O Capital – Volume 1 – Karl Marx (18/2014)

O Capital

Uma das várias teorias que eu tenho é a de que o Marxismo, assim como todas as suas vertentes, é uma religião. Outro dia até assiti à uma entrevista do Eduardo Jorge onde ele mesmo afirmava isto. Por isto sempre tive a curiosidade de entender o porque dos adeptos da ideologia terem tanta fé nela, mesmo com todos os males que a aplicação prática da doutrina de Marx causou ao longo da história.

Este foi o principal motivo para eu ler este livro, e garanto que o fiz com a cabeça o mais aberta possível.

Bem, o primeiro ponto a se considerar é que é um livro chato para caramba! É cansativo de ler, por ser muito repetitivo e conter muitas notas de rodapé.

É importante considerar que o livro foi lançado em 1867, contando ainda com mais 2 edições revisadas pelo próprio autor e uma versão final, de 1893, revisada pelo seu amigo Friedrich Engels e por sua filha, Eleanor Marx. Como todo livro, é importante ressaltar que ele reflete a sociedade do seu tempo, então é errado dizer que “Marx estava errado!”, já que, além de ser uma obra teórica, ela está relacionada ao tempo em que foi escrita, então muita coisa que ele escreveu fazia muito sentido para aquele momento histórico.

Uma característica importante do livro é a “arrogância” de Marx: ele simplesmente escarnece tudo o que vai contra o seu pensamento. Existem pontos em que só falta, tal qual Dante, criar um “inferno” para colocar aqueles que discordam dele ou dos quais ele discorda. Ele não considera, em nenhum momento, a possibilidade de de sua teorias não serem as mais corretas quando comparadas com outras.

Eu sempre achei que o capitalismo, como modelo econômico e de produção, é o que mais se adapta à natureza do homem de diferenciação perante os seus pares. Em determinado ponto do livro, ele mesmo admite que a acumulação de riquezas é da natureza humana.

Um outro ponto interessante é quando ele avalia que o ser humano tem como “missão” trabalhar em prol da sociedade e criar outros seres humanos que venham a trabalhar em prol da sociedade. Ou seja, uma pessoa que trabalha, deve trabalhar para manter o funcionamento da sociedade e para se procriar, afim de que sua prole seja a sua reposição, quando este já não puder oferecer sua força de trabalho. Sei lá, me pareceu meio que tratar o ser humano como “gado”.

Ele bate muito na tecla de que o que traz valor às mercadorias produzidas é a energia física do trabalhador, o que me faz pensar se ele, como filósofo, imaginava se produzia ou não algum valor, já que não aplicava sua força física e sim seu intelecto.

Engraçado notar também que ele usa várias vezes as sociedades indianas e chinesas, que se organizam em pequenas comunidades autosuficientes, como modelo ideal de sociedades, e analisar o nível de desenvolvimento atual destas sociedades em relação às sociedades capitalistas.

Em determinado ponto ele afirma que foram os avanços tecnológicos que aceleraram o processo de industrialização e não o contrário, o que me leva também a pensar se ele acharia melhor que não existissem estes avanços afim evitar a industrialização da sociedade.

Já na parte final do livro, onde ele discorre sobre algumas leis promulgadas na Inglaterra afim de garantir direitos básicos dos trabalhadores, como jornada de trabalho menor, proibição do emprego de menores, etc ele crítica as mesmas leis que estavam reduzindo o que ele havia criticado durante todo o livro, com o argumento de que os empresários com mais capital conseguiriam assimilar mais a redução da margem de lucro, o que iria prejudicar os empresários com menos posses.

Como disse, o livro é temporal e reflete aquela sociedade, mas uma presuposição errônea que eu creio que ele tenha cometido foi decretar que o capitalismo já havia atingido a maturidade. O capitalismo mudou muito desde então e, se comparado com a teoria dele, já nem seria classificado hoje como capitalismo.

Mas não dá para negar que, muito provávelmente algumas de suas teorias tenham sido responsáveis justamente por moldar a forma atual do capitalismo.

Devido à complexidade do livro, provavelmente não lerei os outros dois volumes, mas fiquei com a curiosidade de ler “O Manifesto Comunista”, já que “O Capital” é um livro mais “técnico”, por assim dizer, onde ele apenas explana teorias e casos, sem dizer como ele imaginaria uma sociedade ideal.

Mas vai ficar só para o ano que vem, já que este me tomou muito tempo e eu tenho, pelo menos, mais uns 10 livros me esperando na estante, ávidos para serem lidos.

Be happy 🙂

Uma ideia sobre “O Capital – Volume 1 – Karl Marx (18/2014)

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