Arquivo do autor:Wellington Cunha - Ruivo

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Sobre Wellington Cunha - Ruivo

Paulistano de nascimento e cidadão do mundo por vocação. Trabalha atualmente com TI, porém se interessa, literalmente, por todo tipo de assunto, o que faz dele um "palpiteiro" de marca maior. Consegue ser cético e ter ao mesmo tempo o otimismo de Cândido, achando que no final tudo dará certo. Entre suas paixões estão a música, a literatura e as conversas com amigos numa mesa de bar, regado a uma boa cerveja.

Felicidade Foi-se Embora? – Leonardo Boff, Mario Sergio Cortella, Frei Betto (15/2016)

Felicidade Foi Se EmboraA Editora Vozes convidou três dos mais profícuos autores e pensadores brasileiros para discorrerem sobre o tema Felicidade. O pano de fundo da discussão são trechos de sucessos da MPB: Felicidade foi-se embora? A tristeza não tem fim, mas a felicidade sim? É impossível ser feliz sozinho? Cada um dos três discorre, em seções separadas, sobre o tema, e por isto vou avaliá-los também isoladamente.

Frei Betto tem dois grandes problemas: quer medir todo mundo pela sua régua e quer ideologizar qualquer assunto, claro que puxando para a ideologia à qual ele professa, que é o socialismo. Isto posto, para ele a felicidade está sempre no coletivo e nunca pode ser alcançada sozinha. Além disto, bens materiais não podem trazer felicidade. Dentro do conceito dele a felicidade é um objetivo a ser perseguido e que só será alcançado com uma sociedade igualitária, onde tudo seja de todos e todos sejam iguais (e talvez “alguns animais mais iguais que outros”, parafraseando Orwell), para isto, o socialismo é o caminho, sempre em oposição ao “malvado capitalismo” (qual deles? o de 2 séculos atrás? o de hoje? o Canadense? o Americano? o Chinês?). Ou seja, para ele as pessoas só serão felizes em uma sociedade onde todos compartilhem tudo, desde que seja da maneira que ele acredita e numa sociedade que ele idealiza. Pensamento típico de quem não tem o mínimo de empatia e não se coloca no lugar dos outros e, para piorar, não respeita a diversidade (de pensamentos, valores, idéias, etc).

Leonardo Boff também cai no mesmo problema de querer que os seus valores sejam padrão para todos. Mas ao menos escapa da tentação de partidarizar o texto. Ele também acha que felicidade não é um objetivo, mas um estado temporal que pode ser alcançado várias vezes e de diversas maneiras. O problema dele é tentar pintar o mundo como lugar horrível, que só será melhor quanto todas as pessoas forem capazes de alcançar certo nível de felicidade de acordo com os valores dele (espiritualidade, caridade, etc). Achei engraçado um trecho onde ele descreve este “momento da humanidade” onde afirma que “quase todos os vulcões do mundo estão se ativando”. Gostaria de saber de onde ele tirou esta informação. Apesar de tudo, concordo em parte com ele no ponto em que a felicidade é feita de momentos, muitos deles fugazes, e não é um estado constante. Também gostei de algumas citações no seu trecho.

Mário Sérgio Cortella já tem uma opnião um pouco parecida com a minha, de que a felicidade não é um estado constante, mas sim momentos (então o “ser” feliz é uma soma de muitos “estar feliz”), até porque, se fosse um estado constante perderia sentido, como o ar que respiramos, onde só nos damos conta dele quando ele nos falta. Ele relaciona os estados de felicidade com sensações de realização (quando terminamos um trabalho bem feito, terminamos de ler um livro), de contemplação (quando vemos um belo por do sol, ouvimos uma boa música) e de interação (quando nos relacionamos com algum ser vivo, especialmente entre nós mesmos, humanos). De certa forma ele acha que “é possível ser feliz sozinho”, mas que quando esta felicidade é compartilhada e ou originada das interações, ela é muito mais intensa e duradoura. Como quando você vê aquele belíssimo por do sol, mas gostaria que as pessoas das quais você gosta estivessem com você para partilhar este momento. Eu ainda acho que ele tem aquele resquício de querer que outros tenham os mesmos valores que ele, quando diz que a felicidade material é impossível e que a felicidade só pode ser alcançada através da espiritualidade. É uma característica do ser humano um pouco complexa de contornar, realmente.

O que Eu acho? Bem, era para ser uma resenha, mas vai virar uma Ruivopedia. Eu acho que a felicidade é como uma conta bancária: você tem depósitos (momentos de alegria) e saques (momentos de tristeza) e cabe somente à nós mesmos, individualmente, fazer com que no final de nossa jornada (na verdade durante ela, já que ao final nada mais vai importar) este saldo seja positívo. Um constante estado de “saldo positivo” ou pícos (felicidade durante muito tempo ou picos de felicidade extrema seguido por quedas) não são possíveis e podem indicar até um transtorno psíquico (estado de euforia, hiperatividade), bem como o inverso também é preocupante (pode ser depressão). Variações enormes também são anormalidades (bipolaridade). As vezes podemos ter um “depósito” alto (um nascimento de um filho, por exemplo), ou um saque muito impactante (uma morte de um ente querido), mas o saldo médio deve estar sempre próximo do “zero”, preferencialmente acima.

Eu não acredito que seja “impossível ser feliz sozinho”. Muito pelo contrário: você precisa primeiramente ser feliz sozinho, ser autosuficiente em sua felicidade, para depois poder multiplicar e inclusive “fazer doações” a quem talvez esteja com seu “saldo negativo”. Ao contrário dos autores do livro, eu acho que bens materiais podem ser sim causadores de felicidade. Novamente: cada um sabe o que é melhor para si, e quem sou eu para julgar alguém que acha que uma Ferrari vai fazê-lo feliz. Do mesmo modo, acho que não precisa de espiritualidade, do divino para ser feliz. Como ateu e conhecendo alguns ateus, acho até o contrário: quem se dá conta da sua insignificância dentro deste enorme universo, da fulgacidade da vida e de que só temos esta única vida para aproveitar consegue viver melhor, aproveitando estes pequenos bons momentos (depósitos) e relevando e superando mais facilmente os maus (saques). A fé inclusive pode ser a própria causadora da infelicidade no momento em que deixa as pessoas com a “eterna culpa do pecado”, com a tensão de ter que garantir o paraíso (ou uma boa reencarnação) para o além vida, ao cercear e censurar as várias formas de prazer (jogo, sexo, bebidas, drogas), etc.

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A Dança do Universo – Marcelo Gleiser (14/2016)

A Danca do UniversoMarcelo Gleiser é um físico e astrônomo carioca que, à exemplo de seus pares Carl Sagan, Neil deGrasse Tyson e Richard Dawkins, além da pesquisa científica se dedica à divulgação científica. Em A Dança do Universo, ele faz um apanhado geral das teorias e mitos sobre a criação do Universo, que ele chama de a Pergunta (com P maísculo, que é simplesmente o “de onde viemos”).

Vou dizer que no início eu não gostei muito do livro. Inicialmente, ao explicar os mitos sobre a criação criados por várias civilizações antigas e que, consequentemente envolviam muita religiosidade. Nesta parte um, composta de dois capítulos e denominada “Origens”, aparentemente ele dava a impressão de querer de qualquer forma justificar uma ligação entre ciência e religião.

Porém durante o desenvolvimento do livro fica claro que o ponto que ele quer demonstrar é que os cientistas não estão e não devem se preocupar com as religiões e, muito pelo contrário, a maioria dos cientistas que foram relevantes para o nível de conhecimento que temos hoje sobre o universo e os fenômenos naturais tiveram na fé um grande motivador. O problema é que muitas destas descobertas contrariavam dogmas religiosos e consequentemente ainda ameaçam o poder (político) das religiões. É bom aqui fazer uma bela distinção entre fé (ou espiritualidade) e religião: a fé é algo intrínsseco e pessoal e religião é a institucionalização da fé.

Seguindo a linha cronológica desde mitos antigos até as descobertas mais recentes da física (e suas vertentes, como astrologia e cosmologia), o autor vai ligando o texto com fatos históricos, biologia, química, matemática e muitos outros assuntos, todos eles relacionados, o que torna a compreensão de conceitos que, quando apresentados isoladamente são chatos e/ou incompreensíveis, bem mais fácil e com algum sentido prático.

Isto novamente me levou a questionar o porque da atual metodologia educacional separar os assuntos em “áreas de conhecimento”, isolando-os e tornando-os mais incompreensíveis. E nem é questão de “reinventar” o modelo educacional, já que no século XVII, o próprio Newton teve uma educação diferente: no primeiro “termo”, denominado trivium, aprendia-se sobre retórica, gramática e lógica (o primeiro ciclo do nosso ensino fundamental deveria se concentrar nisto, e  ainda incluir o inglês “de verdade”), no segundo “termo”, chamado de quadrivium, as aulas eram de geometria, aritmética, música (que envolve muita matemática) e astronomia (poderia ser muito bem ensinado no nosso segundo ciclo do ensino fundamental). À partir dai a base para estudar assuntos específicos (como filosofia, história, geografia, física, química, etc), que poderia ser feita no ensino médio, estaria bem sólida. Não que estes assuntos fossem desprezados durante os primeiros ciclos, mas eles eram “complementos” para o desenvolvimento de habilidades básicas como o desenvolvimento da comprensão de texto, da capacidade de argumentação (e de pesquisa, já que para argumentar você precisa ter uma boa base de conhecimento) e de raciocínio lógico e matemático (raciocínio, não decoreba de fórmula).

Mas voltando à vaca fria, é um ótimo livro, mais um que deveria ser leitura obrigatória nas escolas. Para se ter uma idéia de como ele te prende, eu tenho uma dificuldade para me concentrar e temas como matemática e física nunca foram os meus preferidos e, mesmo assim, cheguei a ler 50 páginas deste livro de uma só vez!

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Botecando #98 – Toca do Coelho – SP

Toca do Coelho 01Quem passa ali pelo começo da Teodoro Sampaio, próximo ao Hospital das Clínicas, região onde existem um monte de botecos oferecendo PFs, pode nem notar a existência deste boteco, até porque ele também oferece suas opções de PF. Mas quem se aventurar a dar uma entrada vai descobrir um tesouro para os apaixonados por cerveja (e cultura cervejeira em geral) e baixa gastronomia.

A parte da frente do imóvel é pequena, contando com um grande balcão e umas 6 mesas, porém no fundo há um grande salão com capacidade para acomodar muitas pessoas. A decoração é toda baseada em memoriabilia que remete ao mundo cervejeiro. Mas diferentemente de alguns bares novos, onde a decoração é “proposital”, na Toca (já posso tratar com intimidade!) parece que ela foi sendo feita à medida do tempo, com objetos que o bar deve ganhar dos fornecedores, importadores e até dos clientes (como algumas bugigangas, artesanatos, etc).

O atendimento foi um dos pontos de destaque, com os garçons sendo muito simpáticos e atenciosos e, mesmo sem serem profundos conhecedores de cervejas, se arriscando (e se esforçando) para ajudar os clientes com os poucos conhecimentos adquiridos.

Toca do Coelho 02Como já disse antes, um bar que oferece torresmo já começa ganhando o jogo! E o da Toca do Coelho foi um dos melhores que comi. Apesar de não ser frito na hora e estar acondicionado na estufa, além de muito “carnudo”, estava bem crocante, com a pururuca ainda estralando quando recebia as mordidas. Além disto, foi um dos mais equilibrados que já comi no quesito sal.

Para finalizar mas não menos importante: cervejas, muitas cervejas, de todos os estilos, origens, etc! Além de três cervejas nacionais nas torneiras (acho que podiam investir um pouco mais nisto), várias geladeiras exibindo uma carta que, pelas minhas contas, deve chegar quase nos 300 rótulos, oferecendo desde as brasileiras Way (curitibana) e Cevada Pura (piracicabana) até a tão afamada Deus, da Bélgica (e por um preço interessante!). Aliás foi o único lugar em que consegui encontrar a ótima curitibana Bodebrown.

Não deixem de conhecer!

Onde: Toca do Coelho (Rua Teodoro Sampaio, 507 – Pinheiros – SP)
Quando: 29/07/2016
Bom: boteco de verdade, com ótimo atendimento, muitas opções de cervejas especiais e petiscos
Ruim: podia ter mais opções de taps!
Facebook: https://www.facebook.com/Toca-do-Coelho-138333142901206/?fref=ts

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Os Filhos de Anansi – Neil Gaiman (13/2016)

Os Filhos de AnansiNeil Gaiman é um dos expoentes do que eu chamo de “Escola Douglas Adams de Humor Literário Britânico”. Tá certo que o Douglas Adams bebeu muito na fonte do Monty Python, mas por sua vez ninguém melhor do que ele conseguiu transcrever o estilo das gags visuais do famoso grupo britânico em textos. Infelizmente este gênio nos deixou cedo, mas existem vários outros autores que, mesmo sem intenção, seguem o seu estilo: aquele humor non-sense e ao mesmo tempo cheio de sentido (para quem tiver percepção suficiente para entender as sutilezas), fantástico e ao mesmo tempo realista e que parece que está falando diretamente com você.

Talvez o Neil Gaiman seja o melhor “discípulo” desta escola e, em “Os Filhos de Anansi”, todas estas características estão muito presentes. O livro conta a história de Fat Charlie, um sujeito desajeitado, desafortunado, que passou a vida sendo alvo de piadas e pegadinhas do próprio pai. Após a morte do pai ele descobre que ele era um deus: Anansi, a aranha, com origens na África. Não só isto, descobre ter também um “irmão gêmeo”, este já consciente de que se trata de um filho de um deus e que usa isto a seu bel prazer.

Spider (o irmão), na sua “vida despreocupada de filho de um deus”, coloca Fat Charlie em diversas situações adversas, muitas delas quase trágicas, mas que ao final se tornam cômicas.

As passagens “místicas” do livro são tão surreais que mesmo eu, que monto aquele filminho na cabeça enquanto leio, não consegui imaginar completamente e com clareza os cenários e personagens destas passagens. Muito interessante o Gaiman usar mitologia africana para criar a estória.

Deu até curiosidade agora de ler o SandMan, que pelo que conheço é menos humor escrachado e mais um humor ácido, sútil, que é apenas complemento para suspense e drama. Mas do jeito que Gaiman consegue conduzir bem uma trama, não duvido que seja um livro para se devorar em poucos dias, como devorei as mais de 300 páginas de Os Filhos de Anansi (apenas quatro dias!).

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Botecando #97 – Tiquim – SP

TiquimPassando de carro pelas ladeiras da Pompeia há alguns meses atrás, cruzei a esquina onde fica o Tiquim. Ainda era de manhã e o boteco estava fechado, mas achei interessante e, quando cheguei no escritório procurei informações e descobri que era um boteco “gourmet” que oferecia uma das melhores especiarias da baixa gastronomia paulista, o bolovo.

Fiquei enrolando pra ir mas finalmente fui conhecer. Apesar da proposta ser um boteco gourmet, o Tiquim não acabou perdendo o ar de boteco mesmo. O imóvel, que é pequeno e fica na esquina da Cayowaá com a Cajaíba, é bem montado e basicamente sem frescuras. Algumas mesas se espalham pela calçada, que é cuidada também pelo boteco e possui alguns bancos (para espera), cinzeiros, etc. Ponto positivo para o cuidado com o entorno.

O atendimento não é tão pessoal quanto o boteco do seu bairro (talvez pra quem more por ali seja!!!), mas é simpático e atencioso. Acabamos inclusive conhecendo, nas pausas para o cigarro, alguns habituees do bar (que é muito bem frequentado, diga-se de passagem).

Como estava (muito) frio e os aquecedores estavam ligados, e talvez por isto, fizeram questão de trazer as garrafas de Heineken envoltas naquelas camisinhas de neoprene, para evitar que esquentassem. Pedimos primeiramente a porção de penne frito polvilhado de lemon pepper, é bem boa mas vem bem salgada (é para beliscar mesmo, uma porção para 2 pessoas chega a ser muito).

Ai pra encerrar, é claro que pedi o bolovo, e ai veio a decepção. Sei lá, legal criar releituras, mas acho que mataram um clássico: massa de batata misturado com a carne fazendo a “casca”, apenas meio ovo, complementado por queijo. Não estava ruim, mas não era um Bolovo (com “B” maiúsculo). Acho que poderiam manter a versão original (bolinho de carne recheado com ovo cozido) e fazer as experiências à vontade, mas sem matar o clássico. De qualquer forma valeu conhecer o boteco e voltaria mais vezes (mas iria pedir outra coisa…hahaha).

Onde: Tiquim (Rua Cayowaá, 1301 – Pompéia – SP)
Quando: 22/07/2016
Bom: Boteco com cara e jeito de boteco (apesar de gourmet, sem frescuras)
Ruim: o bolovo não era tudo isto
Facebook: https://www.facebook.com/bartiquim

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Botecando #96 – Sampa Pop Bar – SP

Sampa Pop 01A Rua Casa Forte, ali em Santana, sempre foi um dos redutos da boemia da zona norte, mas fazia tempo que não dava um pulo lá (muito tempo!!!). No aniversário de camarada Regis, tive a oportunidade de conhecer o SambaPop, uma simpática casa.

O imóvel, assim como dos demais bares da região, parece ter sido montado em uma antiga casa, que foi adaptada para acomodar o bar. O que seria o corredor lateral virou um comprido salão com mesas, onde ao fundo fica o pequeno palco, onde neste dia estava rolando MPB e Pop Rock. Onde seria a sala fica o Bar e nos demais cômodos as demais mesas.

Sampa Pop 02Achei a decoração um tanto confusa (muita informação junta), bem como o atendimento também. Por confuso não quero dizer que é ruim, só meio atrapalhado mesmo.

Gostei muito de ter as opções de cervejas diferentes, como Eisenbahn (cuja pilsen podia ser adquirida em versão de 600mls), Baden Baden, etc. No quesito comida, além de porções e lanches, funciona o sistema de espetinhos, o que é bom para quando se tem bastante gente, já que cada um escolhe exatamente o quanto e o que vai comer.

Não é aquele “baita” boteco que a gente recomenda pros amigos, mas é o suficiente para passar algumas horas comendo, bebendo, ouvindo boa música e jogando conversa fora com os amigos.

Onde: Sampa Pop Bar (Rua Casa Forte, 157 -Santana – SP)
Quando: 15/07/2016
Bom: cervejas “diferentes”, espetinho e música ao vivo
Ruim: o ambiente e o atendimento são meio confusos
Facebook: https://www.facebook.com/SampaPopBar
Site: http://www.sampapop.com.br/

Be happy! 🙂

Bilhões e Bilhões – Carl Sagan (12/2016)

Bilhoes e BilhoesBilhões e Bilhões é um livro contendo dezenove artigos escritos por Sagan sobre diversos assuntos e para diversas situações (revistas, discursos, etc). Foi lançado postumamente por sua esposa e colaboradora Ann Druyan.

Os artigos são agrupados em três seções. Na primeira delas, sob o título de “O Poder e a Beleza da Quantificação”, seis artigos apresentam, de forma muito didática, a beleza da matemática e dos números. Mas não é só isto (como diria o locutor do 1406), além da matemática, ele vai inserindo informações sobre física, química, biologia e aproveitando para contar um pouco de história. Além de didática, tudo fica de uma forma fluída e cativante. Me levou a pensar: será que é tão difícil assim para nossos educadores desenvolverem uma nova forma de transmitir o conteúdo para os alunos? Será que precisa separar tudo em “categorias” específicas e fazer com que os estudantes apenas decorem o conteúdo, sem saber como as coisas se relacionam e quais as aplicações práticas? A mim me parece que é pura preguiça, já que caso o estudo fosse desta forma, ele deveriam ter conhecimento em várias áreas, inclusive muitas nas quais eles não se sentem confortáveis.

Em “O que os Conservadores estão Conservando?”, composto por sete artigos, Carl Sagan discorre sobre os impactos que o ser humano tem causado no mundo, quais suas prováveis consequências e como podemos brecar, ou ao menos minimizar o impacto negativo que temos exercido sobre a vida na terra. Um ponto importante que ele traz nestes artigos é que ele até entende o ataque que as empresas, pessoas e políticos ligados à indústria do petróleo faz à teoria do aquecimento global. O que não dá pra entender são pessoas que simplesmente “não acreditam no aquecimento global” lutarem contra. A prudência deveria fazer com que, havendo dúvida, no mínimo estas pessoas se propusessem a modificar seus hábitos (adotando combustíveis renováveis, reclicando lixo, etc).

Na última seção, denominada “Quando os Corações e as Mentes Entram em Conflito”, os temas são diversos, mas dois textos me chamaram muito a atenção. O primeiro foi “O inimigo comum”, um artigo que foi escrito por Sagan para ser publicado simultaneamente em duas importantes revistas, uma americana e uma russa, em tempos de guerra fria e que joga na cara o fato de que as duas grandes nações eram duas faces da mesma moeda, inclusive utilizando o mesmo modus operandi e que o estado de tensão só servia para os déspotas de plantão conquistarem e manterem poder (já havia abordado este ponto de vista em um texto na Feedback Magazine, aqui).

Mas o melhor artigo do livro (e sobre o assunto que eu já lí) é ‘Aborto: é possível ser “pró-vida” e “pró-escolha”?’, escrito em parceria com sua esposa. Ele destrincha as questões morais, históricas, biológicas e sociais para a liberação ou proibição do aborto. Muito interessante é o fato trazido à tona de que a bíblia não proíbe em nenhum lugar o aborto (existe apenas uma citação em toda a bíblia) e que até o meio do século 19 a igreja católica nem se preocupava com o assunto e passou a proibir em seus dogmas por um erro de interpretação de uma descoberta científica. Deveria ser um artigo obrigatório para qualquer um que queira debater o tema (achei o artigo aqui).

O último capítulo (“No Vale da Sombra”) e o epílogo (escrito pela Ann Druyan) mostram um pouco do final da vida deste gênio de nosso tempo, que foi acometido por um câncer contra o qual ele acabou perdendo a luta, mas nunca sem perder o amor pela vida, pelo mundo e pelas maravilhas da natureza.

Be happy 🙂

Botecando #95 – Mandíbula – SP

Mandibula 1Eu acho o centro de São Paulo um lugar fantástico. É uma misturada de gente, de comércio, de opções para comer. Uma verdadeira torre de babel que caracteriza as grandes metrópoles mundiais. O Mandibula, misto de bar e balada localizado no Centro, é um retrato fiel desta “bagunça”.

Montado em uma das lojas da Galeria Metrópole, que já foi famosa por suas agências de turismo e restaurantes pé-sujo que vendiam PFs a preços acessíveis, e que agora tem visto algumas “baladas” se instalando (além do Mandibula, existe um outro local no mesmo andar com pop, rock e MPB e um samba no térreo), é um barzinho simples, sem muitas frescuras nas suas paredes pintadas de preto. Não oferece também muitas opções nos quesitos bebida (cervejas e drinks populares) e comida (apenas algumas porções simples, já que não existe cozinha, como amendoim).

O que diferencia o bar, em primeiro lugar, é o ambiente, que é uma mistura de tudo quanto é tipo de gente, exatamente como é o centro. É mauricinho/patricinha, é nerd, é descolado, é público LGBT. Todo mundo somente afim de se divertir e ouvir um bom som, que é o segundo atrativo do local. Os DJs capricham para tocar o que há de melhor de rock, pop, eletrônico, reggae, soul, jazz, ska e o que mais der na telha. O único critério é tocar música boa.

Onde: Mandibula (Praça Dom José Gaspar, 106, 2o andar – Galeria Metrópole – Centro – SP)
Quando: 08/07/2016
Bom: ambiente e música
Ruim: é bem cheio e meio muvuca pra pegar bebida
Facebook: https://www.facebook.com/mandibvla

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Botecando #94 – Porão da Cerveja – SP

Porão da CervejaEste literalmente faz juz ao nome: é um “quiosque” que fica no subsolo (no acesso à garagem) do mercado Hirota da Santa Cecília e portanto pode passar desapercebido por quem não frequenta o mercado. O que seria um desperdício!

O bar/loja é bem pequeno e formado por dois balcões, além de algumas mesas dispostas do lado de fora. Conta com 3 taps (em câmara fria!), além de opções de cervejas em garrafa, tanto para levar quanto para consumir no local.

A cozinha funciona no esquema de convidados e no dia em que fomos o chefe convidado estava servindo porções de pastel de queijos (era uma mistura de queijos, com os pasteis bem recheados e saboros) acompanhado de um ótimo vinagrete de laranja para “harmonizar” com a Orange Pale Ale da 8 BITS Brew (ótima pedida!) que estava sendo lançada oficialmente no bar.

Se ninguém estiver colocando música para rolar ou se não tiver ninguém tocando, existe uma vitrola e uma série de LPs disponíveis para os clientes discotecarem à vontade! O atendimento também é de primeira e, em conjunto com o ambiente pequeno e com mesas muito próximas, faz você se sentir como se estivesse em casa.

O único ponto “ruim” é que como o mercado fecha às 21:00 horas o bar também precisa ser fechado este horário. Mas é uma ótima pedida para um happy hour!

Onde: Porão da Cerveja (Rua General Olimpio da Silveira, 39 – Santa Cecília – SP)
Quando: 08/07/2016
Bom: cervejas especiais, comida e atendimento
Ruim: fecha cedo!
Facebook: https://www.facebook.com/poraodacervejasp

Be happy! 🙂

Botecando #93 – Titus Bar – São Paulo – SP

Titus BarO Titus bar é um pequeno boteco de cervejas especiais que fica na Bela Vista, quase na divisa com o Bixiga, a alguns minutos da Paulista. O imóvel (que deveria ser uma garagem) é decorado com memoriabilia relacionada à cultura cervejeira e não tem muitos atrativos.

A carta de cervejas é extensa, contando com quatro opções nas Taps e mais de uma centena nas garrafas, sendo muitas de cervejarias nacionais. Vale a pena ficar atento às promoções, que ficam escritas em uma lousa.

Comemos uma porção de calabresa flambada na cachaça que estava bem boa.

O atendimento é simpático, porém formal. Os preços não fogem do padrão de bares de cervejas artesanais (pint na faixa de R$ 20,00)

Vale a pena para quando estiver na região da Paulista ou pra quem mora na região e está afim de tomar umas cervejas diferentes, mas não aconselharia ninguém a se deslocar de longe para conhecer. Não é que seja ruim, muito pelo contrário, mas falta algo mais, talvez um pouco de “personalidade” para compensar o deslocamento.

Onde: Titus Bar (Rua Rocha, 370 – Bela Vista – SP)
Quando: 05/07/2016
Bom: cervejas especiais e comida
Ruim: falta “personalidade”
Site: http://titusbar.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/titusbarcervejas

Be happy! 🙂