Arquivo do autor:Wellington Cunha - Ruivo

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Sobre Wellington Cunha - Ruivo

Paulistano de nascimento e cidadão do mundo por vocação. Trabalha atualmente com TI, porém se interessa, literalmente, por todo tipo de assunto, o que faz dele um "palpiteiro" de marca maior. Consegue ser cético e ter ao mesmo tempo o otimismo de Cândido, achando que no final tudo dará certo. Entre suas paixões estão a música, a literatura e as conversas com amigos numa mesa de bar, regado a uma boa cerveja.

Botecando #36 – Pé de Manga – São Paulo – SP

Pe de Manga 1Apesar deste bar não ser tão novo e ficar na Vila Madalena, meu bairro preferido para sair em São Paulo, eu não o conhecia. Até porque este é um daqueles que ficam na “periferia” da Vila, neste caso, na periferia mais chique (região da Rua Delfina).

O ambiente é bem interessante: a maior parte do bar fica em uma área aberta, embaixo de um grande pé de manga, o que faz do bar uma ótima opção para ir durante o dia, em um dia ensolarado.

No cardápio chopp e cervejas de 1 litro importadas (Stella, Norteña e Patrícia). Infelizmente acabei não provando alguma das caipirinhas, que pareciam bem interessantes (acabei esquecendo). Os petiscos (provei fritas e pasteis de carne seca e queijo) estavam na média: estavam bons, mas nada que chamasse a atenção. Para quem gosta ou quer algum dia provar, eles têm uma porção de mini acarajés.

O atendimento, apesar de sempre eficiente (os garçons nem esperavam o copo ficar vazio e já vinham servir a cerveja que estava na mesa ou no balde), foi bastante impessoal. Eu particularmente não gosto, mas como o público do bar é em boa parte composto de mauricinhos e patricinhas, além de alguns casais de mais idade, creio que seja o tipo de atendimento que esta clientela prefira.

De qualquer forma, pretendo voltar para provar a caipirinha, a porção de acarajé (nunca comi acarajé e prefiro tentar primeiro com uma versão “light”) e ver se tenho uma outra impressão do local. Até porque desta vez chegamos já no início da noite e ficamos na parte interna, ou seja, não pudemos aproveitar o que o bar tem de mais legal, que é justamente a sombra do pé de manga.

Onde: Pé de Manga (Rua Arapiraca, 152 – São Paulo – SP)
Quando: 29/11/2014
Bom: Ambiente.
Ruim: atendimento muito impessoal.
Site: http://www.pedemanga.com.br/home.html

O Salmão da Dúvida – Douglas Adams (21/2014)

O Salmao da DuvidaQuando estava escrevendo a resenha sobre o E Tem Outra Coisa… eu estava lendo O Salmão da Dúvida, o que me fez chamar o Douglas Adams de gênio naquela resenha.

Muitos já o classificariam assim pelo compêndio do Guia do Mochileiro das Galáxias, porém talvez sejam as outras obras e especialmente textos de não ficção que o levem a este patamar.

O Salmão da Dúvida é um livro póstumo, que contém uma historia na qual Adams estava trabalhando e que dá o título ao livro e um coniunto de textos, artigos, cartas, entrevistas e um ótimo ensaio (do qual falarei mais abaixo) reunidos por seu editor, com a ajuda de sua assistente e sua viúva. O livro foi dividido em três partes: A Vida, O Universo e Tudo Mais.

Tudo Mais, a última parte do livro, contém o romance título do livro. Conforme entrevistas do proprio Douglas, o roteiro no qual ele estava trabalhando e que entre outros títulos provisórios, teve “O Salmão da Dúvida” como um deles, estava mais propício a ser utilizado para um livro do Guia, mas como ele começou a ser desenvolvido como um texto do Dirk Gently e foram estas as versões encontradas no computador de Douglas, acabou sendo um compilado de doze capitulos extraídos das 3 versões encontradas tendo Dirk Gently como personagem principal. Vale o aviso de que a história ficou sem final. Mas mesmo assim vale a pena, especialmente pelo capitulo que é descrito pela perspectiva de Desmond (e mais não falo para não estragar a surpresa).

Mas o mais interessante mesmo no livro são as duas primeiras partes (A Vida e O Universo). Os artigos selecionados para o livro contam um pouco da vida do autor e as entrevistas publicadas no livro demonstram bastante da personalidade de Douglas já no pós guia e sua relação com as suas obras. Interessante notar como ele, como apaixonado por tecnologia, “previu” muitas coisas que viriam a acontecer em alguns anos, especialmente no que se refere à Internet e como ela vem mudando o mundo. Por exemplo, ele já previa/pensava em Big Data quando o termo ainda nem existia.

Todos os textos ou entrevistas tem o humor tipico de Adams, o que por si só já vale o livro.

Os dois capitulos que eu achei mais interessantes foram o da descrição de uma aventura dele para testar um sub bug e um discurso dele em uma convenção de biotecnologia, na qual ele explana sua teoria do “Deus Artificial”.

O primeiro conta a aventura que ele planejou, de mergulhar na grande barreira de corais, na Austrália com um sub bug (equipamento para mergulho) e fazer a comparação entre mergulhar usando o sub bug e usar uma arraia jamanta.

O segundo é um discurso onde ele explana a sua “Teoria das 4 eras da areia e do Deus Artificial”, que é simplesmente sensacional e mostra toda a genialidade de Douglas.

Mais do que um escritor ou roteirista, ao final deste livro eu me convenci que Douglas era também um visionário, pensador e filósofo. Pena que partiu tão cedo.

Botecando #35 – Schwarzwald, Bar do Alemão – Curitiba – PR

Bar do AlemaoOs queridos amigos Camila e Neto, que se mudaram recentemente para Curitiba, lembraram de mim quando visitaram este bar na cidade, me mandando fotos do local via Whatsapp e já deixando marcado uma ida à este bar quando fosse visitá-los.

E no Domingo lá fomos nós, mas vale a pena aproveitar e falar um pouco sobre a Feira do Largo da Ordem, que ocorre aos domingos, das 9:00 as 14:00hrs, no Centro Cívico de Curitiba, mesmo bairro do Schwarzwald. A feirinha me lembrou muito o mercado de pulgas do Mauer Park, que ocorre aos domingos, no parque de mesmo nome, em Berlin.

Varias barracas vendendo artesanato, antiguidades e comidas típicas de vários países e, para complementar, alguns artistas de rua muito bons, como o Davi Henn, que toca Country Blues tradicional (com direito a Kazoo), e um ótimo grupo de chorinho (que acabei vendo pouco, pois já estavam no final da apresentação).

Depois de darmos uma volta pela feira, fomos ao Bar do Alemão, para tomarmps umas cervejas, o famoso submarino (uma caneca de cerveja com uma canequinha de vodka dentro, sendo que esta canequinha é um souvenir para levar para casa) e claro, degustarmos alguns pratos alemães.

DSC_0308O imóvel inteiro lembra as cervejarias da Baviera, com sua decoração de madeira, suas grandes mesas e o teto decorado com bandeiras penduradas. Infelizmente, ao contrário do que acontece na Alemanha, as grandes mesas não são usadas coletivamente. Acho que tirar as placas de “reservado”, que faz com que você procure um garçom para poder sentar, ajudariam. A casa também podia incentivar este ótimo hábito.

Mas o chopp (apesar de ser Itaipava), o submarino e as comidas estavam muito bons. Destaque para a Bratwurst. O Eisbein estava bom, mas o couro poderia estar pururucado, ao invés de somente cozido. A Apfelstrudel com creme de nata (ao invés do chantily, normalmente usado como acompanhamento no Brasil) estava realmente muito bom.

O atendimento deixou um pouco a desejar, mas nada que comprometeu a experiência. E como já falado à respeito do Bar ZéPelin, os preços fora de São Paulo são justos.

Onde: Schwarzwald, Bar do Alemão (Rua Claudino dos Santos, 63 – Curitiba – PR)
Quando: 23/11/2014
Bom: Preço e pratos.
Ruim: não usarem as mesas coletivamente.
Site: http://www.bardoalemaocuritiba.com.br/

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Botecando #34 – ZéPelin Beto Batata – Curitiba – PR

ZePelin2Estive visitando um casal de amigos que se mudaram recentemente para Curitiba e eles me levaram para curtir um sambinha neste bar. Inicialmente eu até estranhei um bar chamado Zeppelin (foi a grafia que eu imaginei quando eles me falaram) ter uma feijoada com pagode, pois já me veio logo a cabeça a banda de rock Led Zeppelin (que também tem um poster lá).

ZePelin3Mas ao chegar no bar e ver a estátua do seu Zé Pelintra, uma entidade das religiões afrobrasileiras eu até cheguei a dar risada do ótimo trocadilho que a pessoa bolou.

Quanto ao bar em sí, ele é uma filial do famoso (em Curitiba), Beto Batata, que se autodenomina “a melhor batata suiça de Curitiba”. O bar é bem aconchegante e parece um chalé de madeira, com uma área externa, onde aos sábados à tarde acontece a roda de samba.

Acho que o maior destaque da casa é a qualidade do atendimento. Todo o staff é muito simpático e prestativo. Praticamente fomos puxados para dentro do bar quando perguntamos que horas iria começar o samba, porém, de maneira bem educada e simpática.

A cerveja estava sempre no ponto e e o torresmo da feijoada, do qual me empanturrei, era muito bom. Comemos também uma porção de minininho (um outro ótimo trocadilho, já que as mini batatas suiças lembram ninhos, ou seja, mini ninhos) que também estava muito bom.

ZePelin1O samba em sí não era bem um “samba”, pois era um trio (violão, pandeiro e rebôlo) que se concentrava nos sucessos do samba e da MPB e neste ponto um cavaco sempre faz falta para fazer um sambão mesmo, mas mesmo assim, conseguiam entreter o público.

Outro ponto de destaque é o valor, bem mais justo do que em São Paulo. Passamos cerca de 5 horas no local, bebendo e comendo, e pagamos (couvert artístico incluído) “apenas” R$ 64,00 por pessoa. Em Sampa um programa destes dificilmente ficaria abaixo dos R$ 100,00 por pessoa.

Onde: ZéPelin Beto Batata (AV. Iguaçu 3083 – Curitiba – PR)
Quando: 22/11/2014
Bom: Preço e atendimento.
Ruim: nada.
Site: https://www.facebook.com/barZePelinCWB

Botecando #33 – Delirium Café – São Paulo – SP

Delirium Cafe 1O Delirium Café é o já famoso bar da cervejaria belga de mesmo nome. O bar entrou no Guinness Book em 2004 por ser a cervejaria a oferecer a maior quantidade de rótulos de cerveja (mais de 5 mil!!!). Em 2010 o bar abriu sua primeira filial, no Rio de Janeiro, e este ano inaugurou sua segunda filial brasileira, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.

Eu já havia visitado a versão carioca, situada em Ipanema, no ano passado, e havia gostado muito, especialmente pela quantidade de opções de rótulos. Nada comparável à matriz em Bruxelas, especialmente nas torneiras, até por conta da limitação de espaço físico, mas o suficiente para agradar até paladares mais requintados.

A casa de São Paulo já se diferencia da do Rio por este fator: o imóvel em São Paulo é bem maior que o do Rio, o que possibilitou a existência de mais torneiras, de mais geladeiras e de consequentemente uma maior variedade de rótulos. Além disto, a casa é bem espaçosa, sem aquele amontoado de mesas que se costuma ver em outros bares famosos.

A decoração é bem típica de bares deste tipo, ou seja, sem muita frescura: material de propaganda de várias marcas de cerveja ao redor do mundo, algumas TV transmitindo canais de esportes e no caso do Delirium Café as já tradicionais paredes azuis pintadas no tom exato do logotipo da marca.

A carta de cervejas, como não poderia deixar de ser, é focada em rótulos originários daDelirium Cafe 2 Bélgica ou ao menos que seguem sua escola, mas não deixa também de proporcionar outras opções interessantes, como a Hoffbräu Helles Lager na torneira. Além de várias, várias opções brasileiras, o que mostra como o mercado realmente está se desenvolvendo.

Uma boa surpresa é que o custo das cervejas vendidas ali é bastante acessível se comparada à outros bares focados em cervejas especiais e seguiu o padrão do Empório Alto dos Pinheiros. Talvez até porque o Empório fica a poucos metros do Delirium, e o Paulo Almeida, proprietário do Empório, é um dos sócios do Delirium. Isto talvez explique também a baixa quantidade de opções de cerveja no armazém do Delirium Café, já que, se alguém quiser um pouco mais de opções para levar para casa, basta andar uns 300 metros até o Empório.

Acho que talvez o único ponto fraco da casa, seja a ainda falta de familiaridade de alguns dos garçons com o universo da cerveja. Eles ainda não são, por exemplo, capazes de sugerir opções de mesmo estilo ou origem, quando na falta de um dos rótulos no cardápio ou nas torneiras. Mas creio que isto é um problema que se resolverá por sí só, já que os próprios funcionários tendem a obter mais informações vivendo o dia a dia do bar.

Onde: Delirium Café SP (Rua Ferreira Araujo, 589 – Vila Madalena – SP)
Quando: 20/11/2014
Bom: Variedade de cervejas na torneira, ambiente e preço.
Ruim: falta de conhecimento do universo cervejeiro de alguns dos garçons
Site: http://www.deliriumcafesp.com.br/

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E Tem Outra Coisa… – Eoin Colfer (20/2014)

E tem Outra Coisa“E tem outra coisa…” é o sexto livro da trilogia de cinco livros do Guia do Mochileiro das Galáxias. Para quem não conhece, o Guia do Mochileiro das Galáxias foi uma serie ficção científica cômica criada para o radio e transmitida pela BBC no final da decada de 70. O responsável pela criação foi o gênio Douglas Adams.

A série de rádio deu origem a uma série de livros, uma série de TV britânica na década de 80, um filme em 2005, web sites, gibis, jogos de computador e gerou todo um universo (na verdade vários universos, ou seja, um multiverso) em torno de Arthur Dent, Ford Prefect, Tricia McMillan, Zaphod Beeblebrox e todos os insólitos e estranhos personagens e suas aventuras.

Para quem esteve nas ultimas décadas na Nebulosa Cabeça de Cavalo ou em um fiorde de algum planeta construído pelos Magrateanos nos confins deste universo (ou de algum outro) e não sabe nada sobre o Guia, sugiro que corra ate livraria (eletrônica ou física) mais próxima e adquira a série. Prometo que não vai se arrepender. É o tipo de livro que você não consegue parar de ler. Eu li os 5 livros originais da série em cerca de 20 dias, numa toada de 50 páginas por dia.

Mas voltando à este sexto livro em específico, ele foi lançado em 2009, portanto 8 anos após o falecimento de Douglas Adams. A missao foi confiada a Eoin Colfer, um autor irlandês de obras infanto-juvenis.

Acho que a escolha nao poderia ter sido melhor. Colfer soube usar a própria improbabilidade tipica de Adams para trazer de volta os personagens e conseguiu manter a “pegada” do humor britânico que ele tinha, além de inserir um toque próprio, o que não faz com que o estilo seja uma simples cópia do estilo de Adams..

Colfer também inseriu algumas novidades tecnológicas, especialmente ligadas à Internet, que não existiam quando Adams escreveu os cinco livros originais (apesar de ele ter “criado” a subeta.net, uma Internet do universo, nos seus livros, ainda na década de 80). Um exemplo são vídeos virais de celebridades, coisa tão comum nos dias de hoje.

O livro abusa das “notas do guia” para refrescar a memória dos leitores e introduzir novos conceitos, porém não é algo chato ou enfadonho. E mesmo com muita coisa explicada nas notas é interessante que os outros livros sejam lidos previamente para uma melhor compreensão do texto.

Assim como toda a obra de Adams e como o Belas Maldições (será que a escolha de Adam como nome do personagem principal de Belas Maldições não seria uma homenagem à Douglas?), este é um livro que dá vontade de ler novamente tão logo você o termine.

Certo Dia De Outono e Outros Contos – Maximo Gorki (19/2014)

CertoDiaDeOutonoO tradutor José Herculano Pires, que escreve o prefácio desta coletânea de contos de Gorki, foi muito feliz ao comparar a literatura Brasileira com a Russa. Primeiramente pela situação de “periferia”, tanto geográfica, quanto de idioma, em que as duas escolas literárias se encontram em relação à literatura mundial. E em segundo lugar, e talvez mais importante, pela semelhança entre o desenvolvimento das duas nações, que está sempre um passo atrás em relação à Europa e América do Norte, o que faz com que os respectivos povos sofram das mesmas agruras e angústias.

Ao ler os contos, nota-se mais ainda a semelhança. As estórias (ou histórias?) contadas por Gorki, com algumas pequenas adaptações, poderiam ter ocorrido em uma vila de pescadores do litoral do Brasil, ou na periferia de uma das capitais brasileiras, mais ou menos na mesma época em que se passam em seus contos. Da mesma forma que Jorge Amado poderia ter escrito Certo Dia De Outono ou Caim e Artem, dois dos sete contos presente neste livro, Capitães da Areia ou Morte e Vida Severina poderia ter sido escrito por Gorki.

A diferença básica entre Gorki e os autores que retrataram as desventuras do povo brasileiro, em especial dos menos afortunados, é que os brasileiros, até por conta da nossa “síndrome de cachorro vira latas”, tratam seus personagens com um certo “coitadismo”, Gorki trata os seus com uma ternura ímpar.

Talvez isto se dê até pela diferença de origens: enquanto os autores clássicos brasileiros normalmente eram originários das camadas mais altas e instruídas da sociedade, Gorki era de origem tão pobre quanto aqueles que ele retratava.

Só sei que é impossível não sentir compaixão e empatia por praticamente todos os personagens, mesmo os mais abjetos e mesmo quando eles demonstram os mais reprimíveis desvios de caráter. E Gorki consegue retratá-los com uma singeleza impressionante!

Felizmente, fiquei conhecendo esta obra através da resenha “A Ternura de Maximo Gorki” feita pelo Henrique Fendrich, colega de Feedback Magazine. Eu nem vou entrar em detalhes dos contos pois o Henrique soube, bem melhor do que eu saberia, dar uma amostra de cada um deles e traduzir o que se sente ao ler o livro, então sugiro apenas clicar no link (e claro, ler o livro). Só sei que a sensação que eu tive já ao final do primeiro conto foi: “porque eu não conheci este autor antes?”.

Be happy 🙂

 

Top Top #16 – Músicas Românticas – Românticos Irados

Ira (1)Apesar da música ser minha paixão, eu tenho um sério “problema” ao ouvir música. Eu consigo prestar atenção nos detalhes da música, tais como se em determinado trecho foi usado um Moog ou um Hammond (órgãos), um Fender ou um Rhodes (pianos elétricos), se o guitarrista usou um overdrive ou um fuzz no efeito da guitarra (combinado com delay, flanger, etc), às vezes consigo identificar até qual o modelo/marca da guitarra ou baixo utilizados. Porém, eu raramente presto atenção nas letras. Eu até decoro as letras mas é meio automático, sem prestar atenção no significado.

Porém, quando estava montando a lista de love songs eu tinha que colocar pelo menos umado Ira!, que é minha banda nacional favorita, e ai fui “obrigado” a prestar atenção nas letras. Acabei descobrindo, depois de 20 anos como fã da banda, que na verdade os caras não são uma banda de rock, mas sim uma banda de músicas românticas, que usa o rock como estilo musical.

Como tinham muitas músicas deles eu resolvi, à exemplo da lista do Paul, criar um “spin off”.

Então seguem as maravilhas compostas pelo Scandurra, Nasi, Gaspa e André ao longo de 3 décadas:

20 – Te Odeio (Isso é o amor)
Aquela linha tênue que separa o ódio da paixão….hahaha

19 – Na Minha Mente
O homem sempre tentando brigar com seus sentimentos!

18 – Prisão das Ruas
Momento nostalgia total.

17 – Poço de Sensibilidade
São revoltadinhos só por fora.

16 – Entre Seus Rins
Bela metáfora! (o clip também é legal)

15 – Quinze Anos
“Seu amor hoje / Me alimentará amanhã”. O Ira! como sempre direto e reto.

13 – Por Amor
To falando que de revoltado eles não têm nada.

12 – Mesmo Distante
Encontos e desencontros. Idas e vindas.

11 – Amor Impossível
https://botecoterapia.com/wp-content/uploads/2014/11/ira-03-amor-impossivel.mp3
Possível ou impossível?!?!?

11 – Logo de Cara
Tá vendo porque eles mereciam uma lista exclusiva?

10 – Balada Triste
Até releitura de bolero os caras fazem.

9 – O Girassol
“O sorriso se foi / Minha canção também / Eu jurei por Deus / Não morrer por amor / E continuar a viver”. Vale breguice? Vale também.

8 – Boneca de Cera
Como dói a indiferença.

7 – Campos, Praias e Paixões
Esta não fala de alguma paixão em específico, mas de paixões em geral.

6 – Mudança de Comportamento
“Eu morreria por você”, isto é que é uma frase forte!

5 – Culto de Amor
Ira2Com o decorrer da carreira eles foram focando mais ainda em temas românticos, a ponto de lançarem um disco chamado “Isto é amor!”, fazendo somente versões de músicas de outros artistas com o tema. Obs.:a Negra Li fez uma versão desta música que ficou muito boa também, veja/ouça aqui.

4 – Tolices
Esta é uma das minhas favoritas. Amor platônico total.

3 – Tarde Vazia
É bom de vez em quando ter alguém que faça valer o dia apenas com uma ligação telefônica.

2 – Tudo de Mim
Acho que todo mundo já passou pela cena descrita na música.

1 – Eu Vou Tentar
Esta é uma das músicas mais bonitas que eu já ouvi, e em conjunto com o maravilhoso clip dirigido pelo Selton Mello, para mim é o melhor clip nacional já feito. A atuação e a emoção dos atores durante o vídeo (especialmente na hora do reencontro) é de arrepiar. Sem contar a TL que é para deixar qualquer um apaixonado também!

Be happy 🙂

O Capital – Volume 1 – Karl Marx (18/2014)

O Capital

Uma das várias teorias que eu tenho é a de que o Marxismo, assim como todas as suas vertentes, é uma religião. Outro dia até assiti à uma entrevista do Eduardo Jorge onde ele mesmo afirmava isto. Por isto sempre tive a curiosidade de entender o porque dos adeptos da ideologia terem tanta fé nela, mesmo com todos os males que a aplicação prática da doutrina de Marx causou ao longo da história.

Este foi o principal motivo para eu ler este livro, e garanto que o fiz com a cabeça o mais aberta possível.

Bem, o primeiro ponto a se considerar é que é um livro chato para caramba! É cansativo de ler, por ser muito repetitivo e conter muitas notas de rodapé.

É importante considerar que o livro foi lançado em 1867, contando ainda com mais 2 edições revisadas pelo próprio autor e uma versão final, de 1893, revisada pelo seu amigo Friedrich Engels e por sua filha, Eleanor Marx. Como todo livro, é importante ressaltar que ele reflete a sociedade do seu tempo, então é errado dizer que “Marx estava errado!”, já que, além de ser uma obra teórica, ela está relacionada ao tempo em que foi escrita, então muita coisa que ele escreveu fazia muito sentido para aquele momento histórico.

Uma característica importante do livro é a “arrogância” de Marx: ele simplesmente escarnece tudo o que vai contra o seu pensamento. Existem pontos em que só falta, tal qual Dante, criar um “inferno” para colocar aqueles que discordam dele ou dos quais ele discorda. Ele não considera, em nenhum momento, a possibilidade de de sua teorias não serem as mais corretas quando comparadas com outras.

Eu sempre achei que o capitalismo, como modelo econômico e de produção, é o que mais se adapta à natureza do homem de diferenciação perante os seus pares. Em determinado ponto do livro, ele mesmo admite que a acumulação de riquezas é da natureza humana.

Um outro ponto interessante é quando ele avalia que o ser humano tem como “missão” trabalhar em prol da sociedade e criar outros seres humanos que venham a trabalhar em prol da sociedade. Ou seja, uma pessoa que trabalha, deve trabalhar para manter o funcionamento da sociedade e para se procriar, afim de que sua prole seja a sua reposição, quando este já não puder oferecer sua força de trabalho. Sei lá, me pareceu meio que tratar o ser humano como “gado”.

Ele bate muito na tecla de que o que traz valor às mercadorias produzidas é a energia física do trabalhador, o que me faz pensar se ele, como filósofo, imaginava se produzia ou não algum valor, já que não aplicava sua força física e sim seu intelecto.

Engraçado notar também que ele usa várias vezes as sociedades indianas e chinesas, que se organizam em pequenas comunidades autosuficientes, como modelo ideal de sociedades, e analisar o nível de desenvolvimento atual destas sociedades em relação às sociedades capitalistas.

Em determinado ponto ele afirma que foram os avanços tecnológicos que aceleraram o processo de industrialização e não o contrário, o que me leva também a pensar se ele acharia melhor que não existissem estes avanços afim evitar a industrialização da sociedade.

Já na parte final do livro, onde ele discorre sobre algumas leis promulgadas na Inglaterra afim de garantir direitos básicos dos trabalhadores, como jornada de trabalho menor, proibição do emprego de menores, etc ele crítica as mesmas leis que estavam reduzindo o que ele havia criticado durante todo o livro, com o argumento de que os empresários com mais capital conseguiriam assimilar mais a redução da margem de lucro, o que iria prejudicar os empresários com menos posses.

Como disse, o livro é temporal e reflete aquela sociedade, mas uma presuposição errônea que eu creio que ele tenha cometido foi decretar que o capitalismo já havia atingido a maturidade. O capitalismo mudou muito desde então e, se comparado com a teoria dele, já nem seria classificado hoje como capitalismo.

Mas não dá para negar que, muito provávelmente algumas de suas teorias tenham sido responsáveis justamente por moldar a forma atual do capitalismo.

Devido à complexidade do livro, provavelmente não lerei os outros dois volumes, mas fiquei com a curiosidade de ler “O Manifesto Comunista”, já que “O Capital” é um livro mais “técnico”, por assim dizer, onde ele apenas explana teorias e casos, sem dizer como ele imaginaria uma sociedade ideal.

Mas vai ficar só para o ano que vem, já que este me tomou muito tempo e eu tenho, pelo menos, mais uns 10 livros me esperando na estante, ávidos para serem lidos.

Be happy 🙂

Músicas e histórias de vida e morte

legiaoComo a maioria dos trintões e quarentões brasileiros, eu fui introduzido ao Rock através das bandas nacionais dos anos 80, especialmente Legião Urbana e Ira!. Lembro que com um dos meus primeiros salários, lá em 1991, eu comprei um walkman (os newbies nem vão saber o que é….hehehe) e as fitas do primeiro e do segundo disco da Legião Urbana, que eu ouvia praticamente o dia todo.

Passados alguns anos, especialmente com o advento da Internet, eu acabei tomando contato com todo tipo de música, do mundo todo, e acabei deixando a Legião Urbana meio de lado, ouvindo esporadicamente, muito mais por memória afetiva do que pela qualidade das músicas e letras. O Ira! sempre continuou sendo minha banda de cabeceira.

Eu sempre estranhei que estas duas bandas (uma que acabou no final dos anos 90 e a outra que teve uma longa pausa, voltando recentemente) sempre renovou seu público e achava estranho que a molecada de 15, 20, 25 anos, que não teve as mesmas referências que a minha geração teve, curtissem estas bandas. Até porque elas não tocam muito em rádio e existem várias bandas da mesma geração que sempre permaneceram na ativa (Titãs, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial) que não têm tido o seu público renovado. É só dar uma volta na Galeria do Rock, em São Paulo, para ver inúmeros adolescentes vestindo camisas da Legião Urbana. Ou ir em algum show do “reativado” Ira! para ver que mais da metade do público é de pessoas com menos de 30 anos.

Porém, há algumas semanas, por coincidência às vésperas do meu aniversário, eu estava ouvindo meus MP3s de Rock Nacional e, por sempre ouvir as músicas na sequencia, “a ficha caiu”.

Apesar de algumas composições terem mais de 30 anos e fazerem muitas referências à períodos que os mais jovens desconhecem, na verdade, ouvindo na sequência é como se fosse um livro, que conta a história de vida das bandas e seus respectivos artistas, suas histórias, suas fases de bonança, suas tragédias, e no caso da Legião, temos até um requiém, já que os dois últimos discos da banda foram feitos com o Renato Russo bem debilitado pela doença.

Ouvindo na sequência conseguimos identificar o período de rebeldia adolescente (Geração Coca Cola, Eu Era Um Lobisomem Juvenil e Ninguém Entende Um Mod!), a descoberta e perda do primeiro amor (Ainda É Cedo e Efeito Bumerangue), as incertezas da “fase do exército” (Soldados e Núcleo Base).

Depois a difícil tarefa de “virar gente grande” (Meninos Da Rua Paulo e Eduardo E Mônica), a realidade de ter que trabalhar para ganhar o pão de cada dia e a indecisão sobre o que fazer para isto (Fábrica,  Cabeças Quentes e Farto Do Rock’n’Roll), o envolvimento com drogas (Há Tempos e É Assim Que Me Querem) e até a vontade de deixar o mundo (Difícil É Viver).

A perda de um jovem amigo também é retratada (Feedback Song For A Dying Friend, Love In The Afternoon e Vida Passageira), bem como as incertezas acerca dos sentimentos (Te Odeio (Isto É o Amor), Na Minha Mente, Acrilic On Canvas e Andrea Doria)

Sem contar todas as músicas ligadas à política como Metrópole, Que País É Este, Receita Para Se Fazer um Herói, Pegue Essa Arma, Arrastão e tantas outras.

Um trecho que sempre me chama a atenção é a versão do Acústico da MTV da canção Mais do Mesmo, que tem um trecho que diz “enquanto isto / na enfermaria / todos os doentes / estão cantando / sucessos populares”, quando ao final da canção o Renato Russo, que a esta altura já sabia que havia contraido o vírus do HIV, solta: “…na hora da enfermaria ficou uma coisa assim…me lembrei de uma porção de coisas que estão acontecendo. Não se esqueçam sempre crianças: safe sex or no sex at all! Entendeu? Sexo seguro! Pode fazer tudo, contanto que seja com camisinha! Isto é importante de lembrar!”. Mas o requiém dele foi em A Via Lactea, do disco “A Tempestade”.

Creio que os mais jovens conseguem contar suas próprias histórias através das músicas destas duas grandes bandas. A história da Legião, que teve começo, meio e um fim precoce. E a história do Ira! que me resta torcer para que o fim esteja bem distante.

P.S. – Creio que com o Rush aconteça a mesma coisa.

Be happy 🙂

Ira