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Wanderlust #48 – Virginia (7/51), Estados Unidos

(23/11/2017-26/11/2017)

Norfolk

E mais uma vez em um Thanksgiving resolvemos conhecer um estado pouco turístico e pouco famoso, assim como fizemos no ano anterior com Maryland. E mais uma vez fomos surpreendidos positivamente.

A Virgínia é um pequeno estado na costa leste americana, perto de Maryland, e que é famoso por dividir com este o District of Columbia, que fica na divisa entre os dois estados e onde se encontra a capital política dos EUA (Washington). Assim como o estado vizinho, a Virgínia ainda tenta se recuperar da crise de quase dez anos atrás.

Chegamos em Norfolk no final da tarde e, como já haviamos notado no caminho (e percebido no ano anterior), praticamente tudo estava fechado para a celebração do principal feriado americano. Fizemos o check-in e fomos dar uma volta. Como a natureza felizmente não tira folga, fomos presenteados com um por do sol fantástico à beira do Rio Elizabeth, que a cidade margeia. Depois das 20:00 a cidade começou a “despertar” do feriado e, caminhando a esmo acabamos topando ao acaso com a Brick Anchor, que tinha umas 20 torneiras de cervejas locais. Bom começo de feriado!

Na sexta de manhã fomos até Virgínia Beach, o balneário mais famoso do estado e a cidade com a maior população, e que deve lotar durante o verão. Ainda tinha um “rescaldo”, já que o frio demorou a chegar este ano e para a época até que estava bem movimentado. Tomamos um belo café da manhã na Log Cabin Pancake House e depois fomos caminhar no agradável boardwalk.

De volta a Norfolk fomos conhecer a cidade de dia (mas ainda sem muito movimento). Passeamos a beira do rio pelo Waterside District, depois pelo Town Point Park e pelo Freemason Harbour, um bairro antigo composto de várias casinhas de tijolos. Depois fomos até o Neon District e Ghent, duas áreas da cidade que estão passando por renovações. Ghent lembra um pouco da Europa (no entanto sem lembrar de sua homônima belga), com predinhos de 2 andares, muita vegetação e tranquilidade.

Já o Neon District é meio que uma Vila Madalena em menor escala: galerias de arte, um teatro, muito grafite, cafés, instalações artísticas em praças, etc. Depois de uma volta pelo bairro fomos “abrir” a Bearded Bird para umas cervejas. Numa das idas ao banheiro a Lu notou que havia um cartaz anunciando um “appetizer” brasileiro: a coxinha. Perguntei para a bar tender sobre a coxinha e ela me explicou que uma amiga dela, brasileira e proprietária do Taste of Brazil, fazia o petisco para a cervejaria quando não havia food truck servindo lá. A conversa parou e nós continuamos a tomar cerveja. Mas depois de uns 30 minutos aparece o entregador com as saborosas coxinhas. Isto é que é comfort food! Demos mais uma volta na cidade e voltamos ao hotel pois no outro dia iríamos para Richmond. Mas é claro que antes de sair de Norfolk tomamos um café da manhã no Taste of Brazil.

Chegamos a Richmond ainda de manhã, estacionamos o carro e fomos andar por downtown, passamos pelo Virginia State Capitol (parece que toda cidade americana tem seu Capitólio) e pelo restante da região central.

Depois de fazermos o check-in, fomos andar na Broad Street, onde se encontra a Virginia Commonwealth University. Depois andamos pela Monument Ave e fomos até Jackson Ward.

Havíamos mapeado algumas cervejarias, que ficavam em sua maioria no bairro de Scott’s Addition, meio afastado da região central da cidade. Então pegamos um Lyft e fomos conhecer a primeira delas, a Ardent Craft Ales. O mais interessante foi notar que o bairro era provavelmente uma região industrial, mas que agora os galpões estão sendo convertidos em bares, lojas, galerias de arte. Muito legal a transformação e dá para “perder” algumas horas passeando por ali. Após sair da Ardent, fomos até a Isley Brewing Company continuar a peregrinação. Local ótimo, tanto pelas cervejas, quanto pelo atendimento e a música ao vivo. Para encerrar voltamos ao centro para comermos e tomarmos a saideira no 7 Hills Brewing Company, que até já fechou. Sinal que eu tô bem atrasado com os posts de viagens!

Observações, dicas e considerações:

  • Existem estátuas de sereia espalhadas por toda cidade de Norfolk, tipo uma cow parade.
  • A estátua de Netuno em Virginia Beach impressiona pela imponência.
  • Os cigarros na Virginia são muito baratos, praticamente metade do preço de New Jersey. Quase compensa viajar até lá para abastecer o estoque.
  • O pessoal da Virginia é muito educado e prestativo.
  • A paisagem na Virginia durante o outono (especialmente na beira das estradas) é uma coisa que já faz valer a viagem.

Be happy 🙂

Norfolk

Virginia Beach

Virginia Beach

Norfolk

The Pagoda – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Ghent – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Comfort food na Bearded Bird – Neon District – Norfolk

Bearded Bird – Neon District – Norfolk

Neon District – Norfolk

Downtown Richmond

Downtown Richmond

Virginia State Capitol – Richmond

Jackson Ward – Virginia

Norfolk

Wanderlust #47 – Philadelphia, Pennsylvania (6/51), Estados Unidos

(16/Set/2017-17/Set/2017)

Já estive umas 3 ou 4 vezes na Philadelphia, além de algumas outras cidades da Pennsylvania, tanto a trabalho quanto a passeio, mas em todas as vezes havia feito apenas “bate-e-volta”. Desta vez aproveitamos o finalzinho do verão para aproveitarmos um final de semana inteiro na cidade.

Por ficar no meio do caminho entre New York e Washington, DC, a cidade costuma ser um ponto de parada para turistas que tem as duas cidades no roteiro, mas normalmente as pessoas passam rapidamente e não aproveitam tudo o que a cidade oferece. Normalmente estas pessoas fazem o chamado “turismo cívico”, que se concentra em um parque chamado Independence Hall, que foi o lugar onde foi declarada a independência dos EUA.

Mas a cidade tem outras atrações além disto e provavelmente a mais famosa é o Philadelphia Museum of Art, que ficou muito famoso por conta da cena do filme Rocky, em que o personagem de Sylvester Stalone sobe correndo a escadaria. Atualmente existe próximo ao local uma estátua representando a cena, normalmente com fila, tanto para tirar foto com a estátua como para tirar a foto imitando a icônica cena no topo da escadaria.

Chegamos cedo na cidade e fomos fazer estes passeios, o que rendeu uma boa caminhada, e várias outros pontos interessantes entre os dois, como o Reading Terminal Market, o Philadelphia City Hall e a Benjamin Franklin Pkwy (que é margeada por bandeiras de todos os países). Depois dos pontos turísticos, fomos fazer o que mais gostamos: explorar a cidade. Primeiro passamos pela Rittenhouse Square, uma região com lojas, restaurantes e bares. Uma das laterais da praça estava fechada para carros e com mesas espalhadas pela rua, e na praça estava ocorrendo uma feira de artesanato. Já que ainda era cedo para fazermos o check-in no hotel, paramos na Misconduct Tavern para tomarmos umas duas cervejas.

Depois de fazermos o check-in, fomos dar uma volta na região leste da cidade, além do Independence Hall. Esta área termina numa região portuária chamada Penn’s Landing. Ficamos sabendo que no dia seguinte, domingo, iria acontecer um Brazilian day ali. Depois caminhamos à beira do Delaware River até a Yards Beer Company, onde ficamos até o início da noite (e do final da tempestade que caiu no final de tarde). Voltamos para a área do hotel, próximo a Washington Square, jantamos e fomos experimentar o sorvete da Sweet Charlie’s, pois mais cedo notamos que havia uma grande fila, e onde tem grande fila, a chance de ter um sorvete bom é grande. Bingo! Muito bom o sorvete, daqueles feito na “chapa” (de gelo, óbvio).

No domingo de manhã voltamos no Reading Terminal Market para tomarmos o café da manhã. Depois andamos aleatoriamente pela cidade e passamos pela Washington Square, que ficava próxima ao hotel. Fomos novamente para a região do Penn’s Landing, desta vez por outro caminho, e acabamos topando com a ótima 2nd Story Brewing onde, claro, fui obrigado a provar o sample flight. Depois fomos dar uma olhada na Brazilian fest. Nada demais, mas deve servir para a galera local que nao vai ao Brasil há algum tempo matar saudade da música, de ouvir português e de provar alguns petiscos. Como não poderiamos deixar de fazer, fomos então provar um Philly Cheesesteak. Philly é como a cidade é carinhosamente chamada, então como o nome sugere, o lanche é o típico Cheesesteak da Philadelphia. Fomos até o famoso Jim’s Steaks e realmente o lanche foi um dos melhores cheesesteaks que já comi. Depois disto foi só pegar o carro e voltar para casa.

Observações, dicas e considerações:

  • Com um pouco de vontade dá pra fazer tudo a pé. Para quem não tem este pique, Uber e Lyft ajudam.
  • Fui a trabalho em um evento no museu Ben Franklin e recomendo para quem for passar mais tempo na cidade.
  • A não ser que voce goste muito de história, não vale encarar a fila para fotografar o Liberty Bell.
  • No verão, como na maioria das cidades onde o inverno e rigoroso, ocorrem muitos eventos (concertos, feiras), então é bom conferir a agenda pra ver o que tá rolando.
  • Para quem gosta de street-art em geral, a cidade é um prato cheio: além de muito grafiti, na maioria dos lugares turísticos existem painéis pintados, muitos deles há muito tempo.

Be happy 🙂

Independence Hall

Washington Square

Delaware River

Philadelphia Museum of Art

Benjamin Franklin Pkwy

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Reading Terminal Market

Philadelphia City Hall

Philadelphia Museum of Art

Wanderlust #46 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

(28/Ago/2017-31/Ago/2017)

Pier Mauá

Confome havia falado no último Wanderlust sobre o Rio, a cidade contém várias em uma. Desta vez, com uma passagem rápida somente durante a semana, resolvemos fazer um roteiro pela baixa gastronomia do Rio, especialmente fora dos pontos turisticos (Copacaba, Ipanema e Leblon).

Mas como ninguém é de ferro, já haviamos programado a viagem para podermos curtir o Samba do Trabalhador, uma das melhores rodas de Samba do Brasil, já na segunda-feira. Pegamos o metrô, descemos na Saens Peña, na Tijuca, e demos uma volta pelo centro comercial do bairro. Depois nos dirigimos ate o Renascença Clube e após tomarmos umas duas cervejas (Antárcticas, claro!) na porta, entramos logo no início do Samba (lá pelas 16:30) para garantirmos o nosso lugar. Na saída, no caminho de volta para o metrô, encontramos o Gabriel da Muda, um dos cavaquinistas da roda, que perguntou se a gente não estava no samba, ai começamos a trocar idéia e ele nos chamou para dar um passada no Bar do Momo, que ficava no caminho. Ficamos lá um pouco e já planejamos voltar no outro dia.

Na terça-feira lá fomos nós novamente para a Tijuca fazer um tour pelos botecos da região. Voltamos ao Momo, onde pudemos aproveitar, agora com calma, o ótimo bolinho de arroz (olha que eu não sou chegado neste petisco pois acho sem graça) e a surpreendente guacamole de Jiló. Depois fomos até o Varnhagem, na praça de mesmo nome, onde além de tomarmos umas geladas debaixo de um sol escaldante, também aproveitamos para pedir uma porção mista de bolinhos.

A idéia de fazer um tour pelos botecos da Tijuca surgiu ao acompanharmos os videos do canal Botecos do Edu, então fomos seguir algumas das sugestões. Primeiro passamos no Café e Bar Aldila, uma portinha que, segundo o Edu, tem um dos melhores torresmos do Rio. Achei bom, acima da média, mas já comi melhores. Em seguida fomos até o Cantinho do Céu para mais uma cerveja.

Neste meio tempo o Gabriel havia sugerido por mensagem que fôssemos ao Carioca da Gema. Lá provamos uma otima porção de torresmo e uma coxinha boa (apenas). Infelizmente não havia mais espaço no estômago para provar a porção de polenta com rabada desfiada, que pareceu muito apetitosa.

Quarta de manhã fomos dar uma volta na Praça Mauá para ver como havia ficado após a Copa (passamos lá um pouquinho antes da Copa, em 2014). Ficou bem legal, mas ainda falta um movimento. Poderiam montar um espaço com bares e restaurantes, a exemplo da Estação das Docas em Belém. Antes de nos dirigirmos até Botafogo para explorar os bares da região, passamos para tomar uma caipirinha no Quiosque Terra Vista, em Ipanema, que tem uma das melhores que eu já provei.

Demos uma circulada pela rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, que muitos afirmam ser o mais parecido com a Vila Madalena no Rio, porém não encontramos nenhum boteco digno de nota. Mas seguindo novamente uma dica do Gabriel, fomos até o bar da Cervejaria Hocus Pocus e novamente a dica valeu muito a pena. O lugar é ótimo, as cervejas fantásticas, petiscos deliciosos e atendimento acima da média (a garçonete Gabi é uma atração à parte pela simpatia e alegria).

Foram poucos dias, mas deu pra aproveitar relativamente bem. Pena que não deu pra voltar ao Rio na última vez que estivemos no Brasil. Quem sabe na próxima.

Observações, dicas e considerações:

  • Será que é tão difícil para a rede de transporte público de São Paulo copiar o sistema de vendas de cartões do Rio? Não precisa nem das máquinas automáticas. Basta disponibilizar o cartão para venda nas estações de metrô.
  • O VLT / Tram / Bonde do Rio funciona muito bem, inclusive o sistema com validação do bilhete sem o cobrador. Uma pena que a rede é pequena.
  • Algumas linhas de ônibus do Rio também aboliram os “trocadores” (como se chamam os cobradores no Rio) e têm funcionado. Novamente, parece que só São Paulo não consegue (ou não quer) adotar algumas coisas que dão certo em praticamente todo o mundo no seu sistema de mobilidade urbana.

Be happy 🙂

Samba do Trabalhador – Renascença Clube

Bar do Momo – Tijuca

O supreendente bolinho de arroz do Bar do Momo (surpreendente para mim, que acho o petisco sem graça)

Guacamole de Jiló: este sim supreendente! – Bar do Momo

Bar Varnhagen – Tijuca

Porção mista de bolinhos do Bar Varnhagen – Tijuca

Torresmo do Café e Bar Aldila – Tijuca

Cantinho do Céu – Tijuca

Porção de Torresmo do Bar da Gema – Tijuca

Bar da Gema – Tijuca

Flamengo

Flamengo

Pier Mauá

Hocus Pocus DNA – Botafogo

Quiosque Terra a Vista – Ipanema

Wanderlust #45 – São Paulo – Brasil

(18/Ago/2017-02/Set/2017)

Praça Roosevelt

Uma vez assistindo um programa sobre brasileiros que moram no exterior (o programa era sobre Berlin, se não me engano), uma das brasileiras entrevistadas soltou uma frase maravilhosa: “o migrante se torna um apátrida, pois o país para o qual ele imigrou nunca será o seu lar, e o país do qual ele emigrou nunca mais será o seu lar”. Após quase um ano morando fora fui entender o sentido da frase. Mesmo com toda a tecnologia de comunicação disponível, principalmente através da internet, quem está fora do país acaba por perder referências durante o tempo que passou fora (de cultura, de política, etc.), ao mesmo tempo em que não tem as referências do novo país (um desenho que as pessoas assitiam na infância, uma moda, um brinquedo ou um programa de TV de dez anos atrás, etc.). O Gilberto Gil cantou isto lindamente na maravilhosa Lamento Sertanejo, em parceria com o Dominguinhos (aqui tem uma versão imperdível com o Hamilton de Holanda, a caboverdiana Mayra Andrade e o Yamandu Costa). E foi com este vácuo de quase um ano perdendo referências (ainda pouco tempo, mas uma diferença perceptível) que visitamos São Paulo pela primeira vez na condição de turistas (a primeira volta, em Dezembro, não conta, pois foi um “bate-e-volta”).

A primeira coisa notável é a forma como rapidamente já incorporamos alguns costumes, a ponto inclusive de nos irritarmos um pouco com alguns comportamentos, como por exemplo a falta de respeito às leis de transito. A cidade em sí não mudou muito, o que particularmente achei um mau sinal. São Paulo vinha numa mudança nos últimos 6 ou 7 anos para um estilo de cidade mais parecido com o que eu idealizo em uma metrópole, especialmente no que diz respeito ao uso do espaço público por sua população (não adianta, sempre terei Berlin como referência neste quesito). Parece que aquele impeto de ocupar os espaços públicos deu uma aplacada. A Praça Roosevelt, a Consolação e a Avenida Paulista (em um dia normal) me pareceram menos “festivas” do que eram quando nos mudamos. Felizmente a própria Paulista aos Domingos e a Vila Madalena, ainda estão com bastante atividade (apesar do clima um pouco diferente).

Este é um Wanderlust um pouco diferente. Sei lá, não sou mais um “paulistano”, mas ao mesmo tempo ainda não me sinto como um turista na cidade. Ainda posso dar dicas de alguns lugares interessantes, mas as dicas seriam de um “nativo” de um tempo passado (ou seja, podem ser uma furada), e não de um turista. Então desta vez vou me abster.

Se esta sensação me dá algum arrependimento da mudança? De forma alguma! Toda escolha que se faz na vida é sempre múltipla: voce escolhe uma opção, mas ao mesmo tempo deixa de escolher infinitas possibilidades. E eu acho uma besteira ficar com saudades do que poderia ter sido (obrigado Paul Austin). E como diria o mesmo Gilberto Gil, “o melhor lugar do mundo é aqui e agora“. E até que a sensação de “falta de pertencimento a algum lugar” (que na verdade não é nova, pois já fazem uns dez anos que eu não me sentia “em casa” no Brasil) se aplacou um pouco quando o oficial da alfândega nos desejou um “Welcome home!”.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu ainda estou pra ver alguma outra cidade que tenha algo como a Vila Madalena em termos de vida noturna. Uma mistura de tribos, de estilos, uma gama tão grande de opções (em uma área geográfica relativamente pequena) que ainda não encontrei nada nem parecido em Nova Iorque, Los Angeles ou Berlin (pra citar as grandes metrópoles que conheço a fundo e que são comparáveis a São Paulo, não conheço muito bem Londres).
  • Como querem promover o turismo na cidade se um turista não consegue nem comprar um bilhete único para se locomover pela cidade?

Be happy 🙂

Metrô Consolação: em SP pode beber em público. Não pode beber no metrô, mas pode também!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz) – ficou muito legal com os grafites!

Escadaria do Bixiga (ou do Jazz)

Avenida Paulista aos Domingos – a ocupação do espaço público ainda resiste!

Beco do Batman – Vila Madalena

Pôr-do-sol na Ponte da Casa Verde/Marginal Tietê

Wanderlust #44 – Mystic e New Haven – Connecticut (5/51) – Estados Unidos

(21/Jul/2017-23/Jul/2017)

Yale tem até uma usina termoelétrica própria!

Este post vai ser curto, porque o passeio em si foi curto. Quer dizer, demorou pra chegarmos lá, mas as atrações eram limitadas. Nesta “missão” de conhecermos o maior número possível de estados americanos enquanto estivermos por aqui, fomos desta vez conhecer o pequeno estado de Connecticut, no noroeste dos EUA, região conhecida como Nova Inglaterra (expliquei no post de Boston). Como não conseguimos achar muitas atrações turísticas por lá, decidimos escolher a cidade que seria, teoricamente, a mais movimentada como base. New Haven, além de ter a segunda população do estado, com “impressionantes” 130 mil habitantes (pouco menos que a Freguesia do Ó), é onde fica a Yale University.

Chegamos na cidade na sexta à tarde, demos uma volta rápida e já paramos na Cask Republic para tomarmos umas. Saimos do bar e fomos andar um pouco mais pela região central, que é cheia de bares e restaurantes e paramos novamente, desta vez no The Beer Collective.

No sábado de manhã dirigimos cerca de uma hora até a cidade de Mystic, uma pequena cidade de veraneio que fica num “braço de mar” do Oceano Atlântico. Apesar de pequena, a cidade era bem movimentada, além de ser bem charmosa. Andamos por umas duas horas na cidade, paramos para tomar um sorvete e voltamos para New Haven.

Já em New Haven, fomos conhecer a cidade com um pouco mais de tempo, mas mesmo assim o passeio foi bem rápido. Passamos pela New Haven Green, a praça central da cidade, onde a noite aconteceria um show (e o pessoal já estava se acomodando), alguns prédios antigos que pertenciam à Yale e depois fomos para a região onde a maioria dos prédios da universidade se concentram. Diferente de Boston (MIT e Harvard) e Princeton (uma hora eu escrevo sobre), Yale é aberta e não dá para saber onde começa ou termina a universidade, exceto pelos nomes das escolas nos prédios. Uma diferença também é que os prédios, apesar de seguirem o estilo da Nova Inglaterra, tem um ar mais moderno. Arquitetura interessante.

Paramos no meio do caminho na Three Sheets para algumas cervejas e depois prosseguimos andando a esmo pela cidade. Caminhando novamente perto do hotel encontramos o melhor achado da cidade, o Barcade, um fliperama (com várias máquinas clássicas) com um bar de cervejas especiais. Que idéia fantástica!!!!

Apesar de não ter praticamente nenhuma atração turística, se fosse mais perto (umas duas horas), até que eu voltaria para a cidade outras vezes para curtir os bares e o clima jovial. E pernoitaria em Mystic para aproveitar a pequena cidade de veraneio.

Observações, dicas e considerações:

  • Infelizmente não achamos uma cervejaria na parte centra da cidade para fazer a famosa foto com o sample flight.
  • Connecticut e um nome dificílimo de pronunciar!
  • Pela Internet, música do Gilberto Gil do disco Quanta, de 1997, faz uma pequena referência ao estado.
  • O barman (acho que era dono) do Barcade, ao ver minha camisa do Santos já perguntou de cara: “brasileiro?”, quando respondi que sim ele me disse que era “corintiano” e depois me explicou que teve um grande amigo brasileiro que morava na cidade e que o “convenceu” a torcer pelo Corinthians. Talvez isto também explique o piso à lá calçadão de Copacabana no bar.

Be happy 🙂

Mystic

Mystic

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

Barcade, New Haven

Barcade, New Haven

New Haven

New Haven

Wanderlust #43 – Lisboa, Sintra, Cascais e Setúbal – Portugal (Parte II)

(27/Jun/2017-03/Jul/2017)

Praça do Comércio – Lisboa

Dia 1
Chegamos na fantástica Estação do Oriente (que inclusive me lembrou a Hauptbahnhof de Berlin) e pegamos o trem local (tipo um CPTM) até Entre Campos, onde ficava o nosso hotel. Deixamos a mala e fomos dar uma volta, seguindo pela Avenida da República, que é uma área com muitos prédios comerciais. Descemos logo após pela Avenida da Liberdade até a região turística de Lisboa, que fica bem próxima ao Tejo.

Demos uma volta pela regiao do Chiado, Baixa, Rossio e Praça da Liberdade, bem rapidamente, pois queriamos parar em algum barzinho na Alta para tomarmos algo e darmos uma descansada.

O Bairro da Alta é formado por uma série de ruas paralelas, bem estreitas. Perpendicularmente existem vários “escadões”. A região é repleta de casarões antigos que foram convertidos em hotéis, hostels, bares, restaurantes, entre outros, e se juntaram aos comércios mais antigos.

Primeiramente paramos em um pequeno bar de cervejas especiais que encontramos por acaso (e cujo nome eu incrivelmente não me recordo). Depois encontramos uma tasquinha com mesas nos degraus (esta ficava numa perpendicular), onde pudemos nos sentar e petiscar algo enquanto observávamos a movimentação. A região da alta lembra muito a Vila Madalena, com uma galera bem diversa (turistas mais “chiques”, mochileiros e locais) circulando por ali, muitas vezes comprando cervejas num mercadinho e simplesmente sentando nas escadarias para ver o tempo passar.

Dia 2
Saimos cedo, debaixo de uma leve chuva, em direção a parte “turística” de Lisboa.  Passamos pelo Parque Eduardo VII e descemos por ele até a Praça Marques de Pombal. Pegamos a Avenida da Liberdade até a Praça dos Restauradores, onde pegaríamos o elétrico (como são conhecidos os bondes em Lisboa) até Belém.

Descemos em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, uma bela construção de mais de quinhentos anos que lembra o Mosteiro do Largo São Bento, em São Paulo. Atravessamos o Jardim da Praça do Império em direção à margem do Tejo. Fomos até o Padrão dos Descobrimentos, que é um monumento em homenagem aos navegadores e descobridores portugueses. Achei bem interessante, mais até do que a Torre de Belém, que fica logo ao lado e é a principal atração da região (Belém é um bairro de Lisboa, e não outra cidade, como pensava). A torre é até bonita, mas talvez quem ouça falar pense que ela é grande. Paga-se para entrar na torre (não fizemos). Ao lado da Torre fica também o Farol.

Na volta à região do Mosteiro, passamos pelo Centro Cultural de Belém, que é uma edificação antiga (provavemente um forte) que foi reformado para abrigar restaurantes, cafés e galerias de arte. Claro que antes de pegar o elétrico (que tem wi-fi livre!) de volta à região central de Lisboa, fomos experimentar os famosos Pastéis de Belém.

Desembarcamos do elétrico no Cais do Sodré, uma das várias regiões revitalizadas de Lisboa. Existem várias barraquinhas com comida e bebida e vale uma parada (pena que estava ventando muito!). Fomos em direção à região da Baixa-Chiado pois queria ir numa cervejaria naquela região. Paramos antes para comer no Tapas da Trindade, que tem petiscos muito bons. Depois finalmente fomos no Duque Brew Pub, que fica em um dos varios escadões que ligam a região da Baixa à Alta.

Depois das cervejas, fomos jantar no restaurante Lisboa 33 e, quando estávamos nos dirigindo ao metrô para voltar ao hotel, notamos que estava rolando uma apresentação de música no Largo Duque de Cadaval. Sentamos num bar por ali e, assim que pedimos a cerveja, a apresentação terminou. Pelo menos deu pra tomar mais uma!

Dia 3
Na quinta-feira tomamos o trem em direção a Sintra, uma cidade bem turística a oeste de Lisboa, em uma região montanhosa. Lá passamos pelo Palácio Nacional e pegamos a trilha que existe no Parque da Pena para subirmos morro acima até o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena.

A trilha tem uns três quilômetros de subida por um caminho bem sinuoso. É cansativo porém vale muito a pena para quem tem pique, já que o parque é bem bonito. Também se tem uma boa vista da cidade (que fica na parte baixa). Dá para tomar ônibus, táxi ou então optar por um dos diversos modos oferecidos pelas agências locais para se chegar até o topo. Preferimos não entrar em nenhum das duas atrações e resolvemos apenas vê-las por fora (o acesso é pago).

Na volta demos uma passada em frente à Quinta da Regaleira (cujo acesso também é pago) e passeando pelas ruas estreitas da cidade acabamos encontrando a Tascantiga, uma tasquinha bem aconchegante e com ótimas opções de petiscos, onde aproveitamos para “almoçar”.

De volta a Lisboa, conforme já haviamos nos programado, fomos visitar a Cerveteca, um bar de cervejas especiais bem interessante. Só precisa chegar cedo pois como o lugar é pequeno, lota rapidamente. Na saída fomos comer algo na Pão de Canela, que fica em frente ao belo Jardim Fialho de Almeida. Infelizmente não havia mais pães de sandes!

Dia 4
Na sexta fomos conhecer Cascais, mas descemos na estação de Estoril, que é uma freguesia (o equivalente aos bairros brasileiros) do município de Cascais e fomos andando em direção à area central da cidade (e mais além). Nesta caminhada, passamos por diversas praias, como a Praia do Tamariz, a Praia da Duquesa, a Praia da Ribeira. Todas muito belas, bem limpas, com água azul transparente.

Depois do centro da cidade, visitamos a Fortaleza Nossa Senhora da Luz, que foi transformada em um centro de artes com o nome de Cidadela Art District. Seguindo em direção à Boca do Inferno, uma falésia que foi esculpida pela açao das ondas, passamos também pelo farol de Santa Marta. Na Boca do Inferno existem uns dois ou três estabelecimentos para tomar um “refresco”, então aproveitamos para tomar umas cervejas artesanais que eles tinham engatadas. Na volta, como fazia tempo que não tomávamos cerveja na praia, resolvemos parar em um restaurante da Praia do Tamariz para tomarmos algumas geladas. Vou dizer que moraria fácil em Cascais / Estoril!

Na volta à Lisboa descemos no Cais do Sodré para caminharmos até a Sé de Lisboa. Também passamos pelo Portal de Alfama (que depois fui conhecer mais ao ler a História do Cerco de Lisboa, do Saramago), o Castelo de São Jorge e, andando pela região de Alfama acabamos caindo n’O Galhardo onde experimentamos um chouriço assado na hora e uma ótima farinheiro com ovos.

Dia 5
Sábado resolvemos ir até Setubal, meio que de última hora (a gente não faz muita programação antecipada). O passeio de trem passando pela Ponte 25 de Abril (irmã da Golden Gate, em São Francisco, que também tem algumas outras semelhanças com Lisboa) é em si uma atração turística. Lá chegando fomos andando a esmo pela cidade, primeiramente passando pelo Mercado do Livramento (conhecer os mercardos centrais das cidades é um ótimo programa), e depois na Praia da Saúde, onde paramos no Rockalot para experimentar o imperdível Caipirão.

Seguimos até o Parque Urbano de Albarquel e depois voltamos para a melhor das descobertas da cidade: o Yellow Bus, que já haviamos visto anteriormente, mas que estava fechado e nos programamos para voltar mais tarde. Que idéia fantástica a de montar um “beach club” tendo como base um ônibus transformado em bar! Sentamos alí e ficamos algumas belas horas só apreciando a paisagem e tomando umas cervejas (e mais uns caipirões, claro!).

Na volta à Lisboa, passamos pelo Chiado e fomos à Alta, pois ainda não havia assistido a uma apresentação de Fado (não pode faltar na visita à Lisboa). Paramos em um restaurante (que não lembro o nome) para jantarmos e assistirmos a uma apresentação.

Após o jantar, dando umas voltas pela Alta, acabamos topando com o Alface Hall, que é um bar com música ao vivo no térreo de um hostel. Muito boa pedida para curtir à noite!

Dia 6
No domingo pegamos o metro até a Estação do Oriente (onde haviamos desembarcado na cidade) para conhecer a região, que era uma zona portuária que foi recentemente revitalizada, mais ou menos como a Estação das Docas em Belém. A orla, que é bem maior que a da Estação das Docas, conta com um jardim linear, um teleférico (que simplesmente leva de uma ponta a outra da orla), alguns parques, locais para eventos, etc. Atrás do parque linear (e portanto sem vista para o Tejo) ficam os bares e restaurantes. Espero que façam o mesmo tipo de revitalização no Rio e começem a colocar bares e restaurantes naquela região do Pier Mauá.

Voltamos novamente para a região da Alta e, ao pararmos no Largo Trindade Coelho para tomarmos um sorvete, fomos presentados com uma apresentação de um coral. Já que já estávamos lá, resolvemos tomar umas cervejas e acompanhar a apresentação até o final. Depois fomos novamente até a alta para jantar e encerramos a noite (e a viagem) novamente no Alface Hall.

Observações, dicas e considerações:

  • A primeira observacão é sobre a educação dos portugueses. Tanto a educação formal (de falar correto, de quase todo mundo falar inglês praticamente sem sotaque, etc.) quanto os bons modos no tratamento dispensado às pessoas, não só turistas. Fiquei impressionado e muito feliz pelos patrícios.
  • Em Portugal também se deixa a esquerda livre na escada rolante.
  • Outra coisa é o cuidado na apresentação dos pratos em restaurantes. Pode ser a “birosquinha” mais simples, tem toda uma forma de montar o prato, de servir, de trazer a conta, etc.
  • Bem antes da internet os portugueses já tinham sua forma de obter feedback: o livro de reclamações (que também existe em alguns antigos estabelecimentos brasileiros) e o livro de elogios. É o “thumbs up” e “thumbs down” old school.
  • Nos pontos turísticos de Lisboa existem traficantes oferecendo seus “produtos” quase livremente. Como o consumo de qualquer droga, e o consequente porte para consumo, é liberado em Portugal, eles andam com poucas quantidades e, caso a polícia os enquadre, é só alegar que a droga é para consumo próprio. Como eles só serão presos caso forem flagrados vendendo, a polícia até faz vista grossa para estes pequenos traficantes.
  • Em tudo quanto é lugar a poesia se faz presente. Tem quadros e pinturas com trechos de textos de poetas portugueses em bares, estações de metro, padarias, etc.
  • Bem legal a idéia de colocar os adolescentes para trabalhar como voluntários na limpeza das praias, nos pontos de informação turistica, entre outros. É uma maneira de fazê-los ter uma consciência maior quanto ao seu papel na sociedade.
  • Em tudo quanto é biroska tem cerveja na pressão (as taps, ou chope, como chamam no Brasil).
  • Interessante o “fado de improviso”. É muito parecido com o repente e o samba de partido alto: tem uma estrofe que se repete e os cantores vao improvisando os versos das quadrinhas.

Be happy 🙂

Parque Eduardo VII – Lisboa

Mosteiro dos Jerónimos – Lisboa

Jardim da Praça do Império – Lisboa

Torre de Belém – Lisboa

O famoso pastel de nata de Belem – Lisboa

Cais das Colunas – Lisboa

Praça Rossio – Lisboa

Castelo dos Mouros – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Palácio da Pena – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Parque da Pena – Sintra

Quinta da Regaleira – Sintra

Estoril

Piscina Oceânica Alberto Romano – Cascais

Boca do Inferno – Cascais

Alfama – Lisboa

Duas gratas surpresas: caipirão e Yellow Bus – Setúbal

Poesia até nas estacões do Metro – Entre Campos – Lisboa

Curtindo a sofrência do Fado – Lisboa

Oriente – Lisboa

Jardim do Passeio dos Heróis do Mar – Lisboa

Alfama – Lisboa

Wanderlust #42 – Porto, Aveiro e Vila Nova de Gaia – Portugal (Parte I)

(23/Jun/2017-27/Jun/2017)

Cais da Ribeira – Porto

Chegamos no Porto propositalmente no dia da Festa de São João. A festa é o maior evento da cidade, atraindo mais de um milhão de pessoas de todo o mundo. Já no aeroporto havia uma recepção de organizadores da festa distribuindo os tradicionais martelinhos (explico abaixo) e o calendário das atrações, que contava com vários shows na Avenida dos Aliados e a tradicional queima de fogos no Cais da Ribeira (as barcas com os fogos ficam no Rio Douro). Este ano os balões foram proibidos devido ao tempo seco e a onda de calor, que haviam causado uma tragédia em Pedrógão Grande poucos dias antes.

Dia 1
Após chegarmos na cidade, numa sexta-feira, demos uma rápida volta na região do hotel Mira D’Aire, onde haviamos nos hospedado (ótimo, por sinal), comemos algo e fomos em direção ao Cais da Ribeira para acompanhar a festividade. Não vou dizer que gostei. Ao menos não do “evento principal” (a queima de fogos): tem que chegar cedo, lota demais, não tem banheiro e para “ajudar” ainda houve um atraso de quase meia hora na queima de fogos. Pelo que já me falaram do réveillon em New York, é meio que a mesma roubada (quer dizer, se colocar o frio, provavelmente NY é até pior). Talvez os “eventos paralelos” sejam mais interessantes.

Dia 2
No sábado começou realmente o passeio pela cidade. Saímos da freguesia (equivalente aos bairros brasileiros) da Cedofeita, e fomos em direção à Praça dos Leões, onde fica a Universidade do Porto e a bela Igreja do Carmo, cuja lateral é coberta por aqueles tradicionais azulejos desenhados em azul (será que dai vem a palavra azulejo?) e branco. Passamos pelo Jardim da Cordoária, pela Torre dos Clérigos, a Praça de Lisboa e depois fomos em direção à Avenida dos Aliados.

Depois fomos até a estação de trem São Bento para comprarmos as passagens para  Aveiro. A estação também é toda revestida com belas imagens feitas com os famosos azulejos. Vale perder um tempo admirando os detalhes das paredes e do teto. Na sequencia, subimos até a Sé do Porto, de onde se tem uma bela vista da cidade (e de Vila Nova de Gaia). E claro, do Rio Douro, que separa as duas cidades. E aqui vale um comentário: a paisagem do Rio Douro é uma das mais belas que eu já tive a oportunidade de ver.

Cruzamos o Douro pela parte superior da Ponte Luís I, que junto com o próprio rio e as duas cidades vizinhas, formam uma das paisagens mais icônicas da Europa. Já do lado de Vila Nova de Gaia, caminhamos pela beira do rio e podemos ter uma ótima visão da cidade do Porto (será que rola a mesma “provocação” que rola em relação à Niterói e o Rio?).

Voltamos para o Porto pela parte inferior da Ponte Luís I e fomos caminhar pelo cais da Ribeira, desta vez sem toda a muvuca da noite anterior. A região é cheia de restaurantes, bares e lojinhas de souvenirs. A arquitetura da região é muito interessante e lembra muito algumas cidades portuárias brasileiras, como o próprio Rio de Janeiro e Santos. Andamos mais um pouco pela área central e fomos relaxar na Cervejaria do Carmo. Ainda andamos mais um pouco pela cidade à noite e depois fomos descansar.

Dia 3
No domingo fomos até Aveiro, em um gostoso passeio de trem. A cidade é conhecida como a Veneza Portuguesa por conta dos canais e das “gôndolas”. Achei meio tosca esta historia das gôndolas (motorizadas) subindo e descendo o canal principal. Mas fora isto a cidade (que é bem pequena) é bastante charmosa. Como era domingo estava ocorrendo um “mercado de pulgas” na área central. Demos uma volta no local, experimentamos o famoso doce de ovos e depois acabamos encontrando o ótimo Zeca Aveiro, um pequeno bar / café, com um atendimento muito bom e algumas cervejas artesanais produzidas na cidade. Petiscamos um pouco e fomos dar uma volta pela área antiga da cidade, do outro lado do canal. A cidade era uma vila de pescadores e a principal rua desta área da cidade (um calçadão fechado para carros) é toda decorada com redes de pesca. Por ser domingo, a maioria do comércio local estava fechado.

Na volta ao Porto fomos direto à Letraria,  o bar / Biergarten  da cervejaria A Letra.  O Bar inicialmente dá a impressão de ser apenas um pequeno estabelecimento, mas ai você desce uma escada e se depara com um belo e grande jardim, com algumas árvores frutíferas. Um dos bares mais agradáveis que já fui na minha vida (sério!). Altamente recomendado. Ao sair de lá resolvemos procurar algum lugar para comer e acabamos encontrando a ótima Casa do Carmo. Pelo site parece ser um lugar mais fancy, mas é só a aparência mesmo. Os petiscos são ótimos e muito baratos. Pedimos os Rojões, as Punhetas e as Moelas. Tudo muito bem feito e delicioso. Na volta ao hotel ainda acabamos cruzando com um DJ tocando forró na Praça de Carlos Alberto. Pena que já estávamos cansados e não conseguimos ficar por muito tempo.

Dia 4
Na segunda-feira era o dia de visitar os primos da Lu (e agora meus também!) no Porto, então fizemos uma programação pensando em metade do dia. Inicialmente fomos (na verdade eu fui) até a Livraria Lello, que é considerada uma das mais belas do mundo. Em seguida fomos fazer o tour por uma das caves que produzem o famoso Vinho do Porto (uma invenção Inglesa, que é produzida no vale do Rio Douro e envelhecida em Vila Nova de Gaia!). Acabamos escolhendo a Calém porque era a mais conveniente para nós. Não creio que haja muitas diferenças entre elas, tanto em questão de preço como de atrativos. Pra quem não é um conhecedor/apreciador do Vinho do Porto qualquer uma vai servir ao propósito de conhecer a história, entender o processo de produção e tomar os samples. Mesmo para adquirir os vinhos não precisa passar pela visita e pode-se ir direto para a loja que cada uma das caves possuí.

Depois demos uma parada num pequeno restaurante do lado da cave para tomar um caldo verde antes de irmos visitar os primos!

No outro dia, antes de nos dirigirmos ate a estação de Campanha para tomarmos o trem para Lisboa ainda deu tempo de passar, pela segunda vez, na Confeitaria da Lapa. Uma confeitaria nova, mas que foi criada nos moldes das tradicionais confeitarias Portuguesas, que por sua vez inspiraram as padarias brasileiras. Ótimas opções de comida e um ótimo de atendimento. Fica a dica para quem se hospedar no hotel ou na região. Tinha até coxinha!

Observações, dicas e considerações:

  • O sistema de transporte público do Porto, muito baseado em VLT/Tram, é muito eficiente e dá pra se virar muito bem na cidade com ele. E funciona 24 horas durante os fins de semana (só em São Paulo que “não é tecnicamente possível!”).
  • Para os Portugueses os Brasileiros falam outra língua: o Brasileiro. Concordo com eles!
  • Assim acontece com com cariocas, os Portugueses se cumprimentam com dois beijos.
  • Uma das tradições do São João é um martelinho (igual aqueles do Chapolim). Segundo a lenda, dar “marteladas” na cabeça dos outros (inclusive e principalmente desconhecidos) é uma maneira de dar sorte. Chega uma hora que enche o saco estas marteladas. Mas ainda é menos chato do que o alho (a planta toda, que tem quase uns 2 metros de comprimento): o pessoal esfrega no seu nariz (imagino o sofrimento pra quem tem rinite) com o mesmo objetivo de te desejar/dar sorte.
  • Uma das coisas que achei interessante em Portugal (mas que é mais visível na região do Porto) é a inexistência de terrenos baldios: tudo quanto é terreno sem construção (como por exemplo terrenos ao lado de linhas de trem, ou debaixo de torres de transmissão de energia elétrica, que não podem ter construções) vira uma plantação. Geralmente uma horta ou plantação de milho. Podiam fazer isto no Brasil criando hortas coletivas, por exemplo.
  • Estão dando uma destinação interessante para os telefones públicos no Porto: a companhia telefônica está transformando os “orelhões” em pontos de Wi-Fi. Muito boa idéia!
  • Os custos em Portugal são muito baixos, inclusive quando comparado com o Brasil, mesmo convertendo. No Porto é mais barato ainda do que Lisboa. Só pra ter uma idéia, no café da manhã a gente geralmente pedia duas tostas mistas (misto quente), dois cafés, algum doce (geralmente pão doce) e uma água e sempre dava em torno de  4 euros. Um café da manhã destes na maioria das padarias de São Paulo (as de bairro mesmo) não deve sair por menos do que 20 reais.
  • Em Portugal normalmente se dá gorjeta: basta calcular uns 10% e deixar na mesa antes de ir embora (após o garçon trazer o troco). Arrendonde para cima em intervalos de 50 centavos (se deu 45 centavos, arredonde para 50, se deu 90 centavos, arredonde para 1 euro, se deu 1,25 euros, arredonde para 1,50, etc).
  • Fiquei triste durante a visita à Livraria Lello. Como o negócio de livrarias já não vai muito bem no mundo todo, eles começaram a cobrar uma entrada de 4 euros (e agora eles permitem fotografias no interior da loja). Só que esta entrada pode ser usada com desconto na compra de livros (e somente livros). Eu, como um aficcionado por livros, não consigo entrar numa livraria e não comprar um livro (mesmo sem desconto nenhum!). Mas percebi que nem com o incentivo do desconto as pessoas compravam. Tinha gente que chegava no caixa com algum outro item (uma camiseta por exemplo) e ao ser informado que o “bonus” só valia para livros, simplesmente preferia “perder” os 4 euros a adquirir qualquer uma das diversas obras disponíveis (e nos mais diversos idiomas!). Triste, muito triste!

Be happy 🙂

Festa de São João – Cais da Ribeira – Porto

Universidade do Porto – Porto

Avenida dos Aliados – Porto

São Bento – Porto

São Bento – Porto

Sé do Porto – Porto

Porto

Rio Douro – Porto

Rio Douro – Vila Nova de Gaia

Rio Douro – Vila Nova de Gaia

Cais da Ribeira – Porto

Cais da Ribeira – Porto

Igreja do Carmo – Porto

Estação de Aveiro – Aveiro

Largo da Praça do Peixe – Aveiro

Aveiro – Portugal

Aveiro – Portugal

Forró na Praça de Carlos Alberto – Porto

Livraria Lello – Porto

Sample flight de Vinho do Porto também vale! – Calem – Vila Nova de Gaia

Hotel Mira D’Aire – Porto

Ponte Luís I – Vila Nova de Gaia

 

Wanderlust #41 – Bélgica

(17/Jun/2017-23/Jun/2017)

Palais de Bruxelles – Brussels

Quando estávamos planejando a visita à Bélgica percebemos que, pelo fato do país ser pequeno e Bruxelas ficar bem na parte central do país, as cidades que haviamos decidido conhecer ficavam todas a cerca de uma hora da capital. Resolvemos então ficar hospedados em Bruxelas e fazermos day-trips para as demais cidades, para evitar o faz check-out as 10 da manha, vai pra outra cidade, faz check-in as 3 da tarde e ai praticamente perdeu o dia.

Dia 1
Chegamos em Bruxelas por volta das três da tarde do sábado e, depois de subir seis andares com malas, pois o elevador do hotel estava quebrado, fomos dar uma volta atrás de uma das melhores atrações da Bélgica: as cervejas! Paramos logo de cara no Le Poechenellekelder para descansar e iniciar as degustações. A cervejaria conta com uma área aberta bem em frente a uma das principais atrações da cidade, que também é uma das mais decepcionantes: o Manneken-Pis. Além de ótimas cervejas, é bom para ver o movimento.

Depois de algumas garrafas, fomos dar uma volta em direção à Grand Place, que é uma das praças centrais mais bonitas que já conheci. Depois de jantarmos (e claro, tomarmos mais algumas cervejas), fomos descansar pois no domingo iriamos para Bruges.

Dia 2
Pegamos o trem logo no domingo de manhã e fomos em direção a Bruges, uma cidade medieval cercada por canais, lembrando uma versão miniatura de Amsterdã ou Hamburgo. As construções de pedra, as ruas estreitas, a praça central, as catedrais, enfim, tudo na cidade, dão um charme interessante para ela. Ficamos andando pela cidade sem rumo por umas cinco horas e depois paramos na área externa da Brewery Bourgogne des Flandres, à beira de um dos canais.

Na volta a Bruxelas paramos na Moeder Lambic, que ficava do lado do hotel, para fechar o dia (já falei que cerveja é um dos atrativos da Bélgica).

Dia 3
Na segunda fomos começar a conhecer Bruxelas, passando primeiro pela Place de la Monnaie, que fica muito próximo à Grand Place, depois passamos pela Les Galeries Royales Saint-Hubert, um “shopping” muito bonito, pela Cathédrale des Sts Michel et Gudule e saimos andando pela parte norte da cidade. Depois de umas duas horas andando, chegamos a Place Charles Rogier e notamos que haviamos andado em círculo e chegado ao ponto de partida (mas a intenção era andar a esmo mesmo, pois é a melhor forma de conhecer lugares novos).

Subimos em direção ao Palais de Bruxelles, passando pelo Parc de Bruxelles. O Palais de Bruxelles é a residência oficial da família real Belga. Existe até a possibilidade de uma visita guiada por dentro do palácio. Seguimos pela Rue de la Régence, onde se encontram diversos palácios e praças. Destaque para as praças Petit Sablon e Grand Sablon. Ao final da Rue de la Régence se encontra o Monument A la Gloire de l’Infanterie Belge, de onde se tem uma vista boa da cidade. Dá até para ver o Atomium de lá!

Na volta paramos na À la Mort Subite, uma ótima e tradicional (e cara) cervejaria Belga, muito famosa por suas fruit lambic (que mais lembram um cooler ou um frisante), mas gostei mais da Gueuze deles. Depois fomos até a Brasserie du Lombard antes de voltarmos para o hotel.

Dia 4
Na terça era dia de conhecer Gent e levantamos cedo para tomar o trem até a cidade. Diferentemente de Bruges, Gent já é uma cidade maior, com avenidas largas, mais urbanizada, com movimento, muito por conta da Universidade de Gent, que atrai muita gente de toda a Europa (e até de outros continentes) para a cidade. A beleza da cidade já começa na estação de trem. Passa pelo Citadel Park, mas é na região central, com suas igrejas e praças que ela fica em evidência. Um dos lugares que mais achamos interessantes foi o Holy Food Market, uma “praça de alimentação” montado numa antiga biblioteca, que por sua vez havia ocupado o lugar de uma igreja. Pena que estava muito cedo e a maioria dos “quiosques” estavam fechados. Continuamos andando pela cidade por mais algumas horas e depois voltamos até Bruxelas.

Já em Bruxelas, paramos primeiramente na área externa do Rooster’s, e pudemos observar o movimento local em um dia de semana. Depois fomos nos decepcionar no Delirium Café (veja mais abaixo). Em seguida fomos novamente na Brasserie du Lombard para finalizar o dia. Enquanto estávamos lá, começou um movimento de policiais, exército, ambulância. Mais tarde ficamos sabendo que havia ocorrido uma tentativa de atentado terrorista de um extremista islâmico na estação central de Bruxelas, a uns 500 metros de onde estávamos.

Dia 5
Quarta era o dia reservado para conhecer Antuérpia. A população da cidade é maior que de Bruxelas (mais que o dobro) e apenas um bate e volta acabou deixando aquela sensação de que foi pouco. As surpresas da cidade já começam na fantástica estação central de Antuérpia, que é a mais bonita que eu vi até hoje. O centro da cidade, que é um polo comercial e financeiro do país, tem toda aquela mistura de prédios históricos e modernos edifícios que dão charmes à cidades como São Paulo e Nova Iorque. Como as demais cidades que visitamos, Antuérpia também conta com uma praça central que, em épocas remotas, era onde a vida acontecia (são conhecidas como mercados, pois eram onde as pessoas iam realizar os escambos). A de Antuérpia chega a ser até maior que a de Bruxelas e com as mesmas belezas. Aconselho a andar olhando para o alto para ver os detalhes no topo dos prédios.

Andamos para caramba por lá, mas não chegamos a conhecer nem metade da cidade. Mas é uma daquelas que entraram na lista para uma possível segunda visita. Depois do cansativo passeio, voltamos ao Rooster’s para um happy hour e depois fomos descansar.

Dia 6
Quinta feira fomos conhecer o restante de Bruxelas que haviamos planejado conhecer (antes de chegar e já na cidade). Andamos da Place Fontainas, onde ficava o nosso hotel, até o Parc Léopold, numa bela caminhada. No caminho ficam vários prédios da administração da Comunidade Européia e no próprio parque fica o parlamento Europeu. Depois caminhamos mais um pouco até (e pelo) Parc du Cinquantenaire. Para quem gosta de carros, no parque fica a Autoworld, uma exposição permanente sobre a indústria automotiva.

De lá pegamos o metrô até o Atomium, que na verdade é outra atração meio que sem graça, mas que sobrando tempo vale “riscar da lista”. O Parc d’Osseghem Laeken, que fica ao lado do Atomium é, aliás, bem mais interessante que a própria atração. Pegamos o metrô de volta e fomos encerrar o ciclo tomando mais algumas novamente na Poechenellekelder. Antes de voltarmos ao hotel, resolvemos enfim experimentar o famoso Waffle Belga (com sorvete, claro!). E ainda demos mais uma volta na Grand-Place, desta vez ao cair da noite, para admirar a bela praça iluminada.

Observações, dicas e considerações:

  • Em Bruxelas e Antuérpia tem Wi-Fi publico por quase toda a cidade. Quando não tem (e em Gent e Bruges), bares e restaurantes quebram um galho. Portanto, não há necessidade de comprar um chip.
  • Curiosidade que me bateu na viagem: como eles fazem quanto ao idioma nas escolas? Segundo pude pesquisar, as escolas são organizadas pelas comunidades, então cada comunidade decide qual será o idioma, que vai refletir a lingua falada naquela comunidade: o Francês, o Flemish (a variação belga do Holandês) ou o Alemão (não sabia que o Alemão era forte na Bélgica). Em locais como Bruxelas (que são oficialmente bilingues), normalmente encontram-se opções de escolas em Francês e em Flemish. Geralmente estas escolas oferecem, além do Inglês, as demais línguas como opção de “língua estrangeira” a ser estudada depois do ciclo básico.
  • Na Bégica fuma-se em praticamente qualquer lugar aberto, inclusive áreas externas de restaurantes. E fica a dica: quer identificar um brasileiro, é só ver o “nariz torcido” quando alguém acende um cigarro numa área liberada para fumantes. O povo que reclama de tudo!
  • A maior decepção da viagem foi com certeza a Delirium: estava esperando tomar aquela bela Witbier, mas ai o cara pega um copo usado, dá aquela xuxada numa pia com detergente, outra xuxada pra “enxaguar” numa outra pia com água (e resto de cerveja e detergente) e serve a cerveja naquele copo mesmo. Ou seja, a espuma da minha Wit era mais de detergente do que da carbonatação. Quanto mais o bar fica cheio pior é a higiene.
  • Interessante (e assustador) a forma como as pessoas se acostumam com coisas que não deveriam. No episódio do atentado, as pessoas que estavam no bar checaram o celular, viram o que tinha ocorrido, e continuaram com sua vida, como se um atentado terrorista fosse a coisa mais natural do mundo.
  • É tanta opção de marcas e estilos de cerveja que dá a impressao que a única coisa que o pequeno país se dedica a fazer é cerveja!
  • Os Belgas são um povo muito educado, simpatico e prestativo.
  • Acabei descobrindo lá que os Cartoons são uma arte muito popular na Bélgica (sabia que o Tintin era uma criação belga, mas não sabia sobre os Smurfs e o Asterix). Isto também se reflete na street art, com muitos grafites remetendo à cartoons clássicos.

Be happy 🙂

Bruges

Bruges

Brewery Bourgogne des Flandres – Bruges

Brussels

Place du Petit Sablon – Brussels

Brussels

À la Mort Subite – Brussels

Citadel Park – Gent

Korenmarkt – Gent

Holy Food Market – Gent

Sint-Baafskathedraal – Gent

Brussels – capital do Cartoon?

Délirium Café – Brussels – que decepcão!

Antwerpen-Centraal

Antwerpen

Grote Markt – Antwerpen

Grote Markt – Antwerpen

Antwerpen-Centraal

Parlement Européen – Brussels

Parlement Européen – Brussels – Parece que Berlin me persegue!!!…hehehe

Parc du Cinquantenaire – Brussels

Atomium – Brussels

Atomium – Brussels

Poechenellekelder – Brussels

Manneken Pis – Brussels

Grand-Place – Brussels

Wanderlust #40 – Boston – Massachusetts (4/51) – Estados Unidos

(27/Mai/2017-29/Mai/2017)

Public Garden

Diferentemente da colonização Espanhola e Portuguesa (e da própria colonização Inglesa em outros lugares), que era uma colonização exploratória (explorar os recursos das colônias para enviá-los ao país colonizador), a colonização Inglesa nos EUA teve um intento ocupatório: o plano era montar uma versão maior da Inglaterra. Não à toa, muitos dos locais existentes nos EUA receberam nomes de localidades Inglesas com o prefixo “new”: New York, New Jersey e New Hampshire, por exemplo, eram todos “xerox ampliadas” de York, Jersey e Hampshire, na Inglaterra.

Esta caracteristica de ser uma “cópia” da Inglaterra fica muito evidente na região nordeste dos EUA, que é justamente conhecida como New England e que incluí, entre outros, o Estado de Massachussets, cuja capital, Boston, fomos conhecer no feriado do Memorial Day.

Como chegamos na cidade antes do check-in no hotel, que ficava na região de Back Bay, resolvemos parar o carro (na rua mesmo) e irmos conhecer o Boston Commons e o Boston Public Gardens, que são os dois principais parques de Boston. Na verdade, como são colados, a impressão é que é um parque só, já que voce não sabe quando termina um e começa o outro.

Depois do check-in fomos caminhar pela Commonswealth Avenue, um belo jardim linear, e depois até Harvard, que na verdade fica em outra cidade (Cambridge). Na caminhada, passa-se pelo MIT. Para quem quer conhecer universidades e faculdades, ainda tem o Berklee College of Music, Boston College, entre outros tantos institutos de educação sediados na cidade. Pela quantidade dá pra se concluir duas coisas: (1) que os ingleses realmente “investiram” na região e (2) que Boston é bem agitada e diversa, já que recebe muita gente jovem do mundo todo.

Depois da bela caminhada pela Massachusetts Ave, que é repleta de restaurantes, livrarias, bares, lojas de disco e outros tipos de comércio que tendem a existir perto de universidades, paramos para tomar umas na tradicional John Harvard’s Brewery & Ale House, que tem um ambiente bem legal (e não fomos expulsos!!!) e ótimas cervejas feitas no local!

Pegamos o metrô na volta e desembarcamos em Downtown, que é diferente de outros centros de cidade nos EUA. Geralmente os downtowns das cidades americanas são regiões desertas e degradadas, mas o de Boston lembra muito o centro de São Paulo: vários calçadões com muitas lojas (tem até Primark!), fast foods, artistas de rua, etc. Não é lá uma “atração turística”, mas vale uma passada. De lá voltamos para Back Bay e fomos procurar algo para comer.

O domingo era o único dia que teriamos inteiro na cidade, entao levantamos cedo e, depois de darmos uma volta por Back Bay, fomos novamente pela Commonwealth Ave ate a Massachussets Ave, mas desta vez ao invés de cruzarmos o Charler River em direção a Cambridge, fomos caminhar na beira do rio, no que é conhecido como Charles River Esplanade.

Na sequência passeamos por Beacon Hill, uma das regiões mais antigas de Boston, que ainda conserva a iluminação pública a gás. Fomos até o Quincy Market (que na verdade conta mais dois mercados: o South e o North markets), onde existem varios restaurantes, atrações para crianças, artistas de rua, e parece ser a parte mais turística da cidade (foi onde compramos os souvenirs).

Haviamos planejado de tomar umas na Harpoon e assim encaramos a caminhada (umas duas milhas) desde North End até lá. Porém, estava com uma fila gigante quando chegamos e, pelo pouco que ficamos, calculamos que iriamos perder pelo menos uma meia hora até conseguir entrar. Desistimos e decidimos então pegar um Lyft até a Beer Works para tomarmos umas cervejas especiais (e tirar a tradicional foto com o flight!). Na volta acabamos parando na Rock Bottom para jantar (e tomar mais uma cerveja).

A Rock Bottom foi o primeiro Brew Pub que conheci (em 2010), lá em Phoenix, no Arizona. Nem sabia que era tipo uma franquia, assim como não sabia à época o que era um growler, um brew pub, um sample flight, etc.

O mundo gira e a gente sempre acaba se deparando com coisas e lugares que já passaram por nossa vida, mesmo em  novos lugares.

Observações, dicas e considerações:

  • Back Bay e North End são os melhores lugares pra se hospedar em Boston. Porém, os dois lugares são meio que distantes um do outro (e olha que a gente anda pra caramba!), cerca de uns 35 minutos de caminhada entre eles.
  • A fila da Harpoon estava gigante (era um domingo). Se quiser ir, tenha paciência.
  • Dá pra ir de Boston até Harvard usando o metrô, mas a caminhada, apesar de longa (cerca de uma hora de Back Bay) é muito mais agradável!
  • Todos os sites que pesquisamos foram unanimes em afirmar para não ir em Janeiro e Fevereiro. “Tempo miserável” foi um dos termos mais leves que encontramos para descrever o clima nestes meses.
  • Gostei da cidade, especialmente pela mistura de modernidade, antiguidade e espaços verdes. Se não fosse o tempo miserável, seria até uma opção para morar!

Be happy 🙂

Public Garden

Commonwealth

Women’s Memorial – Commonwealth

Charles River

John Harvard’s Brewery Ale House

Public Library Foundation

The Esplanade

Galera aproveitando o sol – The Esplanade

Charles River

Iluminação a gás – Beacon Hill

Quincy Market

Boston Commons

Boston Public Gardens

Wanderlust #39 – San Francisco – Califórnia (3/51) – Estados Unidos

(30/Mar/2017-02/Abr/2017)

Devido aos imprevistos ocorridos na trip entre LA e San Francisco, pegamos um baita de um trânsito (horário de pico) e acabamos chegando na cidade já a noite. Nos dirigimos ao hotel, que ficava no bairro Tenderloin – um dos mais centralizados e movimentados. A primeira vista, a área onde o hotel ficava não era das melhores e confesso que me incomodou um pouco a quantidade de moradores de rua no local (não pelos moradores de rua, mas por conta de algum perigo). Mesmo quando a recepcionista nos avisou que eles eram todos harmless, ainda fiquei com aquela pulga atrás da orelha, mas mesmo assim fomos dar uma volta e procurarmos algo para comer. A região central estava deserta, o que me causou um estranhamento, pois mesmo sendo uma quinta à noite, normalmente algum movimento nas áreas centrais existe. Então a primeira impressão da cidade acabou não sendo muito boa. Depois de comermos nos dirigimos ao Zeigeist, um bar com temática punk, ótimas opções de cervejas e um aprazível biergarden.

No outro dia voltamos a downtown e a minha impressão começou a mudar: o centro estava muito movimentado, tanto de turistas quanto de locais, já que era um dia útil. De lá, fomos até a região conhecida como Embarcadero, que é a região onde se encontram, além dos terminais de passageiros (lembrando que a cidade fica numa baia, ou seja, para acessar outras cidades precisa usar pontes ou barcos), alguns shoppings, restaurantes, centros de exposições, etc. Toda esta região parece ser sido revitalizada há pouco tempo e parece ter como público alvo os próprios moradores da região

Caminhando sentido norte, chega-se ao Fisherman’s Wharf, que é um complexo com restaurantes, bares, museus, também à beira mar, porém mais voltado para os turistas. Andamos um pouco por ali e seguimos até a Ghirardelli Square, depois subimos a Russian Hill para cair na Lombard Street, que tem a fama de ser a rua mais sinuosa e inclinada do mundo (ela e sinuosa justamente pelo fato de ser inclinada: para que os carros não trafeguem por um declive muito íngreme). Duvido que a fama resistiria se visitassem algumas ruas das periferias de São Paulo ou Rio.

Voltamos para a Ghirardelli Square e pegamos o famoso Cable Car de San Francisco, passeio obrigatório para quem vai à cidade, no sentido downtown. De lá fomos ate a Mission Bay pois queriamos visitar o biergarten da Anchor (que recentemente foi vendida para a japonesa Sapporo). No caminho passamos pelo belo Yerba Buena Gardens. O biergarten da Anchor fica em frente ao estádio dos Giants e, como estava tendo jogo, ficamos pouco tempo (alem de não termos podido pedir o sample flight por este motivo). Já era final de tarde então resolvemos voltar para a região de Tenderloin / Union Square, mas no meio do caminho, na região conhecida como SoMA (South of Market) encontramos a Thirsty Bear brewery e ai toca experimentar mais cervejas. 

Jantamos em um Italiano (sendo mal atendidos novamente!) e voltamos ao hotel. No outro dia, fomos conhecer talvez a atração mais famosa da cidade: a famosa Golden Gate. Para que o dia rendesse, preferimos percorrer a ponte de carro, então passamos por ela e nos dirigimos ao mirante que fica logo do outro lado. A atração é superestimada, como são superestimadas a maioria das atrações nos EUA, mas mesmo assim, a propaganda (em filmes, quadrinhos, livros, etc.) é tanta que mesmo com a consciência de que não passa de uma ponte, você ainda acha legal….hahaha

Depois de algumas fotos, seguimos para Sausalito, uma pequena cidade que fica do outro lado da baia. É uma pequena e charmosa cidade litorânea. Valeria a pena almoçar em alguns dos restaurantes a beira mar, mas ainda era muito cedo e então voltamos rápido. Na volta, já tínhamos programado para visitar um outro mirante, que proporciona uma vista do outro lado e por cima da ponte. Neste mirante precisa de paciência, pois existem poucas vagas (demos sorte de alguém estar saindo quando já estávamos quase desistindo).

De lá fomos para o Golden Gate Park, que mereceria um dia somente para ele, e também passamos em Ocean Beach, que fica na frente do parque. Nunca ouvi falar que San Francisco tivesse turismo voltado para as praias, como Los Angeles ou San Diego. Se as demais praias da cidade forem como Ocean Beach, está entendido o motivo. Não que seja feia, ou suja. Simplesmente não é nada. Não é bonita (tampouco é feia), não tem onda (para servir aos surfistas), não tem restaurantes. É apenas sem graça.

Deixamos o carro no hotel e fomos explorar um pouco mais, iniciando pela Union Square (por onde já tínhamos passado no dia anterior, muito rapidamente) e passando por Chinatown (sem graça como todas as Chinatowns que eu já conheci). Caminhamos então para o Fisherman’s Wharf, para onde queríamos voltar para comprarmos alguns souvenirs, tomarmos um clam chowder e depois fazermos hora até o pôr-do-sol no Jack’s Cannery Bar, que havíamos visto anteriormente. No caminho cruzamos com o Washington Square Park, que estava tomado de pessoas aproveitando o belo dia de sol (e tomando cervejas e vinhos!). 

Pra encerrar a trip da Califórnia era hora da já tradicional (para a costa leste dos EUA) foto do pôr-do-sol.

Assim como ocorreu com o Rio de Janeiro, sai de San Francisco com aquela sensação de “por que não conheci esta cidade antes?”, especialmente porque tive muita oportunidade e nunca me interessei em ir.

Observações, dicas e considerações:

  • San Francisco para mim acabou sendo a mais “brasileira” das cidades americanas que conheci até agora. Uma mistura de São Paulo (culinária, cultura, vida noturna) com o Rio (descontração, praia, despojo).
  • A vantagem em relação às cidades brasileiras é que eles entenderam e aplicam o conceito de “multimodalidade” no transporte: tem trólebus, bonde, metro, trem, bicicletas, tudo muito bem integrado, num nível visto geralmente em cidades europeias.  
  • Para completar, os serviços de transporte individual privado (Lyft e Uber) são tão rápidos, baratos e eficientes que não duvido que, em pouco tempo, pouca gente na cidade terá veículos particulares. É impressionante a disponibilidade do Lyft: você clica na solicitação e o sistema ja direciona um carro que esta a poucos metros de você.
  • Por falar em veículos particulares, ao contrário do restante da California, onde a Kombi é normalmente o “carro descolado”, em San  Francisco o Fusca parece ser o queridinho.
  • Não existem cabines de pedágio na Golden Gate (apesar de ter aviso do valor de pedágio): eles simplesmente fotografam a placa e mandam a conta do pedágio para o endereço de registro do veículo, como se faz com multas no Brasil. Este sistema está sendo implementado em outros estados também (Massachussets, New York e Connecticut são alguns que eu sei que usam). No caso de carro alugado, a locadora irá cobrar, posteriormente, o valor do pedágio (e provavelmente alguma taxa adicional) do cartão usado para a locação.
  • Nao deixe de provar os chocolates da Ghirardelli. Para mim não perde em nada para, por exemplo, os da Lindt. E nas lojas geralmente eles dão amostras grátis. Por isto não hesite em entrar sempre que passar por uma (a dica vale para as outras lojas em toda a Califórnia).  
  • Segundo a Lei da Califórnia, é proibido o transporte de containeres de bebidas alcoólicas que estejam abertos ou com o lacre quebrado (na verdade, a “proibição de beber em público” se resume a leis assim praticamente em todo os EUA). Porém, alguns locais públicos podem permitir, temporária ou permanentemente, a posse de containeres abertos, o que implica, automaticamente, na “revogação” da proibição de consumo. Tem uma lista dos parques em San Francisco onde e permitido aqui.
  • Outra exceção e quando o container está sendo transportado para reciclagem. Fica a dica 😉.

Be happy 🙂

Bonde antigo em Embarcadero

Fisherman’s Wharf

Alcatraz

Fisherman’s Wharf

Fisherman’s Wharf

Lombard Street

Cable Car na Ghirardelli Square

Yerba Buena Gardens

Anchor Beer Garden – Mission Bay

Golden Gate

Sausalito

Golden Gate

Golden Gate