Wanderlust #59 – New Orleans, Louisiana (13/51)

(21/02/2019-26/02/2019)

Uma das festividades que eu mais gosto no Brasil é o carnaval (tem uns relatos dos carnavais de 2014 e 2015 aqui e aqui). Na época em que eu precisava fazer plantão, sempre me oferecia para trabalhar no Natal ou no Ano Novo para poder pegar a folga no Carnaval. A festividade é uma das coisas que me dão mais saudades do Brasil, especialmente porque nos últimos anos o Carnaval de rua de São Paulo virou uma festa muito legal. Então já que fazia 3 anos que a gente não curtia a festa, porque não curtir um carnaval diferente e aproveitar o Mardi Gras em New Orleans, a cidade dos EUA famosa por esta festividade.

Dia 1

Como não conseguiria pegar os dias do Carnaval de folga, planejamos a viagem para a semana anterior. Ao pesquisarmos, descobrimos que os eventos do Mardi Gras começam já no dia de Reis (6 de Janeiro) e que no fim de semana do “pré” existem mais desfiles (Parades) do que no final de semana do feriado (que não é feriado nos EUA) em si. Além de tudo, passagens e hospedagens são mais baratas.

Chegamos no começo da noite e após nos instalarmos no apartamento da Sonder, já fomos bater perna na área mais movimentada da cidade: a Bourbon Street. Já no caminho dá pra perceber o clima diferente e, além do calor (mesmo sendo inverno), as pessoas pareciam mais entusiasmadas, mesmo numa quinta-feira à noite.

A Bourbon St é uma rua que fica no French Quarter, a área mais turística e boêmia da cidade. Durante a noite e aos finais de semana, o acesso de carros é fechado e vira um grande calçadão. Além de bares, restaurantes e várias lojas de bugigangas (souvernis, fantasias, adereços, beads, etc.), também existem vários hotéis antigos na rua, com varandas (alguns bares também têm varanda), que é de onde o pessoal joga os beads, aqueles colares típicos da festividade. Os próprios hotéis e bares compram quilos e quilos dos colares e deixam pendurados para que os clientes possam jogar. Segundo a tradição, para ganhar um colar você tem que pagar uma prenda. Uma das prendas “preferidas” é que as mulheres exibam os seios.

Uma coisa legal nos bares da Bourbon é que nenhum deles cobra entrada. Eles apenas conferem a identidade (na maioria das vezes), para permitir apenas maiores de 21 anos, que é a idade legal para poder beber nos EUA (a legislação é estadual, mas todos os estados seguem esta idade mínima). Como New Orleans é uma das duas cidades norte-americanas onde se pode beber em público (a outra é Las Vegas) eles também não ligam muito se você entrar ou sair bebendo dos bares (só não pode sair com copos e garrafas de vidro, mas os bares disponibilizam copos de plástico). A maioria dos bares têm ótimas bandas com tudo quanto é tipo de som: jazz, blues, soul, rock, country. Por tudo isto é bem comum ver as pessoas saindo de um bar e entrando em outro, pra ver como está o som, ou então aproveitando o intervalo de uma banda pra ir curtir outra em outro local.

Primeiro a gente deu uma volta, indo até o final da rua e voltando. Paramos então na Huge Ass Beers, que vende cervejas em tamanhos realmente grandes (copos de até dois litros!), pegamos uma cerveja e curtimos um pouco o som. Saímos para dar mais uma volta e depois paramos no Fat Catz Music Club que na nossa opnião tem as melhores bandas (soul, funk, rhythm and blues e pop em geral). Depois de curtirmos um pouco o som e tomarmos umas cervejas, passamos numa loja de conveniência, compramos um pack de cervejas e voltamos para o apartamento.

Dia 2

Na sexta de manhã, mesmo com o tempo nublado e ameaçando chover, fomos dar uma volta. Passamos primeiro pela Canal St, a avenida mais movimentada da cidade, com hotéis, mais lojas de bugigangas, restaurantes, cassino, shopping e até uma arena de shows. De lá fomos até o rio Mississipi, o segundo maior rio dos EUA, que corta praticamente o país todo de norte a sul, desaguando no Golfo do México. Existe um boardwalk com algumas atrações e vários parques. Passamos pela parte do French Quarter que fica à beira do Mississipi, pela Jackson Square (que basicamente se resume a um shopping montado em uma antiga fábrica de cervejas) e caminhamos até o French Market, um mercadão local, que diferentemente da maioria dos outros mercados centrais dos EUA, é bem aberto.

Depois fomos dar umas voltas na Bourbon Street durante o dia e logo após paramos para experimentar as cervejas da Crescent City Brewhouse. Na sequência fomos até a Royal Street para acompanharmos a parade (desfile) da Krewe of Cork. As krewes podem ser considerados uma mistura de bloco carnavalesco com escola de samba. Cada krewe tem um tema e a de Cork é vinho (cork é rolha em inglês). O tema domina as fantasias, que são desenhadas e elaboradas por “foliões” individualmente ou em pequenos grupos, ou seja, não existe um padrão. Eles também confeccionam beads alusivos ao tema central que jogam para a galera (sem nem precisar mostrar os peitinhos…hahaha). Além dos beads, existem outros throws que são jogados pelos componentes: bonecos, óculos, máscaras, basicamente qualquer “recordação” que eles tenham em mente e que seja parte do tema.

O único ponto ruim foi que não haviam banheiros no trajeto desta krewe, então para não passarmos perrengue, preferimos não comprar cerveja.

Como as ruas do French Quarter são estreitas, os “blocos” (vou começar a chamar assim à partir de agora) que desfilam por lá são menores e eles não desfilam com os floats, que são os carros alegóricos. Os blocos maiores desfilam, em sua maioria, na St Charles Ave, e foi pra lá que fomos, já no final da tarde, para acompanharmos os blocos que passariam por ali no dia.  

Na St Charles Ave, além da presença dos floats, que em tamanho se assemelham aos trios elétricos do Brasil, desfilam blocos bem maiores, alguns com mais de 3 mil foliões. A variedade de throws também é enorme. Porém, como o local na St Charles em que paramos fica no final do percurso, muitos floats já estavam sem os throws. E como é a parte mais perto do centro, fica bem lotado. Depois de acompanharmos um pouco, fomos jantar e voltamos ao ap.

Dia 3

Sábado de manhã fomos tomar o café da manha no French Market e experimentamos a Mufalleta original. Passeamos depois pelas ruas perpendiculares à Bourbon e passamos em frente ao Lafitte’s Black Smith Shop, considerado o bar mais antigo ainda em funcionamento nos EUA, com quase 300 anos. Estava meio cedo, mas como estava lotado acabamos não parando. Fica para a próxima. Fomos então ao Louis Armstrong Park, que é até charmosinho, mas sem muitas atrações.

Voltamos então para a St Charles para acompanharmos os blocos do dia. Desta vez escolhemos um lugar mais afastado do centro, e acabamos topando com uma ruazinha que contava com um bar que, além de servir de “base” (para usarmos o banheiro), tinha umas IPAs ótimas. Depois de quase duas horas debaixo de um sol inesperado (virei camarão até) finalmente os blocos começaram e pudemos nos divertir (e coletar mais beads and throws).

Já no final da tarde, mas com o dia ainda claro, voltamos à Bourbon e ficamos no Band Stand curtindo um som e tomando umas Abitas (quem puder, experimente a Purple Haze deles).

Dia 4

No domingo fomos procurar outro ponto para acompanhar as paradas do dia e acabamos topando com a Lee Circle, que é definitivamente o melhor lugar para acompanhá-las. Além de ser uma praça grande e aberta (muitas familias levam até churrasqueiras, cadeiras de praia, coolers, etc.), ali existem banheiros e tem um posto de gasolina com uma loja de conveniência vendendo cerveja a preços módicos. Também é o melhor lugar para pegar os giveaways. Ficamos ali praticamente o dia todo e depois fomos jantar no French Quarter e darmos mais uma volta na Bourbon.

Dia 5

Na segunda não tinham mais blocos, então fomos conhecer a cidade. Resolvemos pegar a Magazine Street, uma rua com bastante bares, boutiques e comércio diverso que leva até o bairro de East Riverside, o mais “luxuoso” da cidade. No meio do caminho paramos para tomar um café na La Boulangerie, uma padaria que quase lembra as brasileiras. A parte residencial do bairro também é bem interessante, com casas antigas numa arquitetura mista de Europa e Sul dos EUA. Imagino que fossem construções bem suntuosas para a época.

Depois de umas voltas pelo bairro pegamos a St Charles sentido centro. Quase no Lee Circle, paramos na The Courtyard Brewery, que além de ter cervejas muito boas (produzidas lá e por outras cervejarias locais) é bem charmosa. Uma pena que o tempo estava ruim e não pudemos aproveitar para tomarmos umas no jardim. Seguimos então no final da tarde para a região do French Quarter onde jantamos no restaurante Tableau. De lá fomos curtir um pouco no Fat Katz novamente.

Dia 6

Na terça, nosso último dia na cidade, fomos andar do lado oposto de East Riverside, em By Water. O bairro é mais residencial e mais “pobre” que East Riverside, porém pareceu mais interessante. Apesar da quantidade menor de comércios, ainda conta com alguns cafés e bares pequenos que, imagino eu, seja frequentado pela galera local mais “cool”. Em By Water também fica o St. Roch Market New Orleans, que é uma praça gastronômica (existe este termo?).

Na volta andamos pela Frenchmen St, passando pela Washington Square, que parece ser também uma região boêmia, e paramos na pequena Brieux Carré Brewing Co. que tem cervejas bem interessantes de estilos não muito populares e um patio no fundo onde é possivel apreciar as bebidas.

E claro, para fechar com chave de ouro, voltamos à Bourbon para fazer um tour por vários dos bares onde estava rolando música ao vivo.

Observações, dicas e considerações:

  • Mufalleta (ou muffuletta) é um sanduiche típico da região, de origem italiana. Ele é feito num pão redondo bem parecido com o pão italiano (o pão em sí chama muffuleta e tem origem na Sicília) recheado com salame, presunto, mortadela e queijo provolone. Vai também um molho feito com azeitonas (uns 90% do total do molho), salsão, couve-flor e cenoura picados em pedaçoes bem pequenos e curtidos no azeite, alho e orégano. Apesar de bem salgado é uma delícia.
  • Um outro quitute típico da região é o Beignet (pronuncia-se “benhê”) feito com uma massa frita (a massa lembra a das carolinas brasileiras) e coberta com açucar de confeiteiro. Normalmente come-se acompanhado com café logo após o preparo. É tipo um bolinho de chuva deles. A origem deste é francesa.
  • O percurso das paradas é gigante, coisa de 5, 7 quilômetros. Entao dependendo do lugar em que se pretende assistir ela pode passar umas 2 horas depois de ter iniciado (por isto esperamos tanto no segundo dia).
  • A parada em sí é igual qualquer outra parada nos EUA: tem as bandas marciais de escolas, tem carros de comércio ou entidades locais, tem as “alas” de academias, de escoteiros, de associações diversas. A única diferença basicamente são os floats e a temática. Mas pra quem já viu qualquer parada (St. Patricks, Natal, Veteran’s Day, etc.) é basicamente a mesma coisa. Mas o fato de poder beber parece que faz uma diferença na empolgação da galera.
  • A tradução de bead é conta, entao beads, no plural, é apenas um colar de contas.
  • Uma outra atração da cidade é o café com xicória, que pode ser encontrado facilmente no Café Du Monde. A xicória, que também é amarga, era adicionada ao café para baratear o custo, numa tradição que começou na Europa e chegou à New Orleans com os imigrantes que ali se instalaram quando a região ainda era uma colônia francesa (o estado se chama Louisiana em homenagem ao rei Luis XV).
  • O Kilwins, na Decatur St, é uma ótima pedida para quem, como eu, adora sorvete.

Be happy 🙂

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