Arquivo mensal: março 2014

Botecando #12 – Rancho do Serjão

Rancho do Serjao 2Eu não curto muito balada que toca sertanejo. Eu até gosto de sertanejo. Gosto de Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho e Tião Carreiro e Pardinho, entre outras coisas bem antigas. Gosto bastante do Sérgio Reis e acho o Almir Sater um gênio. Das coisas mais recentes, curto quase tudo do Chrystian e Ralf, bastante coisa do Chitãozinho e Xororó e algumas coisas mais velhas do Zezé di Camargo e Luciano. Mas gosto de ouvir em casa ou no carro (especialmente pegando estrada rumo ao interior) e não em bar.

rancho do serjao 1Talvez seja porque nos bares atualmente só se toca o tal do “Sertanejo Universitário”, que na verdade não tem quase nada de sertanejo e é simplesmente música pop. Pra mim, botou um teclado para substituir a sanfona ou guitarra para substituir a viola, já deixou de ser sertanejo.

Porém, no Rancho do Serjão, uma casa que já conta com quinze anos, eles consigam fazer um bom equilíbrio entre sucessos recentes e pops, com coisas mais antigas. É um dos poucos lugares em que se ouve Crystian e Ralf (e não é Nova York), Mato Grosso e Matias, entre outros.

O bar, que por fora aparenta ser bem maior, fica num pequeno imóvel, quase já fora da Vila Madalena. Conta com algumas mesas e uma pequena pista de dança. Os músicos ficam num pequeno palco e, ao contrário de outras casas do gênero, têm um contato mais próximo com o público, o que permite que eles atendam pedidos da plateia (no “famoso” sistema de mandar o nome da música no guardanapo ou então gritar para o músico….hahaha).

Rancho do Serjao 3O filé ao molho de madeira que alguém da mesa pediu não estava lá estas coisas, mas o frango à passarinho que também foi pedido foi um dos melhores que já comi: praticamente só peito de frango, sem osso, bem frito e sequinho. Só podiam ter colocado alho (bastante!).

A cerveja (Original) também esteve sempre bem gelada e, quando o garçom percebeu que uma das garrafas estava com a boca trincada (nós mesmos não haviamos percebido), fez questão de, por iniciativa própria, trocar todos os copos e nos trazer outras duas garrafas, o que demonstra a preocupação com o bom atendimento.

Pra quem gosta de sertanejo e não quer enfrentar um Villa Country ou um Woods e aproveitar um lugar mais calmo e aconchegante, e ainda de quebra ouvir alguns clássicos da música caipira (é só pedir!), fica a dica!

Onde: Rancho do Serjão (Av. Pedroso de Moraes, 1008 – Vila Madalena- SP)
Quando: 21/03/2014
Bom: ambiente, música e localização
Ruim: ô povo feio!!!!….kkkkk
Página: http://www.ranchodoserjao.com.br/sao-paulo/

Top Top #6 – Músicas de Motel (fucking songs)

Motel 1

Ah! O amor! Sábado à noite, o rapaz pega a namorada na casa dela, a leva em um barzinho com luz baixa, mpb rolando ao vivo, pede uma cerveja para ele e umas caipirinhas para a moça (“bem doce, por favor!”). Meia noite e meia pede pra fechar a conta para seguir a saga rumo à uma maravilhosa noite de amor. Só esqueceu que o pernoite se inicia as duas, então tem que ficar dando voltas de carro pela cidade, já que o período de 4 horas seria insuficiente junto à mulher amada.

Depois de uma pequena fila, uma espera de 1:30 para “prepararem o quarto” (espera esta que quase torna dispensável o próprio quarto, se é que me entendem) o casal adentra a suíte para aquela maravilhosa noite. Claro que não poderia faltar uma trilha adequada, mas….Oh! Wait! Tirando os pastores da madrugada, apenas três rádios funcionam: Antena 1, Alpha FM e Eldorado (isto para a realidade de São Paulo, mas creio que em outras cidades existam as similares).

Cientes de que a sua audiência está sedenta por uma trilha sonora para embalar uma noite de amor, os programadores destas rádios preparam um set list com o que há de melhor na música romântica internacional (incluíndo ai traduções simultâneas, não que alguém vá prestar atenção).

O Botecoterapia orgulhosamente apresenta, as 25 músicas (+ um bonus) mais tocadas nas madrugadas de sexta e sábado nos Motéis, as famosas “fucking songs”:

25 – Eurhytmics – Miracle of love
Milagre é não broxar com esta música.

24 – Haddaway – I Miss You
Esta não deixa saudades.

23 – Chris Isaac – Wicked Games
Jogo duro ouvir, isto sim!

22 – Bryan Ferry – Slave To Love
Só acorrentado pra aguentar.

21 – Tracy Chapman – Fast Car
Esta música até que é legalzinha. Uma das várias desta lista que fizeram parte da trilha de novelas.

20 – Crowded House – Don’t Dream It’s Over
Esta é uma que não tem motivo nenhum para ser tocada como “love songs”, mas ninguém sabe ingles mesmo.

19 – The Cars – Drive
Talvez ficasse melhor como trilha de drive-in.

18 – Double – Captain Of Her Heart
“Capitão do Coração”? Não sei como nenhum grupo de forró brega ainda não fez uma versão (ou ao menos usou o nome para o grupo)

17 – The House Martin – Build
O melô do papel! Trilha sonora da novela Bebê à Bordo. Talvez uma mensagem subliminar alertando para a adoção de métodos anticoncepcionais.

16 – Peter Cetera – Glory Of Love
Periga o cara querer fazer o “golpe da águia”.

15 – Spandau Ballet – True
“Ha-ha-ha-ha-a-ha” – Acho que alguém imaginou que isto fosse um gemido.

14 – George Michael – Careless Whisper
“…sussuros de um bom amigo”, sei!!!….kkkk

13 – Anita Baker – Sweet Love
Ai minha diabetes!!!!

12 – Phil Collins – One More Night
E mais nenhuma vez esta música de novo, por favor.

11 – Jim Diamond – I Should Have Know Better
Ai ai ai…

10 – Simply Red – If You Don’t Know Me By Now
Foi só pra colocar um Ruivo na lista…..hahaha

9 – Glenn Medeiros – Nothing’s Gonna Change My Love For You
Dá vontade é de mudar de rádio.

8 – Sade – No Ordinary Love
Sade normalmente é usada para “o golpe”: o cara chama a mina pra jantar em casa, bota uma coletanea da Sade pra rolar, abre um vinho, e ai o resto é história…

7 – Air Supply – Goodbye
Campeões de tradução simultânea.

6 – Earth, Wind and Fire – Fantasy
Mas o Earth, Wind & Fire é uma puta banda!!!!

5 – Tom Jones – Love Is In The Air
Uma lista de fucking songs sem o Reginaldo Rossi norteamericano não seria uma lista de fucking songs.

4 – Marvin Gaye – Sexual Healing
Porra Marvin Gaye! Você sempre foi um baita músico! Mas cura sexual é de foder. Literalmente!!!

3 – Roxette – It Must Have Been Love
Ah, os bailinhos da época do colégio…

2 – Serge Gainsbourg & Jane Birkin – Je t’aime Moi non Plus
PQP!!! Esta é clássica!!! Rola até um striptease nesta hora….hahaha

1 – Barry White – Just The Way You Are
Deve ser por causa da voz de ator pornô, mas digo uma coisa: não é nada agradável.

0 – Yahoo – Mordida de Amor
Este é um bônus track. Sei lá porque cargas d’água os programadores acham que esta música serviria para embalar algo. Talvez por causa da frase “quando faz amor, se olha no espelho”, bem propícia ao ambiente. De qualquer forma, a trilha sonora de Bebê à Bordo emplacou duas neste Top Top.

E você? Quais as suas músicas de motel preferidas? E não venha me dizer que nunca passou por uma situação destas!!!!

Motel 2

Nuts! – Southwest Airlines’ Crazy Recipe For Business and Personal Success – Kevin & Jackie Freiberg (6/2014)

Nuts Top

A tradução literal de nuts é castanhas, nozes. É também a forma contraida, em inglês, de amendoin (peanuts). Pode também ser usada como uma gíria que significa “louco”, “doido”. Seria mais ou menos o equivalente ao nosso “doido de pedra”. O título (Doidos! – A receita da Southwest Airlines para o sucesso pessoal e nos negócios) faz juz ao objeto de estudo do livro: a companhia aérea norteamericana Southwest Airlines. É claro um trocadilho entre o “doido” e o “amendoim” servido à bordo, que é uma das marcas registradas da empresa.

Surgida no final da década de 60, a Southwest Airlines foi a empresa que desafiou o status quo da indústria de aviação civil da época, que considerava como mercado alvo as pessoas de alta renda. Uma frase muito repetida, quando se tratava do mercado da aviação, à época (e no Brasil até meados da década de 90) era: “existem dois tipos de pessoas: aqueles que podem pagar pra voar e aqueles que não”. Ela foi a precursora do modelo “low cost-low fare”. Além de, afim de reduzir custos, terem eliminado alimentos mais elaborados, substituindo-os pelos amendoins e outros “snacks” (que liberam espaço para mais poltronas e faz com que a preparação do avião para a próxima “perna” seja mais rápida), eles desafiaram a curva de valor do setor ao oferecer vôos muito baratos, em todos os horários e assentos, e em cidades e/ou aeroportos secundários.

Apesar da estratégia de baixo custo, uma das premissas iniciais e que é mantida até hoje é oferecer o melhor serviço possível para o cliente (POS – Positive Outrageous Services, algo como “serviço positivamente impactante”), incluindo, além da qualidade e individualidade no atendimento, o amor e a diversão como ingredientes dos vôos. Ela foi, por exemplo, a primeira companhia a abolir os trajes formais da tripulação e incluir brincadeiras e piadas nas instruções iniciais de vôo.

Shamu I: pinturas diferentes afim de gerar mídia espontânea

Shamu I: pinturas diferentes afim de gerar mídia espontânea

Também foi uma das primeiras empresas do setor a adotar um modelo de gestão mais “humano”, especialmente no que diz respeito ao relacionamento com todos os atores envolvidos (fornecedores, governo, sociedade e, principalmente, funcionários).

O livro passa pela história da empresa e sua luta inicial para conseguir decolar (antes da desregulamentação do mercado americano, na década de 70, uma empresa só obtinha a permissão de voar após autorização de órgãos reguladores, o que tornava o processo sucestível aos lobistas dos players do mercado), alguns percalços iniciais, mas concentra principalmente na cultura que foi criada dentro da Southwest. Cultura esta que provavelmente seja a razão do sucesso. O livro lista algumas “regras de ouro” e condutas que não estão escritas em nenhum livro, mas que são enraizadas na empresa, tais como:

  • Profissionais não precisam candidatar-se: eles esperam das pessoas determinados comportamentos e partem da premissa que os conhecimentos técnicos são passíveis de serem adquiridos. Um dos lemas do “Departamento de Pessoas” (foi uma das primeiras empresas a abolir o nome “Recursos Humanos) é “Hire for attitude, train for skill”’ (contrate pela atitude, treine para o conhecimento [técnico])
  • Mate a burocracia: eles eliminaram vários flows de aprovação de projetos, políticas complexas e escritas e contam com o bom senso dos funcionários na maioria dos casos para que estes possam tomar as melhores decisões para a empresa.
  • Aja como o dono: existe a cultura e incentivos (incluindo aí stock options) para que cada pessoa se sinta dona do negócio e aja como tal. Desta forma, além de gerar um comprometimento maior com a empresa, faz com que as pessoas tomem as melhores decisões afim de que o resultado final seja atingido.
  • Aprenda como um louco: existem vários tipos de programas onde as pessoas realizam temporariamente as funções de outra pessoa. Desta forma, além de criar um melhor ambiente, cria empatia e uma “visão do todo” que ajuda no dia a dia e na tomada de decisões.
  • Não tenha medo de falhar: existe a pratica na empresa de incentivar as idéias e, caso elas não tenham sido as melhores, reconhecer os esforços e aprender com os erros, ao invés de procurar e punir culpados.
  • Celebre as conquistas: uma das características da empresa é celebrar as conquistas, pois é uma maneira de criar memórias, renovar as energias para as coisas que virão, e muito importante, criar e estreitar as relações.
  • Celebre as pessoas com o coração: crie uma cultura de reconhecimento e agradecimento, tanto diariamente, através de um simples “obrigado”, quanto celebrações maiores, que incluem festas, nominações, premiações, etc. Mas faça isto do fundo do coração.
  • Ame: engraçado uma empresa ter o amor como pilares de sua cultura (inclusive tendo um logo que é impresso em tiquetes de passagens), mas é isto que é difundido e pregado na empresa e, pelos exemplos usados no livro, é algo bom genuino.
  • Compaixão pela comunidade: retribua à sociedade o que ela te ajudou a obter. É o certo a se fazer. Mas faça com o coração, e não por obrigação.
  • Faça propagandas não convencionais: invente novas formas de divulgar sua empresa e sua marca. Uma das formas encontradas pela Southwest foi pintar suas aeronaves de forma não convencional. Um evento famoso que chamou bastante a atenção foi o Malice in Dallas: para resolver uma disputa sobre um slogan (“Just Plane Smart”) com a Southwest, o CEO da Stevens Aviation, “Killer” Kurt Herwald, propôs a “Smokin” Herb Kelleher, CEO da Southwest, uma competição de braço de ferro, o que foi prontamente aceito. Além da mídia espontânea antes e durante o evento (até o então presidente dos EUA, George Bush, mandou cartão de boa sorte para os competidores), evitaram gastos com uma disputa no tribunal.
  • Clientes vem em segundo, empregados vem em primeiro: a empresa eliminou a premissa “o cliente tem sempre a razão”. Se ao reclamar o cliente tiver razão, o funcionário será devidamente orientado. Mas se o cliente não tiver razão, a empresa deixa claro que apoia as decisões tomadas pelos seus empregados.

Com este estilo de gestão, que hoje pode ser até comum (especialmente em empresas de inovação, mas ainda não muito em setores mais conservadores, como a própria aviação civil e o setor financeiro), a empresa, além de ter se tornado lucrativa (em 2012 ela registrou seu 41º ano consecutivo de lucros, talvez um caso único no mercado de aviação civil no mundo!), conseguiu abocanhar em algumas oportunidades a “triplice coroa”, que seria o primeiro lugar nas três categorias de estatisticas mantidas pelo departamento de transportes dos EUA: vôos on time, manuseio de bagagens e reclamações dos passageiros.

Colleen Barrett e Herb Kelleher, respectivamente, o coração e a alma da Southwest

Colleen Barrett e Herb Kelleher, respectivamente, o coração e a alma da Southwest

Aconselho bastante a leitura e também é uma dica de presentes para aquele chefe que tem o estilo de gestão que mais parece um capataz.

P.S. Eu li o livro em Inglês e tentei traduzir e/ou explicar algumas expressões utilizadas, mas como não sou tradutor, talvez não tenha ficado muito claro.

Botecando #11 – Boteco São Paulo

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Este boteco, situado num antigo casarão em uma esquina da Avenida Pompéia, é uma ótima opção para quem quer curtir o clima de Vila Madalena, sem a muvuca que atualmente se tornou a Vila (transito, molecada, briga, estacionamento a 30 reais, etc). Conta com várias mesas na calçada (ótima pedida em dias de calor) e uma pequena área interna com um palco.

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A decoração do bar é repleta de fotos e objetos relativos à cidade de São Paulo, o que faz da casa um pequeno “museu” sobre a cidade, mas o que mais impressiona é a criatividade e qualidade do cardápio. Ele contém, além de pratos típicos (a feijoada, escondidinho, file à Osvaldo Aranha, etc) e lanches, algumas “invenções interessantes”. Desta vez eu provei o filé milanesinha com molho gorgonzola, acompanhado de arroz e salada caprese “em pé”, o que foi uma bela pedida. O restante da galera pediu feijoada, que também foi aprovada por eles.

A cerveja (Heineken), veio sempre no ponto, porém eles também já aderiram à “cerveja de 12 reais” que tomou conta dos bares de SP desde o ano passado. Valor este que (acho que vou me tornar repetitivo) é um verdadeiro absurdo.

Um ponto fraco foi o atendimento, pois havia apenas um garçom responsável por atender as mesas da área externa, o que tornava o serviço demorado, mas nada que fosse insuportável.

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Sérgio Vinci (esq.) e Fernando Hermes

Uma outra atração do local é a programação musical de bom gosto. Já vi por lá grupos muito bons como: Trio Gato com Fome (samba), Grupo Contraste (samba) e o Quarteto Saquê e Cachaça (um quarteto de samba compostos por descendentes de japoneses!). O som aos sábados à noite fica por conta do Sérgio Vinci, que já conheço desde às épocas do saudoso Caneca Furada, na Freguesia do Ó, e que é para mim, junto com o Elio Camalle, um dos melhores músicos de MPB da noite paulistana.

Durante o almoço a casa também fica aberta, oferecendo seus pratos, tanto no local como delivery.

Onde: Boteco São Paulo (Avenida Pompeia, 2089 – Vila Pompéia – SP)
Quando: 15/03/2014
Bom: comida e som ao vivo
Ruim: atendimento
Página: http://www.botecosp.com/

Todo Carnaval Tem Seu Fim (ou não)

Carnaval

As “fardas”: Tom Maior, Urubó e Bando 7

Ultimamente eu tenho evitado viajar em feriados prolongados. Fiquei em São Paulo no ano novo, fiquei em São Paulo no Carnaval e só vou aproveitar os próximos feriados (Páscoa e Corpus Christi) pois vou emendar junto alguns dias de férias.

Devido à falta de infraestrutura (aeroportuária, rodoviária, hoteleira) e a alta demanda que existe ultimamente, está muito caro para viajar nestes feriados. Isto sem falar no sofrimento de encarar transito, aeroportos lotados, falta de transporte público, falta de água, etc. Então estou preferindo desfrutar os feriados em São Paulo e quando possível viajar em finais de semana normais “esticados”, já que tenho a flexibilidade de horários no meu trabalho.

E o que parecia que iria ser um carnaval calmo e tranquilo se tornou num dos melhores carnavais que eu já passei e, devido aos comentários em redes sociais e às reportagens nos portais de notícias, não foi só impressão minha. Parece que São Paulo está se tornando uma boa opção para esta festividade.

Abaixo um pequeno resumo do que foi meu carnaval.

Urubó

Carnaval - Urubo

Cuidado com seu Ó!!!!

Este simpático bloco, que já desfila na Freguesia do Ó (bairro onde cresci e vivo) desde 2010, me foi apresentado pelo Leandro Moraes (vulgo Tula), um amigo de longa data. Apesar de estar bem no começo, o bloco é de um profissionalismo impar e proporciona aos foliões tudo aquilo que se espera: diversão, pessoas de bem com a vida, marchinhas de carnaval e um ambiente bem familiar. Além do que, para mim, a proximidade conta muito.

Como diz um trecho do hino do bloco, “alegrando a menina e a vovó”, neste bloco existiam desde crianças de colo até pessoas de idade, e todos afim de aproveitar um carnaval mais simples dos que os que se vê, por exemplo, na Vila Madalena. O cenário bucólico, que remete a uma cidade do interior, do Largo da Matriz da Nossa Senhora do Ó (com a praça central com a Igreja e os estabelecimentos comerciais à volta), ajuda muito. Mas realmente, o que faz a diferença é a consciência do pessoal.

O melhor de tudo é que eles realizaram ensaios abertos e ao ar livre desde o segundo final de semana de Janeiro, o que possibilitou que meu carnaval começasse mais de um mês antes da data oficial. Só espero que, com o sucesso do bloco, ele não perca suas características.

Tom Maior

Ala 2 - Índios Laranjas

Ala 2 – Índios Laranjas

Minha amiga Betty Martinez, ao saber que eu estaria em São Paulo durante o Carnaval, me perguntou se eu queria desfilar na Tom Maior e/ou na Pérola Negra, escolas que ela frequenta a bastante tempo. Como também Já frequento escolas (especialmente a Rosas de Ouro) a uns 15 anos, mas nunca estava em São Paulo para desfilar, resolvi encarar o “desafio”.

Desafio aceito, para não fazer feio na avenida, acompanhei três ensaios abertos (o que não foi nenhuma dificuldade…hehe). No dia do desfile chegamos na escola as 23:00hrs da sexta (o desfile aconteceu as 6:05 da manhã do sábado) para podermos nos preparar. Durante a concentração, o clima é de alegria, correria e ajuda mútua. As 3:00 horas da manha seguimos rumo ao Anhembi e a concentração para o desfile ocorreu debaixo de uma chuva chata.

Infelizmente no momento de entrar na avenida, o carro abre alas quebrou, o que impactou o desempenho da escola. Mesmo assim, para marinheiro de primeira viagem, eu achei muito legal e senti até um frio na barriga antes de entrar na avenida. Por mim eu desfilo novamente ano que vem, porém em alguma ala que tenha uma fantasia um pouco menor.

Carnaval - Bando 7

…me deixa ir senão me atraso e o bloco sai.

Bloco 7
Descobri este bloco, que comemorou em 2014 seus 30 anos, através do aplicativo do Catraca Livre. O bloco se concentra na esquina da Rua Girassol com a Rua Purpurina, na Vila Madalena, e na concentração estava rolando um samba de mesa muito bom.

A saida do bloco atrasou cerca de uma hora, pois a chuva insistia em cair. Como chegou um horário em que eles não poderiam esperar mais, sairam do mesmo jeito. O bloco faz um percurso legal pelas principais ruas do bairro, mas o ruim é que eles ficam tocando, repetidamente, o hino do bloco (eventualmente eles tocam algumas marchinhas), o que o torna um pouco massante.

Mas o melhor foi que o bloco deve ter saido com umas 2 mil pessoas e na dispersão, em frente à quadra da Pérola Negra (o então presidente do bloco, que se aposentou este ano, foi um dos fundadores da Pérola e também da Águia de Ouro) creio que já existiam umas 8 mil, pois as pessoas iam fechando suas contas nos bares e se juntando ao cortejo.

Bangalafumenga / Sargento Pimenta

Carnaval - Bangalafumenga

Bangalafumenga agitando Sampa!

No ano passado eu cheguei a ir até este bloco (na verdade 2 blocos tocando na sequência) na Vila Madalena, porém estava tão lotado que não consegui nem ouvir o som (acabei vendo o Sargento Pimenta no Aterro do Flamengo).

Este ano transferiram estes dois blocos cariocas (eles fazem o pré carnaval em SP, mas no carnaval mesmo, saem no Rio) para a Avenida Paulo VI (continuação da Avenida Sumaré), o que foi uma idéia sensacional. Além de não incomodar os moradores, já que ali não existem residências, havia bem mais espaço e o trio pode “sair” (na Vila era um palco).

O Sargento é um bloco que faz versões de marchinhas de sucessos dos Beatles e já é bem famoso, tendo inclusive tocado em um evento dos Beatles em Liverpool. Já o Banga (como é carinhosamente chamado), faz versões carnavalescas de sucessos da música popular brasileira. O Banga tem uma oficina de percursão em São Paulo e, no quarto ano fazendo o pré-carnaval por estas bandas, não precisaram do “reforço” dos percursionistas do Rio. Sinal que tem muita gente em São Paulo interessada em curtir este tipo de carnaval.

Bloco do Ó

Carnaval - Bloco do O

O já tradicional Bloco do Ó

O Bloco do Ó, que este ano saiu pela 10ª vez, é o bloco carnavalesco do bar ‘Ó do Borogodó’ (uma das melhores opções em São Paulo para se ouvir ritmos brasileiros diferentes, como maracatu, jongo, congada, forró, tudo isto misturado com samba e MPB).

É um dos blocos que mais gosto e esta foi a quarta vez que fui no pré carnaval deles. O som é proporcionado pela “Orquestra Carnavalesca do Ó do Borogodó”, que é formada por músicos que compõem vários dos grupos que se apresentam na casa, e concentra seu repertório em marchinhas e sambas antigos.

Este bloco já está ficando tradicional na Vila e atrai bastante gente por causa do som que fazem, pela presença de todo tipo de gente (casais com bebês em carrinhos, pessoas idosas, turistas, gringos, etc) e também pelo fato de ser um dos blocos em que muita gente sai fantasiada (creio que o paulistano ainda é mais “travado” e no máximo coloca um chapéu, um óculos diferente, etc), até por que a própria banda é campeã no quesito “criatividade” de fantasias.

Vai Quem Quer
Depois do Bloco do Ó, emendamos o “Vai Quem Quer”. É um bloco diferente e bem animado, mas não faz muito meu estilo por só tocarem composições próprias.

Bar da Dona Diva
No domingo de carnaval, cai na besteira de sair do Urubó para ir a um bloco que estaria acontecendo na Benedito Calixto. Chegamos lá e estava uma zona só, com uma molecada bebada, tudo sujo, e desistimos sem antes chegar perto do bloco.

No caminho para a Vila na esperança de encontrar algo para fazer, acabamos caido no já conhecido e aconchegante “Sem Saida”, como é conhecido o Bar da Dona Diva. Já falei dele aqui.

Jegue Elétrico
Na segunda-feira demos um tempo no Urubó para tentarmos ver o Jegue Elétrico (o mesmo que estaria no domingo na Benedito Calixto), na Praça Roosevel. O bloco é bem legal pela “fauna” que habita o Centro, especialmente na região do Baixo Augusta, porém, também cai na besteira de ficar repetindo o próprio hino (até que era legal, mas chega uma hora que fica massante).

Foi uma experiência bem legal curtir o Carnaval de São Paulo e para mim acabou “empatando” com o carnaval do ano passado, que passei no Rio. Pena que em São Paulo não tem praia…

Botecando #10 – Choperia Opção

Opcao

A Paulista é um lugar cheio de atrações, tanto culturais, quanto gastronômicas e “etílicas”, mas sempre que eu marco com amigos de tomar umas naquela região (por causa da localização central) acabo parando no Opção.

Este bar fica localizado bem na parte central da Paulista, mais precisamente atrás do MASP e já é um ponto histórico de happy hour para o pessoal que trabalha na região e o pessoal que estuda na FGV (fica a uns 200 metros).

A área externa é um deck em uma pequena e bela praça, que tem sua beleza realçada pelo imóvel e iluminação da choperia. Infelizmente, faz tempo que não vejo o telão, que era gigante e instalado na área externa e costumava passar DVDs de shows de pop/rock (ainda existem TVs que ficam transmitindo shows). Internamente a casa é mais simples, mas contem o básico de um bom boteco e, principalmente, espaço (dificilmente está lotado a ponto de amontoar).

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Outra coisa que eu gosto de lá é que este foi talvez o primeiro bar que eu frequento que aboliu os 10% obrigatórios na conta, o que é bom tanto para o cliente quanto para o garçom.

O ponto ruim desta vez foi que eles estão seguindo a onda de outros bares de cobrar R$ 12,00 (pelo menos) por uma garrafa de 600mls de cerveja, o que é um absurdo, mas ultimamente pra fugir disto, só tomando em boteco pé sujo (conheço alguns muito bons!) ou então em casa mesmo (mas não deixa de ser um valor abusivo)

Onde: Choperia Opção (Rua Carlos Comenale, 97 – Bela Vista – SP)
Quando: 13/03/2014
Bom: ambiente e localização
Ruim: preço
Página: http://choperiaopcao.com.br/index.php

Sua Excrecência Senadô Sivirino – Yumbad Baguun Parral (5/2014)

Sua Excrecencia

Yumbad Baguun Parral é o pseudônimo do Alagoano Miguel Cavalcante Félix. Quem frequenta os bares da Vila Madalena já deve ter sido abordado por esta figura singular que, vestido com seu chapéu de couro, circula por entre as mesas vendendo suas obras (Veja também esta ótima reportagem sobre o Parral na revista Piauí).

Como frequentador assíduo da Vila, ele deve ter me oferecido seus livros dezenas de vezes e não sei por que (talvez por sempre andar com pouco dinheiro no bolso, geralmente o suficiente para o estacionamento e um dog) nunca havia adquirido um (e olha que eu sou um ávido consumidor de obras de artistas de rua, especialmente CDs). Na última vez em que ele me interpelou resolvi comprar um de seus livros e escolhi este meio que aleatóriamente.

Sempre imaginei que suas obras fossem mais relacionadas à literatura de cordel ou à sátiras (como ele mesmo as descreve), mas me surpreendi pela profundidade do conteudo deste livro, bem como a lucidez, coerência e isenção com que ele trata de assuntos sérios.

O livro pode ser dividido em três partes principais.

O prefácio foi a parte que mais me chamou a atenção. Trata-se de um ensaio sobre moral, ética, política, cidadania, enfim, do papel do homem na sociedade, tanto quanto relacionado à sua natureza e seu instinto de autopreservação, que quase sempre se choca com o que se imagina o papel de um ser dotado de capacidade de raciocínio, quanto à sua função como parte de um coletivo, de uma sociedade.

A segunda parte trata-se da estória em sí: uma sátira que conta a trajetória de um ser castigado pelas mazelas da vida que sai da mais absoluta miséria até chegar ao posto mais alto do legislativo do “Braséu”, claro, não sem o “apoio” de estruturas e personagens interessados nesta ascensão. É claro que, para se dar bem, tanto na vida e na política, este ser abjeto utiliza de todas as artimanhas amorais, ilegais e anti éticas possíveis.

A terceira e importante parte (que na verdade é inserida antes do epílogo) é um outro tratado, num estilo que mistura Maquiável com Sun Tsu, sobre o poder, a conquista, o uso e a manutenção deste, em forma de uma “bíblia” da política.

Da próxima vez que for à Vila já deixarei separado alguns reais na carteira na esperança de encontrá-lo e adquirir outro de seus livros.

Botecando #9 – Siga La Vaca

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Este estabelecimento, que fica localizado na movimentada Rua Canuto do Val, no bairro da Santa Cecília, faz parte da rede Biroska (que também fica na mesma rua, assim como outros bares da rede) e é um misto de bar, restaurante e videokê.

Na parte inferior, existem um espaço externo com mesas na calçada e um espaço interno. A parte central do piso inferior é bem interessante, com uma árvore como centro de uma “praça”, que tem como tema vacas na decoração. Ao redor desta árvore se encontra uma escada para acesso ao mezanino.

SigaLaVaca2

É no mezanino que se encontra o atrativo do lugar: 3 salas equipadas com videokê. Estas salas contam com algumas mesas, um pequeno palco e televisores e os candidatos a artista podem escolher, dentro de uma lista enorme, suas músicas prediletas para cantar.

No dia em que fui ao local, o atendimento estava relativamente bom, até a sala ficar lotada, o que foi um dos pontos fracos, pois ficava praticamente impossível se movimentar, inclusive para a garçonete. Por outro lado, as cervejas (nas salas de videokê somente long necks ou torres de chopp, e no piso inferior garrafas de 600mls) vieram sempre bem geladas. Não cheguei a comer no local para saber a qualidade dos petiscos.

SigaLaVaca

O local é uma ótima pedida para reunir alguns amigos num happy hour ou para comemorar um aniversário. A localização, na região central, também é muito boa e possibilita até o uso do transporte público para acesso.

Só um porém: eu nunca vi tanta gente que canta mal reunida num só videokê…..hehehe

Onde: Siga La Vaca (Rua Canuto do Val, 97 – Santa Cecília – SP)
Quando: 07/03/2014
Bom: videoke, decoração e localização
Ruim: lotação das salas
Página: http://www.biroska.com.br/sigalavaca/

Wanderlust #0

Esta frase resume bem minha opnião

Esta frase resume bem meu pensamento

Wanderlust é uma palavra de origem alemã. Wander quer dizer andar, caminhar, vaguear (no sentido de sair sem destino), passear. Lust significa desejo, vontade, sede por algo, prazer em fazer algo. Portanto Wanderlust, seria algo como “necessidade do prazer de viajar”. Assim como se diz da palavra “saudades” no português, Wanderlust também é uma palavra que não encontra similares em outras línguas e que tem um sentido bem difícil de traduzir (para quem entende um pouco de alemão a compreensão é melhor), tanto que atualmente é adotada, utilizando a mesma grafia e quase a mesma pronúncia, na língua inglesa (algumas pessoas inclusive usam o “W” com som de “V”, como no alemão e ao contrário do inglês, onde o “W” tem som de “U”).

Saindo um pouco da semântica para o significado em sí, o sentimento “Wanderlust” seria o “antônimo” (se podemos assim dizer) do “Banzo”, que era o sentimento de saudade, de vontade de voltar ao lar, enfrentado pelos escravos negros (e que chegava a inclusive se tornar doença). Wanderlust é uma vontade incontrolável de “botar os pés na estrada”.

Usei esta introdução (chata) para inaugurar mais uma seção do meu blog. Como falei no post inaugural deste blog, um dos motivos de eu ter iniciado o blog é compartilhar minhas experiências de viagens, e aproveitando que eu to com uma baita de uma Wanderlust (em abril e junho eu mato esta vontade =) ), resolvi “apelidar” esta seção desta maneira.

Como já dito anteriormente, além da música e da literatura, viajar está no topo das minhas prioridades, das minhas paixões. Isto já vem de muito tempo: eu não sou alguém muito ligado à bens materiais, porém, eu sou muito fissurado por conhecimento, por cultura, por conhecer e entender coisas, pessoas, lugares, culturas, histórias, etc e julgo que a melhor maneira de se adquirir conhecimento e cultura é vivenciando-as.

Eu gosto de chegar num novo país ou cidade e andar no meio da cidade, ir almoçar nos lugares onde os “locais” almoçam, frequentar os bares que eles frequentam, procurar algum lugar (museu, casa de cultura, etc) que conte um pouco da história daquele lugar, mas principalmente de seu povo, enfim, mergulhar dentro daquela cultura.

Este é um dos motivos de eu preferir viajar sozinho: quando você está sozinho você ganha mais tempo de viagem, pois não tem que ficar “negociando” as atividades diárias e nem abrindo mão das coisas que você quer fazer para acomodar coisas que você talvez não queira. Além do que, por estar sozinho, você terá mais probabilidade de conhecer novas pessoas (quando você está viajando acompanhado isto é mais difícil), de fazer contato com as pessoas locais ou mesmo com outros viajantes.

Voltarei em breve com o primeiro post desta coluna.

Top Top #5 – Os 20 álbuns que marcaram a minha vida

Music Passion 1De certa forma dando continuidade ao meu último Top Top, sobre os 10 livros que marcaram a minha vida, vou estender aqui uma outra brincadeira do mesmo tipo que rolou no Facebook a alguns dias atrás. À exemplo da brincadeira / desafio do livro, também pedia-se que listassemos 10 discos importantes para a nossa vida. Como foi muito difícil chegar a somente 10 naquela brincadeira e acabei deixando, com muita dor no coração, um monte de discos de fora, vou aumentar qualitativamente (colocando porque eu considero um disco importante) e quantitativamente a brincadeira, colocando 20 álbuns (e olha que deixei alguns outros de fora).

Os discos aparecem mais ou menos na ordem cronológica em que me marcaram e/ou apareceram na minha vida e basta clicar no link para ouvir alguma música do disco/banda ou o álbum no youtube.

0 – Ney Matogrosso – Promessas Demais
É apenas uma música e não um álbum e nem é uma das minhas preferidas, mas ela entrou aqui como item 0 por ser a primeira música que eu lembro de ter ouvido (lá pelos meus 5 ou 6 anos). Eu sempre careguei a melodia na cabeça e nunca soube que música era, ou mesmo o artista, até que um dia, há uns 8 anos atrás, estava dormindo com o rádio ligado (na Nova Brasil) e tocou esta música. De alguma forma, um pedaço da letra (“não precisava não acenar, precisava não promessas demais”) grudou na minha cabeça e eu lembrei quando acordei. Graças ao nosso amigo Google consegui, depois de mais de vinte anos, descobrir qual música era.

1 – Mozart – Requiém
Até os meus 14, 15 anos, eu tinha contato basicamente com músicas evangélicas (fui criado na igreja até mais ou menos esta idade) e erudita (fiz piano dos 10 aos 14 anos), portanto, ao contrário da maioria das pessoas, meus primeiros contatos não foram com Beatles, Roberto Carlos ou Raul Seixas. Esta obra póstuma do Mozart entra aqui na lista por ter sido a primeira música a realmente mexer comigo. Até hoje sinto um nó na garganta quando ouço esta obra.

2 – Pantanal – Trilha Sonora – Vol 2
Quando esta novela passou eu fiquei encantado com sua trilha sonora. Meu núcleo preferido da novela era o dos violeiros Tibério (Sergio Reis) e Xeréu Trindade (Almir Sater). Entra aqui por ter me “aberto as portas” para a música caipira brasileira (apesar de meu avô sempre cantar e tocar, até este momento não me atraia muito). Curiosidade: um tema muito tocado, especialmente quando apareciam as paisagens do Pantanal, é “No Mundo dos Sonhos”, de Robertinho do Recife, que trata-se de uma versão de Pepperland, do disco Yellow Submarine dos Beatles.

3 – Legiao Urbana – Dois
Aqui começa minha guinada rumo ao rock (provavelmente meu estilo predileto) e consequentemente ao violão. Estava ouvindo num sábado à tarde em casa a Rádio Transamérica e tocou Tempo Perdido. Fiquei doido e no meu próximo pagamento (era office boy na época, aos 14 anos) comprei um walkman vagabundo num camelô e esta fita no Museu do Disco. Ouvia a fita umas 15 vezes ao dia, todos os dias. À partir dai, “roubei” um violão velho do meu avô (tinha até um buraco que foi devidamente tapado com adesivos de campanhas políticas) e comprei algumas revistinhas de cifras para tentar tocar. Além disto, Legião foi basicamente a trilha sonora do meu primeiro namoro.

4 – Deep Purple – In Rock
Foi o primeiro disco de rock internacional com o qual eu tive contato (este disco existe até hoje e está com meu amigo Zé) e onde eu vi que Rock podia ser mais que 3 notas (até então eu estava numas de curtir Legião, Capital, Titãs) e que poderia se misturar inclusive com música erudita (que eu havia estudado).

5 – Led Zeppelin – Led Zeppelin I
Aqui foi minha introdução aos “virtuoses”. Ouvir num mesmo disco blues, rythm’n’blues, rock’n’roll e hard rock, interpretado com maestria por Plant, Page, Jones e Bonham fez eu “pirar o cabeção” e querer ter a música como carreira (sonho abandonado quando percebi que meu talento e minha disciplina eram bem menores que meu amor pela música). A capa do disco foi a primeira camiseta de banda que eu tive.

6 – Rush – A Show Of Hands
Muito antes dos Bill Gates, Zuckembers e Steve Jobs da vida, ser nerd não era legal, não era cool. Ser nerd era ser meio que pária do seu grupo (escola, rua, etc). O Rush sempre foi uma banda de nerds. Então nada melhor para o orgulho de um nerd como eu botar um disco pra rolar e ouvir, como abertura do show, o tema dos Três Patetas. Foi como um: hey, sou nerd sim, e dai?!?! Hoje em dia o Rush está entre as minhas bandas top (junto com Beatles, Pink Floyd e Yes).

Music Passion 27 – Golpe de Estado – Golpe de Estado
Janeiro de 1992!!!! Este foi o primeiro show “grande” que eu vi (com minha camiseta do Led, adquirida na Praça da República). Era uma festa da 89FM no estacionamento do Sambódromo do Anhembi e contou, além do Golpe, com o Ira! (tinha outra banda antes do Golpe, mas não lembro quem era e não cheguei a tempo de ver). Um baterista fantástico, um showman como vocalista, um guitarrista com riffs inconfundíveis e um baixista coeso “ligando” tudo e cantando hard rock (no melhor estilo Led, Whitesnake, Purple) em português. Foi paixão à primeira “ouvida”. Depois disto devo ter visto uns 80, 100 shows do Golpe, sendo eles somente superados pelo próprio Ira!.

8 – Ira! – Música Calma Para Pessoas Nervosas
Já era apaixonado pelo Ira! por conta do “Mudança de Comportamento” e do “Vivendo e Não Aprendendo”, mas este foi o disco em que eu pensei: “Porra! Estes caras são fodas! Querem fazer música e dane-se o resto! Dane-se se vai vender ou não!”. Não chegou a vender duas mil cópias (exatamente 1840 cópias na época, sendo que eu tinha duas: uma ganha, em LP, e outra comprada, em CD), apesar de ser um disco fantástico. Depois deste disco eles subiram ao primeiro posto das minhas bandas nacionais preferidas, pra não sair mais. Com certeza cheguei a ver mais de 100 shows do Ira! (Entre 1992 e 1997 ao menos um por mês!).

9 – Megadeth – Rust In Peace
Em 1993 estava numa época mais heavy metal, com 17 para 18 anos, cabelo comprido (sim, eu tinha cabelo!!!), querendo virar metaleiro para o resto da vida (tocava baixo na época) e este foi o disco que marcou esta época. Este disco é fantástico! Bom de ponta a ponta! Tirei ele (assim como os 3 primeiros do Metallica e mais o Countdown to Extinction do próprio Megadeth) inteiros no baixo, de ouvido, já que não tinha nenhum tab.com ou coisa parecida à época. Tornado of Souls tem para mim o melhor solo de guitarra da história do Heavy Metal, talvez uns dos 10 melhores da história do Rock.

10 – Dream Theater – Awake
Continuando minha saga metaleira, pirei quando ouvi Dream Theater pela primeira vez (na verdade, vi o clipe de Lie na MTV e fui atrás para comprar o CD). Tinha o peso do metal, com a complexidade e os temas longos das músicas eruditas. Cheguei a comprar um baixo de 6 cordas (tenho até hoje) somente para tocar Voices. Foi também minha porta de entrada para o rock progressivo. Mas hoje não tenho mais paciencia para ouvir Dream Theater.

11 – Jamiroquai – Emergency On The Planet Earth
Lá pelo final de 1996 estava totamente naquela vibe “metal”: não ouvia nada que não fosse no mínimo hard rock (a única exceção era o Ira!), não ia em lugar que não tocasse metal, tudo quanto outro tipo de som para mim era uma bosta e coisa de gente burra. Ainda bem que a gente cresce e evolui (quer dizer, a maioria de nós né). Este foi um dos discos que abriram minha cabeça para outras coisas que não fossem rock. Vi o clipe de “Emergency On The Planet Earth” na MTV e pensei: “não é metal, mas é legal e tocam bem!” e ai comecei a me dar mais oportunidades de ouvir coisas novas.

12 – Gilberto Gil – Millenium (coletânea)
13 – Chico Buarque – Millenium (coletânea)
Estes foram outros dois discos que abriram minha percepção para além do rock. Letras fantásticas, misturas de jazz, samba, mpb, rock, baião, forró, ou seja, a mistura que é o Brasil. Através destes discos eu pude abrir muito mais a minha cabeça para o que se faz de bom em termos musicais no nosso país (o que não é pouca coisa). Infelizmente, nas muitas viagens de galera, acabei perdendo os dois CDs (e um do Jair Rodrigues, da mesma série Milleinium, que tinha comprado junto)

14 – Racionais MCs – Sobrevivendo No Inferno
Este foi outro disco que derrubou alguns preconceitos que eu tinha (contra o Rap, Hip Hop, etc) e me abriu as portas para uma nova gama de sons (Funk, Soul, Motown, etc). Foi trilha sonora das viagens roubadas da “Turma do Grampo”.

15 – Funk Como Le Gusta – Roda de Funk
Putz! Este disco e os respectivos shows, com participações mais que especiais (Thayde, Jair Oliveira, Elza Soares, entre outros) na choperia do Sesc Pompéia marcou uma época da minha vida muito boa, onde a gente vivia para se divertir, sem preocupações. A preocupação que tinhamos, à época (eu com 23, 24 anos) era saber qual seria a próxima viagem, a próxima festa. Ganhávamos pouco mas nos divertíamos muito!

Music Passion 316 – Cassia Eller – Com Você…Meu Mundo Ficaria Completo
Ápice da carreira desta escritora fantástica, que infelizmente foi embora cedo, é um dos discos para entrar na história do rock nacional. Também foi trilha sonora do meu segundo namoro.

17 – Yes – Close To The Edge
Aqui já era 2002 para 2003, época que os arquivos de MP3 (assim como os Napsters e Audiogalaxys da vida) começam a se popularizar no Brasil. Sinceramente não lembro o que me fez dar uma “guinada” rumo ao progressivo. Só sei que esta época comecei a baixar discografia do Yes, ELP, Gentle Giant, etc. Também foi trilha sonora do meu terceiro namoro.

18 – Beatles – Abbey Road
Eu sou um fã “tardio” de Beatles. Na verdade só comecei a gostar realmente da banda em 2008, já com mais de 30 anos. Neste ano eu passei praticamente oito meses em Los Angeles, por conta do trabalho, e acabei sendo “convertido” à Beatlemania pelo Tony, marido da minha amiga Rebeca. Foi uma paixão tão avassaladora pela banda que eles entraram em questão de meses no meu top 4 de bandas e, quando fiz minha primeira viagem para a Europa, tive que ir à Liverpool. Quanto ao álbum escolhido, não tem como não considerar como melhor o álbum que traz Something, Here Comes the Sun e o melhor medley da história da música, que ainda termina com a frase que é o meu lema de vida: “and in the end the love you take is equal to the love you make”.

19 – Pink Floyd – Animals
Eu tenho um sério problema com músicas: eu consigo identificar todos os instrumentos usados (diferenciando, por exemplo, um moog de um hammond), os efeitos, as mínimas nuances da harmonia e da melodia, porém eu não presto muita atenção na letra, mesmo quando ela está em português. Ainda bem que certo dia (2009) eu resolvi prestar atenção às letras contidas no Animals, e fui tentar entender o conceito. O disco é baseado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Depois de descobrir isto, fui atrás do livro, o que me despertou uma paixão que há muito estava adormecida: a literatura (quer dizer, eu nunca parei de ler, mas fazia uns 10 anos que eu só lia coisas relacionadas à profissão ou carreira).

20 – Fundo De Quintal – Nos Pagodes da Vida
Vixe! Meus amigos metaleiros (aqueles que eu citei que não crescem….hahaha) vão querer me matar por conta deste. Já havia tido contato com Samba lá para 1999, pois cheguei a tocar violão num grupo de pagode. Porém, fui me apaixonar pelo estilo (ao ponto de comprar um cavaquinho e aprender algumas músicas) ao ver um show do Sombrinha, com a participação do Arlindo Cruz, no Traço de União (no dia 22 de Outubro de 2011, meu aniversário!). Fui atrás para conhecer a história destes dois caras, ai acabei caindo na história do Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Done Ivonne Lara, Almir, Candeia, Cartola….

Bem, no momento são estes álbuns que têm marcado minha vida até agora, mas com certeza ainda tem muita música que vai fazer a trilha sonora dela em momentos importantes.