Wanderlust #11 – Berlin – Teil 5: Observações, Curiosidades e Dicas.

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O eficientíssimo sistema de trens de Berlin

Ufa, estamos chegando ao final. Este é o quinto artigo sobre Berlin (ainda terá um sexto), mas é que existe tanta coisa para falar da cidade, que se eu colocasse tudo em um texto só, iria ficar muito grande. Neste daqui, à exemplo do que eu fiz nos texto sobre os EUA e Amsterdam, vou colocar um pouco as minhas observações sobre a cidade e o povo e também algumas dicas.

Observações e curiosidades:

  • Conforme já havia falado no artigo sobre Phoenix, nos EUA, os Europeus, assim como os norte americanos, são muito diretos quando querem falar alguma coisa. Não ficam com rodeios, não tentam dourar a pílula, não usam muitas “figuras de linguagem”: falam o que precisa ser dito da forma mais clara e objetiva possível. Isto incomoda um pouco os latinos, pois nós somos muito “mimimi”.
  • O alemão então tem esta objetividade elevada ao extremo. Ele simplesmente não quer perder tempo e gastar energia fazendo rodeios.
  • Por falar em gastar tempo e energia, é impressionante como eles aplicam princípios de eficiência em tudo o que fazem. Alguns exemplos:
    • As portas do metrô e trem são dotadas de botões, portanto elas só abrem se alguém realmente for utilizar. Pensando em apenas uma porta, pode até ser um absurdo, mas imagine centenas de portas de trem e metrô se abrindo milhares de vezes ao dia, o que isto gera de desgaste nas peças, gasto de energia, etc.
    • Da mesma forma, as composições de trêm e metro só são formadas pela quantidade máxima de vagões durante os horários de pico. Fora deles, eles simplesmente “desengatam” dois ou três vagões. Isto deve gerar uma baita economia de energia e de peças. Durante as madrugadas de final de semana, quando o transporte público funciona 24 horas, além do intervalo aumentado (em média 15 minutos entre um trem e outro), eles circulam com apenas 2 vagões, o suficiente para atender aquela demanda.
    • Quando fui para Wolfsburg também fiquei impressionado com o trem que se “divide” no meio do percurso. Deixa eu tentar explicar: existem dois trens que fazem boa parte do mesmo caminho, porém em determinado ponto um segue uma linha e o outro outra. Ao invés de cada um circular sozinho, eles “engatam” os dois trens, economizando assim energia, reduzindo o atrito, etc. Quando chega no ponto certo, eles simplesmente se separam (em movimento) e cada um segue o seu caminho.
  • A mulheres alemãs, no dia a dia, também não perdem muito tempo com maquiagem e preferem usar roupas confortáveis, pelo mesmo motivo: praticidade e conforto. Difícil ver uma com roupa muito justa, ou salto alto, por exemplo. Talvez este também seja o motivo para várias adotarem um cabelo bem curto (estilo joãozinho mesmo).
  • Uma das coisas que eu mais acho legal na Alemanha são as mesas coletivas em bares e restaurantes. Isto faz com que você tenha mais oportunidades de conhecer novas pessoas. Aliás, eles gostam muito de atividades coletivas. Neste ponto eles estão muito, mas muito na frente de nós, brasileiros, como sociedade.
  • Indo para um bar para assistir um jogo, passei por uma comunidade hippie em plena Berlin. É simplesmente um terreno que ocuparam e começaram a construir barracos, dividem a comida, roupas, as pessoas vêm e vão, existem festas e é tudo aberto. Para quem estiver na cidade e tiver oportunidade, fica próximo à Cuvry Straße.
  • Uma coisa que eu notei desde a primeira vez que fui à Europa, em 2011, foi o quanto os europeus gostam de aproveitar atividades ao ar livre durante o verão (só fui à Europa três vezes e as três no verão, então não saberia dizer se no inverno acontece o mesmo). Eles evitam até mesmo almoçar, durante o expediente, em restaurantes fechados, preferindo mesas na calçada e muitas vezes pegando a comida para viagem e se sentando num banco, ou mesmo na grama de um parque ou praça para comer.
  • Desde que comecei a andar de Bicicleta, além do Brasil, visitei mais três países: EUA, Holanda e Alemanha. A Alemanha é o único lugar em que o ciclista respeita as leis de trânsito e os pedestres. Nos outros países eles são tão maleducados (até mais, no caso da Holanda), quanto os brasileiros.
  • Durante uma das aulas caímos no assunto do Zivildienst. Lá na Alemanha (e também na Suiça), o serviço militar (Militärdienst) é obrigatório, assim como no Brasil, para todos os homens, e dura oito meses. Porém, quando alguém é dispensado ou não quer fazer o serviço obrigatório, ele tem que prestar 1 ano de Serviço Civil Obrigatório (Zivildienst). O serviço é remunerado (com uma ajuda de custo) e as pessoas são alocadas para realizarem trabalho em órgãos públicos, escolas, creches, asilos, orfanatos, hospitais, etc. Acho que isto cria uma consciência coletiva maior nos jovens. Além de muitas vezes cobrir defasagens de mão de obra nestes locais.
  • A razão pela qual um diretor de empresa ganha 5, 6 vezes mais do que a recepcionista desta mesma empresa (contra dezenas de vezes no Brasil) é uma só: ambos são bem qualificados e a recepcionista tem um background acadêmico que permitiria a ela realizar praticamente as mesmas tarefas do Diretor. Na Alemanha todo mundo é altamente qualificado e as diferenças salariais se dão apenas por conta de experiência e responsabilidades. Vou ver se escrevo um artigo depois sobre o tema (Educação como redutor de diferenças sociais). Infelizmente, com o envelhecimento da população alemã e a necessidade de trazer imigrantes, a situação está mudando um pouco. Tomara que dêem um jeito de arrumar.
  • Aliás, existe muita necessidade de mão de obra, mesmo especializada. Pessoal da área de saúde e de Tecnologia da Informação que pensa em morar fora por um tempo, ou mesmo se mudar definitivamente de país, deve ficar atento à Alemanha pois eles estão facilitando o Blue Card (o visto de trabalho Europeu).
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    Os Berlinenses aproveitando o verão

    Os cidadãos de outros países da União Européia, mesmo com a oportunidade de trabalhar na Alemanha sem necessidade de algum visto especial, tendem a procurar outros lugares, por causa da barreira do idioma (mesmo nos caso das economias em crise, como em Portugal, Espanha, Itália, etc). O pessoal de países como a Polônia, Croácia e República Checa, por ter uma estrutura de idiomas um pouco mais próxima do Alemão é que tem procurado aprender o idioma e migrar para a Alemanha.

  • Apesar de uma grande parte da população alemã ser superqualificada, o sistema educacional alemão sofre bastante críticas. Na Alemanha você tem 3 caminhos a seguir: um técnico (mecanicos, eletricistas, técnicos em geral), um de nível superior (advogados, médicos, engenheiros, etc) e um acadêmico (voltado para pesquisa). O problema é que este caminho é decidido entre a 5ª e 6ª séries (10 e 11 anos) e à partir da 9ª e 10ª (14 e 15 anos) não é mais possível mudar. Se por um lado isto permite que o país faça planejamento de longo prazo, sabendo por exemplo, quantos acadêmicos ele terá em 10 ou 15 anos, por outro, acaba criando carreiras “hereditárias”: os pais mais pobres, que muito provavelmente cursaram o caminho técnico, acabam escolhendo a mesma carreira para seus filhos, pois assim estes filhos estarão no mercado de trabalho mais cedo. Como cada unidade da federação (estados e cidade-estados) são livres para decidir o modelo educacional (a única obrigação nacional é que a criança deve entrar na escola com, no máximo, 6 anos), eles têm uma bucha na mão para resolver.
  • A primeira vez que fui à Berlin, em 2012, para quatro semanas de imersão no idioma, eu fiquei surpreendido com a cidade em todos os sentidos (pessoas, arquitetura, história, lazer, vida noturna, etc). Voltei agora em 2014 para mais três semanas e achei que não iria me surpreender mais. Ledo engano: a cidade me surpreendeu mais ainda do que a primeira vez. E tenho a impressão de que se eu voltar daqui 2 anos, ficarei mais surpreendido ainda.

Dicas:

  • O sistema de transporte público de Berlin foi o melhor que eu vi dos países que visitei. Mesmo sendo antigo e às vezes mal conservado, você consegue chegar a praticamente qualquer ponto da cidade usando trem, ônibus e/ou bonde.
  • Mesmo de e para o aeroport Tegel, que não tem conexão com estações de metrô, é fácil pegar um bus (com espaço para malas) até a Alexanderplatz ou a Hauptbahnhof e de lá seguir de trêm ou metro para qualquer ponto da cidade.
  • Existem opções de tickets diários, para 3 dias, para uma semana e para um mês, com preços por passagens decrescentes.
  • O metrô de Berlin fica aberto 24 horas às sextas, sábados e vésperas de feriados. Engraçado que a maioria das linhas deles têm mais de 100 anos, os trens, em sua maioria são antigos, e eles não precisam de 5 horas diárias de interrupção como o Metro de São Paulo, que é bem mais novo e mais moderno.
  • A DB (Deutsche Bahn), administradora das ferrovias Alemãs tem um ticket especial, para ser usado nos finais de semana, chamado Schönes-Wochenende-Ticket (algo como “ticket de final de semana legal!”). Por um custo de 44 euros, até 5 pessoas podem tomar qualquer trem (exceto os expressos), das 0:00 horas do dia da data do ticket até as 3:00 da manha do dia seguinte. O ticket tem que ser comprado para o Sábado ou para o Domingo. Eu fiz um bate e volta até Dresden num sábado por este valor, que é metade do que custaria um ticket normal de ida e volta, mesmo eu estando sozinho. Crianças de até 15 anos, acompanhados por alguém portador de um ticket destes, também não pagam. Ou seja, dá para uma família inteira (das grandes) ir passar um final de semana em outro ponto do país com 88 euros (um ticket para o sábado e outro para o domingo).
  • Berlin é uma das capitais mais pobres da Europa, apesar de estar num dos países mais ricos. Tudo isto é devido ao período em que a Alemanha ficou dividida e Berlin ficava na parte oriental. Por isto, o custo de vida em Berlin é muito baixo, comparado as outras capitais, como Amsterdam, Londres, Dublin (falando das que eu conheço). Como termos de comparação, usando o “Beer index”: um pint de Heineken em Amsterdam, em um bar, custa 6 euros, enquanto um pint de Berliner Kindl em um bar ou biergarten em Berlin dificilmente passa de 3 euros. O mesmo vale para comida (12 contra 6 euros em um “PF”) e para hotéis (paguei 80 euros na diária em Amsterdam e em Berlin 24).
  • Por conta deste baixo custo, muitos jovens artistas ou emprendedores têm se mudado para Berlin para tocar seus projetos. A cidade é uma efervescência só de artistas e também de start ups.

Bem, acho que destrinchei bastante Berlin nos meus demais textos e os tópicos acima foi o que eu lembrei de não ter comentado antes. Mas se tiver alguma outra pergunta e eu puder responder (afinal, 7 semanas em Berlin não é pouca coisa), é só deixar um comentário que eu vejo se posso ajudar.

2 ideias sobre “Wanderlust #11 – Berlin – Teil 5: Observações, Curiosidades e Dicas.

  1. Pingback: Wanderlust #18 – Cuba: história, economia e política (e minha opnião sobre tudo isto) | Botecoterapia

  2. Pingback: Wanderlust #33 – Berlin (e Potsdam), Alemanha | Botecoterapia

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