A Náusea – Jean-Paul Sartre (17/2015)

A NauseaA Náusea conta a estória de Antoine Roquentin, um jovem intelectual francês que, após ter passado vários anos viajando e “se aventurando” por diversos países, se estabelece na cidade costeira de Bouville para escrever a história de um tal Marquês de Rollerbon, porém ao se debruçar sobre a história do tal Marquês e sobre o próprio cotidiano da sociedade em que se encontra, começa a questionar o sentido da vida e, na verdade, a questionar a necessidade de um sentido.

Ele começa a sentir uma forte aversão pelos seres daquela cidade, tanto do passado quanto do presente, e sua incessante busca em seguir roteiros (se educar, casar, ter filhos, criá-los, etc) e convenções, especialmente com o objetivo de fazer algo de bem, de deixar algum legado para o mundo.

Esta aversão chega ao ponto de repulsa e se traduz em uma sensação de mal estar, a náusea. Roquentin, como uma pessoa que simplesmente se deixou levar pensando apenas na situação do momento, sem se preocupar muito com o futuro, a todo momento se questiona se deveria ter ou não procurado uma razão para a sua existência. Até o momento em que ele perde os poucos motivos que tinha para justificar a sua existência: o livro, que ele acabou por desistir de escrever, e a sua “amada” Anny, que no final ele percebe que não era exatamente um amor.

O contraponto à ele é feito pela figura do personagem Autodidata, um jovem que se tornou humanista (e socialista) depois de passar horas se instruindo nos livros da biblioteca e que acha que os seres humanos devem se amar uns aos outros e que os homens têm por objetivo a vida vivida em coletividade, o que se opõe ao individualismo de Roquentin.

É um livro um pouco denso, no sentido de que exige uma atenção maior, afim de que o cerne da mensagem do autor possa ser entendida. Mesmo assim, somente por este livro não dá para sacar se o autor estava criticando a necessidade das pessoas de se sentirem parte de algo, de fazerem algo grandioso, ou se ele está criticando exatamente a posição individualista e por vezes egoista do personagem. Eu fico com a primeira, até por concordar com a posição do personagem: existimos por existir, ninguém está aqui por conta de um plano divino ou coisa que o valha. Somos apenas um “acidente de percurso” e nos resta viver e aproveitar esta existência da melhor forma possível, sem querer nos colocarmos em uma posição de “escolhidos” para uma missão. Até porque isto é de uma arrogância sem tamanho.

Be happy! 🙂

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