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Wanderlust #37 – Los Angeles, Califórnia (3/51), Estados Unidos

Huntington Beach: 21 anos de diferença (1996 e 2017). Até as bandas que eu gosto mudaram!

“Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” – Heráclito de Éfeso

Desde 2008, quando passei uma temporada na cidade (algumas info adicionais aqui), Los Angeles se tornou a minha cidade pra se morar. Tipo assim: se me dessem a oportunidade de escolher qualquer cidade do mundo para morar para o resto da vida, sem possibilidade de trocas, até a pouco tempo não teria hesitado em apontar LA. Mesmo amando São Paulo, tendo uma paixão recente pelo Rio e de ter conhecido, desde então, Berlin (que pra mim ainda é a melhor cidade do mundo no quesito geral).

Los Angeles é cosmopolita (como São Paulo e New York), tem muitas belezas naturais e ótimas praias (como o Rio de Janeiro) e é tolerante e cultural (como Berlin, com a vantagem de ter um clima melhor).

E é o lado cosmopolita da cidade que talvez esteja me afastando dela (neste sentido de talvez não achá-la mais o “melhor lugar para se morar”). Los Angeles é ampla, muito ampla. Entre o extremo sul do condado (la por Huntington) e o extremo norte (Calabasas) sao mais de 200 quilômetros. De leste a oeste a distância também é grande e, por exemplo, do alto do Griffith Observatory já não se consegue enxergar o mar.

Como toda a vida econômica, cultural e educacional se concentra numa pequena parte desta área imensa, alguns problemas são críticos na cidade: o custo de vida nesta pequena área é altíssimo, isto acaba empurrando as pessoas para áreas mais distantes e como o sistema de transporte público ainda é limitado (apesar da visível melhora dos últimos 10 anos), o trânsito é caótico durante quase todo o dia, todos os dias, incluindo os finais de semana.

Então quando cheguei desta vez em LA, depois de ter passado por Huntington Beach (uma das praias mais movimentadas, mesmo estando longe da região “central” do condado) e por Long Beach (uma das maiores cidades do condado, que mereceria mais a minha atenção), a primeira sensação foi de que hoje eu já não encararia gastar duas ou três horas do meu dia dentro de um carro para ir e voltar do trabalho. Como também não teria condicoes de bancar o custo de viver em Venice ou Santa Monica. E como fora desta área as opções para trabalho já são mais limitadas, dificilmente seria um lugar em que eu “investiria” uma mudança.

Mas voltando ao passeio, depois da viagem desde San Diego e a road trip pelas praias que ficam no caminho entre as duas cidades, era hora de visitar, novamente, o lugar em que eu batia cartão em 2008, o Britannia Pub. A viagem foi planejada para que passássemos um domingo em LA para podermos ir ao pub ver uma apresentação da “Number 9”, uma tribute band de Beatles que eu ia assistir quase todos os domingos. O bar já não é mais o mesmo (o público na época era mais descontraído e desta vez o pub crawl Santa Monica passou por lá, gerando algum incômodo) e a banda em sí já não tem a mesma pegada. Mas ainda assim tem as figurinhas de sempre: o bartender Richard dando sua canja, L.J., e mais alguns que sempre batem cartão. Valeu pela memória afetiva.

Na segunda foi dia de levar a Lu para turistar: Hollywood Bowl (dizem que é o melhor lugar para ver o supervalorizado letreiro de Hollywood) e o Griffith Park (e o observatório) de onde também se tem uma vista do letreiro, que repito, é supervalorizado (a Lú teve a mesma reação de “é só isto?” que eu tive em 1996).

Depois fomos fazer as praias ao sul de  Los Angeles que ficaram faltando no domingo:

  • Redondo Beach: tem um pier bem grande e até conta com mais atrações que o de Santa Mônica (mais restaurantes e sem o parque, que também não é lá estas coisas).
  • Hermosa Beach: praia bem simpática e com ótima infraestrutura. Daria até pra pensar em ficar alguns dias numa próxima vez. Detalhe: o tabaco é banido na cidade e é proibido fumar em qualquer área pública. Mesmo em áreas privadas (casas), a fumaça ou o cheiro não podem incomodar vizinhos e transeuntes.
  • Mission Beach: também tem uma boa infraestrutura e parece ser um lugar não só pra veraneio, mas onde as pessoas moram. Estava bem cheia para uma segunda feira.

A próxima parada/praia seria Venice e claro que no caminho passamos por Marina Del Rey para rever o lugar onde morei. Venice é um lugar para perder algumas horas andando e observando a “fauna” local (turistas, artistas de rua, locais, skatistas, etc), bem como seu habitat (bares, lojas, feiras, etc). Infelizmente estava ventando demais e tivemos que abortar a missão. Fomos deixar o carro no hotel e depois andamos até Santa Mônica. Já haviamos passado no 3rd Street Promenade (um shopping a céu aberto, com bastante movimentação, artistas de rua, etc) no domingo, antes do Britannia, por isto fomos diretos para o Pier para podermos assistir o pôr-do-sol. Depois paramos num Biergarten (Big Dean’s Oceanfront Cafe) que tem por ali para tomarmos umas cervejas e comermos algo.

Na terça feira, resolvemos não sair de carro e pegamos um ônibus até Venice para “refazer” o passeio que havia sido interrompido pela ventania. Um ponto importante aqui: hoje já dá pra se virar bem com transporte público em Los Angeles e o que ficar mais inacessível (Hollywood Bowl e o observatório, por exemplo) pode ser feito de Uber ou Lyft. Como disse, o calçadão de Vênice é pra se perder algumas horas (e é um dos melhores lugares para souvenirs também) e fomos andando até Santa Mônica, passando por Ocean Park, a praia / parque que separa as duas mais famosas praias de LA. Uma caminhada de quase 5 kilometros.

De Santa Monica pegamos o metro para ir até Hollywood Boulevard, onde ficam a famosa “Calçada da Fama” e o Chinese Theater (aquele onde os artistas deixam suas pegadas). Não é aquele passeio fenomenal, mas eu acho que é algo obrigatório pra se fazer em LA. De lá, metrô novamente e fomos para downtown. Como havia falado no artigo de 2014, downtown vem passando por um processo de revitalização e, apesar de não ser uma das melhores atrações que a cidade tem a oferecer, tem lá seu charme. O Grand Central Market é um dos lugares que, agora revitalizado, se tornou “cult”.

Estávamos decidindo o que fazer a seguir e procurando opções quando, sem querer, descobri que havia um bar da Mikkeller em Downtown LA, pertinho de onde estávamos e perto da estação onde deveriamos pegar o metrô de volta para o hotel. Nem hesitamos muito para encerrarmos nossa passagem por uma cidade pela qual eu sempre terei um carinho fazendo algo que eu aprendi a fazer justamente nesta cidade: apreciar cervejas diferentes.

Tudo muda, as cidades mudam, as situações mudam, mas principalmente as pessoas mudam. Desde 2008 a cidade mudou bastante, mas eu mudei ainda mais: conheci outros lugares, tenho outros valores, estou vivendo uma outra situação. Hoje Los Angeles talvez perderia pra San Diego (ou mesmo San Francisco) o posto de “lugar para se morar para o resto da vida”. Mas a Califórnia ainda continua imbativel. E ganhou mais pontos ainda com a extensão desta viagem, que fica para os proximos Wanderlusts.

Observações, dicas e considerações:

  • Nos EUA é comum o garçom ou barman vir de tempos em tempos perguntar se esta tudo bem, se quer mais alguma coisa, etc. Quando voce senta em mesa, é praticamente certo que após algum tempo o garçom ja trará sua conta. O que nunca havia reparado é que os sistemas dos bares é feito para isto: quando voce pede algo, ele deixa seu status como verde, depois de um certo tempo o status passa para amarelo e é nesta hora que o garçom vem verificar se voce precisa de algo mais. Se voce pedir algo, ao entrar o pedido, o status volta novamente para o verde e o ciclo se reinicia. Porém, se não entrar pedido na mesa ou conta, depois do amarelo, o sistema muda pra vermelho, ou seja, o cliente está ali dando prejuízo, pois esta ocupando espaço sem consumir nada. É nesta hora que o garçom vem te expulsar…..hahaha
  • É chato para o cliente, mas do ponto de vista do “negócio” o sistema é interessante. Mas ele é meio burro num sentido e situação: quando o bar está vazio, é melhor voce ter uma “possibilidade” de consumo (alguém que esta lá e pode, a qualquer momento, fazer um pedido), do que simplesmente eliminar esta possibilidade mandando o cliente embora. Mas como os americanos já são acostumados, são poucos os lugares que não seguem este sistema à risca (preferindo ficar vazios) e são pouquíssimas pessoas que reclamam (geralmente os gringos).
  • Ande sempre com moedas para o parking. Apesar da maioria dos parquímetros aceitarem cartão, fica mais fácil estender o tempo programado com moedas.
  • Como citei, o transporte público de Los Angeles (e da Califórnia em geral) melhorou muito nos últimos 10 anos. Com o advento dos aplicativos de serviços de transporte individual privado, um carro já não é mais obrigatório para visitar a cidade, como era há uns 10 anos.

Be happy 🙂

Huntington Beach

Richard e sua tradicional canja com a Number 9 no Britannia Pub – Santa Monica

Griffith Park

Redondo Beach

Mission Beach

Genios no grafite de Venice Beach

Santa Monica vista do pier

Venice Beach

Ocean Park

O pier de Santa Monica

Grand Central Market, Downtown LA

Mikkeller Downtown LA: 40 torneiras (+ 2 casks + 5 torneiras de vinho) de Mikkeller e do melhor das cervejarias californianas.

Wanderlust #36 – San Diego, Califórnia (3/51), Estados Unidos

San Diego Bay

Como havia dito no post da minha visita a San Diego de 2014, este foi o primeiro lugar que eu conheci fora do Brasil, lá nos meus 19 anos. A cidade tem mudado muito, mas eu também tenho mudado, então algumas coisas acabaram por me surpreender novamente.

O sistema de transporte público da cidade esta muito mais abrangente. Hoje um carro já não é essencial para visitar a cidade e dá pra se virar bem com a rede de transportes atual e Uber / Lyft. A mudança de mentalidade em relação à mobilidade urbana é gritante na California em geral: em pouquissimo tempo (de 2008 pra cá) as cidades se organizaram e as pessoas mudaram seus habitos.

Como uma coisa puxa a outra, a cidade está mais bem preparada para quem se locomove a pé, com revitalização de bairros antes “perigosos” (ocupar o espaço público é uma das melhores formas pra combater a criminalidade), bares e restaurantes abertos e/ou com mesas na calçada, praças e até uma feira livre. Little Italy (um dos melhores lugares pra se hospedar), Downtown e o Gas Lamp district são os melhores exemplos desta mudança.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o movimento cervejeiro local. Em basicamente todo bairro tem um brew pub, inclusive alguns já ícones da recente escola cervejeira americana, como a Ballast Point e a Coronado.

Como era a primeira vez da Lu na California, basicamente fiz o mesmo roteiro de praias que fiz em 2014, e só troquei o USS Midway pelo Gas Lamp District.

Tambem fomos passear por uma manhã no Balboa Park, o principal parque da cidade, que também conta com uma série de museus.

Na subida pra Los Angeles, fomos passando e parando em algumas outras praias, algumas que eu já queria parar (pra conhecer ou rever) e algumas escolhidas aleatoriamente. Pra facilitar, vou colocar em tópicos:

  • Torrey Pines: o tempo estava meio fechado e como aparentemente não tinha muitas atrações, resolvemos nem parar. Mas se tivéssemos mais dias na cidade, talvez valeria à pena conhecer.
  • Del Mar e Solana Beach: o tempo ainda estava fechado e uma das faixas estava fechada por conta de uma corrida, então não conseguimos parar também.
  • Encinitas: esta escolhemos aleatoriamente. Interessante: as casas ficam em cima de uma encosta e tem um baita escadão pra acessar a praia. O tempo ainda estava meio fechado, mas deu pra ver que é uma das mais requisitadas da região, principalmente por surfistas.
  • Carlsbad: esta eu já tinha passado em 2014 (e muito provavelmente em 1996), mas nunca parei. Cidadezinha de veraneio, com alguns hotéis, pousadas, restaurantes. Muito simpática. Se tiver oportunidade no futuro, gostaria de passar mais tempo e pernoitar na cidade.
  • Ocean Side: havia parado em 2014 e achei interessante voltar. A praia e o pier são bem movimentados. É uma cidade de veraneio, maior e mais urbanizada que Carlsbad. Outra que valeria a pena para passar alguns dias e pegar uma praia.
  • San Clemente: acabamos só passando por dentro da cidade, fugindo do transito, já que ela não tem acesso ao mar, pois encontra-se atrás de uma base naval.
  • Dana Point: já no condado de Orange County (do famoso seriado OC), umas das praias menos badaladas e propícia para esportes em mar tranquilo (como stand up paddle). Pelo jeito é uma das preferidas de banhistas também. Queria ter parado da outra vez, não sei porque não o fiz, mas desta vez não deixei passar.
  • Laguna Beach: esta é uma das praias mais procuradas de Orange County, principalmente por gente jovem que só quer curtir a praia, e nao “ostentar” como em New Port. Infelizmente não paramos (senão teriamos que pular outras praias por conta do tempo).

Se à partir de 2008 eu vinha considerando Los Angeles a melhor cidade do mundo pra morar pro resto da vida (a melhor na categoria geral ainda é Berlin), depois desta viagem já estou considerando San Diego para o posto. Até porque as mudancas de Los Angeles estão levando a cidade para um caminho diferente do meu, que tambem vivo mudando. Mas falo disto no próximo Wanderlust.

Observações, dicas e considerações:

  • Achamos uma praça John Basilone, o heroi de Raritan (a cidade de menos de dez mil habitantes onde moramos, em New Jersey).
  • O brew pub da Ballast Point lota. Tentamos ir na sexta-feira e estava simplesmente impossível de ficar lá dentro. E como (ainda) não se pode beber em público em San Diego, preferimos deixar a visita pro sábado à tarde. Eles têm até um Biergarten (pra mim nunca será Beer Garden) que é uma boa pedida em dias de tempo ameno.
  • Interessante como a cultura de Biergartens está se disseminando nos EUA. As pessoas querem fazer do ato de ir ao bar mais do que aquele encostar no balcão de madeira e encher a cara de Bud Light. Isto está fazendo até as leis quanto ao consumo de bebida em público e de licenciamento de estabelecimentos que vendem álcool (onde era proibida a entrada de menores de 21 anos) ficarem menos restritas.
  • Se a Ballast Point estiver cheia, vale uma tentativa na Bolt Brewery, uns dois quarteirões pra frente (sentido Downtown). Não tem o Biergarten, mas tem ótimas cervejas.
  • Nos dois brew pubs o sistema é de ir pedir no balcão, inclusive a comida, que depois é trazida pelos garçons (a cerveja você mesmo leva). Eventualmente, dependendo da boa vontade do garçom (de ganhar umas gorjetas) e da lotação, depois da primeira cerveja, ao notar o copo vazio, eles vêm perguntar se quer mais uma. Mas não conte com isto.
  • Passeando pelo Balboa Park vi uma coisa bem interessante: uma barraca de “evangelistas ateus”! Sabe aquelas barraquinhas que se vê em vários pontos de São Paulo com duas ou três pessoas, em trajes “sociais”, um cavalete com uma placa, algumas revistas, etc? Imagino que sejam as Testemunhas de Jeová. Bem, primeiramente também tem nos EUA, Bélgica e Portugal. Mas voltando ao assunto principal: tinha uma barraquinha no mesmo estilo, com vários folhetos pendurados, revistas e algumas pessoas dispostas à conversar sobre pensamento cético, ateísmo, etc. Achei muito interessante!

Be happy 🙂

Imperial Beach – San Diego

Sunset Cliffs – San Diego

Sunset Cliffs – San Diego

La Jolla – San Diego

Balboa Park – San Diego

Ballast Point – San Diego

Praça John Basilone – Little Italy – San Diego

Encinitas

Carlsbad

Ocean Side

Dana Point

Wanderlust #35 – Washington, District of Columbia (2/51), Estados Unidos

Como havia falado no post de Baltimore, ao invés de ficarmos em Washington para o Thanksgiving, acabamos decidindo por fazer apenas um “day trip”, já que a cidade fica a cerca de uma hora de Baltimore. A decisão de ficar em Baltimore foi boa, como já comentado, mas acho que fazer apenas um bate e volta pra Washington não foi suficiente. Valeu a pena, claro, mas estando lá descobrimos que valeria a pena dispender mais tempo na cidade.

Como provavelmente voltarei à cidade e farei outro post, não me estenderei muito neste.

Assim como aconteceu no Brasil em relação a Brasília, a cidade de Washington (e todo o distrito de Colúmbia) foi criada já com o intuito de servir como capital do país. O ato que estabeleceu a criação, de 1790, também já instituiu a localização (às margens do rio Potomac) e, com a doação de terras pelos estados de Maryland e Virginia, estabeleceu-se o local atual. O ato também serviu para definir a organização política da cidade e do distrito em sí. Apesar de ter um prefeito, o congresso americano é quem tem a palavra final sobre qualquer lei da cidade. O Distrito também tem um deputado (apenas um), porém não tem senador.

A semelhança com Brasília vai além da idéia de uma cidade independente para servir de capital: a disposição dos prédios públicos nas duas cidades é bem parecida. Existe um parque contínuo (National Mall), equivalente à Esplanada dos Ministérios. Ao longo desta “esplanada” se concentram os ministérios e muitos museus. A diferença é que ao invés dos poderes se concentrarem em apenas um dos extremos, o Congresso americano se concentra em um dos extremos, enquanto no outro extremo se encontra a Casa Branca. Nas vias paralelas à esta esplanada ficam diversos outros órgãos, como o departamento de justiça, o FBI, etc.

Além de passearmos por esta esplanada, apenas demos uma volta por downtown, mas não deu pra vermos muita coisa.

Pretendemos voltar para passarmos um tempo maior, então, provavelmente num futuro (nem tão próximo), faça um post mais completo.

Observações, dicas e considerações:

  • É impressionante como existe a cultura de visitar museus nos EUA. Todos os vários museus ao longo da National Mall apresentavam filas gigantescas.
  • Fiquei impressionado com a quantidade de food trucks. Talvez porque na National Mall não tenha muitos locais para comer (precisa sair para as paralelas ou as transversais para encontrar restaurantes), a “esplanada” toda é tomada por food trucks. E quando eu falo “tomada” eu quero dizer pelo menos uma centena deles!

Be happy 🙂

The White House (os fundos!)

Downtown

Uélito em Uóshitu!

Wanderlust #34 – Baltimore, Maryland (1/51), Estados Unidos

Inner Harbor

Por motivos óbvios, esta seção comecará a apresentar bastante locais nos EUA (enquanto eu tiver saco pra fazê-la). E pra iniciar esta temporada “americana”, vamos de Baltimore, no estado de Maryland.

Procurando algum lugar perto, pra aproveitar o Thanksgiving, que desse pra ir de New Jersey de carro ou trem, e que não fosse New York (vou falar destes dois estados num futuro proximo, de NY provavelmente em varios posts, como de Berlin) e onde não estivesse tão frio, acabamos por achar Baltimore no mapa enquanto analisávamos a possibilidade de ir pra Washington (próximo post da “coluna”). Ai como daria pra matar dois coelhos com uma cajadada só, resolvemos conhecer a cidade e fazer uma day trip pra Washington (a cerca de uma hora de Baltimore).

Harbor East

Não sei se porque a expectativa era baixa (basicamente nenhuma…hahaha), mas a cidade surpreendeu muito pelo seu charme e atrações.

Fundada em 1729, Baltimore foi durante muito tempo uma das principais cidades da costa leste americana, muito por conta do seu porto (o segundo maior da costa noroeste dos EUA), que atraia muitas manufaturas e industrias. Com o declínio da indústria americana que ocorreu entre as décadas de 70 e 90, a cidade, como algumas outras regiões industriais americanas, viveu um declinio. Porém, com o recente aquecimento no setor de serviços, a cidade vem passando nos últimos anos por um processo de revitalização, que é facilmente notado pela diferença entre a região do Porto, praticamente toda revitalizada, e as áreas suburbanas da cidade.

Baltimore também é conhecida por ter sido um dos principais locais de batalhas da guerra da independência americana, já que, afim de bloquear o comércio internacional, a Inglaterra atacou incessantemente o porto. Por conta disto, também é o berço da canção Star-Spangled Banner, que viria a se tornar o hino nacional americano. Além disto é a casa do Baltimore Orioles, um dos times de baseball mais antigos ainda em atividade, fundado em 1901, e do Baltimore Ravens, que disputa a NFL, principal liga do Futebol Americano.

Inner Harbor

Como de praxe, depois de fazermos o check in no hotel, pegamos um mapa e saimos para dar uma reconhecida no local. Por conta do feriado a cidade estava toda deserta e, enquanto iamos na direção do porto, ja fizemos uma nota mental para irmos tomar umas cervejas mais tarde no Mo’s Seafood, um do poucos (talvez o único) locais aberto, que inclusive tinha uma placa anunciando: “365 dias por ano aberto, inclusive no Natal e no Thanksgiving”.

Nota-se na região portuária que a cidade está passando por um grande processo de revitalização, já quase completo, onde a boa parte dos prédios são novos e alguns poucos foram revitalizados recentemente. Na parte conhecida como “Harbor East” se encontram alguns restaurantes e bares mais chiques, assim como lojas de luxo.

No restante da região portuária existem várias atrações, como museus (o aquário de Baltimore, ao menos por fora, é fantástico, e deve ser por dentro também, inclusive o submarino ancorado ao lado), restaurantes e dois “mini shopping centers”. Mesmo com o frio que fazia, algumas poucas pessoas (turistas) passeavam por ali. À partir das 20:00hrs, a vida foi voltando à cidade e alguns musicos de rua arriscaram a se apresentar.

Mr Trash Wheel – Inner Harbor

Depois do reconhecimento voltamos ao Mo’s para tomar as cervejas (algumas locais), mas enquanto estávamos lá pesquisando as atrações locais na web, descobrimos que o pequeno e aconchegante Brewer’s Cask abriria à partir das 21:00hrs. Pedimos a saideira e fomos até lá, já que serviria para, ao menos, conhecer uma parte mais antiga da cidade (Federal Hill) durante a noite. Grata surpresa: além das 20 torneiras com o melhor da produção cervejeira artesanal dos EUA, o atendimento e muito bom.

Na sexta a programação era ir pra Washington, mas na volta resolvemos dar mais uma volta no porto, onde pudemos passar na enorme Barnes & Nobles montada em uma antiga usina elétrica. Depois disto fomos conhecer a Gordon Biersch, uma cervejaria local que baseia suas receitas especialmente na escola alemã e que fica naquela area chique que já comentei. Quando estávamos voltando para o Hotel depois de sermos “expulsos” da Gordon Biersch (explico abaixo nas observações, dicas e considerações), acabamos topando com a Power Plant, a Disneylândia dos adultos….hahaha

O local, que também fazia parte da mesma usina onde fica a Barnes & Nobles já citada, é um complexo de entretenimento noturno, onde se encontram bares (uns 10), restaurantes e locais para shows. A entrada (gratuita) é única e lá dentro você pode ficar indo de um estabelecimento para outro, como por exemplo, de um simples bar com rock rolando ao fundo, para um restaurante mexicano e depois para um bar country com direito a touro mecânico e tudo. Sensacional!!!!

Inner Harbor

No sábado, resolvemos conhecer as áreas fora da região do porto. Primeiro fomos até o Mount Vernon, onde fica a bela igreja metodista e a biblioteca da universidade John Hopkins, um dos principais centros de pesquisa na área de saúde dos EUA. Ainda andando pela “parte alta” da cidade, passamos pela Basílica de Baltimore, que foi a primeira basílica católica construida nos EUA, país que tem como principal corrente cristã o protestantismo, e não o catolicismo. A cidade foi escolhida pelo Papa da época para abrigar a primeira basílica em solo americano justamente por ser a cidade que tinha a maior população católica nos EUA.

Depois disto resolvemos encarar a caminhada de umas quatro milhas (pra ir, e depois mais quatro pra voltar), até o Fort McHenry, exatamente o local das principais batalhas da guerra da independência e que inspirou a criação do hino nacional americano. Valeu mais pelo caminho do que pelo destino em sí, apesar do local ficar em um parque bem interessante, que além da natureza, também mostra alguns fatos históricos da formação dos Estados Unidos como país.

USCGC Taney – Inner Harbor

Na volta, paramos na região do porto novamente para aproveitar uma festa alemã que estaria acontecendo por ali, tipo uma Oktoberfest em novembro. Tinha umas HB, Gluhwein, algumas Wursts, mas nada demais.

No primeiro dia haviamos passado por um estabelecimento que não haviamos conseguido identificar o que era, mais tarde descobrimos que se tratava do Brew Pub da cervejaria Heavy Seas, cujas cervejas já haviamos experimentado (e gostado) no Mo’s. A Heavy Seas Alehouse fica num imóvel bem grande e rustico, com piso de concreto queimado e mobilia de madeira de construção. Além da próprias cervejas da Heavy Seas, sempre existem cervejas de outras cervejarias locais nas taps e, para minha felicidade, sempre tem uma cask ale disponível. Nota para o crab cake, uma “almondega” de carne de caranguejo, que é uma das comidas típicas de Baltimore.

Gostei bastante da cidade, principalmente porque aparenta ser uma cidade bem descontraida e, além de tudo, é bastante charmosa. Pretendo voltar no verão para aproveitar mais as atividades ao ar livre.

Observações, dicas e considerações:

  • O Thanksgiving é a data onde os EUA literalmente param (não peguei um 4 de Julho ainda): antes das 20:00 horas praticamente todo o comércio estava fechado (incluindo a maioria dos restaurantes) e as ruas estavam desertas. À partir deste horario a vida começou a voltar ao normal, mas mesmo assim, parcialmente.
  • Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas em situação de rua na cidade. Uma das maiores que já vi, mesmo comparado a cidades maiores, como Los Angeles ou New York.
  • Ao mesmo tempo, a quantidade de gente ajudando (indo servir comida, levando roupa, conversando com eles, etc) também impressiona, principalmente para quem tem aquela imagem do “americano individualista” (não é o meu caso). O que parece ser uma contradição é justamente a causa: o individualismo do americano faz com que ele se sinta na obrigação de cuidar do seu bairro, da sua cidade, etc. Mas ainda irei escrever um texto somente sobre isto.
  • Ir num restaurante mais requisitado pode ser meio estranho para os brasileiros, que gostam de ficar “fazendo hora” nos locais. O pessoal vai pra comer, tomar um ou dois drinks e ir embora. Então não é nada incomum o garçon já trazer a conta quando você fala que não vai querer sobremesa. Se for um restaurante com alta rotatividade, provavalmente vão apressar até na escolha do prato. A dica para não ser incomodado é ir para o bar (balcão) ao invés de pegar uma mesa.
  • Normalmente os restaurantes tem recepcionistas. Pra pegar uma mesa, tem que falar com eles, mas para ir para o bar, basta ir direto.
  • Estando no bar, não existe esta “pressão” para ir embora logo. Mas também não é comum entre os americanos ficar 3, 4, 8 horas num bar, como os brasileiros fazem. Normalmente eles jantam em um lugar, vão tomar alguns drinks em outro e depois continuam em casa. Ou então fazem o “esquenta” em casa e depois vão até um pub para tomar umas duas ou tres cervejas. O garçon ou barman pode até achar estranho quando você fica muito tempo no bar.
  • Por falar em balcão, aqui na costa leste, diferentemente da costa oeste, geralmente eles abrem a conta automaticamente e vao te cobrar no final. Mas se por acaso o bar não tiver esta prática, basta fazer como costuma-se na costa oeste e pedir para abrir uma conta (deixando o cartão de crédito com o barman): “may I open a tab?”.

Be happy 🙂

The Baltimore Basilica

Mount Vernon Place – United Methodist Church

Power Plant

Power Plant

Wanderlust #33 – Berlin (e Potsdam), Alemanha

A imponente Karl-Marx-Alle e ao fundo a Berliner Fernsehturm

A imponente Karl-Marx-Alle e ao fundo a Berliner Fernsehturm

Eu tinha dito ano retrasado que talvez não voltasse tão cedo à Berlin, apesar de amar a cidade, porque tenho muitos outros lugares para conhecer, porém acabei não resistindo à uma promoção da Alitália e tive que voltar à melhor cidade do mundo.

Alexanderplatz

Alexanderplatz

Como já falei muita coisa sobre a Cidade (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), vou fazer um Wanderlust diferente: como desta vez (minha terceira vez na cidade, somando um total de 9 semanas) eu fui acompanhado, eu montei uma programação que incluia pontos turísticos obrigatórios e alguns pontos interessantes que eu ainda não conhecia na cidade (e creio que ainda falta muita coisa para eu conhecer), vou passar uma sugestão de programação de 7 dias na cidade (é o mínimo para se conhecer, e não apenas “passar” por Berlin, e estou incluindo Potsdam).

Estou colocando em dias da semana pela ordem (de Segunda à Domingo), mas pode-se chegar na quarta, por exemplo, e fazer a programação até a próxima terça. Mantendo as programaçòes de Sexta, Sábado e Domingo (especialmente a de domingo de dia), qualquer outro dia pode ser trocado, só prestando atenção às segundas e terças, já que muitos museus fecham nestes dias.

Anhalter Bahnhof

Anhalter Bahnhof

As programações têm entre 4 e 6 horas de duração (exceto Potsdam, que tem cerca de 8 horas, contando o tempo para ir e voltar) para deixar um tempo livre para que se possa explorar a cidade, pois esta é a melhor maneira de se envolver em Berlin. Se puder encaixar a programação entre o final da primavera e o verão, melhor ainda, pois os dias são mais longos e dá para aproveitar mais..

Segunda:
Desça na estação Frankfurter Tor e caminhe pela Karl-Marx-Allee até a Alexandeplatz (cerca de 2kms). A Karl-Marx-Allee foi planejada para ser o local onde ocorriam os desfiles militares do regime comunista (para mostrar ao Ocidente a “imponência” da URSS e seu regime) e foi projetada para ser parecida com Moscou. Os prédio são imponentes e praticamente simétricos. Aqui ficavam a maioria dos principais pontos de lazer e cultural da Berlin oriental (para aqueles que podiam se dar ao luxo de curtir lazer e cultura).

Potsdamer Platz

Potsdamer Platz

Já na Alexanderplatz se encontra a Fernsehturm, a famosa torre de TV de Berlin, de onde se tem visão de praticamente toda a cidade. Dá para comprar o ticket com antecedência pela Web, mas comprando lá a média de tempo de espera é entre 40 minutos e uma hora e ai pode-se aproveitar a espera para tomar uma cerveja no Biergarten da praça. O ideal é tentar subir no horário do por do sol.

Para fechar, se você não tiver conhecido Munique, vale uma passada na Hofbräu Berlin para tomar algumas cervejas e comer comida típica da Baviera ao som das músicas tradicionais desta região. Agora se já tiver ido à Munique ou estiver para ir, pode dispensar. É um programa bem turístico mesmo.

Terça:
Desça na estação Möckernbrücke, cruze o Elise-Tilse-Park até o Tempodrom, que é um ginásio de eventos que tem uma arquitetura bem interessante. Tanto o parque quanto o Tempodrom e a praça de esportes em frente (Sportplatz Anhalter Bahnhof) ficam no local onde se encontrava a antiga estação de trem Anhalter Bahnhof (hoje existe a estação do S-Bahn), que durante a segunda guerra foi uma das três estações usadas para transportar os judeus para os campos de concentração. A fachada principal da estação, que foi praticamente toda destruída pelos bombardeios da guerra, ainda se encontra no local (as estátuas de anjo que a decoravam se encontram na área de trens do Deutsches Technikmuseum).

Tiergarten

Tiergarten

Da Anhalter Bahnhof até a Potsdamer Platz são cerca de 600 metros, boa parte deles sobre o trajeto por onde o muro passava. Potsdamer é o ponto principal onde se nota o esforço de reconstrução de Berlin depois da queda do muro. A praça, que ficou totalmente destruida após a guerra, hoje acomoda uma série de edifícios gigantes e modernos, como a sede da DB (Deutsche Bahn, a estatal que administra as ferrovias alemãs), da Daimler e o Sony Center. Continuando pela Eberstraße, em direção ao Portão de Brandemburgo, a visita ao Memorial aos Judeus Mortos na Europa é obrigatória. Se tiver pique para andar, vale a pena caminhar os 2 kilômetros até a Siegessäule (Coluna da Vitória) por dentro do Tiergarten. Se tiver mais pique ainda, caminhe os 2 kilômetros de volta ao portão de Brandemburgo (vá por um lado e volte pelo outro) e note a cúpula do Reichstag, o Parlamento Alemão. Do outro lado do portão fica a bela Unter den Linden, uma das principais avenidas, cercada por lojas, cafés e hotéis.

Caminhando mais um pouco (e haja pique!) dá para acessar o Gendarmenmarkt, que além de duas belas catedrais, conta com um bonito e enorme teatro. Aconselho a andar pela praça olhando para o alto afim de notar a decoração dos topos dos prédios. Para os chocólatras de plantão, não deixem de passar na Schokoladenhaus Fassbender & Rausch Chocolatiers.

Brandenburger Tor

Brandenburger Tor

Quarta:
Potsdam é a capital do estado de Brandemburgo, região onde se encontra Berlin (nota: apesar de Berlin ficar geograficamente dentro do estado, ela tem o status de “cidade-estado” e portanto uma relação de hierarquia direta com a República Federal da Alemanha) e é colado na cidade (tipo como se fosse São Caetano, ou Diadema, ou Osasco, só que bonita….kkk). Além de alguns fatos históricos importantes (foi lá onde URSS, EUA, França e Grã-Bretanha assinaram o acordo que dividiu a Alemanha e Berlin), tem vários edifícios históricos que, incrivelmente, foram poupados durante os bombardeios. Também conta com o fabuloso parque Sanssouci, com seus vários castelos e jardins e uma supresa a cada esquina. Aconselho muito a visita à cidade e sugiro que o passeio em Potsdam seja feito à pé.

249 Gendarmenmarkt - Berlin - Alemanha

Gendarmenmarkt

Na volta, como será final de tarde, se houver pique de caminhar mais um pouco, a sugestão é conhecer a Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, a famosa igreja “sem teto”. As torres da igreja foram bombardeadas e decidiram conservá-la desta forma e, ao lado, construiram uma outra estrutura para efetivamente realizarem as cerimônias. Ela fica na região da Kurfürstendamm, que pode ser considerada a Oscar Freire de Berlin, com suas lojas de grife e luxo. Ali perto fica a KaDeWe, uma loja de departamentos cuja visita também vale à pena, especialmente à sua seção de alimentos e bebidas, onde pode-se encontrar itens de qualquer parte do mundo.

Lustgarten - Sanssouci Park - Potsdam

Lustgarten – Sanssouci Park – Potsdam

Quinta:
Ir à Berlin e não conhecer a East Side Gallery é um pecado, especialmente para os apreciadores de street art, portanto, aproveite a quinta para ir até lá, descendo na Ostbahnhof. Infelizmente de uns dois anos para cá os visitantes resolveram “deixar sua marca” escrevendo frases e nomes por cima das pinturas, o que tem levado a prefeitura a cercar o muro. Muito triste. Na volta, desça em Hackescher Markt e escolha entre algum dos museus da Museumsinsel ou então, para quem gosta de história, dirija-se diretamente ao DDR Museum, um museu que conta como era a vida na Alemanha Oriental. Ali na mesma região também existem outros museus, mas um outro que eu sugeriria (que não fica na mesma região), se houver tempo, é o Deutsches Technikmuseum, especialmente pela coleção de trens (sim, trens de verdade, e não é um só), barcos e aeronaves. E agora ainda contam com um anexo com automóveis, computadores e mais algumas bugigangas.

Nikolaikirche - Potsdam

Nikolaikirche – Potsdam

Na volta, vale uma passada em frente a Berliner Dom (fica ao lado do DDR e da Museuminsel) e depois se dirigir à Nikolaiviertel, o bairro onde Berlin nasceu. E estando lá vale muito à pena comer e tomar umas cervejas da Georgbraeu.

Sexta:
Além de vários parques, Berlin conta com várias florestas urbanas. Uma bem simpática, já fora da região central da cidade, é a Akazienwäldchen, próxima a estação Blaschkoallee (que também é bem charmosa). Ao lado do parque fica o Murugan Tempel, um templo indiano bastante colorido. Havendo tempo vale a visita.

O que não se pode deixar de visitar em Berlin é o Tempelhof, um Aeroporto que foi transformado em parque. Além da situação interessante de andar por onde trafegavam aeronaves, vale muito conhecer a história da ocupação e consequente transformação em parque.

Depois do Templelhof, a dica é ir até a Mariannenplatz, no bairro de Kreuzberg. A praça também é bem charmosa e é interessante notar que o tipo de iluminação e postes é diferente de cada lado das ruas que a cercam, já que ela ficava do lado oriental enquanto a rua em sí ficava na parte ocidental.

Dalí dá para caminhar até a Oberbaumbrücke, passando pelo Schlesisches Tor, ambos em Kreuzberg. O bairro de Kreuzberg, junto com Prenzlauerberg, sofreu ocupação de artistas, designers e outros profissionais ligados à arte à partir da metade da década de 90, o que transformou o bairro em um local repleto de galerias, brechós, bares, estúdios e casas de show.

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche

E já que falamos em Prenzlauer, a dica para a sexta à noite é fazer um esquenta no Zu mir oder zu dir (pode-se fumar no bar, o que pode ser incômodo para não fumantes. Cães também são permitidos) e depois procurar alguma festa, show e/ou balada na Kulturbrauerei, uma antiga cervejaria (a tradução exata é “cervejaria de cultura”), convertida em um enorme “shopping” de atividades culturais e de lazer. Podem ocorrer, na mesma noite, nos vários espaços, diferentes eventos. E ai fica à gosto do fregues escolher entre uma festa cubana, uma aula de capoeira, uma peça de teatro, um simples jantar ou uma rave.

Na volta, pegue uma cerveja em alguma das “später Kaufen” (as lojas de conveniências) e aproveite para curtir alguma apresentação que provavelmente estará ocorrendo nas escadarias da estação Eberswaldestraße.

Sábado:
Como disse em um dos artigos linkados acima, se você não tomar cuidado pode se perder e gastar seus dias em Berlin apenas visitando museus. A programação que eu estou citando aqui leva entre 4 e 6 horas e ai sobra tempo para que você escolha alguns museus de sua conveniência e encaixe, mas um dos que eu recomendo muito é o Topographie des Terrors, um museu gratuito que conta (com muitas, muitas fotos) toda a história desde a ascenção de Hitler até a queda do muro. Como fica a um quarteirão de Checkpoint Charlie, vale a passada neste ponto turístico para tirar umas fotos.

Akazienwäldchen

Akazienwäldchen

Se curtir carro e tiver afim de gastar uma grana, o passeio de Trabi do Trabiworld (entre o Topographie des Terrors e o Checkpoint Charlie) vale muito à pena.

Para a noite de sábado, a dica é explorar Kreuzberg, iniciando pela Hopfenreich, com suas 22 torneiras com o melhor da recente cena de cerveja artesanal/especial de Berlin. Na sequencia sugiro o Lido, que sempre conta com algumas apresentações bem interessantes, na linha de Soul, Funk, Disco, Jazz e Rap, inclusive de Brasileiros (Criolo, Emicida e Diogo Nogueira são alguns que já passaram por lá). Antes de sair não esqueça de tirar bastante água do joelho para poder aproveitar um pouco das atrações musicais (bandas, rappers, cantores) que se revezam durante as madrugadas em frente à estação Warschauer Straße. Imagino que se tivesse banheiro ali muita gente nem iria se preocupar em ir para as baladas de Kreuzberg.

Domingo:
Este programa deve ser feito justamente no domingo. Primeiramente desça em Hackescher Markt e caminhe pelo James-Simon-Park à beira do Spree no sentido da Neue Synagoge Berlin, outro local icônico de Berlin e da história do holocausto (a entrada só é liberada aos membros da comunidade judaica por motivos de segurança, e ainda assim após passar por um raio-X). Depois dá para ir andando até a Nordbahnhof, onde começa a Bernauer Straße e um museu a céu aberto sobre o muro.

Tempelhof

Tempelhof

A Bernauer Straße é icônica pois foi dividida ao meio pelo muro e várias das cenas e histórias mais conhecidas durante a construção e a existência do muro ocorreram ali: a igreja da reconciliação, que ficava de um lado enquanto seus fiéis ficavam do outro, o cemitério que foi “deslocado” para acomodar a “death strip”, fugas tanto por túneis quanto de pessoas pulando as janelas. Enfim, é uma aula de história e de a que ponto chega a imbecilidade humana.

A Bernauer termina no Mauerpark (Parque do Muro) um parque que “nasceu” depois da queda do muro, justamente na área da death strip e tem uma história de ocupação parecida com a do Tempelhof. Aos domingos ocorre ali um mercado das pulgas onde pode-se encontrar roupas novas e usadas, artesanato, camisas de times de futebol, brinquedos, eletrônicos, memoriabilia, uniformes militares, enfim, praticamente tudo. No mercado também são montadas algumas “praças de alimentação” com “ambulantes” vendendo comida, muitas delas tradicionais de regiões mais desconhecidas da Alemanha.

Mariannenplatz

Mariannenplatz

Saindo do mercado, o parque em sí também é outra atração imperdível, com gente fazendo churrasco, jogando bola, crianças brincando e muitos, muitos músicos, dos mais variados estilos, fazendo música em troca de moedas. No verão ocorre ainda, no anfiteatro do parque, um Karaokê ao ar livre que é fantástico. Passar um domingo no Mauerpark é a receita para sair com um sorriso de orelha a orelha (depois de derramar algumas lágrimas de emoção).

Observações, dicas e considerações:

  • Apesar do Outono na Alemanha apresentar uma beleza e mistura de cores impressionantes, à partir de novembro várias atrações, como as praias e alguns parques, começam a se preparar para o inverno e portanto fecham. Se puder escolher, a melhor opção é ir entre Abril e Outubro.
  • Interessante como quase nenhum estabelecimento oferece wi-fi. Nota-se que o Berlinense quando vai ao bar com amigos, ele vai ao bar com amigos. Se fosse pra ficar no smartfone ele ficava em casa.
  • Aproveite para tirar alguma foto em umas das várias máquinas espalhadas pela cidade. Custa apenas 2 euros e é um belo souvenir.
  • É tanto lugar legal para conhecer e coisas interessantes para se fazer em Berlin que fica até difícil montar um roteiro para apenas 7 dias e tive que “abrir mão” de várias coisas para não sobrecarregar.

Be happy 🙂

East Side Gallery

East Side Gallery

Warschauer Straße: a verdadeira passarela do álcool....hahaha

Warschauer Straße: a verdadeira passarela do álcool….hahaha

Neue Synagoge Berlin

Neue Synagoge Berlin

Mauerpark

Mauerpark

Wanderlust #32 – Praga, República Tcheca

Wencelas Square

Wencelas Square

Não tem como não amar uma cidade que cheira a bacon e onde a cerveja é mais barata do que água!

Praga foi uma das cidades que sempre esteve no topo da minha lista de lugares a conhecer. Em 2012 quando estive na Alemanha pela primeira vez a intenção era ir para lá em um final de semana, mas por conta de custos acabei trocando por Varsóvia, bem menos procurada por turistas, mas que é tão bonita e charmosa quanto Praga. Mas desta vez consegui encaixar na programação.

02 Praga - Republica TchecaA cidade é pequena e, apesar de antiga, muito bem conservada. Além de ser muito charmosa. Em praticamente toda a cidade têm se a sensação de que você voltou no tempo e está na idade média. É tão pequena que, dependendo do pique, dá para conhecê-la praticamente toda em um só dia. Chegamos bem cedo no belo e moderno aeroporto de Praga e nos dirigimos ao centro da cidade (ônibus + metrô). Como ainda eram cerca de 10 horas da manhã e o check in era somente às 14:00, resolvemos dar uma volta.

Começamos em Wenceslas Square, uma bela praça bem no centro, que é cercada por prédio antigos e saimos andando à esmo. Depois de algumas horas andando pelas ruas, paramos para provar a típica sopa de goulash e tomar uma legítima Pilsen Tcheca. Depois de almoçar, já era hora do check in e nos dirigimos ao Fusion Hotel para nos hospedarmos. Por sorte um dos atendentes era Brasileiro e, ao ver que falávamos português, nos deu algumas dicas do que fazer na cidade nos 2 dias em que estaríamos por lá.

Sopa de Goulash

Sopa de Goulash

Na parte da tarde fomos até a Praça da Velha Cidade, uma grande praça rodeada por igrejas, castelos e outros edifícios imponentes. Ali se encontra o Relógio Astronômico que é bem famoso, mas na verdade não tem nada demais além da fama. Se estiver próximo da hora “fechada” ainda vale esperar para ver seu mecanismo funcionando, mas se faltar mais de 10 minutos e a intenção for continuar passeando, pode pular.

Depois seguimos pelas ruas estreitas da velha cidade até Ponte Carlos (Karlovy Most), que junto com o Castelo de Praga são as duas atrações turísticas mais famosas da cidade. Depois seguimos pela margem do Rio até a Ponte das Legiões (Most Legií), que dá acesso à uma pequena ilha que contem um parque e fica bem no meio do rio. Demos uma volta na ilha e atravessamos novamente para os lados da cidade antiga. A alguns metros da Ponte das Legiões fica o também famoso “dancing house”, um prédio com uma arquitetura diferentes que passa a impressão de movimento. Mas é outra atração que pode ser deixada de lado, a não ser por quem tem realmente muito interesse em arquitetura.

Old Town Square

Old Town Square

Já era noite e resolvemos voltar para o hotel, tomar um banho e ir fazer um happy hour no proprio bar (giratório) do hotel. Tomamos duas cervejas lá e fomos até o U Tří zlatých lvů  pois tinhamos lido em alguns blogs e sites que era uma boa opção para jantar na cidade, especialmente pela sua costelinha de porco. O restaurante não era tudo isto e nem a famosa costela era tão boa assim (pelo menos o imóvel abrigou Mozart quando este morou por um tempo na cidade). Teria sido melhor escolher algum lugar aleatóriamente, como fizemos com o Time Out pub: estávamos voltando para o bar do hotel quando passamos em frente uma escada que conduzia ao porão de um prédio e ouvimos uma bela voz feminina cantando modern jazz. Resolvemos arriscar e foi uma grata surpresa. Apesar do pub estar vazio (até a chegada da galera do pub crawl), ele era bem montado e decorado, o atendimento era bom e o trio de Jazz (voz, piano e violão) era muito bom. Ao perceber que éramos brasileiros fizeram inclusive um set com umas 4 ou 5 músicas brasileiras (Tom Jobim, Jorge Benjor, Gilberto Gil, etc) numa roupagem soft jazz. Como o bar virou uma zona quando a galera do pub crawl chegou (era impossível ouvir música, fazer pedidos, etc) e já estava tarde, resolvemos descansar para renovar as energias para o restante do passeio.

Ponte Carlos

Ponte Carlos

No segundo dia na cidade, depois de um café da manhã bem reforçado (com bacon, claro!), atravessamos novamente a Ponte Carlos e nos dirigimos até o Castelo de Praga. O acesso à pé ao castelo, por entre ruas, vielas e escadas, é cansativo (aconselho a pessoas com mais idade ou com algum problema físico a pegar um táxi), mas ao mesmo tempo interessante, principalmente pela beleza das antigas construções. O Castelo também é muito bonito e um dos mais legais que eu vi na Europa. A Catedral de San Vito, dentro do complexo do Castelo, impressiona tanto pelo tamanho, quanto pelas formas e detalhes. Depois do Castelo, fomos caminhando pelo parque Letná até um grande Biergarten onde se pode tomar uma cerveja apreciando a vista da cidade e do rio.

Castelo de Praga

Castelo de Praga

A única programação que eu tinha feito com antecedência era visitar a U Fleků, a cervejaria mais antiga da República Tcheca, e que eu havia visto em um guia de 10 bares a se conhecer no mundo. Não vou dizer que foi uma decepção total porque afinal de contas ainda é cerveja. Mas eu imaginava uma cervejaria que oferecesse uns 4 ou 5 tipos diferentes de cerveja, mas ela produz e vende exclusivamente um tipo de pilsen escura que lembra a nossa Malzbier. Ok, ao menos já tomei cerveja em 5 dos 10 bares da tal lista.

Voltamos para a região da praça da cidade antiga para procurar um lugar para continuar a noite e acabamos topando com a U Medvídků um misto de Hotel, Restaurante e Microcervejaria (esta já desativada, restando apenas os equipamentos como atração turística) que ai sim, servia algumas variedades da Budweiser (a original, não aquela porcaria que se faz nos EUA e que vendem como “premium” no Brasil), todas baseadas no estilo Pilsen, criado e desenvolvido na região. Além da carta de cervejas, o atendimento também era muito bom.

07 Praga - Republica TchecaJá meio alto com os 6 ou 7 canecões de cerveja que cada um de nós haviamos tomado, resolvemos voltar para o hotel, já que o vôo de volta à Berlin aconteceria cedo.

Apesar de pequena e de eu ter conhecido praticamente tudo na cidade, Praga é uma cidade em que, tendo a oportunidade, eu voltaria novamente.

Observações, dicas e considerações:

  • Alguns restaurantes oferecem Shisha em vários “sabores” (geralmente frutas). Shisha nada mais é do que o Narguilê, e não uma bebida, como pode-se imaginar ao ler o cardápio.
  • Ou seja, em vários restaurantes é permitido fumar, se não cigarro, ao menos a tal Shisha.
  • Os motoristas em Praga param em faixa de pedestre. Aliás, literalmente estancam quando vêm algum pedestre se aproximando, mesmo que estejam em alta velocidade.
  • Por outro lado, se você atravessar uma rua fora da faixa, eles vão acelerar o carro.
  • Algumas pessoas haviam me falado (e havia lido bastante à respeito) que o atendimento em praga era ruim, a ponto de ser mal educado. Não sei se foi questão de sorte, mas em todos os lugares por onde passei fui atendido com cortesia e educação.
  • Como disse, a cidade cheira a porco, já que a carne suina é praticamente a base de todos os pratos (outras opções locais são patos e peixes, mas em número bem menor de opções).
  • Em praticamente toda esquina de Praga existe uma banca assando o Trdlo, que é um pão típico da República Tcheca, feito com uma massa parecida com a do Pretzel doce americano e que é enrolada em torno de um cilindro, salpicada com açucar e canela e então assada sobre lenha. O formato lembra uma chaminé e pode-se pedir com algum recheio, tipo Nutella. Não deixe de provar!
  • Interessante a quantidade de bares, clubes e bandas de Jazz na cidade, de todos os estilos (desde dixieland até soft e modern jazz, passando por MPB, Fusion, Big Bands, etc). Tentei encontrar alguma informação que explicasse a razão mas não encontrei. Só me lembrei do filme “O Terminal” do Tom Hanks e imaginei que o país fictício de onde ele se origina (Krakozhia) foi baseado na República Tcheca….hehehe

Be happy 🙂

A Budweiser que presta!

A Budweiser que presta!

Castelo de Praga

Castelo de Praga

Catedral de San Vito

Catedral de San Vito

Castelo de Praga

Castelo de Praga

Castelo de Praga

Castelo de Praga

13 Praga - Republica Tcheca

Biergarten

Biergarten

15 Praga - Republica Tcheca

Wanderlust #30 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

RJ 01Existem cidades que são muitas dentro de uma. Estas cidades são impossíveis de se conhecer em apenas alguns dias, eventualmente mesmo algumas semanas são pouco e você é “obrigado” a voltar várias vezes para poder conhecer todas as faces delas. São Paulo é assim, Berlin também é. Mas o Rio talvez seja a principal delas. Existe o Rio de Janeiro das paisagens de tirar o fôlego, o Rio das praias populares, o Rio das praias isoladas, o Rio histórico, o Rio desportista, o Rio da ostentação, o Rio da periferia, e por ai vai.

Desta vez (minha quinta vez na cidade), mesmo antes de saber que o tempo estaria ruim, tinha combinado com os amigos que seria o “Feriado do Samba”, ou seja, desta vez iriamos conhecer (ou rever, em alguns casos) o Rio do Samba. Mas não aquele samba da Lapa/Rio Scenário. Iriamos aos redutos do samba de raiz.

Bar do Bacana

Bar do Bacana

Mas antes de iniciar resolvemos pegar um bar “de leve” na sexta feira, para não acordarmos estragados no sábado. Fomos caminhando de Ipanema até o Leblon para fazer um “happy hour” no Bar do Bacana, que é do mesmo dono da rede Belmonte, famosa por suas empadas. Para não parecermos muito paulistas, é claro que pedimos cerveja Antárctica (que era minha preferida há uns 20 anos atrás). Como tiragosto (ou tiragoxxxto), uma porção de batatas fritas da casa, que eram acompanhadas de tiras de linguiça calabresa frita e cobertas por queijo. Fica a dica para algum bar “copiar” em SP. Como é comum no Rio e infelizmente incomum em SP, não deixamos de pedir uma porção de um suculento torresmo. E ai cerveja vai, caipirinha vem e a proposta de “tomar de leve” tinha ido para o brejo. Ainda bem que começamos cedo, então voltamos cedo para o ap para podermos descansar para a maratona dos outros dias.

Madureira...

Madureira…

No outro dia, tomamos um café da manhã bem reforçado para encararmos a Portela na parte da tarde (até à noite). Não tenho costume de ficar andando muito de táxi ou alugar carro quando viajo porque acho que você perde boa parte da experiência social local se “isolando” dentro de um veículo particular. Ainda bem que os amigos encaram numa boa e toparam ir até Madureira de metrô e trem. Eu tenho muitas horas de trem nas costas por ter morado na Z/L quando a linha vermelha ia somente até o Tatuapé e também por ter sido office boy. Mas os amigos sempre acham engraçado o comércio ambulante, que vende desde balas até eletrônicos dentro dos vagões. Inclusive lá a vida é bem mais fácil para os ambulantes e aqui em SP também podiam “fazer vista grossa”, já que eles mesmo não entram quando está muito cheio e se organizam para não entrarem muitos de uma vez no vagão.

RJ 04Depois de uns 30 minutos de trem (e 4 chocolates baton por 2 reais) chegamos em Madureira e caminhamos por uns 10 minutos até a quadra do GRES Portela. A quadra é bem grande e muito bem montada. É feita para turista, com camarotes e áreas reservadas, mas diferente da Rosas de Ouro, em São Paulo, mesmo dando uma atenção aos turistas não perdeu a essência e não virou balada. Ainda é escola de samba, tanto no que diz respeito ao som e à presença em peso da comunidade, quanto pela ausência de “ostentação” por parte dos visitantes. E foram quase 8 horas curtindo várias atrações, como Velha Guarda (com a presença do Seu Monarco), Portelinha, Grupos de Samba, Dominguinhos do Estádio, entre outros. Recomendo!

No domingo  como o programa era à partir das 17:00hrs, deu para “pegar uma praia” de manhã e para isto fomos caminhando pela orla até o Leblon. Como praia mesmo não ia dar, apenas sentamos e ficamos por ali conversando, fumando e tomando umas cervejas (desta vez de leve mesmo).

RJ 05Depois do almoço era hora de encarar outra maratona de metro e trem, desta vez até Olaria, para visitar novamente a quadra do Cacique de Ramos. De domingo o trem é meio complicado pois os intervalos podem chegar até 1 hora. Talvez devessemos termos ido de BRT, já que existe uma estação ao lado da de trem. De qualquer forma conseguimos chegar, pegar um balde de cerveja e finalmente consegui comprar minha camisa do Cacique. Mas devido o feriado, em cerca de 30 minutos o local estava cheio, o que tornava a ida ao banheiro ou ao bar uma missão das mais difíceis e praticamente impedia de ouvir o som, já que estávamos longe e com muito mais gente tem muito mais barulho. Como não valia muito a pena ficar, tomamos mais um pouco e fomos embora relativamente cedo, não antes sem notar que boa parte das pessoas que estavam lá também haviam estado na Portela no dia anterior e que muitas eram de São Paulo (a gente percebia pelo sotaque e por vestirem camisas de escolas ou times de São Paulo). Ainda quero visitar o Rio durante a semana para pegar a roda do Cacique que acontece às quartas. Deve ser mais confortavel e mais raiz.

RJ 06Na volta a Ipanema, um pit stop no Belmonte para umas empadas e alguns chopps e toca dormir para aproveitar a segunda feira de feriado.

O tempo não melhorou na segunda, mas ao menos deu uma esquentada e a possibilidade de chuva era bem pequena, então fomos andar novamente desta vez sentido Arpoador. Acho que em todas as outras vezes que eu fui à cidade eu me programei para assistir o por do sol no Arpoador e no fim, enrolado em outros passeios, acabava perdendo e não conhecendo esta praia. Desta vez não iria rolar pôr do sol mesmo, então aproveitamos para apreciar uma das mais belas vistas da cidade. Depois paramos em um quiosque em Ipanema para mais algumas cervejas.

Samba do Trabalhador: atualmente a melhor samba de roda do Brasil

Samba do Trabalhador: atualmente a melhor samba de roda do Brasil

À tarde, toca para o Andaraí para curtir uma das melhores rodas de samba da cidade: Moacyr Luz e seu Samba do Trabalhador, que ocorre em todas as segundas (nesta era feriado, mas ela acontece principalmente quando não é) há mais de dez anos no Renascença Clube e já foi aclamada nos últimos três anos por vários veículos de imprensa, bem como por outros artistas como sendo a melhor roda de samba do Rio. Digo até mais: é uma das melhores do país (eles tocam regularmente em São Paulo também) e o recente disco deles também é um dos melhores discos de samba lançado nos últimos 5 anos. E é samba mesmo: violão, violão de sete, dois cavacos, pandeiro, cuica, surdo, prato e faca. Nada de bateria, baixo e teclado (nem na roda e nem no CD).  Os músicos vão se revezando puxando sambas e como cada um do grupo tem um gosto e uma formação diferente na música, dá para ouvir desde Noel Rosa até versões de MPB, todas com a roupagem do grupo. Para abrilhantar mais a roda, na primeira parte eles contaram com a presença da fantástica Teresa Cristina e na segunda parte, além de participações desta, algumas canjas de Toninho Geraes. Devido ao feriado o Rena encheu rapidamente, formando fila de espera, e novamente notamos que muitas das pessoas que estiveram na Portela e no Cacique também estavam nesta roda. Uma roda que fechou o feriado com chave de ouro e quase me fez comparecer em um bar em São Paulo onde eles estariam tocando na três dias depois.

Clube Renacença lotado, especialmente de paulistas!

Clube Renacença lotado, especialmente de paulistas!

O fim de semana foi muito bom, só faltando um pouco de sol mesmo, mas o Rio, assim como as outras cidades que eu citei no início, tem um problema sério: cada vez que você vai à cidade volta com uma lista maior de coisas para fazer na próxima visita do que você tinha na ida.

Observações, dicas e considerações:

  • Como tinha gente de São Paulo nos sambas! Mas também tinha muita gente de Santos-SP (da outra vez que eu fiu no Cacique também) e de Curitiba afim de curtir este Rio do Samba. Imagino até que as agências de turismo já estejam oferendo pacotes deste tipo.
  • Tirando a Portela, que é feita para receber turista, o Cacique e o Renascença são clubes menores e ainda pouco preparados para receberem uma leva grande de pessoas. Por isto se a intenção é conhecer algum dos dois, prefira um final de semana sem feriado (e no caso do Cacique um domingo em que não ocorra a feijoada).
  • As estações de trem estão sem identificação, e alguns trens não anunciam a próxima estação. Para “ajudar” aos finais de semana algumas linhas que correm trechos sobrepostos alternam as paradas. É bom perguntar na estação sobre as paradas que o trem vai fazer e ficar atento para não descer errado.
  • Aos domingos é bom tentar checar os horários de trens (o Google ajuda com isto e tem também o site da Supervia, a operadora do sistema de trens do Rio) e se programar para chegar na estação com antecedência.
  • Em todos os lugares, inclusive na Zona Norte, tinham muitos policiais e uma sensação de segurança que não se tem em São Paulo
  • No domingo do Cacique rolou Fla x Flu e o trem passou pela estação Maracanã exatamente após o final do jogo. Subiram hordas de Flamenguistas no vagão e depois entra um Tricolor enrolado em uma bandeira. A viagem transcorreu na maior paz, sem nem provocações ou mesmo grupos cantando gritos de guerra. O carioca sabe aproveitar mais o futebol sem transformá-lo em guerra.

Be happy 🙂

Wanderlust #29 – Brasília, Distrito Federal, Brasil

01 Eixo Monumental - Brasilia - DF - BrasilEntre as pessoas que eu conheço e que já manifestaram alguma opnião sobre Brasília, existem 3 grupos facilmente identificáveis: o primeiro grupo é de pessoas que amam a cidade, formado na sua maioria por pessoas que nasceram ou cresceram na cidade, ou pelo menos que já vivem lá durante algum tempo. O segundo grupo é de pessoas que simplesmente odeiam a cidade. Uma boa parte nem sequer a visitou, mas já formou seu julgamento à partir do que ouviu ou do que viu através de fotos. Alguns poucos já estiveram (ou viveram) realmente na cidade, mas não se adaptaram. O terceiro grupo é daqueles que tiveram uma primeira impressão ruim, mas que foram cativadas, porém não têm coragem de admitir que gostam e por isto falam mal dela, mas ficam putos se outra pessoa fala mal.

CONIC

CONIC

Vou dizer que eu sou “ponto fora da curva”, já que não tinha uma opnião pré concebida e acabei gostando muito da cidade. Apesar de achar que deve ser uma cidade muito, mas muito mais legal para morar do que para fazer turismo.

Não vou nem entrar na história da cidade, já que é obrigação de todo brasileiro saber como se deu a construção da cidade, que foi planejada para ser a capital do Brasil. Vou direto ao que eu fiz lá.

Jardins do Palácio Itamaraty

Jardins do Palácio Itamaraty

Na quinta feira era feriado de 9 de Julho em São Paulo e foi bom para “sentir” a cidade no seu dia a dia. Primeiramente fomos até a torre de TV, localizada no Eixo Monumental (o “corpo” do avião), cujo mirante dá vista para praticamente todo o plano piloto. De lá, seguimos sentido Esplanada dos Ministérios, mas antes, próximo à Rodoviária Central, demos uma passada no CONIC, que é uma mistura de Galeria Pajé com Galeria do Rock em São Paulo, e onde se encontram diversas lojas populares (restaurantes, cabelereiros, lojas de departamentos, etc) e alternativas (camisetas, discos, tatuagem, etc). Um destaque do CONIC são os grafites em sua área interna, que valem a visita para quem curte street art. Infelizmente não conseguimos passar na Rodoviária para comer um pastel, que me disseram ser o melhor de Brasília.

Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes

Em seguida passamos em frente à Biblioteca Nacional e fomos até o Museu Nacional. Ambos os edifícios são bonitos mas, assim como no Memorial da América Latina, em São Paulo, a área onde eles se encontram poderia ter uma pouco mais de verde e menos, bem menos, de concreto. O Museu apresenta algumas obras interessantes de artistas contemporâneos. Vale a visita. Logo em seguida, fomos à Catedral Metropolitana,  e simplesmente não achei a maravilha da arquitetura que a maioria das pessoas acha (não é implicância com o Niemeyer, juro). Pode até ser interessante do ponto de vista técnico, mas visualmente não gostei.

Logo na sequencia, após a Catedral e indo sentido à Praça dos Três Poderes, fica a Esplanada dos Ministérios. Engraçado que quando a gente vê na TV imagina que cada prédio (que abriga um ou mais ministérios) fica a uma distância considerável de outro, já que normalmente fazem um enquadramento fechado, para pegar somente aquele ministério, mas na verdade é um conjunto de prédios enfileirados, a não mais do que 100 metros um do outro. Atrás deles ficam os anexos dos ministérios, que foram construidos posteriormente para abrigar o crescimento tanto dos ministérios como da quantidade deles.

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

Após os ministérios, ficam os dois prédios mais bonitos da Esplanada (um de cada lado): o Palácio Itamaraty, que tem um belo paisagismo do Burle Marx e o Palácio da Justiça, com seus arcos invertidos formando cascatas. Ligando os dois palácios se encontra a Alameda dos Estados, onde se enfileiram os pavilhões de todos os estados brasileiros, mais o do Distrito Federal e a própria bandeira do Brasil.

Em seguida vem o Congresso Nacional, talvez o prédio mais famoso do Niemeyer e do Brasil, que fica na Praça dos Três Poderes, tendo o STF de um lado e o Palácio do Planalto do outro lado. Novamente na praça dos três poderes senti falta de verde, de árvores. Tinhamos programado fazer a visita guiada ao Itamaraty neste dia, mas eu estava de bermuda e durante a semana não é permitido, assim como na visita ao Congresso. Mas agendei para voltar no outro dia (é uma boa agendar, até para verificar se existe cerimonial, que podem causar a suspensão dos tours guiados).

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

À noite conhecemos um bar chamado “La Loca de tu Madre”, na Asa Sul. Achei bem legal os bares, restaurantes e outros estabelecimentos similares em Brasilia, pois as áreas externas destes se encontram nos fundos das quadras (se imaginarmos que a frente seja a rua), geralmente em uma área gramada e cheia de árvores.

No outro dia resolvemos andar pelo Parque da Cidade, desde a W3 Sul 713 até o Eixo Monumental, uma caminhada de uns 5kms. Logo após tomei um táxi até o Congresso, pois queriamos fazer a visita guiada. No Congresso, o salão verde, com suas obras de arte, é um dos destaques especialmente pela exposição rotativa dos presentes oferecidos por autoridades de outras nações. Após a passagem pelo salão verde, o grupo tomou uma passagem subterrânea que dá acesso ao Senado e lá pudemos observar o “plenarinho”, que eram os móveis que compunham o Senado original, no Rio de Janeiro, e que ainda está aguardando um local para serem expostos. Nos dirigimos até a Câmara dos Deputados, onde o guia nos explicou todo o funcionamento, tanto processual quanto técnico, das votações. Depois fomos até o plenário do Senado, onde estava ocorrendo uma sessão solene. Gostaria de ter acompanhado uma votação, mas já valeu a sessão solene.

Palácio da Justiça

Palácio da Justiça

Após a visita, um “amigo de um amigo” que trabalha no Senado nos levou para tomar o café de graça mais caro da minha vida (o café é gratuito, qualquer cidadão pode tomar, mas ele é pago com nossos impostos!) e para conhecer alguns lugares no Congresso que, apesar de abertos ao público, não são incluidos na visita guiada. Então passamos por outra passagem subterrânea (que lembra um filme de ficção científica) até o Anexo IV da Câmara dos Deputados. Lá subimos até o terraço, onde se encontram um restaurante e uma lanchonete (abertos ao público) e de onde se tem uma vista bem legal do Congresso.

O próximo passeio era a visita guiada no Palácio Itamaraty. Se por fora o prédio já é o mais belo da Esplanada, por dentro não deixa para menos. Depois da visita guiada, novamente encontramos uma “amiga de um amigo” que é diplomata e que nos levou para conhecer salões que não são abertos ao público e, como ela já trabalhou no cerimonal do Itamaraty, nos explicar com mais detalhes o funcionamento do órgão. Após o passeio era hora de voltar para ver o famoso por do Sol de Brasília.

Congresso Nacional

Congresso Nacional

A noite fomos jantar no Faisão Dourado, um ótimo restaurante onde além da qualidade, o preço vale muito a pena (também pela quantidade servida).

No sábado de manhã demos um pulo no Mercado Municipal, que é uma imitação em menor escala (bem menor) do Mercado Municipal de São Paulo. Apesar de ser pequeno, a variedade de produtos é muito grande até impressiona! Depois fomos até o Quituart, uma “praça de alimentação” que fica perto do Lago Norte, degustar uma bela de uma Porqueta no Le Birosque. Depois do almoço seguimos rolando até o Mercado Cobogó, um misto de café e galeria de arte, na SCRN 704/705, onde estava rolando uma feira de artes muito legal. Ótimo é notar que, assim como vem ocorrendo em São Paulo, a galera de Brasília tem ocupado os espaços públicos com arte, culinária ou qualquer coisa que o valha. Inclusive uma galera de Valinhos que faz xilografia “despencou” do interior de São Paulo à bordo de uma bela Veraneio para participar do evento. Além de poder prestigiar vários artistas locais, ainda foi possível tomar umas cervejas especiais no Fusbier. Depois da feira fomos até o Objeto Encontrado, um outro misto de café e galeria que, segundo os brasilienses, tem o melhor cheese cake da cidade. Discordo deles: é o melhor cheese cake do Brasil.

Parque da Cidade

Parque da Cidade

À noite já estava reservada para curtir a festa Simetria, organizada também por um “amigo de um amigo”, no Velvet Pub, uma casa que poderia estar tranquilamente localizada no Bixiga. Interessante notar a mistura de tribos convivendo em harmonia no mesmo local.

No domingo fomos conhecer  a ponte JK, uma ponte estaiada cuja arquitetura dá de dez a zero nas duas estaiadas de São Paulo, e que passa pelo Lago Sul, que conta nas suas margens com uma ótima área de lazer e uma “praia” para quem está longe do litoral (senti uma ponta de inveja pelos rios Tietê e Pinheiros não serem limpos) e na sequência fomos até o Palácio da Alvorada. Deve ser legal fazer o passeio lá, mas ele que ocorre somente às quartas feiras.

Salão Verde - Congresso Nacional

Salão Verde – Congresso Nacional

Para finalizar fomos almoçar no restaurante Casarão, que serve em mesas espalhadas por uma praça e cuja refeição (e algumas cervejas) são acompanhadas por um grupo de chorinho. O programa é tão agradável que dá vontade de voltar só para curtir um domingo ali. Como o resto da cidade também te atrai de volta, existem muitos motivos para eu voltar à Brasilia. Aliás, existem vários motivos para até morar em Brasília!

Observações, dicas e considerações:

  • A falta de conhecimento do funcionamento da nossa democracia e a falta de respeito às nossas instituições democráticas talvez diga muito do porque sempre sermos “o país do futuro”. Tinha gente que estava na visita ao congresso esperando para encontrar a Dilma. E muito provavelmente para chamá-la de vaca, cadela, terrorista, etc. Lamentável!!!!
  • Gostei bastante da forte presença da arte de rua em Brasília. Tem muito grafite e lambe-lambe espalhados pela cidade. E o melhor de tudo: sem desrespeitar a arquitetura.
  • Por falar em arquitetura, aqueles prediozinhos todos padronizados, com os “jardins” entre eles, lembra muito a arquitetura da parte oriental de Berlin com seus prédios “comunistas”.
  • Fiquei curioso para saber o porque do choro ser tão popular e forte em Brasília!
  • Os motoristas em Brasília respeitam faixa de pedestre. Outro ponto positivo para a cidade.
  • Sério que alguém não consegue entender o sistema de ruas de Brasília? Em meia hora na cidade dá para você aprender a se localizar: asa norte, asa sul e cada lado do “corpo do avião”. Contando à patir do eixo central, os “bairros” são numerados em centenas (a centenas ímpares ficam no oeste e as pares no leste, em relação às asas) e as quadras são contadas em decimais, à partir do eixo central. É lógica pura! Se me der o endereço me acho fácil por lá.
  • Pessoal de Brasília tem mania de falar que tudo é longe e que táxi é caro. Acho que eles têm a mesma cultura “carrista” de SP. Do Velvet Pub até a W3 Sul, na Q 713 (quase no final) deu 20 reais de táxi. Eu gasto entre 40 e 50 para ir da Vila Madalena, na Zona Oeste, até a Freguesia, que podemos considerar Zona Noroeste (fica na Zona Norte, mas bem na divisa entre as duas regiões).
  • A receptividade do povo de Brasília é bem acima da média brasileira e muito acima de São Paulo.

Be happy! 🙂

Senado Federal

Senado Federal

Plenarinho - Senado Federal

Plenarinho – Senado Federal

Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados

Congresso Nacional

Congresso Nacional

Palácio Itamaraty

Palácio Itamaraty

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Objeto Encontrado

Objeto Encontrado

Ponte JK

Ponte JK

Palácio da Alvorada

Palácio da Alvorada

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

Wanderlust #28 – Norte e Nordeste Brasileiro

Brasil 1Há alguns anos eu vinha tendo vergonha de um fato: eu conhecia mais estados dos EUA do que do Brasil. Este ano resolvi mudar isto e fui conhecer um pouco mais do meu próprio país. Em março fui a Salvador, agora rodei por mais 4 estados. Também fui à Brasilia, mas falarei no próximo Wanderlust.

Propositalmente eu foquei minhas férias em capitais / estados que não ficam na rota do turismo comum e são pouco explorados pelos proprios brasileiros: Pará, Maranhão, Paraíba e Sergipe.

A minha primeira impressão ao chegar no Pará e depois no Maranhão foi “por quê diabos estes locais são pouco explorados?”, não so pela indústria do turismo, mas por inúmeros tipos de negócios que poderiam (e deveriam) ser melhor desenvolvidos por lá. São estados com inúmeros recursos, tanto naturais quanto de mão de obra.

Tanto Belém quanto São Luís são cidades mal conservadas, com regiões (notadamente as regiões centrais e as periferias) com prédios abandonados e entregues ao crime e à contravenção.

Ai depois eu fui até João Pessoa e tive uma impressão totalmente diferente. João Pessoa é uma cidade organizada, limpa, segura. Você se sente à vontade em andar pela cidade sem ter que ficar tenso e prestando atenção ao que ocorre à sua volta, a não ser a paisagem. O custo de vida também é barato e você vê que as pessoas, independente da classe econômica, conseguem ter uma boa qualidade de vida, que ao final é o que importa.

Aracaju então me surpreendeu demais. Muitas e muitas quadras – de futebol (society e salão), tênis  (cimento e saibro), basquete, vôlei. Parque de diversões, um belo jardim linear na orla da praia, muitas ciclovias, praças, skatepark e até pista de motocross e kartódromo. Tudo feito pelo poder público. Assim como João Pessoa, Aracaju me mostou que com um pouco de boa vontade o Estado pode propiciar uma qualidade de vida melhor para todos os cidadãos.

Mas a diferença entre os lugares que eu conheci nesta trip me leva a pensar em duas coisas:
1 – Comparados com o Pará e Maranhão, Paraíba e Sergipe são muito pequenos e com muitas restrições de recursos, tanto os finaceiros quanto de espaço e naturais. O que me leva a pensar que o problema do Brasil é a abundância: nos estados mais ricos e no país como um todo nós apenas nos preocupamos em abusar dos recursos que temos, sem fazermos o melhor uso deles e pensando sempre no curto prazo.
2 – A sensação de segurança em João Pessoa e Aracaju é enorme em comparação com Belém e São Luís  (e também Salvador, Rio e São Paulo), o que me leva a pensar que o problema da violência não é causado apenas por conta da impunidade, mas também pela baixa qualidade de vida e a sensação de exclusāo que a população mais pobre sofre nas grandes cidades.

Acho que um dos maiores problemas do brasileiro hoje é o fato de que a maioria dos cidadãos não pensa em qualidade de vida como objetivo final para sua própria vida e para a sociedade. O brasileiro pensa em se sentir diferenciado. Ele não quer que todo mundo tenha condições de ir e voltar para o trabalho/escola usando transporte público, com conforto, segurança e no menor tempo possível. Ele quer isto só pra ele e ai ele quer comprar o melhor (e maior) carro e quer que as avenidas sejam dele. Ele não quer que todo mundo seja capaz de viajar para os mesmos lugares que ele nas férias (que sentido teria viajar se não for pra contar vantagem né?!?!). Ele não pensa que todos poderiam usar a cidade e os seus aparelhos (de lazer, cultura, saúde), ele quer é ir morar num prédio com piscina, playground, varanda gourmet (argh!), até cinema, para não precisar nem sair para o shopping. Ele não quer que as desigualdades sejam menores, ele quer é estar no topo da pirâmide, mesmo que isto signifique que ele tenha que andar de carro blindado.

Como já deixei claro em um artigo recente: o brasileiro precisa decidir o que ele quer, se é ser diferente ou se é ter uma sociedade segura, sem corrupção e onde o Estado cumpra o seu papel com a maior eficiência possível. A história e mesmo os exemplos atuais mostram que desigualdade e qualidade de vida não caminham juntas e, sinto informar, nem se mudar para Miami vai adiantar.

Be happy! 🙂

Wanderlust #27 – Aracaju e Canindé do São Francisco, Sergipe, Brasil

01 Aracaju - Sergipe - BrasilAcho que Aracajú foi o lugar que mais me surpreendeu positivamente nesta trip e talvez um dos que mais me surpreendeu no Brasil! Além do fato de ser uma capital com pouco apelo turístico, meu pai é de Sergipe e por isto inclui a cidade no roteiro. Porém, já ao chegar de avião você nota que é uma cidade bastante desenvolvida e andando pela cidade você realmente chega a conclusão que talvez seja uma das capitais nordestinas com o melhor nível de desenvolvimento e de qualidade de vida.

Orla de Atalaia

Orla de Atalaia

Depois de uma maratona de avião vindo de João Pessoa, cheguei no modesto mas moderno aeroporto de Aracaju já no final da tarde. O Aeroporto é bem perto da cidade e consegui me acomodar no hotel com o dia ainda claro, pensando em aproveitar o finalzinho de tarde em algum quiosque na praia. Porém, depois de me acomodar e tomar um banho, caiu uma tempestade que impossibilitava sair a pé.

A chuva passou já era começo de noite e resolvi caminhar até a Passarela do Caranguejo, na própria orla de Atalaia, onde estava hospedado, pois é uma região com bastante bares e restaurantes. Nesta caminhada de cerca de 4 kms já deu para perceber como a cidade tem uma infraestrutura muito boa, tanto para receber o turista como para os próprios moradores. Na orla existem restaurantes, praças, ciclovia, playgrounds e mais um monte de equipamentos de cultura e lazer providos pelo Estado e em ótimo estado de conservação.

A praia em sí fica distante da avenida e do calçadão

A praia fica distante da avenida e do calçadão

No outro dia fui conhecer o outro canto de Atalaia (sentido Coroa do Meio) e o centro de Aracaju. Já de dia pude notar um pouco mais como é a geografia do lugar: ao longo da avenida da praia existe um Jardim contínuo, que conta com várias atrações (Kartódromo, Parque de Diversões, Centro de Exposição, etc), após o jardim existem lagos e uma extensa faixa de areia e só então começa a praia. Desta forma, a praia fica bem afastada da avenida (cerca de 200mts) e também de prédios que poderiam causar sombra.

A beleza das praias de Sergipe não se comparam às das praias de Alagoas e Rio Grande do Norte, porém as de Aracaju além de serem infinamente melhor preservadas, ainda contam com uma infraestrutura melhor.

Depois de andar bastante, resolvi pegar uma bike (lá a patrocinadora é a Net ao invés do Itau, como em São Paulo e no Rio) para pedalar até o centro. Outro ponto bom de Aracajú é que você pode conhecer a cidade toda usando as ciclovias e ciclofaixas existentes. Além disto os pontos de retirada e entrega de bikes estão muito bem distribuidos.

Praça Almirante Barroso

Praça Almirante Barroso

Conheci a Praça Almirante Barroso, onde se encontram alguns prédios históricos, a Catedral, o Centro de Artesanato (bom para comprar artesanato de verdade, com produtos feitos a mão) e mais alguns pontos do Centro Histórico. Depois peguei outra bike com a intenção de conhecer o Parque do Cajueiro, porém não tinha estação para entrega de bike no parque e como iria ficar ruim ficar andando com ela, preferi seguir até a outra ponta da orla de Atalaia, perto da Passarela do Caranguejo, para entregar a bike e conhecer esta parte durante o dia. A praia neste pedaço da orla, apesar de ser ainda mais distante do que as que ficam próximas à Coroa do Meio, parecem ser mais agitadas. Mas o nível de beleza e infraestrutura é constante em toda a orla. Depois de 15 kms de caminhada e de mais uns 25 kms pedalando e não tendo encontrado nenhuma festa junina, resolvi comer algo e voltar para o hotel, já que no outro dia tinha agendado um passeio até Canindé de São Francisco, para conhecer o Canion do Xingó, no Velho Chico.

Barragem da Usina Hidrelétrica do Xingó

Barragem da Usina Hidrelétrica do Xingó

A viagem de ônibus de Aracaju até Xingó dura pouco mais de três horas, cruzando quase todo o Estado em direção ao Noroeste e passando por boa parte das cidades mais importantes, o que é uma boa oportunidade para admirar a flora do Estado.

A Usina Hidrelétrica do Xingó, que tecnicamente fica em Alagoas (o rio São Francisco separa os dois estados) é uma das mais recentes obras de infraestrutura deste porte no Brasil. Foi inaugurada em 1994 e hoje é responsável por gerar 35% de toda a energia elétrica consumida no nordeste brasileiro. Além disto, a força da gravidade que é usada para fazer as turbinas da hidroelétrica girarem também é responsável por mandar a água para canais de irrigação em Canindé do São Francisco, o que gerou ao redor dela um cinturão de producao de horti frutis no meio do sertão nordestino.

Canindé do São Francisco

Canindé do São Francisco

A construção da barragem aproveitou a existência de um paredão natural de pedras e a existência do Canion para diminuir ao máximo a necessidade de edificações: a barragem foi construida acima deste paredão de pedra o que gerou a inundação do Canion (o terceiro maior Canion inundado do mundo). Conforme explicou a guia do Catamarã, a profundidade média do São Francisco era de 20 metros antes da inundação e depois passou para 60 metros, chegando em alguns pontos a mais de 120 metros.

Durante o passeio de Catamarã até o porto de Brogodó (no município de Paulo Afonso, já estado de Alagoas) dá para notar a grandiosidade da formação do Canion e imaginar o tamanho que os paredões deviam ter antes da barragem. Além de tudo, dá para notar diversas formações nas rochas. Formações estas que indicam que há milhões de anos aquilo tudo estava debaixo do mar.

Acho que dentro do Brasil foi um dos locais mais belos que eu já conheci, quando se fala em beleza natural. É de tirar o fôlego mesmo!

Depois de encarar as 3 horas de volta para Aracaju, só restou dar uma descansada e tomar algumas cervejas para relaxar para encarar a volta e o fim das férias.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu fiquei realmente impressionado em Aracaju com a disponibilidade de equipamentos de cultura e lazer: quadras e mais quadras (de futebol, volei, basquete, tenis, etc), parque de diversões, muitas ciclovias, skatepark e até pista de motocross e kartódromo. Tudo feito pelo poder público e em ótimo estado de conservação.
  • Existe uma unidade do Projeto Tamar na orla de Atalaia que vale a visita.
  • O pessoal leva o São João à sério em Sergipe. Todos os prédios residenciais e comércios estavam enfeitados com bandeiras. O pessoal me falou que lá o São João mexe mais com a cidade do que o natal e a Copa do Mundo.
  • Itabaiana, uma das várias cidades pelos quais passei a caminho de Xingó, é a cidade onde a profissão de caminhoneiro surgiu no Brasil. Uma curiosidade é o alto número de caminhões vermelhos, pois existe uma “lenda” de que caminhões vermelhos andam mais rápido que os demais.
  • Perto da barragem de Xingó formou-se uma  bela praia de água doce. Deve ser legal ir passar mais de um dia na região e aproveitar esta “praia” com sua água doce, quente e limpa.
  • Pelo pouco que conheci da cidade dá para imaginar que Aracajú, depois de João Pessoa, deve ser a capital do nordeste mais interessante para morar.

Be happy! 🙂

Catedral Metropolitana de Aracaju

Catedral Metropolitana de Aracaju

Praça General Valadão

Praça General Valadão

Passarela do Caranguejo

Passarela do Caranguejo

Arcos de Atalaia

Arcos de Atalaia

Morro do Gavião

Morro do Gavião

Morro do Japonês

Morro do Japonês

Cânion do Xingó

Cânion do Xingó

Porto de Brogodó

Porto de Brogodó

15 Canion do Xingo - Rio Sao Francisco - Canindé do São Francisco - Sergipe16 Canion do Xingo - Rio Sao Francisco - Canindé do São Francisco - Sergipe