Wanderlust #34 – Baltimore, Maryland, Estados Unidos

Inner Harbor

Por motivos óbvios, esta seção comecará a apresentar bastante locais nos EUA (enquanto eu tiver saco pra fazê-la). E pra iniciar esta temporada “americana”, vamos de Baltimore, no estado de Maryland.

Procurando algum lugar perto, pra aproveitar o Thanksgiving, que desse pra ir de New Jersey de carro ou trem, e que não fosse New York (vou falar destes dois estados num futuro proximo, de NY provavelmente em varios posts, como de Berlin) e onde não estivesse tão frio, acabamos por achar Baltimore no mapa enquanto analisávamos a possibilidade de ir pra Washington (próximo post da “coluna”). Ai como daria pra matar dois coelhos com uma cajadada só, resolvemos conhecer a cidade e fazer uma day trip pra Washington (a cerca de uma hora de Baltimore).

Harbor East

Não sei se porque a expectativa era baixa (basicamente nenhuma…hahaha), mas a cidade surpreendeu muito pelo seu charme e atrações.

Fundada em 1729, Baltimore foi durante muito tempo uma das principais cidades da costa leste americana, muito por conta do seu porto (o segundo maior da costa noroeste dos EUA), que atraia muitas manufaturas e industrias. Com o declínio da indústria americana que ocorreu entre as décadas de 70 e 90, a cidade, como algumas outras regiões industriais americanas, viveu um declinio. Porém, com o recente aquecimento no setor de serviços, a cidade vem passando nos últimos anos por um processo de revitalização, que é facilmente notado pela diferença entre a região do Porto, praticamente toda revitalizada, e as áreas suburbanas da cidade.

Baltimore também é conhecida por ter sido um dos principais locais de batalhas da guerra da independência americana, já que, afim de bloquear o comércio internacional, a Inglaterra atacou incessantemente o porto. Por conta disto, também é o berço da canção Star-Spangled Banner, que viria a se tornar o hino nacional americano. Além disto é a casa do Baltimore Orioles, um dos times de baseball mais antigos ainda em atividade, fundado em 1901, e do Baltimore Ravens, que disputa a NFL, principal liga do Futebol Americano.

Inner Harbor

Como de praxe, depois de fazermos o check in no hotel, pegamos um mapa e saimos para dar uma reconhecida no local. Por conta do feriado a cidade estava toda deserta e, enquanto iamos na direção do porto, ja fizemos uma nota mental para irmos tomar umas cervejas mais tarde no Mo’s Seafood, um do poucos (talvez o único) locais aberto, que inclusive tinha uma placa anunciando: “365 dias por ano aberto, inclusive no Natal e no Thanksgiving”.

Nota-se na região portuária que a cidade está passando por um grande processo de revitalização, já quase completo, onde a boa parte dos prédios são novos e alguns poucos foram revitalizados recentemente. Na parte conhecida como “Harbor East” se encontram alguns restaurantes e bares mais chiques, assim como lojas de luxo.

No restante da região portuária existem várias atrações, como museus (o aquário de Baltimore, ao menos por fora, é fantástico, e deve ser por dentro também, inclusive o submarino ancorado ao lado), restaurantes e dois “mini shopping centers”. Mesmo com o frio que fazia, algumas poucas pessoas (turistas) passeavam por ali. À partir das 20:00hrs, a vida foi voltando à cidade e alguns musicos de rua arriscaram a se apresentar.

Mr Trash Wheel – Inner Harbor

Depois do reconhecimento voltamos ao Mo’s para tomar as cervejas (algumas locais), mas enquanto estávamos lá pesquisando as atrações locais na web, descobrimos que o pequeno e aconchegante Brewer’s Cask abriria à partir das 21:00hrs. Pedimos a saideira e fomos até lá, já que serviria para, ao menos, conhecer uma parte mais antiga da cidade (Federal Hill) durante a noite. Grata surpresa: além das 20 torneiras com o melhor da produção cervejeira artesanal dos EUA, o atendimento e muito bom.

Na sexta a programação era ir pra Washington, mas na volta resolvemos dar mais uma volta no porto, onde pudemos passar na enorme Barnes & Nobles montada em uma antiga usina elétrica. Depois disto fomos conhecer a Gordon Biersch, uma cervejaria local que baseia suas receitas especialmente na escola alemã e que fica naquela area chique que já comentei. Quando estávamos voltando para o Hotel depois de sermos “expulsos” da Gordon Biersch (explico abaixo nas observações, dicas e considerações), acabamos topando com a Power Plant, a Disneylândia dos adultos….hahaha

O local, que também fazia parte da mesma usina onde fica a Barnes & Nobles já citada, é um complexo de entretenimento noturno, onde se encontram bares (uns 10), restaurantes e locais para shows. A entrada (gratuita) é única e lá dentro você pode ficar indo de um estabelecimento para outro, como por exemplo, de um simples bar com rock rolando ao fundo, para um restaurante mexicano e depois para um bar country com direito a touro mecânico e tudo. Sensacional!!!!

Inner Harbor

No sábado, resolvemos conhecer as áreas fora da região do porto. Primeiro fomos até o Mount Vernon, onde fica a bela igreja metodista e a biblioteca da universidade John Hopkins, um dos principais centros de pesquisa na área de saúde dos EUA. Ainda andando pela “parte alta” da cidade, passamos pela Basílica de Baltimore, que foi a primeira basílica católica construida nos EUA, país que tem como principal corrente cristã o protestantismo, e não o catolicismo. A cidade foi escolhida pelo Papa da época para abrigar a primeira basílica em solo americano justamente por ser a cidade que tinha a maior população católica nos EUA.

Depois disto resolvemos encarar a caminhada de umas quatro milhas (pra ir, e depois mais quatro pra voltar), até o Fort McHenry, exatamente o local das principais batalhas da guerra da independência e que inspirou a criação do hino nacional americano. Valeu mais pelo caminho do que pelo destino em sí, apesar do local ficar em um parque bem interessante, que além da natureza, também mostra alguns fatos históricos da formação dos Estados Unidos como país.

USCGC Taney – Inner Harbor

Na volta, paramos na região do porto novamente para aproveitar uma festa alemã que estaria acontecendo por ali, tipo uma Oktoberfest em novembro. Tinha umas HB, Gluhwein, algumas Wursts, mas nada demais.

No primeiro dia haviamos passado por um estabelecimento que não haviamos conseguido identificar o que era, mais tarde descobrimos que se tratava do Brew Pub da cervejaria Heavy Seas, cujas cervejas já haviamos experimentado (e gostado) no Mo’s. A Heavy Seas Alehouse fica num imóvel bem grande e rustico, com piso de concreto queimado e mobilia de madeira de construção. Além da próprias cervejas da Heavy Seas, sempre existem cervejas de outras cervejarias locais nas taps e, para minha felicidade, sempre tem uma cask ale disponível. Nota para o crab cake, uma “almondega” de carne de caranguejo, que é uma das comidas típicas de Baltimore.

Gostei bastante da cidade, principalmente porque aparenta ser uma cidade bem descontraida e, além de tudo, é bastante charmosa. Pretendo voltar no verão para aproveitar mais as atividades ao ar livre.

Observações, dicas e considerações:

  • O Thanksgiving é a data onde os EUA literalmente param (não peguei um 4 de Julho ainda): antes das 20:00 horas praticamente todo o comércio estava fechado (incluindo a maioria dos restaurantes) e as ruas estavam desertas. À partir deste horario a vida começou a voltar ao normal, mas mesmo assim, parcialmente.
  • Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas em situação de rua na cidade. Uma das maiores que já vi, mesmo comparado a cidades maiores, como Los Angeles ou New York.
  • Ao mesmo tempo, a quantidade de gente ajudando (indo servir comida, levando roupa, conversando com eles, etc) também impressiona, principalmente para quem tem aquela imagem do “americano individualista” (não é o meu caso). O que parece ser uma contradição é justamente a causa: o individualismo do americano faz com que ele se sinta na obrigação de cuidar do seu bairro, da sua cidade, etc. Mas ainda irei escrever um texto somente sobre isto.
  • Ir num restaurante mais requisitado pode ser meio estranho para os brasileiros, que gostam de ficar “fazendo hora” nos locais. O pessoal vai pra comer, tomar um ou dois drinks e ir embora. Então não é nada incomum o garçon já trazer a conta quando você fala que não vai querer sobremesa. Se for um restaurante com alta rotatividade, provavalmente vão apressar até na escolha do prato. A dica para não ser incomodado é ir para o bar (balcão) ao invés de pegar uma mesa.
  • Normalmente os restaurantes tem recepcionistas. Pra pegar uma mesa, tem que falar com eles, mas para ir para o bar, basta ir direto.
  • Estando no bar, não existe esta “pressão” para ir embora logo. Mas também não é comum entre os americanos ficar 3, 4, 8 horas num bar, como os brasileiros fazem. Normalmente eles jantam em um lugar, vão tomar alguns drinks em outro e depois continuam em casa. Ou então fazem o “esquenta” em casa e depois vão até um pub para tomar umas duas ou tres cervejas. O garçon ou barman pode até achar estranho quando você fica muito tempo no bar.
  • Por falar em balcão, aqui na costa leste, diferentemente da costa oeste, geralmente eles abrem a conta automaticamente e vao te cobrar no final. Mas se por acaso o bar não tiver esta prática, basta fazer como costuma-se na costa oeste e pedir para abrir uma conta (deixando o cartão de crédito com o barman): “may I open a tab?”.

Be happy 🙂

The Baltimore Basilica

Mount Vernon Place – United Methodist Church

Power Plant

Power Plant

Uma ideia sobre “Wanderlust #34 – Baltimore, Maryland, Estados Unidos

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