A Origem das Espécies – Charles Darwin (08/2016)

A Origem Das EspéciesPrimeiramente é bom frisar que o livro é resultado de um tratado cientifico e portanto não tem a pretensão de ter uma leitura fluida e amigável. A intenção principal é mostrar a teoria da evolução afim de explicar como os seres vivos surgiram e se disseminaram pelo nosso planeta.

E é exatamente o fato de ser um trabalho científico o que torna o livro fantástico. Durante as mais de 500 paginas Darwin vai explicando os pontos da teoria e como ele chegou as conclusões. Ele também tenta desconstruir argumentos contrários e que colocariam em cheque suas hipóteses, tanto argumentos levantados por outros cientistas quanto “testes” que ele mesmo faz contra suas teorias afim de evitar suas proprias falhas de observação e lógica.

Como seria impossível fazer um resumo de todo o trabalho (e seria muita pretensão minha), vou aproveitar o texto para falar de dois pontos relativos à ciência e a Darwin que muitos “distratores” da teoria levantam.

O primeiro é que muita gente alega que “é só uma teoria”. O conceito de teoria em ciência difere um pouco do uso da palavra no âmbito popular. Em ciência existem três “entes” principais: as leis, as teorias e as hipóteses. Leis são fenômenos que já foram completamente explicados e são imutáveis, tal como a lei de Newton: não há como contradizê-las, se você pular de um prédio vai se estropiar no chão. Teoria é uma hipótese que foi testada várias vezes e, até que surjam novas evidências para contradizer esta teoria, ela é aceita como sendo a hipótese mais provável. Hipótese é uma explicação provável para algum fenômeno, que deve ser testada (inclusive por outros cientistas) e confrontada até que a maioria das possibilidades se esgotem e, na falta de uma hipótese melhor, ela seja aceita como teoria.

No caso da Teoria da Evolução de Darwin, fatos subsequentes vieram apenas confirmar que esta é a hipótese mais provável. A descoberta de que os continentes não são fixos e que, há milhões de anos atrás, todos eles formavam juntos um grande continente, a Pangea, só vieram a explicar a hipótese do ancestral único de Darwin melhor do que ele mesmo tentou explicar. O mapeamento do DNA de diversos seres vieram a comprovar esta ligação, como o fato de que os humanos e as plantas compartilham quase 20% do DNA e praticamente todos os seres vivos compartilham, num menor ou maior grau, partes de DNA.

Uma outra história levantada especialmente pelos criacionistas é que Darwin teria, no seu leito de morte, “aceitado” a existência de Deus. Na verdade ele nunca negou a existência de um ser supremo e até cita “O Criador” várias vezes no livro. Há 150 anos atrás ninguém era ateu. Não havia o conhecimento que temos hoje e, de uma forma ou de outra, a existência de um ser superior era sempre a explicação final para os fenômenos naturais. Mesmo que ele fosse ateu e ao final da vida tivesse ele mesmo desacreditado toda a sua teoria, isto não faria com que todo o seu maravilhoso trabalho fosse jogado fora, pois como já mencionei, os argumentos e a descontrução dos argumentos contrários é muito forte e fatos posteriores só vieram a confirmar que as observações feitas à época tinham um fundamento. O que nos leva a classificar Darwin como um gênio, que somente através da observação viria a definir uma teoria que métodos científicos complexos, que só surgiriam mais de um século depois, viriam a confirmar.

Be happy 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s