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Wanderlust #60 – Cape May e Wildwood, New Jersey (14/51)

(25/05/2019-26/05/2019)

New Jersey não é lá um estado muito turístico. Muita gente conhece por descer no aeroporto de Newark a caminho de New York. Ou por pegar a NJ Turnpike (route 95) entre NY e Washington ou Philadelphia. Mas praticamente ninguém planeja conhecer NJ durante umas férias nos EUA.

Apesar disto, é um estado que tem algumas particularidades interessantes. A parte próxima a NYC (Hoboken, Jersey City, Newark, Elizabeth, Union) é praticamente uma extensão da Big Apple, servindo inclusive como cidade dormitório para muita gente que trabalha em Manhattan. A parte central é repleta de natureza, e por isto o estado é conhecido como “The Garden State”. Florestas, parques, montanhas, vida selvagem em abundância, são algumas das características do estado. O litoral, ao menos entre os residentes, é uma outra atração e quem visita NY e gosta de jogatina pode se divertir em Atlantic City, uma mini-Las Vegas na costa leste dos EUA.

Depois de 3 anos morando no estado finalmente fomos fazer uma viagem que não era bate-e-volta, então agora dá para aproveitar a deixa e finalmente escrever um Wanderlust sobre Jersey (lê-se “djerzí”).

Aproveitamos uma Summer Friday para conhecer o mais famoso balneário do estado: Cape May, numa península bem lá no Sul, quase no estado de Delaware e separado deste apenas pela baía de mesmo nome. Ao pesquisarmos hospedagens, acabamos reservando algo em Wildwood, que fica no condado de Cape May, mas não na cidade principal de mesmo nome. Mas coisa de 15 minutos dirigindo.

Ao chegarmos fomos direto para Cape May, paramos o carro e fomos dar uma volta. Cape May é uma cidade praiana, com tudo o que uma cidade praiana tem: restaurantes, lojas de bugigangas, bares, hotéis. Tem até um calçadão central que reúne comércios de todos estes tipos. Uma coisa importante a citar é que em NJ o acesso a quase todas as praias é pago.

Isto mesmo: para acessar a praia é preciso pagar uma entrada ou adquirir um passe. Ainda assim a praia é considerada um local público e como em todo local público nos EUA o consumo de bebidas alcoólicas é proibido (às vezes até revistam coolers na entrada). Também não tem ambulantes. E cá entre nós, as praias da costa leste dos EUA, em sua maioria, também não são nada bonitas quando comparadas às praias brasileiras, ao Caribe e às do Mediterrâneo. Demos uma volta na cidade e logo fomos tomar umas na Cape May Brewing, que além de ter ótimas cervejas e um agradável beergarden, fica ao lado de um aeroporto.

De lá fomos à Wildwood e após fazermos o check-in na pousadinha fomos dar uma volta. Wildwood é uma das poucas praias que não se paga para acessar (quer dizer, “paga” uma caminhada de uns 300 metros da pista ou calçadão até o mar). Em compensação existe um enorme “calçadão” de madeira (boardwalk), suspenso, e alguns piers, com lanchonetes, sorveterias e parques de diversão. Demos uma volta pelo calçadão e depois fomos tomar um (enorme) sorvete e comer algo.

No final de tarde, paramos na Shamrock Beef & Ale. O bar seria apenas um pub dos mais simples, mas para a temporada eles usaram um pedaço enorme da área externa (que creio ser um estacionamento na baixa temporada) para montar um Tiki bar, com direito a um barco (de verdade) com algumas cadeiras de praia para serem ocupadas por clientes e onde um músico se apresentava (acabei de descobrir que esta área se chama Castaways Pirate Bar). Como não pode faltar em qualquer bar com área externa nos EUA, também tinham um Cornhole. De lá fomos jantar na Pasta Pesto e depois fomos descansar.

No outro dia, acordamos cedo e fomos tomar café da manhã no Pink Cadillac Diner. Diners são aqueles restaurantes muito comuns de se ver em filme, onde as pessoas geralmente param para tomar café da manhã (que normalmente é servido durante todo o dia). Diners são muito comuns em NJ e uma das características do estado é encontrar ao menos um em cada uma das cidades, por menor que seja.

Wildwood é a parte central do que é conhecido como Wildwoods, que além da própria praia central também engloba North Wildwood (ao norte…dã!), Wildwood Crest e Wildwood Gables (ao sul), todas elas contínuas e nas quais só se percebe que se saiu de uma e chegou na outra pelas placas. Pegamos o calçadão em direção ao sul até Wildwood Crest, que tem menos atrações (a parte suspensa do calçadão acaba) e mais prédios residenciais com muitos apartamentos. Entre as duas praias estava ocorrendo um festival de pipas, bem legal.

Já tínhamos conhecido todas as atrações e como não iriamos pegar praia e nem brincar nos parques de diversões, resolvemos então ir para nosso parque de diversões: as cervejarias. Primeiros fomos à Cold Spring Brewery, uma das mais charmosas que conheci, montado num celeiro e com uma área externa ótima. Depois fomos à MudHen, que havíamos tentado no dia anterior, mas que estava muito lotada. Pra finalizar, voltamos novamente no Tiki bar do Shamrock para aproveitar o verão e o sol se pondo após as 21:00hrs.

Observações, dicas e considerações:

  • Um pouco antes do início oficial do festival de pipas o sistema de alto falantes do boardwalk anunciou que iriam começar e, portanto, iriam tocar o hino nacional norte-americano. Parece que alguém com o controle remoto do mundo apertou o botão de pausa: todo mundo parou o que estava fazendo para respeitar. Os ciclistas desceram das bicicletas, pessoas pararam de caminhar, retiraram o chapéu e mantiveram silêncio total até o final, quando então alguém deu o play novamente.
  • Em vários dos hotéis/motéis havia grupos grandes de jovens e adolescentes, geralmente fazendo muita algazarra e aparentando estarem alcoolizados. Acho que deve ter algum lugar onde menor de 21 consegue comprar bebida alcoólica na cidade.
  • Wildwood parece que parou nos anos 60 ou 70. Toda a arquitetura da cidade lembra um filme antigo.
  • A costa de New Jersey é conhecida como “Jersey Shore” e existe até um reality show relativamente famoso com o mesmo nome gravado em Seaside Heights, um dos balneários do estado. Uma outra forma que os “Jersey boyz” se referem às praias é Down The Shore ou simplesmente DTS. Se um dia ouvir alguém dizendo “I’m going DTS this weekend” significa que ele vai para a praia em NJ. É praticamente o mesmo que o paulistano diz quando vai à praia (“vou descer pro litoral”).
  • New Jersey é atualmente o único estado norte-americano onde o auto abastecimento é proibido e somente pode ser feito por frentistas. Outro estado era o Oregon, porém em 2017 criaram várias brechas na lei que praticamente extinguiu esta exigência (ainda existem frentistas, mas é questão de tempo para eles sumirem por lá). Se por um lado isto encarece um pouco o combustível (cerca de 3% comparando com locais similares na Pennsylvania, por exemplo), por outro é uma mão na roda durante o inverno não ter que descer do carro e encarar o frio!
  • As leis de bebidas em New Jersey são muito confusas e bem restritivas. Além da proibição de consumo de álcool em público, que ocorre em praticamente todo os EUA, existem outras restrições, tais como:
    • Cidades “secas” onde o comércio é totalmente proibido.
    • Redes de supermercado só podem vender bebidas alcoólicas em duas lojas no estado todo (e respeitando as cidades onde é permitido o comércio), portanto muito poucos supermercados vendem bebidas.
    • As licenças para venda de álcool (tanto para consumo no local quanto para levar) são caras e limitadas. Por isto vários restaurantes não podem vender e permitem o BYOB (Bring Your Own Beverage – nas cidades que não são “secas” obviamente), inclusive oferecendo balde de gelo, copo, etc. para quem leva a própria bebida.
    • As cervejarias não podem vender comida e por isto a maioria trabalha em parceria com food-trucks, restaurantes vizinhos ou então disponibilizam vários cardápios de delivery para as pessoas pedirem comida (ou você simplesmente pode levar a sua). Além disto, eles só podem vender cerveja para consumo no local como parte de um tour. Então não estranhe se parar em uma cerveja, eles perguntarem se você já esteve lá e, diante da negativa, te mostrarem um quadro do processo cervejeiro durante dois segundos: este vai ser o “tour”….hahaha
  • Newark era até alguns anos atrás a cidade norte-americana com a maior comunidade brasileira (considerando os imigrantes e os filhos de brasileiros nascido nos EUA, posto ocupado atualmente por Framingham, em Massachusetts) e ainda conta com a maior comunidade Portuguesa. No bairro de Ironbound existem vários restaurantes, padarias e supermercados e é mais fácil ouvir o Português (do Brasil e de Portugal, ou então o Espanhol) do que o Inglês caminhando por lá.
  • Curiosamente, se você pegar um barco e navegar a partir da costa de NJ em linha reta no sentido leste você chegará em Portugal.
  • Jersey City e Hoboken podem ser consideradas a Niterói dos EUA: de lá consegue-se ver todo o belo skyline da cidade de New York, já que são separadas desta apenas pelo Rio Hudson. Mas as duas cidades (juntamente com Newark) tem lá suas atrações. Newark tem bares, universidade, um setor comercial; Jersey City também tem alguns restaurantes e bares (recomendo muito o Zeppelin Hall, um bar alemão com um enorme e ótimo beergarden) e Hoboken é uma cidade universitária com bastante movimento e onde se encontra também a famosa Carlos Bakery.
  • Os dois times de futebol americano que representam New York na NFL, o NY Jets e o NY Giants, mandam seus jogos no MetLife Stadium, que fica em East Rutherford, em New Jersey. O NY Red Bulls, time de futebol (de verdade!) que disputa a MLS, a principal liga norte-americana do nobre esporte bretão, também tem seu estádio no estado, em Harrison, do lado de Newark. Seria melhor eles mudarem os nomes para NJ Jets, NJ Giants e NJ Red Bulls.

Be happy 🙂

Wanderlust #59 – New Orleans, Louisiana (13/51)

(21/02/2019-26/02/2019)

Uma das festividades que eu mais gosto no Brasil é o carnaval (tem uns relatos dos carnavais de 2014 e 2015 aqui e aqui). Na época em que eu precisava fazer plantão, sempre me oferecia para trabalhar no Natal ou no Ano Novo para poder pegar a folga no Carnaval. A festividade é uma das coisas que me dão mais saudades do Brasil, especialmente porque nos últimos anos o Carnaval de rua de São Paulo virou uma festa muito legal. Então já que fazia 3 anos que a gente não curtia a festa, porque não curtir um carnaval diferente e aproveitar o Mardi Gras em New Orleans, a cidade dos EUA famosa por esta festividade.

Dia 1

Como não conseguiria pegar os dias do Carnaval de folga, planejamos a viagem para a semana anterior. Ao pesquisarmos, descobrimos que os eventos do Mardi Gras começam já no dia de Reis (6 de Janeiro) e que no fim de semana do “pré” existem mais desfiles (Parades) do que no final de semana do feriado (que não é feriado nos EUA) em si. Além de tudo, passagens e hospedagens são mais baratas.

Chegamos no começo da noite e após nos instalarmos no apartamento da Sonder, já fomos bater perna na área mais movimentada da cidade: a Bourbon Street. Já no caminho dá pra perceber o clima diferente e, além do calor (mesmo sendo inverno), as pessoas pareciam mais entusiasmadas, mesmo numa quinta-feira à noite.

A Bourbon St é uma rua que fica no French Quarter, a área mais turística e boêmia da cidade. Durante a noite e aos finais de semana, o acesso de carros é fechado e vira um grande calçadão. Além de bares, restaurantes e várias lojas de bugigangas (souvernis, fantasias, adereços, beads, etc.), também existem vários hotéis antigos na rua, com varandas (alguns bares também têm varanda), que é de onde o pessoal joga os beads, aqueles colares típicos da festividade. Os próprios hotéis e bares compram quilos e quilos dos colares e deixam pendurados para que os clientes possam jogar. Segundo a tradição, para ganhar um colar você tem que pagar uma prenda. Uma das prendas “preferidas” é que as mulheres exibam os seios.

Uma coisa legal nos bares da Bourbon é que nenhum deles cobra entrada. Eles apenas conferem a identidade (na maioria das vezes), para permitir apenas maiores de 21 anos, que é a idade legal para poder beber nos EUA (a legislação é estadual, mas todos os estados seguem esta idade mínima). Como New Orleans é uma das duas cidades norte-americanas onde se pode beber em público (a outra é Las Vegas) eles também não ligam muito se você entrar ou sair bebendo dos bares (só não pode sair com copos e garrafas de vidro, mas os bares disponibilizam copos de plástico). A maioria dos bares têm ótimas bandas com tudo quanto é tipo de som: jazz, blues, soul, rock, country. Por tudo isto é bem comum ver as pessoas saindo de um bar e entrando em outro, pra ver como está o som, ou então aproveitando o intervalo de uma banda pra ir curtir outra em outro local.

Primeiro a gente deu uma volta, indo até o final da rua e voltando. Paramos então na Huge Ass Beers, que vende cervejas em tamanhos realmente grandes (copos de até dois litros!), pegamos uma cerveja e curtimos um pouco o som. Saímos para dar mais uma volta e depois paramos no Fat Catz Music Club que na nossa opnião tem as melhores bandas (soul, funk, rhythm and blues e pop em geral). Depois de curtirmos um pouco o som e tomarmos umas cervejas, passamos numa loja de conveniência, compramos um pack de cervejas e voltamos para o apartamento.

Dia 2

Na sexta de manhã, mesmo com o tempo nublado e ameaçando chover, fomos dar uma volta. Passamos primeiro pela Canal St, a avenida mais movimentada da cidade, com hotéis, mais lojas de bugigangas, restaurantes, cassino, shopping e até uma arena de shows. De lá fomos até o rio Mississipi, o segundo maior rio dos EUA, que corta praticamente o país todo de norte a sul, desaguando no Golfo do México. Existe um boardwalk com algumas atrações e vários parques. Passamos pela parte do French Quarter que fica à beira do Mississipi, pela Jackson Square (que basicamente se resume a um shopping montado em uma antiga fábrica de cervejas) e caminhamos até o French Market, um mercadão local, que diferentemente da maioria dos outros mercados centrais dos EUA, é bem aberto.

Depois fomos dar umas voltas na Bourbon Street durante o dia e logo após paramos para experimentar as cervejas da Crescent City Brewhouse. Na sequência fomos até a Royal Street para acompanharmos a parade (desfile) da Krewe of Cork. As krewes podem ser considerados uma mistura de bloco carnavalesco com escola de samba. Cada krewe tem um tema e a de Cork é vinho (cork é rolha em inglês). O tema domina as fantasias, que são desenhadas e elaboradas por “foliões” individualmente ou em pequenos grupos, ou seja, não existe um padrão. Eles também confeccionam beads alusivos ao tema central que jogam para a galera (sem nem precisar mostrar os peitinhos…hahaha). Além dos beads, existem outros throws que são jogados pelos componentes: bonecos, óculos, máscaras, basicamente qualquer “recordação” que eles tenham em mente e que seja parte do tema.

O único ponto ruim foi que não haviam banheiros no trajeto desta krewe, então para não passarmos perrengue, preferimos não comprar cerveja.

Como as ruas do French Quarter são estreitas, os “blocos” (vou começar a chamar assim à partir de agora) que desfilam por lá são menores e eles não desfilam com os floats, que são os carros alegóricos. Os blocos maiores desfilam, em sua maioria, na St Charles Ave, e foi pra lá que fomos, já no final da tarde, para acompanharmos os blocos que passariam por ali no dia.  

Na St Charles Ave, além da presença dos floats, que em tamanho se assemelham aos trios elétricos do Brasil, desfilam blocos bem maiores, alguns com mais de 3 mil foliões. A variedade de throws também é enorme. Porém, como o local na St Charles em que paramos fica no final do percurso, muitos floats já estavam sem os throws. E como é a parte mais perto do centro, fica bem lotado. Depois de acompanharmos um pouco, fomos jantar e voltamos ao ap.

Dia 3

Sábado de manhã fomos tomar o café da manha no French Market e experimentamos a Mufalleta original. Passeamos depois pelas ruas perpendiculares à Bourbon e passamos em frente ao Lafitte’s Black Smith Shop, considerado o bar mais antigo ainda em funcionamento nos EUA, com quase 300 anos. Estava meio cedo, mas como estava lotado acabamos não parando. Fica para a próxima. Fomos então ao Louis Armstrong Park, que é até charmosinho, mas sem muitas atrações.

Voltamos então para a St Charles para acompanharmos os blocos do dia. Desta vez escolhemos um lugar mais afastado do centro, e acabamos topando com uma ruazinha que contava com um bar que, além de servir de “base” (para usarmos o banheiro), tinha umas IPAs ótimas. Depois de quase duas horas debaixo de um sol inesperado (virei camarão até) finalmente os blocos começaram e pudemos nos divertir (e coletar mais beads and throws).

Já no final da tarde, mas com o dia ainda claro, voltamos à Bourbon e ficamos no Band Stand curtindo um som e tomando umas Abitas (quem puder, experimente a Purple Haze deles).

Dia 4

No domingo fomos procurar outro ponto para acompanhar as paradas do dia e acabamos topando com a Lee Circle, que é definitivamente o melhor lugar para acompanhá-las. Além de ser uma praça grande e aberta (muitas familias levam até churrasqueiras, cadeiras de praia, coolers, etc.), ali existem banheiros e tem um posto de gasolina com uma loja de conveniência vendendo cerveja a preços módicos. Também é o melhor lugar para pegar os giveaways. Ficamos ali praticamente o dia todo e depois fomos jantar no French Quarter e darmos mais uma volta na Bourbon.

Dia 5

Na segunda não tinham mais blocos, então fomos conhecer a cidade. Resolvemos pegar a Magazine Street, uma rua com bastante bares, boutiques e comércio diverso que leva até o bairro de East Riverside, o mais “luxuoso” da cidade. No meio do caminho paramos para tomar um café na La Boulangerie, uma padaria que quase lembra as brasileiras. A parte residencial do bairro também é bem interessante, com casas antigas numa arquitetura mista de Europa e Sul dos EUA. Imagino que fossem construções bem suntuosas para a época.

Depois de umas voltas pelo bairro pegamos a St Charles sentido centro. Quase no Lee Circle, paramos na The Courtyard Brewery, que além de ter cervejas muito boas (produzidas lá e por outras cervejarias locais) é bem charmosa. Uma pena que o tempo estava ruim e não pudemos aproveitar para tomarmos umas no jardim. Seguimos então no final da tarde para a região do French Quarter onde jantamos no restaurante Tableau. De lá fomos curtir um pouco no Fat Katz novamente.

Dia 6

Na terça, nosso último dia na cidade, fomos andar do lado oposto de East Riverside, em By Water. O bairro é mais residencial e mais “pobre” que East Riverside, porém pareceu mais interessante. Apesar da quantidade menor de comércios, ainda conta com alguns cafés e bares pequenos que, imagino eu, seja frequentado pela galera local mais “cool”. Em By Water também fica o St. Roch Market New Orleans, que é uma praça gastronômica (existe este termo?).

Na volta andamos pela Frenchmen St, passando pela Washington Square, que parece ser também uma região boêmia, e paramos na pequena Brieux Carré Brewing Co. que tem cervejas bem interessantes de estilos não muito populares e um patio no fundo onde é possivel apreciar as bebidas.

E claro, para fechar com chave de ouro, voltamos à Bourbon para fazer um tour por vários dos bares onde estava rolando música ao vivo.

Observações, dicas e considerações:

  • Mufalleta (ou muffuletta) é um sanduiche típico da região, de origem italiana. Ele é feito num pão redondo bem parecido com o pão italiano (o pão em sí chama muffuleta e tem origem na Sicília) recheado com salame, presunto, mortadela e queijo provolone. Vai também um molho feito com azeitonas (uns 90% do total do molho), salsão, couve-flor e cenoura picados em pedaçoes bem pequenos e curtidos no azeite, alho e orégano. Apesar de bem salgado é uma delícia.
  • Um outro quitute típico da região é o Beignet (pronuncia-se “benhê”) feito com uma massa frita (a massa lembra a das carolinas brasileiras) e coberta com açucar de confeiteiro. Normalmente come-se acompanhado com café logo após o preparo. É tipo um bolinho de chuva deles. A origem deste é francesa.
  • O percurso das paradas é gigante, coisa de 5, 7 quilômetros. Entao dependendo do lugar em que se pretende assistir ela pode passar umas 2 horas depois de ter iniciado (por isto esperamos tanto no segundo dia).
  • A parada em sí é igual qualquer outra parada nos EUA: tem as bandas marciais de escolas, tem carros de comércio ou entidades locais, tem as “alas” de academias, de escoteiros, de associações diversas. A única diferença basicamente são os floats e a temática. Mas pra quem já viu qualquer parada (St. Patricks, Natal, Veteran’s Day, etc.) é basicamente a mesma coisa. Mas o fato de poder beber parece que faz uma diferença na empolgação da galera.
  • A tradução de bead é conta, entao beads, no plural, é apenas um colar de contas.
  • Uma outra atração da cidade é o café com xicória, que pode ser encontrado facilmente no Café Du Monde. A xicória, que também é amarga, era adicionada ao café para baratear o custo, numa tradição que começou na Europa e chegou à New Orleans com os imigrantes que ali se instalaram quando a região ainda era uma colônia francesa (o estado se chama Louisiana em homenagem ao rei Luis XV).
  • O Kilwins, na Decatur St, é uma ótima pedida para quem, como eu, adora sorvete.

Be happy 🙂

Wanderlust #58 – Porto Rico

(23/12/2018-01/01/2019)

Ano passado decidimos que não iriamos passar as festas de final de ano em casa e que iriamos procurar algum lugar quente para fugirmos um pouco do frio. Fazendo algumas pesquisas, descobrimos que Porto Rico se trata de um vôo doméstico e sairia bem em conta. Ainda conseguimos comprar as passagens com milhas. E que grata surpresa foi visitar este local, que apesar de ser um território norteamericano, tem sua própria cultura!

Dia 1

Além da ilha principal onde fica a capital San Juan, Porto Rico conta com diversas outras ilhas, sendo duas delas mais importantes e turísticas: Vieques e Culebra. Não haveria tempo hábil para visitar as duas e também conhecer a ilha principal como queriamos, então acabamos por escolher Culebra meio que aleatoriamente. Como chegaríamos no final de tarde em Porto Rico, para não corrermos o risco de algum inconveniente, resolvemos pernoitar em San Juan e tomar o vôo para Culebra na manhã seguinte.

Assim que chegamos, fizemos o checkin no hotel e fomos dar uma volta em Condado, um dos bairros turísticos da capital. Condado basicamente se resume a uma avenida de uns 800 metros com alguns hotéis, um cassino e bastante bares e restaurantes. Após uma breve volta paramos no The Place para comermos algo e tomarmos uma cervejas, de leve, já que a viagem se iniciaria de verdade no outro dia.

Dia 2

Depois de um tempo procurando, conseguimos achar o balcão da Vieques Air Link e despacharmos as malas. Estranhei um pouco o atendente perguntando quanto pesávamos, porém quando nos dirigimos à pista para embarcar entendi que era para poder distribuir corretamente o peso dos 6 passageiros na pequena aeronave Britten Norman BN-2 Islander (que tem capacidade para 8 passageiros, além de dois tripulantes). O passeio no “teco-teco” foi uma atração a parte, especialmente porque antes de chegar a Culebra ele fez uma parada em Vieques para deixar os demais passageiros. Ou seja, além da bela vista proporcionada ainda tivemos uns 10 minutos de um “vôo privado”, com direito a selfie tirada pelo piloto.

Chegamos a Culebra e a segurança do aeroporto nos ajudou a chamar um táxi, mas talvez nem precisasse, já que a agradável pousada Country Family ficava a poucos minutos do pequeno aeroporto. Culebra é bem pequena e muita gente aluga aqueles carrinhos de golf, que também é um modo de transporte comum aos moradores da ilha. Mas resolvemos fazer as coisas à pé mesmo. Depois do checkin e de algumas dicas da Mari, a simpática dona da pousada, fomos dar uma volta na área mais habitada da ilha. Já sabiamos que a ilha era pequena (cerca de 3 mil habitantes), mas não achavamos que era tanto!

Demos uma parada primeiramente na Dinghy Dock , um bar todo aberto à beira Ensenada Honda, a principal baia da ilha, para comermos um peixe e tomarmos uma cerveja. Em seguida andamos para o centrinho, onde estavam acontecendo os preparativos para a noite de natal. Depois do rápido passeio, voltamos ao hotel para nos prepararmos também.

De volta ao centro da cidade passamos no Mamacitas Bar & Grill onde tomamos uma ótima Piña Colada (talvez a melhor que eu já tomei) e depois fomos jantar e passar a noite de natal novamente no Dinghy Dock.

Dia 3

No outro dia, fomos até a Playa Flamenco, talvez a mais conhecida da ilha. Haviamos decidido caminhar os quase 4 quilometros até lá, porém antes da metade do caminho dois turistas num carrinho de golf nos ofereceram carona. Cobra-se uma pequena entrada de US$ 2,00 por pessoa para acessar a praia à pé e carros pagam um adicional pelo estacionamento. Mas a praia conta com infraestrutura como quiosques (em uma espécie de “praça de alimentação”), banheiros e duchas. Também é possível alugar cadeiras de praia e guarda-sóis, porém existem bastante árvores ao longo da faixa de areia, então dá pra apenas estender uma canga debaixo de uma delas e ficar à vontade.

A praia era usada há algumas décadas como área de treinamento da marinha americana e uma das atrações são alguns tanques de guerra que eram usados como alvo para os treinamentos. Obviamente os tanques estão envelhecidos e enferrujados, mas foram “decorados” com grafites. Depois de aproveitarmos um pouco a praia (sem entrar na água), resolvemos sentar em um dos quiosques (onde já tinhamos tomado café da manhã) para almoçarmos e tomarmos umas cervejas. Tivemos que ficar um tempo a mais pois caiu uma baita chuva e iriamos voltar à pé. Mas novamente no meio do caminho duas turistas nos ofereceram carona.

Fomos então para o centrinho da cidade. Estava ocorrendo uma festa de natal tradicional na ilha, onde eles enfeitam os carros (incluindo os de golf) com luzes e se reunem à beira do porto da área central para beber e dançar (tinha música ao vivo). Depois fomos outra vez tomar umas e agora jantar no Mamacitas.

Dia 4

Tomamos o pequeno avião de volta a San Juan logo cedo. Lá chegando pegamos o carro alugado e fomos fazer a programação na ilha principal. Nossa primeira parada foi Barceloneta. A cidade lembra muito as pequenas cidades do interior de São Paulo, mas além de um Outlet que fica na beira da estrada (e que pode ser atração para alguns) e uma pequena praia (La Boca), não tem nada que valha muito a pena a parada. De lá seguimos para Aguadilla, no Oeste da ilha.

Escolhemos Aguadilla para ficar pois à partir dela teriamos acesso tanto às praias do Norte quanto do Oeste da ilha. A cidade em sí é bem pequena e a maior atração talvez sejam as casas coloridas existentes numa encosta do morro que cerca o centro do povoado (além de uma pista de patinação no gelo!). Depois de darmos uma volta neste pequeno centro e passarmos pela Crash Boat Beach, a praia mais popular da região, fizemos o check-in. Mas como o dia já tinha praticamente acabado e o restante da programação seria feita no dia seguinte, fomos até o Beer Box, um bar de cervejas especiais a cerca de 20 minutos do hotel.

Na volta acabamos encontrando, sem querer, uma loja de conveniência bem próxima ao hotel que tinha um deck externo e vendia algumas cervejas diferentes. Então ficamos lá tomando algumas Medallas mesmo e observando o movimento.

Dia 5

Na quinta-feira fomos conhecer as praias da região, primeiro as do norte, na região de Isabela. Por lá existem várias praias que lembram muito as do litoral norte de São Paulo, como Punta Sardina, Middles Beach e Jobos Beach. Para quem visita Porto Rico atrás de praias, este seria um bom lugar para ficar hospedado.

De lá seguimos sentido oeste, e demos uma parada nas Ruinas del Faro, em Punta Borinquen. Com tempo até vale a rápida parada, mas também não tem nada demais em termos de visual.

Fomos então até Rincon, que assim como Isabela, também conta com várias praias que lembram o litoral norte de São Paulo e é também uma ótima pedida para quem quer curtir praia. A principal diferença de Rincon para Isabela é que em Rincon existe um balneário e mais infraestrutura. Este balneário,  na área central da região, lembra inclusive algumas praias mais movimentadas do litoral paulista. Outro ponto interessante em Rincon é o Faro Punta Higueras, que fica no alto de um penhasco e conta até com um bar. Deve ser bem legal pra ver o por-do-sol.

Para finalizar a programação do dia, fomos até Mayagüez, que é uma das maiores cidades fora da região metropolitana de San Juan, com seus pouco mais de 70 mil habitantes! Para turistas de fora do país não existe nenhuma atração interessante.

Voltamos para Aguadilla e à Crash Boat, desta vez para sentarmos e tomarmos uma cerveja. A praia é muito movimentada e bem popular na região. No início da noite voltamos à loja de conveniências da beira da estrada, onde tinhamos ido no dia anterior (sério, é bem agradável e tem ótimas opções de cerveja!). Depois fomos jantar no Aliyah’s Rooftop, que fica ao lado.

Dia 6

Na sexta-feira saímos cedo em direção a Ponce. Acabamos parando em Mayagüez novamente, que ficava no meio do caminho, para tomarmos café da manhã na padaria Ricomini, que lembra muito as padarias brasileiras. Vale a pena comprar lá o Brazo Gitano, que é um rocambole recheado de goiaba e queijo e que lembra um pouco o Bolo de Rolo. Seguimos então para San Germán, que assim como Mayagüez, também não tem quase nenhuma atração turística (e nem uma padaria!).

Chegamos então em Ponce, que é a maior cidade fora da região metropolitana de San Juan (130 mil habitantes!). Ponce, apesar de pequena, tem algumas atrações turísticas interessantes. Passeamos pelo Parque de Bombas, um antigo quartel de bombeiros transformado em museu e pela Plaza del Mercado, que já estava quase vazia.

Demos mais uma passeada pela cidade, almoçamos e fomos andar na La Guancha, um boardwalk que conta com vários quiosques. O boardwalk estava fechado para reparos, provavelmente por conta dos danos causados pelos furacões Maria e Irma, em 2017. Vale a pena parar em algum dos quiosques para tomar uma cerveja e uns drinks. Pelo que pudemos perceber, à noite rola um “fervo” por ali.

Mas como já tinhamos outros planos, saimos logo no início da noite em direção ao bar Birriola, que oferece umas 10 taps com cervejas locais. Depois jantamos no restaurante Sabor y Rumba e fomos descansar.

Dia 7

Levantamos cedo para ir a San Juan e fomos parando em algumas praias, meio aleatoriamente, nas cidades de Guayama, Humacao, Fajardo e Ceiba, mas não lembro os nomes das praias. Muitas delas são bem interessantes, porém muita coisa ainda está danificada por conta dos furacões.

Chegando na região metropolitana de San Juan, paramos primeiro no Balneário de Carolina, onde existem muitos prédios residenciais (ou de veraneio?) enormes. A região é bem turística, com bastante restaurantes, lojas de bugigangas (guarda-sol, brinquedos de praia, etc.), bem “Brasil” mesmo. Aposto que muitos norteamericanos mantém estes imóveis na ilha para passarem temporada.  

Depois de devolvermos o carro e tomarmos um Uber até o hotel, fomos dar uma volta em Miramar, região onde ficamos hospedados. Miramar é uma área mais comercial, mas conta com vários prédios antigos e alguns museus. Andando pela Avenida Juan Ponce de León, acabamos topando com o Lote 23, uma praça gastronomica bem agradável.

De lá continuamos a peregrinação até a Calle Loiza, uma região boêmia mais “alternativa”, que lembra um pouco a antiga Vila Madalena. Fizemos um pit-stop no El Tap, que tem 50 torneiras, a maioria delas com cervejas locais e umas poucas (4 ou 5) com vinho e cidra. O bar é até meio “fancy” para a região, mas nada que destoe e não teve nenhuma frescura. É chegar, pedir a bebida, se alojar no balcão ou em alguma das mesas ou sofás e aproveitar. Depois jantamos um ótimo e barato PF no Ana’s Cafe Restaurant. A região estava bem movimentada, mas caiu uma baita chuva (“mucha água!”) e resolvemos voltar para o hotel.

Dia 8

No domingo, debaixo de um calor escaldante, fomos finalmente conhecer a parte mais turística de San Juan, a Isleta de San Juan, onde fica Old San Juan. Mas primeiro, já na ilheta, passamos pela Punta Escabron, onde fica o Balneário El Escambrón, que tem um belo paisagismo e bastante infraestrutura (bares, chuveiros, estacionamento). É uma boa pedida para pegar uma praia e diferentemente do Balneário Carolina, onde os prédios ficam colados na areia, existe um parque que separa a faixa de areia da avenida principal, ou seja, tem um visual mais “natureza”.

De lá, pegamos o “boardwalk” que leva até o San Juan antiga. Quase chegando em San Juan, fica o Capitólio, que é o palácio de governo e, assim como o de Cuba, parece uma cópia do Capitólio dos EUA. Em frente ao Capitólio tinha um vendedor de águas e resolvemos comprar uma. Acho que ele percebeu que tinhamos caminhado bastante debaixo daquele sol e gentilmente nos deu uma água.

Finalmente chegamos em Old San Juan e fomos caminhar pelas ruas estreitas da parte mais antiga da cidade. Andamos também pelo Paseo de La Princesa, passamos em frente à Fortaleza e entramos novamente na cidade pelo Portão de San Juan.

Caminhando um pouco mais pelas rua estreitas (muitas delas fechadas para veículos), acabamos topando com a La Taberna Lupulo, que até tinhamos mapeado anteriormente, mas não esperávamos que fosse tão legal. O bar foi montado em um imóvel antigo, com portas largas e janelas enormes (lembra o Frangó e o Empório Sagarana), que torna o local bem agradável, especialmente no calor da cidade. Além disto, o atendimento é muito bom e tem uma boa carta de cervejas, tanto nas taps quanto em garrafas e latas. Após tomarmos umas e petiscarmos algo, perguntamos se no outro dia, véspera de reveillon, eles estariam abertos (estariam!) e fomos dar mais umas bandas.

Dando mais uma volta, acabamos caindo sem querer na Calle Tanca, que fica na entrada da comunidade La Perla. A comunidade é muito parecida com as favelas brasileiras e é onde parte do clipe de Despacito, do Luis Fonsi, foi gravado. A rua é fechada e estava ocorrendo uma festa, muito parecido com os pagodes encontrados no Brasil, com músicos se revezando (e improvisando), a galera dançando, bebendo. Tirando a diferença de estilo musical (ritmos latinos ao invés de samba), me senti praticamente em algum morro do Rio ou periferia de São Paulo. Ficamos um bom tempo ali degustando algumas Medallas (aliás, vale assistir o clipe Calma, de Pedro Capó, para entender como a cerveja faz parte da cultura local) e mojitos com os locais.

Já no começo da noite, fomos até o Restaurante Raices, que é meio turístico, mas é uma boa opção para degustar alguns pratos da culinária local. Resolvi encarar a Chuleta Kan Kan que estava muito boa. Porém, além de bem gordurosa ela é grande e acabei passando mal durante a noite (e olha que tenho estômago de avestruz).

Mas felizmente, mesmo sentindo o peso da chuleta, demos uma passada na La Factoria (onde outra parte de Despacito foi gravada). O bar fica num imóvel bem antigo, que deveria ser uma fábrica. A especialidade da casa são ótimos drinks. Ótimos mesmo, inclusive com diversos prêmios internacionais. Uma portinha atrás do balcão dá acesso à parte “secreta” do bar: mais 3 ambientes onde ocorre música ao vivo e DJs à partir das 23:00 hrs até a hora do sol nascer.

Dia 9

Na véspera de ano novo, fomos dar uma volta em Condado, para conhecer de dia. Tem algumas praias interessantes também, quase no estilo do Balneário Carolina. Os restaurantes ficam abertos de dia, mas talvez por conta do feriado, estavam bem vazios.

À tarde nos preparamos e fomos para o centro. Primeiro passamos na La Factoria novamente, para tomarmos os bons drinks. Depois do “exquenta” fomo até a La Taberna Lúpulo (que fica em frente) para jantarmos e passarmos a virada tomando boas cervejas. Depois da virada, voltamos à La Factoria para curtimos um pouco a balada (e claro, mais alguns bons drinks) como saideira.

Observações, dicas e considerações:

  • A primeira coisa a se pontuar sobre Porto Rico é que ele é um caso especial: ele não é uma nação soberana, mas um território que pertence aos Estados Unidos mas que não faz parte dele (um “território não-incorporado”). Qualquer pessoa nascida em Porto Rico tem cidadania norte-americana. Residentes de Porto Rico não votam para presidente dos EUA, já que a eleição para presidente é indireta, através de voto dos representantes dos 50 estados da federação. Porém, alguém nascido na ilha pode se registrar e votar, caso resida em algum dos estados. A perda do direito a voto ocorre também para alguém que tenha nascido em algum dos 50 estados e tenha se mudado para a ilha. O território não tem representantes no congresso, já que os representantes também são estaduais. Localmente eles elegem um governador e legisladores. O lado positivo desta situação é que os residentes de Porto Rico não pagam o imposto de renda federal (apesar de ainda precisarem fazer a declaração, que é exigida de qualquer cidadão norteamericano, mesmo os que moram fora do país) e mesmo empresas têm bastante atrativos para se instalarem na ilha (e muitas o fazem, inclusive empresas não norte-americanas).

  • Pra entrar na ilha precisa do visto americano: não existe um visto portoriquenho, como não existe mais um passaporte portoriquenho. A moeda é o dolar, o sistema de telefonia é norteamericano (apesar de várias operadoras do continente não prestarem serviço na ilha e operarem através de roaming), as leis de trânsito se assemelham muito às leis dos estados norteamericanos (as regulamentações de trânsito nos EUA acontecem no nível estadual). Até as estradas lembram muito as dos EUA, com apenas uma diferença: as placas de velocidade e distâncias normalmente apresentam valores em milhas e em kilômetros. Também existe muita placa em espanhol e em inglês. Mas o idioma mais falado na ilha é o espanhol mesmo.

  • Existe muita propaganda na ilha incentivando os residentes a aprenderem inglês. Meu palpite é que a falta de domínio no idioma mais utilizado nos EUA seja um empecilho para que mais empresas se instalem na ilha. E a título de curiosidade: o inglês NÃO é o idioma oficial dos EUA. Os EUA não tem, propositalmente, um idioma oficial. A nação foi fundada à partir da união de várias ex-colônias (Britânica, Francesa, Holandesa, Espanhola, etc.) e determinar um idioma a ser utilizado iria prejudicar a unidade.

  • Outro ponto interessante é que pode-se beber em público, coisa que só é permitido nos EUA em duas cidades (Las Vegas e New Orleans) e, eventualmente e temporariamente, em alguns outros lugares, mas não no nível estadual em nenhuma das unidades federativas.

  • O Natal parece ser a principal festividade da ilha. Todo mundo se prepara, é o dia dos parentes “voltarem para casa” e se reunirem, é dia de visitar os amigos, comer, beber, dançar, se divertir. De acordo com os dois turistas que nos deram carona até a Playa Flamenco, outra comemoração muito importante é o Dia de Reis (6 de Janeiro). Segundo eles, é o carnaval deles e a festa onde a galera “perde a linha”.

  • Ainda tem muito dano dos furacões de 2017, mesmo na capital (outdoors retorcidos, imóveis sem teto, etc.). A eletricidade de Culebra até este ano era feita por geradores já que as conexões submarinas foram danificadas pelo furacão Irma. Os ferries são muito inconstantes, não existe venda antecipada e a preferencia é sempre dos moradores das ilhas. Por isto aconselha-se a tomar um avião se o tempo para visitar Vieques ou Culebra for pouco, já que turistas podem não conseguir embarcar. E para pegar o Ferry com carro só se for morador da ilha, já que turistas não podem embarcar com carros alugados.

  • Servi-carro é o drive-thru dos restaurantes. Faz muito mais sentido!

  • A experiência com o pequeno avião foi bem legal, mas na volta eu pensei “se o piloto tem um piripaque ferrou”, já que não tinha co-piloto. Preciso tirar logo meu brevê!

  • Em San Juan existem caixotes nos pontos de ônibus onde as pessoas compartilham livros. Qualquer um pode deixar ou pegar um livro pra levar. Bela idéia! Pena que esqueci de tirar foto.

  • Chinchorro é um boteco pequeno que vende de tudo: cerveja, drinks, comida, frutas, verduras, etc. É tipo aquelas vendinhas que tem em bairros periféricos do Brasil. Chinchorrear portanto é botecar (comer e beber, mas invariavelmente sempre acaba em festa e música). Vacilar é curtir, aproveitar, e não “dar mancada” como no Brasil.

  • Os portoriquenhos são muito simpáticos, receptivos e educados. Além de serem bastante festeiros.

Be happy 🙂

Wanderlust #57 – Munique – Alemanha

(31/08/2018-01/09/2018)

Quando estávamos planejando esta Eurotrip, já sabiamos que teriamos que fazer alguma conexão na volta da Croácia. Dentre as diversas opções, como Londres ou Lisboa, estava Munique. Como geralmente não existe um custo adicional além da taxa de embarque, resolvemos ficar dois dias na cidade, já que na primeira vez que visitei, além de ser bem durante o primeiro final de semana da Oktoberfest, choveu praticamente todo o tempo. E adivinhe o que aconteceu? Sim, choveu novamente! Acho que Munique não vai com a minha cara.

Dia 1 – Sexta

Estava chovendo cântaros! Então depois de deixarmos as malas no hotel, fomos dar um passeio pela região central. Primeiro paramos na Galeria Kaufhof em Marienplatz, uma loja de departamentos meio feita pra turista, geralmente nos centros das grandes cidades alemãs (tem uma bem na Alexanderplatz em Berlin), só pra dar uma olhada e esperar a chuva passar. Como não passou, desencanamos da chuva e fomos andar mesmo assim.    

Paramos então no Viktualienmarkt uma antiga farmer’s market que hoje em dia é um misto de mercadão e praça de alimentação ao ar livre. Infelizmente a chuva apertou novamente e só conseguimos tomar uma cerveja. Se tivesse um tempo melhor provavelmente pegariamos alguns beliscos nas barracas e teriamos ficado um bom tempo por ali.

Já tinha passado da hora do almoço e como estávamos passando pela Paulaner im Tal, por que não parar por ali para petiscarmos algo e tomarmos algumas? Depois da Paulaner, ficamos andando pela cidade, meio a esmo, até o início da noite, quando então fomos turistar na famosa Hofbräuhaus. Como era sexta-feira e faltavam algumas semanas para o início da Oktoberfest, o bar já estava cheio de locais fazendo happy hour com os trajes típicos da Baviera. Além das cervejas, obviamente pedimos um prato com porco para o jantar e para finalizar a sempre ótima Apfelstrudel.

Dia 2 – Sábado

Sábado de manhãzinha, após o café da manhã, fomos andando até o Theresienwiese, que é o enorme parque onde ocorre a Oktoberfest original (que tem a ver com a história do parque). Como faltavam apenas algumas semanas para o início da festa, uma boa parte do parque estava fechada e as obras estavam à todo vapor. Mas deu pra notar que a área da festa aumentou bastante de tamanho desde 2012, quando participei dela.

Como iria chover novamente (a previsão do tempo na Alemanha é muito precisa) fomos até a Primark, uma loja de vestuários bem famosa na Europa (agora tem algumas nos EUA também) que tem preços muito bons. É ótima pra comprar coisas básicas, tipo camisetas, meias, cintos, etc. Aconselho a sempre pesquisar se existe uma na cidade em que as pessoas forem visitar.

Voltamos para a região central para aproveitar que a chuva iria parar por umas duas horas para andar por ali. Andando um pouco para fora da região mais turística, acabamos passando pela Promenadepltz, que tem um estranho memorial ao Michael Jackson. O negócio é bem estranho e kitsch e não é nada que deva entrar numa programação (nem para os fãs mais ardorosos do Rei do Pop), mas foi interessante topar com esta atração.

De lá, como já haviamos planejado, fomos tomar umas na Augustiner-Keller, uma das “big six”, como são conhecidas as seis grandes cervejarias da cidade que participam da Oktober (as outras são a Löwenbräu, Spaten, Hofbräu, Hacker-Pschorr e a Paulaner). No caminho passamos pelo belo Alter Botanischer Garten e pela Hopfenstraße (Rua do Lúpulo), que não poderia estar em outra cidade ou país! A Augustiner tem um biergarten gigante, mas estava chovendo novamente (na verdade haviamos programado estas paradas justamente para fugirmos da chuva). Mas pelo menos uma pequena parte do jardim estava coberto e pudemos ficar do lado de fora. O atendimento no local também é muito bom, além da ótima cerveja, claro.

De lá fomos até a Löwenbräukeller e o atendimento foi totalmente o contrario da Augustiner. Mal chegamos e perguntaram se a gente ia comer, meio que de uma forma rispida. Porra! Nem sabiamos o que tinha lá pra comer, como vou saber se vou comer ou não? Falamos que não e então nos acomodaram em uma região do bar onde estavam os piores garçons: mal educados, não tinham paciência com turistas (e olha que eu engano no alemão). Tinha um casal de orientais na mesa do lado tentando se comunicar e uma das garçonetes simplesmente deixou eles falando sozinhos e foi embora. Tomamos apenas uma cerveja, só para “carimbar o passaporte” e fomos embora.

Saíndo de lá, passamos na Königsplatz, que é bem parecido com o portão de Brandemburgo, pela Karolinenplatz e Odeonsplatz. Em todas estas praças existem vários prédios históricos de várias épocas. Quando voltamos à região central (Marienplatz) já estava escuro, então fomos comer algo (e claro, tomar mais uma cerveja) e depois voltamos pro hotel para descansar.

Se tivessemos mais um dia teriamos conseguido visitar as outras duas cervejarias que faltavam. Quem sabe na próxima. Mas desta vez sem chuva, por favor!

Observações, dicas e considerações:

  • Quando fui pra Oktoberfest em 2012 eu cheguei na cidade bem na sexta-feira, na hora da saída do expediente e notei que o metrô estava cheio de pessoas com as vestimentas tradicionais (Lederhosen e Dirndl) que estavam simplesmente voltando do trabalho. Depois eu descobri que durante as festividades (e mesmo antes delas) o pessoal costuma ir trabalhar à carater às sextas-feiras. Imagina se fizessem isto no Carnaval no Brasil como seria legal!
  • Tenha sempre algumas moedas no bolso quando estiver em um bar para dar de Trinkgeld (gorjeta) para os tiozinhos/tiazinhas que tomam conta dos banheiros nos bares (a dica vale pros EUA também!).
  • Na Löwenbräu tive o pior atendimento da minha vida até agora.
  • Entre 18:30 e 20:30 é sempre o pior período para jantar na cidade. Todos os lugares lotam durante este horario.
  • Se ver algum grupo de homens ou mulheres usando alguns adereços engraçados (tiaras, camisetas, óculos ou mesmo fantasias completas) e portando uma cesta com garrafas de bebida em miniatura trata-se de uma despedida de solteiro. Normalmente eles pedem uma “caixinha” (coisa de 1 ou 2 euros) para as pessoas e em troca o doador escolhe algum dos “schnaps” da cesta. A grana arrecadada provávelmente será usada para uma cervejada.

Be happy 🙂

Wanderlust #56 – Croácia

(25/08/2018-30/08/2018)

Dia 1 – Sábado

A boa impressão sobre a costa da Dalmácia ja se iniciou ao nos aproximarmos de avião ao Aeroporto de Dubrovnik: a vista aérea, mesmo com o tempo não tão bom, é muito bonita. Depois de desembarcarmos e fazermos todos os trâmites (pegar mala, comprar chip, retirar o carro) nos dirigimos até Dubrovnik (o aeroporto fica em outra cidade, a cerca de 20 kilometros) e a boa impressão só foi se confirmando (apesar do mau humor da atendente da locadora). Ao chegarmos em Dubrovnik e nos perdermos um pouco na região central (as ruas são todas de mão única), finalmente encontramos a simpática pousada Villa Dubrovnik Garden e nos registramos. Após subirmos algumas escadarias carregando as malas, debaixo de um baita sol, deixamos elas no quarto e fomos aproveitar nossa curta estadia na cidade.

De cara nos dirigimos à Cidade Antiga, que é toda cercada por altos muros. Pode-se pagar um ingresso e andar por toda a murada, mas como o tempo era curto preferimos passar. Andamos um pouco pela cidade antiga, que estava bem lotada, passando pelas vielas estreitas e admirando a arquitetura. Pegamos a saída que dá acesso ao porto e caminhamos dali até Banje Beach, que parece ser a praia mais badalada da cidade. A cor do mar e a translucidez da água são impressionantes! Voltamos então para dentro da cidade antiga e fomos dar uma volta na parte mais alta, que é basicamente residencial. Existe a opção de se hospedar por lá também (Dubrovnik, como toda a Croácia, é cheia de opções de AirBnB, Pousadas, etc.) mas fica o aviso: precisa encarar bastante degraus.

Depois do passeio, resolvemos caminhar uns 3 kilômetros até a região do Novo Porto, que atualmente está se tornando uma região turística fora da área da cidade antiga. Demos uma volta por lá e fomos tomar umas cervejas na ótima Dubrovinik Beer Company. Ficamos lá até umas 20:00hrs e depois fomos jantar na Bon Appetit Bistro-Pizzeria, que tem opções boas e baratas, além de ser bem charmosa. Então pegamos um Uber de volta para a pousada.

Dia 2 – Domingo

Depois de tomarmos um café da manhã bem caseiro, pegamos a estrada de novo com destino à Split. O caminho entre as duas cidades é uma atração à parte e cada pequena cidade, vilarejo ou praia era uma surpresa, especialmente antes de chegar na Bosnia (falo um pouco abaixo).  Assim como na PCH na Califórnia, o mar fica do lado oeste, então a sensação que tive foi que talvez tivesse sido melhor “descer” (do norte para sul) de Split para Dubrovnik, além de reservar um dia só pra este percurso, para poder assim ir parando.  Depois da Bósnia, outra parada interessante é num mirante que dá vista para os lagos Bácina.

Como haviamos programado, paramos também em Makarska, um balneário já próximo a Split, onde demos uma volta pela região do porto e depois almoçamos. É um lugar que valeria até a pena ficar uma noite, mas logo após o almoço seguimos para Split e lá chegando fomos nos hospedar nos Apartamentos Bepo, uma ótima opção para ficar na cidade, tanto pelo preço, quanto pela localização e conforto. De quebra ainda ganhamos uma ótima programação, com muitas dicas, sugeridas pelo Josip, o proprietário e administrador dos apartamentos (uma figuraça!).

Após nos acomodarmos, fomos dar umas voltas pela cidade antiga e o calçadão à beira da baia. Paramos para comer e fomos tomar umas na Leopold Craft Beer. Porém fomos “expulsos” por uma onda inesperada de frio e chuva. O bar em sí é pequeno e existe uma área externa que, apesar de coberta, é aberta (tipo uma edícula), então preferimos pegar umas cervejas e irmos tomar no apartamento, até para dormirmos cedo e fazermos a programação sugerida pelo Bepo.

Dia 3 – Segunda

O Marjan Forest Park é uma enorme área verde situada numa península na parte oeste da cidade e que ocupa uma boa parte dela. Além de ser um parque, existem várias praias, trilhas e alguns pontos de interesse.  Para quem quer pegar uma praia enquanto estiver na região, é uma boa opção às ilhas. Algumas praias também contam com boa infraestrutura, mas qualquer espaço com acesso à água pode ser usado. Uma das primeira praias em que passamos foi Bene Beach, que conta com bastante infraestrutura como banheiros, restaurantes, playground e piscinas naturais. Porém resolvemos apenas olhar e continuarmos a caminhada até a Kasjuni Beach, onde já tinhamos programado de curtir.

Kasjuni tem dois bares, porém à exemplo da Grécia, precisa pagar para usar as cadeiras (cerca de US$ 22.00 por cadeira). Consumir no local também é um pouco caro quando comparado com os preços da cidade. Mas a praia é bem bonita e a floresta dá um visual interessante. Uma coisa chata porém é que o fundo é de pedra, ou seja, horrível para se entrar descalço. Até os locais usam aquelas sapatilhas para esportes náuticos.

Depois de algumas horas aproveitando a praia e o sol, pegamos as coisas e continuamos andando até a próxima praia, Ježinac Beach. Esta praia parece ser mais popular do que Kasjuni e inclusive os preços no enorme “quiosque” são bem mais baratos (a cerveja custava cerca de metade do preço). Ela também conta com algumas piscinas naturais. Logo em seguida fica a Baia Ježinac, que também tem algum espaço para jogar uma toalha e tomar um sol. Para quem quer um pouco de infraestrutura, existe um bar na marina ali presente, mas ai sem acesso à água.

Voltamos para o apartamento para tomar um banho e tirar o sal do corpo e fomos, depois de demorarmos dois dias para decidir, comprar o ticket do ferry para Hvar no outro dia. Como haviamos pesquisado e programado, fomos conhecer a Mandrill Nano-Brewing, uma pequena cervejaria, onde tudo é nota 10: atendimento, a pizza (feita por um dos cervejeiros) e a cerveja. Só faltou o sample flight. Depois voltamos para o calçadão, onde estava ocorrendo alguns shows dentro da programação de verão.

Dia 4 – Terça

À partir de Split existem várias opções de passeios para diversas ilhas na região, com diversos tipos de programação: festa no barco, passeios mais calmos com almoço incluso, jantares à noite, etc. Depois de pesquisar bastante, haviamos resolvido não fazer nenhum passeio (para não ficar preso a uma programação) e resolvemos apenas ir de ferry para Hvar.

Apesar da ilha ser grande, o vilarejo central de Hvar é pequeno, com várias pequenas praias (também de pedra) e o mar muito limpo e lindo. Talvez valesse pegar uma praia alí (mas não fomos preparados), mas ao contrário do que havia pesquisado, não creio que valha a pena ficar hospedado na cidade, a não ser que a intenção seja visitar as diversas praias e ilhas próximas. Um detalhe é que no calçadão que margeia toda a baia da área central é proibido andar sem camisa, em roupas de banho e consumir bebida alcólica, a não ser em bares. Depois de andarmos por praticamente todo o centro da cidade e até irmos em umas praias mais distantes, paramos num bar para tomarmos umas cervejas e observar o movimento enquanto esperávamos o horário de volta do ferry.

De volta a Split, demos uma volta novamente em Old Town e paramos na Kantun Paulina para comer um Kobasice, um sanduiche recheado de Ćevapčići (tipo uma linguiça/croquete de carne de porco) com um molho apimentado, que é um sanduiche típico da cidade. Existem outras opções no menu, mas a mulher que nos atendeu não nos deu opção de escolha…..hahaha. De qualquer forma o sanduiche é bem gostoso e valeu a experiência.

Deixamos as coisas em casa (já estávamos chamando o apartamento de “nossa casa”), tomamos um banho e fomos tomar uma num bar próximo ao porto. Mais tarde fomos experimentar um dos pratos típicos da Dalmátia, a Pašticada, no Fife Restaurant. O prato é uma peça de carne que marina no vinho por um dia e depois é cozida em um molho de tomate e ameixa, sendo então servida com nhoque frito (outra especialidade da região). Tão bom que reproduzimos o prato em casa algum tempo depois. Como não haviamos conseguido aproveitar o Leopold na primeira noite, fomos até lá para finalizar a noite e a estadia na agradável Split.

Dia 5 – Quarta

Saímos cedinho na quarta em direção a Zagreb, mas antes, como já haviamos programado, paramos em Zadar. Além da cidade antiga (também murada!), outra atração local é o famoso Sea Organ , uma instalação arquitetônica na beira do calçadão, ao lado da cidade antiga, que produz sons à partir do movimento do mar. Bem interessante, tanto a cidade antiga quanto o órgão, mas só vale uma parada se realmente tiver tempo. Se a agenda for apertada, pode pular sossegado.

Depois de um pouco de trânsito no horário de rush, finalmente chegamos à Zagreb. Só de entrar pela cidade de carro já bateu aquela sensação de “acho que vou gostar daqui”. Fizemos o check-in e já fomos logo passear pela região central. Passamos pela praça King Tomislav Square e pelo parque Zrinjevac, que ficam colados (não dá pra saber quando termina um e começa o outro). Ambos muito bem cuidados, cheios de flores e com muita gente aproveitando o bom tempo. Dalí fomos para a praça principal e me bateu a sensação de “isto não me é estranho”.

Apesar de não ter feito parte da União Soviética, a Iugoslávia, país do qual a Croácia fazia parte até o início da década de 90, era um país comunista que fazia parte da cortina de ferro, os países que se alinharam à União Soviética. E ai explica minha sensação de já ter conhecido: tanto a região central, mais antiga, quanto as partes mais novas da cidade, lembram bastante a parte oriental de Berlin. Não tem como não amar.

Passeando mais pela cidade, entramos em vielas, pelo meio de prédios, até que caímos no parque Zrinjevac, onde estavam ocorrendo várias atividades para crianças, que estavam em período de férias. E eis que de repente a gente acha o Art Park. Ai bateu paixão por Zagreb mesmo.

O Art Park é um misto de beergarden com playground para crianças e algumas instalações artísticas. Quando a gente chegou tinha um DJ tocando, um monte de pais tomando sua cerveja enquanto as crianças brincavam, gente com cachorro, grupos de amigos fazendo happy hour após o batente. Me senti quase no Mauer Park num domingo de verão.

Depois de tomarmos umas cervejas por lá e aproveitarmos o clima e a vibe, fomos até a St. Mark’s Square, que conta com alguns prédios históricos bem bonitos. Depois fomos jantar na Pivnica Medvedgrad Ilica, que além de ótimas cervejas artesanais, também possui pratos da culinária local muito bons. De lá voltamos para o nosso hotel, que tinha um “parklet” na frente (como muitos outros estabelecimentos na cidade), então aproveitamos para tomarmos a saideira antes de irmos descansar.

Dia 6 – Quinta

Levantamos cedo e fomos dar uma volta numa parte menos turística da cidade, no lado oeste, onde existem alguns teatros, museus e muitos edifícios antigos. De lá fomos para Lower Town, que lembra bastante Brasília (e a Karl Marx Alle em Berlin), com uma avenida larga onde existem prédios comerciais com cafés e restaurantes no térreo e ao fundo as “quadras” residenciais. Novamente fiquei com a impressão que o Oscar Niemeyer talvez tenha se inspirado na arquitetura dos países da cortina de ferro quando pensou na capital do Brasil.

Passamos então pela praça Sveučilišna livada, um jardim comprido, com fontes e bem florido. Interessante os bancos com painéis fotovoltaicos e entrada USB. Depois fizemos uma bela caminhada até o shopping Avenue Mall para ver se achávamos a camisa da Seleção da Croácia, mas nem lá encontramos (só haviam réplicas baratas).  Pegamos um Uber/Táxi pra voltar, com o Mladen, um motorista muito simpático, que explicou um pouco sobre a cidade, o clima e a economia, além de batermos um papo rápido sobre rock e a ponte Jimmy Hendrix. Descemos no parque Zrinjevac e fomos dar uma volta na parte oeste da cidade, que é um bairro mais comum e pouco turístico.

Na caminhada em direção a região central, paramos no simpático Fine Torte para tomarmos um café. De lá adentramos no Park Ribnjak, onde também estava ocorrendo um grande evento destinado à crianças. Em seguida fomos até a Catedral de Zagreb. Do lado da catedral fica o Dolac Market, o mercado central, porém acabamos pegando somente a xepa, já que a feira termina por volta das 14 horas. Passamos também pela Ulica (Rua) Ivana Tkalčića, um calçadão cheio de bares e restaurantes, que aparentemente é bem turístico. Pegamos outro Uber (desta vez um carro normal) e fomos até a The Garden Brewery que fica num distrito industrial da cidade e, como o nome indica, conta com um belo e amplo jardim. Ainda voltamos novamente Pivnica Medvedgrad Ilica para jantarmos e depois fomos de volta para o hotel, pois teriamos que estar no aeroporto às 4:00 da manhã para pegarmos nosso vôo com destino a Munique, a última perna desta Eurotrip.

Observações, dicas e considerações:

  • Pelo que eu entedi o Uber é muito utilizado na Croácia, inclusive para transporte entre cidades. Dá até para pegar um Uber, com preço fechado, até a Bósnia (tudo pelo aplicativo).
  • Na região central de Dubrovnik é muito difícil estacionar, pois a maioria das vagas é reservada aos moradores. E na cidade antiga não se entra de carro.
  • Sim, existe um faixa de 10 kilometros da Bósnia-Herzegovina que divide a Croácia em duas partes e provavelmente deve ter sido resultado de acordos para garantir acesso ao mar para a Bósnia, quando houve o desmantelamento da Iugoslávia. Mas parece que os Croatas não gostaram muito, pois a maioria das placas do trecho, que contém os dois idiomas, tem a parte em Bósnio pichada, provavelmente pelos Croatas.
  • As pessoas de Zagreb aparentemente são bem simpáticas e descontraídas, novamente me lembrando o povo de Berlin.
  • Os taxistas em Zagreb trabalham com aplicativo do Uber, portanto não estranhe se chamar um e aparecer um táxi.
  • Nas auto-estradas principais o limite de velocidade é de 130 km/h, apesar de apenas duas faixas em cada direção. Mas os motoristas andam bem acima disto.
  • Apesar de não entender patavinas de Croata, o som do idioma me pareceu bem mais familiar do que o Grego, apesar do Português ter algumas palavras herdadas do Grego.
  • Mladen, o uber-taxista que também era guitarrista, nos contou sobre a Ponte Hendrix: em algum momento no início dos anos 90 alguém pixou apenas a palavra “Hendrix” na ponte. Mesmo com a maioria da população não sabendo do que se tratava, a ponte começou a ser chamada de Hendrix. Algumas tentativas de apagar o grafite ocorreram, mas ele sempre aparecia novamente. Até que em 2016 a prefeitura decidiu, finalmente, batizar a ponte com o nome do famoso guitarrista. Infelizmente acabamos não passando por ela. Quem sabe na próxima.

Be happy 🙂

Wanderlust #55 – Grécia

(18/08/2018-24/08/2018)

Dia 1 – Sábado

Depois de quase 12 horas de vôo, chegamos em Atenas, debaixo de um baita calor. Pegamos o metrô do aeroporto até a região central, na Praça Monastiraki, e nos hospedamos no hotel na rua Athinas. A região lembra bastante o centro das cidades brasileiras, especialmente o centro do Rio, com muito comércio, ruas estreitas, transito e muita, mas muita gente circulando.

Como haviamos reservado este dia em Atenas apenas como garantia pra não dar problemas com o vôo para Mykonos, fomos dar uma volta pela área turistica da cidade, passando em frente da Biblioteca de Adriano, da Acrópolis, do Santuário de Zeus e da Ágora antiga. Paramos por alguns minutos na rua Panos para beliscarmos algo e tomarmos uma cerveja pra refrescar. Em seguida continuamos a caminhada e fomos até o Arco de Adriano, que fica no sitio arqueológico de Olímpia.

Um pouco antes, enquanto estávamos andando pela região de Plaka, notamos um escadão repleto de bares e restaurantes. Após algumas voltas na região resolvemos parar por ali para tomarmos umas cervejas. O local lembra muito a regiao da Alta, em Lisboa. Ainda demos uma passada na Old Taverna Kritikou, que tem um ótimo roof top, mas que peca no atendimento.

Dia 2 – Domingo

Voltamos ao aeroporto para pegarmos o vôo para Mykonos. Após apenas 40 minutos de vôo chegamos na Ilha e nos hospedamos no Anamar Blu, que é mais uma pousada do que um hotel, mas é bem confortável. Após deixarmos as coisas, fomos caminhando até Chora. Pelo que entendemos, as ilhas são compostas de vários vilarejos que têm status de cidade. Chora seria a capital da Ilha. Saimos de Ornos, onde ficava o hotel, passando por Korfos, que é muito usada para a prática de Kite Surf, Magali Ammos e depois de uns 40 minutos de caminhada sem calçada e com um transito maluco, chegamos em Chora.

Primeiro paramos nos famosos moinhos de ventos Kato. A pronuncia de moinho em grego é mili, muito parecido com a palavra em inglês, mill. Depois fomos andar pelo centro de Chora, que é basicamente um emaranhado de ruas estreitas, predinhos pequenos pintados de branco com portas e janelas em azul, exatamente como se vê nos filmes. Passamos então por Little Vênice e fomos sair no porto antigo (onde aproveitamos para retirar as passagens do ferry que tomariamos dali a dois dias). Depois de comermos algo, voltamos então para a colina onde ficam os moinhos para apreciarmos o lindo pôr-do-sol.

Logo que chegamos, haviamos passado pelo Fabrica Food Mall, que fica bem em frente ao “terminal” de ônibus urbano (ou insular?) e notamos que havia uma cervejaria no local. Resolvemos parar por ali e tomarmos algumas antes de voltarmos para o hotel. O local onde fica o mall (chamado Fabrika) é uma confusão organizada e engraçada, com ônibus manobrando, dezenas de turistas com scooters ou jipes, pedestres, todo mundo “brigando” por um espaço neste ponto de confluência, já que todas as 5 ou 6 linhas de ônibus (modelos rodoviários) e vans fazem ponto neste local. Ou seja, para ir de um ponto a outro da ilha, se a linha de ônibus não passar pelos dois pontos, você tem que obrigatoriamente ir até este terminal (que na verdade não passa de um terreno onde os ônibus estacionam) para fazer baldeação.

Dia 3 – Segunda

Como já tinhamos planejado, tiramos boa parte do dia para (finalmente!) pegar uma praia e para isto resolvemos ficar em Ornos mesmo, que é uma das praias mais tranquilas da ilha. Voltamos para o hotel e curtimos um pouco a piscina e então voltamos para a região de Chora para aproveitarmos mais um pouco por ali.

Dia 4 – Terça

Saimos cedo para pegarmos o Ferry de Mykonos para Santorini. Depois de alguns atrasos e de algumas horas chegamos em Santorini. Ainda demorou um pouco para chegarmos no hotel, em Perissa (novamente, uma vila com status de cidade), então resolvemos ficar pela região mesmo.  Perissa conta com bastante opções de bares e restaurantes, e até algumas quase-baladas com DJ ou música ao vivo. É uma ótima opção para ficar hospedado e no final acabamos achando que deveriamos ter ficado mais tempo em Santorini para aproveitarmos a praia dali ao menos por um dia.

Dia 5 – Quarta

No dia anterior tinhamos planejado fazer um city tour usando a rede pública de transportes, que funciona no mesmo esquema de Mykonos: existe um terminal central, neste caso em Thera, de onde saem os ônibus para todas as cidades/vilas da ilha. Entao primeiramente pegamos um ônibus de Perissa para Thera, onde tomamos café da manhã, e depois de lá para Akrotiri, onde existe um sítio arqueológico (não entramos) e a bela Red Beach, que estava bem cheia.

Pegamos então o ônibus de volta para Thera e depois um outro ônibus para Kamari, que fica no lado oposto de uma montanha, em relação à Perissa. Existe a possibilidade de pegar uma trilha pesada entre as duas praias (não aconselhável na época que fomos por conta do calor) e usando transporte privado dá uns 15 minutos entre as duas, mas usando os ônibus obrigatoriamente precisa ir até Thera. Kamari é bem parecida com Perissa, inclusive com a mesma areia escura, resultado da origem vulcânica da ilha, que é literalmente a metade que sobrou da cratera após a erupção ocorrida há alguns milhares de anos. A diferença entre Kamari e Perissa pareceu ser de “agito”: enquanto Perissa, apesar de contar com bastante estabelecimentos (incluindo algumas baladas) é mais calma, Kamari pareceu ser mais agitada e mais “pagação”.

Depois de Kamari voltamos para Thera e pegamos o onibus para Oia, que é a parte mais famosa da ilha e que fica lotada durante o por-do-sol (preferimos passar). Assim como Chora, em Mykonos, o local é repleto das casinhas brancas e azuis, entrecortadas por ruazinhas com calçamento de pedra. A diferença é que Oia fica no ponto mais alto da cratera e parte das casas ficam na encosta do morro, proporcionando uma bela vista da “caldera” (que é como eles chamam a cratera localmente). O caminho entre Thera e Oia é um atrativo à parte, pois é feito durante a ida à beira de um desfiladeiro. Depois de algumas voltas em Oia (pronuncia-se Ia), voltamos novamente para Thera para, finalmente, darmos uma volta na “capital” da ilha.

Thera também fica numa parte alta da caldera e tem praticamente a mesma formaçao geológica de Oia. A diferença é que as ruas são mais largas e, ao invés de residências, existem vários empreendimentos comerciais. Existe ali também uma bela catedral ortodoxa. Paramos para algumas cervejas e petiscos num bar bem interessante, com um belo jardim e várias cervejas locais, mas infelizmente não consigo recordar o nome. No início da noite pegamos o ônibus de volta para Perissa, onde comemos novamente em um dos vários restaurantes locais.

Dia 6 – Quinta

Tomamos um café da manha na Padaria Santa Irini, que tem ótimos quitutes e um atendimento fantástico. Mesmo a falta de mesas e cadeiras (come-se num balcão na área externa) não tiraram o charme do local. Logo após o café, partimos para o porto para tomarmos o ferry com destino a Atenas e acabamos passando o dia todo praticamente no ferry. Ao chegarmos em Atenas, já no final da tarde, nos hospedamos na região de Omonia e fomos dar uma volta na região mais turística da cidade. Mais tarde paramos no O Thanasis para jantarmos.

Dia 7 – Sexta

Levantamos bem cedo, tomamos café na Attica Bakery da Praça Omonia, quem tem muitas opções de pães, doces, salgados, e mais um monte de comidas locais (voltariamos mais tarde para o almoço inclusive) e fomos fazer os passeios turísticos. Passamos pela Praça Monastiraki ainda vazia e depois fomos para a Acrópolis, que já tinha uma fila considerável para comprar o ticket de acesso. Passeamos por toda a Acrópolis por umas duas horas e depois fomos caminhar pela Dionysiou Areopagitou, um calçadão que margeia a área da Acrópolis.

Existe um parque sem nome neste calçadão e resolvemos caminhar um pouco por ele, subindo até uma colina que dá vista para quase toda a cidade. No primeiro dia na cidade, já haviamos visto uma série de bares na Apostolou Pavlou. Os bares ficam de um lado da rua (que é fechada para carros) e existem mesas debaixo de tendas do outro lado. Como já tinhamos feito uma bela caminhada debaixo de um sol inclemente, resolvemos parar um pouco por ali, no Senso Café, para descansarmos e nos refrescarmos com uma cerveja (porque ninguém é de ferro).

Após um tempinho fomos continuar a turistada na Ágora antiga (Ancient Agora). Ágora é a parte das cidades onde as pessoas se reuniam para assembléias e para comercializar suas mercadorias. O local é hoje um sítio arqueológico onde se encontram, além de ruinas, a Estoa de Átalo, uma bela construção que foi usada para diversos fins ao longo de mais de dois milênios, e o templo de Hefesto.

Em seguida fomos até a biblioteca de Adriano, outro sitio arqueológico. A maior atração do local (na minha opnião) é a estátua da deusa Nike, que é a deusa da vitória (agora sabemos de onde vem o nome da marca esportiva). Depois da biblioteca de Adriano, fomos ate a Ágora Romana, que tem este nome pois era a Ágora durante o domínio do Império romano na região. Finalizando assim os passeios pelos sitios arqueológicos.

Depois de almoçarmos, fomos dar uma volta na Avenida Omonia (ou Omonoia, vi as duas grafias), que é uma região menos turística, com comércio local, universidades e uma loja multimarcas de luxo. Voltamos então para a região de Plaka e ficamos dando umas voltas por ali, até o cansaço bater e resolvermos sentar novamente na Plaka escadaria, desta vez no Apollonia lyra para algumas cervejas e para olhar o movimento. Ainda fomos jantar na Ágora Square antes de voltarmos para o hotel e nos prepararmos para a próxima “perna” da viagem.

Observações, dicas e considerações:

  • Atenas
    • Logo nas primeiras horas em Atenas, presenciamos o furto de um celular. Um “trombadão” aproveitou um turista menos atento fazendo selfies, passou a mão no celular e fugiu. Ou seja, não dê mole pro azar, em lugar nenhum do mundo (bem, em Cuba ao menos nao tem este problema).
    • O acesso à Acropolis custa 20 euros, porém existe a opção do multi-site ticket, que custa 30 e dá acesso a outros sites, como a Ágora Antiga, Ágora Romana, Biblioteca de Adriano, entre outros. Ele é válido por 5 dias consecutivos (fazer tudo em um dia como fizemos pode ser bem cansativo).
    • Visitando a Estoa de Átalo descobri o porque do uso massivo de mármore: dentro da estoa estava quase uns 10 graus mais fresco que fora dela
  • Mykonos
    • Mykonos venta pra caramba, então é bom tomar cuidado com chapéus e andar sempre de óculos escuros
    • O uso das cadeiras nas praias é pago. Em Ornos custavam 25 euros as mais baratas, podendo chegar até 50 dependendo do bar e da proximidade com o mar. Infelizmente existe pouco espaço nas praias para quem leva a própria cadeira ou nem faz questão delas, geralmente nos cantos das praias. Ornos é considerada a praia mais tranquila para quem quer relaxar e/ou aproveitar a água (que nem é tão quente como eu imaginava)
    • Para quem chega bem cedo, existe a possibilidade de tomar café da manhã na praia, que é servido por quase todos os estabelecimentos
    • O centrinho (Fabrika, em Chora) parece aqueles filmes que retratam países de terceiro mundo: um monte de gente, diversos tipos de transporte, mas tudo se ajeitando “organicamente”
    • Dirigir por lá deve ser uma aventura, pela diversidade de veículos (onibus, vans, scooters, buggies, carros de passeios, etc.) e de motoristas
  • Santorini:
    • É um festival de sobe e desce e muitas curvas para se locomover na ilha
    • O solo lembra bastante o do Hawaii e de Iceland
    • Como já explicado, dá para fazer city tour usando somente transporte público. Além de mais barato, é bastante divertido observar os motoristas e cobradores. Muita gente faz isto (em Mykonos também)
    • Perissa (mais calma) e Kamari (mais agitada) são os melhores lugares para se hospedar
  • Geral:
    • Como explicado no post sobre a Islândia o grego tem um fonema parecido com o “TH” do inglês, só que no grego ele se pronuncia praticamente como um “F”, que é como uma boa parte dos brasileiros pronunciam o “TH” ao falar ingles. Entao Thera se pronuncia Fira mesmo
    • Apesar de ser um idioma totalmente estranho ao meu ouvido, existem algumas palavras no português que tem origem grega. Biblios é livro, e catálogo é o menu dos restaurantes. O engraçado é que no português usa-se catálogo para tudo, menos para comida em restaurantes
    • Tem uma lei interessante para evitar evasão fiscal na Grécia: se não te darem a nota fiscal você não é obrigado a pagar. Então não estranhe se num restaurante, a cada cerveja ou prato pedido, eles trazerem a nota. É só ir juntando e pagar tudo no final
    • Tem muito gato em todos os lugares. Dando uma pesquisada aprendi que é bem normal nos países situados no mediterrâneo e é algo cultural. Normalmente os gatos ficam livres e são eles que “adotam” umas duas ou três casas para aparecerem quando não acham comida na rua. Outro motivo é que eles controlam a população de roedores
    • O sistema de ferries na Grécia é algo singular. Não faça muitos planos contando com a assertividade deles, pois sempre existem mudanças de última hora, tanto nos horários quanto nos trajetos, já que as vezes eles juntam duas linhas diferentes (inclusive de empresas distintas) em uma só. Por isto também é bom chegar com pelo menos uma hora antes e ficar sempre verificando se não existe mudança de horários e itinerários. E quando o ferry aporta, bora correr para colocar a mala em um lugar adequado e para garantir um assento bom (esqueça a marcação de assentos)
    • Nos restaurantes não gostam muito de aceitar cartão de crédito, então quando você pede uma máquina eles já fazem uma cara feia (alguns nem aceitam). A cara só não é mais feia do que quando você pede a senha do wi-fi, o que inclusive negam muitas vezes, alegando que é só para uso do restaurante (para as maquininhas de cartão de crédito que eles se recusam a usar)

Be happy 🙂

Wanderlust #54 – Providence, Rhode Island (12/51)

(10/08/2018-12/08/2018)

Rhode Island é o menor estado americano (em área). Fica localizado no Nordeste dos EUA na região conhecida Nova Inglaterra, que também engloba os estados de Massachussets e Connecticut.  Sua capital, Providence, é também a cidade mais populosa, com quase 180 mil habitantes (o estado todo tem pouco mais de 1 milhão).

Chegamos na cidade no início da sexta-feira e fomos passear em downtown, primeiro passando pelo belo edificio da Rhode Island State House.  Em seguida caminhamos pela beira dos rios Woonasquatucket e Providence e caimos em Providence downtown. Como em outras cidades da Nova Inglaterra, os edifícios da parte central lembram bastante a Inglaterra original. A região vem passando por uma revitalização, com imóveis mais novos contrastando com os antigos. A área também é repleta de arte de rua.

Passamos ainda pelo Burnside Park e pelo Waterplace Park, um parque construido na beira do Woonasquatucket. Dali fomos tomar umas na Union Station Brewery que tem ótimas cervejas. Depois, ainda fomos conhecer a Trinity Brewhouse. Interessante que na Trinity voce pode levar sua bebida até a calçada.

No segundo dia estava garoando, mas fomos passear na Brown University e na Thayer Street, ambas na região de College Hill. Por ficar ao lado da universidade, a rua conta com bastante restaurantes, cafés, livrarias e lojas diversas. De lá atravessamos novamente downtown e fomos até a Federal Hill, que também conta com bastante restaurantes e comércio em geral na Atwells Ave, sua rua principal.

Caminhamos então até a Long Live Beerworks e assim que paramos desabou uma chuva torrencial, o que foi uma boa desculpa para nos abrigarmos por mais um tempo na cervejaria. Em seguida voltamos a downtown e paramos na The Malted Barley.  Como já tinhamos conhecido tudo, voltamos na Union Station para tomarmos novamente uma Cream Ale de Blueberry (que inclusive era servida com a fruta) que tinhamos experimentado no dia anterior e que estava muito boa. Os pratos do local também são muito bons. E ainda deu tempo de passar novamente na Trinity para experimentarmos mais algumas das cervejas produzidas por eles.

A cidade é realmente pequena e não tem muitos atrativos. Não recomendaria “perder tempo” para quem está só de passagem pela região, mas se dentro da programação estiver Boston e New York, vale a pena uma passada por algumas horas em Providence no caminho entre as duas cidades.

Observações, dicas e considerações:

  • Foi a primeira vez que ficamos numa Guest House, a Christopher Dodge House. Experiência bem interessante.
  • A cidade é realmente pequena, sendo possível percorre-la toda a pé. Como existe uma grande universidade e mais umas 4 facudaldes, imagino que tudo gire em torno da vida academica. Realmente uma “cidade universitária”.
  • Talvez o fato de ser uma cidade universitária explique o tanto de cervejarias existentes em Providence. Visitamos quatro delas e ainda faltaram duas, isto só em Providence mesmo. Ainda existem mais na região metropolitana.

Be happy 🙂

Wanderlust #53 – Islândia

(11/07/2018-14/07/2018)

Nunca tinha pensado em visitar a Islândia e o país nunca esteve na minha lista de destinos. Mas depois de assitir a série Sense 8 da Netflix e de ouvir alguns colegas de trabalho falando bem do destino, fizemos umas pesquisas e resolvemos conhecer. E que bela surpresa!

Chegamos em uma quarta-feira de manhã com uma baita chuva. Como o check-in do hotel seria só depois das 15:00, deixamos o carro em um estacionamento no centro de Reykjavík e fomos dar uma volta com chuva e tudo. Inicialmente chovia bastante, então tivemos que ficar debaixo de uma marquise até a chuva dar uma amansada. Na primeira oportunidade, fomos andar pela região central da cidade. Depois caminhamos até a Hallgrimskirkja, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Em seguida voltamos para o centro para fazer mais uma hora até dar o tempo do check-in.

Após o check-in feito, como já tinhamos praticamente conhecido tudo o que tinhamos programado para o dia, fomos até o Icelandic Craft Bar, um bar muito charmoso, que só serve cervejas locais. Fizemos o sample e fomos assistir ao jogo entre Croácia e Inglaterra no Bjarni Fel Sports Bar. Ainda continuamos a peregrinação no The English Pub. Umas 23:00hrs, com o dia ainda claro mas caindo de sono, voltamos ao hotel para descansar.

Na quinta-feira, como já programado, fomos fazer a road trip pela parte sul da ilha. Primeiro passamos por Seljalandsfoss e Skógafoss, duas quedas d’água fantásticas. A duas são maravilhas da natureza de literalmente deixar de queixo caido. Continuando o passeio, passamos por Vik, onde paramos na Black Sand Beach, que como o nome diz, tem areia preta de origem vulcânica. Infelizmente a chuva e a neblina não nos deixaram ver a Reynisdrangar, uma formação rochosa bem no meio do mar. Seguimos a viagem, parando por alguns pontos no meio da estrada até chegar à Diamond Beach e Jökulsárlón. Jökulsárlón é um lago onde existem icebergs que se descolam do glacial ali presente e ficam boiando no proprio lago, que é ligado ao mar por um canal. A cor azulada dos grandes blocos de gelo é fantástica. Pequenos pedaços que se espalham na beira do lago e na praia são bem translúcidos, como diamantes (daí o nome da praia). Depois do lago, voltamos um pouco no caminho para nos hospedarmos no Fosshotel Nupar onde pernoitamos. Imagino que o hotel seja bastante procurado durante o inverno por quem tem a intenção de assitir a aurora boreal.

Na sexta-feira, fomos completar a viagem, agora na parte central da ilha, num circuito turístico conhecido como Golden Circle. Primeiro passamos pelo Kerið, a cratera de um vulcão extinto onde existe atualmente um lago no fundo e onde eventualmente ocorrem alguns eventos. Infelizmente estava garoando e ventando muito forte, então decidimos nem descer até o fundo. De lá seguimos para Gullfoss, uma queda d’água enorme, bem maior que as anteriores e onde, diferentemente delas, o passeio é feito somente na parte superior. Na volta paramos no Geysir, que sinceramente achei meio sem graça. De lá fomos até o Þingvellir National Park, que é simplesmente fantástico. O local era usado para reuniões dos representantes dos povos/tribos que já habitavam a ilha há alguns séculos, quando estes tinham que decidir sobre algo, e portanto é um sitio arqueológico. Além disto também é o local de junção de duas placas tectonicas, que inclusive já espremeram uma estrada que passava por ali. De volta a Reykjavík fomos conhecer o Skúli Craft Bar, também especializado em cervejas locais.

No sábado bem de manhã fomos finalmente conhecer uma das principais atrações da Islândia, a Blue Lagoon. Ela fica bem próxima ao aeroporto e por isto muita gente resolve visitá-la na chegada ou na saída, já que eles contam até com armários para guardar bagagens. Bem diferente você pegar uma “piscina” aquecida (naturalmente) com a temperatura externa próxima do zero. É interessante reservar com antecedência, pois além do acesso ser controlado pra não lotar, também é possível pegar descontos (falha nossa, deixamos para ver isto na véspera).

Voltamos ao hotel para deixar a roupa de banho e fomos dar uma volta pela shore walk, um calçadão à beira da baía da cidade. Passamos pela Harpa, um belo prédio onde acontecem concertos e fomos comer o famoso hot-dog da Bæjarins Beztu Pylsur, que é bom mas não faz juz à fama (nem tinha purê!). De repente o sol resolveu aparecer (depois de dois meses, segundo os locais). Não era aquele calor, mas ao menos já dava pra andar só de camiseta para aproveitar o calor de 15 graus.

No caminho para o Old Harbor, que conta com uma pequena vila com bares, restaurantes e lojas de souvenirs, acabamos topando com o Kolaportið Flea Market. Flea markets e mercados centrais são sempre interessantes para conhecer um pouco da cultura local. Já no porto, notamos muita gente tomando sorvete (estava 15 graus! Calor caramba!) e acabamos encontrando a sorveteria Valdís, que estava relativamente cheia e vende ótimos sorvetes. Depois fomos até a cervejaria Bryggjan Brugghús e aproveitamos para tomarmos algumas cervejas produzidas por eles no deck externo. Mais algumas voltas depois paramos no MicroBar, um bar realmente pequeno, no subsolo de um restaurante. Eles não produzem cervejas, mas contam com algumas boas opções, tanto locais quanto importadas.

Para finalizar, voltando para o hotel, lá pelas 23:30, vimos um lindo por do sol (no lugar onde na verdade o sol não se põe). Quando viramos para o outro lado, fomos presentados com um belo arco-íris. E para variar, acabamos topando com um pedaço de Berlin: uma seção do muro, como vários existentes em toda a Europa, para que ninguém nunca se esqueça deste período triste da recente história do continente e da humanidade.

Para quem nunca tinha imaginado conhecer a Islândia estamos até pensando em voltar, desta vez no inverno para tentar ver a Aurora Boreal.

Observações, dicas e considerações:

  • A primeira observação: é frio! Mesmo no ápice do verão a temperatura de dia fica abaixo dos 10 graus. Os 15 que a gente pegou foram bastante atípicos. A boa notícia é que no inverno, devido as fontes geotérmicas debaixo de praticamente toda a ilha, a temperatura não é tão baixa, ficando na média dos 2 graus, exceto no Highlands (norte da Ilha) onde a altutide é maior. E chove pra caramba. Não uma chuva forte, mas aquela chuva fina e constante. E pelo jeito eles estão muito acostumados, porque simplesmente as pessoas andam na chuva sem guarda-chuva, capa, nada. Nem cobrir os carrinhos de bebê eles cobrem. Andam como se a chuva não existisse.
  • Por falar em Highlands, se a idéia é ir até lá, precisa obrigatoriamente alugar um carro 4×4.
  • E por falar em carro, à partir de duas pessoas, ele é a opção mais barata e mais flexivel para se locomover na ilha.
  • E por falar em barato, tirando o aluguel de carro e o combustível, tudo é bem caro. Uma cerveja num bar fica na faixa dos 14 dólares. Um lanche simples, na faixa dos 10. Um jantar um pouco mais elaborado, lá pelos 25 dólares. 
  • A cerveja (e qualquer bebida alcólica) é cara pois ela é supertaxada. Como é política nos países nórdicos, a comercialização de álcool e tabaco é bastante controlada. Em supermercados só se encontra produtos com no máximo 2,5% de teor alcólico e qualquer coisa acima disto é vendida somente nas Vínbúðin, as lojas estatais (ou então em bares e restaurantes, somente para consumo no local). Estas lojas tem horários bem restritos, inclusive nem abrindo aos domingos.
  • Quase não se usa dinheiro e o plástico (na maioria aqueles cartões que só enconstam) é usado para tudo. Não vi nenhum nativo usando dinheiro, só turistas.
  • Todo mundo fala inglês fluente. Mesmo! Eventualmente até entre eles. E na TV o que mais tem são canais da Inglaterra.
  • Nos postos de gasolina encontra-se de tudo: comida, roupas, souvenirs, itens de mercado, etc. (Chupa Posto Ipiranga!)
  • Algumas outras dicas ao dirigir: a velocidade máxima é de 90 km/h, mesmo nas poucas estradas com mais de uma faixa; o farol tem que estar aceso o tempo todo, mesmo na cidade e durante o dia; nas estradas, precisa tomar cuidado com animais (especialmente carneiros) atravessando a pista; várias pontes só tem uma faixa para os dois sentidos e a preferência para passar é de quem chega primeiro à elas.
  • A vegetação e as formações rochosas me lembraram muito o Hawaii. Provavelmente por ambas as ilhas serem resultado de explosões vulcânicas, o que deve “ditar” a flora.
  • Vale a pena subir os 429 degraus para chegar ao topo de Skógafoss. Se tiver tempo, existem algumas trilhas lá em cima também.
  • Roupa impermeável é indicada para as visitas as quedas d’água (e por conta da chuva também).
  • Boozt Bar é uma rede que vende smoothies feitos com skyr, um iogurte típico do país. Recomendo provar.
  • Fiquei imaginando do porque da Groelândia, que só tem gelo, ser chamada de Greenland (terra verde), enquanto a Islândia, que tem uma flora fantástica e é toda coberta de vegetação, ser chamada de Iceland (terra do gelo). Descobri que no caso da Islândia o nome de “terra do gelo” era dado para desestimular possíveis invasores vindos do continente. Acho que o inverso deve ocorrer com a Groelândia: deram este nome para atrair pessoas.
  • Esta história do sol não se pôr deixa o organismo realmente confuso. Imagina como deve ser no inverno, quando ele praticamente não nasce.
  • O Islândes tem uma letra que tem o mesmo fonema do “th” do Inglês, Þ, mas ele parece uma mistura de T com F com P que é praticamente impronunciável pra mim. Alguns meses depois visitando a Grécia (stay tuned!) descobri que eles também tem um fonema igual (Θ, theta), só que no grego ele se pronuncia literalmente como o F, que é como os brasileiros geralmente pronunciam o “th” do inglês (“fank” you!).
  • Nesta linha etimológica, também descobri que as palavras Falls (inglês), Foz (Português) e Foss (Islandês), além de terem praticamente a mesma pronúncia, também têm um sentido parecido, de água saindo de um lugar mais alto para um mais baixo, apesar das traduções literais diferirem.
  • Agora eu descobri de onde o Douglas Adam tirou inspiração para dar nomes aos planetas no seu Guia do Mochileiro das Galáxias.

Be happy 🙂

Wanderlust #52 – Rehoboth e Wilmington, Delaware (11/51), Estados Unidos

(22/06/2018-24/06/2018)
Christina River, Wilmington

Nesta “missão” que nos demos (de conhecer o máximo de estados americanos possíveis) às vezes fica complicado de encontrar atrações em estados menos voltados para o turismo. Já havia acontecido com Connecticut e aconteceu novamente com Delaware, um pequeno estado na costa leste dos EUA, cuja maior cidade tem “incríveis” 70 mil habitantes (o estado todo tem cerca de 900 mil). Após dar uma pesquisada, decidimos passar uma noite na cidade costeira de Rehoboth, que recebe muitos turistas durante o verão, e outra em Wilmington, a capital de menos de 100 mil habitantes.

Saimos cedo para Rehoboth e depois de umas 4 horas dirigindo chegamos na cidade, onde estacionamos (ainda era cedo para o check-in) e fomos dar uma volta pelo boardwalk. O clima é como de qualquer cidade praiana que vive de temporada: restaurantes, sorveterias, lojas de tralhas de praia (brinquedos de areia, boias, guarda-sois, etc.), um monte de crianças e jovens em férias escolares e bastante idosos. Estava garoando um pouco, mas deu pra perceber que a praia e o clima lembram um pouco o litoral norte de São Paulo.

Depois do check-in, fomos conhecer Dewey beach, uma praia próxima que fica num istmo bem estreito (cerca de 200 metros) que separa o oceano Atlântico da Rehoboth bay. Demos uma parada no Rusty Rudder, de frente pra baia, para tomarmos umas cervejas. Uma pena que o tempo não estava ajudando, pois normalmente rola música ao vivo na grande área externa do bar.

Voltamos para o hotel para deixarmos o carro e fomos conhecer a cervejaria menos famosa da cidade, a Revelation Beer, que é bem aconchegante e tem ótimas cervejas. Estava rolando um som com dois caras tocando violão, bem num esquema “praiano” (um deles até de chinelo). Voltamos para a área mais movimentada e fomos conhecer o brewpub da Dogfish Head, uma das cervejarias mais famosas dos EUA, cuja sede fica em Milton (a uns 25 kilômetros de Rehoboth). O bar, que é bem grande e conta com 3 ambientes, estava bem cheio. Por sorte teve um show de uma banda bem boa e relativamente famosa no circuito alternativo dos EUA, chamada White Denim para animar a noite.

No segundo dia, tomamos café da manhã na cidade e fomos em direção a Wilmington. Paramos o carro na região central, mas estava chovendo bastante (mesmo!) e tivemos que ficar alguns minutos dentro do carro esperando a chuva parar. Quando conseguimos sair, ao passarmos pela Rodney Square, notamos que a praça estava cercada, havia um palco e algumas barracas, pois estava ocorrendo o Clifford Brown Jazz Festival naquele final de semana. Como iria começar mais tarde formos dar uma volta. Passamos no Riverfront Market, um pequeno “mercado central” com algumas lojas e restaurantes. Depois nos dirigimos ate a Stitch House Brewery pois iria chover novamente e lá conseguimos aproveitar para assistir ao jogo da Alemanha contra a Suécia pela Copa.

Voltamos então para a Rodney Square e acompanhamos um pouco do show. Depois fomos fazer o check-in no hotel, que ficava numa área um pouco periférica, mas ainda às margens do Christina River, que corta toda a cidade. Existe uma pista de caminhada que margeia o rio, passando por vários restaurantes, bares e pelo Constitution Yards, um beer garden onde existem algumas atrações, inclusive para crianças. Na volta, paramos no Timothy’s Riverfront Grill para jantarmos e tomarmos a saideira.

Como já disse, não é um estado que tenha muitas atrações turísticas, mas pretendemos voltar para pegar praia em Rehoboth no próximo verão.

Observações, dicas e considerações:

  • Pelo menos em Delaware, ao contrário de New Jersey, a praia é de livre acesso e de graça (sim, em New Jersey paga-se pra entrar na praia).
  • O estado de Delaware é tax free, ou seja, não existe o IVA (Imposto sobre Valor Agregado / VAT = Value-added tax) cobrado na maioria dos outros estados. É uma boa opção pra fazer compras para quem vai à Philadelphia (6% de IVA/VAT) ou está passando por lá no caminho entre New York (4%) e Washington (6% também).
  • Wilmington é praticamente colado na Philadelphia. Se alguém quiser se arriscar quando estiver visitando Philly dá pra fazer um bate e volta de boas. Se marcar dá até pra pegar um Uber.
  • Um negócio bem legal em Wilmington é que substituiram os parquímetros por um sistema eletrônico: voce baixa o aplicativo, cadastra sua placa, seu cartão de crédito e paga por ali. Dá pra deixar o carro sem preocupação com tempo, pois você pode colocar, por exemplo, duas horas de crédito, e ai quando faltarem 15 minutos para expirar o aplicativo te pergunta se você quer renovar e por quanto tempo.

Be happy 🙂

Wanderlust #51 – Chicago, Illinois (10/51), Estados Unidos

(25/05/2018-28/05/2018)

Chicago Riverwalk

Aproveitamos o feriado do Memorial Day e uma promoção de passagem aérea para conhecer Chicago, que muitos dizem ser a cidade mais legal dos EUA. Confesso que meu coração, atualmente dividido entre New York e Los Angeles (novamente), ficou abalado. A começar pelo belo O’Hare International Airport, muito bem decorado com bastante luz natural e trechos com neon e grafite. Bastante alegre, como deve ser a porta de entrada de qualquer cidade. O fato de também ter um metrô que liga o Aeroporto à Zona Central (e a praticamente qualquer lugar da cidade) é um ponto a mais em relação à Los Angeles (New York neste quesito ainda é imbatível dentro dos EUA).

Após o check-in no hotel, fomos dar uma volta pela região central (downtown), também conhecida como “The Loop” pelo fato dela ficar entre um quadrilátero formado por duas linhas circulares de trem, daquelas suspensas (um looping, já que os trilhos não tem fim, parecendo um ferrorama). A região conta com bastante lojas, comércio e uma universidade, então está sempre bem movimentada. Como era a última sexta-feira do mês, estava rolando uma Critical Mass, que é um evento que ocorre em várias cidades do mundo todo, sempre na última sexta de cada mês. Neste evento, os ciclistas “tomam” as ruas da cidade, preferencialmente no horário de pico. É uma forma de “marcar” território sobre os veículos automotores.

Depois da volta no centro, com direito a um sorvete, pois estava bem quente, fomos percorrer o Chicago Riverwalk que é tipo um parque linear às margens de um dos rios da cidade. Neste “parque” existem bares, restaurantes, espaços para simplesmente sentar e relaxar e mesmo os donos de barcos apenas param na margem para curtir o clima (existe a possibilidade de alugar um barco também). Como paulistano dá uma inveja danada quando eu vejo algum rio que corta uma metrópole sendo aproveitado ao invés de ser escondido ou usado como esgoto. Fomos procurar algum lugar para beber e acabamos caindo num bar meio sem graça que até esqueci o nome. Sinal que nem valeria a pena recomendar.

No sábado acordamos cedo, tomamos café e fomos conhecer o Millennium Park e mais uma série de parques contíguos a este (North Park, South Park, North Rose Garden), que formam um belo conjunto de lazer às margens do enorme lago Michigan. Depois andamos pela margem do lago até o Navy Pier. O caminho também pode ser feito de bicicleta, já que existe uma ciclovia que percorre toda a margem. No Navy Pier existem várias atraçoes, como parque de diversões, restaurantes e bares. Interessante que dá pra beber ao ar livre na área do pier. Continuamos andando, passando pela Ohio Street Beach e pela Oak Street Beach, duas das diversas praias existentes à margem do lago.

Em seguida, com o sol já a pino, nos dirigimos até Old Town, um distrito cheio de bares, atêlies, restaurantes, etc. Demos uma parada na Old Town Pour House para acompanhar a final da Champions (infelizmente o Liverpool perdeu). Dali, já no início da noite, nos dirigimos para a Goose Island, onde a tradicional foto foi feita, excepcionalmente, com a camisa do Liverpool.

No domingo já haviamos decidido conhecer a região da Logan Square e a Milwaukee Ave, que também conta com uma série de cafés, bares, atêlies, entre outras atrações. Descemos na estação Division St da Blue Line e resolvemos caminhar pela avenida os pouco mais de 4 kilometros até a Logan Square. Não foi lá uma idéia muito boa, pois o sol estava escaldante e a avenida tinha pouca sombra. Quase desistimos durante o percurso. Ainda bem que não desistimos, pois no meio do caminho conhecemos a Bloomingdale Trail, que é um parque contínuo construido sobre uma linha de trem desativada, igualzinho ao High Line de Nova Yorque. Esta trilha liga diversos parques, na chamada Rota 606. Também passamos pelo famoso Grettings from Chicago mural. Finalmente chegamos a Logan Square, que na verdade não tem nada demais, mas ao menos estava ocorrendo uma Farm Market. Depois voltamos alguns metros pela Milwaukee Ave para tomarmos uma cerveja na Revolution Brewing. De lá, como já tinhamos conhecido tudo que haviamos planejado, terminamos a trip na
Forbidden Root Restaurant & Brewery, uma ótima cervejaria, com petiscos muito bons.

Chicago me deu a impressão de ser uma cidade muito legal, daquelas que valeria a pena morar. Só agora escrevendo este artigo eu fui perceber que ela é a cidade dos EUA (das que eu conheço) que mais se assemelha a Berlin em diversos quesitos, como arquitetura, existência de vários parques, transporte público abrangente e com uma diversidade enorme. Talvez por isto ela tenha me encantado logo de cara.

Observações, dicas e considerações:

  • Chicago é onde foi filmado o clássico Curtindo a Vida Adoidado. Aquela cena dele cantando Twist & Shout e bem no The Loop. E reassistindo agora o vídeo percebi que se tratava de uma Oktoberfest….hahaha.
  • A cidade aparenta ser bem tolerante e diversa em todos os quesitos (etnias, LGBT, imigrantes, etc.).
  • No hotel em que ficamos estava rolando uma convenção da Mapfre da Espanha, um dia subindo de elevador entraram alguns espanhois e começaram a falar. Quase puxei um “bella ciao” (estava assistindo La Casa de Papel na época….kkk).

Be happy 🙂

O’Hare International Airport

O’Hare International Airport

New East Side

The Loop

Muddy Waters by Kobra – The Loop

The Loop

Millennium Park

Millennium Park

Buckingham Fountain

Lake Michigan

Navy Pier

Lake Michigan

Ohio Street Beach

Old Town

Lincoln Park South Fields

Bloomingdale Trail