Manual de Pintura e Caligrafia – José Saramago (07/2017)

Comprei este livro (e mais dois do Saramago) numa visita a Livraria Lello, no Porto, em Portugal, considerada por muitos a livraria mais bela do mundo. Acabei comprando mais por uma obrigação moral (já que estou com uns doze na lista): visitar uma livraria e não comprar um livro, como fazia quase a totalidade dos visitantes (mesmo tendo um “rebate” do valor da entrada na compra de livros) é um pecado.

Segundo a descrição na contracapa, o livro é uma obra autobiográfica do Saramago. Não tenho conhecimento da biografia deste grande autor (vencedor do Nobel de literatura em 1998), portanto não tive capacidade de associar trechos do livro com a vida dele. Talvez foi uma falha minha não ter tentado saber um pouco mais sobre o autor antes de ler o livro.

De qualquer forma, mesmo como uma “estória” é um livro bastante interessante: ele conta, em primeira pessoa a estória de um pintor retratista (destes que fazem quadro com imagens de pessoas reais) que, em meio a uma crise de meia idade (o livro dá a entender que o pintor se encontra na faixa dos 40 anos, por ter 20 de profissão e não ter terminado a faculdade de belas artes) e a um momento político conturbado em Portugal (o presidente era Marcelo Carneiro, substituto de Salazar no chamado Estado Novo português, a ditadura que durou até 25 de Abril de 1974, fato relatado na última página do livro, que começara a ser escrito um ano antes) começa a se aventurar por outra arte, a da escrita. Genialidade do Saramago ele se “retratar” (sem trocadilho) como um pintor que vai se aventurar justamente na área que ele dominava.

O personagem começa a aprender das artes e oficios da escrita, enquanto faz um apanhado da sua própria vida até então, analisando a sua criação,  seus relacionamentos, seu papel no mundo, enfim, fazendo uma longa sessao de autoconhecimento que o leva a, inclusive, se redescobrir como um artista plástico.

Interessante notar a cabeça a muito a frente do tempo de Saramago. 

O livro não é melhor que o “Ensaio Sobre a Cegueira” ou “As Intermitências da Morte”, mas ainda é um Saramago e, como sempre, uma ótima leitura.

Be happy 🙂

Uma ideia sobre “Manual de Pintura e Caligrafia – José Saramago (07/2017)

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