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Wanderlust #49 – Las Vegas – Nevada (8/51), Estados Unidos

(09/02/2018-13/02/2018)

Freemont Street – Downtown Las Vegas

Vegas é aquele lugar que é tão insólito, tão diferente de tudo, que virou um “mundo à parte” que todos deveriam conhecer. A cidade se situa no meio do deserto de Mojave e algo tão grande construído literalmente no meio do nada já é algo pra chamar a atenção. Além de ser uma das duas cidades onde se pode beber em público nos EUA (New Orleans é a segunda cidade americana onde o consumo de álcool em público é legal, apesar de ser tolerado temporária ou definitivamente em outras cidades) o estado de Nevada é o único onde a prostituição é legal.

Como a cidade foi erguida há pouco tempo, praticamente do zero e já com o propósito de servir como a Meca dos jogos de apostas, tudo foi pensado para girar ao em torno do tema “diversão” e a cidade parece um enorme parque de diversões. Uma Disneylândia de adultos.

Ficamos hospedados no Circus Circus, um pouco fora do burburinho da strip (já volto nisto), mas que em si é um complexo gigante. O hotel/resort conta até com um parque de diversões indoor, com montanha russa e tudo.

No nosso primeiro dia resolvemos caminhar até Downtown Las Vegas, a parte de Vegas que surgiu antes da cidade virar “Las Vegas”. Por lá se encontram algumas atrações mais antigas, mas a principal delas, com certeza, é a Freemont street, um “calçadão” (parcialmente coberto) onde existem muitos bares, restaurantes, quiosques vendendo de tudo (inclusive bebidas) e, claro, cassinos.

Depois de uma volta por lá, com uma passagem pelo Container Park, paramos para tomarmos umas na ótima cervejaria Banger Brewing. Depois ficamos passeando pela rua e aproveitando os diversos shows, tanto nos palcos quanto os proporcionados por artistas de rua. De lá, seguimos até a cervejaria Hop Nuts Brewing, que fica localizado no Arts District, um bairro com bastante atelies e arte de rua, meio que uma Vila Madalena. Interessante que quase toda cidade grande nos EUA que conhecemos tem um destes. Antes de irmos dormir, ainda tomamos mais umas no bar do hotel.

No outro dia fomos finalmente caminhar pela Strip, com destino até a placa de Welcome Las Vegas. Não tem muito o que falar sobre a strip. A avenida é margeada por enormes hotéis/cassinos, cada um com seu tema (Veneza, França, Império Romano, etc.). Obviamente existem várias lojas, de tudo quanto é tipo. E cada cassino em si e um mundo a parte, com as mais diversas atrações imagináveis. Talvez o mais legal de caminhar pela Strip seja observar a “fauna”, que é a mais variada possível: famílias, gamblers (apostadores), bêbados, grupos de jovens, enfim, tem de tudo.

Fomos até a tal placa, que por sinal é bem supervalorizada (ainda menos que o Hollywood sign), ou seja, valeu apenas pela longa caminhada. Na volta paramos na Beerhaus para umas cervejas e para fazer tempo, já que a noite iríamos assistir ao espetáculo Love, do Cirque du Soleil, com temática dos Beatles. Taí um negócio que eu aconselharia para quem vai pra cidade e não é um apostador: os espetáculos são fantásticos.

Como já tinhamos visto basicamente tudo, na segunda preferimos curtir novamente o clima da Freemont ao invés da Strip, apesar dela estar menos movimentada e não terem mais os concertos. No outro dia, ainda aproveitariamos mais um pedaço de Nevada no nosso caminho para o Grand Canyon, sobre o qual falo no próximo post.

Observações, dicas e considerações:

  • Como pode beber na rua, é comum ver o pessoal andando com uns copos de drinks (de plástico). São copos grandes, de até um metro de altura, geralmente no formato de instrumentos de laboratório de química, mas existem outros formatos (como botas). Normalmente além de servir como containeres para a bebida, vira um souvenir.
  • Os cassinos não têm janelas, tem iluminação bem forte, bem como som alto. Tudo isto para fazer as pessoas perderem a noção do tempo enquanto jogam. Creio ser este também o motivo para ser permitido fumar, assim você não sai e vê que o dia está amanhecendo.
  • Quando nos dirigiamos para a Beerhaus, nos deparamos com um grupo de homens, de todas as idades (literalmente dos 18 aos 80), trajando uma camisa metade amarela e metade preta, com o nome Karlsson escrito. Quando já estávamos em Phoenix (a terceira parada desta trip), acabamos topando novamente com o grupo, que estava curtindo a noite no bar onde o Tony estava tocando. Eles eram um grupo da Suécia que foi fazer uma trip nos EUA acompanhando alguns jogos de Hockey onde alguns jogadores suecos, como o tal do Karlsson joga. Eita mundo pequeno!
  • Ainda não entendi qual a pira de casar em Las Vegas.

Be happy 🙂

McCarran International Airport: ate o Aeroporto e um cassino!

Capelas e mais capelas.

So figuras na Freemont Street

Freemont Street

Circus Circus: sem janelas, muita iluminação e som alto!

Treasure Island

The Mirrage (com o anuncio do show, Love, do Cirque du Soleil)

O famoso Bellagio e suas aguas “dançantes”

Paris, Vegas….hahaha

O superestimado “Welcome to Fabulous Las Vegas Sign”

Luxor

New York-New York

Planet Hollywood (sim, isto e o teto do cassino)

Cassinos são um dos poucos lugares fechados onde se pode fumar

The Venetian – brega pra caramba!!!…hahhaha

The Strip

Freemont Street a noite

Tirolesa na Freemont Street

Bellagio a noite

Unido a Gente Fica Em Pé. Dividido a Gente Cai. – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 16 de Maio de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Há alguns dias um amigo compartilhou um artigo na web e comentou que era para quem defende o sistema de meritocracia. O foco era a qualidade do ensino público. Bem, respondi que, apesar de ter estudado em colégio público (o colegial fiz com este meu amigo), achava o sistema meritocrático o mais justo. Iniciou-se aí uma discussão – melhor, um debate –, onde cada um expunha suas razões e exemplos (de maneira civilizada e sem tentar impor sua opinião sobre o outro, pois é isto que as pessoas racionais fazem).

Ele defendia, por exemplo, os sistemas de cotas (tanto raciais quanto sociais), e exemplificou, dizendo que teve que se esforçar muito para conseguir entrar numa faculdade pública, pois o ensino público não havia nos dado base para concorrer de igual para igual com alunos das escolas privadas. Portanto, a “linha de partida” não era a mesma.

Eu contrapus a opinião dele (apesar de não ser contra cotas), mas por achar que este sistema deve ser temporário e que isto não invalida o sistema meritocrático. E também exemplifiquei, mudando um pouco a perspectiva de avaliação: citei exatamente que entre tantas pessoas que estudaram conosco, muitas destas nem se dignaram a tentar um cursinho para entrar numa faculdade pública (como ele) ou a abrir mão de várias coisas típicas da idade (passeios, viagens, roupas, etc.) para poder pagar a faculdade (como eu fiz), e que não achava justo que as pessoas que não se esforçaram da mesma forma que nós, colhessem os mesmos frutos.

No fundo, nós dois sabíamos e concordávamos que o problema é a falta de investimento na educação pública, tanto fundamental quanto superior, e que todos (ricos, pobres, negros, brancos, índios, etc.) temos direito à educação de qualidade provida pelo Estado, pois todos nós pagamos impostos. Porém, estávamos como dois médicos que ficam discutindo como tratar uma dor de cabeça, enquanto o paciente morre com um tumor no cérebro que já havia sido diagnosticado, ou seja, estávamos discutindo formas de amenizar os sintomas, e perdendo com isto tempo precioso no tratamento da causa.

Isto me levou a pensar em quantas discussões, conflitos e guerras foram causados por pequenas diferenças de ponto de vista. Temos vários exemplos recentes de pessoas e entidades que, na procura por uma qualidade de vida, por um país melhor, vêm se digladiando: é a polícia que bate nos manifestantes (e ambos querem um país melhor, imagino eu), são os manifestantes que matam um cinegrafista (teoricamente o fundo da manifestação é por um país melhor, o que provavelmente era o desejo do cinegrafista), são “vingadores” (que também em teoria buscam uma cidade melhor, mais segura) agredindo e acorrentando um suspeito de crime à um poste (teoricamente ele só quer levar uma vida melhor, apesar de ter escolhido um caminho errado, ilegal), só para citar os mais recentes.

Analisando estes conflitos, nota-se duas coisas comuns em todos estes fatos: uma maioria (povo) que é colocado em conflito constante entre si enquanto uma minoria fomenta este conflito. Só que os segundos estão imunes a praticamente qualquer “efeito colateral” (uma guerra, uma série de protestos violentos, um atentado, etc.) a que os primeiros estão expostos quando os ânimos se exaltam.

E esta característica se repete quando se começa a analisar dados históricos: a luta de classes pregada por Karl Marx e que só aconteceria através da “revolução proletária”, quando aplicada na Rússia foi responsável pelos piores massacres ocorridos no século 20, sendo que o que todos queriam (operários e burgueses), era uma melhoria na qualidade de vida existente naquele país à época. Hitler fomentou o antissemitismo a fim de eximir o seu governo da culpa pelas recessões econômicas da década de 30. Trazendo para a contemporaneidade: existem os fanáticos islâmicos que pregam contra o modo de vida ocidental (especialmente o americano) e incitam seus seguidores a praticar atos de terrorismo contra estes, o que invariavelmente também acaba gerando um ódio recíproco e mais violência, justificada desta forma como “segurança nacional”.

Os Músicos de Bremen: uma fábula que conta como a união faz a força.

Atualmente no Brasil existe o conflito de “espectro político”. Os “pensadores” e políticos fomentam o debate (na verdade um embate) entre esquerda e direita, entre conservadorismo e liberalismo, entre estatismo e privatismo, e enquanto o povo se digladia aqui embaixo, eles estão lá usufruindo da falta de foco deste mesmo povo para atuar em benefício próprio.

Se formos perguntar a qualquer cidadão, independente de sua orientação ou ideologia política, ele vai dizer que quer um país mais seguro, mais oportunidades, desenvolvimento, qualidade na educação, etc. Ou seja, no fundo temos todos o mesmo objetivo final, apesar de discordamos dos meios de obtê-lo.

Ao invés de passarmos tanto tempo discutindo as divergências, seria muito mais inteligente concentrarmos forças para solucionar o que é consenso, fazendo concessões de ambas as partes e provavelmente, quando estes problemas fossem solucionados, o que seria divergência já nem exista mais. Ou seja, é melhor juntos, brigarmos por aquilo que nos une, do que brigarmos entre nós por aquilo que nos divide.

P.S.: O título da coluna foi extraído de inserções do rapper Gustavo “Black Alien” (que fez parte do Planet Hemp) nas músicas Tabuleiro da Cor, da Banda Black Rio, e Um Bom Lugar, do falecido rapper paulistano Sabotage.

P.S. 2: Uma outra “inspiração” para a coluna foi a música Todos Juntos, trilha do filme “Os Saltimbancos Trapalhões” (o melhor filme nacional de todos os tempos!) e da peça “Os Saltimbancos”, ambos adaptações da obra Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, que conta, em forma de fábula, como uma Gata, uma Galinha, um Cachorro e um Burro, todos eles considerados fracos e inúteis individualmente, ao se unirem conseguem expulsar os ladrões de uma residência.

Be happy! 🙂

Wanderlust #48 – Virginia (7/51), Estados Unidos

(23/11/2017-26/11/2017)

Norfolk

E mais uma vez em um Thanksgiving resolvemos conhecer um estado pouco turístico e pouco famoso, assim como fizemos no ano anterior com Maryland. E mais uma vez fomos surpreendidos positivamente.

A Virgínia é um pequeno estado na costa leste americana, perto de Maryland, e que é famoso por dividir com este o District of Columbia, que fica na divisa entre os dois estados e onde se encontra a capital política dos EUA (Washington). Assim como o estado vizinho, a Virgínia ainda tenta se recuperar da crise de quase dez anos atrás.

Chegamos em Norfolk no final da tarde e, como já haviamos notado no caminho (e percebido no ano anterior), praticamente tudo estava fechado para a celebração do principal feriado americano. Fizemos o check-in e fomos dar uma volta. Como a natureza felizmente não tira folga, fomos presenteados com um por do sol fantástico à beira do Rio Elizabeth, que a cidade margeia. Depois das 20:00 a cidade começou a “despertar” do feriado e, caminhando a esmo acabamos topando ao acaso com a Brick Anchor, que tinha umas 20 torneiras de cervejas locais. Bom começo de feriado!

Na sexta de manhã fomos até Virgínia Beach, o balneário mais famoso do estado e a cidade com a maior população, e que deve lotar durante o verão. Ainda tinha um “rescaldo”, já que o frio demorou a chegar este ano e para a época até que estava bem movimentado. Tomamos um belo café da manhã na Log Cabin Pancake House e depois fomos caminhar no agradável boardwalk.

De volta a Norfolk fomos conhecer a cidade de dia (mas ainda sem muito movimento). Passeamos a beira do rio pelo Waterside District, depois pelo Town Point Park e pelo Freemason Harbour, um bairro antigo composto de várias casinhas de tijolos. Depois fomos até o Neon District e Ghent, duas áreas da cidade que estão passando por renovações. Ghent lembra um pouco da Europa (no entanto sem lembrar de sua homônima belga), com predinhos de 2 andares, muita vegetação e tranquilidade.

Já o Neon District é meio que uma Vila Madalena em menor escala: galerias de arte, um teatro, muito grafite, cafés, instalações artísticas em praças, etc. Depois de uma volta pelo bairro fomos “abrir” a Bearded Bird para umas cervejas. Numa das idas ao banheiro a Lu notou que havia um cartaz anunciando um “appetizer” brasileiro: a coxinha. Perguntei para a bar tender sobre a coxinha e ela me explicou que uma amiga dela, brasileira e proprietária do Taste of Brazil, fazia o petisco para a cervejaria quando não havia food truck servindo lá. A conversa parou e nós continuamos a tomar cerveja. Mas depois de uns 30 minutos aparece o entregador com as saborosas coxinhas. Isto é que é comfort food! Demos mais uma volta na cidade e voltamos ao hotel pois no outro dia iríamos para Richmond. Mas é claro que antes de sair de Norfolk tomamos um café da manhã no Taste of Brazil.

Chegamos a Richmond ainda de manhã, estacionamos o carro e fomos andar por downtown, passamos pelo Virginia State Capitol (parece que toda cidade americana tem seu Capitólio) e pelo restante da região central.

Depois de fazermos o check-in, fomos andar na Broad Street, onde se encontra a Virginia Commonwealth University. Depois andamos pela Monument Ave e fomos até Jackson Ward.

Havíamos mapeado algumas cervejarias, que ficavam em sua maioria no bairro de Scott’s Addition, meio afastado da região central da cidade. Então pegamos um Lyft e fomos conhecer a primeira delas, a Ardent Craft Ales. O mais interessante foi notar que o bairro era provavelmente uma região industrial, mas que agora os galpões estão sendo convertidos em bares, lojas, galerias de arte. Muito legal a transformação e dá para “perder” algumas horas passeando por ali. Após sair da Ardent, fomos até a Isley Brewing Company continuar a peregrinação. Local ótimo, tanto pelas cervejas, quanto pelo atendimento e a música ao vivo. Para encerrar voltamos ao centro para comermos e tomarmos a saideira no 7 Hills Brewing Company, que até já fechou. Sinal que eu tô bem atrasado com os posts de viagens!

Observações, dicas e considerações:

  • Existem estátuas de sereia espalhadas por toda cidade de Norfolk, tipo uma cow parade.
  • A estátua de Netuno em Virginia Beach impressiona pela imponência.
  • Os cigarros na Virginia são muito baratos, praticamente metade do preço de New Jersey. Quase compensa viajar até lá para abastecer o estoque.
  • O pessoal da Virginia é muito educado e prestativo.
  • A paisagem na Virginia durante o outono (especialmente na beira das estradas) é uma coisa que já faz valer a viagem.

Be happy 🙂

Norfolk

Virginia Beach

Virginia Beach

Norfolk

The Pagoda – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Ghent – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Comfort food na Bearded Bird – Neon District – Norfolk

Bearded Bird – Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Downtown Richmond

Downtown Richmond

Virginia State Capitol – Richmond

Jackson Ward – Virginia

Norfolk

Cotas: Como Tratar os Sintomas (Equivocadamente) e não Ligar para as Causas de um Problema – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 14 de Maio de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Quem alguma vez na vida já jogou futebol na rua, sabe o quanto é importante, na hora do par ou ímpar, escolher o campo e, em se tratando de uma subida (ou descida, depende do ponto de vista), estar na parte mais alta. Quem joga na parte de cima, além de ter a vantagem de se cansar menos, ainda conta com a ajuda da gravidade, tanto em benefício do ataque, quanto em benefício da defesa, ou seja, o desnível do campo pode favorecer ou desfavorecer determinado time.

Os americanos costumam utilizar a expressão “level playing field” (campo de jogo “equalizado”) para descrever situações onde os “competidores” (seja no esporte, nos negócios ou na vida acadêmica) têm as mesmas regras, as mesmas oportunidades e o mesmo ponto de partida. É claro que, usando o esporte como exemplo, um atleta pode ter um patrocínio maior e ter mais disponibilidade para por exemplo, adquirir equipamentos melhores, porém, deve existir um ponto de partida mais equalizado para que a competição não se torne injusta (as divisões por peso e idade nos esportes de luta exemplificam bem isso).

(Antes de continuar, um aparte: não gosto muito de utilizar experiências pessoais negativas, pois fica parecendo que é “choro de perdedor” ou que estou me fazendo de coitadinho, o que não é o caso. As usarei aqui somente para ilustrar minhas ideias.)

Quando no último ano de faculdade, em 2002, já com 25 anos (por diversos motivos não pude cursar uma faculdade antes, aliás, até comecei uma com 19 anos e não pude continuar), fui atrás de estágio, senti na pele como pontos de partida diferentes influenciam na vida de uma pessoa. Me candidatei para inúmeros estágios, nas mais diversas empresas, especialmente as grandes (era um sonho fazer carreira numa grande empresa).

Porém, quando eventualmente era selecionado para participar do processo seletivo (fato raro), eu entrava na disputa como um azarão. Seja porque os outros “competidores” tinham estudado em colégios de renome (fiz o primeiro e segundo grau em colégios estaduais), seja porque eles puderam ter acesso às melhores faculdades (que ou eram públicas – e apesar de achar que estudando com afinco conseguiria uma vaga, eu não poderia deixar de trabalhar para estudar -, ou eram mais caras do que a faculdade que pude pagar) ou mesmo porque tiveram experiência internacional, sabiam falar dois idiomas além do português, entre outras coisas.

No final das contas fui fazer estágio em uma pequena consultoria de tecnologia, muito mais porque eu tinha um background profissional na área em que eles estavam precisando (e muito porque quem tinha o melhor curriculum, preferia as empresas maiores e de renome).

Por estes motivos, e por achar que a função maior do Estado é proporcionar qualidade de vida aos seus cidadãos, e que, qualidade de vida passa por oportunidades de desenvolvimento, entendo que o Estado deve sim interferir para corrigir injustiças e erros, que muito provavelmente foram causados por ele mesmo, e que irão influir no futuro dos cidadãos (e consequentemente da própria nação). Já deixei isto claro no meu artigo de estreia aqui na Feedback Magazine.

Comecei com esta história como um “gancho” para falar do assunto principal do artigo. Há algumas semanas vi pessoas compartilhando a notícia de que a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou uma cota de 20% das vagas para negros em concursos federais. A notícia quase passou despercebida, pois as pessoas estava mais preocupadas com a votação do Marco Civil da Internet (Ok! Atualmente, pra muita gente, a Internet é mais importante do que pessoas.), porém, pelas poucas pessoas que compartilharam e discutiram sobre o assunto, o que mais notei foram extremismos. Tinha quem era contra toda e qualquer cota, pois entendem que, independente de qualquer coisa, as pessoas têm que se esforçar para conseguir algo (talvez elas também achem que as paraolimpíadas sejam uma bobagem e, quem quiser competir, que o faça entre os atletas “normais”). Também tinha quem era totalmente à favor, pois o Estado deve corrigir injustiças do passado. Não vi ninguém discutindo a forma como esta compensação/correção é feita, o que para mim é o maior erro.

Como disse anteriormente, não sou contra estas compensações, porém discordo da forma com que elas são feitas atualmente e principalmente da justificativa.

A principal justificativa para a implementação das cotas raciais (pior que o conceito de raça nem é mais utilizado, e sim o de etnia) é corrigir o mal que foi causado aos negros por conta da escravidão.

Cotas são remoções de obstáculos.

Agora volto a outra história pessoal. Eu nasci e cresci nas periferias de São Paulo (e até da Grande São Paulo). Meu pai é de Sergipe e também filho de nordestinos, sendo que sua mãe tinha ascendência européia e seu pai era índio. Minha mãe nasceu no interior de São Paulo, sua mãe também tinha ascendência européia (até onde eu sei, portuguesa) e seu pai, ou seja, meu avô materno, era um mulato originário da Bahia. Sim, apesar da minha tez branca e jeito europeu, sou descendente de índios e negros.

Meu avô, como todos os negros no Brasil, sofreu com falta de oportunidades para estudar (ele era semialfabetizado) e para arrumar emprego (ele trabalhava de segurança noturno), ou seja, ele herdou todos os problemas causados pela escravidão no Brasil. O mesmo aconteceu com o meu outro avô, que herdou todos os problemas (extermínio, escravidão, migrações forçadas, etc.) que os índios sofreram na colonização do nosso país. Pois bem, se a justificativa para as cotas raciais é corrigir o grave erro da escravidão no Brasil, como seria possível mensurar que impacto a situação dos meus avôs influenciou a do meu pai (que era torneiro mecânico), da minha mãe (que cursou até a quarta série e é costureira até hoje) e consequentemente a minha? Será que nasci e me criei na periferia, tendo que estudar em colégio público (no meu caso, o famoso “Malocão”, cujo lema extraoficial era “Entra burro e sai ladrão!”), porque meus avôs também não tiveram oportunidades? De que forma seria possível identificar algum impacto disto na minha vida e fazer com que eu também fosse compensado?

Não sou idiota a ponto de falar que entendo o que um negro sente quando é preterido de algo ou mesmo ofendido, por causa da cor da sua pele, apesar de ter presenciado muitos casos (Até hoje!), inclusive na família. Mas entendo que, apesar da maior parte da população de baixa renda e que, consequentemente, não têm o mesmo “ponto de partida” dos mais abastados, ser formada por negros, existem também muitas pessoas de outras etnias (os índios, como meu avô e boa parte do pessoal do norte e nordeste), que também não puderam ter acesso às mesmas oportunidades. E aí eu entendo que as cotas apenas raciais acabam criando uma “exclusão entre os excluídos” ou uma “inclusão seletiva”, pois o “baiano” – para quem é de São Paulo, ou “paraíba” pra quem é do Rio –, que já teve oportunidades negadas no seu nascimento, novamente é colocado de lado em prol de outra “minoria”.

Mas o que mais me incomoda realmente é que estes mecanismos de ajustes são o remédio para o sintoma. E todo mundo fica discutindo como tratar ou não o sintoma enquanto se esquecem da causa do problema. O Brasil já tem um histórico de, pelo menos, 20 anos de uso de dispositivos sociais para diminuir as diferenças e injustiças, que têm sim sua efetividade, porém não vemos uma melhora nas causas do problema, especialmente no que tange a educação (já falei disto em um outro artigo meu).

Eu acho sim que devem existir dispositivos (auxílios, cotas, benefícios, etc.) a fim de corrigir injustiças do passado e erros que o Estado tenha cometido. Porém, estes dispositivos devem ser muito bem pensados, para que não acabem criando mais injustiças. E o principal: eles devem ser um paliativo enquanto a causa do problema não é solucionada, sendo que esta sim, é que deve demandar a maior parte dos esforços.

E não estou advogando em causa própria, pois já estou formado, pós-graduado e trabalho numa grande empresa multinacional. Consegui, apesar dos pesares, conquistar um certo nível de conforto.

Be happy! 🙂

Wanderlust #47 – Philadelphia, Pennsylvania (6/51), Estados Unidos

(16/Set/2017-17/Set/2017)

Já estive umas 3 ou 4 vezes na Philadelphia, além de algumas outras cidades da Pennsylvania, tanto a trabalho quanto a passeio, mas em todas as vezes havia feito apenas “bate-e-volta”. Desta vez aproveitamos o finalzinho do verão para aproveitarmos um final de semana inteiro na cidade.

Por ficar no meio do caminho entre New York e Washington, DC, a cidade costuma ser um ponto de parada para turistas que tem as duas cidades no roteiro, mas normalmente as pessoas passam rapidamente e não aproveitam tudo o que a cidade oferece. Normalmente estas pessoas fazem o chamado “turismo cívico”, que se concentra em um parque chamado Independence Hall, que foi o lugar onde foi declarada a independência dos EUA.

Mas a cidade tem outras atrações além disto e provavelmente a mais famosa é o Philadelphia Museum of Art, que ficou muito famoso por conta da cena do filme Rocky, em que o personagem de Sylvester Stalone sobe correndo a escadaria. Atualmente existe próximo ao local uma estátua representando a cena, normalmente com fila, tanto para tirar foto com a estátua como para tirar a foto imitando a icônica cena no topo da escadaria.

Chegamos cedo na cidade e fomos fazer estes passeios, o que rendeu uma boa caminhada, e várias outros pontos interessantes entre os dois, como o Reading Terminal Market, o Philadelphia City Hall e a Benjamin Franklin Pkwy (que é margeada por bandeiras de todos os países). Depois dos pontos turísticos, fomos fazer o que mais gostamos: explorar a cidade. Primeiro passamos pela Rittenhouse Square, uma região com lojas, restaurantes e bares. Uma das laterais da praça estava fechada para carros e com mesas espalhadas pela rua, e na praça estava ocorrendo uma feira de artesanato. Já que ainda era cedo para fazermos o check-in no hotel, paramos na Misconduct Tavern para tomarmos umas duas cervejas.

Depois de fazermos o check-in, fomos dar uma volta na região leste da cidade, além do Independence Hall. Esta área termina numa região portuária chamada Penn’s Landing. Ficamos sabendo que no dia seguinte, domingo, iria acontecer um Brazilian day ali. Depois caminhamos à beira do Delaware River até a Yards Beer Company, onde ficamos até o início da noite (e do final da tempestade que caiu no final de tarde). Voltamos para a área do hotel, próximo a Washington Square, jantamos e fomos experimentar o sorvete da Sweet Charlie’s, pois mais cedo notamos que havia uma grande fila, e onde tem grande fila, a chance de ter um sorvete bom é grande. Bingo! Muito bom o sorvete, daqueles feito na “chapa” (de gelo, óbvio).

No domingo de manhã voltamos no Reading Terminal Market para tomarmos o café da manhã. Depois andamos aleatoriamente pela cidade e passamos pela Washington Square, que ficava próxima ao hotel. Fomos novamente para a região do Penn’s Landing, desta vez por outro caminho, e acabamos topando com a ótima 2nd Story Brewing onde, claro, fui obrigado a provar o sample flight. Depois fomos dar uma olhada na Brazilian fest. Nada demais, mas deve servir para a galera local que nao vai ao Brasil há algum tempo matar saudade da música, de ouvir português e de provar alguns petiscos. Como não poderiamos deixar de fazer, fomos então provar um Philly Cheesesteak. Philly é como a cidade é carinhosamente chamada, então como o nome sugere, o lanche é o típico Cheesesteak da Philadelphia. Fomos até o famoso Jim’s Steaks e realmente o lanche foi um dos melhores cheesesteaks que já comi. Depois disto foi só pegar o carro e voltar para casa.

Observações, dicas e considerações:

  • Com um pouco de vontade dá pra fazer tudo a pé. Para quem não tem este pique, Uber e Lyft ajudam.
  • Fui a trabalho em um evento no museu Ben Franklin e recomendo para quem for passar mais tempo na cidade.
  • A não ser que voce goste muito de história, não vale encarar a fila para fotografar o Liberty Bell.
  • No verão, como na maioria das cidades onde o inverno e rigoroso, ocorrem muitos eventos (concertos, feiras), então é bom conferir a agenda pra ver o que tá rolando.
  • Para quem gosta de street-art em geral, a cidade é um prato cheio: além de muito grafiti, na maioria dos lugares turísticos existem painéis pintados, muitos deles há muito tempo.

Be happy 🙂

Independence Hall

Washington Square

Delaware River

Philadelphia Museum of Art

Benjamin Franklin Pkwy

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Philadelphia City Hall

Philadelphia Museum of Art

Wanderlust #46 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

(28/Ago/2017-31/Ago/2017)

Pier Mauá

Confome havia falado no último Wanderlust sobre o Rio, a cidade contém várias em uma. Desta vez, com uma passagem rápida somente durante a semana, resolvemos fazer um roteiro pela baixa gastronomia do Rio, especialmente fora dos pontos turisticos (Copacaba, Ipanema e Leblon).

Mas como ninguém é de ferro, já haviamos programado a viagem para podermos curtir o Samba do Trabalhador, uma das melhores rodas de Samba do Brasil, já na segunda-feira. Pegamos o metrô, descemos na Saens Peña, na Tijuca, e demos uma volta pelo centro comercial do bairro. Depois nos dirigimos ate o Renascença Clube e após tomarmos umas duas cervejas (Antárcticas, claro!) na porta, entramos logo no início do Samba (lá pelas 16:30) para garantirmos o nosso lugar. Na saída, no caminho de volta para o metrô, encontramos o Gabriel da Muda, um dos cavaquinistas da roda, que perguntou se a gente não estava no samba, ai começamos a trocar idéia e ele nos chamou para dar um passada no Bar do Momo, que ficava no caminho. Ficamos lá um pouco e já planejamos voltar no outro dia.

Na terça-feira lá fomos nós novamente para a Tijuca fazer um tour pelos botecos da região. Voltamos ao Momo, onde pudemos aproveitar, agora com calma, o ótimo bolinho de arroz (olha que eu não sou chegado neste petisco pois acho sem graça) e a surpreendente guacamole de Jiló. Depois fomos até o Varnhagem, na praça de mesmo nome, onde além de tomarmos umas geladas debaixo de um sol escaldante, também aproveitamos para pedir uma porção mista de bolinhos.

A idéia de fazer um tour pelos botecos da Tijuca surgiu ao acompanharmos os videos do canal Botecos do Edu, então fomos seguir algumas das sugestões. Primeiro passamos no Café e Bar Aldila, uma portinha que, segundo o Edu, tem um dos melhores torresmos do Rio. Achei bom, acima da média, mas já comi melhores. Em seguida fomos até o Cantinho do Céu para mais uma cerveja.

Neste meio tempo o Gabriel havia sugerido por mensagem que fôssemos ao Carioca da Gema. Lá provamos uma otima porção de torresmo e uma coxinha boa (apenas). Infelizmente não havia mais espaço no estômago para provar a porção de polenta com rabada desfiada, que pareceu muito apetitosa.

Quarta de manhã fomos dar uma volta na Praça Mauá para ver como havia ficado após a Copa (passamos lá um pouquinho antes da Copa, em 2014). Ficou bem legal, mas ainda falta um movimento. Poderiam montar um espaço com bares e restaurantes, a exemplo da Estação das Docas em Belém. Antes de nos dirigirmos até Botafogo para explorar os bares da região, passamos para tomar uma caipirinha no Quiosque Terra Vista, em Ipanema, que tem uma das melhores que eu já provei.

Demos uma circulada pela rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, que muitos afirmam ser o mais parecido com a Vila Madalena no Rio, porém não encontramos nenhum boteco digno de nota. Mas seguindo novamente uma dica do Gabriel, fomos até o bar da Cervejaria Hocus Pocus e novamente a dica valeu muito a pena. O lugar é ótimo, as cervejas fantásticas, petiscos deliciosos e atendimento acima da média (a garçonete Gabi é uma atração à parte pela simpatia e alegria).

Foram poucos dias, mas deu pra aproveitar relativamente bem. Pena que não deu pra voltar ao Rio na última vez que estivemos no Brasil. Quem sabe na próxima.

Observações, dicas e considerações:

  • Será que é tão difícil para a rede de transporte público de São Paulo copiar o sistema de vendas de cartões do Rio? Não precisa nem das máquinas automáticas. Basta disponibilizar o cartão para venda nas estações de metrô.
  • O VLT / Tram / Bonde do Rio funciona muito bem, inclusive o sistema com validação do bilhete sem o cobrador. Uma pena que a rede é pequena.
  • Algumas linhas de ônibus do Rio também aboliram os “trocadores” (como se chamam os cobradores no Rio) e têm funcionado. Novamente, parece que só São Paulo não consegue (ou não quer) adotar algumas coisas que dão certo em praticamente todo o mundo no seu sistema de mobilidade urbana.

Be happy 🙂

Samba do Trabalhador – Renascença Clube

Bar do Momo – Tijuca

O supreendente bolinho de arroz do Bar do Momo (surpreendente para mim, que acho o petisco sem graça)

Guacamole de Jiló: este sim supreendente! – Bar do Momo

Bar Varnhagen – Tijuca

Porção mista de bolinhos do Bar Varnhagen – Tijuca

Torresmo do Café e Bar Aldila – Tijuca

Cantinho do Céu – Tijuca

Porção de Torresmo do Bar da Gema – Tijuca

Bar da Gema – Tijuca

Flamengo

Flamengo

Pier Mauá

Hocus Pocus DNA – Botafogo

Quiosque Terra a Vista – Ipanema

Vai Ter Copa! Mas Falta Bom Senso – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 12 de Junho de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Não sei o motivo, mas eu nunca fui pego pelo sentimento ufanista que envolve a Seleção Brasileira, especialmente em épocas de Copa do Mundo. Quando eu era criança eu gostava da festa de ajudar a pintar as ruas, fazer bandeirinhas e do fato de não ter aula nos dias de jogos. Mais adulto eu sempre gostei dos churrascos ou das idas em bares com os amigos para assistir os jogos, muito mais pela festa do que pelo jogo em sí. Mas sinceramente a Seleção não é algo que me emocione ou me empolgue. 

Inclusive eu nem me vejo na obrigação de torcer para a Seleção. Lembro de ter torcido pela seleção brasileira em 1994 (acho que esta foi a Copa em que eu mais me empolguei) e 2002 (bem menos). Em 2010 eu torci pela seleção também, mas dividi minha torcida (na verdade, melhor chamar de simpatia), com as seleções da Alemanha e do Uruguai. Em 1998 eu simpatizava com a Holanda. Da Copa de 2006 eu pouco me lembro pois nem acompanhei muito. Nesta Copa eu gostaria que a Inglaterra ou a Alemanha levassem, não por ser contra a Seleção Brasileira, mas por entender que estes dois países sim, é que são os países do futebol (basta comparar a média de público deles superior à nossa, inclusive com suas divisões inferiores tendo média maior do que a nossa principal) e mereceriam levar. 

Também fui contra a Copa no Brasil e desde a escolha do país como sede eu já havia decidido que iria viajar para fora do país quando esta acontecesse (o que vai ocorrer, dia 18 eu estou “fugindo”). Não porque ela foi conquistada por político A ou B, ou porque eu acho que o país tem coisas mais importantes com o que se preocupar (e tem!), ou porque haveria muita falcatrua envolvida, o que aconteceria com ou sem Copa (corrupção não é um problema da Copa e sim um problema do Brasil). 

Eu simplesmente não concordo com eventos onde o investimento seja público, o risco seja público, mas o lucro seja privado. Desta forma eu também não concordo com as Olimpíadas, não concordo com a Fórmula 1 ou a Indy em São Paulo (apesar de ser apaixonado por automobilismo). Chego inclusive a discordar dos incentivos promovidos à indústria cinematográfica nacional, pelo mesmo motivo: o governo abre mão de impostos para que estas produções sejam desenvolvidas, porém o “patrocinador”, além da isenção, ganha com a exposição da sua marca e a empresa que produziu, ainda tem a chance do filme ser um sucesso, sem o compromisso de devolver os valores investidos para os cofres públicos. Ou apenas e simplesmente reinvestir na própria indústria cinematográfica. 

Entendo que o “legado da Copa” vai ser pequeno. Mas talvez nem existisse se ela não acontecesse. Acho que não precisamos de um evento desta magnitude para cobrarmos dos nossos governantes investimentos em infraestrutura (talvez um dos maiores gargalos no Brasil atualmente) e em outras coisas muito importantes para o desenvolvimento do nosso país. A cobrança deve ser contínua.  

Apesar disto, eu não preciso torcer para que a Copa seja um fracasso, ou para que a Seleção não conquiste o caneco (não vou torcer a favor, mas não preciso torcer contra). Eu quero é que, na medida do possível, a Copa seja uma festa alegre para os brasileiro, que os estrangeiros que estiverem no Brasil sejam bem tratados, que nada de mal aconteça a ninguém e que eles levem uma boa impressão do nosso país, que tem muitos problemas sim, mas que também tem suas muitas virtudes. 

Sinceramente eu acho que você torcer pelo insucesso de algo, só porque não concorda ou não apoiou, uma pequenez muito grande. Coisa de pessoas com a tal “síndrome de cachorro vira latas”, da qual já falei em um  artigo  aqui na Feedback Magazine. 

Inclusive acho que a “grita” dos últimos dias dos tais “movimentos sociais” e dos movimentos sindicais chega a beirar a extorsão, a chantagem, por aproveitarem de um momento crítico de um grande evento para exigir coisas, muita vezes, além do real. Mas como diz um ditado russo: “você pode até dançar com um urso, mas quem vai escolher a hora de parar será ele” e o PT, que alimentou estes “monstrinhos” durante tanto tempo, agora enquanto governo, está sentindo na carne o mal que eles fazem. 

Mas lá de longe, a milhares de quilômetros de distância do Brasil, eu quero pelo menos sentir orgulho de, ao assistir jogos e reportagens sobre a Copa no Brasil em um bar cheio de estrangeiros ou em uma praça, ter a oportunidade de vê-los perceber que que o Brasil é muito, mas muito melhor do que eles sempre imaginaram, que vai além da tríade “bunda, samba e futebol” e que, apesar de todos os nossos problemas, a gente consegue, do nosso jeito, fazer as coisas acontecerem sem dever nada a ninguém 

Be happy! 🙂

Totalitarismo X Democracia – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 20 de Março de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


 

Em Setembro de 2012 fui à Berlin para fazer um curso de imersão no idioma Alemão (estudo Alemão desde 2010). Numa das aulas, para tratar de comparativos e superlativos, o professor usou o tema “coisas importantes”. Quando questionados qual era a coisa mais importante na vida, praticamente todos os alunos (numa sala de 12) e mais o professor foram rápidos em afirmar que era saúde (por curiosidade: Gesundheit, em Alemão).

A exceção foram um Checo, uma Polonesa e uma Russa, todos eles acima dos 40 anos. Para eles, que vivenciaram regimes totalitaristas, a liberdade é mais importante do que saúde, comida, água, ou qualquer outro item, tangível ou não tangível.

Eu sou fã do capitalismo como modelo econômico (e é isto que ele é, e não uma ideologia, como gostam de pregar) por entender que ele é o sistema que mais têm se adaptado à natureza humana e não o contrário, tentando moldar o indivíduo para que ele se encaixe no sistema.

Apesar disto, não tenho nada contra países que utilizam outros modelos, desde que isto seja de vontade da sua população. Um exemplo: nunca critiquei a Venezuela por seu modelo econômico quase de Estado, porque, apesar dos pesares (mudanças de regras no decorrer do jogo, uso massivo da máquina administrativa para fins eleitorais, etc.), a maioria do povo Venezuelano tem aprovado e referendado este modelo. E quem discorda do modelo, tem toda a liberdade (ou tinha até pouco tempo), para tentar convencer a maioria que o modelo é errado ou, em última instância, simplesmente procurar um outro país que lhe agrade e lá ir viver.

Por outro lado, minhas críticas à Cuba não são relacionadas ao seu modelo econômico (ainda) de Estado, mas ao fato de que o modelo vem sendo sustentado à força e sem a expressa concordância do povo cubano. E o pior, quem discorda não pode nem se manifestar contrariamente ou mesmo deixar o país.

Porém uma coisa tem chamado minha atenção (e me deixado perplexo) nestes últimos dias nas redes sociais e portais de notícia: o apoio, quando não a demanda, de muita gente, à estes sistemas.

Como disse, ao contrário do que boa parte dos “anti-esquerdistas” pregam, na Venezuela, até o momento, existe sim democracia. Está claro que o Chavismo está em declínio, pois ele era baseado principalmente no carisma de seu mentor e falecido líder. Isto já ficou claro quando da eleição do Maduro, que foi bem mais apertada do que as do Chávez. Como o modelo econômico implementado no país não se sustentaria no longo prazo, quando este começasse a ruir, seria clara a insatisfação da população, que viria a clamar por mudanças.

Mas o que mais me impressiona é que figuras que sempre foram críticas da repressão ocorrida no nosso país durante a ditadura militar, estarem apoiando as ações de repressão promovidas por Maduro. O Maduro foi eleito democraticamente através do voto e tem todo o direito (quando não o dever) de ocupar a posição que ocupa, porém, os que se sentirem descontentes têm todo o direito de se manifestarem contrários e eventualmente pedir a renúncia do mesmo. Apesar de eu achar que a melhor solução é sempre nas urnas, as vezes o processo deve ser antecipado para evitar danos maiores.

Da mesma forma, chega a ser deprimente a campanha que alguns vêm fazendo nas redes sociais, inclusive agendando uma “Marcha da Família”, para que haja uma intervenção militar no Brasil. Eu discordo da forma com que os governos dos últimos anos têm conduzido o país, mas entendo que, dentro de uma democracia de fato e de direito como a nossa, esta forma está sendo apoiada pela maioria da população e isto deve ser respeitado. Para quem discordar, sobra a opção de tentar convencer os demais e, como disse, em último caso, escolher um outro lugar que lhe apraza para viver.

Nenhum governo totalitário (seja uma ditadura militar, uma teocracia, um governo comunista), por melhor que sejam seus benefícios, será melhor que a pior democracia, simplesmente porque priva o indivíduo de uma das necessidades mais básicas do ser humano, que é a liberdade (de expressão, de ir e vir, de fazer o que quiser da sua vida).

Be happy! 🙂

Sobre os “rolezinhos”: muito barulho por nada! – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 30 de Janeiro de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Eu estava um tanto quanto relutante para escrever sobre a polêmica da vez, o tal “rolezinho”, pois acho que estão gastando muito esforço com uma coisa desimportante. Mas vou fazê-lo mesmo assim, desta vez tentando observar os diversos pontos de vista.

Dos funkeiros “rolezeiros”

Primeiramente, para explicar o “fenômeno”, uma explanação sobre a geografia de São Paulo: a região central e a maioria dos bairros de classe alta e média alta de São Paulo são separados do resto da cidade (basicamente a periferia) pelos dois principais rios que cortam São Paulo (o Rio Tietê e o Pinheiros). Isto cria uma barreira geográfica entre as classes menos privilegiadas e a “elite”, tal barreira foi até cantada em uma música dos Racionais MC’s.

Como morador “do lado de cá da ponte”, do alto dos meus 13, 14 anos, eventualmente, quando havia condições financeiras, juntávamos um pessoal (da escola, do bairro, etc.) e “atravessávamos a ponte” para procurar diversão. Inicialmente esta diversão era concentrada em Shoppings (no caso o West Plaza e o Matarazzo, que ficavam mais próximos) ou o SESC Pompéia, todos eles no bairro Pompéia, Zona Oeste de São Paulo. Mais tarde, migramos para “rolês” na Galeria do Rock (durante o dia) e o bairro boêmio do Bixiga (reduto de vários bares de rock), ambos na região central de São Paulo. Outras “tribos” também buscavam diversão nesta “ilha” que existe na região central de São Paulo: Broadway (pessoal que curtia música eletrônica), Clube da Cidade (black music, samba), Clube do Palmeiras (black music, rap), Caipirão (sertanejo), etc.

O que buscávamos era apenas diversão: comer no McDonald’s, mexer com algumas garotas, mesmo aprontar alguma estripulia nestes lugares (subir uma escada rolante que estava descendo) e, vez ou outra, até uma briga acontecia. Coisas de adolescente. O que este pessoal do rolezinho procura é basicamente a mesma coisa que minha turma procurava: se divertir, beijar, comer e aprontar. O único problema é que, com o advento das redes sociais, estes eventos (que na minha época juntavam 8, 10, 12 pessoas e nunca chegou a passar de 15), tomou proporções bem maiores, chegando a juntar milhares de pessoas.

É claro que, em todo evento que reúne bastante gente, seja ele um jogo de futebol, um show, uma manifestação, uma praia, existirão pessoas de má índole ou má intencionadas, mais ou menos na mesma proporção em que elas existem na sociedade como um todo (aliás, o único lugar em que a existência de pessoas de má índole ou má intencionadas é superior é na política). Porém, como geralmente acontece com o Estado brasileiro, ao invés de identificar e punir os desvios de conduta, o Estado tenta fazer o “mais fácil” e cria proibições. Um bom exemplo: ao invés de identificar e punir eventuais brigões em jogos de futebol, resolveram proibir a entrada de bandeiras, instrumentos musicais ou qualquer coisa que pudesse ser usada como arma (frutas, por exemplo), o que não diminuiu em nada a violência relacionada ao futebol. Outro exemplo bem paulistano: para coibir os excessos no uso da propaganda visual em vias públicas, ao invés de fiscalizar e punir quem não obedecesse as regras, simplesmente resolveram proibir todo e qualquer outdoor em São Paulo. Agora no lugar dos outdoors ou temos muros e paredes cinzas e mal conservadas ou pixações. Chegou-se ao ponto de um vereador querer proibir o uso de motos para levar caronas, pois a maioria dos crimes praticados com motocicletas era praticado por duas pessoas. (Não seria mais fácil prender os bandidos?)

À despeito do tipo de som que estes adolescentes ouvem, ninguém pode julgar ninguém. Eu não gosto de funk, mas tem muita gente que também não gosta dos sons que costumo ouvir. É uma questão de gosto e ponto.

Dos Shoppings

Com o incremento na renda média do brasileiro e a consequente ascensão em massa de pessoas das classes D e E para as classes C e B que ocorreu nos últimos 20 anos no Brasil, os empreendimentos comerciais e de lazer resolveram “atravessar a ponte” para o lado de cá do rio. O problema é que, ao invés de tentarem entender o comportamento do público de periferia, estes empreendimentos vêm tentando implementar a mesma solução que existe nos bairros de classes A e B.

Não adianta fazer um shopping com música clássica como som ambiente, pois as pessoas de periferia, na sua grande maioria, ouvem samba, rap, sertanejo e funk. Este público tem comportamento diferente do público dos shoppings tradicionais e estes ambientes deveriam ser pensados exclusivamente para eles. Os mesmos “pais de família” que as administradoras de shopping alegam estar protegendo, há 10 anos atrás eram os mesmos adolescentes que hoje se reúnem nos tais “rolezinhos”.

Aliás, acho muito interessante que nenhum destes experts em mercado tenha atentado para o poder de consumo destes adolescentes. Muitos deles trabalham ou ganham mesada dos seus pais, o que os permite comprar os tais tênis de mil reais, bonés e camisetas de duzentos reais e andarem cheios de jóias. Além do potencial atual de consumo, estes lojistas estão se esquecendo que daqui cinco, dez anos, estes mesmos adolescentes serão os pais de família que irão frequentar as praças de alimentação e consumir nestes mesmos estabelecimentos.

Dos movimentos sociais e políticos e dos “experts” em comportamento humano

Aqui é um caso de tentar “capitalizar” um movimento sócio-cultural (sim, é cultural, mas está muito longe de ser político) para fomentar uma luta (de classes, de ideologias) da qual nem mesmo os participantes do movimento querem fazer parte, se é que estão cientes (como disse, eles só querem, como todo adolescente, se divertir).

Aí vêm os partidos e movimentos que tentam angariar simpatizantes entre as classes menos favorecidas pregar a eterna “luta de classes”, dizer que estes jovens veem no shopping o único lugar de lazer possível, pois não existem opções na periferia (engraçado que estes jovens elegeram os tais “templos do consumo” como opção de lazer).

Do outro lado, vêm os partidos e movimentos que tentam angariar simpatizantes entre as “elites” tentando insinuar que estas pessoas estão “invadindo” o seu território (todos os movimentos espontâneos ocorreram em shoppings de periferia) e generalizando todos estes adolescentes como bandidos (Por morarem na periferia? Por ouvirem funk? Por se vestirem espalhafatosamente?)

Da Mídia

A mídia vive de audiência. É com base na audiência que ela angaria mais anunciantes e patrocinadores e, consequentemente, mais dinheiro. É este o negócio deles. Como ficou bem claro durante as manifestações de Junho do ano passado, quando ao identificarem o apoio da maioria da população aos protestos, os órgãos de imprensa mudaram o discurso, que inicialmente classificava os atos como baderna para classificá-los como “uma linda manifestação do povo brasileiro”; a opinião deles muda conforme o “Ibope” que têm.

Então não se deve dar muita atenção ao que é veiculado, pois eles vão mostrar o que a maioria quiser ver e ouvir.

Do Estado

Como os próprios administradores de shopping alegam na tentativa de evitar os tais “rolezinhos”, o shopping é um local privado, portanto, não deveria ser o Estado (através de seu aparelho policial) o responsável por prevenir tais eventos e muito menos por zelar da segurança dos mesmos. Os próprios empreendimentos que contratem seguranças particulares, coloquem grades, proíbam menores desacompanhados… À polícia só cabe intervir em caso de algum ato ilícito estar sendo cometido.

Da mesma forma, chega a ser deprimente juízes perdendo o seu (nosso) precioso tempo para analisar pedidos e conceder liminares. Que os shoppings barrem quem quiserem barrar e, se alguém se sentir discriminado, aí sim, que procure a Justiça para exigir reparação, lembrando sempre que o ônus da prova cabe a quem acusa.

Das “Elites”

Uma das características do ser humano é tentar se diferenciar dos demais. Maslow explica isto de uma forma bem clara em sua pirâmide das necessidades humanas: satisfeitas as necessidades básicas (segurança, alimentação, sexo, etc.), outras necessidades surgem, como as necessidades sociais, de estima e de realização pessoal.

Numa sociedade capitalista, onde o dinheiro faz diferença e é medida de sucesso (antes de mais nada, não é uma crítica, é uma constatação), quem sempre se diferenciou neste quesito se sente “atacado” ao ser colocado no mesmo nível da maioria (não que foram rebaixados, os outros é que ascenderam). Daí nascem as críticas à capacidade atual de mais pessoas provenientes de baixa renda poderem viajar de avião (Vejam só, até para Miami!), terem carros importados (já vi Ferrari e Lamborghini aqui na Zona Norte de São Paulo) e estarem aptos a frequentarem e consumirem em shoppings.

É normal e totalmente compreensível, do ponto de vista do comportamento humano, o incômodo que quem sempre esteve por cima está tendo neste momento.

Conclusão

O movimento do “Rolezinho” é apenas um movimento social, que como tantos outros tende a ser efêmero. Daqui a pouco aparece outro modismo adolescente que vai despertar o interesse dos vários atores da sociedade. Estes adolescentes estão apenas procurando fazer o que todos os outros adolescentes, do mundo todo, independentemente de classe social, nível cultural e educacional fazem, que é apenas se divertir sem compromisso.

Os movimentos políticos e sociais resolveram tomar isto como bandeira para suas ideologias e seus projetos políticos, enquanto a mídia está dando uma atenção excessiva, a fim de angariar audiência. O Estado, que deveria interferir somente em casos extremos, até por ser formado por políticos, também está dando muita atenção ao fato.

Quem sempre foi “diferenciado” pelo poder aquisitivo, está se sentido perdido, pois seu ego não admite que pessoas de origem mais humilde hoje tenham acesso aos mesmos lugares, produtos e serviços que os diferenciavam, que os faziam “elite”.

Até aí tudo normal.

A única coisa que não achei normal nesta história toda foi a reação da iniciativa privada. Eles poderiam estar capitalizando em cima deste movimento, formando uma forte base de clientes (atuais e potenciais). Acho que eles precisam dar uma lida no livro “A Riqueza na Base da Pirâmide”, do professor C.K. Prahalad. Eu, se fosse um deles, já teria “oficializado” o evento, como por exemplo, agendando para um domingo por mês um “rolezinho oficial”. Aí quem não desejasse participar ou se sentisse incomodado, nem iria frequentar o shopping neste dia.

Be happy! 🙂

Wanderlust #45 – São Paulo – Brasil

(18/Ago/2017-02/Set/2017)

Praça Roosevelt

Uma vez assistindo um programa sobre brasileiros que moram no exterior (o programa era sobre Berlin, se não me engano), uma das brasileiras entrevistadas soltou uma frase maravilhosa: “o migrante se torna um apátrida, pois o país para o qual ele imigrou nunca será o seu lar, e o país do qual ele emigrou nunca mais será o seu lar”. Após quase um ano morando fora fui entender o sentido da frase. Mesmo com toda a tecnologia de comunicação disponível, principalmente através da internet, quem está fora do país acaba por perder referências durante o tempo que passou fora (de cultura, de política, etc.), ao mesmo tempo em que não tem as referências do novo país (um desenho que as pessoas assitiam na infância, uma moda, um brinquedo ou um programa de TV de dez anos atrás, etc.). O Gilberto Gil cantou isto lindamente na maravilhosa Lamento Sertanejo, em parceria com o Dominguinhos (aqui tem uma versão imperdível com o Hamilton de Holanda, a caboverdiana Mayra Andrade e o Yamandu Costa). E foi com este vácuo de quase um ano perdendo referências (ainda pouco tempo, mas uma diferença perceptível) que visitamos São Paulo pela primeira vez na condição de turistas (a primeira volta, em Dezembro, não conta, pois foi um “bate-e-volta”).

A primeira coisa notável é a forma como rapidamente já incorporamos alguns costumes, a ponto inclusive de nos irritarmos um pouco com alguns comportamentos, como por exemplo a falta de respeito às leis de transito. A cidade em sí não mudou muito, o que particularmente achei um mau sinal. São Paulo vinha numa mudança nos últimos 6 ou 7 anos para um estilo de cidade mais parecido com o que eu idealizo em uma metrópole, especialmente no que diz respeito ao uso do espaço público por sua população (não adianta, sempre terei Berlin como referência neste quesito). Parece que aquele impeto de ocupar os espaços públicos deu uma aplacada. A Praça Roosevelt, a Consolação e a Avenida Paulista (em um dia normal) me pareceram menos “festivas” do que eram quando nos mudamos. Felizmente a própria Paulista aos Domingos e a Vila Madalena, ainda estão com bastante atividade (apesar do clima um pouco diferente).

Este é um Wanderlust um pouco diferente. Sei lá, não sou mais um “paulistano”, mas ao mesmo tempo ainda não me sinto como um turista na cidade. Ainda posso dar dicas de alguns lugares interessantes, mas as dicas seriam de um “nativo” de um tempo passado (ou seja, podem ser uma furada), e não de um turista. Então desta vez vou me abster.

Se esta sensação me dá algum arrependimento da mudança? De forma alguma! Toda escolha que se faz na vida é sempre múltipla: voce escolhe uma opção, mas ao mesmo tempo deixa de escolher infinitas possibilidades. E eu acho uma besteira ficar com saudades do que poderia ter sido (obrigado Paul Austin). E como diria o mesmo Gilberto Gil, “o melhor lugar do mundo é aqui e agora“. E até que a sensação de “falta de pertencimento a algum lugar” (que na verdade não é nova, pois já fazem uns dez anos que eu não me sentia “em casa” no Brasil) se aplacou um pouco quando o oficial da alfândega nos desejou um “Welcome home!”.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu ainda estou pra ver alguma outra cidade que tenha algo como a Vila Madalena em termos de vida noturna. Uma mistura de tribos, de estilos, uma gama tão grande de opções (em uma área geográfica relativamente pequena) que ainda não encontrei nada nem parecido em Nova Iorque, Los Angeles ou Berlin (pra citar as grandes metrópoles que conheço a fundo e que são comparáveis a São Paulo, não conheço muito bem Londres).
  • Como querem promover o turismo na cidade se um turista não consegue nem comprar um bilhete único para se locomover pela cidade?

Be happy 🙂

Metrô Consolação: em SP pode beber em público. Não pode beber no metrô, mas pode também!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz) – ficou muito legal com os grafites!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Avenida Paulista aos Domingos – a ocupação do espaço público ainda resiste!

Beco do Batman – Vila Madalena

Pôr-do-sol na Ponte da Casa Verde/Marginal Tietê