Arquivo do autor:Wellington Cunha - Ruivo

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Sobre Wellington Cunha - Ruivo

Paulistano de nascimento e cidadão do mundo por vocação. Trabalha atualmente com TI, porém se interessa, literalmente, por todo tipo de assunto, o que faz dele um "palpiteiro" de marca maior. Consegue ser cético e ter ao mesmo tempo o otimismo de Cândido, achando que no final tudo dará certo. Entre suas paixões estão a música, a literatura e as conversas com amigos numa mesa de bar, regado a uma boa cerveja.

Botecando #92 – Deep Bar 611 – São Paulo – SP

Deep Bar 611Depois de muito tempo ensaiando, finalmente conheci o Deep Bar 611. Ele fica ali na Rua Barra Funda, entre as estações Barra Funda e Marechal Deodoro (mais próxima) do metrô, o que já garante o fácil acesso. Além das paredes de tijolo simples, a decoração é baseada em muita memoriabilia ligada à cultura cervejeira, bandeiras de diversos países, pôsteres. Lembra aqueles bares em que o dono vai pendurando pelo estabelecimento tudo o que ganha dos frequentadores.

O ambiente faz você se sentir num pub europeu que os “locais” vão frequentar depois de um árduo dia de trabalho. Ou seja, é aconchegante e sem frescura ou “gourmetização”.

O atendimento é acima da média, com o Fernando, proprietário do bar e responsável pelas criações da ótima Clandestina (“cerveja caseira feita com a mais pura água da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira”) sempre disposto a dar dicas e a explicar o que ele anda fazendo nas suas panelas. Se der a sorte de terem na torneira a India Pale Weizen da Clandestina, não deixe de experimentar. A Stout deles também merece uma menção honrosa.

Além de geralmente terem uma ou duas Clandestinas nas torneiras, sempre existe a opção de Heineken e mais uns 4 ou 5 rótulos. Além de toda a carta de cervejas em garrafas, dos mais diferentes estilos e países.

No quesito rango, experimentei o Fleischbällchen, que é um bolinho alemão que mistura carnes bovina e suina e que estava muito bom.

Olha, taí um bar que, se fosse mais perto de casa, eu iria bater cartão! Tipo se fosse do lado de casa ou do trampo iria dar uma passada todo dia pra tomar um pint só pra relaxar.

Onde: Deep Bar 611 (Rua Barra Funda, 611 – Barra Funda – SP)
Quando: 01/07/2016
Bom: cervejas especiais, comida e atendimento
Ruim: nada
Facebook: https://www.facebook.com/db611

Be happy! 🙂

Maus – Art Spiegelman (11/2016)

Maus - Art SpiegelmanMuita coisa já foi contada sobre o holocausto judeu provocado pelo regime nacional socialista de Hitler durante a segunda guerra. Não faltam relatos, livros (como o comovente “Diário de Anne Frank) e filmes. O museu a céu aberto “Topografie des Terror”, em Berlin, retrata todo o período da ascenção do nazismo até a queda do muro com detalhes impressionantes, suportados por fotos, gravações, vídeos, reportagens e documentos da época.

Mas para mim nada foi mais impactante do que esta obra, que conta no formato de quadrinhos a saga da familia de Art Spiegelman, através da narrativa de seu pai, Vladek Spiegelman, um judeu polonês sobrevivente de Auchwitz.

São vários fatores que fazem com que o impacto seja maior do que qualquer outra coisa que já foi dita ou escrita sobre os horrores deste período negro de nossa história. O primeiro deles é justamente que a história é contada por um sobrevivente, ou seja, alguém que sentiu tudo aquilo na própria pele e que foi moldado pela situação.

O segundo fato é que durante o livro, o autor também escancara o seu difícil relacionamento com o pai, que também foi moldado por aquele período: o pai que exigia muito do filho, pelo fato deste não ter passado por tudo o que o pai tinha passado, enquanto o filho que se culpava por não ter sentido aquilo como seus pais.

E o terceiro é a forma magistral que Art Spiegelman usou para relatar isto. Ele poderia apenas ter escrito um livro, mas como chargista, preferiu traduzir tudo em quadrinhos, num estilo de “Orwelliano” de fábula, onde os judeus são retratados como ratos (Maus em alemão, o que acabou por prover um ótimo trocadilho com o português), os alemães como gatos, os poloneses como porcos, e assim por diante.

Eu já comentei algumas vezes que algumas obras (como A Peste de Camus, Ensaio Sobre a Cegueira do Saramago e mesmo o seriado The Walking Dead) lidam com a forma como o homem abandona qualquer resquício de humanidade quando colocado em situações extremas (e que ameacem os dois primeiros níveis da pirâmide de Maslow). Mas é importante também nunca esquecer que, instados por um líder ardiloso e adeptos de uma ideologia (ou religião), o homem nem precisa chegar à situações extremas para que abandone a sua humanidade, que foi o caso dos alemães, que se compraziam em matar judeus, ciganos, negros, gays, deficientes e qualquer coisa que fosse “diferente” deles mesmos. E que também alguns outros podem apenas seguir este grupo no famoso efeito manada, caso dos Poloneses e até de Judeus que se tornaram adeptos do nazismo.

Be happy 🙂

Nada De Novo No Front – Erich Maria Remarque (10/2016)

Nada de Novo no FrontAo dezoito anos, o autor viveu de perto as agruras da guerra lutando nas trincheiras alemãs durante a primeira guerra mundial. A guerra deixaria marcas em sua vida (inclusive físicas) que o levaram a tomar notas do que viu e viveu durante seu periodo lutando no front.

Estas anotações viriam a se tornar o romance “Nada de Novo no Front”, considerado uma das mais importantes obras pacifistas de toda a história. As obras de Remarque, que trazem a faceta real e nada gloriosa dos conflitos armados, lhe renderam diversos problemas durante a ascenção de Hitler, que culminaram no seu exílio e até na perda da cidadania alemã.

O livro conta a história do jovem Paul (que poderia ser o próprio Remarque) que, convencido por seus pais, professores e pela sociedade, se alista para lutar pelo exército alemão na primeira guerra e acaba chegando na frente oeste de combate.

A realidade nada glamorosa da guerra é exposta em várias estórias (ou histórias?) que são narradas por Paul, onde eles e seus amigos estão mais preocupados em não morrer de fome e ao menos resistir às várias agruras (além da guerra em sí, às doenças) para tentar voltar para uma vida que eles nem sabem qual é, já que, nesta idade, os sonhos foram todos abandonados.

Apesar de Paul estar sempre disposto a continuar lutando, não consegue entender (como ninguém consegue) o motivo da guerra e qual o seu propósito.

“…uma declaração de guerra deve ser uma espécie de festa do povo, com entradas e músicas, como nas touradas. Depois, os ministros e os generais dos dois países deveriam entrar na arena de calção de banho e, armados de cacetes, investirem uns sobre os outros. O último que ficasse de pé seria o vencedor. Seria mais simples e melhor do que isto aqui, onde quem luta não são os verdadeiros interessados.”

Uma das partes mais tocantes do livro é o momento em que, acuado e isolado em uma trincheira, Paul se vê forçado a matar um soldado francês com sua baioneta e pela primeira vez tem a oportunidade de verificar que aquele soldado é alguém como ele, que também tinha seus medos, tinha seus anseios, uma familia, ou seja, que também é um humano que está ali lutando por algo que não é seu. Assim que consegue fugir e ser resgatado, aquele ser humano deixa de existir e Paul volta a ser o “animal” que quer antes de tudo sobreviver, mesmo não tendo razões para isto.

Um dos melhores livros com a temática de guerra que eu já lí.

Be happy 🙂

Botecando #91 – Mercearia São Pedro – São Paulo – SP

Mercearia Sao PedroA Mercearia São Pedro, um misto de bar, restaurante e livraria/sebo, é um dos mais tradicionais bares da Vila Madalena.

Situado num grande imóvel (e mais um “anexo”) ali na Rodésia, próximo à Praça Rafael Sapienza, não tem grandes pretensões no quesito decoração: mesas de madeira de boteco simples e um balcão são a parte da decoração do que a gente pode chamar de “bar”. Porém, além disto, conta com algumas prateleiras com muitos livros à venda, a maioria deles de autores brasileiros. Nas paredes e pendurados pelo bar existem pôsteres de filmes e peças de teatro.

Aberto desde a hora do almoço, quando serve PFs e um buffet (paga-se pela “mistura” e pode-se servir à vontade no Rechaud com salada e algumas opções de guarnições quentes), tem na sua cozinha/chapa o seu atrativo principal: às terças e quartas a famosa carne assada e às quintas e sextas, uma deliciosa porção de lascas de pernil. Outras porções (a “Mercearia” é uma das melhores) e os pastéis de feira que circulam pelo boteco (um garçon passa com a bandeija oferecendo e outro vai atrás anotando na comanda) também são dignas de serem experimentadas por qualquer amante da chamada “baixa gastronomia” que se preze.

As cervejas são as populares (Original, Serra Malte, Heineken, etc), que vêm sempre bem geladas. O atendimento não tem aquela “intimidade” típica de boteco, mas também não deixa a desejar, com garçons prestativos e atenciosos.

Infelizmente a parte dedicada aos livros foi bem diminuida depois do incêndio que ocorreu ano passado: creio que o proprietário preferiu “repor” o espaço com mais mesas. Infelizmente um sinal de que livros têm pouca demanda (e aqui faço meu mea culpa: sou consumidor voraz de livros, mas nunca comprei um ali).

É um bom boteco para tomar umas descontraidamente e petiscar umas porções. Também é uma boa opção de comida boa e barata na hora do almoço (inclusive aos finais de semana). Só precisa chegar cedo, tanto pra almoçar (de semana geralmente está lotado já à partir das 12:15) quanto para um Happy Hour: às quintas e sextas é bom chegar até as 17:30 no máximo, sob pena de ter que aguardar alguns bons minutos ou então de ter que pegar umas cervejas e tomar ali pela calçada, de pé mesmo, algo que muito dos frequentadores até preferem.

Onde: Mercearia São Pedro (Rua Rodésia, 34 – Vila Madalena – SP)
Quando: 22/06/2016
Bom: comida e bebida
Ruim: diminuiram a parte dos livros 😦
Facebook: https://www.facebook.com/saopedromercearia

Be happy! 🙂

Contato – Carl Sagan (09/2016)

Carl Sagan - ContatoCada vez que eu conheço uma nova obra do Carl Sagan eu fico mais convencido de que ele foi um dos grandes gênios do século XX. Em “Contato” ele se aventura em um romance, mas é claro que vindo do Sagan, mesmo um romance teria que ter ciência como pano de fundo.

O livro conta a estória de Ellie Arroway, uma radioastrônoma que tem como alvo a Pesquisa de Inteligência Extraterrestre. O livro inicia-se contando a infância e a adolescência da pequena Ellie, que desde cedo tem uma curiosidade natural para tentar entender os fenômenos naturais e as invenções humanas e, como todo curioso,  usa todo o seu ceticismo para questionar o por que das coisas (e neste caminho, encontra muita resistência de pessoas acostumadas com respostas simples, inclusive seus professores).

Nesta parte do livro ele frisa o quão importante é a curiosidade de uma criança, que muitas vezes é tolhida pela falta de paciência dos adultos, e também a importância de se questionar tudo, mas principalmente autoridades (a velha falácia do apelo à autoridade!).

Já na idade adulta e enquanto gerenciava um projeto de radioastronomia que vasculha o universo à procura de algum sinal alienígena, Ellie se depara com um sinal que pode ser uma mensagem de vida inteligente. A confirmação de que o sinal não é algo aleatório e que reamente continha uma Mensagem de seres de outros planetas desperta um frenesi mundial que viria a mudar o mundo como conhecemos (ou como era conhecido à época em que o livro foi escrito). Não vou entrar em detalhes do desenrolar da estória em sí, mas apenas frisar que, durante todo o texto ele coloca termos científicos que despertam o interesse dos mais habituados enquanto não torna a leitura algo complexa para quem não tem tanto interesse em ciência (no máximo basta interpretar os termos científicos como “invenções” do autor afim de realçar a estória).

O livro termina com uma teoria da conspiração digna dos episódios de Arquivo X, não sem antes passar por temas como política, religião, comportamento humano e inclusive relações pessoais (de Ellie com sua mãe e com seu padrasto).

Um ponto importante a se frisar é que, como um cientista e, consequentemente um cético, o Carl Sagan não “acreditava” na possibilidade de vida extraterrestre, mas também não afirmava ser impossível, ao contrário, ele até ansiava achar algum sinal de outras civilizações. Como também não acreditava em teorias da conspiração. Um verdadeiro cético aceita as possibilidades que são passíveis de serem provadas através de métodos científicos, ou no mínimo, a melhor hipótese para explicar algo, mas sempre vai estar aberto a novos pontos de vista. Ele traz estes pontos no livro justamente para dar uma “incrementada” na estória e realçar a necessidade de existirem provas para que algo possa ser aceito como uma “verdade absoluta” (o que é bem destacado no último trecho do livro). E verdades absolutas são muito raras. Tudo é questionável.

Como tudo do Sagan, deveria ser leitura obrigatória nas escolas.

Be happy 🙂

Botecando #90 – Você Vai Se Quiser – São Paulo – SP

Você Vai se QuiserO Você Vai Se Quiser é um daqueles bares que, se fosse possível (ou seja, se não existissem tantos bares legais…haha), a gente viraria cliente assíduo, batendo cartão todo dia.

O bar em sí é simples, e talvez isto que o torne tão legal. O imóvel fica ali na esquina da Praça Roosevel com a Rua da Consolação, e com suas janelas grandes já garante a bela vista da Praça (que poderia ter sido melhor reformada, dando mais atenção ao verde do que ao cimento, mas já está melhor do que antes) e da bela Igreja da Consolação. Nas paredes, apenas fotos da dona Graça Braga, proprietária do bar e sambista da velha guarda, com artistas e amigos. O restante da “decoração” se resume àquelas mesas de plástico de boteco mesmo, espalhadas inclusive pela rua (que é sem saída).

As cervejas (Original, Heineken, Brahma, etc) são servidas sempre bem geladas. Um dos destaques do boteco é sua cozinha que oferece ótimas porções (a de pastel é obrigatória!) e pratos prontos na hora do almoço. Aos sábados rola a já tradicional feijoada, que é servida em porções acima da média. Cuidado se for pedir o caldinho de feijão “só pra dar uma forrada no estômago”: ao contrário de outros lugares, o caldinho não é servido num copo, mas sim numa grande tigela, portanto, um caldão!

Para complementar tudo isto, aos sábados rola uma ótima roda de samba que sempre conta com convidados mais que especiais. Nesta minha última visita ela foi comandada pela grande voz e o carisma de Tereza Gama, e foi abrilhantada pela visita do René Sobral.

Onde: Você Vai Se Quiser (Rua João Guimarães Rosa, S/N – Centro – SP)
Quando: 18/06/2016
Bom: comida, bebida, atendimento, samba, etc
Ruim: nada
Facebook: https://www.facebook.com/vocevaisequiser/

Be happy! 🙂

A Origem das Espécies – Charles Darwin (08/2016)

A Origem Das EspéciesPrimeiramente é bom frisar que o livro é resultado de um tratado cientifico e portanto não tem a pretensão de ter uma leitura fluida e amigável. A intenção principal é mostrar a teoria da evolução afim de explicar como os seres vivos surgiram e se disseminaram pelo nosso planeta.

E é exatamente o fato de ser um trabalho científico o que torna o livro fantástico. Durante as mais de 500 paginas Darwin vai explicando os pontos da teoria e como ele chegou as conclusões. Ele também tenta desconstruir argumentos contrários e que colocariam em cheque suas hipóteses, tanto argumentos levantados por outros cientistas quanto “testes” que ele mesmo faz contra suas teorias afim de evitar suas proprias falhas de observação e lógica.

Como seria impossível fazer um resumo de todo o trabalho (e seria muita pretensão minha), vou aproveitar o texto para falar de dois pontos relativos à ciência e a Darwin que muitos “distratores” da teoria levantam.

O primeiro é que muita gente alega que “é só uma teoria”. O conceito de teoria em ciência difere um pouco do uso da palavra no âmbito popular. Em ciência existem três “entes” principais: as leis, as teorias e as hipóteses. Leis são fenômenos que já foram completamente explicados e são imutáveis, tal como a lei de Newton: não há como contradizê-las, se você pular de um prédio vai se estropiar no chão. Teoria é uma hipótese que foi testada várias vezes e, até que surjam novas evidências para contradizer esta teoria, ela é aceita como sendo a hipótese mais provável. Hipótese é uma explicação provável para algum fenômeno, que deve ser testada (inclusive por outros cientistas) e confrontada até que a maioria das possibilidades se esgotem e, na falta de uma hipótese melhor, ela seja aceita como teoria.

No caso da Teoria da Evolução de Darwin, fatos subsequentes vieram apenas confirmar que esta é a hipótese mais provável. A descoberta de que os continentes não são fixos e que, há milhões de anos atrás, todos eles formavam juntos um grande continente, a Pangea, só vieram a explicar a hipótese do ancestral único de Darwin melhor do que ele mesmo tentou explicar. O mapeamento do DNA de diversos seres vieram a comprovar esta ligação, como o fato de que os humanos e as plantas compartilham quase 20% do DNA e praticamente todos os seres vivos compartilham, num menor ou maior grau, partes de DNA.

Uma outra história levantada especialmente pelos criacionistas é que Darwin teria, no seu leito de morte, “aceitado” a existência de Deus. Na verdade ele nunca negou a existência de um ser supremo e até cita “O Criador” várias vezes no livro. Há 150 anos atrás ninguém era ateu. Não havia o conhecimento que temos hoje e, de uma forma ou de outra, a existência de um ser superior era sempre a explicação final para os fenômenos naturais. Mesmo que ele fosse ateu e ao final da vida tivesse ele mesmo desacreditado toda a sua teoria, isto não faria com que todo o seu maravilhoso trabalho fosse jogado fora, pois como já mencionei, os argumentos e a descontrução dos argumentos contrários é muito forte e fatos posteriores só vieram a confirmar que as observações feitas à época tinham um fundamento. O que nos leva a classificar Darwin como um gênio, que somente através da observação viria a definir uma teoria que métodos científicos complexos, que só surgiriam mais de um século depois, viriam a confirmar.

Be happy 🙂

Botecando #89 – O Embarxador – Beer & Food – São Paulo – SP

Inauguração do Embarxador

Inauguração do Embarxador

Quando criei esta “seção” a intenção era dar dicas de bares que eu gosto, ou seja, não é algo impessoal, algo para ser “imparcial”. Até porque, não tem como ser imparcial no quesito boteco. Então já que nunca tive esta proposta, vou ser parcial pra caralho para avaliar O Embarxador!

O Embarxador é um bar/boteco recém inaugurado na Zona Norte, numa travessa da Alfredo Pujol e é resultado da vontade de três apaixonados por boteco, cervejas especiais, petiscos, e tudo o que diz respeito à esta cultura, de montar um bar não apenas para “ganhar dinheiro”, mas de criar um boteco que eles próprios gostariam de frequentar.

Olha eu ajudando a tirar uns chopps na inauguração

Olha eu ajudando a tirar uns chopps na inauguração

O imóvel, apesar de pequeno, foi bem montado e aproveita bem todos os espaços. A decoração foi planejada para ser aconchegante, sem deixar de ser um boteco, mas também sem ser “largado”. De um lado está o balcão, com as 5 torneiras de chopp: uma de Heineken e mais quatro que variam entre estilos e marcas, sempre nacionais. Do outro uma bancada para os clientes apoiarem os copos e logo acima alguns “caixotes” que fazem a vez de prateleiras, com as cervejas disponíveis para levar para viagem. A maioria delas também está disponível para consumo na hora. Caso não esteja, é só pedir que eles colocam pra gelar. Apesar do espaço restrito, a carta de cervejas foi montada para cobrir a maioria do dos estilos.

No quesito comida, além da ótima coxinha, carro chefe da casa, de acordo com o cardápio do dia pode-se provar um caldinho, um bolinho de carne, uma casquinha de siri, ou então o ótimo pernil no pão de queijo, muito famoso em Minas Gerais, mas difícil de se encontrar em São Paulo.

O atendimento é feito pelos próprios donos e por isto pode esperar ser muito bem tratado. Eventualmente alguma apresentação de artistas (MPB e Rock Nacional) ocorre na casa.

Para quem procura um local na Z/N para tomar umas cervejas especiais / artesanais, para beliscar alguns petiscos saborosos ou mesmo para dar uma passada e levar umas cervejas para casa (ou encher o growler), é só dar um pulo e falar que é amigo do Ruivo que talvez até consiga um desconto (o amendoim de graça é garantido sem precisar citar meu nome…haha).

Pra ficar completo e batizar o bar, só está faltando nosso amigo Zé ir dar uma vomitada por lá…..kkkkk

P.S. Não, o bar não é meu, mas me sinto como “sócio honorário” e, parafraseando aquele adesivo que colam em carro: não sou dono do bar, mas sou amigo do dono!!!!

Onde: O Embarxador (Rua Embaixador João Neves da Fontoura, 306 – Santana – SP)
Quando: 28/05/2016
Bom: comida, bebida, atendimento, etc
Ruim: as prateleiras da geladeira são muito frágeis….hahaha
Facebook: https://www.facebook.com/oembarxador/?fref=ts

Be happy! 🙂

Algumas das guloseimas: bolinho de carne, coxinha e o saboroso pernil no pão de queijo!

Algumas das guloseimas: bolinho de carne, coxinha e o saboroso pernil no pão de queijo!

Botecando #88 – Bar do Antenor – São Paulo – SP

Bar do AntenorO Bar do Antenor é um tradicional “pé-sujo” (no melhor sentido da palavra) da região da Lapa / Vila Romana (inclusive havia um bloco carnavalesco que usava o bar como quartel general). Após o falecimento do Seu Antenor, ele ficou fechado por alguns meses até a familia receber a proposta de reabrir o Bar, mantendo o nome. Os novos proprietários fizeram alguns ajustes, deixando o bar um pouco menos “botecão”, mas nada que tirasse a alma do bar (uma vez pé-sujo, sempre pé-sujo!).

No dia em que fomos uma dupla (muito boa!) que tocava rock (principalmente internacional, especialmente grunge: Pearl Jam, STP, Nirvana, etc) animava a noite. O atendimento é ainda um pouco atrapalhado, mas devem se acertar com o tempo e a clientela presente (que parecia ser toda local) até se divertia com a atrapalhação dos garçons.

A cerveja (Heineken) estava sempre bem gelada. Além dela, ainda havia opções de Original, Skol, Brahma e até Eisenbahn (a Brasil Kirin mandou muito bem na idéia de popularizá-la). Um dos destaques fica por conta da comida, que além de porções (na hora do almoço também tem PF), oferece espetinhos assados na hora. A carne e os acompanhamentos (farofa e vinagrete) estavam muito bons.

É uma boa opção para um happy hour, almoço, etc na região da Lapa

Onde: Bar do Antenor (Rua Tito, 765 – Vila Romana – SP)
Quando: 21/05/2016
Bom: comida e música ao vivo
Ruim: ainda falta alguns ajustes, especialmente no atendimento
Facebook: https://www.facebook.com/pages/Bar-Do-Antenor/419588874854030?fref=ts

Be happy! 🙂

Cien Años de Soledad – Gabriel García Márquez (07/2016)

Cien-años-de-soledadEste foi o primeiro livro em espanhol que eu li e apesar de eu ter conseguido uma leitura fluída, tendo que recorrer poucas vezes ao dicionário (algo que não me espanta, já que consigo assistir até filmes do Almodovar, por exemplo, sem legendas), mesmo assim posso ter perdido um ou outro detalhe.

Mas com certeza não foi nada que tirou o brilho desta estória fantástica. Quando eu escrevi a resenha de “O Amor nos Tempos do Cólera” eu citei que apesar de o livro ser bom, eu tinha criado expectativas muito altas, que acabaram sendo frustadas (mas repito: o livro é bom). Então, desta vez baixei um pouco a expectativa e descobri um livro fantástico (inclusive no sentido de que é uma estória fantasiosa).

Cien Años de Soledad conta a saga da familia Buendia e do povo de Macondo, uma pequena cidade em algum lugar da América Central continental. A história de vida de cada uma das sete gerações dos Buendia se confundem com a própria história do povoado, desde a fundação da cidade pelo patrono da família, até a sua “desaparição” do mapa, ao mesmo tempo em que o último Buendia também morria, passando principalmente pelas Guerras na qual o Coronel Aureliano Buendia se envolve e nas quais acaba envolvendo toda a cidade, e também pelos dias de glória da passagem da Companhia Bananeira, que também encontram paralelo com os dias de glória dos gêmeos “Segundo”.

A estória tem de tudo: fantasia, romance, guerra, pseudo ciência, misticismo, dramas e tragédias. Ainda senti um pouco o problema do Gabo de ficar fazendo muitas idas e vindas no tempo, se preendendo mais ao personagem do que a uma linha cronológica, problema que em “Cien Años” se miniminiza pelo fato da maioria dos personagens ter uma vida “curta” do ponto de vista em que é importante para a estória (com exceção de Úrsula, a matriarca, que acompanhou os 100 anos, os demais personagens tem relevência por no máximo 20 anos), mas por outro lado se intensifica devido à quantidade de personagens e pelo fato dos nomes se repetirem ao longo das gerações. Mas este segundo ponto (repetição de nomes) acho que foi uma brincadeira proposital do autor. Mas que dá um trabalho para ligar os personagens, isto dá, e o interessante é ter uma árvore da família à mão (na edição que eu li, tinha).

O livro tem tantas estórias e aguça tanto a imaginação que durante a leitura eu sempre me perguntava do porque ainda não terem transformado em uma série de TV. E precisaria ser série, com pelo menos uma temporada para cada geração, pois a estória não se comportaria em apenas um filme. E ainda ficava imaginando quem poderia ser o diretor de alguns episódios: o  Tim Burton ou o David Lynch para as partes fantásticas, o Quentin Tarantino para as cenas de violência, etc.

Be happy 🙂