Wanderlust #29 – Brasília, Distrito Federal, Brasil

01 Eixo Monumental - Brasilia - DF - BrasilEntre as pessoas que eu conheço e que já manifestaram alguma opnião sobre Brasília, existem 3 grupos facilmente identificáveis: o primeiro grupo é de pessoas que amam a cidade, formado na sua maioria por pessoas que nasceram ou cresceram na cidade, ou pelo menos que já vivem lá durante algum tempo. O segundo grupo é de pessoas que simplesmente odeiam a cidade. Uma boa parte nem sequer a visitou, mas já formou seu julgamento à partir do que ouviu ou do que viu através de fotos. Alguns poucos já estiveram (ou viveram) realmente na cidade, mas não se adaptaram. O terceiro grupo é daqueles que tiveram uma primeira impressão ruim, mas que foram cativadas, porém não têm coragem de admitir que gostam e por isto falam mal dela, mas ficam putos se outra pessoa fala mal.

CONIC

CONIC

Vou dizer que eu sou “ponto fora da curva”, já que não tinha uma opnião pré concebida e acabei gostando muito da cidade. Apesar de achar que deve ser uma cidade muito, mas muito mais legal para morar do que para fazer turismo.

Não vou nem entrar na história da cidade, já que é obrigação de todo brasileiro saber como se deu a construção da cidade, que foi planejada para ser a capital do Brasil. Vou direto ao que eu fiz lá.

Jardins do Palácio Itamaraty

Jardins do Palácio Itamaraty

Na quinta feira era feriado de 9 de Julho em São Paulo e foi bom para “sentir” a cidade no seu dia a dia. Primeiramente fomos até a torre de TV, localizada no Eixo Monumental (o “corpo” do avião), cujo mirante dá vista para praticamente todo o plano piloto. De lá, seguimos sentido Esplanada dos Ministérios, mas antes, próximo à Rodoviária Central, demos uma passada no CONIC, que é uma mistura de Galeria Pajé com Galeria do Rock em São Paulo, e onde se encontram diversas lojas populares (restaurantes, cabelereiros, lojas de departamentos, etc) e alternativas (camisetas, discos, tatuagem, etc). Um destaque do CONIC são os grafites em sua área interna, que valem a visita para quem curte street art. Infelizmente não conseguimos passar na Rodoviária para comer um pastel, que me disseram ser o melhor de Brasília.

Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes

Em seguida passamos em frente à Biblioteca Nacional e fomos até o Museu Nacional. Ambos os edifícios são bonitos mas, assim como no Memorial da América Latina, em São Paulo, a área onde eles se encontram poderia ter uma pouco mais de verde e menos, bem menos, de concreto. O Museu apresenta algumas obras interessantes de artistas contemporâneos. Vale a visita. Logo em seguida, fomos à Catedral Metropolitana,  e simplesmente não achei a maravilha da arquitetura que a maioria das pessoas acha (não é implicância com o Niemeyer, juro). Pode até ser interessante do ponto de vista técnico, mas visualmente não gostei.

Logo na sequencia, após a Catedral e indo sentido à Praça dos Três Poderes, fica a Esplanada dos Ministérios. Engraçado que quando a gente vê na TV imagina que cada prédio (que abriga um ou mais ministérios) fica a uma distância considerável de outro, já que normalmente fazem um enquadramento fechado, para pegar somente aquele ministério, mas na verdade é um conjunto de prédios enfileirados, a não mais do que 100 metros um do outro. Atrás deles ficam os anexos dos ministérios, que foram construidos posteriormente para abrigar o crescimento tanto dos ministérios como da quantidade deles.

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

Após os ministérios, ficam os dois prédios mais bonitos da Esplanada (um de cada lado): o Palácio Itamaraty, que tem um belo paisagismo do Burle Marx e o Palácio da Justiça, com seus arcos invertidos formando cascatas. Ligando os dois palácios se encontra a Alameda dos Estados, onde se enfileiram os pavilhões de todos os estados brasileiros, mais o do Distrito Federal e a própria bandeira do Brasil.

Em seguida vem o Congresso Nacional, talvez o prédio mais famoso do Niemeyer e do Brasil, que fica na Praça dos Três Poderes, tendo o STF de um lado e o Palácio do Planalto do outro lado. Novamente na praça dos três poderes senti falta de verde, de árvores. Tinhamos programado fazer a visita guiada ao Itamaraty neste dia, mas eu estava de bermuda e durante a semana não é permitido, assim como na visita ao Congresso. Mas agendei para voltar no outro dia (é uma boa agendar, até para verificar se existe cerimonial, que podem causar a suspensão dos tours guiados).

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

À noite conhecemos um bar chamado “La Loca de tu Madre”, na Asa Sul. Achei bem legal os bares, restaurantes e outros estabelecimentos similares em Brasilia, pois as áreas externas destes se encontram nos fundos das quadras (se imaginarmos que a frente seja a rua), geralmente em uma área gramada e cheia de árvores.

No outro dia resolvemos andar pelo Parque da Cidade, desde a W3 Sul 713 até o Eixo Monumental, uma caminhada de uns 5kms. Logo após tomei um táxi até o Congresso, pois queriamos fazer a visita guiada. No Congresso, o salão verde, com suas obras de arte, é um dos destaques especialmente pela exposição rotativa dos presentes oferecidos por autoridades de outras nações. Após a passagem pelo salão verde, o grupo tomou uma passagem subterrânea que dá acesso ao Senado e lá pudemos observar o “plenarinho”, que eram os móveis que compunham o Senado original, no Rio de Janeiro, e que ainda está aguardando um local para serem expostos. Nos dirigimos até a Câmara dos Deputados, onde o guia nos explicou todo o funcionamento, tanto processual quanto técnico, das votações. Depois fomos até o plenário do Senado, onde estava ocorrendo uma sessão solene. Gostaria de ter acompanhado uma votação, mas já valeu a sessão solene.

Palácio da Justiça

Palácio da Justiça

Após a visita, um “amigo de um amigo” que trabalha no Senado nos levou para tomar o café de graça mais caro da minha vida (o café é gratuito, qualquer cidadão pode tomar, mas ele é pago com nossos impostos!) e para conhecer alguns lugares no Congresso que, apesar de abertos ao público, não são incluidos na visita guiada. Então passamos por outra passagem subterrânea (que lembra um filme de ficção científica) até o Anexo IV da Câmara dos Deputados. Lá subimos até o terraço, onde se encontram um restaurante e uma lanchonete (abertos ao público) e de onde se tem uma vista bem legal do Congresso.

O próximo passeio era a visita guiada no Palácio Itamaraty. Se por fora o prédio já é o mais belo da Esplanada, por dentro não deixa para menos. Depois da visita guiada, novamente encontramos uma “amiga de um amigo” que é diplomata e que nos levou para conhecer salões que não são abertos ao público e, como ela já trabalhou no cerimonal do Itamaraty, nos explicar com mais detalhes o funcionamento do órgão. Após o passeio era hora de voltar para ver o famoso por do Sol de Brasília.

Congresso Nacional

Congresso Nacional

A noite fomos jantar no Faisão Dourado, um ótimo restaurante onde além da qualidade, o preço vale muito a pena (também pela quantidade servida).

No sábado de manhã demos um pulo no Mercado Municipal, que é uma imitação em menor escala (bem menor) do Mercado Municipal de São Paulo. Apesar de ser pequeno, a variedade de produtos é muito grande até impressiona! Depois fomos até o Quituart, uma “praça de alimentação” que fica perto do Lago Norte, degustar uma bela de uma Porqueta no Le Birosque. Depois do almoço seguimos rolando até o Mercado Cobogó, um misto de café e galeria de arte, na SCRN 704/705, onde estava rolando uma feira de artes muito legal. Ótimo é notar que, assim como vem ocorrendo em São Paulo, a galera de Brasília tem ocupado os espaços públicos com arte, culinária ou qualquer coisa que o valha. Inclusive uma galera de Valinhos que faz xilografia “despencou” do interior de São Paulo à bordo de uma bela Veraneio para participar do evento. Além de poder prestigiar vários artistas locais, ainda foi possível tomar umas cervejas especiais no Fusbier. Depois da feira fomos até o Objeto Encontrado, um outro misto de café e galeria que, segundo os brasilienses, tem o melhor cheese cake da cidade. Discordo deles: é o melhor cheese cake do Brasil.

Parque da Cidade

Parque da Cidade

À noite já estava reservada para curtir a festa Simetria, organizada também por um “amigo de um amigo”, no Velvet Pub, uma casa que poderia estar tranquilamente localizada no Bixiga. Interessante notar a mistura de tribos convivendo em harmonia no mesmo local.

No domingo fomos conhecer  a ponte JK, uma ponte estaiada cuja arquitetura dá de dez a zero nas duas estaiadas de São Paulo, e que passa pelo Lago Sul, que conta nas suas margens com uma ótima área de lazer e uma “praia” para quem está longe do litoral (senti uma ponta de inveja pelos rios Tietê e Pinheiros não serem limpos) e na sequência fomos até o Palácio da Alvorada. Deve ser legal fazer o passeio lá, mas ele que ocorre somente às quartas feiras.

Salão Verde - Congresso Nacional

Salão Verde – Congresso Nacional

Para finalizar fomos almoçar no restaurante Casarão, que serve em mesas espalhadas por uma praça e cuja refeição (e algumas cervejas) são acompanhadas por um grupo de chorinho. O programa é tão agradável que dá vontade de voltar só para curtir um domingo ali. Como o resto da cidade também te atrai de volta, existem muitos motivos para eu voltar à Brasilia. Aliás, existem vários motivos para até morar em Brasília!

Observações, dicas e considerações:

  • A falta de conhecimento do funcionamento da nossa democracia e a falta de respeito às nossas instituições democráticas talvez diga muito do porque sempre sermos “o país do futuro”. Tinha gente que estava na visita ao congresso esperando para encontrar a Dilma. E muito provavelmente para chamá-la de vaca, cadela, terrorista, etc. Lamentável!!!!
  • Gostei bastante da forte presença da arte de rua em Brasília. Tem muito grafite e lambe-lambe espalhados pela cidade. E o melhor de tudo: sem desrespeitar a arquitetura.
  • Por falar em arquitetura, aqueles prediozinhos todos padronizados, com os “jardins” entre eles, lembra muito a arquitetura da parte oriental de Berlin com seus prédios “comunistas”.
  • Fiquei curioso para saber o porque do choro ser tão popular e forte em Brasília!
  • Os motoristas em Brasília respeitam faixa de pedestre. Outro ponto positivo para a cidade.
  • Sério que alguém não consegue entender o sistema de ruas de Brasília? Em meia hora na cidade dá para você aprender a se localizar: asa norte, asa sul e cada lado do “corpo do avião”. Contando à patir do eixo central, os “bairros” são numerados em centenas (a centenas ímpares ficam no oeste e as pares no leste, em relação às asas) e as quadras são contadas em decimais, à partir do eixo central. É lógica pura! Se me der o endereço me acho fácil por lá.
  • Pessoal de Brasília tem mania de falar que tudo é longe e que táxi é caro. Acho que eles têm a mesma cultura “carrista” de SP. Do Velvet Pub até a W3 Sul, na Q 713 (quase no final) deu 20 reais de táxi. Eu gasto entre 40 e 50 para ir da Vila Madalena, na Zona Oeste, até a Freguesia, que podemos considerar Zona Noroeste (fica na Zona Norte, mas bem na divisa entre as duas regiões).
  • A receptividade do povo de Brasília é bem acima da média brasileira e muito acima de São Paulo.

Be happy! 🙂

Senado Federal

Senado Federal

Plenarinho - Senado Federal

Plenarinho – Senado Federal

Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados

Congresso Nacional

Congresso Nacional

Palácio Itamaraty

Palácio Itamaraty

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Objeto Encontrado

Objeto Encontrado

Ponte JK

Ponte JK

Palácio da Alvorada

Palácio da Alvorada

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

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