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Wanderlust #46 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

(28/Ago/2017-31/Ago/2017)

Pier Mauá

Confome havia falado no último Wanderlust sobre o Rio, a cidade contém várias em uma. Desta vez, com uma passagem rápida somente durante a semana, resolvemos fazer um roteiro pela baixa gastronomia do Rio, especialmente fora dos pontos turisticos (Copacaba, Ipanema e Leblon).

Mas como ninguém é de ferro, já haviamos programado a viagem para podermos curtir o Samba do Trabalhador, uma das melhores rodas de Samba do Brasil, já na segunda-feira. Pegamos o metrô, descemos na Saens Peña, na Tijuca, e demos uma volta pelo centro comercial do bairro. Depois nos dirigimos ate o Renascença Clube e após tomarmos umas duas cervejas (Antárcticas, claro!) na porta, entramos logo no início do Samba (lá pelas 16:30) para garantirmos o nosso lugar. Na saída, no caminho de volta para o metrô, encontramos o Gabriel da Muda, um dos cavaquinistas da roda, que perguntou se a gente não estava no samba, ai começamos a trocar idéia e ele nos chamou para dar um passada no Bar do Momo, que ficava no caminho. Ficamos lá um pouco e já planejamos voltar no outro dia.

Na terça-feira lá fomos nós novamente para a Tijuca fazer um tour pelos botecos da região. Voltamos ao Momo, onde pudemos aproveitar, agora com calma, o ótimo bolinho de arroz (olha que eu não sou chegado neste petisco pois acho sem graça) e a surpreendente guacamole de Jiló. Depois fomos até o Varnhagem, na praça de mesmo nome, onde além de tomarmos umas geladas debaixo de um sol escaldante, também aproveitamos para pedir uma porção mista de bolinhos.

A idéia de fazer um tour pelos botecos da Tijuca surgiu ao acompanharmos os videos do canal Botecos do Edu, então fomos seguir algumas das sugestões. Primeiro passamos no Café e Bar Aldila, uma portinha que, segundo o Edu, tem um dos melhores torresmos do Rio. Achei bom, acima da média, mas já comi melhores. Em seguida fomos até o Cantinho do Céu para mais uma cerveja.

Neste meio tempo o Gabriel havia sugerido por mensagem que fôssemos ao Carioca da Gema. Lá provamos uma otima porção de torresmo e uma coxinha boa (apenas). Infelizmente não havia mais espaço no estômago para provar a porção de polenta com rabada desfiada, que pareceu muito apetitosa.

Quarta de manhã fomos dar uma volta na Praça Mauá para ver como havia ficado após a Copa (passamos lá um pouquinho antes da Copa, em 2014). Ficou bem legal, mas ainda falta um movimento. Poderiam montar um espaço com bares e restaurantes, a exemplo da Estação das Docas em Belém. Antes de nos dirigirmos até Botafogo para explorar os bares da região, passamos para tomar uma caipirinha no Quiosque Terra Vista, em Ipanema, que tem uma das melhores que eu já provei.

Demos uma circulada pela rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, que muitos afirmam ser o mais parecido com a Vila Madalena no Rio, porém não encontramos nenhum boteco digno de nota. Mas seguindo novamente uma dica do Gabriel, fomos até o bar da Cervejaria Hocus Pocus e novamente a dica valeu muito a pena. O lugar é ótimo, as cervejas fantásticas, petiscos deliciosos e atendimento acima da média (a garçonete Gabi é uma atração à parte pela simpatia e alegria).

Foram poucos dias, mas deu pra aproveitar relativamente bem. Pena que não deu pra voltar ao Rio na última vez que estivemos no Brasil. Quem sabe na próxima.

Observações, dicas e considerações:

  • Será que é tão difícil para a rede de transporte público de São Paulo copiar o sistema de vendas de cartões do Rio? Não precisa nem das máquinas automáticas. Basta disponibilizar o cartão para venda nas estações de metrô.
  • O VLT / Tram / Bonde do Rio funciona muito bem, inclusive o sistema com validação do bilhete sem o cobrador. Uma pena que a rede é pequena.
  • Algumas linhas de ônibus do Rio também aboliram os “trocadores” (como se chamam os cobradores no Rio) e têm funcionado. Novamente, parece que só São Paulo não consegue (ou não quer) adotar algumas coisas que dão certo em praticamente todo o mundo no seu sistema de mobilidade urbana.

Be happy 🙂

Samba do Trabalhador – Renascença Clube

Bar do Momo – Tijuca

O supreendente bolinho de arroz do Bar do Momo (surpreendente para mim, que acho o petisco sem graça)

Guacamole de Jiló: este sim supreendente! – Bar do Momo

Bar Varnhagen – Tijuca

Porção mista de bolinhos do Bar Varnhagen – Tijuca

Torresmo do Café e Bar Aldila – Tijuca

Cantinho do Céu – Tijuca

Porção de Torresmo do Bar da Gema – Tijuca

Bar da Gema – Tijuca

Flamengo

Flamengo

Pier Mauá

Hocus Pocus DNA – Botafogo

Quiosque Terra a Vista – Ipanema

Wanderlust #45 – São Paulo – Brasil

(18/Ago/2017-02/Set/2017)

Praça Roosevelt

Uma vez assistindo um programa sobre brasileiros que moram no exterior (o programa era sobre Berlin, se não me engano), uma das brasileiras entrevistadas soltou uma frase maravilhosa: “o migrante se torna um apátrida, pois o país para o qual ele imigrou nunca será o seu lar, e o país do qual ele emigrou nunca mais será o seu lar”. Após quase um ano morando fora fui entender o sentido da frase. Mesmo com toda a tecnologia de comunicação disponível, principalmente através da internet, quem está fora do país acaba por perder referências durante o tempo que passou fora (de cultura, de política, etc.), ao mesmo tempo em que não tem as referências do novo país (um desenho que as pessoas assitiam na infância, uma moda, um brinquedo ou um programa de TV de dez anos atrás, etc.). O Gilberto Gil cantou isto lindamente na maravilhosa Lamento Sertanejo, em parceria com o Dominguinhos (aqui tem uma versão imperdível com o Hamilton de Holanda, a caboverdiana Mayra Andrade e o Yamandu Costa). E foi com este vácuo de quase um ano perdendo referências (ainda pouco tempo, mas uma diferença perceptível) que visitamos São Paulo pela primeira vez na condição de turistas (a primeira volta, em Dezembro, não conta, pois foi um “bate-e-volta”).

A primeira coisa notável é a forma como rapidamente já incorporamos alguns costumes, a ponto inclusive de nos irritarmos um pouco com alguns comportamentos, como por exemplo a falta de respeito às leis de transito. A cidade em sí não mudou muito, o que particularmente achei um mau sinal. São Paulo vinha numa mudança nos últimos 6 ou 7 anos para um estilo de cidade mais parecido com o que eu idealizo em uma metrópole, especialmente no que diz respeito ao uso do espaço público por sua população (não adianta, sempre terei Berlin como referência neste quesito). Parece que aquele impeto de ocupar os espaços públicos deu uma aplacada. A Praça Roosevelt, a Consolação e a Avenida Paulista (em um dia normal) me pareceram menos “festivas” do que eram quando nos mudamos. Felizmente a própria Paulista aos Domingos e a Vila Madalena, ainda estão com bastante atividade (apesar do clima um pouco diferente).

Este é um Wanderlust um pouco diferente. Sei lá, não sou mais um “paulistano”, mas ao mesmo tempo ainda não me sinto como um turista na cidade. Ainda posso dar dicas de alguns lugares interessantes, mas as dicas seriam de um “nativo” de um tempo passado (ou seja, podem ser uma furada), e não de um turista. Então desta vez vou me abster.

Se esta sensação me dá algum arrependimento da mudança? De forma alguma! Toda escolha que se faz na vida é sempre múltipla: voce escolhe uma opção, mas ao mesmo tempo deixa de escolher infinitas possibilidades. E eu acho uma besteira ficar com saudades do que poderia ter sido (obrigado Paul Austin). E como diria o mesmo Gilberto Gil, “o melhor lugar do mundo é aqui e agora“. E até que a sensação de “falta de pertencimento a algum lugar” (que na verdade não é nova, pois já fazem uns dez anos que eu não me sentia “em casa” no Brasil) se aplacou um pouco quando o oficial da alfândega nos desejou um “Welcome home!”.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu ainda estou pra ver alguma outra cidade que tenha algo como a Vila Madalena em termos de vida noturna. Uma mistura de tribos, de estilos, uma gama tão grande de opções (em uma área geográfica relativamente pequena) que ainda não encontrei nada nem parecido em Nova Iorque, Los Angeles ou Berlin (pra citar as grandes metrópoles que conheço a fundo e que são comparáveis a São Paulo, não conheço muito bem Londres).
  • Como querem promover o turismo na cidade se um turista não consegue nem comprar um bilhete único para se locomover pela cidade?

Be happy 🙂

Metrô Consolação: em SP pode beber em público. Não pode beber no metrô, mas pode também!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz) – ficou muito legal com os grafites!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Avenida Paulista aos Domingos – a ocupação do espaço público ainda resiste!

Beco do Batman – Vila Madalena

Pôr-do-sol na Ponte da Casa Verde/Marginal Tietê

Wanderlust #30 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

RJ 01Existem cidades que são muitas dentro de uma. Estas cidades são impossíveis de se conhecer em apenas alguns dias, eventualmente mesmo algumas semanas são pouco e você é “obrigado” a voltar várias vezes para poder conhecer todas as faces delas. São Paulo é assim, Berlin também é. Mas o Rio talvez seja a principal delas. Existe o Rio de Janeiro das paisagens de tirar o fôlego, o Rio das praias populares, o Rio das praias isoladas, o Rio histórico, o Rio desportista, o Rio da ostentação, o Rio da periferia, e por ai vai.

Desta vez (minha quinta vez na cidade), mesmo antes de saber que o tempo estaria ruim, tinha combinado com os amigos que seria o “Feriado do Samba”, ou seja, desta vez iriamos conhecer (ou rever, em alguns casos) o Rio do Samba. Mas não aquele samba da Lapa/Rio Scenário. Iriamos aos redutos do samba de raiz.

Bar do Bacana

Bar do Bacana

Mas antes de iniciar resolvemos pegar um bar “de leve” na sexta feira, para não acordarmos estragados no sábado. Fomos caminhando de Ipanema até o Leblon para fazer um “happy hour” no Bar do Bacana, que é do mesmo dono da rede Belmonte, famosa por suas empadas. Para não parecermos muito paulistas, é claro que pedimos cerveja Antárctica (que era minha preferida há uns 20 anos atrás). Como tiragosto (ou tiragoxxxto), uma porção de batatas fritas da casa, que eram acompanhadas de tiras de linguiça calabresa frita e cobertas por queijo. Fica a dica para algum bar “copiar” em SP. Como é comum no Rio e infelizmente incomum em SP, não deixamos de pedir uma porção de um suculento torresmo. E ai cerveja vai, caipirinha vem e a proposta de “tomar de leve” tinha ido para o brejo. Ainda bem que começamos cedo, então voltamos cedo para o ap para podermos descansar para a maratona dos outros dias.

Madureira...

Madureira…

No outro dia, tomamos um café da manhã bem reforçado para encararmos a Portela na parte da tarde (até à noite). Não tenho costume de ficar andando muito de táxi ou alugar carro quando viajo porque acho que você perde boa parte da experiência social local se “isolando” dentro de um veículo particular. Ainda bem que os amigos encaram numa boa e toparam ir até Madureira de metrô e trem. Eu tenho muitas horas de trem nas costas por ter morado na Z/L quando a linha vermelha ia somente até o Tatuapé e também por ter sido office boy. Mas os amigos sempre acham engraçado o comércio ambulante, que vende desde balas até eletrônicos dentro dos vagões. Inclusive lá a vida é bem mais fácil para os ambulantes e aqui em SP também podiam “fazer vista grossa”, já que eles mesmo não entram quando está muito cheio e se organizam para não entrarem muitos de uma vez no vagão.

RJ 04Depois de uns 30 minutos de trem (e 4 chocolates baton por 2 reais) chegamos em Madureira e caminhamos por uns 10 minutos até a quadra do GRES Portela. A quadra é bem grande e muito bem montada. É feita para turista, com camarotes e áreas reservadas, mas diferente da Rosas de Ouro, em São Paulo, mesmo dando uma atenção aos turistas não perdeu a essência e não virou balada. Ainda é escola de samba, tanto no que diz respeito ao som e à presença em peso da comunidade, quanto pela ausência de “ostentação” por parte dos visitantes. E foram quase 8 horas curtindo várias atrações, como Velha Guarda (com a presença do Seu Monarco), Portelinha, Grupos de Samba, Dominguinhos do Estádio, entre outros. Recomendo!

No domingo  como o programa era à partir das 17:00hrs, deu para “pegar uma praia” de manhã e para isto fomos caminhando pela orla até o Leblon. Como praia mesmo não ia dar, apenas sentamos e ficamos por ali conversando, fumando e tomando umas cervejas (desta vez de leve mesmo).

RJ 05Depois do almoço era hora de encarar outra maratona de metro e trem, desta vez até Olaria, para visitar novamente a quadra do Cacique de Ramos. De domingo o trem é meio complicado pois os intervalos podem chegar até 1 hora. Talvez devessemos termos ido de BRT, já que existe uma estação ao lado da de trem. De qualquer forma conseguimos chegar, pegar um balde de cerveja e finalmente consegui comprar minha camisa do Cacique. Mas devido o feriado, em cerca de 30 minutos o local estava cheio, o que tornava a ida ao banheiro ou ao bar uma missão das mais difíceis e praticamente impedia de ouvir o som, já que estávamos longe e com muito mais gente tem muito mais barulho. Como não valia muito a pena ficar, tomamos mais um pouco e fomos embora relativamente cedo, não antes sem notar que boa parte das pessoas que estavam lá também haviam estado na Portela no dia anterior e que muitas eram de São Paulo (a gente percebia pelo sotaque e por vestirem camisas de escolas ou times de São Paulo). Ainda quero visitar o Rio durante a semana para pegar a roda do Cacique que acontece às quartas. Deve ser mais confortavel e mais raiz.

RJ 06Na volta a Ipanema, um pit stop no Belmonte para umas empadas e alguns chopps e toca dormir para aproveitar a segunda feira de feriado.

O tempo não melhorou na segunda, mas ao menos deu uma esquentada e a possibilidade de chuva era bem pequena, então fomos andar novamente desta vez sentido Arpoador. Acho que em todas as outras vezes que eu fui à cidade eu me programei para assistir o por do sol no Arpoador e no fim, enrolado em outros passeios, acabava perdendo e não conhecendo esta praia. Desta vez não iria rolar pôr do sol mesmo, então aproveitamos para apreciar uma das mais belas vistas da cidade. Depois paramos em um quiosque em Ipanema para mais algumas cervejas.

Samba do Trabalhador: atualmente a melhor samba de roda do Brasil

Samba do Trabalhador: atualmente a melhor samba de roda do Brasil

À tarde, toca para o Andaraí para curtir uma das melhores rodas de samba da cidade: Moacyr Luz e seu Samba do Trabalhador, que ocorre em todas as segundas (nesta era feriado, mas ela acontece principalmente quando não é) há mais de dez anos no Renascença Clube e já foi aclamada nos últimos três anos por vários veículos de imprensa, bem como por outros artistas como sendo a melhor roda de samba do Rio. Digo até mais: é uma das melhores do país (eles tocam regularmente em São Paulo também) e o recente disco deles também é um dos melhores discos de samba lançado nos últimos 5 anos. E é samba mesmo: violão, violão de sete, dois cavacos, pandeiro, cuica, surdo, prato e faca. Nada de bateria, baixo e teclado (nem na roda e nem no CD).  Os músicos vão se revezando puxando sambas e como cada um do grupo tem um gosto e uma formação diferente na música, dá para ouvir desde Noel Rosa até versões de MPB, todas com a roupagem do grupo. Para abrilhantar mais a roda, na primeira parte eles contaram com a presença da fantástica Teresa Cristina e na segunda parte, além de participações desta, algumas canjas de Toninho Geraes. Devido ao feriado o Rena encheu rapidamente, formando fila de espera, e novamente notamos que muitas das pessoas que estiveram na Portela e no Cacique também estavam nesta roda. Uma roda que fechou o feriado com chave de ouro e quase me fez comparecer em um bar em São Paulo onde eles estariam tocando na três dias depois.

Clube Renacença lotado, especialmente de paulistas!

Clube Renacença lotado, especialmente de paulistas!

O fim de semana foi muito bom, só faltando um pouco de sol mesmo, mas o Rio, assim como as outras cidades que eu citei no início, tem um problema sério: cada vez que você vai à cidade volta com uma lista maior de coisas para fazer na próxima visita do que você tinha na ida.

Observações, dicas e considerações:

  • Como tinha gente de São Paulo nos sambas! Mas também tinha muita gente de Santos-SP (da outra vez que eu fiu no Cacique também) e de Curitiba afim de curtir este Rio do Samba. Imagino até que as agências de turismo já estejam oferendo pacotes deste tipo.
  • Tirando a Portela, que é feita para receber turista, o Cacique e o Renascença são clubes menores e ainda pouco preparados para receberem uma leva grande de pessoas. Por isto se a intenção é conhecer algum dos dois, prefira um final de semana sem feriado (e no caso do Cacique um domingo em que não ocorra a feijoada).
  • As estações de trem estão sem identificação, e alguns trens não anunciam a próxima estação. Para “ajudar” aos finais de semana algumas linhas que correm trechos sobrepostos alternam as paradas. É bom perguntar na estação sobre as paradas que o trem vai fazer e ficar atento para não descer errado.
  • Aos domingos é bom tentar checar os horários de trens (o Google ajuda com isto e tem também o site da Supervia, a operadora do sistema de trens do Rio) e se programar para chegar na estação com antecedência.
  • Em todos os lugares, inclusive na Zona Norte, tinham muitos policiais e uma sensação de segurança que não se tem em São Paulo
  • No domingo do Cacique rolou Fla x Flu e o trem passou pela estação Maracanã exatamente após o final do jogo. Subiram hordas de Flamenguistas no vagão e depois entra um Tricolor enrolado em uma bandeira. A viagem transcorreu na maior paz, sem nem provocações ou mesmo grupos cantando gritos de guerra. O carioca sabe aproveitar mais o futebol sem transformá-lo em guerra.

Be happy 🙂

Wanderlust #29 – Brasília, Distrito Federal, Brasil

01 Eixo Monumental - Brasilia - DF - BrasilEntre as pessoas que eu conheço e que já manifestaram alguma opnião sobre Brasília, existem 3 grupos facilmente identificáveis: o primeiro grupo é de pessoas que amam a cidade, formado na sua maioria por pessoas que nasceram ou cresceram na cidade, ou pelo menos que já vivem lá durante algum tempo. O segundo grupo é de pessoas que simplesmente odeiam a cidade. Uma boa parte nem sequer a visitou, mas já formou seu julgamento à partir do que ouviu ou do que viu através de fotos. Alguns poucos já estiveram (ou viveram) realmente na cidade, mas não se adaptaram. O terceiro grupo é daqueles que tiveram uma primeira impressão ruim, mas que foram cativadas, porém não têm coragem de admitir que gostam e por isto falam mal dela, mas ficam putos se outra pessoa fala mal.

CONIC

CONIC

Vou dizer que eu sou “ponto fora da curva”, já que não tinha uma opnião pré concebida e acabei gostando muito da cidade. Apesar de achar que deve ser uma cidade muito, mas muito mais legal para morar do que para fazer turismo.

Não vou nem entrar na história da cidade, já que é obrigação de todo brasileiro saber como se deu a construção da cidade, que foi planejada para ser a capital do Brasil. Vou direto ao que eu fiz lá.

Jardins do Palácio Itamaraty

Jardins do Palácio Itamaraty

Na quinta feira era feriado de 9 de Julho em São Paulo e foi bom para “sentir” a cidade no seu dia a dia. Primeiramente fomos até a torre de TV, localizada no Eixo Monumental (o “corpo” do avião), cujo mirante dá vista para praticamente todo o plano piloto. De lá, seguimos sentido Esplanada dos Ministérios, mas antes, próximo à Rodoviária Central, demos uma passada no CONIC, que é uma mistura de Galeria Pajé com Galeria do Rock em São Paulo, e onde se encontram diversas lojas populares (restaurantes, cabelereiros, lojas de departamentos, etc) e alternativas (camisetas, discos, tatuagem, etc). Um destaque do CONIC são os grafites em sua área interna, que valem a visita para quem curte street art. Infelizmente não conseguimos passar na Rodoviária para comer um pastel, que me disseram ser o melhor de Brasília.

Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes

Em seguida passamos em frente à Biblioteca Nacional e fomos até o Museu Nacional. Ambos os edifícios são bonitos mas, assim como no Memorial da América Latina, em São Paulo, a área onde eles se encontram poderia ter uma pouco mais de verde e menos, bem menos, de concreto. O Museu apresenta algumas obras interessantes de artistas contemporâneos. Vale a visita. Logo em seguida, fomos à Catedral Metropolitana,  e simplesmente não achei a maravilha da arquitetura que a maioria das pessoas acha (não é implicância com o Niemeyer, juro). Pode até ser interessante do ponto de vista técnico, mas visualmente não gostei.

Logo na sequencia, após a Catedral e indo sentido à Praça dos Três Poderes, fica a Esplanada dos Ministérios. Engraçado que quando a gente vê na TV imagina que cada prédio (que abriga um ou mais ministérios) fica a uma distância considerável de outro, já que normalmente fazem um enquadramento fechado, para pegar somente aquele ministério, mas na verdade é um conjunto de prédios enfileirados, a não mais do que 100 metros um do outro. Atrás deles ficam os anexos dos ministérios, que foram construidos posteriormente para abrigar o crescimento tanto dos ministérios como da quantidade deles.

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

Após os ministérios, ficam os dois prédios mais bonitos da Esplanada (um de cada lado): o Palácio Itamaraty, que tem um belo paisagismo do Burle Marx e o Palácio da Justiça, com seus arcos invertidos formando cascatas. Ligando os dois palácios se encontra a Alameda dos Estados, onde se enfileiram os pavilhões de todos os estados brasileiros, mais o do Distrito Federal e a própria bandeira do Brasil.

Em seguida vem o Congresso Nacional, talvez o prédio mais famoso do Niemeyer e do Brasil, que fica na Praça dos Três Poderes, tendo o STF de um lado e o Palácio do Planalto do outro lado. Novamente na praça dos três poderes senti falta de verde, de árvores. Tinhamos programado fazer a visita guiada ao Itamaraty neste dia, mas eu estava de bermuda e durante a semana não é permitido, assim como na visita ao Congresso. Mas agendei para voltar no outro dia (é uma boa agendar, até para verificar se existe cerimonial, que podem causar a suspensão dos tours guiados).

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

À noite conhecemos um bar chamado “La Loca de tu Madre”, na Asa Sul. Achei bem legal os bares, restaurantes e outros estabelecimentos similares em Brasilia, pois as áreas externas destes se encontram nos fundos das quadras (se imaginarmos que a frente seja a rua), geralmente em uma área gramada e cheia de árvores.

No outro dia resolvemos andar pelo Parque da Cidade, desde a W3 Sul 713 até o Eixo Monumental, uma caminhada de uns 5kms. Logo após tomei um táxi até o Congresso, pois queriamos fazer a visita guiada. No Congresso, o salão verde, com suas obras de arte, é um dos destaques especialmente pela exposição rotativa dos presentes oferecidos por autoridades de outras nações. Após a passagem pelo salão verde, o grupo tomou uma passagem subterrânea que dá acesso ao Senado e lá pudemos observar o “plenarinho”, que eram os móveis que compunham o Senado original, no Rio de Janeiro, e que ainda está aguardando um local para serem expostos. Nos dirigimos até a Câmara dos Deputados, onde o guia nos explicou todo o funcionamento, tanto processual quanto técnico, das votações. Depois fomos até o plenário do Senado, onde estava ocorrendo uma sessão solene. Gostaria de ter acompanhado uma votação, mas já valeu a sessão solene.

Palácio da Justiça

Palácio da Justiça

Após a visita, um “amigo de um amigo” que trabalha no Senado nos levou para tomar o café de graça mais caro da minha vida (o café é gratuito, qualquer cidadão pode tomar, mas ele é pago com nossos impostos!) e para conhecer alguns lugares no Congresso que, apesar de abertos ao público, não são incluidos na visita guiada. Então passamos por outra passagem subterrânea (que lembra um filme de ficção científica) até o Anexo IV da Câmara dos Deputados. Lá subimos até o terraço, onde se encontram um restaurante e uma lanchonete (abertos ao público) e de onde se tem uma vista bem legal do Congresso.

O próximo passeio era a visita guiada no Palácio Itamaraty. Se por fora o prédio já é o mais belo da Esplanada, por dentro não deixa para menos. Depois da visita guiada, novamente encontramos uma “amiga de um amigo” que é diplomata e que nos levou para conhecer salões que não são abertos ao público e, como ela já trabalhou no cerimonal do Itamaraty, nos explicar com mais detalhes o funcionamento do órgão. Após o passeio era hora de voltar para ver o famoso por do Sol de Brasília.

Congresso Nacional

Congresso Nacional

A noite fomos jantar no Faisão Dourado, um ótimo restaurante onde além da qualidade, o preço vale muito a pena (também pela quantidade servida).

No sábado de manhã demos um pulo no Mercado Municipal, que é uma imitação em menor escala (bem menor) do Mercado Municipal de São Paulo. Apesar de ser pequeno, a variedade de produtos é muito grande até impressiona! Depois fomos até o Quituart, uma “praça de alimentação” que fica perto do Lago Norte, degustar uma bela de uma Porqueta no Le Birosque. Depois do almoço seguimos rolando até o Mercado Cobogó, um misto de café e galeria de arte, na SCRN 704/705, onde estava rolando uma feira de artes muito legal. Ótimo é notar que, assim como vem ocorrendo em São Paulo, a galera de Brasília tem ocupado os espaços públicos com arte, culinária ou qualquer coisa que o valha. Inclusive uma galera de Valinhos que faz xilografia “despencou” do interior de São Paulo à bordo de uma bela Veraneio para participar do evento. Além de poder prestigiar vários artistas locais, ainda foi possível tomar umas cervejas especiais no Fusbier. Depois da feira fomos até o Objeto Encontrado, um outro misto de café e galeria que, segundo os brasilienses, tem o melhor cheese cake da cidade. Discordo deles: é o melhor cheese cake do Brasil.

Parque da Cidade

Parque da Cidade

À noite já estava reservada para curtir a festa Simetria, organizada também por um “amigo de um amigo”, no Velvet Pub, uma casa que poderia estar tranquilamente localizada no Bixiga. Interessante notar a mistura de tribos convivendo em harmonia no mesmo local.

No domingo fomos conhecer  a ponte JK, uma ponte estaiada cuja arquitetura dá de dez a zero nas duas estaiadas de São Paulo, e que passa pelo Lago Sul, que conta nas suas margens com uma ótima área de lazer e uma “praia” para quem está longe do litoral (senti uma ponta de inveja pelos rios Tietê e Pinheiros não serem limpos) e na sequência fomos até o Palácio da Alvorada. Deve ser legal fazer o passeio lá, mas ele que ocorre somente às quartas feiras.

Salão Verde - Congresso Nacional

Salão Verde – Congresso Nacional

Para finalizar fomos almoçar no restaurante Casarão, que serve em mesas espalhadas por uma praça e cuja refeição (e algumas cervejas) são acompanhadas por um grupo de chorinho. O programa é tão agradável que dá vontade de voltar só para curtir um domingo ali. Como o resto da cidade também te atrai de volta, existem muitos motivos para eu voltar à Brasilia. Aliás, existem vários motivos para até morar em Brasília!

Observações, dicas e considerações:

  • A falta de conhecimento do funcionamento da nossa democracia e a falta de respeito às nossas instituições democráticas talvez diga muito do porque sempre sermos “o país do futuro”. Tinha gente que estava na visita ao congresso esperando para encontrar a Dilma. E muito provavelmente para chamá-la de vaca, cadela, terrorista, etc. Lamentável!!!!
  • Gostei bastante da forte presença da arte de rua em Brasília. Tem muito grafite e lambe-lambe espalhados pela cidade. E o melhor de tudo: sem desrespeitar a arquitetura.
  • Por falar em arquitetura, aqueles prediozinhos todos padronizados, com os “jardins” entre eles, lembra muito a arquitetura da parte oriental de Berlin com seus prédios “comunistas”.
  • Fiquei curioso para saber o porque do choro ser tão popular e forte em Brasília!
  • Os motoristas em Brasília respeitam faixa de pedestre. Outro ponto positivo para a cidade.
  • Sério que alguém não consegue entender o sistema de ruas de Brasília? Em meia hora na cidade dá para você aprender a se localizar: asa norte, asa sul e cada lado do “corpo do avião”. Contando à patir do eixo central, os “bairros” são numerados em centenas (a centenas ímpares ficam no oeste e as pares no leste, em relação às asas) e as quadras são contadas em decimais, à partir do eixo central. É lógica pura! Se me der o endereço me acho fácil por lá.
  • Pessoal de Brasília tem mania de falar que tudo é longe e que táxi é caro. Acho que eles têm a mesma cultura “carrista” de SP. Do Velvet Pub até a W3 Sul, na Q 713 (quase no final) deu 20 reais de táxi. Eu gasto entre 40 e 50 para ir da Vila Madalena, na Zona Oeste, até a Freguesia, que podemos considerar Zona Noroeste (fica na Zona Norte, mas bem na divisa entre as duas regiões).
  • A receptividade do povo de Brasília é bem acima da média brasileira e muito acima de São Paulo.

Be happy! 🙂

Senado Federal

Senado Federal

Plenarinho - Senado Federal

Plenarinho – Senado Federal

Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados

Congresso Nacional

Congresso Nacional

Palácio Itamaraty

Palácio Itamaraty

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Objeto Encontrado

Objeto Encontrado

Ponte JK

Ponte JK

Palácio da Alvorada

Palácio da Alvorada

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

Wanderlust #28 – Norte e Nordeste Brasileiro

Brasil 1Há alguns anos eu vinha tendo vergonha de um fato: eu conhecia mais estados dos EUA do que do Brasil. Este ano resolvi mudar isto e fui conhecer um pouco mais do meu próprio país. Em março fui a Salvador, agora rodei por mais 4 estados. Também fui à Brasilia, mas falarei no próximo Wanderlust.

Propositalmente eu foquei minhas férias em capitais / estados que não ficam na rota do turismo comum e são pouco explorados pelos proprios brasileiros: Pará, Maranhão, Paraíba e Sergipe.

A minha primeira impressão ao chegar no Pará e depois no Maranhão foi “por quê diabos estes locais são pouco explorados?”, não so pela indústria do turismo, mas por inúmeros tipos de negócios que poderiam (e deveriam) ser melhor desenvolvidos por lá. São estados com inúmeros recursos, tanto naturais quanto de mão de obra.

Tanto Belém quanto São Luís são cidades mal conservadas, com regiões (notadamente as regiões centrais e as periferias) com prédios abandonados e entregues ao crime e à contravenção.

Ai depois eu fui até João Pessoa e tive uma impressão totalmente diferente. João Pessoa é uma cidade organizada, limpa, segura. Você se sente à vontade em andar pela cidade sem ter que ficar tenso e prestando atenção ao que ocorre à sua volta, a não ser a paisagem. O custo de vida também é barato e você vê que as pessoas, independente da classe econômica, conseguem ter uma boa qualidade de vida, que ao final é o que importa.

Aracaju então me surpreendeu demais. Muitas e muitas quadras – de futebol (society e salão), tênis  (cimento e saibro), basquete, vôlei. Parque de diversões, um belo jardim linear na orla da praia, muitas ciclovias, praças, skatepark e até pista de motocross e kartódromo. Tudo feito pelo poder público. Assim como João Pessoa, Aracaju me mostou que com um pouco de boa vontade o Estado pode propiciar uma qualidade de vida melhor para todos os cidadãos.

Mas a diferença entre os lugares que eu conheci nesta trip me leva a pensar em duas coisas:
1 – Comparados com o Pará e Maranhão, Paraíba e Sergipe são muito pequenos e com muitas restrições de recursos, tanto os finaceiros quanto de espaço e naturais. O que me leva a pensar que o problema do Brasil é a abundância: nos estados mais ricos e no país como um todo nós apenas nos preocupamos em abusar dos recursos que temos, sem fazermos o melhor uso deles e pensando sempre no curto prazo.
2 – A sensação de segurança em João Pessoa e Aracaju é enorme em comparação com Belém e São Luís  (e também Salvador, Rio e São Paulo), o que me leva a pensar que o problema da violência não é causado apenas por conta da impunidade, mas também pela baixa qualidade de vida e a sensação de exclusāo que a população mais pobre sofre nas grandes cidades.

Acho que um dos maiores problemas do brasileiro hoje é o fato de que a maioria dos cidadãos não pensa em qualidade de vida como objetivo final para sua própria vida e para a sociedade. O brasileiro pensa em se sentir diferenciado. Ele não quer que todo mundo tenha condições de ir e voltar para o trabalho/escola usando transporte público, com conforto, segurança e no menor tempo possível. Ele quer isto só pra ele e ai ele quer comprar o melhor (e maior) carro e quer que as avenidas sejam dele. Ele não quer que todo mundo seja capaz de viajar para os mesmos lugares que ele nas férias (que sentido teria viajar se não for pra contar vantagem né?!?!). Ele não pensa que todos poderiam usar a cidade e os seus aparelhos (de lazer, cultura, saúde), ele quer é ir morar num prédio com piscina, playground, varanda gourmet (argh!), até cinema, para não precisar nem sair para o shopping. Ele não quer que as desigualdades sejam menores, ele quer é estar no topo da pirâmide, mesmo que isto signifique que ele tenha que andar de carro blindado.

Como já deixei claro em um artigo recente: o brasileiro precisa decidir o que ele quer, se é ser diferente ou se é ter uma sociedade segura, sem corrupção e onde o Estado cumpra o seu papel com a maior eficiência possível. A história e mesmo os exemplos atuais mostram que desigualdade e qualidade de vida não caminham juntas e, sinto informar, nem se mudar para Miami vai adiantar.

Be happy! 🙂

Wanderlust #27 – Aracaju e Canindé do São Francisco, Sergipe, Brasil

01 Aracaju - Sergipe - BrasilAcho que Aracajú foi o lugar que mais me surpreendeu positivamente nesta trip e talvez um dos que mais me surpreendeu no Brasil! Além do fato de ser uma capital com pouco apelo turístico, meu pai é de Sergipe e por isto inclui a cidade no roteiro. Porém, já ao chegar de avião você nota que é uma cidade bastante desenvolvida e andando pela cidade você realmente chega a conclusão que talvez seja uma das capitais nordestinas com o melhor nível de desenvolvimento e de qualidade de vida.

Orla de Atalaia

Orla de Atalaia

Depois de uma maratona de avião vindo de João Pessoa, cheguei no modesto mas moderno aeroporto de Aracaju já no final da tarde. O Aeroporto é bem perto da cidade e consegui me acomodar no hotel com o dia ainda claro, pensando em aproveitar o finalzinho de tarde em algum quiosque na praia. Porém, depois de me acomodar e tomar um banho, caiu uma tempestade que impossibilitava sair a pé.

A chuva passou já era começo de noite e resolvi caminhar até a Passarela do Caranguejo, na própria orla de Atalaia, onde estava hospedado, pois é uma região com bastante bares e restaurantes. Nesta caminhada de cerca de 4 kms já deu para perceber como a cidade tem uma infraestrutura muito boa, tanto para receber o turista como para os próprios moradores. Na orla existem restaurantes, praças, ciclovia, playgrounds e mais um monte de equipamentos de cultura e lazer providos pelo Estado e em ótimo estado de conservação.

A praia em sí fica distante da avenida e do calçadão

A praia fica distante da avenida e do calçadão

No outro dia fui conhecer o outro canto de Atalaia (sentido Coroa do Meio) e o centro de Aracaju. Já de dia pude notar um pouco mais como é a geografia do lugar: ao longo da avenida da praia existe um Jardim contínuo, que conta com várias atrações (Kartódromo, Parque de Diversões, Centro de Exposição, etc), após o jardim existem lagos e uma extensa faixa de areia e só então começa a praia. Desta forma, a praia fica bem afastada da avenida (cerca de 200mts) e também de prédios que poderiam causar sombra.

A beleza das praias de Sergipe não se comparam às das praias de Alagoas e Rio Grande do Norte, porém as de Aracaju além de serem infinamente melhor preservadas, ainda contam com uma infraestrutura melhor.

Depois de andar bastante, resolvi pegar uma bike (lá a patrocinadora é a Net ao invés do Itau, como em São Paulo e no Rio) para pedalar até o centro. Outro ponto bom de Aracajú é que você pode conhecer a cidade toda usando as ciclovias e ciclofaixas existentes. Além disto os pontos de retirada e entrega de bikes estão muito bem distribuidos.

Praça Almirante Barroso

Praça Almirante Barroso

Conheci a Praça Almirante Barroso, onde se encontram alguns prédios históricos, a Catedral, o Centro de Artesanato (bom para comprar artesanato de verdade, com produtos feitos a mão) e mais alguns pontos do Centro Histórico. Depois peguei outra bike com a intenção de conhecer o Parque do Cajueiro, porém não tinha estação para entrega de bike no parque e como iria ficar ruim ficar andando com ela, preferi seguir até a outra ponta da orla de Atalaia, perto da Passarela do Caranguejo, para entregar a bike e conhecer esta parte durante o dia. A praia neste pedaço da orla, apesar de ser ainda mais distante do que as que ficam próximas à Coroa do Meio, parecem ser mais agitadas. Mas o nível de beleza e infraestrutura é constante em toda a orla. Depois de 15 kms de caminhada e de mais uns 25 kms pedalando e não tendo encontrado nenhuma festa junina, resolvi comer algo e voltar para o hotel, já que no outro dia tinha agendado um passeio até Canindé de São Francisco, para conhecer o Canion do Xingó, no Velho Chico.

Barragem da Usina Hidrelétrica do Xingó

Barragem da Usina Hidrelétrica do Xingó

A viagem de ônibus de Aracaju até Xingó dura pouco mais de três horas, cruzando quase todo o Estado em direção ao Noroeste e passando por boa parte das cidades mais importantes, o que é uma boa oportunidade para admirar a flora do Estado.

A Usina Hidrelétrica do Xingó, que tecnicamente fica em Alagoas (o rio São Francisco separa os dois estados) é uma das mais recentes obras de infraestrutura deste porte no Brasil. Foi inaugurada em 1994 e hoje é responsável por gerar 35% de toda a energia elétrica consumida no nordeste brasileiro. Além disto, a força da gravidade que é usada para fazer as turbinas da hidroelétrica girarem também é responsável por mandar a água para canais de irrigação em Canindé do São Francisco, o que gerou ao redor dela um cinturão de producao de horti frutis no meio do sertão nordestino.

Canindé do São Francisco

Canindé do São Francisco

A construção da barragem aproveitou a existência de um paredão natural de pedras e a existência do Canion para diminuir ao máximo a necessidade de edificações: a barragem foi construida acima deste paredão de pedra o que gerou a inundação do Canion (o terceiro maior Canion inundado do mundo). Conforme explicou a guia do Catamarã, a profundidade média do São Francisco era de 20 metros antes da inundação e depois passou para 60 metros, chegando em alguns pontos a mais de 120 metros.

Durante o passeio de Catamarã até o porto de Brogodó (no município de Paulo Afonso, já estado de Alagoas) dá para notar a grandiosidade da formação do Canion e imaginar o tamanho que os paredões deviam ter antes da barragem. Além de tudo, dá para notar diversas formações nas rochas. Formações estas que indicam que há milhões de anos aquilo tudo estava debaixo do mar.

Acho que dentro do Brasil foi um dos locais mais belos que eu já conheci, quando se fala em beleza natural. É de tirar o fôlego mesmo!

Depois de encarar as 3 horas de volta para Aracaju, só restou dar uma descansada e tomar algumas cervejas para relaxar para encarar a volta e o fim das férias.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu fiquei realmente impressionado em Aracaju com a disponibilidade de equipamentos de cultura e lazer: quadras e mais quadras (de futebol, volei, basquete, tenis, etc), parque de diversões, muitas ciclovias, skatepark e até pista de motocross e kartódromo. Tudo feito pelo poder público e em ótimo estado de conservação.
  • Existe uma unidade do Projeto Tamar na orla de Atalaia que vale a visita.
  • O pessoal leva o São João à sério em Sergipe. Todos os prédios residenciais e comércios estavam enfeitados com bandeiras. O pessoal me falou que lá o São João mexe mais com a cidade do que o natal e a Copa do Mundo.
  • Itabaiana, uma das várias cidades pelos quais passei a caminho de Xingó, é a cidade onde a profissão de caminhoneiro surgiu no Brasil. Uma curiosidade é o alto número de caminhões vermelhos, pois existe uma “lenda” de que caminhões vermelhos andam mais rápido que os demais.
  • Perto da barragem de Xingó formou-se uma  bela praia de água doce. Deve ser legal ir passar mais de um dia na região e aproveitar esta “praia” com sua água doce, quente e limpa.
  • Pelo pouco que conheci da cidade dá para imaginar que Aracajú, depois de João Pessoa, deve ser a capital do nordeste mais interessante para morar.

Be happy! 🙂

Catedral Metropolitana de Aracaju

Catedral Metropolitana de Aracaju

Praça General Valadão

Praça General Valadão

Passarela do Caranguejo

Passarela do Caranguejo

Arcos de Atalaia

Arcos de Atalaia

Morro do Gavião

Morro do Gavião

Morro do Japonês

Morro do Japonês

Cânion do Xingó

Cânion do Xingó

Porto de Brogodó

Porto de Brogodó

15 Canion do Xingo - Rio Sao Francisco - Canindé do São Francisco - Sergipe16 Canion do Xingo - Rio Sao Francisco - Canindé do São Francisco - Sergipe

Wanderlust #26 – João Pessoa, Paraíba, Brasil

01 Joao Pessoa - Paraiba - BrasilNão conheço uma pessoa que tenha ido à João Pessoa e não tenha se apaixonado pela cidade. Ela não tem praias espetaculares como Alagoas ou Rio Grande do Norte, nem uma vida noturna agitada como Recife ou Salvador e nem tantos locais históricos como todos estes lugares (e outros do nordeste). Porém, se fôssemos dar nota para vários quesitos (segurança, limpeza, beleza, hospitalidade, simpatia das pessoas, etc) provavelmente a média de João Pessoa (e da Paraíba) seria a maior do nordeste e uma das maiores do Brasil.

Farol do Cabo Branco

Farol do Cabo Branco

Diferente da maioria das capitais do nordeste, Jampa (como é carinhosamente chamada) nasceu longe da costa, às margens do rio Sanhauá, e por isto o processo de urbanização de suas praias foi menos agressivo e contou com um pouco mais de planejamento. Os edifícios próximos à costa têm seu tamanho limitado para preservar a paisagem e evitar sombras.

Por estar localizada na Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas, a cidade é conhecida como “Porta do Sol”, pois é onde o sol nasce primeiro no continente americano.

No primeiro dos dois dias na cidade, resolvi andar um pouco pelas praias próximas de onde eu estava hospedado (Cabo Branco). Andei toda a orla da praia de Cabo Branco até a Ponta do Seixas, onde se encontram o farol de Cabo Branco e a Estação Cabo Branco, um museu de ciências que tem projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer (um dos poucos projetos dele que eu particularmente achei legal). Como o passeio foi agradável, ao invés de tomar um ônibus preferi voltar caminhando, refazendo todo o caminho da ida e esticando até Tambaú.

Acho que neste dia passei dos 20kms andados. Então resolvi voltar para a pousada pra descansar um pouco, já que havia combinado de ir tomar uma cerveja à noite com o Waltão, amigo da época da faculdade, radicado na Paraíba há 8 anos e que nem pensa em voltar para São Paulo.

Estação Cabo Branco

Estação Cabo Branco

Na orla de Cabo Branco, que é bem movimentada à noite, mesmo durante a semana, existem várias opções para beber e comer, tanto em quiosques “pé na areia” quanto em bares e restaurantes do outro lado da avenida da praia.

No outro dia fui conhecer o Centro Histórico de João Pessoa, que apesar de não contar com tanta história como os de São Luis e Salvador, por exemplo, tem alguns edifícios interessantes e principalmente conta uma conservação bem acima do padrão brasileiro.

Além de ficar com vontade de voltar logo para passear, já que acabei não conhecendo boa parte das praias e nem fui à Campina Grande, João Pessoa me despertou inclusive idéias de morar lá algum dia e acabou entrando na minha lista de cidades em que eu gostaria de morar, assim como Aracaju, a última “perna” desta trip e da qual falo no próximo Wanderlust.

Observações, dicas e considerações:

  • A limpeza e conservação das praias (Cabo Branco e Tambaú) é acima da média brasileira, inclusive das de Santa Catarina.
  • A população ajuda muito não sujando e mantendo os equipamentos conservados (dificilmente se vê lixo nas ruas).
  • Além de tudo isto, os preços em Jampa são muito baratos (ou seriam justos?). Cheguei a pagar R$ 4,50 por uma Skol de 600ml e vi porção de camarão alho e óleo de 1 kilo por R$ 35,00.
  • Uma pena somente os kioskes não terem Heineken, já que são todos patrocinados (e padronizados) pela Skol.
  • Nas minhas últimas viagens eu desenvolvi um método de “medir” a segurança do local (além das conversas com taxistas): é só reparar na rua como a população local utiliza o celular. Se a pessoa pára, se esconde num canto e fica atento ao redor quando fala ou tecla no celular, pode apostar que é uma cidade perigosa. Se a pessoa fala no celular andando e distraido, sem se preocupar com o que acontece à sua volta, provavelmente aquele é um local seguro. João Pessoa foi a cidade que eu conheci no Brasil onde as pessoas se sentiam mais à vontade para usar o celular (e correntinhas no pescoço também).
  • Inclusive no Centro Histórico, que normalmente é um ponto sensível nas cidades devido à grande quantidade de pessoas, era comum ver pessoas falando ao celular tranquilamente.
  • O lugar para ficar hospedado em João Pessoa é a Suisse Residence. Apesar de não estar tão perto da praia (dá uns 15 minutos andando), a pousada é bonita, aconchegante e os quartos são espaçosos e confortáveis. Seu Hans e dona Inês, os proprietários, são simpatia pura!

Be happy! 🙂

Tambaú

Tambaú

Com 30 reais por pessoa dá pra sair balão do quiosque...hahaha

Com 30 reais por pessoa dá pra sair balão do quiosque…hahaha

06 Palacio do Bispo - Centro Historico

Palácio do Bispo – Centro Histórico

Igreja de São Francisco - Centro Histórico

Igreja de São Francisco – Centro Histórico

Catedral da Basílica Nossa Senhora das Neves - Centro Histórico

Catedral da Basílica Nossa Senhora das Neves – Centro Histórico

Um velho piano atrás das grades no centro de Jampa! Que crime teria ele cometido?

Um velho piano atrás das grades no centro de Jampa! Que crime teria ele cometido?

Parque Solon de Lucena

Parque Solon de Lucena

Suisse Residence

Suisse Residence

Wanderlust #25 – São Luís (e região), Maranhão, Brasil

01 Sao LuisDepois de Belém, lá fui eu conhecer a “Jamaica Brasileira”, que já tinha vontade de conhecer desde as épocas em que ouvia muita Tribo de Jah e frequentava o Radiola São Luís, na Vila Madalena. A cidade me surpreendeu, um bom e outro ruim: a cidade é bem urbanizada, com bastante prédios, opções de shoppings, lojas e restaurantes e com avenidas largas, o que facilita a movimentação. Por outro lado, acho que dos lugares para os quais eu viajei é um nos quais eu senti maior sensação de insegurança. Mais do que no RJ ou SP, por exemplo.

Praia do Calhau

Praia do Calhau

Depois de fazer o check in no hostel e tomar uma ducha dei uma checada nos mapas que haviam na recepção e resolvi pedir umas dicas para o atendente do Hostel, que era Ucraniano, sobre que fazer. O cara era meio atrapalhado, mas me alertou que não fosse até o centro e nem pegasse a parte de trás do hostel, pois era perigoso. Eu não entendi direito (ou ele não se explicou direito) e resolvir ir então até a praia do Calhau andando. Infelizmente logo de cara eu errei o caminho e cai onde ele tentou me alertar sobre o perigo. Quando resolvi voltar creio que só não fui assaltado pois um vigilante de prédio saiu na hora.

Fui até a praia do Calhau, que é uma das mais “elitizadas” do município de São Luis, sendo inclusive o bairro onde a família real (os Sarneys) mora. A praia não é tão bonita como as de Natal ou Maceió, mas tem suas qualidades. Porém também tem seu pior defeito: é imprópria para banho, assim como qualquer praia de São Luís. E nem precisava de placa para avisar já que, diferentemente de outras cidades, não existe nem emissários submarinos para jogar o esgoto no mar a uma distância da praia. Lá o esgoto cai na praia mesmo! Realmente uma pena.

Janelas e azulejos típicos dos casarões do centro histórico

Janelas e azulejos típicos dos casarões do centro histórico

Resolvi procurar um quiosque para assistir a final da Champions. E dei sorte pois acabei conhecendo um casal neste quiosque que me aconselhou a ir até às Fronhas Maranhenses (falo delas já já), já que não teria tempo de ir até os Lençois, o que se mostrou uma ótima dica.

Uma das poucas coisas que eu havia programado de fazer em São Luís, além de conhecer o centro histórico, era ir a uma radiola, que é um local onde se toca reggae. Hoje em dia estes locais já nem são mais conhecidos por este nome e os principais locais para curtir reggae são conhecidos apenas pelo próprio nome, como o Bar do Nelson, que fica na praia do Caolho (ao lado da praia do Calhau) e é o local que “pega” aos sábados.

O Bar do Nelson é tipo um galpão, com alguns bares onde se vende as bebidas (comidas só nas barraquinhas do lado de fora), um palco onde o DJ se acomoda para rolar o som e, atrás deste palco, uma “parede” de caixas de som. Nem mesas existem e o pessoal usa algumas de cervejas para apoiar copos e garrafas (e ai já vão colocando as garrafas vazias dentro da caixa). Uma coisa que eu gosto muito e que somente em SP não existe é o sistema de pagar a entrada e comprar fichas, ao invés de comandas. Evita filas tanto na entrada quanto na saída e permite a livre circulação entre as áreas externas e interna (lá eles batiam um carimbo que ficava visível à luz negra). É muito mais inteligente e prático para os clientes.

Apoia as cervejas e copos na caixa e já vai preenchendo ela com as garrafas vazias

Apoia as cervejas e copos na caixa e já vai preenchendo ela com as garrafas vazias

Além da característica dos maranhenses de os casais dançarem o reggae juntos (o tal “agarradinho”), do mesmo jeito que se dança forró, pude comprovar o ditado que diz que “em São Luís reggae não se dança/ouve, se vive!”. Eram pessoas de todas as idades, com pulseiras, camisas, brincos, etc fazendo alusão aos símbolos (as cores da Jamaica, a bandeira, a folha da maconha, etc) ou a artistas do reggae.

Até que peguei leve na balada, que estava bem agradável, pois queria ir no centro histórico no dia seguinte, o que eu fiz, mesmo sendo aconselhado ao contrário pelo dono do hostel (brasileiro) pois “estaria muito vazio e portanto perigoso”. Peguei um busão até o centro e cheguei lá por volta de 12:00hrs, mas estava com muita fome e resolvi parar para almoçar (e já experimentar o icônico “Guaraná Jesus”), só que tudo no centro fechava as 13:00 e realmente tudo fica deserto após este horário aos finais de semana, o que torna um local perigo (quase que pela segunda vez eu sou assaltado).

O centro é formado por vários casarões antigos de 2 e 3 andares, com enormes e belas janelas e magníficos azulejos portugueses na fachada. Além disto, existem outras edificações, como palácios de governo e igrejas, que foram recentemente reformados e complementam o ar bucólico da região. Mas a maioria dos casarões e algumas ruas estão merecendo uma restauração.

Em São Luís reggae se dança "agarradinho"

Em São Luís reggae se dança “agarradinho”

Depois do centro fui até a Ponta da Areia onde rola um outro reggae muito famoso, o Chama Maré, que acontece aos domingos as 17:00 e por ficar à beira da praia é quase sempre banhado pela bela luz do por do sol. Também é muito legal e agradável. Só é uma encheção de saco os seguranças (do lado de dentro) ou os PMs (do lado de fora) fazendo ronda para evitar que as pessoas fumem maconha. O Brasil tem que liberar logo esta porcaria pois o combate é mais prejudicial (tanto em termos de segurança, quanto financeiramente) do que a liberação. E também porque cada um que faça o que bem entender da puta da sua vida!

Voltei para o hostel, pois tinha fechado o passeio para as fronhas, seguindo recomendação do casal que havia conhecido no sábado e do Laércio, dono do hostel, que me indicou uma agência para fazer o passeio.

As Fronhas Maranhenses são um conjunto de dunas, assim como os Lençois Maranhenses, ou Genipabu no Rio Grande do Norte,  e que fica localizado no município de Raposa, a cerca de 45 minutos de carro (por uma estrada péssima) do centro de São Luís. Têm este nome porque as dunas são menores do que a dos lençois e porque elas ficam bem antes. Por sorte a praia de Carimã, onde ficam as fronhas, é inacessível de carro e habitada apenas por alguns pescadores, o que deixa a natureza praticamente intocada. E por sorte existem pessoas como o Zequinha, o guia do barco que levou o grupo até lá: ele vai diariamente ao local, mesmo que não tenha passeios para fazer, com um saco para recolher o lixo deixado pelos visitantes (às segundas principalmente, pois alguns habitantes de Raposa vão até a praia para curtir o fim de semana). Acabei gostando mais de Carimã/Fronhas Maranhenses do que de Genipabu. Mesmo daquela Genipabu que conheci em 1995! Depois do passeio fomos almoçar e seguimos para São José de Ribamar, a terceira cidade que, junto com Raposa e São Luis, compõe a região metropolitana de São Luis (as 3 cidades ficam na Ilha).

Chama Maré: reggae com vista do por do sol.

Chama Maré: reggae com vista do por do sol.

São José de Ribamar não tem nada de muito interessante para quem não é um religioso fervoroso já que, mesmo sua igreja não tem nada de destaque. Talvez o destaque se dê pelo fato de “inserirem” São José, que sumiu da vida de Jesus na Bíblia, nas estátuas que representam o calvário. Afinal de contas, não ia ser nada legal retratarem a festa e deixarem o anfitrião de fora…hahaha

Como disse, de certa forma me surpreendi positivamente com a cidade e a viagem, mas ao contrário de João Pessoa (do qual falarei no próximo Wanderlust), não tenho vontade de voltar, mesmo não tendo conseguido ir à Alcantara. Sei lá, acho que o stress da insegurança não vale o local.

Observações, dicas e considerações:

  • Nota-se que existem grandes diferenças sociais na cidade (e no Estado) por conta dos prédios luxuosos que existem ou estão sendo contruídos à beira mar e as casas simples dos demais bairros. Sério, são prédios com apartamentos de 200 metros quadrados que, segundo os taxistas, são comercializados na faixa dos milhões de reais.
  • Parece que também existe um processo de gentrificação acontecendo, especialmente na Ponta da Areia. Segundo os taxistas as pessoas que antes moravam em casas simples e sem saneamento básico foram removidos para conjuntos habitacionais “nos fundos” da cidade, as áreas adquiridas por políticos e parentes destes e em seguida “surge” um plano de urbanização (contrução de ruas ou asfaltamento das existentes, saneamento, etc) e as áreas são vendidas para construtoras (também pertencentes à políticos e parentes destes) que erguem estes prédios de luxo.
  • Pelo que me falaram existe uma pequena rixa entre os Maranhenses e os Piauienses. O Piauienses chamam os Maranhenses de “papa arroz” devido ao enorme consumo deste grão no estado.
  • E realmente, metade do peso / volume de qualquer PF é arroz!
  • A variação da maré na Ilha, mas principalmente nos braços de mar que a circundam é enorme. Segundo os locais, a distância entre o ponto de maré alta com o de maré baixa chega a 200 metros e variação de profundidade chega a 8 metros
  • Os DJs dos bares de reggae parecem pastores protestantes. Entre as músicas soltam frases do tipo: “aqui é um lugar de paz”, “Deus deu este sol”, “Jah nos abençoe”, etc. Pense nas frases com a entonação do Canalhafaia!
  • Não ouvi NENHUM Bob Marley sequer (e muito pouca coisa nacional). Os caras devem ir lá na Jamaica buscar o que tem para tocar.
  • São José do Ribamar e Raposa sofrem de um problema que outros lugares do Norte e Nordeste sofrem: as pessoas têm adquirido motocicletas como meio de transporte e abandonando os pobres jegues à sua sorte. Além de falta de consideração com o pobre do animal, é também um risco para a saúde pública e para a segurança no trânsito.

Be happy! 🙂

04 Sao Luis

Palácio de Governo no Centro Histórico

05 Sao Luis

Catedral no Centro Histórico

06 Sao Luis

O tradicional Guaraná Jesus: cor de rosa, cheiro de chiclete e gosto daqueles sucos que vendiam nas feiras em embalagens em forma de revolver, jacaré, fusca, etc

07 Sao Luis

Casarões históricos no Centro

08 Sao Luis

Ponta da Areia, que aparentemente sofre um processo de gentrificação

09 Sao Luis

Chama Maré

10 Sao Luis

Ponta da Areia

14 Sao Luis

Carimã

15 Sao Luis

Fronhas Maranheses

16 Sao Luis

Fronhas Maranheses: natureza intocada!

Wanderlust #24 – Belém, Pará, Brasil

01 Belém - Brasil - Ver-o-pesoPara a segunda parte das minhas férias deste ano já havia decidido conhecer um pouco mais do Brasil e também havia resolvido conhecer locais que não vêm logo à cabeça quando se pensa em viajar pelo nosso imenso país. E a primeira parada desta trip foi Belém, a capital do Pará. Vale dizer que assim como Salvador, a cidade me despertou sentimentos dúbios.

Eu achei legal conhecer um lugar dentro do meu próprio país que é muito diferente de tudo o que eu já conhecia. Mas por outro lado, fiquei um pouco triste ao ver como muitos lugares do nosso país são mal cuidados e principalmente como o potencial (turístico, por exemplo) e os recursos (naturais, humanos, etc) são mal explorados.

Praça Batista Campos

Praça Batista Campos

Cheguei na cidade já tarde da noite e fui dormir cedo para aproveitar o outro dia, que era feriado de Corpus Christi. Sai caminhando pela cidade afim de conhecer um pouco. Passei pela Praça da República, que apesar de ser o local onde fica o Teatro da Paz, não apresenta muitos atrativos turísticos. Resolvi andar até Praça Batista Campos, esta sim uma bela praça, e cruzei com uma sorveteria Cairu. Aproveitei então para experimentar um dos vários sorvetes feitos com frutas da região. A Cairu é parada obrigatória em Belém. Sugiro parar mais de uma vez, tanto para aplacar o calor da cidade, quanto para ter a oportunidade de experimentar mais dos diferentes sabores oferecidos.

Depois caminhei por uma região não muito turística até o Portal da Amazônia, que é um calçadão construído em uma das margens do Rio Guamá. Este calçadão conta com infraestrutura para prática esportiva (bike, patins, caminhada, etc) e algumas praças. Depois segui até o Mangal das Garças que, junto com a Estação das Docas, é a principal atração da cidade.

Mangal das Garças

Mangal das Garças vista da torre

O parque é muito bem cuidado e montado e lá pode-se ter contato com um pouco da fauna e da flora da região. A entrada no parque é gratuita, mas algumas atrações são cobradas. Vale comprar o “passaporte” (R$ 15,00) que dá acesso às 4 atrações pagas do parque: a torre, o museu náutico, o viveiro de pássaros e o santuário de borboletas.

Após o Mangal, dei uma passada na Casa das Onze Janelas, mas preferi não entrar, e na sequência fui ao Forte do Castelo, que não tem lá muita coisa. Mas estando em Belém não custa perder uns 10 minutos e visitar, já que é de graça. Depois passei em frente à Catedral Metropolitana para tirar algumas fotos da bela praça em frente (não sou fã de ficar entrando em igrejas).

Catedral Metropolitana

Catedral Metropolitana

Dei uma rápida passada no ver-o-peso (tinha me programado para explorar o local apenas no outro dia) e fui até a Estação das Docas, onde resolvi almoçar em um dos restaurantes que ofereciam buffet com opções da região. Dos pratos que eu experimentei, achei interessante o tal do “filhote”, uma posta de um peixe da região (e olha que não sou chegado em peixe) feito com tucupi. Mas achei muito bom mesmo a maniçoba! Durante o almoço, um cara do outro lado do restaurante acenou e veio em minha direção. Quando ele chegou perto, pediu desculpas e disse que tinha me confundido com outra pessoa, no caso Felix Robatto, um artista local.

Como sobremesa, outro sorvete na unidade da Cairu da Estação das Docas. Como já tinha feito a programação do dia, fiquei morgando por ali até a abertura da Amazon Beer, que além de oferecer ótimas cervejas (a preços mais do que justos!), proporciona um belo visual do por do sol. Aproveitei para procurar algo para fazer à noite e acabei caindo no site do Templários Pub, que teria como atração naquela quinta-feira justamente o tal do Félix Robatto.

Chuva de 20 minutos com tanta água que daria para encher a Cantareira

E dá-lhe chuva!

Como não podia faltar, quando estava saindo da Estação das Docas caiu aquela baita tempestade que cessou depois de 20 minutos mas trouxe água suficiente para encher a Cantareira.

À noite fui ao tal pub para conhecer um pouco da noite Paraense. Achei interessante a mistura de ritmos dos estilos locais (tecno brega, guitarrada, carimbó). Creio que pelo fato do Pará estar bem próximo à linha do Equador, além das influências da música afro brasileira (axé, samba), os estilos locais também têm muita influência das músicas afro caribenhas, especialmente do mambo, da salsa e do reggae.

No outro dia, como já tinha me programado, fui conhecer o ver-o-peso. É interessante pelos cheiros e cores das diferentes frutas da região, e para observar alguns costumes dos locais, como por exemplo, de comer açaí com farinha como acompanhamento de peixe. Mas acabei achando que os relatos que eu havia lido e ouvido sobre o local eram sempre superestimados. Talvez para pessoas que sejam fascinadas por culinária seja uma atração mais interessante.

Ver-o-peso

Ver-o-peso

Como já tinha feito tudo o que eu tinha programado, fui andar por lugares não tão turísticos e acabei caindo na Belém da elite, que fica fora da cidade velha é formada por vários prédios de luxos e um grande shopping. Particularmente eu não gosto muito de cidades onde existe este tipo de segregação entre elite e o resto.

Depois voltei novamente para mais um happy hour na Amazon Beer, mas de leve, pois tive que pegar meu vôo na madrugada para o próximo destino, São Luís, no Maranhão, do qual falarei no próximo Wanderlust.

Observações, dicas e considerações:

  • Os motoristas em Belém são xaropes. Raramente respeitam farol, faixa de pedestre, mão de direção. E à noite ainda andam à 100 km/h.
  • Tem um negócio que me incomoda muito e acontece na maioria das cidades brasileiras, que é abandonarem uma área quando ela dá uma deteriorada, ao invés de tentarem recuperar. Isto acontece com a região do ver-o-peso. Apesar da criação da Estação das Docas numa tentativa de revitalizar a região portuária, o entorno está abandonado, o que abre espaço para a criminalidade. Quando a sociedade e o poder público não ocupam devidamente os espaços públicos, invariavelmente a criminalidade vai ocupar.
  • A variedade que se encontra na culinária local falta ao artesanato. Mesmo nas tendinhas do ver-o-peso foi difícil encontrar alguma coisa realmente “local” para trazer de souvenir.

Be happy! 🙂

Estação das Docas

Estação das Docas

Amazon Beer

Amazon Beer

Wanderlust #17 – Salvador, Bahia, Brasil

Elevardor Lacerda e Mercado Modelo, com a Baia de Todos os Santos ao fundo!

Elevardor Lacerda e Mercado Modelo, com a Baia de Todos os Santos ao fundo

Há tempos vinha querendo conhecer a Bahia e resolvi aproveitar o feriado do padroeiro de São José dos Campos para iniciar meu contato com a Bahia por Salvador. Mas a cidade me despertou sentimentos dúbios, dos quais falarei mais tarde. Primeiro vamos à um “giro” durante estes quatro dias.

Basílica do Senhor do Bonfim

Basílica do Senhor do Bonfim

A revista da Avianca que havia no avião trazia justamente uma reportagem sobre Salvador e foi interessante já ter umas primeiras impressões sobre a cidade, algumas dicas de pontos turísticos, etc. Durante a aproximação do avião à Salvador o que mais me chamou a atenção, ao olhar a cidade de cima, é a quantidade de favelas. Não aquelas favelas antigas feitas de barracos de madeira com teto de zinco, mas uma quantidade enorme de casas sem acabamento, especialmente nos morros.

Após chegar no hostel, que ficava no Largo do Pelourinho, e fazer o check in, aproveitei a tarde da quinta feira para conhecer a região do Pelourinho, passando pela Praça Terreiro de Jesus, Praça da Sé e me dirigi ao elevador Lacerda para seguir para a cidade baixa. Somente neste caminho pude realmente comprovar a quantidade enorme de igrejas existentes em Salvador (dizem que mais de 300!). Quanto ao elevador Lacerda, apesar de ser considerada uma atração turística, não tem nada demais: é apenas um elevador para que as pessoas evitem subir e descer as ladeiras e becos entre a cidade alta e a baixa.

Lagoa do Abaeté

Lagoa do Abaeté

Depois do elevador fui conhecer o Mercado Modelo, que é basicamente uma feira de artesanato e é uma boa opção para comprar souvenirs, tendo inclusive preços melhores do que as lojas do Pelourinho. Após uma passada rápida pelo mercado havia planejado andar até a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim pela orla. Só não sabia que a praia neste pedaço da cidade é inacessível, já que existem portos, construções, etc. A ida à pé não vale a pena como passeio turístico. Vale para ver a Salvador que não é feita para turista (e que é pobre) e mais algumas igrejas distribuidas pelo caminho. Além de notar que, depois de igrejas, o que mais existe em Salvador são escolas. Após uma hora de caminhada debaixo de um sol de mais de 30 graus, cheguei à Ladeira do Bonfim, que dá acesso ao Largo e à Igreja, que é simples, mas bonita, tanto externamente quanto internamente. Para quem acredita, vale amarrar uma fitinha nos portões e fazer os três pedidos (um para cada nó). O visual do Largo e da Igreja deve ser interessante à noite também.

Praia de Piatã

Praia de Piatã

Depois da visita tomei um táxi para voltar ao Mercado Modelo e almoçar por lá. Após o almoço, mais uma caminhada pela orla, agora no sentido norte, passando pela Baia Marina e o Museu de Arte Moderna da Bahia. Como já tinha realizado a programação do dia, peguei o Beco do Sodré (uma bela escadaria) para voltar à cidade alta, passando pela Ladeira da Preguiça (vizinha ao beco). Ambos desembocam na famosa Praça Castro Alves, que também tem mais uma Igreja (Nossa Senhora da Barroquinha) e fica próxima ao Mosteiro de São Bento (só ai já tinha passado ou visitado pelo menos umas 20 igrejas). Resolvi parar num bar (em frente à Igreja e Convento de São Francisco) para tomar algumas cervejas.

Para tomar umas cervejas à noite, seguindo recomendação de uma das atendentes do hostel, fui até a Cantina da Lua, que fica na Praça Terreiro de Jesus e oferece música ao vivo todos os dias. Como era uma quinta, estava rolando ritmos latinos com uma boa banda. Infelizmente a comida lá não é boa e só tinham cerveja Schin mas quebrou o galho num dia de semana.

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

No outro dia levantei cedo para continuar a conhecer a cidade. Caminhei no sentido contrário do Circuito Campo Grande dos trios elétricos da Praça Castro Alves até a Barra, que é o ponto de partida do circuito Barra-Ondina. O Farol da Barra e as duas praias que o cercam são bem bonitas. O visual da entrada da Baia de Todos os Santos   também impressiona pela beleza e imponência. Preferi não pagar os R$ 12,00 reais de entrada para o farol, que hoje abriga o Museu Náutico da Bahia e rumei para a Lagoa do Abaeté.

A Lagoa é bonita, mas pelo que eu tinha visto por fotos imaginava uma lagoa bem maior, cercada por barraquinhas, como se fosse uma praia de água doce. Até existe uma infraestrutura e estavam testando um sistema de som, provavelmente para alguma apresentação ao vivo à noite, mas durante o dia estava vazia. De qualquer forma, o visual da água azul esverdeada da lagoa, com a areia branca que o cerca e mais a vegetação é belo. Pena que havia um bando de Urubus ali para estragar a paisagem.

Ilha dos Frades

Ilha dos Frades

Da Lagoa até a famosa praia de Itapuã a distância é de apenas 15 minutos de caminhada e me dirigi até a famosa praia afim de “passar uma tarde em Itapuã”, como diria Vinicius, mas infelizmente desta vez não deu pois a orla estava toda em reforma. Então acabei andando mais uns 2 kilômetros atá a praia de PIatã, que já havia achado interessante no caminho de ida, principalmente por ser cercada de coqueiros e ser mais distante da avenida beira mar. Ali parei para tomar umas cervejas e algumas caipirinhas. Esta é uma praia que eu aconselho a passar algumas horas, apesar do mar ser um pouco sujo. Também é ótima pedida para surfistas, especialmente no final da tarde.

De volta ao hostel para uma descansada para depois ir até o bairro Rio Vermelho, a região boêmia de Salvador, para ver o movimento. Infelizmente acabei descansando demais, chegando no Rio Vermelho quase meia noite, horário em que os bares começam a ficar menos movimentados. Como não estava afim de pegar balada (nem levei roupa para isto), só comi uma pizza (muito boa!) e voltei para o hostel, pois tinha agendado um passeio de barco para o outro dia de manhã.

Ilha de Itaparica

Ilha de Itaparica

No sábado levantei cedo para fazer o passeio pelas Ilhas do Frade e de Itaparica. Felizmente não consegui vaga no Catamarã, que faria uma viagem mais rápida até as ilhas, e fui de escuna. Mas justamente a viagem em sí foi uma das melhores partes, pois o staff do navio (garçons, marinheiros e guias) era ótimo e a viagem toda aconteceu ao som de um grupo de samba.

A Ilha dos Frades é uma grande ilha dentro da Baia de Todos os Santos onde se encontram três pequenos vilarejos. A praia principal, que fica na Vila de Nossa Senhora de Guadalupe, é muito bonita e é onde está localizada a Igreja erguida em homenagem à santa. Vale a pena subir os mais de 100 degraus até a igreja para ter uma visão completa da praia. Diferentemente das praias de Salvador, na Ilha a água é limpa e com uma temperatura bem agradável. Após uma hora e meia na Ilha, voltamos à escuna para rumar à Ilha de Itaparica.

Lagoa do Abaeté

Lagoa do Abaeté

A Ilha de Itaparica já é praticamente uma cidade, porém ficamos em uma praia afastada, em um restaurante “pé na areia”. Existia a possibilidade de fazer um city tour pela ilha, mas preferi ficar por lá mesmo. Ali também o mar era bem limpo e calmo e a temperatura da água era até quente demais.

Após uma descansada rápida, desta vez resolvi ir mais cedo para a região do Rio Vermelho, para pegar algum bar. Seguindo recomendação de um amigo, resolvi ir no Red River Café. É um barzinho no estilo Vila Madalena, bem no local onde o rio que dá nome ao bairro se encontra com o mar. Tem uma área externa, onde paga-se somente o que consumir e uma parte fechada, onde estava ocorrendo o show Brasilady, da cantora Amanda Santiago, que é apadrinhada de Carlinhos Brown e já foi vocalista da Timbalada.

Igreja Nossa Senhora de Guadalupe

Igreja Nossa Senhora de Guadalupe

Gostei bastante do show, que é baseado em versões “abaianadas” de clássicos da música popular brasileira e também em composições próprias da artista. E claro que terminou em axé! Se estiver na Bahia e estiver rolando o show Brasilady, ou se “topar” com o show em algum outro local, eu recomendo.

No domingo, depois de comprar alguns souvenirs, aproveitei para conhecer a Fonte Nova em um jogo do Bahia pelo campeonato Baiano. O estádio é bonito, confortável e limpo, realmente padrão internacional (nem poderia ser diferente, pois foi usado na Copa do Mundo). É muito bom você ter bandeiras e baterias nos estádios e poder tomar uma cerveja, coisa que em São Paulo não existe mais. O jogo em sí também foi bom, mas é triste ver como o Brasileiro deixou de curtir futebol e aquele belo estádio estava com pouco mais de 8 mil pessoas em um jogo das oitavas de final do Baianão.

Bem, havia falado no início do texto que a cidade havia me despertado sentimentos dúbios e agora explico: realmente a cidade tem muita história (que particularmente me interessa) e alguns pontos de belezas naturais bem interessantes, porém o lado que eu não gostei muito foi a enorme quantidade de pedintes e vendedores de bugigangas, muitos destes mal intencionados e querendo levar vantagem. Muita gente se incomoda pelo fato de ser abordado em sí, mas o meu incômodo foi causado por existir tanta gente na cidade em situação de rua e na dependência de subempregos para sobreviver, quando não de atos ilícitos. Acho que não tinha visto tanta gente nesta situação antes, em nenhum dos lugares para onde já viajei, dentro ou fora do Brasil.

Igreja e Convento de Sao Francisco

Igreja e Convento de Sao Francisco

Outra coisa que me incomodou também foi que, apesar de ser a “cidade mais negra do Brasil” (estima-se que pelo menos 60% da população de Salvador seja composta por negros), existe um abismo enorme na situação dos negros em comparação com as demais etnias. Você nota claramente que os donos dos negócios, em sua grande maioria, são brancos (ou gringos) e os funcionários negros. Dentre este pessoal em situação de rua, a totalidade é composta por negros. No bar em que eu fui e nos outros lugares (restaurantes, bares, passeios, etc) que eu reparei, raramente existia um negro como cliente e quando existia eram turistas. Existe uma situação de “apartheid” muito grande lá, mais do que no restante do pais.

Tem gente que tira férias e consegue “abstrair” e focar somente na diversão, mas como para mim uma das principais experiências de viagem é justamente conhecer o povo do local, não consigo não me incomodar com algumas situações como esta. Tomara que da próxima vez que for à Bahia a situação tenha melhorado ao menos um pouco.

Fonte Nova

Fonte Nova

Observações, dicas e considerações:

  • A não ser que a grana esteja bem curta, não aconselho ficar hospedado no Pelourinho. Ficar na Barra, que fica mais próximo a algumas praias ou no Rio Vermelho, que é onde fica a vida noturna, é mais vantajoso.
  • Mas se a grana estiver curta e a hospedagem tiver que ser barata, sugiro o Hostel e Pousada País Tropical. O Staff é muito bom, os quartos são limpos e o café da manhã é até acima da média para um hostel. A única coisa ruim era o chuveiro, que tem apenas duas temperaturas: gelado Alaska ou quente inferno.
  • O Pelourinho é um tanto quanto perigoso (mais do que o Centro de São Paulo ou do Rio), especialmente à noite. Apesar de muito policiamento, ocorrem alguns furtos, especialmente de correntes e gargantilhas, portanto, evite usá-las (ou relógio), além de ficar dando mole com celular e máquina fotográfica (depois das 22:00 nem pense em levar máquina fotográfica).
  • Quando alguém te oferecer uma “fitinha do Bonfim” de graça, pode se preparar para dar uns 5 reais à pessoa….hahaha
  • Não sei se todos os passeios de barco são parecidos, mas aconselho a fazer o passeio às ilhas através da Apolônio Turismo (o quiosque deles fica no terminal de embarque em frente ao Mercado Modelo) e preferencialmente de escuna.
  • Achei o táxi um tanto caro lá. 120 reais do aeroporto até o Pelourinho (ok! É longe, mas não mais que Guarulhos do Centro de SP), 40, 50 reais do Pelourinho até o Rio Vermelho. Se for possível, tente pegar uma “coletividade” com um taxista e negociar preços prévios.
  • Se estiver sozinho e a grana estiver curta, a melhor opção durante o dia é o ônibus mesmo.
  • Para quem gosta de futebol, conhecer a Fonte Nova e assistir um jogo do Baêa é bem interessante.
  • Aliás, acho que o Vitória foi algo inventado pelo Bahia para que eles possam um adversário. Não vi um torcedor do Vitória, não vi bandeiras em bares, carros, pessoas com camisa, nada. Para não falar que não vi nada sobre o Vitória, quando chega na cidade o avião passa sobre o Barradão e é possível vê-lo quando se está do lado esquerdo da aeronave.

Be happy 🙂

Baia de Todos os Santos

Baia de Todos os Santos