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Top Top #16 – Músicas Românticas – Românticos Irados

Ira (1)Apesar da música ser minha paixão, eu tenho um sério “problema” ao ouvir música. Eu consigo prestar atenção nos detalhes da música, tais como se em determinado trecho foi usado um Moog ou um Hammond (órgãos), um Fender ou um Rhodes (pianos elétricos), se o guitarrista usou um overdrive ou um fuzz no efeito da guitarra (combinado com delay, flanger, etc), às vezes consigo identificar até qual o modelo/marca da guitarra ou baixo utilizados. Porém, eu raramente presto atenção nas letras. Eu até decoro as letras mas é meio automático, sem prestar atenção no significado.

Porém, quando estava montando a lista de love songs eu tinha que colocar pelo menos umado Ira!, que é minha banda nacional favorita, e ai fui “obrigado” a prestar atenção nas letras. Acabei descobrindo, depois de 20 anos como fã da banda, que na verdade os caras não são uma banda de rock, mas sim uma banda de músicas românticas, que usa o rock como estilo musical.

Como tinham muitas músicas deles eu resolvi, à exemplo da lista do Paul, criar um “spin off”.

Então seguem as maravilhas compostas pelo Scandurra, Nasi, Gaspa e André ao longo de 3 décadas:

20 – Te Odeio (Isso é o amor)
Aquela linha tênue que separa o ódio da paixão….hahaha

19 – Na Minha Mente
O homem sempre tentando brigar com seus sentimentos!

18 – Prisão das Ruas
Momento nostalgia total.

17 – Poço de Sensibilidade
São revoltadinhos só por fora.

16 – Entre Seus Rins
Bela metáfora! (o clip também é legal)

15 – Quinze Anos
“Seu amor hoje / Me alimentará amanhã”. O Ira! como sempre direto e reto.

13 – Por Amor
To falando que de revoltado eles não têm nada.

12 – Mesmo Distante
Encontos e desencontros. Idas e vindas.

11 – Amor Impossível
https://botecoterapiadotcom.files.wordpress.com/2014/11/ira-03-amor-impossivel.mp3
Possível ou impossível?!?!?

11 – Logo de Cara
Tá vendo porque eles mereciam uma lista exclusiva?

10 – Balada Triste
Até releitura de bolero os caras fazem.

9 – O Girassol
“O sorriso se foi / Minha canção também / Eu jurei por Deus / Não morrer por amor / E continuar a viver”. Vale breguice? Vale também.

8 – Boneca de Cera
Como dói a indiferença.

7 – Campos, Praias e Paixões
Esta não fala de alguma paixão em específico, mas de paixões em geral.

6 – Mudança de Comportamento
“Eu morreria por você”, isto é que é uma frase forte!

5 – Culto de Amor
Ira2Com o decorrer da carreira eles foram focando mais ainda em temas românticos, a ponto de lançarem um disco chamado “Isto é amor!”, fazendo somente versões de músicas de outros artistas com o tema. Obs.:a Negra Li fez uma versão desta música que ficou muito boa também, veja/ouça aqui.

4 – Tolices
Esta é uma das minhas favoritas. Amor platônico total.

3 – Tarde Vazia
É bom de vez em quando ter alguém que faça valer o dia apenas com uma ligação telefônica.

2 – Tudo de Mim
Acho que todo mundo já passou pela cena descrita na música.

1 – Eu Vou Tentar
Esta é uma das músicas mais bonitas que eu já ouvi, e em conjunto com o maravilhoso clip dirigido pelo Selton Mello, para mim é o melhor clip nacional já feito. A atuação e a emoção dos atores durante o vídeo (especialmente na hora do reencontro) é de arrepiar. Sem contar a TL que é para deixar qualquer um apaixonado também!

Be happy 🙂

Músicas e histórias de vida e morte

legiaoComo a maioria dos trintões e quarentões brasileiros, eu fui introduzido ao Rock através das bandas nacionais dos anos 80, especialmente Legião Urbana e Ira!. Lembro que com um dos meus primeiros salários, lá em 1991, eu comprei um walkman (os newbies nem vão saber o que é….hehehe) e as fitas do primeiro e do segundo disco da Legião Urbana, que eu ouvia praticamente o dia todo.

Passados alguns anos, especialmente com o advento da Internet, eu acabei tomando contato com todo tipo de música, do mundo todo, e acabei deixando a Legião Urbana meio de lado, ouvindo esporadicamente, muito mais por memória afetiva do que pela qualidade das músicas e letras. O Ira! sempre continuou sendo minha banda de cabeceira.

Eu sempre estranhei que estas duas bandas (uma que acabou no final dos anos 90 e a outra que teve uma longa pausa, voltando recentemente) sempre renovou seu público e achava estranho que a molecada de 15, 20, 25 anos, que não teve as mesmas referências que a minha geração teve, curtissem estas bandas. Até porque elas não tocam muito em rádio e existem várias bandas da mesma geração que sempre permaneceram na ativa (Titãs, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial) que não têm tido o seu público renovado. É só dar uma volta na Galeria do Rock, em São Paulo, para ver inúmeros adolescentes vestindo camisas da Legião Urbana. Ou ir em algum show do “reativado” Ira! para ver que mais da metade do público é de pessoas com menos de 30 anos.

Porém, há algumas semanas, por coincidência às vésperas do meu aniversário, eu estava ouvindo meus MP3s de Rock Nacional e, por sempre ouvir as músicas na sequencia, “a ficha caiu”.

Apesar de algumas composições terem mais de 30 anos e fazerem muitas referências à períodos que os mais jovens desconhecem, na verdade, ouvindo na sequência é como se fosse um livro, que conta a história de vida das bandas e seus respectivos artistas, suas histórias, suas fases de bonança, suas tragédias, e no caso da Legião, temos até um requiém, já que os dois últimos discos da banda foram feitos com o Renato Russo bem debilitado pela doença.

Ouvindo na sequência conseguimos identificar o período de rebeldia adolescente (Geração Coca Cola, Eu Era Um Lobisomem Juvenil e Ninguém Entende Um Mod!), a descoberta e perda do primeiro amor (Ainda É Cedo e Efeito Bumerangue), as incertezas da “fase do exército” (Soldados e Núcleo Base).

Depois a difícil tarefa de “virar gente grande” (Meninos Da Rua Paulo e Eduardo E Mônica), a realidade de ter que trabalhar para ganhar o pão de cada dia e a indecisão sobre o que fazer para isto (Fábrica,  Cabeças Quentes e Farto Do Rock’n’Roll), o envolvimento com drogas (Há Tempos e É Assim Que Me Querem) e até a vontade de deixar o mundo (Difícil É Viver).

A perda de um jovem amigo também é retratada (Feedback Song For A Dying Friend, Love In The Afternoon e Vida Passageira), bem como as incertezas acerca dos sentimentos (Te Odeio (Isto É o Amor), Na Minha Mente, Acrilic On Canvas e Andrea Doria)

Sem contar todas as músicas ligadas à política como Metrópole, Que País É Este, Receita Para Se Fazer um Herói, Pegue Essa Arma, Arrastão e tantas outras.

Um trecho que sempre me chama a atenção é a versão do Acústico da MTV da canção Mais do Mesmo, que tem um trecho que diz “enquanto isto / na enfermaria / todos os doentes / estão cantando / sucessos populares”, quando ao final da canção o Renato Russo, que a esta altura já sabia que havia contraido o vírus do HIV, solta: “…na hora da enfermaria ficou uma coisa assim…me lembrei de uma porção de coisas que estão acontecendo. Não se esqueçam sempre crianças: safe sex or no sex at all! Entendeu? Sexo seguro! Pode fazer tudo, contanto que seja com camisinha! Isto é importante de lembrar!”. Mas o requiém dele foi em A Via Lactea, do disco “A Tempestade”.

Creio que os mais jovens conseguem contar suas próprias histórias através das músicas destas duas grandes bandas. A história da Legião, que teve começo, meio e um fim precoce. E a história do Ira! que me resta torcer para que o fim esteja bem distante.

P.S. – Creio que com o Rush aconteça a mesma coisa.

Be happy 🙂

Ira