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Wanderlust #39 – San Francisco – Califórnia (3/51) – Estados Unidos

(30/Mar/2017-02/Abr/2017)

Devido aos imprevistos ocorridos na trip entre LA e San Francisco, pegamos um baita de um trânsito (horário de pico) e acabamos chegando na cidade já a noite. Nos dirigimos ao hotel, que ficava no bairro Tenderloin – um dos mais centralizados e movimentados. A primeira vista, a área onde o hotel ficava não era das melhores e confesso que me incomodou um pouco a quantidade de moradores de rua no local (não pelos moradores de rua, mas por conta de algum perigo). Mesmo quando a recepcionista nos avisou que eles eram todos harmless, ainda fiquei com aquela pulga atrás da orelha, mas mesmo assim fomos dar uma volta e procurarmos algo para comer. A região central estava deserta, o que me causou um estranhamento, pois mesmo sendo uma quinta à noite, normalmente algum movimento nas áreas centrais existe. Então a primeira impressão da cidade acabou não sendo muito boa. Depois de comermos nos dirigimos ao Zeigeist, um bar com temática punk, ótimas opções de cervejas e um aprazível biergarden.

No outro dia voltamos a downtown e a minha impressão começou a mudar: o centro estava muito movimentado, tanto de turistas quanto de locais, já que era um dia útil. De lá, fomos até a região conhecida como Embarcadero, que é a região onde se encontram, além dos terminais de passageiros (lembrando que a cidade fica numa baia, ou seja, para acessar outras cidades precisa usar pontes ou barcos), alguns shoppings, restaurantes, centros de exposições, etc. Toda esta região parece ser sido revitalizada há pouco tempo e parece ter como público alvo os próprios moradores da região

Caminhando sentido norte, chega-se ao Fisherman’s Wharf, que é um complexo com restaurantes, bares, museus, também à beira mar, porém mais voltado para os turistas. Andamos um pouco por ali e seguimos até a Ghirardelli Square, depois subimos a Russian Hill para cair na Lombard Street, que tem a fama de ser a rua mais sinuosa e inclinada do mundo (ela e sinuosa justamente pelo fato de ser inclinada: para que os carros não trafeguem por um declive muito íngreme). Duvido que a fama resistiria se visitassem algumas ruas das periferias de São Paulo ou Rio.

Voltamos para a Ghirardelli Square e pegamos o famoso Cable Car de San Francisco, passeio obrigatório para quem vai à cidade, no sentido downtown. De lá fomos ate a Mission Bay pois queriamos visitar o biergarten da Anchor (que recentemente foi vendida para a japonesa Sapporo). No caminho passamos pelo belo Yerba Buena Gardens. O biergarten da Anchor fica em frente ao estádio dos Giants e, como estava tendo jogo, ficamos pouco tempo (alem de não termos podido pedir o sample flight por este motivo). Já era final de tarde então resolvemos voltar para a região de Tenderloin / Union Square, mas no meio do caminho, na região conhecida como SoMA (South of Market) encontramos a Thirsty Bear brewery e ai toca experimentar mais cervejas. 

Jantamos em um Italiano (sendo mal atendidos novamente!) e voltamos ao hotel. No outro dia, fomos conhecer talvez a atração mais famosa da cidade: a famosa Golden Gate. Para que o dia rendesse, preferimos percorrer a ponte de carro, então passamos por ela e nos dirigimos ao mirante que fica logo do outro lado. A atração é superestimada, como são superestimadas a maioria das atrações nos EUA, mas mesmo assim, a propaganda (em filmes, quadrinhos, livros, etc.) é tanta que mesmo com a consciência de que não passa de uma ponte, você ainda acha legal….hahaha

Depois de algumas fotos, seguimos para Sausalito, uma pequena cidade que fica do outro lado da baia. É uma pequena e charmosa cidade litorânea. Valeria a pena almoçar em alguns dos restaurantes a beira mar, mas ainda era muito cedo e então voltamos rápido. Na volta, já tínhamos programado para visitar um outro mirante, que proporciona uma vista do outro lado e por cima da ponte. Neste mirante precisa de paciência, pois existem poucas vagas (demos sorte de alguém estar saindo quando já estávamos quase desistindo).

De lá fomos para o Golden Gate Park, que mereceria um dia somente para ele, e também passamos em Ocean Beach, que fica na frente do parque. Nunca ouvi falar que San Francisco tivesse turismo voltado para as praias, como Los Angeles ou San Diego. Se as demais praias da cidade forem como Ocean Beach, está entendido o motivo. Não que seja feia, ou suja. Simplesmente não é nada. Não é bonita (tampouco é feia), não tem onda (para servir aos surfistas), não tem restaurantes. É apenas sem graça.

Deixamos o carro no hotel e fomos explorar um pouco mais, iniciando pela Union Square (por onde já tínhamos passado no dia anterior, muito rapidamente) e passando por Chinatown (sem graça como todas as Chinatowns que eu já conheci). Caminhamos então para o Fisherman’s Wharf, para onde queríamos voltar para comprarmos alguns souvenirs, tomarmos um clam chowder e depois fazermos hora até o pôr-do-sol no Jack’s Cannery Bar, que havíamos visto anteriormente. No caminho cruzamos com o Washington Square Park, que estava tomado de pessoas aproveitando o belo dia de sol (e tomando cervejas e vinhos!). 

Pra encerrar a trip da Califórnia era hora da já tradicional (para a costa leste dos EUA) foto do pôr-do-sol.

Assim como ocorreu com o Rio de Janeiro, sai de San Francisco com aquela sensação de “por que não conheci esta cidade antes?”, especialmente porque tive muita oportunidade e nunca me interessei em ir.

Observações, dicas e considerações:

  • San Francisco para mim acabou sendo a mais “brasileira” das cidades americanas que conheci até agora. Uma mistura de São Paulo (culinária, cultura, vida noturna) com o Rio (descontração, praia, despojo).
  • A vantagem em relação às cidades brasileiras é que eles entenderam e aplicam o conceito de “multimodalidade” no transporte: tem trólebus, bonde, metro, trem, bicicletas, tudo muito bem integrado, num nível visto geralmente em cidades europeias.  
  • Para completar, os serviços de transporte individual privado (Lyft e Uber) são tão rápidos, baratos e eficientes que não duvido que, em pouco tempo, pouca gente na cidade terá veículos particulares. É impressionante a disponibilidade do Lyft: você clica na solicitação e o sistema ja direciona um carro que esta a poucos metros de você.
  • Por falar em veículos particulares, ao contrário do restante da California, onde a Kombi é normalmente o “carro descolado”, em San  Francisco o Fusca parece ser o queridinho.
  • Não existem cabines de pedágio na Golden Gate (apesar de ter aviso do valor de pedágio): eles simplesmente fotografam a placa e mandam a conta do pedágio para o endereço de registro do veículo, como se faz com multas no Brasil. Este sistema está sendo implementado em outros estados também (Massachussets, New York e Connecticut são alguns que eu sei que usam). No caso de carro alugado, a locadora irá cobrar, posteriormente, o valor do pedágio (e provavelmente alguma taxa adicional) do cartão usado para a locação.
  • Nao deixe de provar os chocolates da Ghirardelli. Para mim não perde em nada para, por exemplo, os da Lindt. E nas lojas geralmente eles dão amostras grátis. Por isto não hesite em entrar sempre que passar por uma (a dica vale para as outras lojas em toda a Califórnia).  
  • Segundo a Lei da Califórnia, é proibido o transporte de containeres de bebidas alcoólicas que estejam abertos ou com o lacre quebrado (na verdade, a “proibição de beber em público” se resume a leis assim praticamente em todo os EUA). Porém, alguns locais públicos podem permitir, temporária ou permanentemente, a posse de containeres abertos, o que implica, automaticamente, na “revogação” da proibição de consumo. Tem uma lista dos parques em San Francisco onde e permitido aqui.
  • Outra exceção e quando o container está sendo transportado para reciclagem. Fica a dica 😉.

Be happy 🙂

Bonde antigo em Embarcadero

Fisherman’s Wharf

Alcatraz

Fisherman’s Wharf

Fisherman’s Wharf

Lombard Street

Cable Car na Ghirardelli Square

Yerba Buena Gardens

Anchor Beer Garden – Mission Bay

Golden Gate

Sausalito

Golden Gate

Golden Gate

Wanderlust #38 – PCH (Pacific Coast Highway) e San Luis Obispo, Califórnia (3/51), Estados Unidos

Ventura: a onda corre perpendicularmente ao calçadão da praia.

O trecho da Pacific Coast Highway, também conhecida como State Route 1 (SR 1), ou PCH para os locais, entre Los Angeles e San Francisco deve ser, muito provavelmente, a “road trip” mais percorrida dos EUA. Apesar da Rota 66 ser mais conhecida (ela tambem termina – ou começa, vai saber – em Los Angeles, especificamente no pier de Santa Monica), o trajeto da Rota 66 é mais longo e com menos atrações turísticas não ligadas diretamente à uma road trip.

Como nunca tinha ido até San Francisco (shame on me!), que desta vez estava no roteiro, colocamos este passeio na programação. Para nao ter que dirigir mais de sete horas direto (tem um caminho mais rápido, que leva umas 6 horas, mas a paisagem não é tão legal) e para poder parar em alguns pontos de interesse, adicionamos um pernoite em San Luis Obispo.

Saindo da cidade de Los Angeles, já existem algumas praias bem interessantes que valem uma parada. Sunset, Topanga, Malibu, Point Dume, Zuma Beach, Leo Carillo (esta vale até para passar algumas horas), Dana Beach, além de algumas outras, são recomendações que eu daria. Mas desta vez resolvemos subir direto até Ventura e iniciar a trip à partir dali.

Nunca havia parado em Ventura. Me parece uma cidade bem legal inclusive para passar uns dias. Tem um ar jovial. Achei muito interessante o calçadão denominado Surfers’ Point at Seaside Park, em Downtown Ventura: as ondas se formam perpendicularmente à este calçadão, então dá pra ver os surfistas a poucos metros de distância.

De Ventura, partimos para Santa Bárbara, que é uma cidade de veraneio onde, aparentemente, o pessoal mais “de grana” vai passar as férias e feriados. Por isto, ela tem uma estrutura bem turística: vários restaurantes, serviço de aluguel de bikes e até aqueles “bondinhos” que são comuns em praias brasileiras.

De lá, seguimos direto para San Luis Obispo (aka SLO), pois queriamos chegar ainda de dia para podermos conhecer a cidade. Não vou dizer que foi uma idéia ruim, mas também não foi um passeio que valeu a pena.

Por ficar quase no meio do caminho entre LA e San Francisco, SLO nasceu (em 1856) e se desenvolveu como um ponto de parada para as pessoas que se deslocam entre as duas grandes cidades. Então a cidade até conta com uma rede hoteleira (para este propósito, ou seja, hotéis e motéis simples, para pernoite), restaurantes e algumas lojas. Hoje em dia a California Polytechnic State University, baseada na cidade, traz um outro público. Mas pra ter idéia do “potencial turístico” da cidade, a maior atração é um beco onde as paredes são forradas de chicletes mastigados (isto mesmo!). Tá bom, tem a Mission San Luis Obispo de Tolosa, uma missão católica que deu nome à cidade.

Valeu o descanso (até porque, algumas supresas aconteceriam no restante do trecho, conto abaixo) e para conhecer a Central Coast Brewing, que além de ótimas cervejas, tem um “deck” bem aconchegante. Também deu para conhecer a SLO Brew, que até tem umas cervejas legais, em um ambiente gigante, mas como fomos “expulsos” (pra variar!) do local, a experiência não foi as melhores.

No dia seguinte era hora de continuar a viagem. Já haviamos mapeado alguns pontos interessantes e o primeiro era Morro Bay (resolvemos pular a praia de San Luis Obispo, por ficar afastada da cidade), outra cidade de veraneio, que conta com um calçadão bem legal, além de uma ótima vista do morro que dá nome à praia. Pelo que vimos na cidade, parece que rolam bastante eventos por lá durante o ano todo.

Seguindo a viagem, fomos decidindo o que fazer e paramos novamente em Cambria. A praia é bonita, mas fica meio que num conjunto residencial. Então foi só tirar fotos e “pé na tábua”. As paradas seguintes seriam Ragged Point, Gorda, Lucia, Big Creek (pois queria parar na Rocky Creek Bridge para umas fotos), Big Sur, Point Lobos, Carmel-by-the-Sea, Monterrey e, se desse tempo, Santa Cruz e San Jose, antes de chegar em San Francisco.

Mas em Ragged Point tivemos duas surpresas, uma boa e outra nem tanto. A boa é que Ragged Point é um daqueles lugares de tirar o fôlego, de tão belo. Do alto de um morro você enxerga a encosta toda esverdeada, que parece que foi pintada para combinar com o mar lá embaixo. Uma pena que estava um vento gelado e quase não conseguimos ficar, apesar do sol. E como nem tudo são flores, uns 200 metros a frente de Ragged Point avistamos um bloqueio, ao perguntar para o funcionário o que ocorria, fomos informados que, devido às chuvas de inverno, parte da encosta havia desmoronado e a PCH estava interrompida. O desvio mais próximo ficava a 40 milhas na direção de onde viemos e, contando com o trecho que teriamos que percorrer para chegar num ponto em que poderiamos voltar para a PCH, perdemos umas tres ou quatro horas.

Paciencia, faz parte! Mas tivemos que abandonar parte da programação e, devido ao imprevisto, acabamos tendo tempo apenas de passar por Carmel-by-the-Sea (praia interessante, lembrando bastante as praias do nordeste brasileiro) e Monterrey, uma cidade de veraneio que me surpreendeu pelo tamanho e estrutura.

Fiquei com vontade de conhecer os outros lugares, mas como já tinhamos planos em San Francisco (próximo Wanderlust, que não sei quando sai), não daria tempo de voltar e perder mais duas ou três horas de estrada, sem falar no cansaço.

Observações, dicas e considerações:

  • Fiz o trajeto indo de Los Angeles para San Francisco, mas acho que fazer no sentido contrário (descendo de San Francisco para Los Angeles) é melhor, pois além de estar mais perto da costa, fica mais fácil para parar de sopetão, ao avistar um lugar legal.
  • Por outro lado, existe um pouco mais de “perigo” na descida, pois em várias partes você está dirigindo na beira de um penhasco, sem guardrail ou acostamento. Portanto, precisa de muita atenção.
  • Os melhores meses para ir são entre Junho e Novembro: o tempo está agradável (não que faça muito frio na Califórnia, mas no inverno dá pra esperar algo como o inverno de São Paulo) e as chuvas de inverno já terminaram há uns 3 meses, o que dá algum tempo para que as obras de recuperação das vias sejam concluidas (no caso de interrupções por conta de deslizamentos).
  • É sempre bom dar uma pesquisada no Google para ver se existe alguma interdição na PCH. Comemos bola neste ponto (nem imaginávamos!).
  • Para quem gosta de dirigir, a Topanga Canyon Road, que começa PCH, na praia de Topanga Beach, e vai ate Canoga Park, já no San Fernando Valley, é uma boa pedida. A estrada é bastante sinuosa (mas com boa sinalização e visibilidade) e com uma bela paisagem. Depois dá pra voltar pra LA pela 101 e 405 ou pegar alguma outra estrada pra voltar para a PCH (ou mesmo seguir direto até Ventura pela 101, e ai perde-se as praias de Malibu).

Be happy 🙂

Boardwalk em Ventura Downtown

PCH

Santa Barbara

A principal atração de San Luis Obispo: um beco cujas paredes são cobertas por chicletes mastigados!!!

A bela Morro Bay

Cambria

Cambria: bela praia, mas só isto!

Pé na estrada!

Ragged Point!

Pegando o desvio =(

Carmel-by-the-Sea: lembra muito as praias do nordeste brasileiro

Monterey: uma “grande” cidade de veraneio.

Ragged Point: uma pena que uma foto não consiga capturar toda a beleza do local. Mas fica na memória um dos lugares mais belos que eu já conheci.

 

Wanderlust #37 – Los Angeles, Califórnia (3/51), Estados Unidos

Huntington Beach: 21 anos de diferença (1996 e 2017). Até as bandas que eu gosto mudaram!

“Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” – Heráclito de Éfeso

Desde 2008, quando passei uma temporada na cidade (algumas info adicionais aqui), Los Angeles se tornou a minha cidade pra se morar. Tipo assim: se me dessem a oportunidade de escolher qualquer cidade do mundo para morar para o resto da vida, sem possibilidade de trocas, até a pouco tempo não teria hesitado em apontar LA. Mesmo amando São Paulo, tendo uma paixão recente pelo Rio e de ter conhecido, desde então, Berlin (que pra mim ainda é a melhor cidade do mundo no quesito geral).

Los Angeles é cosmopolita (como São Paulo e New York), tem muitas belezas naturais e ótimas praias (como o Rio de Janeiro) e é tolerante e cultural (como Berlin, com a vantagem de ter um clima melhor).

E é o lado cosmopolita da cidade que talvez esteja me afastando dela (neste sentido de talvez não achá-la mais o “melhor lugar para se morar”). Los Angeles é ampla, muito ampla. Entre o extremo sul do condado (la por Huntington) e o extremo norte (Calabasas) sao mais de 200 quilômetros. De leste a oeste a distância também é grande e, por exemplo, do alto do Griffith Observatory já não se consegue enxergar o mar.

Como toda a vida econômica, cultural e educacional se concentra numa pequena parte desta área imensa, alguns problemas são críticos na cidade: o custo de vida nesta pequena área é altíssimo, isto acaba empurrando as pessoas para áreas mais distantes e como o sistema de transporte público ainda é limitado (apesar da visível melhora dos últimos 10 anos), o trânsito é caótico durante quase todo o dia, todos os dias, incluindo os finais de semana.

Então quando cheguei desta vez em LA, depois de ter passado por Huntington Beach (uma das praias mais movimentadas, mesmo estando longe da região “central” do condado) e por Long Beach (uma das maiores cidades do condado, que mereceria mais a minha atenção), a primeira sensação foi de que hoje eu já não encararia gastar duas ou três horas do meu dia dentro de um carro para ir e voltar do trabalho. Como também não teria condicoes de bancar o custo de viver em Venice ou Santa Monica. E como fora desta área as opções para trabalho já são mais limitadas, dificilmente seria um lugar em que eu “investiria” uma mudança.

Mas voltando ao passeio, depois da viagem desde San Diego e a road trip pelas praias que ficam no caminho entre as duas cidades, era hora de visitar, novamente, o lugar em que eu batia cartão em 2008, o Britannia Pub. A viagem foi planejada para que passássemos um domingo em LA para podermos ir ao pub ver uma apresentação da “Number 9”, uma tribute band de Beatles que eu ia assistir quase todos os domingos. O bar já não é mais o mesmo (o público na época era mais descontraído e desta vez o pub crawl Santa Monica passou por lá, gerando algum incômodo) e a banda em sí já não tem a mesma pegada. Mas ainda assim tem as figurinhas de sempre: o bartender Richard dando sua canja, L.J., e mais alguns que sempre batem cartão. Valeu pela memória afetiva.

Na segunda foi dia de levar a Lu para turistar: Hollywood Bowl (dizem que é o melhor lugar para ver o supervalorizado letreiro de Hollywood) e o Griffith Park (e o observatório) de onde também se tem uma vista do letreiro, que repito, é supervalorizado (a Lú teve a mesma reação de “é só isto?” que eu tive em 1996).

Depois fomos fazer as praias ao sul de  Los Angeles que ficaram faltando no domingo:

  • Redondo Beach: tem um pier bem grande e até conta com mais atrações que o de Santa Mônica (mais restaurantes e sem o parque, que também não é lá estas coisas).
  • Hermosa Beach: praia bem simpática e com ótima infraestrutura. Daria até pra pensar em ficar alguns dias numa próxima vez. Detalhe: o tabaco é banido na cidade e é proibido fumar em qualquer área pública. Mesmo em áreas privadas (casas), a fumaça ou o cheiro não podem incomodar vizinhos e transeuntes.
  • Mission Beach: também tem uma boa infraestrutura e parece ser um lugar não só pra veraneio, mas onde as pessoas moram. Estava bem cheia para uma segunda feira.

A próxima parada/praia seria Venice e claro que no caminho passamos por Marina Del Rey para rever o lugar onde morei. Venice é um lugar para perder algumas horas andando e observando a “fauna” local (turistas, artistas de rua, locais, skatistas, etc), bem como seu habitat (bares, lojas, feiras, etc). Infelizmente estava ventando demais e tivemos que abortar a missão. Fomos deixar o carro no hotel e depois andamos até Santa Mônica. Já haviamos passado no 3rd Street Promenade (um shopping a céu aberto, com bastante movimentação, artistas de rua, etc) no domingo, antes do Britannia, por isto fomos diretos para o Pier para podermos assistir o pôr-do-sol. Depois paramos num Biergarten (Big Dean’s Oceanfront Cafe) que tem por ali para tomarmos umas cervejas e comermos algo.

Na terça feira, resolvemos não sair de carro e pegamos um ônibus até Venice para “refazer” o passeio que havia sido interrompido pela ventania. Um ponto importante aqui: hoje já dá pra se virar bem com transporte público em Los Angeles e o que ficar mais inacessível (Hollywood Bowl e o observatório, por exemplo) pode ser feito de Uber ou Lyft. Como disse, o calçadão de Vênice é pra se perder algumas horas (e é um dos melhores lugares para souvenirs também) e fomos andando até Santa Mônica, passando por Ocean Park, a praia / parque que separa as duas mais famosas praias de LA. Uma caminhada de quase 5 kilometros.

De Santa Monica pegamos o metro para ir até Hollywood Boulevard, onde ficam a famosa “Calçada da Fama” e o Chinese Theater (aquele onde os artistas deixam suas pegadas). Não é aquele passeio fenomenal, mas eu acho que é algo obrigatório pra se fazer em LA. De lá, metrô novamente e fomos para downtown. Como havia falado no artigo de 2014, downtown vem passando por um processo de revitalização e, apesar de não ser uma das melhores atrações que a cidade tem a oferecer, tem lá seu charme. O Grand Central Market é um dos lugares que, agora revitalizado, se tornou “cult”.

Estávamos decidindo o que fazer a seguir e procurando opções quando, sem querer, descobri que havia um bar da Mikkeller em Downtown LA, pertinho de onde estávamos e perto da estação onde deveriamos pegar o metrô de volta para o hotel. Nem hesitamos muito para encerrarmos nossa passagem por uma cidade pela qual eu sempre terei um carinho fazendo algo que eu aprendi a fazer justamente nesta cidade: apreciar cervejas diferentes.

Tudo muda, as cidades mudam, as situações mudam, mas principalmente as pessoas mudam. Desde 2008 a cidade mudou bastante, mas eu mudei ainda mais: conheci outros lugares, tenho outros valores, estou vivendo uma outra situação. Hoje Los Angeles talvez perderia pra San Diego (ou mesmo San Francisco) o posto de “lugar para se morar para o resto da vida”. Mas a Califórnia ainda continua imbativel. E ganhou mais pontos ainda com a extensão desta viagem, que fica para os proximos Wanderlusts.

Observações, dicas e considerações:

  • Nos EUA é comum o garçom ou barman vir de tempos em tempos perguntar se esta tudo bem, se quer mais alguma coisa, etc. Quando voce senta em mesa, é praticamente certo que após algum tempo o garçom ja trará sua conta. O que nunca havia reparado é que os sistemas dos bares é feito para isto: quando voce pede algo, ele deixa seu status como verde, depois de um certo tempo o status passa para amarelo e é nesta hora que o garçom vem verificar se voce precisa de algo mais. Se voce pedir algo, ao entrar o pedido, o status volta novamente para o verde e o ciclo se reinicia. Porém, se não entrar pedido na mesa ou conta, depois do amarelo, o sistema muda pra vermelho, ou seja, o cliente está ali dando prejuízo, pois esta ocupando espaço sem consumir nada. É nesta hora que o garçom vem te expulsar…..hahaha
  • É chato para o cliente, mas do ponto de vista do “negócio” o sistema é interessante. Mas ele é meio burro num sentido e situação: quando o bar está vazio, é melhor voce ter uma “possibilidade” de consumo (alguém que esta lá e pode, a qualquer momento, fazer um pedido), do que simplesmente eliminar esta possibilidade mandando o cliente embora. Mas como os americanos já são acostumados, são poucos os lugares que não seguem este sistema à risca (preferindo ficar vazios) e são pouquíssimas pessoas que reclamam (geralmente os gringos).
  • Ande sempre com moedas para o parking. Apesar da maioria dos parquímetros aceitarem cartão, fica mais fácil estender o tempo programado com moedas.
  • Como citei, o transporte público de Los Angeles (e da Califórnia em geral) melhorou muito nos últimos 10 anos. Com o advento dos aplicativos de serviços de transporte individual privado, um carro já não é mais obrigatório para visitar a cidade, como era há uns 10 anos.

Be happy 🙂

Huntington Beach

Richard e sua tradicional canja com a Number 9 no Britannia Pub – Santa Monica

Griffith Park

Redondo Beach

Mission Beach

Genios no grafite de Venice Beach

Santa Monica vista do pier

Venice Beach

Ocean Park

O pier de Santa Monica

Grand Central Market, Downtown LA

Mikkeller Downtown LA: 40 torneiras (+ 2 casks + 5 torneiras de vinho) de Mikkeller e do melhor das cervejarias californianas.

Wanderlust #36 – San Diego, Califórnia (3/51), Estados Unidos

San Diego Bay

Como havia dito no post da minha visita a San Diego de 2014, este foi o primeiro lugar que eu conheci fora do Brasil, lá nos meus 19 anos. A cidade tem mudado muito, mas eu também tenho mudado, então algumas coisas acabaram por me surpreender novamente.

O sistema de transporte público da cidade esta muito mais abrangente. Hoje um carro já não é essencial para visitar a cidade e dá pra se virar bem com a rede de transportes atual e Uber / Lyft. A mudança de mentalidade em relação à mobilidade urbana é gritante na California em geral: em pouquissimo tempo (de 2008 pra cá) as cidades se organizaram e as pessoas mudaram seus habitos.

Como uma coisa puxa a outra, a cidade está mais bem preparada para quem se locomove a pé, com revitalização de bairros antes “perigosos” (ocupar o espaço público é uma das melhores formas pra combater a criminalidade), bares e restaurantes abertos e/ou com mesas na calçada, praças e até uma feira livre. Little Italy (um dos melhores lugares pra se hospedar), Downtown e o Gas Lamp district são os melhores exemplos desta mudança.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o movimento cervejeiro local. Em basicamente todo bairro tem um brew pub, inclusive alguns já ícones da recente escola cervejeira americana, como a Ballast Point e a Coronado.

Como era a primeira vez da Lu na California, basicamente fiz o mesmo roteiro de praias que fiz em 2014, e só troquei o USS Midway pelo Gas Lamp District.

Tambem fomos passear por uma manhã no Balboa Park, o principal parque da cidade, que também conta com uma série de museus.

Na subida pra Los Angeles, fomos passando e parando em algumas outras praias, algumas que eu já queria parar (pra conhecer ou rever) e algumas escolhidas aleatoriamente. Pra facilitar, vou colocar em tópicos:

  • Torrey Pines: o tempo estava meio fechado e como aparentemente não tinha muitas atrações, resolvemos nem parar. Mas se tivéssemos mais dias na cidade, talvez valeria à pena conhecer.
  • Del Mar e Solana Beach: o tempo ainda estava fechado e uma das faixas estava fechada por conta de uma corrida, então não conseguimos parar também.
  • Encinitas: esta escolhemos aleatoriamente. Interessante: as casas ficam em cima de uma encosta e tem um baita escadão pra acessar a praia. O tempo ainda estava meio fechado, mas deu pra ver que é uma das mais requisitadas da região, principalmente por surfistas.
  • Carlsbad: esta eu já tinha passado em 2014 (e muito provavelmente em 1996), mas nunca parei. Cidadezinha de veraneio, com alguns hotéis, pousadas, restaurantes. Muito simpática. Se tiver oportunidade no futuro, gostaria de passar mais tempo e pernoitar na cidade.
  • Ocean Side: havia parado em 2014 e achei interessante voltar. A praia e o pier são bem movimentados. É uma cidade de veraneio, maior e mais urbanizada que Carlsbad. Outra que valeria a pena para passar alguns dias e pegar uma praia.
  • San Clemente: acabamos só passando por dentro da cidade, fugindo do transito, já que ela não tem acesso ao mar, pois encontra-se atrás de uma base naval.
  • Dana Point: já no condado de Orange County (do famoso seriado OC), umas das praias menos badaladas e propícia para esportes em mar tranquilo (como stand up paddle). Pelo jeito é uma das preferidas de banhistas também. Queria ter parado da outra vez, não sei porque não o fiz, mas desta vez não deixei passar.
  • Laguna Beach: esta é uma das praias mais procuradas de Orange County, principalmente por gente jovem que só quer curtir a praia, e nao “ostentar” como em New Port. Infelizmente não paramos (senão teriamos que pular outras praias por conta do tempo).

Se à partir de 2008 eu vinha considerando Los Angeles a melhor cidade do mundo pra morar pro resto da vida (a melhor na categoria geral ainda é Berlin), depois desta viagem já estou considerando San Diego para o posto. Até porque as mudancas de Los Angeles estão levando a cidade para um caminho diferente do meu, que tambem vivo mudando. Mas falo disto no próximo Wanderlust.

Observações, dicas e considerações:

  • Achamos uma praça John Basilone, o heroi de Raritan (a cidade de menos de dez mil habitantes onde moramos, em New Jersey).
  • O brew pub da Ballast Point lota. Tentamos ir na sexta-feira e estava simplesmente impossível de ficar lá dentro. E como (ainda) não se pode beber em público em San Diego, preferimos deixar a visita pro sábado à tarde. Eles têm até um Biergarten (pra mim nunca será Beer Garden) que é uma boa pedida em dias de tempo ameno.
  • Interessante como a cultura de Biergartens está se disseminando nos EUA. As pessoas querem fazer do ato de ir ao bar mais do que aquele encostar no balcão de madeira e encher a cara de Bud Light. Isto está fazendo até as leis quanto ao consumo de bebida em público e de licenciamento de estabelecimentos que vendem álcool (onde era proibida a entrada de menores de 21 anos) ficarem menos restritas.
  • Se a Ballast Point estiver cheia, vale uma tentativa na Bolt Brewery, uns dois quarteirões pra frente (sentido Downtown). Não tem o Biergarten, mas tem ótimas cervejas.
  • Nos dois brew pubs o sistema é de ir pedir no balcão, inclusive a comida, que depois é trazida pelos garçons (a cerveja você mesmo leva). Eventualmente, dependendo da boa vontade do garçom (de ganhar umas gorjetas) e da lotação, depois da primeira cerveja, ao notar o copo vazio, eles vêm perguntar se quer mais uma. Mas não conte com isto.
  • Passeando pelo Balboa Park vi uma coisa bem interessante: uma barraca de “evangelistas ateus”! Sabe aquelas barraquinhas que se vê em vários pontos de São Paulo com duas ou três pessoas, em trajes “sociais”, um cavalete com uma placa, algumas revistas, etc? Imagino que sejam as Testemunhas de Jeová. Bem, primeiramente também tem nos EUA, Bélgica e Portugal. Mas voltando ao assunto principal: tinha uma barraquinha no mesmo estilo, com vários folhetos pendurados, revistas e algumas pessoas dispostas à conversar sobre pensamento cético, ateísmo, etc. Achei muito interessante!

Be happy 🙂

Imperial Beach – San Diego

Sunset Cliffs – San Diego

Sunset Cliffs – San Diego

La Jolla – San Diego

Balboa Park – San Diego

Ballast Point – San Diego

Praça John Basilone – Little Italy – San Diego

Encinitas

Carlsbad

Ocean Side

Dana Point

Botecando #23 – Britannia Pub

Tony jamming with Number 9

Tony jamming with Number 9

Quando estive em LA em 2008 este era o bar em que eu “batia cartão” todos os domingos (inclusive foi o único lugar nos EUA onde ganhei “saideira”, pois lá é muito incomum).

Fica em Santa Monica, no Santa Monica Boulevard, entre a 3rd Street Promenade (vale uma passada por este calçadão antes) e a 4th street, bem no meio do burburinho de Santa Monica.

É um legitimo pub Inglês, com taps de ales e variada opção de pratos tipicos, como Fish’n’Chips e Shepherd’s pie.

A atracão aos domingos (e agora às quartas, fazendo karaokê) é a Number 9 Beatles Tribute band, que atrai além de frequentadores habituais, os turistas que se encontram na região e não resistem ao ouvir algum clássico (ou mesmo algum lado B) dos Beatles e acabam entrando.

Britannia 2O atendimento é muito bom e Richard, o barman, meio que interage com a banda (afinal de contas, fazem quase 10 anos que tanto ele quanto a banda estão lá todos os domingos), inclusive se arriscando a ir para o palco entoar “Something”.

A banda tambem é muito boa e toca praticamente todo o repertorio dos Beatles, inclusive atendendo a pedidos (alias, pedindo que o publico presente escolha as musicas).

O lugar costumava ficar lotado aos domingos, especialmente de turistas estrangeiros, mas infelizmente não ocorreu desta vez (acho que o Hooters que abriram em frente anda roubando clientela….hahaha)

Pra mim é sempre parada obrigatoria quando estiver em LA e aconselho, mesmo para quem nao é muito fa de Beatles, pois o clima é bem legal.

Update
Estava quase me esquecendo e a Rebeca me lembrou: o John Lennon da Number 9 é o Don Mendonça, um brasileiro de São Paulo que já mora lá nos EUA há uns 20 anos!

Onde: Britannia Pub (318 Santa Monica Blvd, Santa Monica, CA)
Quando: 27/04/2014
Bom: Number 9 (Beatles Cover) e atendimento
Ruim: distância do Brasil 😛
Site: www.britanniapub.com

Botecando #22 – Palladino’s Club

Palladino's 1

Tony e Rebeca me apresentaram o Paladino’s há um bom tempo atrás. Este bar me lembra muito o Fofinho’s Rock Club, em São Paulo, tanto no formato, quanto pela proposta rock.

É um bar de rock “mesmo”, onde bandas de “tributo” (bandas covers nos EUA são chamadas de “tribute bands”) se apresentam. Como eu disse no post do Blooze, é bem legal ver as bandas se caracterizando para inclusive aparentarem como os homenageados. E não que o som fique de lado, muito pelo contrário.

A primeira vez que estive aqui, vi um cover do Ozzy (cujo guitarrista tinha o visual e usava a mesma guitarra do Randy Roads, mas não lembro o nome da banda) e o Bonfire, um cover do AC/DC, com o vocalista com o dente quebrado como o Bon Scott e o guitarrista vestindo terninho escolar e tudo, como o Angus Young.

O casal Cortezza me enganou direitinho, ao dizer que não sabiam quem iria tocar e até sugerindo outro local (Sagent Brush, bem legal, mas que infelizmente não tive tempo para ir) e, quando estavamos para entrar, vi um cartaz escrito “Caress of Steel”, so que não deu nem tempo de ver quando seria, pois a fila andou. Quando fui pagar o cover no caixa (nos EUA geralmente se paga na entrada o cover, e as bebidas paga-se em separado), o cara perguntou se eu estava lá para ver o Rush (quando tem mais de uma banda, eles perguntam quem a pessoa foi ver e dividem o cache proporcionalmente), e nesta hora eu dei meus 12 dólares com o maior gosto do mundo.

O local, como disse, me lembra o Fofinho’s. É bem amplo e tem 3 ambientes: o bar em sí, com algumas mesas de snooker, a pista com o palco (grande!) e um “anexo” da pista com alguns sofás. O atendimento é padrão americano de bar: eficiente e simpático, mas deixe gorjeta, sempre!

Mas fiquei surpreso mesmo foi com a banda: uma competência impressionante!!!! Alias, acho que as bandas covers no Brasil deveriam fazer um estagio com as americanas. Ou as americanas deveriam fazer turnês por aqui, que iriam se dar bem.

O Baterista era um show a parte, tocando e “sentindo” a musica pra valer. O Guitarrista sem frescura, fez o que o Alex faria: direto e reto, estava lá para tocar e se divertir durante o percurso. O vocalista / baixista / tecladista por pouco não substituiria, eventualmente, o proprio Geddy Lee: além de conseguir tocar o baixo muito bem (um belo Rickenbaker 4001), conseguiu levar as partes de teclado numa boa (tanto com as maos, quanto com os pés), apesar de algumas partes já estarem gravadas (mas acho que o Geddy Lee tambem usa deste artificio ao vivo) e, apesar de desafinar um pouco, tinha o tom de voz parecido com o proprio Geddy.

Palladino's 2

E lá se foi uma bela sequência de Rush dos anos 80, que eu particularmente gosto, além de algumas músicas que, se dependessem dos fans, seriam tocadas em todo show do Rush: By Tor and the Snow Dog, Jacob’s Ladder, Working Man, entre outras.

Mas a melhor cena da noite foi um tiozinho, parecido com o Genival Lacerda, que estava quieto no seu canto ouvindo o som. Eu pensei que era apenas alguém que largou a patroa em casa para tomar umas e por acaso encontrou este bar no caminho. Porém, quando começa Tom Sawyer ele canta a musica de cabo a rabo. Prova que o Rush atinge todas as idades, raças, credos, etc.

Onde: Palladino’s Club (6101 Reseda Blvd, Tarzana, CA)
Quando: 25/04/2014
Bom: bandas
Ruim: nothing
Site: http://www.paladinosclub.com

Botecando #21 – Neptune’s Net

Neptune's Net 1Este é mais um restaurante/lanchonete do que um bar propriamente dito, mas como oferece várias opções de cerveja e é um dos poucos lugares nos EUA que voce consegue beber olhando o mar, vou colocar na categoria de boteco também.

Localizado em frente à praia de Dana Beach, na cidade de Malibu, este bar oferece várias opcoes de frutos do mar (para quem gosta) e conta com geladeiras com os mais variados tipos de cerveja. A coisa funciona no sistema self service: voce vai até a geladeira, escolhe sua cerveja, passa no caixa (onde se pode fazer os pedidos de comidas, incluindo muitos petiscos), paga, escolhe uma mesa e se senta.

Neptune's Net 2O bar é tambem ponto de encontro de motociclistas que o utilizam como ponto de encontro, ou apenas como parada para comer algo, durante os passeios pela Pacific Coast Highway, mais conhecida como PHC-01, a estrada que percorre a costa oeste americana, desde San Diego ate a fronteira com o Canada.

A vista para a praia de Dana Beach é bem legal e podemos inclusive enxergar alguns filhotes de baleia se exibindo. Infelizmente meu celular nao tem um zoom bom e não deu pra tirar foto.

Opcões de cerveja é que não faltam aqui e inclusive eu acabei experimentando uma dark lager da Guinness, que é mais famosa pela sua stout, que eu nem sabia que existia.

O cardápio, para alguem que nao curte frutos do mar como eu, não é lá muito atraente, mas aparentemente, pelo movimento no local, deve ser muito bom e com preços razoaveis.

Vale uma passada para quem estiver por LA e resolver fazer um passeio (praticamente obrigatório), pela PCH-01.

Onde: Neptune’s Net (42505 Pacific Coast Hwy, Malibu, CA)
Quando: 25/04/2014
Bom: beber olhando o mar
Ruim: nothing
Site: http://neptunesnet.com

Botecando #19 – Brennan’s Pub

Brennans 1Este legítimo pub Irlandes, aberto em 1972, era um dos lugares que eu mais frequentava enquanto estive em LA, muito pela proximidade de casa (uns 25 minutos andando), quanto pela qualidade do som que sempre rola lá.

Este e um pub “pub” mesmo: aquela “ilha” no centro do bar, com balcão de madeira, um jogo de dardos num canto, uma mesa de snooker no outro e um palco onde as bandas se apresentam.

Geralmente ia de sexta feira, já que como estava lá à trabalho (e trabalhava em horário dobrado, pois são 4 horas de diferença para o Brasil), ir às quintas era meio complicado. Porém é as quintas que ocorrem uma das grandes atrações da casa: a corrida de tartarugas (veja o vídeo que eu fiz aqui).

Brennans 3Quando falo sobre tartarugas correndo a galera acha que é piada, mas realmente ocorre. Em 2008 a casa ficava lotada às quintas por conta da corrida, inclusive com fila de espera, coisa inimaginável para um pub nos EUA. Acho que com a proibição das apostas que ocorriam (hoje em dia não se aposta, mas voce pode “alugar” uma tartaruga e, se ela vencer, voce leva um premio) e o checkpoint do DUI (Drug Under Influence de álcool ou drogas, o nosso famoso comando da lei seca), que fiquei sabendo que ocorre toda quinta feira, a menos de 50 metros do Brennan’s, o publico estava relativamente pequeno.

Mas nao deixa de ser uma diversão ver as pobres tartaruguinhas correndo feito loucas e imaginar o que faz com que elas se comportem deste jeito.

Brennans 2

O pátio onde ocorrem as corridas e também se pode fumar

Uma outra coisa legal do Brennan’s é que, por ter um pátio, é um dos poucos lugares nos EUA que dá pra fumar e beber ao mesmo tempo, já que fumar em locais fechados nos EUA é proibido, assim como beber em lugares públicos é crime (por isto em filme vemos as pessoas escondendo a bebida dentro de sacos, não que isto alivie), então, para sair para fumar, geralmente voce tem que deixar a cerveja dentro do local.

Para quem estiver por Los Angeles e for passar uma quinta feira por lá, este é um programa no mínimo interessante, além do pub em si que é bem legal e vale a pena a qualquer tempo. Só não tente ir no dia de São Patrício pois voce tera que chegar umas 3 da tarde para conseguir entrar (e se conseguir ficar de pé, a festa rola até umas 11 do dia seguinte!)

Onde: Brennan’s Pub (4089 Lincoln Blvd – Marina Del Rey – CA)
Quando: 24/04/2014
Bom: bandas e turtle racing
Ruim: people get too drunk, DUI check point
Site: http://www.brennanspub-la.com/