro. Concordo com eles!
  • Assim acontece com com cariocas, os Portugueses se cumprimentam com dois beijos.
  • Uma das tradições do São João é um martelinho (igual aqueles do Chapolim). Segundo a lenda, dar “marteladas” na cabeça dos outros (inclusive e principalmente desconhecidos) é uma maneira de dar sorte. Chega uma hora que enche o saco estas marteladas. Mas ainda é menos chato do que o alho (a planta toda, que tem quase uns 2 metros de comprimento): o pessoal esfrega no seu nariz (imagino o sofrimento pra quem tem rinite) com o mesmo objetivo de te desejar/dar sorte.
  • Uma das coisas que achei interessante em Portugal (mas que é mais visível na região do Porto) é a inexistência de terrenos baldios: tudo quanto é terreno sem construção (como por exemplo terrenos ao lado de linhas de trem, ou debaixo de torres de transmissão de energia elétrica, que não podem ter construções) vira uma plantação. Geralmente uma horta ou plantação de milho. Podiam fazer isto no Brasil criando hortas coletivas, por exemplo.
  • Estão dando uma destinação interessante para os telefones públicos no Porto: a companhia telefônica está transformando os “orelhões” em pontos de Wi-Fi. Muito boa idéia!
  • Os custos em Portugal são muito baixos, inclusive quando comparado com o Brasil, mesmo convertendo. No Porto é mais barato ainda do que Lisboa. Só pra ter uma idéia, no café da manhã a gente geralmente pedia duas tostas mistas (misto quente), dois cafés, algum doce (geralmente pão doce) e uma água e sempre dava em torno de  4 euros. Um café da manhã destes na maioria das padarias de São Paulo (as de bairro mesmo) não deve sair por menos do que 20 reais.
  • Em Portugal normalmente se dá gorjeta: basta calcular uns 10% e deixar na mesa antes de ir embora (após o garçon trazer o troco). Arrendonde para cima em intervalos de 50 centavos (se deu 45 centavos, arredonde para 50, se deu 90 centavos, arredonde para 1 euro, se deu 1,25 euros, arredonde para 1,50, etc).
  • Fiquei triste durante a visita à Livraria Lello. Como o negócio de livrarias já não vai muito bem no mundo todo, eles começaram a cobrar uma entrada de 4 euros (e agora eles permitem fotografias no interior da loja). Só que esta entrada pode ser usada com desconto na compra de livros (e somente livros). Eu, como um aficcionado por livros, não consigo entrar numa livraria e não comprar um livro (mesmo sem desconto nenhum!). Mas percebi que nem com o incentivo do desconto as pessoas compravam. Tinha gente que chegava no caixa com algum outro item (uma camiseta por exemplo) e ao ser informado que o “bonus” só valia para livros, simplesmente preferia “perder” os 4 euros a adquirir qualquer uma das diversas obras disponíveis (e nos mais diversos idiomas!). Triste, muito triste!

Be happy 🙂

Festa de São João – Cais da Ribeira – Porto

Universidade do Porto – Porto

Avenida dos Aliados – Porto

São Bento – Porto

São Bento – Porto

Sé do Porto – Porto

Porto

Rio Douro – Porto

Rio Douro – Vila Nova de Gaia

Rio Douro – Vila Nova de Gaia

Cais da Ribeira – Porto

Cais da Ribeira – Porto

Igreja do Carmo – Porto

Estação de Aveiro – Aveiro

Largo da Praça do Peixe – Aveiro

Aveiro – Portugal

Aveiro – Portugal

Forró na Praça de Carlos Alberto – Porto

Livraria Lello – Porto

Sample flight de Vinho do Porto também vale! – Calem – Vila Nova de Gaia

Hotel Mira D’Aire – Porto

Ponte Luís I – Vila Nova de Gaia

 

Wanderlust #41 – Bélgica

(17/Jun/2017-23/Jun/2017)

Palais de Bruxelles – Brussels

Quando estávamos planejando a visita à Bélgica percebemos que, pelo fato do país ser pequeno e Bruxelas ficar bem na parte central do país, as cidades que haviamos decidido conhecer ficavam todas a cerca de uma hora da capital. Resolvemos então ficar hospedados em Bruxelas e fazermos day-trips para as demais cidades, para evitar o faz check-out as 10 da manha, vai pra outra cidade, faz check-in as 3 da tarde e ai praticamente perdeu o dia.

Dia 1
Chegamos em Bruxelas por volta das três da tarde do sábado e, depois de subir seis andares com malas, pois o elevador do hotel estava quebrado, fomos dar uma volta atrás de uma das melhores atrações da Bélgica: as cervejas! Paramos logo de cara no Le Poechenellekelder para descansar e iniciar as degustações. A cervejaria conta com uma área aberta bem em frente a uma das principais atrações da cidade, que também é uma das mais decepcionantes: o Manneken-Pis. Além de ótimas cervejas, é bom para ver o movimento.

Depois de algumas garrafas, fomos dar uma volta em direção à Grand Place, que é uma das praças centrais mais bonitas que já conheci. Depois de jantarmos (e claro, tomarmos mais algumas cervejas), fomos descansar pois no domingo iriamos para Bruges.

Dia 2
Pegamos o trem logo no domingo de manhã e fomos em direção a Bruges, uma cidade medieval cercada por canais, lembrando uma versão miniatura de Amsterdã ou Hamburgo. As construções de pedra, as ruas estreitas, a praça central, as catedrais, enfim, tudo na cidade, dão um charme interessante para ela. Ficamos andando pela cidade sem rumo por umas cinco horas e depois paramos na área externa da Brewery Bourgogne des Flandres, à beira de um dos canais.

Na volta a Bruxelas paramos na Moeder Lambic, que ficava do lado do hotel, para fechar o dia (já falei que cerveja é um dos atrativos da Bélgica).

Dia 3
Na segunda fomos começar a conhecer Bruxelas, passando primeiro pela Place de la Monnaie, que fica muito próximo à Grand Place, depois passamos pela Les Galeries Royales Saint-Hubert, um “shopping” muito bonito, pela Cathédrale des Sts Michel et Gudule e saimos andando pela parte norte da cidade. Depois de umas duas horas andando, chegamos a Place Charles Rogier e notamos que haviamos andado em círculo e chegado ao ponto de partida (mas a intenção era andar a esmo mesmo, pois é a melhor forma de conhecer lugares novos).

Subimos em direção ao Palais de Bruxelles, passando pelo Parc de Bruxelles. O Palais de Bruxelles é a residência oficial da família real Belga. Existe até a possibilidade de uma visita guiada por dentro do palácio. Seguimos pela Rue de la Régence, onde se encontram diversos palácios e praças. Destaque para as praças Petit Sablon e Grand Sablon. Ao final da Rue de la Régence se encontra o Monument A la Gloire de l’Infanterie Belge, de onde se tem uma vista boa da cidade. Dá até para ver o Atomium de lá!

Na volta paramos na À la Mort Subite, uma ótima e tradicional (e cara) cervejaria Belga, muito famosa por suas fruit lambic (que mais lembram um cooler ou um frisante), mas gostei mais da Gueuze deles. Depois fomos até a Brasserie du Lombard antes de voltarmos para o hotel.

Dia 4
Na terça era dia de conhecer Gent e levantamos cedo para tomar o trem até a cidade. Diferentemente de Bruges, Gent já é uma cidade maior, com avenidas largas, mais urbanizada, com movimento, muito por conta da Universidade de Gent, que atrai muita gente de toda a Europa (e até de outros continentes) para a cidade. A beleza da cidade já começa na estação de trem. Passa pelo Citadel Park, mas é na região central, com suas igrejas e praças que ela fica em evidência. Um dos lugares que mais achamos interessantes foi o Holy Food Market, uma “praça de alimentação” montado numa antiga biblioteca, que por sua vez havia ocupado o lugar de uma igreja. Pena que estava muito cedo e a maioria dos “quiosques” estavam fechados. Continuamos andando pela cidade por mais algumas horas e depois voltamos até Bruxelas.

Já em Bruxelas, paramos primeiramente na área externa do Rooster’s, e pudemos observar o movimento local em um dia de semana. Depois fomos nos decepcionar no Delirium Café (veja mais abaixo). Em seguida fomos novamente na Brasserie du Lombard para finalizar o dia. Enquanto estávamos lá, começou um movimento de policiais, exército, ambulância. Mais tarde ficamos sabendo que havia ocorrido uma tentativa de atentado terrorista de um extremista islâmico na estação central de Bruxelas, a uns 500 metros de onde estávamos.

Dia 5
Quarta era o dia reservado para conhecer Antuérpia. A população da cidade é maior que de Bruxelas (mais que o dobro) e apenas um bate e volta acabou deixando aquela sensação de que foi pouco. As surpresas da cidade já começam na fantástica estação central de Antuérpia, que é a mais bonita que eu vi até hoje. O centro da cidade, que é um polo comercial e financeiro do país, tem toda aquela mistura de prédios históricos e modernos edifícios que dão charmes à cidades como São Paulo e Nova Iorque. Como as demais cidades que visitamos, Antuérpia também conta com uma praça central que, em épocas remotas, era onde a vida acontecia (são conhecidas como mercados, pois eram onde as pessoas iam realizar os escambos). A de Antuérpia chega a ser até maior que a de Bruxelas e com as mesmas belezas. Aconselho a andar olhando para o alto para ver os detalhes no topo dos prédios.

Andamos para caramba por lá, mas não chegamos a conhecer nem metade da cidade. Mas é uma daquelas que entraram na lista para uma possível segunda visita. Depois do cansativo passeio, voltamos ao Rooster’s para um happy hour e depois fomos descansar.

Dia 6
Quinta feira fomos conhecer o restante de Bruxelas que haviamos planejado conhecer (antes de chegar e já na cidade). Andamos da Place Fontainas, onde ficava o nosso hotel, até o Parc Léopold, numa bela caminhada. No caminho ficam vários prédios da administração da Comunidade Européia e no próprio parque fica o parlamento Europeu. Depois caminhamos mais um pouco até (e pelo) Parc du Cinquantenaire. Para quem gosta de carros, no parque fica a Autoworld, uma exposição permanente sobre a indústria automotiva.

De lá pegamos o metrô até o Atomium, que na verdade é outra atração meio que sem graça, mas que sobrando tempo vale “riscar da lista”. O Parc d’Osseghem Laeken, que fica ao lado do Atomium é, aliás, bem mais interessante que a própria atração. Pegamos o metrô de volta e fomos encerrar o ciclo tomando mais algumas novamente na Poechenellekelder. Antes de voltarmos ao hotel, resolvemos enfim experimentar o famoso Waffle Belga (com sorvete, claro!). E ainda demos mais uma volta na Grand-Place, desta vez ao cair da noite, para admirar a bela praça iluminada.

Observações, dicas e considerações:

  • Em Bruxelas e Antuérpia tem Wi-Fi publico por quase toda a cidade. Quando não tem (e em Gent e Bruges), bares e restaurantes quebram um galho. Portanto, não há necessidade de comprar um chip.
  • Curiosidade que me bateu na viagem: como eles fazem quanto ao idioma nas escolas? Segundo pude pesquisar, as escolas são organizadas pelas comunidades, então cada comunidade decide qual será o idioma, que vai refletir a lingua falada naquela comunidade: o Francês, o Flemish (a variação belga do Holandês) ou o Alemão (não sabia que o Alemão era forte na Bélgica). Em locais como Bruxelas (que são oficialmente bilingues), normalmente encontram-se opções de escolas em Francês e em Flemish. Geralmente estas escolas oferecem, além do Inglês, as demais línguas como opção de “língua estrangeira” a ser estudada depois do ciclo básico.
  • Na Bégica fuma-se em praticamente qualquer lugar aberto, inclusive áreas externas de restaurantes. E fica a dica: quer identificar um brasileiro, é só ver o “nariz torcido” quando alguém acende um cigarro numa área liberada para fumantes. O povo que reclama de tudo!
  • A maior decepção da viagem foi com certeza a Delirium: estava esperando tomar aquela bela Witbier, mas ai o cara pega um copo usado, dá aquela xuxada numa pia com detergente, outra xuxada pra “enxaguar” numa outra pia com água (e resto de cerveja e detergente) e serve a cerveja naquele copo mesmo. Ou seja, a espuma da minha Wit era mais de detergente do que da carbonatação. Quanto mais o bar fica cheio pior é a higiene.
  • Interessante (e assustador) a forma como as pessoas se acostumam com coisas que não deveriam. No episódio do atentado, as pessoas que estavam no bar checaram o celular, viram o que tinha ocorrido, e continuaram com sua vida, como se um atentado terrorista fosse a coisa mais natural do mundo.
  • É tanta opção de marcas e estilos de cerveja que dá a impressao que a única coisa que o pequeno país se dedica a fazer é cerveja!
  • Os Belgas são um povo muito educado, simpatico e prestativo.
  • Acabei descobrindo lá que os Cartoons são uma arte muito popular na Bélgica (sabia que o Tintin era uma criação belga, mas não sabia sobre os Smurfs e o Asterix). Isto também se reflete na street art, com muitos grafites remetendo à cartoons clássicos.

Be happy 🙂

Bruges

Bruges

Brewery Bourgogne des Flandres – Bruges

Brussels

Place du Petit Sablon – Brussels

Brussels

À la Mort Subite – Brussels

Citadel Park – Gent

Korenmarkt – Gent

Holy Food Market – Gent

Sint-Baafskathedraal – Gent

Brussels – capital do Cartoon?

Délirium Café – Brussels – que decepcão!

Antwerpen-Centraal

Antwerpen

Grote Markt – Antwerpen

Grote Markt – Antwerpen

Antwerpen-Centraal

Parlement Européen – Brussels

Parlement Européen – Brussels – Parece que Berlin me persegue!!!…hehehe

Parc du Cinquantenaire – Brussels

Atomium – Brussels

Atomium – Brussels

Poechenellekelder – Brussels

Manneken Pis – Brussels

Grand-Place – Brussels

Wanderlust #40 – Boston – Massachusetts – Estados Unidos

(27/Mai/2017-29/Mai/2017)

Public Garden

Diferentemente da colonização Espanhola e Portuguesa (e da própria colonização Inglesa em outros lugares), que era uma colonização exploratória (explorar os recursos das colônias para enviá-los ao país colonizador), a colonização Inglesa nos EUA teve um intento ocupatório: o plano era montar uma versão maior da Inglaterra. Não à toa, muitos dos locais existentes nos EUA receberam nomes de localidades Inglesas com o prefixo “new”: New York, New Jersey e New Hampshire, por exemplo, eram todos “xerox ampliadas” de York, Jersey e Hampshire, na Inglaterra.

Esta caracteristica de ser uma “cópia” da Inglaterra fica muito evidente na região nordeste dos EUA, que é justamente conhecida como New England e que incluí, entre outros, o Estado de Massachussets, cuja capital, Boston, fomos conhecer no feriado do Memorial Day.

Como chegamos na cidade antes do check-in no hotel, que ficava na região de Back Bay, resolvemos parar o carro (na rua mesmo) e irmos conhecer o Boston Commons e o Boston Public Gardens, que são os dois principais parques de Boston. Na verdade, como são colados, a impressão é que é um parque só, já que voce não sabe quando termina um e começa o outro.

Depois do check-in fomos caminhar pela Commonswealth Avenue, um belo jardim linear, e depois até Harvard, que na verdade fica em outra cidade (Cambridge). Na caminhada, passa-se pelo MIT. Para quem quer conhecer universidades e faculdades, ainda tem o Berklee College of Music, Boston College, entre outros tantos institutos de educação sediados na cidade. Pela quantidade dá pra se concluir duas coisas: (1) que os ingleses realmente “investiram” na região e (2) que Boston é bem agitada e diversa, já que recebe muita gente jovem do mundo todo.

Depois da bela caminhada pela Massachusetts Ave, que é repleta de restaurantes, livrarias, bares, lojas de disco e outros tipos de comércio que tendem a existir perto de universidades, paramos para tomar umas na tradicional John Harvard’s Brewery & Ale House, que tem um ambiente bem legal (e não fomos expulsos!!!) e ótimas cervejas feitas no local!

Pegamos o metrô na volta e desembarcamos em Downtown, que é diferente de outros centros de cidade nos EUA. Geralmente os downtowns das cidades americanas são regiões desertas e degradadas, mas o de Boston lembra muito o centro de São Paulo: vários calçadões com muitas lojas (tem até Primark!), fast foods, artistas de rua, etc. Não é lá uma “atração turística”, mas vale uma passada. De lá voltamos para Back Bay e fomos procurar algo para comer.

O domingo era o único dia que teriamos inteiro na cidade, entao levantamos cedo e, depois de darmos uma volta por Back Bay, fomos novamente pela Commonwealth Ave ate a Massachussets Ave, mas desta vez ao invés de cruzarmos o Charler River em direção a Cambridge, fomos caminhar na beira do rio, no que é conhecido como Charles River Esplanade.

Na sequência passeamos por Beacon Hill, uma das regiões mais antigas de Boston, que ainda conserva a iluminação pública a gás. Fomos até o Quincy Market (que na verdade conta mais dois mercados: o South e o North markets), onde existem varios restaurantes, atrações para crianças, artistas de rua, e parece ser a parte mais turística da cidade (foi onde compramos os souvenirs).

Haviamos planejado de tomar umas na Harpoon e assim encaramos a caminhada (umas duas milhas) desde North End até lá. Porém, estava com uma fila gigante quando chegamos e, pelo pouco que ficamos, calculamos que iriamos perder pelo menos uma meia hora até conseguir entrar. Desistimos e decidimos então pegar um Lyft até a Beer Works para tomarmos umas cervejas especiais (e tirar a tradicional foto com o flight!). Na volta acabamos parando na Rock Bottom para jantar (e tomar mais uma cerveja).

A Rock Bottom foi o primeiro Brew Pub que conheci (em 2010), lá em Phoenix, no Arizona. Nem sabia que era tipo uma franquia, assim como não sabia à época o que era um growler, um brew pub, um sample flight, etc.

O mundo gira e a gente sempre acaba se deparando com coisas e lugares que já passaram por nossa vida, mesmo em  novos lugares.

Observações, dicas e considerações:

  • Back Bay e North End são os melhores lugares pra se hospedar em Boston. Porém, os dois lugares são meio que distantes um do outro (e olha que a gente anda pra caramba!), cerca de uns 35 minutos de caminhada entre eles.
  • A fila da Harpoon estava gigante (era um domingo). Se quiser ir, tenha paciência.
  • Dá pra ir de Boston até Harvard usando o metrô, mas a caminhada, apesar de longa (cerca de uma hora de Back Bay) é muito mais agradável!
  • Todos os sites que pesquisamos foram unanimes em afirmar para não ir em Janeiro e Fevereiro. “Tempo miserável” foi um dos termos mais leves que encontramos para descrever o clima nestes meses.
  • Gostei da cidade, especialmente pela mistura de modernidade, antiguidade e espaços verdes. Se não fosse o tempo miserável, seria até uma opção para morar!

Be happy 🙂

Public Garden

Commonwealth

Women’s Memorial – Commonwealth

Charles River

John Harvard’s Brewery Ale House

Public Library Foundation

The Esplanade

Galera aproveitando o sol – The Esplanade

Charles River

Iluminação a gás – Beacon Hill

Quincy Market

Boston Commons

Boston Public Gardens

Wanderlust #39 – San Francisco – Califórnia – Estados Unidos

(30/Mar/2017-02/Abr/2017)

Devido aos imprevistos ocorridos na trip entre LA e San Francisco, pegamos um baita de um trânsito (horário de pico) e acabamos chegando na cidade já a noite. Nos dirigimos ao hotel, que ficava no bairro Tenderloin – um dos mais centralizados e movimentados. A primeira vista, a área onde o hotel ficava não era das melhores e confesso que me incomodou um pouco a quantidade de moradores de rua no local (não pelos moradores de rua, mas por conta de algum perigo). Mesmo quando a recepcionista nos avisou que eles eram todos harmless, ainda fiquei com aquela pulga atrás da orelha, mas mesmo assim fomos dar uma volta e procurarmos algo para comer. A região central estava deserta, o que me causou um estranhamento, pois mesmo sendo uma quinta à noite, normalmente algum movimento nas áreas centrais existe. Então a primeira impressão da cidade acabou não sendo muito boa. Depois de comermos nos dirigimos ao Zeigeist, um bar com temática punk, ótimas opções de cervejas e um aprazível biergarden.

No outro dia voltamos a downtown e a minha impressão começou a mudar: o centro estava muito movimentado, tanto de turistas quanto de locais, já que era um dia útil. De lá, fomos até a região conhecida como Embarcadero, que é a região onde se encontram, além dos terminais de passageiros (lembrando que a cidade fica numa baia, ou seja, para acessar outras cidades precisa usar pontes ou barcos), alguns shoppings, restaurantes, centros de exposições, etc. Toda esta região parece ser sido revitalizada há pouco tempo e parece ter como público alvo os próprios moradores da região

Caminhando sentido norte, chega-se ao Fisherman’s Wharf, que é um complexo com restaurantes, bares, museus, também à beira mar, porém mais voltado para os turistas. Andamos um pouco por ali e seguimos até a Ghirardelli Square, depois subimos a Russian Hill para cair na Lombard Street, que tem a fama de ser a rua mais sinuosa e inclinada do mundo (ela e sinuosa justamente pelo fato de ser inclinada: para que os carros não trafeguem por um declive muito íngreme). Duvido que a fama resistiria se visitassem algumas ruas das periferias de São Paulo ou Rio.

Voltamos para a Ghirardelli Square e pegamos o famoso Cable Car de San Francisco, passeio obrigatório para quem vai à cidade, no sentido downtown. De lá fomos ate a Mission Bay pois queriamos visitar o biergarten da Anchor (que recentemente foi vendida para a japonesa Sapporo). No caminho passamos pelo belo Yerba Buena Gardens. O biergarten da Anchor fica em frente ao estádio dos Giants e, como estava tendo jogo, ficamos pouco tempo (alem de não termos podido pedir o sample flight por este motivo). Já era final de tarde então resolvemos voltar para a região de Tenderloin / Union Square, mas no meio do caminho, na região conhecida como SoMA (South of Market) encontramos a Thirsty Bear brewery e ai toca experimentar mais cervejas. 

Jantamos em um Italiano (sendo mal atendidos novamente!) e voltamos ao hotel. No outro dia, fomos conhecer talvez a atração mais famosa da cidade: a famosa Golden Gate. Para que o dia rendesse, preferimos percorrer a ponte de carro, então passamos por ela e nos dirigimos ao mirante que fica logo do outro lado. A atração é superestimada, como são superestimadas a maioria das atrações nos EUA, mas mesmo assim, a propaganda (em filmes, quadrinhos, livros, etc.) é tanta que mesmo com a consciência de que não passa de uma ponte, você ainda acha legal….hahaha

Depois de algumas fotos, seguimos para Sausalito, uma pequena cidade que fica do outro lado da baia. É uma pequena e charmosa cidade litorânea. Valeria a pena almoçar em alguns dos restaurantes a beira mar, mas ainda era muito cedo e então voltamos rápido. Na volta, já tínhamos programado para visitar um outro mirante, que proporciona uma vista do outro lado e por cima da ponte. Neste mirante precisa de paciência, pois existem poucas vagas (demos sorte de alguém estar saindo quando já estávamos quase desistindo).

De lá fomos para o Golden Gate Park, que mereceria um dia somente para ele, e também passamos em Ocean Beach, que fica na frente do parque. Nunca ouvi falar que San Francisco tivesse turismo voltado para as praias, como Los Angeles ou San Diego. Se as demais praias da cidade forem como Ocean Beach, está entendido o motivo. Não que seja feia, ou suja. Simplesmente não é nada. Não é bonita (tampouco é feia), não tem onda (para servir aos surfistas), não tem restaurantes. É apenas sem graça.

Deixamos o carro no hotel e fomos explorar um pouco mais, iniciando pela Union Square (por onde já tínhamos passado no dia anterior, muito rapidamente) e passando por Chinatown (sem graça como todas as Chinatowns que eu já conheci). Caminhamos então para o Fisherman’s Wharf, para onde queríamos voltar para comprarmos alguns souvenirs, tomarmos um clam chowder e depois fazermos hora até o pôr-do-sol no Jack’s Cannery Bar, que havíamos visto anteriormente. No caminho cruzamos com o Washington Square Park, que estava tomado de pessoas aproveitando o belo dia de sol (e tomando cervejas e vinhos!). 

Pra encerrar a trip da Califórnia era hora da já tradicional (para a costa leste dos EUA) foto do pôr-do-sol.

Assim como ocorreu com o Rio de Janeiro, sai de San Francisco com aquela sensação de “por que não conheci esta cidade antes?”, especialmente porque tive muita oportunidade e nunca me interessei em ir.

Observações, dicas e considerações:

  • San Francisco para mim acabou sendo a mais “brasileira” das cidades americanas que conheci até agora. Uma mistura de São Paulo (culinária, cultura, vida noturna) com o Rio (descontração, praia, despojo).
  • A vantagem em relação às cidades brasileiras é que eles entenderam e aplicam o conceito de “multimodalidade” no transporte: tem trólebus, bonde, metro, trem, bicicletas, tudo muito bem integrado, num nível visto geralmente em cidades europeias.  
  • Para completar, os serviços de transporte individual privado (Lyft e Uber) são tão rápidos, baratos e eficientes que não duvido que, em pouco tempo, pouca gente na cidade terá veículos particulares. É impressionante a disponibilidade do Lyft: você clica na solicitação e o sistema ja direciona um carro que esta a poucos metros de você.
  • Por falar em veículos particulares, ao contrário do restante da California, onde a Kombi é normalmente o “carro descolado”, em San  Francisco o Fusca parece ser o queridinho.
  • Não existem cabines de pedágio na Golden Gate (apesar de ter aviso do valor de pedágio): eles simplesmente fotografam a placa e mandam a conta do pedágio para o endereço de registro do veículo, como se faz com multas no Brasil. Este sistema está sendo implementado em outros estados também (Massachussets, New York e Connecticut são alguns que eu sei que usam). No caso de carro alugado, a locadora irá cobrar, posteriormente, o valor do pedágio (e provavelmente alguma taxa adicional) do cartão usado para a locação.
  • Nao deixe de provar os chocolates da Ghirardelli. Para mim não perde em nada para, por exemplo, os da Lindt. E nas lojas geralmente eles dão amostras grátis. Por isto não hesite em entrar sempre que passar por uma (a dica vale para as outras lojas em toda a Califórnia).  
  • Segundo a Lei da Califórnia, é proibido o transporte de containeres de bebidas alcoólicas que estejam abertos ou com o lacre quebrado (na verdade, a “proibição de beber em público” se resume a leis assim praticamente em todo os EUA). Porém, alguns locais públicos podem permitir, temporária ou permanentemente, a posse de containeres abertos, o que implica, automaticamente, na “revogação” da proibição de consumo. Tem uma lista dos parques em San Francisco onde e permitido aqui.
  • Outra exceção e quando o container está sendo transportado para reciclagem. Fica a dica 😉.

Be happy 🙂

Bonde antigo em Embarcadero

Fisherman’s Wharf

Alcatraz

Fisherman’s Wharf

Fisherman’s Wharf

Lombard Street

Cable Car na Ghirardelli Square

Yerba Buena Gardens

Anchor Beer Garden – Mission Bay

Golden Gate

Sausalito

Golden Gate

Golden Gate

Wanderlust #38 – PCH (Pacific Coast Highway) e San Luis Obispo

Ventura: a onda corre perpendicularmente ao calçadão da praia.

O trecho da Pacific Coast Highway, também conhecida como State Route 1 (SR 1), ou PCH para os locais, entre Los Angeles e San Francisco deve ser, muito provavelmente, a “road trip” mais percorrida dos EUA. Apesar da Rota 66 ser mais conhecida (ela tambem termina – ou começa, vai saber – em Los Angeles, especificamente no pier de Santa Monica), o trajeto da Rota 66 é mais longo e com menos atrações turísticas não ligadas diretamente à uma road trip.

Como nunca tinha ido até San Francisco (shame on me!), que desta vez estava no roteiro, colocamos este passeio na programação. Para nao ter que dirigir mais de sete horas direto (tem um caminho mais rápido, que leva umas 6 horas, mas a paisagem não é tão legal) e para poder parar em alguns pontos de interesse, adicionamos um pernoite em San Luis Obispo.

Saindo da cidade de Los Angeles, já existem algumas praias bem interessantes que valem uma parada. Sunset, Topanga, Malibu, Point Dume, Zuma Beach, Leo Carillo (esta vale até para passar algumas horas), Dana Beach, além de algumas outras, são recomendações que eu daria. Mas desta vez resolvemos subir direto até Ventura e iniciar a trip à partir dali.

Nunca havia parado em Ventura. Me parece uma cidade bem legal inclusive para passar uns dias. Tem um ar jovial. Achei muito interessante o calçadão denominado Surfers’ Point at Seaside Park, em Downtown Ventura: as ondas se formam perpendicularmente à este calçadão, então dá pra ver os surfistas a poucos metros de distância.

De Ventura, partimos para Santa Bárbara, que é uma cidade de veraneio onde, aparentemente, o pessoal mais “de grana” vai passar as férias e feriados. Por isto, ela tem uma estrutura bem turística: vários restaurantes, serviço de aluguel de bikes e até aqueles “bondinhos” que são comuns em praias brasileiras.

De lá, seguimos direto para San Luis Obispo (aka SLO), pois queriamos chegar ainda de dia para podermos conhecer a cidade. Não vou dizer que foi uma idéia ruim, mas também não foi um passeio que valeu a pena.

Por ficar quase no meio do caminho entre LA e San Francisco, SLO nasceu (em 1856) e se desenvolveu como um ponto de parada para as pessoas que se deslocam entre as duas grandes cidades. Então a cidade até conta com uma rede hoteleira (para este propósito, ou seja, hotéis e motéis simples, para pernoite), restaurantes e algumas lojas. Hoje em dia a California Polytechnic State University, baseada na cidade, traz um outro público. Mas pra ter idéia do “potencial turístico” da cidade, a maior atração é um beco onde as paredes são forradas de chicletes mastigados (isto mesmo!). Tá bom, tem a Mission San Luis Obispo de Tolosa, uma missão católica que deu nome à cidade.

Valeu o descanso (até porque, algumas supresas aconteceriam no restante do trecho, conto abaixo) e para conhecer a Central Coast Brewing, que além de ótimas cervejas, tem um “deck” bem aconchegante. Também deu para conhecer a SLO Brew, que até tem umas cervejas legais, em um ambiente gigante, mas como fomos “expulsos” (pra variar!) do local, a experiência não foi as melhores.

No dia seguinte era hora de continuar a viagem. Já haviamos mapeado alguns pontos interessantes e o primeiro era Morro Bay (resolvemos pular a praia de San Luis Obispo, por ficar afastada da cidade), outra cidade de veraneio, que conta com um calçadão bem legal, além de uma ótima vista do morro que dá nome à praia. Pelo que vimos na cidade, parece que rolam bastante eventos por lá durante o ano todo.

Seguindo a viagem, fomos decidindo o que fazer e paramos novamente em Cambria. A praia é bonita, mas fica meio que num conjunto residencial. Então foi só tirar fotos e “pé na tábua”. As paradas seguintes seriam Ragged Point, Gorda, Lucia, Big Creek (pois queria parar na Rocky Creek Bridge para umas fotos), Big Sur, Point Lobos, Carmel-by-the-Sea, Monterrey e, se desse tempo, Santa Cruz e San Jose, antes de chegar em San Francisco.

Mas em Ragged Point tivemos duas surpresas, uma boa e outra nem tanto. A boa é que Ragged Point é um daqueles lugares de tirar o fôlego, de tão belo. Do alto de um morro você enxerga a encosta toda esverdeada, que parece que foi pintada para combinar com o mar lá embaixo. Uma pena que estava um vento gelado e quase não conseguimos ficar, apesar do sol. E como nem tudo são flores, uns 200 metros a frente de Ragged Point avistamos um bloqueio, ao perguntar para o funcionário o que ocorria, fomos informados que, devido às chuvas de inverno, parte da encosta havia desmoronado e a PCH estava interrompida. O desvio mais próximo ficava a 40 milhas na direção de onde viemos e, contando com o trecho que teriamos que percorrer para chegar num ponto em que poderiamos voltar para a PCH, perdemos umas tres ou quatro horas.

Paciencia, faz parte! Mas tivemos que abandonar parte da programação e, devido ao imprevisto, acabamos tendo tempo apenas de passar por Carmel-by-the-Sea (praia interessante, lembrando bastante as praias do nordeste brasileiro) e Monterrey, uma cidade de veraneio que me surpreendeu pelo tamanho e estrutura.

Fiquei com vontade de conhecer os outros lugares, mas como já tinhamos planos em San Francisco (próximo Wanderlust, que não sei quando sai), não daria tempo de voltar e perder mais duas ou três horas de estrada, sem falar no cansaço.

Observações, dicas e considerações:

  • Fiz o trajeto indo de Los Angeles para San Francisco, mas acho que fazer no sentido contrário (descendo de San Francisco para Los Angeles) é melhor, pois além de estar mais perto da costa, fica mais fácil para parar de sopetão, ao avistar um lugar legal.
  • Por outro lado, existe um pouco mais de “perigo” na descida, pois em várias partes você está dirigindo na beira de um penhasco, sem guardrail ou acostamento. Portanto, precisa de muita atenção.
  • Os melhores meses para ir são entre Junho e Novembro: o tempo está agradável (não que faça muito frio na Califórnia, mas no inverno dá pra esperar algo como o inverno de São Paulo) e as chuvas de inverno já terminaram há uns 3 meses, o que dá algum tempo para que as obras de recuperação das vias sejam concluidas (no caso de interrupções por conta de deslizamentos).
  • É sempre bom dar uma pesquisada no Google para ver se existe alguma interdição na PCH. Comemos bola neste ponto (nem imaginávamos!).
  • Para quem gosta de dirigir, a Topanga Canyon Road, que começa PCH, na praia de Topanga Beach, e vai ate Canoga Park, já no San Fernando Valley, é uma boa pedida. A estrada é bastante sinuosa (mas com boa sinalização e visibilidade) e com uma bela paisagem. Depois dá pra voltar pra LA pela 101 e 405 ou pegar alguma outra estrada pra voltar para a PCH (ou mesmo seguir direto até Ventura pela 101, e ai perde-se as praias de Malibu).

Be happy 🙂

Boardwalk em Ventura Downtown

PCH

Santa Barbara

A principal atração de San Luis Obispo: um beco cujas paredes são cobertas por chicletes mastigados!!!

A bela Morro Bay

Cambria

Cambria: bela praia, mas só isto!

Pé na estrada!

Ragged Point!

Pegando o desvio =(

Carmel-by-the-Sea: lembra muito as praias do nordeste brasileiro

Monterey: uma “grande” cidade de veraneio.

Ragged Point: uma pena que uma foto não consiga capturar toda a beleza do local. Mas fica na memória um dos lugares mais belos que eu já conheci.

 

Wanderlust #37 – Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos

Huntington Beach: 21 anos de diferença (1996 e 2017). Até as bandas que eu gosto mudaram!

“Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” – Heráclito de Éfeso

Desde 2008, quando passei uma temporada na cidade (algumas info adicionais aqui), Los Angeles se tornou a minha cidade pra se morar. Tipo assim: se me dessem a oportunidade de escolher qualquer cidade do mundo para morar para o resto da vida, sem possibilidade de trocas, até a pouco tempo não teria hesitado em apontar LA. Mesmo amando São Paulo, tendo uma paixão recente pelo Rio e de ter conhecido, desde então, Berlin (que pra mim ainda é a melhor cidade do mundo no quesito geral).

Los Angeles é cosmopolita (como São Paulo e New York), tem muitas belezas naturais e ótimas praias (como o Rio de Janeiro) e é tolerante e cultural (como Berlin, com a vantagem de ter um clima melhor).

E é o lado cosmopolita da cidade que talvez esteja me afastando dela (neste sentido de talvez não achá-la mais o “melhor lugar para se morar”). Los Angeles é ampla, muito ampla. Entre o extremo sul do condado (la por Huntington) e o extremo norte (Calabasas) sao mais de 200 quilômetros. De leste a oeste a distância também é grande e, por exemplo, do alto do Griffith Observatory já não se consegue enxergar o mar.

Como toda a vida econômica, cultural e educacional se concentra numa pequena parte desta área imensa, alguns problemas são críticos na cidade: o custo de vida nesta pequena área é altíssimo, isto acaba empurrando as pessoas para áreas mais distantes e como o sistema de transporte público ainda é limitado (apesar da visível melhora dos últimos 10 anos), o trânsito é caótico durante quase todo o dia, todos os dias, incluindo os finais de semana.

Então quando cheguei desta vez em LA, depois de ter passado por Huntington Beach (uma das praias mais movimentadas, mesmo estando longe da região “central” do condado) e por Long Beach (uma das maiores cidades do condado, que mereceria mais a minha atenção), a primeira sensação foi de que hoje eu já não encararia gastar duas ou três horas do meu dia dentro de um carro para ir e voltar do trabalho. Como também não teria condicoes de bancar o custo de viver em Venice ou Santa Monica. E como fora desta área as opções para trabalho já são mais limitadas, dificilmente seria um lugar em que eu “investiria” uma mudança.

Mas voltando ao passeio, depois da viagem desde San Diego e a road trip pelas praias que ficam no caminho entre as duas cidades, era hora de visitar, novamente, o lugar em que eu batia cartão em 2008, o Britannia Pub. A viagem foi planejada para que passássemos um domingo em LA para podermos ir ao pub ver uma apresentação da “Number 9”, uma tribute band de Beatles que eu ia assistir quase todos os domingos. O bar já não é mais o mesmo (o público na época era mais descontraído e desta vez o pub crawl Santa Monica passou por lá, gerando algum incômodo) e a banda em sí já não tem a mesma pegada. Mas ainda assim tem as figurinhas de sempre: o bartender Richard dando sua canja, L.J., e mais alguns que sempre batem cartão. Valeu pela memória afetiva.

Na segunda foi dia de levar a Lu para turistar: Hollywood Bowl (dizem que é o melhor lugar para ver o supervalorizado letreiro de Hollywood) e o Griffith Park (e o observatório) de onde também se tem uma vista do letreiro, que repito, é supervalorizado (a Lú teve a mesma reação de “é só isto?” que eu tive em 1996).

Depois fomos fazer as praias ao sul de  Los Angeles que ficaram faltando no domingo:

  • Redondo Beach: tem um pier bem grande e até conta com mais atrações que o de Santa Mônica (mais restaurantes e sem o parque, que também não é lá estas coisas).
  • Hermosa Beach: praia bem simpática e com ótima infraestrutura. Daria até pra pensar em ficar alguns dias numa próxima vez. Detalhe: o tabaco é banido na cidade e é proibido fumar em qualquer área pública. Mesmo em áreas privadas (casas), a fumaça ou o cheiro não podem incomodar vizinhos e transeuntes.
  • Mission Beach: também tem uma boa infraestrutura e parece ser um lugar não só pra veraneio, mas onde as pessoas moram. Estava bem cheia para uma segunda feira.

A próxima parada/praia seria Venice e claro que no caminho passamos por Marina Del Rey para rever o lugar onde morei. Venice é um lugar para perder algumas horas andando e observando a “fauna” local (turistas, artistas de rua, locais, skatistas, etc), bem como seu habitat (bares, lojas, feiras, etc). Infelizmente estava ventando demais e tivemos que abortar a missão. Fomos deixar o carro no hotel e depois andamos até Santa Mônica. Já haviamos passado no 3rd Street Promenade (um shopping a céu aberto, com bastante movimentação, artistas de rua, etc) no domingo, antes do Britannia, por isto fomos diretos para o Pier para podermos assistir o pôr-do-sol. Depois paramos num Biergarten (Big Dean’s Oceanfront Cafe) que tem por ali para tomarmos umas cervejas e comermos algo.

Na terça feira, resolvemos não sair de carro e pegamos um ônibus até Venice para “refazer” o passeio que havia sido interrompido pela ventania. Um ponto importante aqui: hoje já dá pra se virar bem com transporte público em Los Angeles e o que ficar mais inacessível (Hollywood Bowl e o observatório, por exemplo) pode ser feito de Uber ou Lyft. Como disse, o calçadão de Vênice é pra se perder algumas horas (e é um dos melhores lugares para souvenirs também) e fomos andando até Santa Mônica, passando por Ocean Park, a praia / parque que separa as duas mais famosas praias de LA. Uma caminhada de quase 5 kilometros.

De Santa Monica pegamos o metro para ir até Hollywood Boulevard, onde ficam a famosa “Calçada da Fama” e o Chinese Theater (aquele onde os artistas deixam suas pegadas). Não é aquele passeio fenomenal, mas eu acho que é algo obrigatório pra se fazer em LA. De lá, metrô novamente e fomos para downtown. Como havia falado no artigo de 2014, downtown vem passando por um processo de revitalização e, apesar de não ser uma das melhores atrações que a cidade tem a oferecer, tem lá seu charme. O Grand Central Market é um dos lugares que, agora revitalizado, se tornou “cult”.

Estávamos decidindo o que fazer a seguir e procurando opções quando, sem querer, descobri que havia um bar da Mikkeller em Downtown LA, pertinho de onde estávamos e perto da estação onde deveriamos pegar o metrô de volta para o hotel. Nem hesitamos muito para encerrarmos nossa passagem por uma cidade pela qual eu sempre terei um carinho fazendo algo que eu aprendi a fazer justamente nesta cidade: apreciar cervejas diferentes.

Tudo muda, as cidades mudam, as situações mudam, mas principalmente as pessoas mudam. Desde 2008 a cidade mudou bastante, mas eu mudei ainda mais: conheci outros lugares, tenho outros valores, estou vivendo uma outra situação. Hoje Los Angeles talvez perderia pra San Diego (ou mesmo San Francisco) o posto de “lugar para se morar para o resto da vida”. Mas a Califórnia ainda continua imbativel. E ganhou mais pontos ainda com a extensão desta viagem, que fica para os proximos Wanderlusts.

Observações, dicas e considerações:

  • Nos EUA é comum o garçom ou barman vir de tempos em tempos perguntar se esta tudo bem, se quer mais alguma coisa, etc. Quando voce senta em mesa, é praticamente certo que após algum tempo o garçom ja trará sua conta. O que nunca havia reparado é que os sistemas dos bares é feito para isto: quando voce pede algo, ele deixa seu status como verde, depois de um certo tempo o status passa para amarelo e é nesta hora que o garçom vem verificar se voce precisa de algo mais. Se voce pedir algo, ao entrar o pedido, o status volta novamente para o verde e o ciclo se reinicia. Porém, se não entrar pedido na mesa ou conta, depois do amarelo, o sistema muda pra vermelho, ou seja, o cliente está ali dando prejuízo, pois esta ocupando espaço sem consumir nada. É nesta hora que o garçom vem te expulsar…..hahaha
  • É chato para o cliente, mas do ponto de vista do “negócio” o sistema é interessante. Mas ele é meio burro num sentido e situação: quando o bar está vazio, é melhor voce ter uma “possibilidade” de consumo (alguém que esta lá e pode, a qualquer momento, fazer um pedido), do que simplesmente eliminar esta possibilidade mandando o cliente embora. Mas como os americanos já são acostumados, são poucos os lugares que não seguem este sistema à risca (preferindo ficar vazios) e são pouquíssimas pessoas que reclamam (geralmente os gringos).
  • Ande sempre com moedas para o parking. Apesar da maioria dos parquímetros aceitarem cartão, fica mais fácil estender o tempo programado com moedas.
  • Como citei, o transporte público de Los Angeles (e da Califórnia em geral) melhorou muito nos últimos 10 anos. Com o advento dos aplicativos de serviços de transporte individual privado, um carro já não é mais obrigatório para visitar a cidade, como era há uns 10 anos.

Be happy 🙂

Huntington Beach

Richard e sua tradicional canja com a Number 9 no Britannia Pub – Santa Monica

Griffith Park

Redondo Beach

Mission Beach

Genios no grafite de Venice Beach

Santa Monica vista do pier

Venice Beach

Ocean Park

O pier de Santa Monica

Grand Central Market, Downtown LA

Mikkeller Downtown LA: 40 torneiras (+ 2 casks + 5 torneiras de vinho) de Mikkeller e do melhor das cervejarias californianas.

Wanderlust #36 – San Diego, Califórnia, Estados Unidos

San Diego Bay

Como havia dito no post da minha visita a San Diego de 2014, este foi o primeiro lugar que eu conheci fora do Brasil, lá nos meus 19 anos. A cidade tem mudado muito, mas eu também tenho mudado, então algumas coisas acabaram por me surpreender novamente.

O sistema de transporte público da cidade esta muito mais abrangente. Hoje um carro já não é essencial para visitar a cidade e dá pra se virar bem com a rede de transportes atual e Uber / Lyft. A mudança de mentalidade em relação à mobilidade urbana é gritante na California em geral: em pouquissimo tempo (de 2008 pra cá) as cidades se organizaram e as pessoas mudaram seus habitos.

Como uma coisa puxa a outra, a cidade está mais bem preparada para quem se locomove a pé, com revitalização de bairros antes “perigosos” (ocupar o espaço público é uma das melhores formas pra combater a criminalidade), bares e restaurantes abertos e/ou com mesas na calçada, praças e até uma feira livre. Little Italy (um dos melhores lugares pra se hospedar), Downtown e o Gas Lamp district são os melhores exemplos desta mudança.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o movimento cervejeiro local. Em basicamente todo bairro tem um brew pub, inclusive alguns já ícones da recente escola cervejeira americana, como a Ballast Point e a Coronado.

Como era a primeira vez da Lu na California, basicamente fiz o mesmo roteiro de praias que fiz em 2014, e só troquei o USS Midway pelo Gas Lamp District.

Tambem fomos passear por uma manhã no Balboa Park, o principal parque da cidade, que também conta com uma série de museus.

Na subida pra Los Angeles, fomos passando e parando em algumas outras praias, algumas que eu já queria parar (pra conhecer ou rever) e algumas escolhidas aleatoriamente. Pra facilitar, vou colocar em tópicos:

  • Torrey Pines: o tempo estava meio fechado e como aparentemente não tinha muitas atrações, resolvemos nem parar. Mas se tivéssemos mais dias na cidade, talvez valeria à pena conhecer.
  • Del Mar e Solana Beach: o tempo ainda estava fechado e uma das faixas estava fechada por conta de uma corrida, então não conseguimos parar também.
  • Encinitas: esta escolhemos aleatoriamente. Interessante: as casas ficam em cima de uma encosta e tem um baita escadão pra acessar a praia. O tempo ainda estava meio fechado, mas deu pra ver que é uma das mais requisitadas da região, principalmente por surfistas.
  • Carlsbad: esta eu já tinha passado em 2014 (e muito provavelmente em 1996), mas nunca parei. Cidadezinha de veraneio, com alguns hotéis, pousadas, restaurantes. Muito simpática. Se tiver oportunidade no futuro, gostaria de passar mais tempo e pernoitar na cidade.
  • Ocean Side: havia parado em 2014 e achei interessante voltar. A praia e o pier são bem movimentados. É uma cidade de veraneio, maior e mais urbanizada que Carlsbad. Outra que valeria a pena para passar alguns dias e pegar uma praia.
  • San Clemente: acabamos só passando por dentro da cidade, fugindo do transito, já que ela não tem acesso ao mar, pois encontra-se atrás de uma base naval.
  • Dana Point: já no condado de Orange County (do famoso seriado OC), umas das praias menos badaladas e propícia para esportes em mar tranquilo (como stand up paddle). Pelo jeito é uma das preferidas de banhistas também. Queria ter parado da outra vez, não sei porque não o fiz, mas desta vez não deixei passar.
  • Laguna Beach: esta é uma das praias mais procuradas de Orange County, principalmente por gente jovem que só quer curtir a praia, e nao “ostentar” como em New Port. Infelizmente não paramos (senão teriamos que pular outras praias por conta do tempo).

Se à partir de 2008 eu vinha considerando Los Angeles a melhor cidade do mundo pra morar pro resto da vida (a melhor na categoria geral ainda é Berlin), depois desta viagem já estou considerando San Diego para o posto. Até porque as mudancas de Los Angeles estão levando a cidade para um caminho diferente do meu, que tambem vivo mudando. Mas falo disto no próximo Wanderlust.

Observações, dicas e considerações:

  • Achamos uma praça John Basilone, o heroi de Raritan (a cidade de menos de dez mil habitantes onde moramos, em New Jersey).
  • O brew pub da Ballast Point lota. Tentamos ir na sexta-feira e estava simplesmente impossível de ficar lá dentro. E como (ainda) não se pode beber em público em San Diego, preferimos deixar a visita pro sábado à tarde. Eles têm até um Biergarten (pra mim nunca será Beer Garden) que é uma boa pedida em dias de tempo ameno.
  • Interessante como a cultura de Biergartens está se disseminando nos EUA. As pessoas querem fazer do ato de ir ao bar mais do que aquele encostar no balcão de madeira e encher a cara de Bud Light. Isto está fazendo até as leis quanto ao consumo de bebida em público e de licenciamento de estabelecimentos que vendem álcool (onde era proibida a entrada de menores de 21 anos) ficarem menos restritas.
  • Se a Ballast Point estiver cheia, vale uma tentativa na Bolt Brewery, uns dois quarteirões pra frente (sentido Downtown). Não tem o Biergarten, mas tem ótimas cervejas.
  • Nos dois brew pubs o sistema é de ir pedir no balcão, inclusive a comida, que depois é trazida pelos garçons (a cerveja você mesmo leva). Eventualmente, dependendo da boa vontade do garçom (de ganhar umas gorjetas) e da lotação, depois da primeira cerveja, ao notar o copo vazio, eles vêm perguntar se quer mais uma. Mas não conte com isto.
  • Passeando pelo Balboa Park vi uma coisa bem interessante: uma barraca de “evangelistas ateus”! Sabe aquelas barraquinhas que se vê em vários pontos de São Paulo com duas ou três pessoas, em trajes “sociais”, um cavalete com uma placa, algumas revistas, etc? Imagino que sejam as Testemunhas de Jeová. Bem, primeiramente também tem nos EUA, Bélgica e Portugal. Mas voltando ao assunto principal: tinha uma barraquinha no mesmo estilo, com vários folhetos pendurados, revistas e algumas pessoas dispostas à conversar sobre pensamento cético, ateísmo, etc. Achei muito interessante!

Be happy 🙂

Imperial Beach – San Diego

Sunset Cliffs – San Diego

Sunset Cliffs – San Diego

La Jolla – San Diego

Balboa Park – San Diego

Ballast Point – San Diego

Praça John Basilone – Little Italy – San Diego

Encinitas

Carlsbad

Ocean Side

Dana Point

Wanderlust #35 – Washington, District of Columbia, Estados Unidos

Como havia falado no post de Baltimore, ao invés de ficarmos em Washington para o Thanksgiving, acabamos decidindo por fazer apenas um “day trip”, já que a cidade fica a cerca de uma hora de Baltimore. A decisão de ficar em Baltimore foi boa, como já comentado, mas acho que fazer apenas um bate e volta pra Washington não foi suficiente. Valeu a pena, claro, mas estando lá descobrimos que valeria a pena dispender mais tempo na cidade.

Como provavelmente voltarei à cidade e farei outro post, não me estenderei muito neste.

Assim como aconteceu no Brasil em relação a Brasília, a cidade de Washington (e todo o distrito de Colúmbia) foi criada já com o intuito de servir como capital do país. O ato que estabeleceu a criação, de 1790, também já instituiu a localização (às margens do rio Potomac) e, com a doação de terras pelos estados de Maryland e Virginia, estabeleceu-se o local atual. O ato também serviu para definir a organização política da cidade e do distrito em sí. Apesar de ter um prefeito, o congresso americano é quem tem a palavra final sobre qualquer lei da cidade. O Distrito também tem um deputado (apenas um), porém não tem senador.

A semelhança com Brasília vai além da idéia de uma cidade independente para servir de capital: a disposição dos prédios públicos nas duas cidades é bem parecida. Existe um parque contínuo (National Mall), equivalente à Esplanada dos Ministérios. Ao longo desta “esplanada” se concentram os ministérios e muitos museus. A diferença é que ao invés dos poderes se concentrarem em apenas um dos extremos, o Congresso americano se concentra em um dos extremos, enquanto no outro extremo se encontra a Casa Branca. Nas vias paralelas à esta esplanada ficam diversos outros órgãos, como o departamento de justiça, o FBI, etc.

Além de passearmos por esta esplanada, apenas demos uma volta por downtown, mas não deu pra vermos muita coisa.

Pretendemos voltar para passarmos um tempo maior, então, provavelmente num futuro (nem tão próximo), faça um post mais completo.

Observações, dicas e considerações:

  • É impressionante como existe a cultura de visitar museus nos EUA. Todos os vários museus ao longo da National Mall apresentavam filas gigantescas.
  • Fiquei impressionado com a quantidade de food trucks. Talvez porque na National Mall não tenha muitos locais para comer (precisa sair para as paralelas ou as transversais para encontrar restaurantes), a “esplanada” toda é tomada por food trucks. E quando eu falo “tomada” eu quero dizer pelo menos uma centena deles!

Be happy 🙂

The White House (os fundos!)

Downtown

Uélito em Uóshitu!

Wanderlust #34 – Baltimore, Maryland, Estados Unidos

Inner Harbor

Por motivos óbvios, esta seção comecará a apresentar bastante locais nos EUA (enquanto eu tiver saco pra fazê-la). E pra iniciar esta temporada “americana”, vamos de Baltimore, no estado de Maryland.

Procurando algum lugar perto, pra aproveitar o Thanksgiving, que desse pra ir de New Jersey de carro ou trem, e que não fosse New York (vou falar destes dois estados num futuro proximo, de NY provavelmente em varios posts, como de Berlin) e onde não estivesse tão frio, acabamos por achar Baltimore no mapa enquanto analisávamos a possibilidade de ir pra Washington (próximo post da “coluna”). Ai como daria pra matar dois coelhos com uma cajadada só, resolvemos conhecer a cidade e fazer uma day trip pra Washington (a cerca de uma hora de Baltimore).

Harbor East

Não sei se porque a expectativa era baixa (basicamente nenhuma…hahaha), mas a cidade surpreendeu muito pelo seu charme e atrações.

Fundada em 1729, Baltimore foi durante muito tempo uma das principais cidades da costa leste americana, muito por conta do seu porto (o segundo maior da costa noroeste dos EUA), que atraia muitas manufaturas e industrias. Com o declínio da indústria americana que ocorreu entre as décadas de 70 e 90, a cidade, como algumas outras regiões industriais americanas, viveu um declinio. Porém, com o recente aquecimento no setor de serviços, a cidade vem passando nos últimos anos por um processo de revitalização, que é facilmente notado pela diferença entre a região do Porto, praticamente toda revitalizada, e as áreas suburbanas da cidade.

Baltimore também é conhecida por ter sido um dos principais locais de batalhas da guerra da independência americana, já que, afim de bloquear o comércio internacional, a Inglaterra atacou incessantemente o porto. Por conta disto, também é o berço da canção Star-Spangled Banner, que viria a se tornar o hino nacional americano. Além disto é a casa do Baltimore Orioles, um dos times de baseball mais antigos ainda em atividade, fundado em 1901, e do Baltimore Ravens, que disputa a NFL, principal liga do Futebol Americano.

Inner Harbor

Como de praxe, depois de fazermos o check in no hotel, pegamos um mapa e saimos para dar uma reconhecida no local. Por conta do feriado a cidade estava toda deserta e, enquanto iamos na direção do porto, ja fizemos uma nota mental para irmos tomar umas cervejas mais tarde no Mo’s Seafood, um do poucos (talvez o único) locais aberto, que inclusive tinha uma placa anunciando: “365 dias por ano aberto, inclusive no Natal e no Thanksgiving”.

Nota-se na região portuária que a cidade está passando por um grande processo de revitalização, já quase completo, onde a boa parte dos prédios são novos e alguns poucos foram revitalizados recentemente. Na parte conhecida como “Harbor East” se encontram alguns restaurantes e bares mais chiques, assim como lojas de luxo.

No restante da região portuária existem várias atrações, como museus (o aquário de Baltimore, ao menos por fora, é fantástico, e deve ser por dentro também, inclusive o submarino ancorado ao lado), restaurantes e dois “mini shopping centers”. Mesmo com o frio que fazia, algumas poucas pessoas (turistas) passeavam por ali. À partir das 20:00hrs, a vida foi voltando à cidade e alguns musicos de rua arriscaram a se apresentar.

Mr Trash Wheel – Inner Harbor

Depois do reconhecimento voltamos ao Mo’s para tomar as cervejas (algumas locais), mas enquanto estávamos lá pesquisando as atrações locais na web, descobrimos que o pequeno e aconchegante Brewer’s Cask abriria à partir das 21:00hrs. Pedimos a saideira e fomos até lá, já que serviria para, ao menos, conhecer uma parte mais antiga da cidade (Federal Hill) durante a noite. Grata surpresa: além das 20 torneiras com o melhor da produção cervejeira artesanal dos EUA, o atendimento e muito bom.

Na sexta a programação era ir pra Washington, mas na volta resolvemos dar mais uma volta no porto, onde pudemos passar na enorme Barnes & Nobles montada em uma antiga usina elétrica. Depois disto fomos conhecer a Gordon Biersch, uma cervejaria local que baseia suas receitas especialmente na escola alemã e que fica naquela area chique que já comentei. Quando estávamos voltando para o Hotel depois de sermos “expulsos” da Gordon Biersch (explico abaixo nas observações, dicas e considerações), acabamos topando com a Power Plant, a Disneylândia dos adultos….hahaha

O local, que também fazia parte da mesma usina onde fica a Barnes & Nobles já citada, é um complexo de entretenimento noturno, onde se encontram bares (uns 10), restaurantes e locais para shows. A entrada (gratuita) é única e lá dentro você pode ficar indo de um estabelecimento para outro, como por exemplo, de um simples bar com rock rolando ao fundo, para um restaurante mexicano e depois para um bar country com direito a touro mecânico e tudo. Sensacional!!!!

Inner Harbor

No sábado, resolvemos conhecer as áreas fora da região do porto. Primeiro fomos até o Mount Vernon, onde fica a bela igreja metodista e a biblioteca da universidade John Hopkins, um dos principais centros de pesquisa na área de saúde dos EUA. Ainda andando pela “parte alta” da cidade, passamos pela Basílica de Baltimore, que foi a primeira basílica católica construida nos EUA, país que tem como principal corrente cristã o protestantismo, e não o catolicismo. A cidade foi escolhida pelo Papa da época para abrigar a primeira basílica em solo americano justamente por ser a cidade que tinha a maior população católica nos EUA.

Depois disto resolvemos encarar a caminhada de umas quatro milhas (pra ir, e depois mais quatro pra voltar), até o Fort McHenry, exatamente o local das principais batalhas da guerra da independência e que inspirou a criação do hino nacional americano. Valeu mais pelo caminho do que pelo destino em sí, apesar do local ficar em um parque bem interessante, que além da natureza, também mostra alguns fatos históricos da formação dos Estados Unidos como país.

USCGC Taney – Inner Harbor

Na volta, paramos na região do porto novamente para aproveitar uma festa alemã que estaria acontecendo por ali, tipo uma Oktoberfest em novembro. Tinha umas HB, Gluhwein, algumas Wursts, mas nada demais.

No primeiro dia haviamos passado por um estabelecimento que não haviamos conseguido identificar o que era, mais tarde descobrimos que se tratava do Brew Pub da cervejaria Heavy Seas, cujas cervejas já haviamos experimentado (e gostado) no Mo’s. A Heavy Seas Alehouse fica num imóvel bem grande e rustico, com piso de concreto queimado e mobilia de madeira de construção. Além da próprias cervejas da Heavy Seas, sempre existem cervejas de outras cervejarias locais nas taps e, para minha felicidade, sempre tem uma cask ale disponível. Nota para o crab cake, uma “almondega” de carne de caranguejo, que é uma das comidas típicas de Baltimore.

Gostei bastante da cidade, principalmente porque aparenta ser uma cidade bem descontraida e, além de tudo, é bastante charmosa. Pretendo voltar no verão para aproveitar mais as atividades ao ar livre.

Observações, dicas e considerações:

  • O Thanksgiving é a data onde os EUA literalmente param (não peguei um 4 de Julho ainda): antes das 20:00 horas praticamente todo o comércio estava fechado (incluindo a maioria dos restaurantes) e as ruas estavam desertas. À partir deste horario a vida começou a voltar ao normal, mas mesmo assim, parcialmente.
  • Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas em situação de rua na cidade. Uma das maiores que já vi, mesmo comparado a cidades maiores, como Los Angeles ou New York.
  • Ao mesmo tempo, a quantidade de gente ajudando (indo servir comida, levando roupa, conversando com eles, etc) também impressiona, principalmente para quem tem aquela imagem do “americano individualista” (não é o meu caso). O que parece ser uma contradição é justamente a causa: o individualismo do americano faz com que ele se sinta na obrigação de cuidar do seu bairro, da sua cidade, etc. Mas ainda irei escrever um texto somente sobre isto.
  • Ir num restaurante mais requisitado pode ser meio estranho para os brasileiros, que gostam de ficar “fazendo hora” nos locais. O pessoal vai pra comer, tomar um ou dois drinks e ir embora. Então não é nada incomum o garçon já trazer a conta quando você fala que não vai querer sobremesa. Se for um restaurante com alta rotatividade, provavalmente vão apressar até na escolha do prato. A dica para não ser incomodado é ir para o bar (balcão) ao invés de pegar uma mesa.
  • Normalmente os restaurantes tem recepcionistas. Pra pegar uma mesa, tem que falar com eles, mas para ir para o bar, basta ir direto.
  • Estando no bar, não existe esta “pressão” para ir embora logo. Mas também não é comum entre os americanos ficar 3, 4, 8 horas num bar, como os brasileiros fazem. Normalmente eles jantam em um lugar, vão tomar alguns drinks em outro e depois continuam em casa. Ou então fazem o “esquenta” em casa e depois vão até um pub para tomar umas duas ou tres cervejas. O garçon ou barman pode até achar estranho quando você fica muito tempo no bar.
  • Por falar em balcão, aqui na costa leste, diferentemente da costa oeste, geralmente eles abrem a conta automaticamente e vao te cobrar no final. Mas se por acaso o bar não tiver esta prática, basta fazer como costuma-se na costa oeste e pedir para abrir uma conta (deixando o cartão de crédito com o barman): “may I open a tab?”.

Be happy 🙂

The Baltimore Basilica

Mount Vernon Place – United Methodist Church

Power Plant

Power Plant

Wanderlust #33 – Berlin (e Potsdam), Alemanha

A imponente Karl-Marx-Alle e ao fundo a Berliner Fernsehturm

A imponente Karl-Marx-Alle e ao fundo a Berliner Fernsehturm

Eu tinha dito ano retrasado que talvez não voltasse tão cedo à Berlin, apesar de amar a cidade, porque tenho muitos outros lugares para conhecer, porém acabei não resistindo à uma promoção da Alitália e tive que voltar à melhor cidade do mundo.

Alexanderplatz

Alexanderplatz

Como já falei muita coisa sobre a Cidade (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), vou fazer um Wanderlust diferente: como desta vez (minha terceira vez na cidade, somando um total de 9 semanas) eu fui acompanhado, eu montei uma programação que incluia pontos turísticos obrigatórios e alguns pontos interessantes que eu ainda não conhecia na cidade (e creio que ainda falta muita coisa para eu conhecer), vou passar uma sugestão de programação de 7 dias na cidade (é o mínimo para se conhecer, e não apenas “passar” por Berlin, e estou incluindo Potsdam).

Estou colocando em dias da semana pela ordem (de Segunda à Domingo), mas pode-se chegar na quarta, por exemplo, e fazer a programação até a próxima terça. Mantendo as programaçòes de Sexta, Sábado e Domingo (especialmente a de domingo de dia), qualquer outro dia pode ser trocado, só prestando atenção às segundas e terças, já que muitos museus fecham nestes dias.

Anhalter Bahnhof

Anhalter Bahnhof

As programações têm entre 4 e 6 horas de duração (exceto Potsdam, que tem cerca de 8 horas, contando o tempo para ir e voltar) para deixar um tempo livre para que se possa explorar a cidade, pois esta é a melhor maneira de se envolver em Berlin. Se puder encaixar a programação entre o final da primavera e o verão, melhor ainda, pois os dias são mais longos e dá para aproveitar mais..

Segunda:
Desça na estação Frankfurter Tor e caminhe pela Karl-Marx-Allee até a Alexandeplatz (cerca de 2kms). A Karl-Marx-Allee foi planejada para ser o local onde ocorriam os desfiles militares do regime comunista (para mostrar ao Ocidente a “imponência” da URSS e seu regime) e foi projetada para ser parecida com Moscou. Os prédio são imponentes e praticamente simétricos. Aqui ficavam a maioria dos principais pontos de lazer e cultural da Berlin oriental (para aqueles que podiam se dar ao luxo de curtir lazer e cultura).

Potsdamer Platz

Potsdamer Platz

Já na Alexanderplatz se encontra a Fernsehturm, a famosa torre de TV de Berlin, de onde se tem visão de praticamente toda a cidade. Dá para comprar o ticket com antecedência pela Web, mas comprando lá a média de tempo de espera é entre 40 minutos e uma hora e ai pode-se aproveitar a espera para tomar uma cerveja no Biergarten da praça. O ideal é tentar subir no horário do por do sol.

Para fechar, se você não tiver conhecido Munique, vale uma passada na Hofbräu Berlin para tomar algumas cervejas e comer comida típica da Baviera ao som das músicas tradicionais desta região. Agora se já tiver ido à Munique ou estiver para ir, pode dispensar. É um programa bem turístico mesmo.

Terça:
Desça na estação Möckernbrücke, cruze o Elise-Tilse-Park até o Tempodrom, que é um ginásio de eventos que tem uma arquitetura bem interessante. Tanto o parque quanto o Tempodrom e a praça de esportes em frente (Sportplatz Anhalter Bahnhof) ficam no local onde se encontrava a antiga estação de trem Anhalter Bahnhof (hoje existe a estação do S-Bahn), que durante a segunda guerra foi uma das três estações usadas para transportar os judeus para os campos de concentração. A fachada principal da estação, que foi praticamente toda destruída pelos bombardeios da guerra, ainda se encontra no local (as estátuas de anjo que a decoravam se encontram na área de trens do Deutsches Technikmuseum).

Tiergarten

Tiergarten

Da Anhalter Bahnhof até a Potsdamer Platz são cerca de 600 metros, boa parte deles sobre o trajeto por onde o muro passava. Potsdamer é o ponto principal onde se nota o esforço de reconstrução de Berlin depois da queda do muro. A praça, que ficou totalmente destruida após a guerra, hoje acomoda uma série de edifícios gigantes e modernos, como a sede da DB (Deutsche Bahn, a estatal que administra as ferrovias alemãs), da Daimler e o Sony Center. Continuando pela Eberstraße, em direção ao Portão de Brandemburgo, a visita ao Memorial aos Judeus Mortos na Europa é obrigatória. Se tiver pique para andar, vale a pena caminhar os 2 kilômetros até a Siegessäule (Coluna da Vitória) por dentro do Tiergarten. Se tiver mais pique ainda, caminhe os 2 kilômetros de volta ao portão de Brandemburgo (vá por um lado e volte pelo outro) e note a cúpula do Reichstag, o Parlamento Alemão. Do outro lado do portão fica a bela Unter den Linden, uma das principais avenidas, cercada por lojas, cafés e hotéis.

Caminhando mais um pouco (e haja pique!) dá para acessar o Gendarmenmarkt, que além de duas belas catedrais, conta com um bonito e enorme teatro. Aconselho a andar pela praça olhando para o alto afim de notar a decoração dos topos dos prédios. Para os chocólatras de plantão, não deixem de passar na Schokoladenhaus Fassbender & Rausch Chocolatiers.

Brandenburger Tor

Brandenburger Tor

Quarta:
Potsdam é a capital do estado de Brandemburgo, região onde se encontra Berlin (nota: apesar de Berlin ficar geograficamente dentro do estado, ela tem o status de “cidade-estado” e portanto uma relação de hierarquia direta com a República Federal da Alemanha) e é colado na cidade (tipo como se fosse São Caetano, ou Diadema, ou Osasco, só que bonita….kkk). Além de alguns fatos históricos importantes (foi lá onde URSS, EUA, França e Grã-Bretanha assinaram o acordo que dividiu a Alemanha e Berlin), tem vários edifícios históricos que, incrivelmente, foram poupados durante os bombardeios. Também conta com o fabuloso parque Sanssouci, com seus vários castelos e jardins e uma supresa a cada esquina. Aconselho muito a visita à cidade e sugiro que o passeio em Potsdam seja feito à pé.

249 Gendarmenmarkt - Berlin - Alemanha

Gendarmenmarkt

Na volta, como será final de tarde, se houver pique de caminhar mais um pouco, a sugestão é conhecer a Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, a famosa igreja “sem teto”. As torres da igreja foram bombardeadas e decidiram conservá-la desta forma e, ao lado, construiram uma outra estrutura para efetivamente realizarem as cerimônias. Ela fica na região da Kurfürstendamm, que pode ser considerada a Oscar Freire de Berlin, com suas lojas de grife e luxo. Ali perto fica a KaDeWe, uma loja de departamentos cuja visita também vale à pena, especialmente à sua seção de alimentos e bebidas, onde pode-se encontrar itens de qualquer parte do mundo.

Lustgarten - Sanssouci Park - Potsdam

Lustgarten – Sanssouci Park – Potsdam

Quinta:
Ir à Berlin e não conhecer a East Side Gallery é um pecado, especialmente para os apreciadores de street art, portanto, aproveite a quinta para ir até lá, descendo na Ostbahnhof. Infelizmente de uns dois anos para cá os visitantes resolveram “deixar sua marca” escrevendo frases e nomes por cima das pinturas, o que tem levado a prefeitura a cercar o muro. Muito triste. Na volta, desça em Hackescher Markt e escolha entre algum dos museus da Museumsinsel ou então, para quem gosta de história, dirija-se diretamente ao DDR Museum, um museu que conta como era a vida na Alemanha Oriental. Ali na mesma região também existem outros museus, mas um outro que eu sugeriria (que não fica na mesma região), se houver tempo, é o Deutsches Technikmuseum, especialmente pela coleção de trens (sim, trens de verdade, e não é um só), barcos e aeronaves. E agora ainda contam com um anexo com automóveis, computadores e mais algumas bugigangas.

Nikolaikirche - Potsdam

Nikolaikirche – Potsdam

Na volta, vale uma passada em frente a Berliner Dom (fica ao lado do DDR e da Museuminsel) e depois se dirigir à Nikolaiviertel, o bairro onde Berlin nasceu. E estando lá vale muito à pena comer e tomar umas cervejas da Georgbraeu.

Sexta:
Além de vários parques, Berlin conta com várias florestas urbanas. Uma bem simpática, já fora da região central da cidade, é a Akazienwäldchen, próxima a estação Blaschkoallee (que também é bem charmosa). Ao lado do parque fica o Murugan Tempel, um templo indiano bastante colorido. Havendo tempo vale a visita.

O que não se pode deixar de visitar em Berlin é o Tempelhof, um Aeroporto que foi transformado em parque. Além da situação interessante de andar por onde trafegavam aeronaves, vale muito conhecer a história da ocupação e consequente transformação em parque.

Depois do Templelhof, a dica é ir até a Mariannenplatz, no bairro de Kreuzberg. A praça também é bem charmosa e é interessante notar que o tipo de iluminação e postes é diferente de cada lado das ruas que a cercam, já que ela ficava do lado oriental enquanto a rua em sí ficava na parte ocidental.

Dalí dá para caminhar até a Oberbaumbrücke, passando pelo Schlesisches Tor, ambos em Kreuzberg. O bairro de Kreuzberg, junto com Prenzlauerberg, sofreu ocupação de artistas, designers e outros profissionais ligados à arte à partir da metade da década de 90, o que transformou o bairro em um local repleto de galerias, brechós, bares, estúdios e casas de show.

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche

E já que falamos em Prenzlauer, a dica para a sexta à noite é fazer um esquenta no Zu mir oder zu dir (pode-se fumar no bar, o que pode ser incômodo para não fumantes. Cães também são permitidos) e depois procurar alguma festa, show e/ou balada na Kulturbrauerei, uma antiga cervejaria (a tradução exata é “cervejaria de cultura”), convertida em um enorme “shopping” de atividades culturais e de lazer. Podem ocorrer, na mesma noite, nos vários espaços, diferentes eventos. E ai fica à gosto do fregues escolher entre uma festa cubana, uma aula de capoeira, uma peça de teatro, um simples jantar ou uma rave.

Na volta, pegue uma cerveja em alguma das “später Kaufen” (as lojas de conveniências) e aproveite para curtir alguma apresentação que provavelmente estará ocorrendo nas escadarias da estação Eberswaldestraße.

Sábado:
Como disse em um dos artigos linkados acima, se você não tomar cuidado pode se perder e gastar seus dias em Berlin apenas visitando museus. A programação que eu estou citando aqui leva entre 4 e 6 horas e ai sobra tempo para que você escolha alguns museus de sua conveniência e encaixe, mas um dos que eu recomendo muito é o Topographie des Terrors, um museu gratuito que conta (com muitas, muitas fotos) toda a história desde a ascenção de Hitler até a queda do muro. Como fica a um quarteirão de Checkpoint Charlie, vale a passada neste ponto turístico para tirar umas fotos.

Akazienwäldchen

Akazienwäldchen

Se curtir carro e tiver afim de gastar uma grana, o passeio de Trabi do Trabiworld (entre o Topographie des Terrors e o Checkpoint Charlie) vale muito à pena.

Para a noite de sábado, a dica é explorar Kreuzberg, iniciando pela Hopfenreich, com suas 22 torneiras com o melhor da recente cena de cerveja artesanal/especial de Berlin. Na sequencia sugiro o Lido, que sempre conta com algumas apresentações bem interessantes, na linha de Soul, Funk, Disco, Jazz e Rap, inclusive de Brasileiros (Criolo, Emicida e Diogo Nogueira são alguns que já passaram por lá). Antes de sair não esqueça de tirar bastante água do joelho para poder aproveitar um pouco das atrações musicais (bandas, rappers, cantores) que se revezam durante as madrugadas em frente à estação Warschauer Straße. Imagino que se tivesse banheiro ali muita gente nem iria se preocupar em ir para as baladas de Kreuzberg.

Domingo:
Este programa deve ser feito justamente no domingo. Primeiramente desça em Hackescher Markt e caminhe pelo James-Simon-Park à beira do Spree no sentido da Neue Synagoge Berlin, outro local icônico de Berlin e da história do holocausto (a entrada só é liberada aos membros da comunidade judaica por motivos de segurança, e ainda assim após passar por um raio-X). Depois dá para ir andando até a Nordbahnhof, onde começa a Bernauer Straße e um museu a céu aberto sobre o muro.

Tempelhof

Tempelhof

A Bernauer Straße é icônica pois foi dividida ao meio pelo muro e várias das cenas e histórias mais conhecidas durante a construção e a existência do muro ocorreram ali: a igreja da reconciliação, que ficava de um lado enquanto seus fiéis ficavam do outro, o cemitério que foi “deslocado” para acomodar a “death strip”, fugas tanto por túneis quanto de pessoas pulando as janelas. Enfim, é uma aula de história e de a que ponto chega a imbecilidade humana.

A Bernauer termina no Mauerpark (Parque do Muro) um parque que “nasceu” depois da queda do muro, justamente na área da death strip e tem uma história de ocupação parecida com a do Tempelhof. Aos domingos ocorre ali um mercado das pulgas onde pode-se encontrar roupas novas e usadas, artesanato, camisas de times de futebol, brinquedos, eletrônicos, memoriabilia, uniformes militares, enfim, praticamente tudo. No mercado também são montadas algumas “praças de alimentação” com “ambulantes” vendendo comida, muitas delas tradicionais de regiões mais desconhecidas da Alemanha.

Mariannenplatz

Mariannenplatz

Saindo do mercado, o parque em sí também é outra atração imperdível, com gente fazendo churrasco, jogando bola, crianças brincando e muitos, muitos músicos, dos mais variados estilos, fazendo música em troca de moedas. No verão ocorre ainda, no anfiteatro do parque, um Karaokê ao ar livre que é fantástico. Passar um domingo no Mauerpark é a receita para sair com um sorriso de orelha a orelha (depois de derramar algumas lágrimas de emoção).

Observações, dicas e considerações:

  • Apesar do Outono na Alemanha apresentar uma beleza e mistura de cores impressionantes, à partir de novembro várias atrações, como as praias e alguns parques, começam a se preparar para o inverno e portanto fecham. Se puder escolher, a melhor opção é ir entre Abril e Outubro.
  • Interessante como quase nenhum estabelecimento oferece wi-fi. Nota-se que o Berlinense quando vai ao bar com amigos, ele vai ao bar com amigos. Se fosse pra ficar no smartfone ele ficava em casa.
  • Aproveite para tirar alguma foto em umas das várias máquinas espalhadas pela cidade. Custa apenas 2 euros e é um belo souvenir.
  • É tanto lugar legal para conhecer e coisas interessantes para se fazer em Berlin que fica até difícil montar um roteiro para apenas 7 dias e tive que “abrir mão” de várias coisas para não sobrecarregar.

Be happy 🙂

East Side Gallery

East Side Gallery

Warschauer Straße: a verdadeira passarela do álcool....hahaha

Warschauer Straße: a verdadeira passarela do álcool….hahaha

Neue Synagoge Berlin

Neue Synagoge Berlin

Mauerpark

Mauerpark