Arquivo mensal: maio 2015

Na vida a coisa mais feia é gente que vive chorando de barriga cheia

Na Vida a coisa mais feiaEstou usando um trecho do samba Maneiras, do Zeca Pagodinho, pois foi a música que me veio à cabeça quando presenciei duas cenas nas minhas duas últimas viagens.

Em março fui à Salvador e durante um passeio de barco paramos na ilha de Itaparica para almoçar. Na mesa ao lado da minha tinha um grupo formado por um casal carioca já na casa dos cinquenta anos, um cubano (que é médico e vive no Brasil), sua esposa brasileira e mais três uruguaios. Entre uma cerveja e uma caipirinha, naquele cenário paradisíaco, o casal de cariocas puxou o tema política e começou a falar mal da Dilma, usando “argumentos” como “aquela vaca deixou o pais na merda”, “está tudo fudido”, etc.

Em abril fiz uma viagem e passei 2 dias no Panamá. Fomos fazer um City Tour e uma visita ao canal do Panamá e a maioria dos turistas no ônibus eram brasileiros. Tinham 4 casais de São Paulo e em determinado momento resolveram trazer o tema política à tona, também criticando a situação do Brasil, dizendo que estava tudo uma porcaria no Brasil, que estavam pensando em se mudar para os EUA e aquele discurso que temos ouvido e visto aos montes recentemente.

O primeiro ponto aqui é a situação de “saia justa” em que eles deixam os gringos. Político é que nem filho: você pode falar mal do seu, mas ninguém mais pode falar, e da mesma forma que os gringos não gostam que quem não mora no país deles se meta em sua política, eles também não vão ficar se metendo na vida política do país dos outros (e em ambos os casos, os brasileiros estavam querendo “arrancar” à força uma concordância dos gringos).

O segundo, que é o principal motivo deste artigo, é que a pessoa está lá, aproveitando uma praia paradisíaca (no caso da Bahia) ou então gastando em dólares (no caso do Panamá), pagou sua passagem, hotel, passeios, está fazendo compras, dando gorjetas, mas está reclamando que “a situação está uma merda”. É uma incoerência danada que os gringos não conseguem entender. Nem eu!

Creio que desde as manifestações Junho de 2013, cientistas políticos, sociais e mais uma gama de especialistas (e palpiteiros como eu) estão tentando entender o que o brasileiro, especialmente os de classe média e alta querem. Particularmente acredito que estas pessoas idealizaram um país que talvez não seja factível.

Pelas conversas com amigos e pelas opniões vistas pelas redes sociais, aparentemente o brasileiro tem como ideal de país uma Miami em grandes proporções. O problema é que eles conhecem a Miami (ou NY) de férias e imaginam que aquilo é o dia a dia, a vida como ela deveria ser.

Eu também acho que a vida nos EUA e em alguns outros países ao redor do mundo seja boa, mas eu pelo menos entendo que para chegarmos ao nível de qualidade de vida (que ao final é o que importa) que estes países têm temos que criar uma sociedade mais igualitária e justa, só que isto consequentemente se traduz em eliminação de alguns privilégios que boa parte destas pessoas que clamam “por um Brasil melhor” hoje em dia detêm. Antes de continuar vamos dar uma olhada em algumas informações que eu compilei sobre a distribuição de riquezas produzidas em alguns países:

Piramide

No Brasil, os 20% mais ricos (cujas familias vivem com pelo menos R$ 4500,00 mensais), e nesta faixa se incluem eu, meus amigos e a maioria dos “bate panelas”, ficam com mais da metade de todas as riquezas que são produzidas no país no decurso de um ano, 25% a mais do que nos EUA e cerca de 40% a mais do que na Alemanha e Dinamarca.

Na base da pirâmide, os 20% mais pobres (que vivem com menos de R$ 2000,00 mensais por família) repartem entre sí pouco mais de 3% da riqueza produzida no país. A camada mais pobre no Brasil fica com 40% menos do “bolo”, se comparado com os EUA e com menos da metade do que as camadas mais pobres da Alemanha e Dinamarca. Esta diferença também acontece, mais ou menos na mesma proporcionalidade, no restante da população, as conhecidas “classes médias”.

Esta grande desigualdade é a razão de vários confortos (e até luxos) que as classes mais abastadas têm no país. Na Europa e nos EUA é difícil imaginar uma família de classe média, mesmo classe média alta, com um empregado doméstico fixo por mês (quem dirá 2 ou 3!). Mesmo empregados domésticos eventuais (as conhecidas “diaristas”) são coisa rara nos países ditos de primeiro mundo. Nestes países as pessoas simplesmente limpam suas casas, lavam suas roupas e criam seus filhos. Isto porque as pessoas mais pobres não são tão pobres como no Brasil e não se sujeitam à receber alguns trocados por um dia de trabalho como acontece aqui, o que possibilita até que a classe média baixa possa usufruir do trabalho de uma diarista ou de alguém que lave e passe roupa.

Só que nem tudo são flores, isto também é a causa de vários problemas. Um deles é a violência: enquanto no Brasil a quantidade de homicídios por milhões de habitantes no período de um ano é de 210, nos EUA este número é de 42 homicídios e na Alemanha e Dinamarca de menos de 9.

E não adianta falar que o problema da violência é somente um problema da justiça, porque infelizmente não é (se fosse seria fácil de resolver) e muitos dos problemas do país (além da violência, produtividade da indústria nacional, corrupção, etc) estão totalmente ligados às nossas diferenças sociais (que em boa parte é causada pelo nosso sistema educacional precário).

Então é bom esta galera que está fazendo protesto “contra tudo o que está aí”, primeiramente começar a pensar no que eles realmente querem e no que eles estão dispostos a abrir mão para ter o que eles querem. O problema é segurança? Precisa passar por uma distribuição mais equilibrada das riquezas geradas no país e invarialmente isto vai gerar alguns “desconfortos” para as classes mais abastadas.

O problema é corrupção? Isto só se resolve com bom nível de educação e aumentar o nível de educação invariavelmente leva a uma redução das diferenças sociais. O problema é o nível de produção de riqueza do país como um todo? A produção de um país só cresce aumentando-se o nível de educação, um nível maior de educação leva a uma redução das diferenças e reduções de diferenças levam a perda de privilégios de classes abastadas.

Da próxima vez que estas pessoas pensarem em se mudar para “um país melhor que o Brasil” ou então exigirem mais segurança, menos corrupção, um salto de produtividade, elas também devem considerar se estão dispostas a lavar a própria roupa, fazer a própria comida, limpar a própria casa, criar elas mesmas os seus filhos e colocar tudo isto na balança. Talvez a conclusão seja que o Brasil não é um lugar tão ruim assim de se viver.

Be happy! 🙂

Botecando #58 – Cervejaria Ideal – São Paulo – SP

Cervejaria IdealParece que as cervejas ditas “especiais” caiu de vez no gosto do brasileiro (especialmente do paulistano) e temos visto cada vez mais a abertura de casas dedicadas ao tema, e mesmo uma abertura maior para outros estilos e rótulos, que não as famosas pilsens das grandes cervejarias brasileiras, em casas que não tem a cerveja como foco principal.

Uma das novas casas de São Paulo é a Cervejaria Ideal, que fica na Pompéia, bairro que parece que está se tornando a “meca” da cerveja artesanal em São Paulo.

A Ideal é um misto de bar e brewpub, já que tem uma área onde é possível produzir cerveja. O detalhe é que o próprio cliente, se quiser, pode agendar a produção de sua cerveja personalizada, que pode ser consumida no próprio bar ou então engarrafada para ser levada para casa (após o período de fermentação e maturação) .

Além deste espaço, que é envidraçado e permite aos frequentadores observar o processo de fabricação da cerveja, a casa conta com um terraço na área da frente e mais algumas mesas bem distribuidas ao longo do imóvel, que aparenta ser uma antiga casa. No fundo existe uma área com churrasqueira e sofás, que é utilizada para alguns eventos da casa ou então pode ser reservada.

O menu é baseado na culinária alemã, portanto conta com bastante opções de petiscos à base de carne suína e de batata. Provamos uma Bratkartoffeln com bacon que estava muito boa.

Nas torneiras, apesar do proprietário da casa ser alemão (o que descobri após a visita lendo algumas reportagens sobre o bar), a maioria das cervejas (10 das 12 torneiras) eram de origem brasileira, todas elas de ótima qualidade, o que mostra a evolução do mercado por aqui. Dificilmente eu falo de uma cerveja em específico nestes posts, mas vou abrir uma exceção: se estiver disponível (as cervejas são rotativas nas torneiras), não deixem de experimentar a Rogue Hazelnut Brown Nectar. Uma das melhores que eu tomei nos últimos tempos.

Onde: Cervejaria Ideal (Rua Ministro Ferreira Alves, 203 – São Paulo – SP)
Quando:23/05/2015
Bom: cervejas, atendimento.
Ruim: nada.
Site: http://www.cervejariaideal.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/idealcervejaria?fref=ts

 Be happy! 🙂

Wanderlust #22 – Cuba: observações, dicas e curiosidades

297 Museo de la Revolución - La Habana Vieja - Havana - CubaComo tinham muitas coisa interessante para mencionar sobre Cuba, eu coloquei em cada um dos artigos (aqui, aqui, aqui e aqui) curiosidades, dicas e observações específicas relacionadas à cada um dele e a exemplo do que eu fiz para os EUA, estou fazendo um artigo somente com coisas gerais sobre o país. Vou colocar os tópicos na ordem em que fui anotando sem ordená-los ou classificá-los. Então segue:

  • Existem apenas 4 canais de TV e menos de 50 estações de rádio, todas estatais, em Cuba. Uma das melhores rádios é a Rádio Enciclopédia, que tem uma programação musical e cultural variada. Ouvi um programa de meia hora só de chorinho. O engraçado é que eles chamam o cavaquinho de “violino” (faz sentido: um violão pequeno).
  • Mas o melhor nome de rádio é a Rádio Reloj (como ninguém teve esta idéia antes?).
  • Os brasileiros são bastante estimados em Cuba, muito por causa das novelas brasileiras. Apesar disto e apesar dos esforços brasileiros em ajudar Cuba (investimentos em portos e aeroportos, aquisição de serviços médicos), os países considerados como “parceiros” são o Canadá e o México (os unicos países das Américas que não aderiram ao bloqueio) e a Venezuela (que contribui com petróleo).
  • A fama da novela brasileira até se inseriu na cultura local: em 1995 o governo autorizou que famílias servissem refeições para turistas em suas casas (geralmente tem uma ou duas mesas, no quintal ou em um dos cômodos das casas). Nesta época a novela Vale Tudo era transmitida na ilha e a personagem de Regina Duarte (Rachel Accioli) tinha um pequeno restaurante chamado “Paladar”. Paladar então se tornou sinônimo de “pequeno restaurante familiar” em Cuba.
  • O Neymar é idolatrado em Cuba e na América Latina em geral. A maioria das camisas da seleção e do Barcelona que eu vi e que eram vestidas por latino americanos tinham o nome do Neymar. Acho que a garotada daqui se identifica muito mais com ele, por ser uma pessoa que tem uma origem humilde (o que não é verdade), e por ser negro (mesmo ele dizendo que “nunca sofreu racismo porque não é preto”, antes de criticá-lo, por favor, leia meu artigo O Racismo e o efeito pigmaleão), ao invés de se identificarem com os “imperialistas” Cristiano Ronaldo e Messi, por exemplo (eu sei que o Messi é argentino de nascimento, mas ele viveu praticamente a vida toda na Espanha).
  • Se você acha o pessoal do nordeste lento, então prepare-se muito bem para encarar Cuba. Os cubanos fazem tudo num ritmo lentíssimo. Pensando bem, creio que é o paulistano que é acelerado demais.
  • Existe um sentido de coletividade enorme nos locais de trabalho. Não é raro ver um garçon ou dançarino (no caso do Resort) ir ajudar a organizar as mesas. Ou um atendente ou gerente de hotel ir ele mesmo levar o recado a um quarto de hóspede pois quando os mensageiros estão ocupados.
  • A influência da cultura africana em Cuba é muito similar à influência no Brasil. A comida é parecida (arroz e feijão e os vegetais consumidos normalmente aqui) e a Santeria, a religião dos escravos, é muito parecida com o Candomblé e também mistura alguns santos católicos com orixás. Existe Yemanjá (Yemanja), Ogum e Oxum (Ochum), para citar alguns, e com indumentária muito parecida. Achei até que a origem dos escravos levados à Cuba era a mesma do Brasil, mas pelo que eu pesquisei eles vinham de regiões diferentes da África.
  • Sem duvida uma das principais características de Cuba é a segurança. Você pode andar à noite a pé, deixar camera e celular sobre a mesa do bar ou na cadeira de praia enquanto vai dar um mergulho sem problema nenhum. Quando você pergunta se pode deixar algo na mesa de um restaurante, por exemplo, eles até dão risada pois não imaginam o porque não poderia.
  • Apesar disto, não existe uma sensação de “vigilância” excessiva. Nada de big brother. O diferencial é que lá não existe a sensação de impunidade que existe no Brasil.
  • Talvez o único problema ligado à segurança sejam os jineteiros, que engloba desde prostitutas (tanto aquelas que fazem programa quanto as mulheres que buscam um marido para sair do país) e golpistas. Porém são aqueles pequenos golpes da pessoa te devolver troco errado, querer comer na sua conta, pedir um drink no bar e fazer você pagar sem pedir antes, ou seja, são “golpes” totalmente evitáveis. Mas mesmo assim, em número muito reduzido se comparado à outros países.
  • Os socialistas pedem nos países capitalistas que a jornada semanal de trabalho seja reduzida para 36, 34 e até 30 horas. Porém em Cuba a jornada é de 48 horas semanais (8 horas diárias durante 6 dias semanais). Ou seja, para o capitalista não pode, mas para o “regime” pode.
  • Inclusive, a mais valia que fica com o Estado cubano é bem maior do que o de qualquer empresa em qualquer país. O “overhead” para manter a estrutura do sistema é bem maior do que em qualquer empresa, afinal, precisam de bem mais controles.
  • Como o acesso a vários produtos industrializados é restrito, em muitos lugares (bares, restaurantes e aeroportos) não existe muito papel (higiênico, guardanapos, embrulhos, etc) e plástico (sacolas plasticas principalmente). Além disto, em alguns lugares públicos falta água (existe saneamento, talvez as pessoas não consigam é fazer a manutenção regular de torneiras e encanamentos). Então a dica é levar lenços umedecidos, que quebram um galhão para “lavar” as mãos.
  • O lado bom disto é que não se vê muita sujeira na rua (também por causa do senso de coletividade citado anteriormente).
  • Pensando bem, a dica de andar com lenço umedecido serve também para quem mora em São Paulo.
  • Como eles não têm acesso a muitos bens industrializados (é muito caro para eles), uma outra dica é levar alguns “regalos”. Para homens, leve uma camisa da seleção ou do time para o qual você torce. Para as mulheres e meninas batom, enfeites de cabelo, esmalte. Para crianças, leve algumas canetas, giz de cera, lápis, chiclete. Eles vão ficar superfelizes de ganhar algo que pra gente é uma coisa banal, mas para eles é algo quase inacessível.
  • Apesar de todas estas restrições, os cubanos são um povo muito feliz. O que me leva a pensar que a gente não precisa de muita coisa para ser feliz e o problema é que a gente sempre coloca nossas expectativas em um ponto inatingível (e depois nos decepcionamos).
  • Realmente em Cuba se fuma em tudo quanto é lugar. Fora de Havana ainda respeitam restaurantes, mas em Havana você pode estar jantando num restaurante e não será incomum alguém na mesa de trás da sua acender um cigarro ou charuto (inclusive nos hotéis, onde se pode fumar em praticamente qualquer lugar, inclusive quartos). Mas com tanta fumaça que os carros fazem, este é o menor dos problemas.
  • E não é exagero meu: os carros fazem tanta fumaça que você fica cheio de fuligem ao caminhar durante o dia e quando vai tomar banho sai aquele “caldo” preto.
  • Falando dos carros, como já é sabido, existem muitos carros das décadas de 40, 50 e 60 rodando por Cuba. Uma boa parte em perfeito estado de conservação (com o bloqueio, eles começaram a produzir as peças de reposição lá mesmo, em pequenas oficinas). O que nos leva a pensar que, sendo um bem durável, porque tem gente que precisa trocar de carro todo ano?
  • Eu não sou à favor do “os fins justificam os meios”, mas é inevitável notar como as restrições as religiões com poder central (especificamente a católica) impostas durante a primeira metade do regime gerou uma separação total entre Igreja e Estado, o que é sempre bom (se bem que o Marxismo em sí é praticamente uma religião).
  • Além da educação, saúde e segurança, uma coisa da qual os cubanos devem se orgulhar é o seu sorvete. Todos os que eu tomei estavam ótimos. Quando estava indo de Santiago para Havana, tomei o melhor sorvete de chocolate da minha vida (e por apenas R$ 1,50). Taí um produto que eles poderiam exportar para ajudar na economia.
  • Todos os táxis (táxis regulares, cocotáxis e carrões antigos) têm taximetro, porém ninguém liga. Para não ser passado para trás, o esquema é combinar o preço da corrida antes de entrar no táxi. Se informe antes no hotel quanto custa, mais ou menos, a corrida que você quer fazer. Outras duas dicas são: sempre pechinche e sempre leve trocado (se você combinar, por exemplo, 8 CUCs e só tiver 10, o taxista vai alegar que não tem troco).
  • Evite pegar os táxis na porta dos hotéis ou em lugares turísticos. Ande um pouco e pegue na rua (como falei, Cuba é seguro, pode pegar táxi sem problemas). E tente pegar os táxis mais antigos (os Ladas).
  • As filas lá são um negócio de doido: a pessoa chega no lugar e pergunta “quem é o último?”, ai esta pessoa se identifica e você têm que “marcar” ela. Quando alguém chegar e perguntar pelo último, se for você for, identifique-se para que a pessoa possa saber atrás de quem está. Eles não vão formar uma fila como fazemos aqui e se você comer bola vai ter várias pessoas passando na sua frente (não por maldade). Eu tinha visto nas minhas aulas de espanhol que na Espanha funciona assim também em açougues e padarias, por exemplo, porém nestes lugares tem 5, 10 pessoas. Quando tem 100 pessoas o sistema torna-se impossível de ser acompanhado por quem não está acostumado.
  • O transporte público (ônibus e papa filas, além de caminhões, caminhonetes e táxis coletivos) está sempre lotado! E olha que tem um monte de ônibus articulados por lá.
  • Pelo fato de a maioria dos estabelecimentos comerciais serem do Estado, ou seja, é um monopólio, não existe a necessidade de dar um nome para o estabelecimento. Muitos deles, especialmente os postos de gasolina, têm simplesmente o nome da rua (ou da esquina) em que se encontra: Posto Calle 23, restaurante Prado y Neptuno (na esquina destas ruas), etc.
  • Tem muito pedinte e muita gente querendo se oferecer pra te ajudar em troca de gorjeta. Uma hora enche o saco, pois você às vezes quer ficar sossegado numa mesa de bar, ou então já tem uma programação. Mesmo quando estiver nestas situações, trate todos com educação e respeito. Explique que você não tem dinheiro, ou “minta” que você já almoçou ou já comprou charutos (eles te oferecem para levar em um restaurante ou em uma cooperativa de produtores de charutos pois ganham comissão), explique que você já se programou para ir a outro lugar, mas nunca ignore ou falte com educação. Cordialidade e gentileza é bom em qualquer lugar do mundo e em qualquer situação e muitas vezes 5 minutos de conversa, que para você não custa nada, pode significar muito para a outra pessoa.

Be happy! 🙂

Botecando #57 – Botequim do Cesinha – São Paulo – SP

20150516_182146Sabe aquele boteco que fica na sua vila e que você ia comprar balas e chicletes quando criança? Você cresceu junto com o boteco, chama o dono pelo nome e ele te chama pelo nome e você conhece boa parte dos frequentadores? Pois então, em 5 minutos no Botequim do Cesinha você se sente como se tivesse crescido no bar.

O Cesinha se encontra em uma portinha de garagem (hoje em dia em duas portas de garagem) na Rua Delfina, na Vila Madalena. Portas de garagem que guardam boas surpresas para quem aprecia boas cervejas, além de apreciar um Boteco com “B” maiúsculo.

Nas prateleiras, em um “cardápio ao vivo”, mais de 60 cervejas de vários tipos e nacionalidades, todas servidas nas temperaturas corretas e na medida do possível, nos copos apropriados (pelo tamanho do local, creio ser meio difícil manter vários tipos de copos em várias quantidades). Para quem quer somente tomar umas cervejas normais, eles também oferecem Heinekens, Stellas e Estrellas Galícias (em long necks ou versão 600mls).

Dos petiscos, experimentei a Porção Mista do Cesinha, que vem com um mix de queijos e frios, além do tradicional rosbife caseiro, carro chefe da casa. Tudo estava muito bom e o tamanho da porção valeu o preço. Também servem alguns lanches, sendo o principal deles o de rosbife caseiro. Da próxima vez experimentarei.

Bebida boa, comida boa, para completar o ambiente é ótimo. Tanto o próprio Cesinha, quanto sua esposa e o restante do staff são muito solícitos e simpáticos. O Cesinha faz questão dar as boas vindas e depois de ficar passando de mesa em mesa para conversar amenidades com todos os clientes. E os próprios clientes habituais do bar também são uma atração à parte e acabam por proporcionar várias cenas divertidas na sua interação com o proprietário e na sua própria bebedeira.

Onde: Botequim do Cesinha (Rua Delfina, 66 – São Paulo – SP)
Quando:16/05/2015
Bom: cervejas, atendimento, petiscos.
Ruim: literalmente nada!!!!
Site: http://botequimdocesinha.com/
Facebook: https://www.facebook.com/pages/Botequim-do-Cesinha/286094701404175?fref=photo

 Be happy! 🙂

Wanderlust #21 – Havana, Cuba

123 Parque Central - Centro Habana - Havana - Cuba

Os tradicionais táxis cubanos na Plaza Central

Havana é a maior e mais populosa cidade cubana, com cerca de 2 milhões e meio de habitantes (quase 25% da população do país). Também é sua capital política, cultural e econômica. A cidade foi fundada oficialmente em 1519 e é, assim como a maioria das grandes cidades do continente americano, um verdadeiro caldeirão cultural, devido à chegada ao longo da história de povos de diversas origens, sendo a maioria espanhóis (os colonizadores) e africanos (que chegaram como escravos), mas também contando com pessoas de ascendência européia (italianos e ingleses) e até pequenas comunidades chinesas, árabes e israelitas.

052 Plaza de La Revolucion - Havana - Cuba

Plaza de La Revolucion

No primeiro dia planejamos caminhar por Vedado e Centro Habana. Pegamos a Avenida Paseo, onde ficava o hotel e seguimos em direção à Plaza de La Revolucion, que fica no final desta avenida. Antes porém desviamos um pouco o caminho para visitar o Parque Lennon, erguido em homenagem ao Beatle. Fidel sempre foi muito fã dos Beatles e sempre os considerou socialistas (?!?!?). Depois de nos perdermos um pouco conseguimos chegar à Necrópolis Cólon. Já não sou muito chegado em cemitérios, ainda mais tendo que pagar 5 pesos, então nem entrei. Mas valeu a pena “se perder” para andar em meio a bairros não turisticos de Vedado.

Sorveteria Coppélia: um dos melhores que eu já tomei!

Sorveteria Coppélia: um dos melhores que eu já tomei!

Resolvemos então voltar para a Avenida Paseo e continuar até a Plaza de La Revolucion, talvez o ponto turístico mais conhecido de Cuba. Depois de algumas fotos, seguimos pela Avenida de Los Presidentes até a Avenida 23, a principal avenida comercial de Havana. Nesta avenida se encontra o Parque Coppelia, onde fica a sorveteria Coppelia. Você não pode ir à Cuba e não tomar um sorvete da Coppelia (existe uma Coppelia na maioria das grandes cidades cubanas). Depois de pagar R$ 0,12 por um dos melhores sorvetes da sua vida você vai demorar muito tempo para pagar R$ 10,00 num Häagen Dazs.

A Avenida 23 termina no Malecon, bem onde fica o belo e imponente Hotel Nacional, onde as autoridades internacionais se hospedam quando estão em Havana.

Hotel Nacional

Hotel Nacional

A parte central de Havana, que é a mais turística, não tem praia e fica numa encosta de pedras. Ao longo da costa existe uma larga avenida, e entre esta avenida e a costa, um largo calçadão e uma mureta, que é muito usada para pesca e por casais de namorados.  Este conjunto “avenida + calçadão + mureta” é o famoso Malecon.

Durante o percurso de 1 kilômetro até a Avenida de Itália, que nos levaria até Centro Habana, notamos que vários prédios foram ou estão sendo reformados. Mais tarde soubemos que a  UNESCO está patrocinando a restauração dos bairros La Habana Vieja e Centro Habana. Porém, ao mesmo tempo que notamos que muitos prédios ao longo do Malecon estão novinhos (mas mantendo a arquitetura original), deu pra ver, andando à pé, que a parte que os turistas não enxergam de carro ou ônibus, ainda está muito deteriorada.  Quando pegamos a Avenida de Itália tinham alguns prédios que davam até medo de andar debaixo de suas marquises, com medo de algum pedaço desabar.

Capitólio - versão genérica do americano.

Capitólio – versão genérica do americano.

Seguimos pela Avenida de Itália até Centro Habana, onde podemos ver o Capitólio, o Gran Teatro de la Habana, o Hotel Inglaterra, entre outros prédios restaurados ou em frangalhos, existentes no bairro. Conhecemos também o Parque Central e o Paseo  de Marti e então resolvemos parar para “almoçar” no ótimo Prado y Neptuno, que além de ter uma boa variedade de pratos típicos e internacionais, também tem um preço bastante atrativo.

Após a “almojanta” resolvemos caminhar os 5 kilômetros de volta ao hotel pelo Malecon. Somando com o que tinhamos andado durante todo o dia creio que chegamos nos 20 kilômetros caminhados. Como já era fim de tarde quando chegarmo próximos ao hotel, esperamos para ver (e fotografar) o por do sol da mureta do malecon. E já que haviamos desembarcado no hotel na madrugada do dia anterior e tinhamos andado bastante durante o dia, resolvemos comprar umas cervejas na loja de conveniência que tinha em frente ao hotel e ficar por lá mesmo.

Por do sol visto do Malecon

Por do sol visto do Malecon

No segundo dia, pegamos um Cocotáxi e fomos até o Callejón de Hammel, que é uma viela que virou uma galeria de arte a céu aberto, muito pela iniciativa do artista Salvador González, que montou ali seu ateliê, o que acabou trazendo alguns outros artistas para a região.

Depois caminhamos uns 30 minutos até La Habana Vieja. Preferimos não entrar no Museo de la Revolución para não perder muito tempo e já seguimos para as ruazinhas estreitas no miolo da parte mais antiga de Havana. Passamos na Plaza de La Catedral e fomos até o La Bodeguita del Medio tomar o famoso mojito, que era o preferido de Ernest Hemingway, quando este viveu na cidade. Continuando o passeio pelo antigo bairro, passamos pelo Castillo de la Real Fuerza, Plaza de Armas e paramos para tomar outro ótimo sorvete (pqp!! Como eles são bons em fazer sorvete!!!). Depois passamos pela Plaza de San Francisco e, felizmente, caimos sem querer na Plaza Vieja, uma praça que foi toda reformada (dentro do projeto da UNESCO) e que conta com prédios históricos, bares e restaurantes no seu entorno.

Callejón de Hammel - a cultura afro cubana é muito parecida com a afro brasileira

Callejón de Hammel – a cultura afro cubana é muito parecida com a afro brasileira

Decidimos também meio que sem querer sentar em um dos bares e qual não foi a surpresa ao descobrir que este “bar” é a Cerveceria Plaza Vieja, uma cervejaria artesanal (talvez a única) cubana. Que além de ter uma cerveja muito boa, ainda tinha um preço muito em conta. Aproveitamos para tomar cervejas e almoçar e já programamos de voltar no outro dia à tarde para o happy hour do último dia na cidade. Depois da cerveja tomamos um velho Ford Fairlaine conversível para voltar para o hotel, pois à noite iriamos assistir um show dos Tradicionales de los 50, que são alguns artistas cubanos, no estilo “Buena Vista Social Club”. Na saída do show, demos a sorte de pegar um Chevrolet Bel Air da década de 50 para voltar ao hotel.

Linha de produção de mojitos em La Bodeguita del Medio

Linha de produção de mojitos em La Bodeguita del Medio

No terceiro dia, resolvemos seguir sentido contrário de La Habana Vieja e conhecer o pouco turístico bairro de Miramar, que é algo que poderiamos considerar a área nobre de Havana (inclusive lembra muito os EUA). Antes da revolução, este bairro era o local onde as pessoas ricas de Cuba e onde os estrangeiros tinham suas residências. Após a revolução, as casas foram abandonadas (muitos ricos fugiram para os EUA) e retomadas pelo governo, assim como as que eram propriedades de estrangeiros. Hoje em dia, boa parte das enormes casas foram transformadas em representações diplomáticas (contei umas 15 embaixadas ou consulados), escolas ou locais para atendimento à população.

Miramar e suas belas e enormes casas

Miramar e suas belas e enormes casas

É um bairro muito bonito para uma caminhada e, excetuando-se os velhos táxis lada (na área mais turística de Cuba, composta por La Habana Vieja, Habana Centro e Vedado, a grande maioria dos táxis ou são os carros americanos antigos restaurados ou então Hyundais novos) você poderia achar que está no subúrbio de alguma cidade dos EUA. Ou mesmo no Jardim Europa, em SP.

Caminhamos uns 5kms no bairro até chegarmos ao Acuário Nacional. Ele não é tão grande e acabei por não ver os shows dos leões marinhos ou dos golfinhos, mas é até interessante para ver um pouco da fauna marítima cubana. Se for passar mais de 3 dias na cidade, compensa. Depois disto pegamos um  táxi Lada para irmos para o Happy Hour programado na Cerveceria Plaza Vieja, o que acabou por derrubar a boa impressão que tinhamos tido no dia anterior.

Cerveceria Plaza Vieja - duas experiências totalmente opostas

Cerveceria Plaza Vieja – duas experiências totalmente opostas

O cardápio que nos trouxeram tinha preços bem maiores que o cardápio do dia anterior (um hamburguer tinha “aumentado” de 2 para 6 CUCs!!!). Questionamos a garçonete sobre as diferenças e ela inventou que existia um “cardápio social e um informal”. Eu até concordo que os “locais” devem pagar menos do que os turistas, mas para isto Cuba já conta com duas moedas distintas. Na verdade o preço ali era cobrado pela cara do cliente (como acontece muito no nordeste do Brasil). Depois disto o atendimento foi simplesmente péssimo e acabou por estragar um pouco uma viagem que tinha sido perfeita até ali.

Mas felizmente nada que apagasse a ótima experiência de conhecer Cuba, um país muito diferente dos que eu já visitei e com um dos povos mais calorosos e receptivos que eu já tive o prazer de conhecer.

Observações, dicas e considerações:

  • Tomara que no processo de restauração da parte central de Havana não ocorra, ao mesmo tempo, um processo de gentrificação. O que eu acho difícil até porque, em teoria, todos os imóveis são do Estado e eles podem realocar os moradores como bem entenderem. Podem simplesmente retirá-los de lá para as reformas, colocá-los em outros lugares e, após as reformas, cederem o espaço a outras pessoas.
  • O Capitólio é uma cópia em tamanho reduzido da sua versão americana. Mais uma prova da influência americana em Cuba.
  • O Cocotáxi é uma transporte que lembra bastante os riquixás chineses e os rickshaws indianos, com a diferença de não ser tração humana. É uma pequena moto (imagino eu que uma scooter) que tem um “cockpit” onde cabem 2 ou 3 pessoas sentadas, dependendo do modelo. Como o formato da maioria é arredondado e a cor oficial dos táxis em Cuba é amarelo, ele foi apelidado de Cocotáxi (o coco fresco, que conhecemos aqui como “coco verde”, pois é verde mesmo, em Cuba é amarelo).
  • A maioria dos músicos do projeto “Buena Vista Social Club” já são falecidos. Então não caia no “conto” de assistir a um show deles (nem lá e nem em lugar nenhum), pois vai ser só uma imitação. O filho de um dos músicos montou um novo grupo e faz shows na cidade e uma “franquia” excursiona pelo mundo. Se for só para curtir uma reunião de artistas cubanos, o show dos Tradicionales vai ser mais divertido, além de ser o “underground” e não o pop da música cubana das décadas de 50 e 60.
  • O bairro de Vedado tem este nome pois no final do século 19 e início do século 20 a construção de prédios, ou mesmo casa com mais de um andar era “vedado” por motivos de segurança (para permitir a visualização de qualquer tentativa de invasão de Cuba através do mar por aquele ponto)

Be happy 🙂

375 Plaza Vieja - La Habana Vieja - Havana - Cuba

Funcionário do mês

414 Passeio de Ford Fairlane - Havana - Cuba

Ford Fairlane

435 Sociedad Cultural Rosalia de Castro - La Habana Vieja - Havana - Cuba

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Cuba és amor!

216 El Malecón de Cocotaxi - Havana - Cuba

Cocotáxi

 

Botecando #56 – Pirajá – São Paulo – SP

20150509_123020Sinceramente não lembro se já tinha ido alguma vez no Pirajá. Acho que sim, mas se fui faz tanto tempo que nem lembrava como o bar era. Aproveitei que ia rolar um samba com Moacyr Luz e seu Samba do Trabalhador , que se apresenta todas as segundas no Clube Renascença, no Rio, e sempre na primeira terça-feira do mês no Traço de União para conhecer (ou relembrar) deste já tradicional ponto da boêmia paulistana. E gostei!

Estes não eram todos nossos, mas tomamos um pouco mais que isto.

Estes não eram todos nossos, mas tomamos um pouco mais que isto.

O Pirajá, que já tem quase seus vinte anos, fica localizado bem no início da Faria Lima, naquele pedaço que têm sido chamado ultimamente de “baixo Pinheiros” e teve como proposta, desde o início, ser um boteco carioca bem no meio de São Paulo, tanto que sua calçada imita o desenho de ondas existente no calçadão de Copacabana.

A parte interna do bar não é tão grande, mas juntamente com a área externa tem capacidade de acomodar um bom público, que desta vez lotou para acompanhar o samba. E ai fica uma dica: quando tiver algum destes raros eventos, é importante chegar cedo para pegar mesa. Tá certo que ninguém vai ficar sentado, mas é sempre bom ter um lugar para colocar os copos e para as mulheres colocarem suas bolsas. Além de ser mais prático se quiser comer algum petisco.

Por falar em petisco, talvez eles sejam o carro chefe da casa. A calabresa na cachaça que pedimos estava fantástica. Pedimos uma porção de torresmo, que eles não tinham (uma falha, já que no Rio é quase obrigação em boteco), porém o garçom “quebrou o galho” e nos fez uma porção com a pururuca que acompanha o caldinho de feijão. Não era exatamente o que queriamos, mas mesmo assim estava muito bem feita.

Os garçons estavam sempre solícitos, porém quando o bar encheu o serviço ficou um tanto prejudicado. Mas na medida do possível eles conseguiam nos atender e trazer o chopp brahma, sempre gelado e cremoso, e também a ótima cachaça da casa.

Uma pena que o samba acontece em situações esporádicas (até porque, não se cobra couvert) e talvez por isto encha demais (uma faixa da Faria Lima ficou tomada), senão seria uma opção a mais aos sábados.

Onde: Pirajá (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64 – São Paulo – SP)
Quando:09/05/2015
Bom: petiscos e atendimento.
Ruim: o samba acontece somente em datas especiais.
Site: http://www.piraja.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/bar.piraja?fref=ts

 Be happy! 🙂

Moacyr Luz fazendo a galera cantar para poder "molhar o bico".

Moacyr Luz fazendo a galera cantar para poder “molhar o bico”.

Wanderlust #20 – Santiago de Cuba, Cuba (ah vá!)

Santiago de Cuba 01

Santiago de Cuba é a segunda maior cidade cubana, com cerca de 500 mil habitantes e fica localizada a cerca de 900 kilômetros da capital, Havana. Por causa da proximidade com a Jamaica, o Haiti e a República Dominicana, é comum ver muitas pessoas com estas origens (muitos rastas, por exemplo).

Memorial Loma de San Juan

Memorial Loma de San Juan

Além da cultura de café, plantados nas cercanias da Sierra Maestra, a maior cadeia montanhosa de Cuba, a província de Santiago de Cuba (província é o equivalente ao nosso estado) também é famosa por seu porto e a mineração (cobre e ouro). Porém, a importância maior desta cidade é o fato dela ter sido o berço dos dois acontecimentos históricos mais importantes para Cuba: a independência da Espanha (e dos EUA, ver o artigo sobre a história de Cuba) e a revolução Cubana.

Por ser a maior cidade no leste de Cuba (ou como eles chamam, o Oriente cubano), ela foi um dos principais palcos das batalhas pela independência de Cuba. Na década de 50 serviu de berço da revolução cubana, pois foi na cidade em que Fidel se formou em direito e morou durante alguns anos. O Cuartel de Moncada, alvo do ataque da primeira tentativa da revolução armada liderada por Fidel fica na cidade (ver o mesmo artigo acima sobre a história).

Acho que o que mais eu gostei na cidade foi que ela respira música e o povo é muito festivo. Em qualquer lugar que você pare, invariavelmente terá algum conjunto ou artista tocando. Em todas as praças em que passei, entre o final da tarde / começo da noite tinha alguma festa acontecendo (inclusive na segunda feira!). Não à toa, o carnaval de Santiago, que acontece em Julho, é muito famoso.

Santuario de La Virgen de La Caridad del Cobre

Santuario de La Virgen de La Caridad del Cobre

O que fazer?
Santiago de Cuba é uma cidade pequena e sem grandes atrativos na sua área urbana. A não ser sentar num bar ou numa praça e ficar tomando cerveja, ouvindo os músicos de rua. Em termos de “atrações turísticas”, em um dia dá para conhecer praticamente toda a cidade.

Felizmente, ao tentar conseguir um mapa mais detalhado da cidade, a concierge do hotel sugeriu que contratássemos um taxista para fazer um passeio na “grande Santiago”, ao custo de 40 CUCs (cerca de 40 euros) por dia, para até 4 pessoas. Foi realmente uma ótima sugestão.

No primeiro dia o taxista nos levou para um “city tour” passando pelo Arbol de La Paz (onde o acordo de independência foi assinado), Memorial Loma de San Juan, alguns bairros residenciais, Bosque de Los Heroes, Plaza Antonio Maceo e Teatro Heredia e depois nos dirigimos ao Santuário de La Virgen de La Caridad del Cobre, a padroeira de Cuba.

Plaza Antonio Maceo

Plaza Antonio Maceo

Na volta para a cidade paramos no Cementério Santa Ifigenia, que conta com um imponente memorial à José Marti (um dos heróis cubanos) e túmulos de outras figuras históricas (como a família Bacardi). É interessante chegar por volta das 13:30, pois é quando acontece a troca da guarda, que é feita de forma tão sincronizada que você não consegue perceber quem foram os guardas que acabaram de chegar e quais acabaram de sair.

A próxima parada foi no Castillo de San Pedro de la Roca, ou simplesmente Castillo del Morro, uma fortaleza construida no topo de uma das colinas localizadas na entrada da baia de Santiago de Cuba, que foi erguida para servir como ponto de defesa contra invasores. Dali se tem uma vista da bela baia e também da costa.

Após a volta, ficamos no Parque Céspedes, que na verdade não é um parque, e sim uma praça (eles chamam qualquer praça com árvores de parque em Cuba), localizada no centro de Santiago e que é rodeada por alguns prédios históricos e interessantes. Fomos até a Casa de La Trova, onde podemos presenciar uma mini apresentaçao exclusiva de Pello 21, um músico local que toca um “instrumento” chamado Órgão Paris, que é como se fosse um enorme realejo. Visitamos também o Balcón de Velásquez, de onde se tem uma vista da parte costeira da cidade e depois fomos abordados por Livan, um morador de Santiago que nos levou para conhecer a maquete de Santiago e depois um restaurante local para tomarmos alguns mojitos. Depois paramos para almoçar na Taberna El Baturro, que tem um ambiente interessante (mas a comida não vale o preço).

Cementerio Santa Ifigenia

Cementerio Santa Ifigenia

Após o almoço, seguimos para a Plaza de Dolores, uma pequena praça cercada de bares com mesas na calçada que é ótimo para parar, tomar umas cervejas e mojitos e aproveitar para ouvir o som dos inúmeros músicos de rua que passam por ali (e portanto, prepare-se para dar caixinhas!). Na volta a pé para o hotel (cerca de 4kms) notamos que em TODAS as praças no caminho acontecia alguma festa, isto em pleno domingo, às 21:00hrs.

Haviamos combinado com o taxista de fazer um outro passeio no dia seguinte, desta vez fomos até a La Gran Piedra, um dos pontos mais altos de Cuba, situado na Sierra Maestra. O passeio é bem legal e a vista é fantástica, mas deve-se estar preparado para subir os quase 500 degraus até a pedra. Depois passamos no Museu Isabelica, um sítio histórico onde foi montada a primeira fazenda de café de Cuba. No sítio dá para se ter uma idéia de como viviam um fazendeiro e seus escravos.

Depois fomos até o Jardim Botânico, que é muito bonito e conta com uma variedade bem grande da flora cubana. Na sequência do passeio era para termos passado pela Granja Sibonay, o pequeno sítio que Fidel alugou e onde ele organizou a primeira tentativa de revolução. Porém, por ser uma segunda feira, o local estava fechado para visitas. Então nos dirigimos até o penúltimo ponto do passeio, que era a Praia de Sibonay, onde comemos em um legítimo Paladar cubano.

El Castillo del Morro

El Castillo del Morro

Há alguns anos o governo autorizou algumas pessoas a servirem refeições nas suas casas para os turistas. Na época, a novela brasileira Vale Tudo estava sendo transmitida em Cuba e a personagem da Regina Duarte nesta novela era a dona de um pequeno restaurante chamado “Paladar”. Por conta disto, o nome Paladar acabou “pegando” como denominação destes locais que servem refeições literalmente caseiras (os paladares são montados nos quintais ou em algum cômodo da casa).

A praia de Sibonay é bonita, porém o mar é um pouco agitado e de tombo.  Como não tinhamos planos de pegar praia, somente aproveitamos para tirar algumas fotos e voltamos para Santiago (Sibonay é um município na grande Santiago de Cuba) para o último ponto do passeio, que era o histórico Cuartel de Moncada, porém o museu do quartel também estava fechado por ser uma segunda. Então fomos conhecer o terraço do Casa Granda Hotel, de onde se tem uma vista 360º de quase toda a cidade, já que o hotel, apesar de não ser muito alto, fica numa colina e pelo fato de que em Santiago existem muito poucos prédios altos.

Parque Céspedes

Parque Céspedes

Depois passamos para tomar um café no la Isabelica Café, que é bem tradicional e que, além de qualidade, tem uma enorme variedade de bebidas que levam café como ingrediente principal. Depois de pararmos novamente para tomar algumas cervejas na Plaza Dolores, resolvemos voltar ao hotel. No caminho (que foi o mesmo do dia anterior), notamos que novamente haviam festas em TODAS as praças. Em plena segunda feira! Resolvemos parar em uma perto do hotel, que fica tipo num calçadão comercial e tinha música rolando ao vivo. Apesar do grupo tocar 3 músicas e fazer uma “pequena pausa” de meia hora, para voltar e tocar mais 3 músicas e fazer uma nova pausa, foi legal curtir esta última noite no meio dos locais, em um local que não é turístico e ainda de quebra descobrir que Kaoma e seu eterno sucesso “Chorando se Foi” também é sucesso em Cuba. Bem, ao menos em Santiago.

Observações, dicas e considerações:

  • Santiago de Cuba 08Se for voar de Cubana de Aviación prepare-se: como ela é basicamente a única companhia aérea que voa dentro de Cuba e por não ter muitas aeronaves, qualquer atraso desencadeia um efeito dominó em toda a malha. Na ida o atraso foi de 11 horas e na volta de duas.
  • Ainda assim valeu a experiência de andar num Antonov – AN 158, talvez a aeronave mais silenciosa em que eu já voei.
  • Eu não sou muito chegado em café então provavelmente não seja a pessoa certa para falar se um café é bom ou ruim, mas se eu morasse em Santiago com certeza iria virar um viciado no café do La Isabelica Café. O melhor que já tomei!
  • A maioria das atrações turísticas de Santiago fecham às segundas. Então é bom levar isto em consideração na hora de programar a viagem. Mas se a intenção for aproveitar festa, pode ir na segunda à vontade!
  • Quando estava em Havana, conheci um “local” e comentei com ele que tinha acabado de chegar de Santiago de Cuba, e ele soltou “Cuba é pobre, mas Santiago é mais pobre ainda!”, por conta disto, em Santiago existem muito mais pedintes e existem muito mais pessoas querendo ser “guias” para conseguir alguma gorjeta, ou mesmo uma refeição por conta do turista. Então prepare-se para ser abordado.
  • Apesar dos moradores de Santiago serem pobres e não terem acesso a vários bens e serviços que são corriqueiros para nós, eles são muito felizes e se divertem muito (mas muito mesmo!), o que nos leva a pensar como realmente não precisamos de muita coisa para ser feliz e viver bem.

Be happy 🙂

La Gran Piedra

La Gran Piedra

Botecando #55 – Bar Templo – São Paulo – SP

20150502_204052Fazia um tempão que estava querendo conhecer esta casa. Todos os meus amigos que foram falaram muito bem dela e, excetuando-se por um fator, ela correspondeu às expectativas.

Acho que alguém está meio desesperado pra casar.

Acho que alguém está meio desesperado pra casar.

O Templo fica na Móoca, numa travessa da Paes de Barros cheia de bares. O formato da casa e a disposição do palco lembra o Traço de União e as faixas penduradas no teto lembram as fitas do Senhor do Bonfim que existem no Tatu Bola. Acho que fizeram isto intencionalmente (um plágio mesmo). Além disto a casa é decorada com imagens em tamanho natural (tamanho humano) de vários santos de diversas religiões (umbanda, catolicismo, hinduísmo, budismo).

A cerveja (original, brahma, bohemia e serralmante) estava estupidamente gelada e a caipirinha que eu pedi, além de vir numa “dose” de quase meio litro, também estava ótima. A porção de torresmo, apesar de estar com um pouco de excesso de gordura, também estava boa.

O samba também é da melhor qualidade, apesar do som estar um pouco embolado, principalmente no início.

Era para ser tudo ótimo, mas cobrar 60 reais homem e 50 reais mulher, somente para entrar, numa feijoada com samba acho um pouco exagerado. O preço dos comes e bebes também estavam bem acima do que é cobrado na Vila e mesmo no Itam. Sei que estão tentando elitizar e gourmetizar tudo, mas 25 reais numa porção de torresmo (uma das mais baratas!) ou pela caipirinha (mesmo sendo uma dose grande) já é algo que beira o absurdo.

Gostei do bar, mas como não concordo com estes abusos provavelmente não voltaria.

Onde: Bar Templo (Rua Guaimbe, 322 – São Paulo – SP)
Quando:02/05/2015
Bom: decoração e música.
Ruim: valores (entrada, bebidas e comidas) muito altos.
Site: http://www.bartemplo.com/
Facebook: https://www.facebook.com/bartemplo?fref=ts

 Be happy! 🙂

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Wanderlust #19 – Varadero, Cuba

045 - Varadero - CubaFalar sobre Varadero, estando num all inclusive é facil.

Primeiro você acorda e vai tomar o cafe da manhã. Como eles atendem publicos de diversos países e culturas variadas, eles têm que oferecer variedade. No buffet tem morcela para os espanhóis e portugueses, bacon e panquecas (com maple syrup) para os americanos, pepino e tomate para os alemães, feijão e salsicha para os ingleses, e por aí vai. So de pães deve ter umas 20 opções. Chutando baixo, no total devem ter umas 150 opções de comida só no café da manhã.

Depois voce vai para a praia curtir o visual paradisiaco e aquele mar verde e limpo (uma pena é a água ser fria), deita na espreguiçadeira e passa o restante da manhã tomando cerveja. Regularmente tem alguma atividade que me permiti não fazer para evitar a fadiga.

Lá pelas 13:00 voce vai almocar e as opcões também não são poucas.

Depois do almoço vai para o bar molhado da piscina tomar umas cervejas, mojitos, daiquiris e piñas coladas.

Ao final da tarde, se dirige ao bar do lobby para um happy hour, afinal todo mundo precisa desestressar.

166 - Varadero - Cuba

A árdua tarefa de exercitar o ócio!

Umas sete horas volta para o apartamento, senta na varanda e abre uma cerveja para relaxar. Eventualmente tira uma soneca, já que ninguém é de ferro.

As 21 horas vai jantar em um dos restaurantes temáticos e logo após assiste a algum show ou participa de uma festa temática organizada pelo resort. Ainda dá tempo de dançar um pouco na balada do hotel, mas não até muito tarde, pois você precisa dormir cedo, já que o próximo dia também será duro!

Eu sinceramente acho que na declaração de direitos humanos da ONU deveria ter um parágrafo dizendo que “todo ser humano deve passar ao menos 3 dias de sua vida num all inclusive”.

Observações, dicas e considerações:

  • Achei impressionante a quantidade de alemães no resort. Chutando baixo cerca de 60% dos hóspedes. O restante se dividia em outros Europeus (principalmente espanhóis e franceses), pouquíssimos latino americanos e quase nenhum brasileiro. Uma pena.
  • Aquela empatia que a seleção e a imprensa alemã demostraram quando da passagem deles pela Bahia, na Copa do Mundo no Brasil, no ano passado, não parece ser apenas “jogada de marketing”. Eu vi os alemães interagindo muito com o pessoal do hotel (garçons, barmans, pessoal da limpeza, etc) com uma curiosidade genuína e um respeito enorme por uma cultura diferente da deles. Presenciei até uma cena bem legal: uma alemã, que pelo que eu entendi estava deixando o hotel, entregando uma lembrancinha para uma das moças que trabalhavam no buffet do café da manhã.
  • Uma coisa que eu notei e que achei muito legal foram alguns funcionários do hotel irem curtir o dia de folga com suas famílias no resort. Não sei a motivação disto, mas é interessante por não isolar “a casa grande da senzala”, ou seja, dá a oportunidade de pessoas que talvez não tivessem condições de bancar um hotel daquele tipo (e em Cuba isto corresponde a 90% da população) de aproveitarem um pouco daquilo que eles oferecem aos estrangeiros todos os dias.
  • Quando fui à Punta Cana uma das coisas que eu mais detestei foi o fato de que os funcionários não podiam se alimentar no Buffet (mesmo após o fechamento deles). Quando cheguei no resort em Varadero já eram mais de 3 horas da tarde e fui almoçar, pegando o fechamento do buffet, e os funcionários experimentavam os “quitutes” (imagino que eles já tinham almoçado antes) sem nenhum problema ou medo de punição. O mesmo acontecia nos bares: os funcionários dão uma parada depois do seu turno para “tomar um trago” antes de irem para casa, por conta do hotel.
  • O resort organizou uma festa (White Party) e uma das cenas mais legais foi ver uma centena de pessoas, literalmente dos 8 aos 80 anos, de nacionalidades diversas, se divertindo como se não houvesse amanha e dançando como se não houvesse ninguém assistindo (eu representei o Brasil…hehehe)

Be happy 🙂

052 - Varadero - Cuba