Wanderlust #37 – Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos

Huntington Beach: 21 anos de diferença (1996 e 2017). Até as bandas que eu gosto mudaram!

“Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” – Heráclito de Éfeso

Desde 2008, quando passei uma temporada na cidade (algumas info adicionais aqui), Los Angeles se tornou a minha cidade pra se morar. Tipo assim: se me dessem a oportunidade de escolher qualquer cidade do mundo para morar para o resto da vida, sem possibilidade de trocas, até a pouco tempo não teria hesitado em apontar LA. Mesmo amando São Paulo, tendo uma paixão recente pelo Rio e de ter conhecido, desde então, Berlin (que pra mim ainda é a melhor cidade do mundo no quesito geral).

Los Angeles é cosmopolita (como São Paulo e New York), tem muitas belezas naturais e ótimas praias (como o Rio de Janeiro) e é tolerante e cultural (como Berlin, com a vantagem de ter um clima melhor).

E é o lado cosmopolita da cidade que talvez esteja me afastando dela (neste sentido de talvez não achá-la mais o “melhor lugar para se morar”). Los Angeles é ampla, muito ampla. Entre o extremo sul do condado (la por Huntington) e o extremo norte (Calabasas) sao mais de 200 quilômetros. De leste a oeste a distância também é grande e, por exemplo, do alto do Griffith Observatory já não se consegue enxergar o mar.

Como toda a vida econômica, cultural e educacional se concentra numa pequena parte desta área imensa, alguns problemas são críticos na cidade: o custo de vida nesta pequena área é altíssimo, isto acaba empurrando as pessoas para áreas mais distantes e como o sistema de transporte público ainda é limitado (apesar da visível melhora dos últimos 10 anos), o trânsito é caótico durante quase todo o dia, todos os dias, incluindo os finais de semana.

Então quando cheguei desta vez em LA, depois de ter passado por Huntington Beach (uma das praias mais movimentadas, mesmo estando longe da região “central” do condado) e por Long Beach (uma das maiores cidades do condado, que mereceria mais a minha atenção), a primeira sensação foi de que hoje eu já não encararia gastar duas ou três horas do meu dia dentro de um carro para ir e voltar do trabalho. Como também não teria condicoes de bancar o custo de viver em Venice ou Santa Monica. E como fora desta área as opções para trabalho já são mais limitadas, dificilmente seria um lugar em que eu “investiria” uma mudança.

Mas voltando ao passeio, depois da viagem desde San Diego e a road trip pelas praias que ficam no caminho entre as duas cidades, era hora de visitar, novamente, o lugar em que eu batia cartão em 2008, o Britannia Pub. A viagem foi planejada para que passássemos um domingo em LA para podermos ir ao pub ver uma apresentação da “Number 9”, uma tribute band de Beatles que eu ia assistir quase todos os domingos. O bar já não é mais o mesmo (o público na época era mais descontraído e desta vez o pub crawl Santa Monica passou por lá, gerando algum incômodo) e a banda em sí já não tem a mesma pegada. Mas ainda assim tem as figurinhas de sempre: o bartender Richard dando sua canja, L.J., e mais alguns que sempre batem cartão. Valeu pela memória afetiva.

Na segunda foi dia de levar a Lu para turistar: Hollywood Bowl (dizem que é o melhor lugar para ver o supervalorizado letreiro de Hollywood) e o Griffith Park (e o observatório) de onde também se tem uma vista do letreiro, que repito, é supervalorizado (a Lú teve a mesma reação de “é só isto?” que eu tive em 1996).

Depois fomos fazer as praias ao sul de  Los Angeles que ficaram faltando no domingo:

  • Redondo Beach: tem um pier bem grande e até conta com mais atrações que o de Santa Mônica (mais restaurantes e sem o parque, que também não é lá estas coisas).
  • Hermosa Beach: praia bem simpática e com ótima infraestrutura. Daria até pra pensar em ficar alguns dias numa próxima vez. Detalhe: o tabaco é banido na cidade e é proibido fumar em qualquer área pública. Mesmo em áreas privadas (casas), a fumaça ou o cheiro não podem incomodar vizinhos e transeuntes.
  • Mission Beach: também tem uma boa infraestrutura e parece ser um lugar não só pra veraneio, mas onde as pessoas moram. Estava bem cheia para uma segunda feira.

A próxima parada/praia seria Venice e claro que no caminho passamos por Marina Del Rey para rever o lugar onde morei. Venice é um lugar para perder algumas horas andando e observando a “fauna” local (turistas, artistas de rua, locais, skatistas, etc), bem como seu habitat (bares, lojas, feiras, etc). Infelizmente estava ventando demais e tivemos que abortar a missão. Fomos deixar o carro no hotel e depois andamos até Santa Mônica. Já haviamos passado no 3rd Street Promenade (um shopping a céu aberto, com bastante movimentação, artistas de rua, etc) no domingo, antes do Britannia, por isto fomos diretos para o Pier para podermos assistir o pôr-do-sol. Depois paramos num Biergarten (Big Dean’s Oceanfront Cafe) que tem por ali para tomarmos umas cervejas e comermos algo.

Na terça feira, resolvemos não sair de carro e pegamos um ônibus até Venice para “refazer” o passeio que havia sido interrompido pela ventania. Um ponto importante aqui: hoje já dá pra se virar bem com transporte público em Los Angeles e o que ficar mais inacessível (Hollywood Bowl e o observatório, por exemplo) pode ser feito de Uber ou Lyft. Como disse, o calçadão de Vênice é pra se perder algumas horas (e é um dos melhores lugares para souvenirs também) e fomos andando até Santa Mônica, passando por Ocean Park, a praia / parque que separa as duas mais famosas praias de LA. Uma caminhada de quase 5 kilometros.

De Santa Monica pegamos o metro para ir até Hollywood Boulevard, onde ficam a famosa “Calçada da Fama” e o Chinese Theater (aquele onde os artistas deixam suas pegadas). Não é aquele passeio fenomenal, mas eu acho que é algo obrigatório pra se fazer em LA. De lá, metrô novamente e fomos para downtown. Como havia falado no artigo de 2014, downtown vem passando por um processo de revitalização e, apesar de não ser uma das melhores atrações que a cidade tem a oferecer, tem lá seu charme. O Grand Central Market é um dos lugares que, agora revitalizado, se tornou “cult”.

Estávamos decidindo o que fazer a seguir e procurando opções quando, sem querer, descobri que havia um bar da Mikkeller em Downtown LA, pertinho de onde estávamos e perto da estação onde deveriamos pegar o metrô de volta para o hotel. Nem hesitamos muito para encerrarmos nossa passagem por uma cidade pela qual eu sempre terei um carinho fazendo algo que eu aprendi a fazer justamente nesta cidade: apreciar cervejas diferentes.

Tudo muda, as cidades mudam, as situações mudam, mas principalmente as pessoas mudam. Desde 2008 a cidade mudou bastante, mas eu mudei ainda mais: conheci outros lugares, tenho outros valores, estou vivendo uma outra situação. Hoje Los Angeles talvez perderia pra San Diego (ou mesmo San Francisco) o posto de “lugar para se morar para o resto da vida”. Mas a Califórnia ainda continua imbativel. E ganhou mais pontos ainda com a extensão desta viagem, que fica para os proximos Wanderlusts.

Observações, dicas e considerações:

  • Nos EUA é comum o garçom ou barman vir de tempos em tempos perguntar se esta tudo bem, se quer mais alguma coisa, etc. Quando voce senta em mesa, é praticamente certo que após algum tempo o garçom ja trará sua conta. O que nunca havia reparado é que os sistemas dos bares é feito para isto: quando voce pede algo, ele deixa seu status como verde, depois de um certo tempo o status passa para amarelo e é nesta hora que o garçom vem verificar se voce precisa de algo mais. Se voce pedir algo, ao entrar o pedido, o status volta novamente para o verde e o ciclo se reinicia. Porém, se não entrar pedido na mesa ou conta, depois do amarelo, o sistema muda pra vermelho, ou seja, o cliente está ali dando prejuízo, pois esta ocupando espaço sem consumir nada. É nesta hora que o garçom vem te expulsar…..hahaha
  • É chato para o cliente, mas do ponto de vista do “negócio” o sistema é interessante. Mas ele é meio burro num sentido e situação: quando o bar está vazio, é melhor voce ter uma “possibilidade” de consumo (alguém que esta lá e pode, a qualquer momento, fazer um pedido), do que simplesmente eliminar esta possibilidade mandando o cliente embora. Mas como os americanos já são acostumados, são poucos os lugares que não seguem este sistema à risca (preferindo ficar vazios) e são pouquíssimas pessoas que reclamam (geralmente os gringos).
  • Ande sempre com moedas para o parking. Apesar da maioria dos parquímetros aceitarem cartão, fica mais fácil estender o tempo programado com moedas.
  • Como citei, o transporte público de Los Angeles (e da Califórnia em geral) melhorou muito nos últimos 10 anos. Com o advento dos aplicativos de serviços de transporte individual privado, um carro já não é mais obrigatório para visitar a cidade, como era há uns 10 anos.

Be happy 🙂

Huntington Beach

Richard e sua tradicional canja com a Number 9 no Britannia Pub – Santa Monica

Griffith Park

Redondo Beach

Mission Beach

Genios no grafite de Venice Beach

Santa Monica vista do pier

Venice Beach

Ocean Park

O pier de Santa Monica

Grand Central Market, Downtown LA

Mikkeller Downtown LA: 40 torneiras (+ 2 casks + 5 torneiras de vinho) de Mikkeller e do melhor das cervejarias californianas.

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