Arquivo anual: 2014

Santa Puta – A Redentora – Yumbad Baguun Parral (11/2014)

Santa PutaEste foi o segundo livro do Parral que eu adquiri (leia a resenha do anterior aqui). Diferentemente do primeiro, que tem como ponto central a política, este segundo passa por vários assuntos, desde cultura, religião e claro, política também.

O livro, que conta com um prefácio de “Deus”, transcrito pelo Antonio Abujamra, parte de duas premissas interessantes. A primeira delas é usar um romance para tratar de questões filosóficas, bem ao estilo Nietzche, Camus, Dostoievsky, entre outros autores que ao longo da história usaram deste recurso. Eu acho bem interessante, pois quando se fala diretamente em filosofia, o livro tende a ficar um tanto quanto maçante (tente ler Sócrates ou Platão, por exemplo) e em forma de romance, as idéias do autor são colocadas dentro de um contexto e ilustradas, o que facilita a leitura e o entendimento. Além de atingir pessoas que normalmente não se interessariam pelo tema.

 “A capacidade natural de gerar a vida no próprio corpo e incapacidade inata de enfrentar os conflitos pela força são diferenciais fundamentais. Quem gera, pare, amamenta, educa e forma tem mais condição de gerir que quem, invariavelmente, abandona, massacra e mata…”

A segunda, é o mote principal da estória, de que Cristo, na sua segunda vinda à terra, viria na forma de uma mulher, pois somente o amor da mulher seria capaz de salvar a humanidade.

À partir desta premissa, a história toda é desenvolvida e o autor envereda por diversos assuntos, ligados diretamente ou não à este tema central, como por exemplo, o papel da mulher na nossa sociedade (machista), o porque das religiões ocidentais sempre ligarem a figura de um ser superior e/ou salvador a um homem, etc.

Mais pelo meio do livro, com a história já encaminhada, as questões filosóficas se desenrolam para o momento cultural da nossa sociedade e passa a fazer uma análise de cenários da política (e poder) mundiais.

“Uma das grandes deficiências do capitalismo é a falta de uma política social, ecológica e cultural mais sensível, voltada para a melhor distribuição dos resultados e o cuidado com seus custos ambientais.

Como sistema eficiente de produção é o que de melhor a história já produziu. Porém, como métodologia distributiva praticamente não avançou.”

O autor também trata de temas polêmicos e tabus, como poligamia, homossexualismo, aborto, entre outros tantos “vespeiros” em que outros autores geralmente só se arriscam a botar a mão em estórias totalmente fantasiosas.

“A bestialidade do mundo se alimenta da própria podridão. A aberração de que nos acusam geralmente está em que nos aponta e tenta rotular, não em quem é apontado. Normalmente nos convertem em espelho onde se fazem refletir e, por não se admitirem como se vêm nos acusam da própria bestialidade ou hediondez.”

Eu gostei de como os temas são introduzidos no texto, apesar de não ter gostado do romance em sí. Talvez por ter muito misticismo isto acabe fazendo com que eu crie uma certa antipatia inicial, mas gosto muito de como o Parral desenvolve suas idéias (quer concordando com elas ou não) e de como ele aborda os temas com uma imparcialidade rara no meio literário nacional, já que a maioria dos autores insistem em incutir suas ideologias de uma forma “passional”, mesmo pregando e apresentando-se como imparciais.

Vai ter copa! Mas falta bom senso.

VaiTerCopa1Não sei o motivo, mas eu nunca fui pego pelo sentimento ufanista que envolve a Seleção Brasileira, especialmente em épocas de Copa do Mundo. Quando eu era criança eu gostava da festa de ajudar a pintar as ruas, fazer bandeirinhas e do fato de não ter aula nos dias de jogos. Mais adulto eu sempre gostei dos churrascos ou das idas em bares com os amigos para assistir os jogos, muito mais pela festa do que pelo jogo em sí. Mas sinceramente a Seleção não é algo que me emocione ou me empolgue.

Inclusive eu nem me vejo na obrigação de torcer para a Seleção. Lembro de ter torcido pela seleção brasileira em 1994 (acho que esta foi a Copa em que eu mais me empolguei) e 2002 (bem menos). Em 2010 eu torci pela seleção também, mas dividi minha torcida (na verdade, melhor chamar de simpatia), com as seleções da Alemanha e do Uruguai. Em 1998 eu simpatizava com a Holanda. Da Copa de 2006 eu pouco me lembro pois nem acompanhei muito. Nesta Copa eu gostaria que a Inglaterra ou a Alemanha levassem, não por ser contra a Seleção Brasileira, mas por entender que estes dois países sim, é que são os países do futebol (basta comparar a média de público deles superior à nossa, inclusive com suas divisões inferiores tendo média maior do que a nossa principal) e mereceriam levar.

Também fui contra a Copa no Brasil e desde a escolha do país como sede eu já havia decidido que iria viajar para fora do país quando esta acontecesse (dia 18 eu estou “fugindo”). Não porque ela foi conquistada por político A ou B, ou porque eu acho que o país tem coisas mais importantes com o que se preocupar (e tem!), ou porque haveria muita falcatrua envolvida, o que aconteceria com ou sem Copa (corrupção não é um problema da Copa e sim um problema do Brasil).

VaiTerCopa2

Não tem contra indicações e pode ser tomado em doses cavalares

Eu simplesmente não concordo com eventos onde o investimento seja público, o risco seja público, mas o lucro seja privado. Desta forma eu também não concordo com as Olimpíadas, não concordo com a Fórmula 1 ou a Indy em São Paulo (apesar de ser apaixonado por automobilismo). Chego inclusive a discordar dos incentivos promovidos à indústria cinematográfica nacional, pelo mesmo motivo: o governo abre mão de impostos para que estas produções sejam desenvolvidas, porém o “patrocinador”, além da isenção, ganha com a exposição da sua marca e a empresa que produziu o filme, ainda tem a chance deste ser um sucesso, sem o compromisso de devolver os valores investidos para os cofres públicos. Ou apenas e simplesmente reinvestir na própria indústria cinematográfica.

Entendo que o “legado da Copa”vai ser pequeno. Mas talvez nem existisse se ela não acontecesse. Acho que não precisamos de um evento desta magnitude para cobrarmos dos nossos governantes investimentos em infraestrutura (talvez um dos maiores gargalos no Brasil atualmente) e em outras coisas muito importantes para o desenvolvimento do nosso país. A cobrança deve ser contínua.

Apesar disto, eu não preciso torcer para que a Copa seja um fracasso, ou para que a Seleção não conquiste o caneco (não vou torcer a favor, mas não preciso torcer contra). Eu quero é que, na medida do possível, a Copa seja uma festa alegre para os brasileiro, que os estrangeiros que estiverem no Brasil sejam bem tratados, que nada de mal aconteça a ninguém e que eles levem uma boa impressão do nosso país, que tem muitos problemas sim, mas que também tem suas muitas virtudes.

Sinceramente eu acho que você torcer pelo insucesso de algo, só porque não concorda ou não apoiou, uma pequenez muito grande. Coisa de gente com a tal “síndrome de cachorro vira latas”, da qual já falei em um artigo na Feedback Magazine.

Inclusive acho que a “grita” dos últimos dias dos tais “movimentos sociais” e dos movimentos sindicais chega a beirar a extorsão, a chantagem, por aproveitarem de um momento crítico de um grande evento para exigirem coisas, muita vezes surreais. Mas como diz um ditado russo: “você pode até dançar com um urso, mas quem vai escolher a hora de parar será ele” e o PT, que alimentou estes “monstrinhos” durante tanto tempo, agora enquanto governo, está sentindo na carne o mal que eles fazem.

Mas apesar de tudo isto, lá de longe, a alguns milhares de quilometros de distância do Brasil, eu quero pelo menos sentir orgulho de, ao assistir jogos e reportagens sobre a Copa no Brasil em um bar cheio de estrangeiros ou em uma praça, ter a oportunidade de vê-los perceber que que o Brasil é muito, mas muito melhor do que eles sempre imaginaram, que vai além da tríade “bunda, samba e futebol” e que, apesar de todos os nossos problemas, a gente consegue, do nosso jeito, fazer as coisas acontecerem sem dever nada a ninguém.

Botecando #25 – Paraty 33 – Paraty – RJ – Brasil

Parati 33 3Logo no primeiro dia em Paraty, quando estávamos tomando uma cerveja no Bar Sarau, passou uma promoter distribuindo flyers do Paraty 33 anunciando que, na quinta e sexta, a Banda Forum (que eu já havia assistido em SP, acho que no Wild Horse), iria se apresentar no local. Combinamos de ir na sexta para ver qual era a do lugar.

No dia seguinte, ao voltar da praia, demos uma passada em frente e gostamos do ambiente e decoração do lugar (com várias referências a alguns clássicos como o filme Scarface, a Kombi, e uma porrada de memóriabilia). Além do que, é a única balada no centro histórico.

Parati 33 2Ao chegar e entrar na casa, já somos supreendidos pelo Juan, um argentino que é um dos sócios da casa, e que chamou um dos garçons para que este nos arrumasse uma mesa. Ele conseguiu uma mesa bem de frente pro palco, após realocar um monte de mesas, o que já nos fez ficar fã da casa.

TODOS os funcionários da casa, iniciando pela hostess, passando pelos barmans, os garçons e o próprio Juan, são extremamente competentes no tratamento dos clientes. E não parece ser algo forçado, artificial, o que me faz imaginar que a casa procura justamente pessoas que têm prazer em atender bem para fazer parte de seus quadros.

Toda hora que iriamos fumar estava lá o Juan para puxar papo, contando histórias suas, da casa, de Paraty (ele já mora há 15 anos na região) ou sobre o rock na Argentina. Ele inclusive fez participações cantando com as bandas (além da banda Forum, no sábado, um artista paulistano radicado em Ubatuba, foi o responsável pelo show: Nilo), nos dois dias, versões brasileiras de músicas de bandas de rock argentinas: A Sua Maneira, do Capital Inicial e Que Vez, do Tijuana.

Parati 33 1O atendimento foi tão bom que voltamos no outro dia para almojantar e quando entramos na casa, o Juan prontamente nos reconheceu, chamou o garçon, e pediu para nos dar um tratamento especial, pois na noite anterior ele não pode nos dar a atenção que queria.

As meninas até ganharam VIP para a noite, que haviamos combinado de ser mais light, mas no final das contas, acabamos saindo quase as 3 manha, mas bem felizes por aproveitar uma boa casa e que conta com uma atendimento que deveria ser padrão.

Para não dizer que tudo são flores, R$ 11,30 por uma long neck de Heineken é meio “puxado”, mas como tudo em Paraty, parece que seguem padrão Europeu de preços e só convertem do Euro para o Real, o que prejudica um pouco os brasileiros.

Onde: Paraty 33(Rua Maria Jácome de Mello, 357, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil)
Quando: 02 e 03/05/2014
Bom: atendimento e decoração
Ruim: preços mais caros que SP
Site: http://www.paraty33.com

Botecando #24 – Bar Sarau e Barril Pub – Paraty – RJ – Brasil

Bar Sarau e Barril Pub: irmãos gêmeos!!!!

Bar Sarau e Barril Pub: irmãos gêmeos!!!!

Logo no primeiro dia, na chegada em Paraty, resolvemos procurar algum bar para tomarmos algumas (de leve!!!) e ao dar um passeio pelo centro histórico, encontramos, ao lado da igreja, uma série de bares muito parecidos e resolvemos “apostar” em um deles, que foi o Sarau. No dia seguinte, fomos ao bar do lado, o Barril Pub.

São dois bares distintos, mas são tão parecidos e ficam um do lado do outro que vou falar dos dois de uma só vez para não me tornar repetitivo.

Como todo estabelecimento no centro histórico, eles ficam em casarões preservados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e contam com a arquitetura rústica da cidade como padrão (piso de madeira, bastante pedras, janelas e portas largas) e mesas no calçadão bem irregular (torci meu pé umas 50 vezes, isto sóbrio!!! 🙂 ).

Nos dois existem músicos tocando MPB e alguns sucessos internacionais (como Bob Marley), porém, como os dois bares são colados, para quem fica na rua, o som fica muito confuso quando os dois músicos resolvem tocar ao mesmo tempo e isto é algo que eles podiam melhorar: revezar o som externo, ora tocando o músico de um dos bares, ora tocando o do outro.

Bar SarauO atendimento, como sempre ocorreu em Paraty, foi bastante atencioso, porém sem exageros (à exceção foi o Paraty 33, que falarei mais pra frente).

O que realmente assustou foram os preços. O das bebidas alcólicas era justo e até relativamente barato se comparado aos praticados em SP (R$ 8,00 a garrafa de Brahma de 600mls), porém, o valor das bebidas não alcólicas beira o absurdo: R$ 10 reais por uma água, R$ 13,00 por um refrigerante. Realmente preço padrão Europa (na Alemanha a Erdinger custava € 0,85 enquanto a água custava € 1,50, ou seja, tomar cerveja era questão de economia….hahaha).

Tirando as porções básicas (fritas e calabresa), as demais, especialmente de frutos do mar, também eram um pouco altas, especialmente por se tratar de uma cidade costeira, onde teoricamente os preços deveriam ser mais baratos.

Mas deixando isto de lado, foram noites agradáveis (apesar do frio no dia 30), muito por conta do próprio charme da cidade.

Uma curiosidade: no Barril, excetuando-se o músico, todos os outros funcionários eram argentinos. Aliás, Paraty deve ser a cidade com mais argentinos vivendo fora da Argentina, mais até do que o norte de Florianópolis.

Onde: Bar Sarau e Barril Pub (Rua Marechal Deodoro, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil)
Quando: 30/04/2014 e 01/05/2014
Bom: música ao vivo e atendimento
Ruim: preço para turista europeu
Sarau Bar: https://www.facebook.com/sarauparaty.restaurante
Barril Pub: http://pubchoperiabarriu.blogspot.com.br/

Wanderlust #5 – Paraty – RJ – Brasil

IMG-20140505-WA0009Existem alguns lugares que você conhece e se pergunta “por que é que eu não conheci antes?”. Foi o meu caso quando, há dois anos atrás, conheci a cidade do Rio de Janeiro, e o mesmo ocorreu agora com Paraty.

DSCF7516Situada no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, um pouco após a divisa com São Paulo, esta charmosa e histórica cidade é bastante conhecida por suas ruas de pedras e seus imóveis com janelas e portas largas, além das 3 igrejas, situadas no centro histórico da cidade. E aqui já fica a Dica 1: se for ficar hospedado no centro histórico, não leve mala e tente arrumar um mochilão, pois é difícil andar por lá com malas de rodinhas e invariavelmente você terá que carregar.

Este centro histórico é repleto de restaurantes, bares e lojas, especialmente de artesanato ou cachaças da região.

Além disto, do centro da cidade consegue-se acesso fácil a duas praias: a praia do Pontal e a praia do Jabaquara (uns 20 minutos de caminhada do centro). Porém, estas não são as melhores praias de Paraty, que se encontra bem no centro da baia de Ilha Grande e por isto conta com várias outras praias, bem como ilhas, somente acessíveis através do mar. Mesmo estas duas praias não sendo as melhores, vale a pena conhecer, nem que seja para sentar em alguns dos seus quiosques para tomar cerveja ou mesmo almoçar. Dica 2: é mais barato comer nestes quiosques do que no centro histórico.

DSCF7555Para ter acesso às outras praias e algumas ilhas (muitas são particulares e com acesso proibido), deve-se pegar um catamarã ou mesmo um barco pequeno. No cais, que fica perto do centro histórico, existem vários barcos que saem com programações diversas. Dica 3: fora de feriados prolongados, não precisa comprar o passeio de barco com antecedência e dá para escolher qual catamarã pegar pouco antes da saida deles, que normalmente ocorre às 11:00hrs (se informe na pousada).

Uma outra opção aos catamarãs (que levam de 50 a 100 pessoas), se estiver com um grupo de pessoas (à partir de 5), é alugar um barco menor e combinar o roteiro com o marinheiro. Vai sair um pouco mais caro, mas talvez valha mais a pena.

Para ficar na cidade, existem várias pousadas a preços acessíveis (no caso, pagamos R$ 200,00 / dia num quarto para 3 pessoas, com café da manhã, bem no centro histórico) e também, para quem vai viajar sozinho ou está em grupos pequenos, existem hostels. Dica 4: na praia do Pontal existem 2 hostels bem legais, de frente para o mar.

DSCF7474Paraty é um lugar que dispensa carro, pois muita coisa você faz à pé (o centro histórico é fechado para carros) e para acessar outras praias você vai de barco. Mesmo para Trindade (infelizmente acabei não indo), existem ônibus saindo de 1 em 1 hora. Dica 5: fui de São Paulo até lá de Ônibus e o custo foi de R$ 105,00. Mais barato do que de carro e com mais conforto, já que era semi leito.

À noite o centro histórico da cidade é bem movimentado e o público é o mais variado possível: famílias, casais, grupos de amigos. Como a cidade atrai bastante turista estrangeiro, um ponto negativo são os preços, que têm padrão europeu e acaba saindo meio pesado para os brasileiros. Em alguns bares uma água chega a custar R$ 10,00. Dica 6: tirando o Paraty 33, os demais bares fecham à 1:00 da manhã, portanto, se quiser aproveitar, tente chegar no máximo as 22:00hrs.

Um outro ponto alto foi a simpatia das pessoas que nos atenderam na maioria dos lugares por onde passamos (pousada, quiosques, bares, etc).

Paraty é encantador e espero voltar lá mais vezes, especialmente no pico do verão (a temperatura estava alta durante o dia, mas à noite já esfriava bem), para poder aproveitar mais as demais praias.

(para ver as imagens abaixo em tamanho maior, basta clicá-las)

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Doctor Sleep – Stephen King (10/2014)

Doctor Sleep 1Stephen King é o autor que eu mais lí e que eu considero o melhor de todos os tempos. Muitos podem achar que este “título” é exagerado, já que não faltam bons autores , mas existem alguns fatos que o colocam acima dos demais, mesmo os fora de série.

O primeiro é a quantidade de sua produção. Mesmo se ele fosse um escritor medíocre, só o fato dele escrever 3, às vezes 4 livros por ano (nem estou considerando os contos), já o colocaria, ao menos, como um dos escritores mais profícuos da história. Ele escreve tanto que seu agente pediu para ele escrever menos, para que o mercado não ficasse saturado de “Stephen King” e como ele disse que não consegue não escrever, acabou criando um pseudônimo (Richard Bachman) para lançar algumas de suas obras.

Fora isto, ele tem livros de sucesso em mais de um estilo. Apesar de ser conhecido como o “Mestre do Terror”, alcunha errônea, já que os livros dele na verdade são de suspense, ele já escreveu obras de enorme sucesso em outros estilos. The Green Mile (À Espera de Um Milagre) e The Rita Rayworth and The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade) são talvez os dois maiores exemplos mas podemos citar Under The Dome, The Apt Pupil, The Body – The Fall Of Innocence, Secret Window Secret Garden que são alguns dos seus sucessos que passam por temas como ficção científica, nazismo, adolescência, loucura, entre tantos outros que ele usa de fundo para fazer o que ele faz melhor: construir personagens e explorar suas relações.

Stephen King (aka Richard Bachman)

Stephen King (aka Richard Bachman)

Se você fizer uma busca no IMBD com os títulos de obras do Stephen King aqui citados, você vai encontrar uma adaptação para cinema para todos eles, a maioria muito bem avaliado pelos frequentadores do site (Um Sonho de Liberdade geralmente figura no primeiro lugar). Além disto, se procurar pelo nome, irá encontrar dezenas de obras dele adaptadas para cinema, teatro e TV. E isto é um ponto em que ele também é diferenciado: não existe um escritor que tenha tido tantas obras adaptadas para outras mídias como o Stephen King. E mesmo entre os roteiristas e autores que escrevem exclusivamente para cinema, não existe um cujo conjunto da obra tenha alcançado o sucesso do conjunto de adaptações dele.

Se isto não faz dele um dos maiores autores da história, não sei o que faria.

Em Doctor Sleep, King traz de volta Danny Torrance, o personagem central de um de seus maiores sucessos, The Shinning (O Iluminado). Após uma passagem rápida nos acontecimentos ocorridos logo após a derrocada do Overlook e nas consequências destes acontecimentos, o livro salta no tempo mais de 20 anos para mostrar um Dan Torrance (não mais Danny) seguindo os passos de seu pai como dependente de álcool.

Mais alguns acontecimentos que serão importantes no final do livro e um novo salto no tempo, para quase o momento atual, onde Dan, já na casa dos 40 anos, se vê envolvido com uma menina que possui o mesmo “brilho” que o seu e que se encontra à perigo, da mesma forma em que ele se encontrava no Overlook há mais de 30 anos. E agora é Dan quem tem que assumir o papel que um dia foi de Dick Halloran, e usar o seu brilho para ajudar a menina.

Um livro ótimo! Acho que entra nos top 5 dos que eu li dele. Uma coisa que eu não gostava um pouco no estilo de escrita dele, é que ele fazia uma narração que começava meio modorrenta, entrando em muitos detalhes (muitos desnecessários) e gastando quase metade do livro apenas para definir os personagens, enquanto na conclusão ele dava aquela “corrida”. Neste livro acho que ele dosou esta construção dos personagens ao longo do livro e não precisou entrar em detalhes que seriam desnecessários, utilizando-se inclusive deste recurso do “salto temporal”. Livro indicado para quem gosta de suspense com uma pitada de sobrenatural. E não precisa ter lido / visto “O Iluminado”, pois as referências à primeira obra são bem explicadas durante o decorrer do livro. Mas se você não leu o livro E não viu o filme (que tem direção do mestre Stanley Kubrick e uma atuação fenomenal do Jack Nickolson), não sabe o que está perdendo.

Top Top #10 – Califórnia Songs: músicas que me fazem lembrar do “Golden State”

California 1Para encerrar esta overdose de EUA e especificamente Califórnia, uma lista das 10 músicas que me fazem lembrar deste lugar fantástico. Muitas delas fazem referência direta à lugares no estado e algumas outras simplesmente me lembram a “vibe” de lá.

Pode ser até porque muitas delas eu ouvia de manhã, enquanto dirigia para o trabalho, no Morning Show do Gary Bryan, na K-Earth 101. O programa rola de 5 às 10 da manhã no horário de lá (entre 4 e 6 horas a menos do Brasil, dependendo da época do ano) e toca clássicos de Rock, Soul, Disco dos anos 60 até meados dos anos 90. Fica a dica para quem gosta de ouvir boa música: dá pra ouvir pela Web!

Mas segue então as 10 músicas para uma trip na Califórnia (mais um bônus track):

10 – Bachman Turner Overdrive – Taking Care Of Business
Esta música me lembra muito, não por causa dela em sí (apesar de tocar bastante nas rádios), mas muito mais por causa do comercial da Office Depot, uma loja de materiais de escritório que usa a música na trilha da sua propaganda de rádio, que passa praticamente o dia todo e acaba impregnando….hehehe

california 29 – Steppenwolf – Magic Carpet Ride
Pra mim o Steppenwolf, que surgiu em Los Angeles, bem durante o movimento “Flower Power” é uma das bandas que tem a cara de LA desta época. E para mim eles são melhores que seus contemporâneos por fazerem um som mais pesado. Ao ouvir suas músicas dá pra se imaginar dirigindo uma Kombi ou um Fusca todo colorido pela PCH 1.

8 – The Mamas & The Papas – Monday Monday
Não vou cair na mesmice de colocar “Califórnia Dreaming” do Mamas & Papas, mas não poderia esquecer a banda, que é de New York, mas parecia que tinham nascido no estado errado a ponto de escrever uma música sobre o “sonho californiano”. Preferi escolher outro sucesso deles.

7 – Red Hot Chilli Peppers – Venice Queen
Eu associo o Red Hot à Califórnia antes de conhecer o estado e antes mesmo de falar inglês e entender suas letras, que muitas vezes fazem alusão ao local. O motivo é o filme “Caçadores de Emoção”, com o Keanu Reeves e o Patrick Swayze, em que o Anthony Kiedis faz uma ponta. A mistura de rock, hardcore e funk que eles fazem tem tudo a ver com a mistura de culturas que é Los Angeles.

6 – Doors – LA Woman
Esta não poderia ficar de fora. Além do Doors ser de LA e ter sido formado na UCLA (University of California – Los Angeles) onde seus componentes estudavam, a música retrata um pouco do espírito da cidade e tem até algumas referências que só quem já passou um verão lá conhece, como na frase “Hills are filled with fire“, que se refere ao estrago que os ventos de Santa Ana (uma ventania muito forte e quente, típica do verão californiano, que ajuda a espalhar os incêndios nas colinas), faz.

5 – Tom Petty – Free Falling
Reseda, Mulholland, Ventura Boulevard são locais do Vale de San Fernando (“All the vampires walkin’ through the valley“), que fica ao norte da grande Los Angeles, ainda no condado de LA, e são muito conhecidos, principalmente por terem bastante bares.

4 – Foo Fighters – Good Grief
O Foo Fighters não é de LA, mas seu rock direto e cru é a trilha perfeita para se dirigir por lá, especialmente nas estradas sinuosas que ligam a costa (Malibú) ao Vale de San Fernando, como o Topanga Canyon Road. Foi a trilha desta minha trip.

3 – Stone Temple Pilots – Trippin’ On A Hole In A Paper Heart
Banda com origens em San Diego, é outra que o som tem tudo a ver com o clima californiano e é uma que não para de tocar nas rádios locais.

2 – Steely Dan – Do It Again
A mistura de Rock, Jazz, R&B, Soul e outras coisas mais desta banda me lembra o mesmo “caldeirão” que existe em LA, provavelmente o local com mais variedade de culturas, etnias, credos, mais até do que NY.

1 – Rod Stewart – Maggie Mae
O motivo dela ter entrado em primeiro, além de ser muito tocada, é que ela foi usada no filme “Lords of Dogtown”, que conta a história de como o Skate se popularizou à partir de Venice Beach na década de 70. E o som em sí tem tudo a ver com o local e a época.

Bonus Track – Eagles – Hotel California
Eu iria deixar esta de fora, não porque seja ruim, mas porque ela tocou tanto nas rádios aqui do Brasil que enjoou. Mas além da banda ser Californiana, ela retrata, segundo os autores, o estilo de vida hedonista dos atores da cena musical da região na primeira metade dos anos 70. Uma outra versão que era popular é que ela falava sobre um sanatório em Camarillo, uma cidade já no condado de Ventura, na divisa com o condado de LA, que também servia para estes artistas se internarem para tentar desintoxicação. O sanatório seria o tal “Hotel Califórnia”.

 Be happy!! 🙂

California 3

Botecando #23 – Britannia Pub

Tony jamming with Number 9

Tony jamming with Number 9

Quando estive em LA em 2008 este era o bar em que eu “batia cartão” todos os domingos (inclusive foi o único lugar nos EUA onde ganhei “saideira”, pois lá é muito incomum).

Fica em Santa Monica, no Santa Monica Boulevard, entre a 3rd Street Promenade (vale uma passada por este calçadão antes) e a 4th street, bem no meio do burburinho de Santa Monica.

É um legitimo pub Inglês, com taps de ales e variada opção de pratos tipicos, como Fish’n’Chips e Shepherd’s pie.

A atracão aos domingos (e agora às quartas, fazendo karaokê) é a Number 9 Beatles Tribute band, que atrai além de frequentadores habituais, os turistas que se encontram na região e não resistem ao ouvir algum clássico (ou mesmo algum lado B) dos Beatles e acabam entrando.

Britannia 2O atendimento é muito bom e Richard, o barman, meio que interage com a banda (afinal de contas, fazem quase 10 anos que tanto ele quanto a banda estão lá todos os domingos), inclusive se arriscando a ir para o palco entoar “Something”.

A banda tambem é muito boa e toca praticamente todo o repertorio dos Beatles, inclusive atendendo a pedidos (alias, pedindo que o publico presente escolha as musicas).

O lugar costumava ficar lotado aos domingos, especialmente de turistas estrangeiros, mas infelizmente não ocorreu desta vez (acho que o Hooters que abriram em frente anda roubando clientela….hahaha)

Pra mim é sempre parada obrigatoria quando estiver em LA e aconselho, mesmo para quem nao é muito fa de Beatles, pois o clima é bem legal.

Update
Estava quase me esquecendo e a Rebeca me lembrou: o John Lennon da Number 9 é o Don Mendonça, um brasileiro de São Paulo que já mora lá nos EUA há uns 20 anos!

Onde: Britannia Pub (318 Santa Monica Blvd, Santa Monica, CA)
Quando: 27/04/2014
Bom: Number 9 (Beatles Cover) e atendimento
Ruim: distância do Brasil 😛
Site: www.britanniapub.com

Wanderlust #4 – USA – Dicas e Observações

EUA 1Aqui vou colocar algumas dicas para quem vai viajar aos EUA. Depois de umas 10 viagens, um total de mais de 1 ano lá e o contato praticamente diário com americanos, por conta do trabalho,  acho que tenho know how para isto….hehe (e algumas observações tambem).

No Aeroporto / Avião

  • Se você comprou mais do que pretendia e não cabe em duas malas, compre uma terceira mala, pague o excesso de bagagem e despache. Não tente levar consigo dentro do avião, pois o espaço a mais que você usaria vai faltar para outra pessoa.
  • Existe um motivo para embarcarem os passageiros por setor: agilizar o embarque. Portanto, se você entrar no avião quando não for o seu grupo, você vai ser o causador de algum possível atraso.
  • Seu lugar está marcado, então não precisa fazer fila para tentar ser o primeiro a embarcar.
  • Você gosta de beber? Eu também gosto. Mas durante um vôo contenha-se: é muito desagradável para todos quando alguém passa da conta dentro de um vôo. Sem contar que isto assusta ainda mais passageiros que já tem medo de voar. E lembre-se que, devido à pressão, o efeito do álcool é potencializado em altitude.
  • A tripulação está lá para servir e ajudar os passageiros, mas acima de tudo eles estão lá por uma razão maior: a segurança do vôo. Seja respeitoso e gentil com os comissários.
  • Seus filhos são incontroláveis? Então talvez seja melhor você planejar suas férias para um lugar apropriado (preferencialmente onde não existam outras pessoas) e que seja acessível sem a necessidade de voar. Ninguém é obrigado a aguentar uma criança chutando suas costas durante 7, 8 horas. Som de joguinhos eletrônicos ou DVD da galinha pintadinha por mais de 10 minutos também são insuportáveis. O filho é seu, a responsabilidade é sua, e não de mais ninguém. Se desejou (ou não evitou) tê-los, conviva com isto e altere sua rotina para acomodar esta grande responsabilidade.
  • Não empate os banheiros escovando os dentes, trocando de roupa, se maquiando.
  • Quando o avião pousar, não precisa sair correndo para ser o primeiro a desembarcar. Muito provavelmente quando as malas chegarem na esteira, o último passageiro a desembarcar já estará lá esperando também e sua pressa só vai causar incômodos.

Ao dirigir

  • Quando estiver em um cruzamento com farol, a conversao à direita (se vc se encontra na faixa da direita) é permitida mesmo com o farol vermelho para você, desde que voce respeite o trânsito da via em que se quer entrar e principalmente dê a preferencia aos pedestres, se estes estiverem atravessando. Quando esta conversão nao for permitida vai existir uma indicação (“no turn on red” ou “turn just on green“). Se voce estiver numa situação destas, com o pisca ligado pra fazer a conversão (ou numa faixa exclusiva para conversão) e ficar esperando o farol abrir, pode tomar uma buzinada de alguém que esteja atrás.
  • Falando em pedestres, mesmo quando eles nao atravessam na faixa, a preferência é sempre deles. NUNCA acelere o carro ou buzine se avistar um pedestre atravessando.
  • Nos cruzamentos, quase toda conversão à esquerda (se a mão da via permitir e se não existir indicação contraria) é permitida. Basta esperar a brecha no trânsito para passar (e prestar atenção se não tem pedestre atravessando na via que você quer entrar). Se por acaso o farol estiver para fechar, não se apavore: as pessoas irão esperar quem já estiver no meio do cruzamento terminar a conversão para então sairem. Mas não dê uma de espertinho tentando cruzar se você ainda não tiver passado a faixa que limita o cruzamento. E não acelere impedindo os outros de terminarem a conversão.
  • Não tenho certeza, mas acho que a ultrapassagem pela direita é permitida nos EUA. Então se voce estiver na faixa da esquerda e o carro da sua frente estiver mais lento, apenas corte pela direita e prossiga sua viagem. Nada de dar farol ou então pisca, até porque o cara da frente provavelmente nem vai entender.
  • Andar um pouco acima da velocidade em vias rápidas (freeways, highways e roads) é toleravel (não mais que 10%), na cidade não. Em locais com escola ou em locais onde esteja ocorrendo trabalhos na via NUNCA! Inclusive os valores das multas, que já não sao baixos (bloquear um cruzamento, por exemplo, vale 500 doletas!), dobram em áreas de obras na estrada.
  • Quando existir uma placa pare, num cruzamento sem farol, é para parar totalmente, olhar e depois prosseguir. Nada de dar uma reduzida, uma buzinada e seguir em frente. Mesmo que a visão seja bem ampla e não tenha nenhum carro, se você não parar e tiver um carro de polícia atrás, você vai tomar uma multa.
  • Quando embaixo da placa de Stop estiver escrito “all ways”, significa que não existe via preferencial e todos devem parar. A preferencia é sempre para quem chega na placa antes, ou seja, vai passar um carro de cada vez, em cada uma das vias e/ou direções (não tente dar uma de espertinho e passar na cola do carro da sua frente, pois vai correr o risco de uma batida).
  • A regra acima vale também para um cruzamento com farol quando este estiver inoperante.
  • Em estreitamento de pistas ou alças de acesso à estradas e freeways, também funciona no esquema “um de cada vez”. E o transito flui que é uma maravilha!
  • Quando ouvir uma sirene, encoste o carro à direita. Não basta só abrir a passagem por entre os carros. Tem que encostar e parar o carro mesmo (na estrada, se houver acostamento à esquerda e ficar mais fácil, pode parar à esquerda). E nem tente cruzar um farol, mesmo que ele esteja verde para você, pois corre-se o risco de ser atingido por alguma viatura, e ai vai arrumar encrenca até com a lei.
  • Se for beber, vá de taxi. Você pode se meter em uma encrenca das grandes se for pego por DUI (Drive Under Influence).
  • Excetuando o estado de Nova Jersey, onde existem frentistas nos postos de combustível, nos demais (ao menos que eu conheço), o sistema nos postos é de self service: você mesmo abastece. Para tanto, basta inserir o cartão de crédito no lugar indicado. Provavelmente ele vai pedir para você inserir o ZIP code, que é o seu CEP (do endereço onde a fatura do seu cartão é entregue), então insira os 5 primeiros números do seu CEP e tecle confirma.
  • Caso o procedimento não funcione (para cartões internacionais às vezes não rola), basta ver o numero da bomba (“pump“, e não “bomb“), dirigir-se ao caixa e informar o numero da bomba e o valor que você deseja abastecer ou então informar que você quer completar (“I want to fill it/that up“). Se vc for completar, ele vai ficar com seu cartão e liberar a bomba para que você faça o abastecimento. Assim que estiver completo, volte ao caixa e ele vai passar o cartão com o valor exato.
  • Para pagamento em cash o procedimento é parecido: vá até o caixa, pague o valor exato ou deixe uns 100 dolares com o caixa se for completar. Se for completar, ao terminar, volte ao caixa e pegue o troco.
  • Em todos os postos existem 3 tipos de gasolina. Eu geralmente coloco a mais barata mesmo.

Nos restaurantes

  • Normalmente quando se pede um “prato feito” nos EUA, acompanha uma entrada. Então quando o garçon ou garçonete te perguntar “supersalad?“, ele não está te oferecendo uma “super salada”. Ele esta te perguntando se você quer “soup or salad?” de entrada. 🙂
  • Quando se pede steak, eles perguntam como o cliente deseja (“How’s that cooked?“). Eles usam uma escala de 5 niveis (rare, medium-rare, medium, medium-well e well done, sendo que o rare é o boi praticamente mugindo e o well done é sem nada de sangue, mas sem torrar a carne) para assar a carne. Eu normalmente peço o medium well, que é quase o nosso “ao ponto”.
  • Nos EUA nao se cobra automaticamente os 10% como no Brasil e dar gorjeta é praticamente obrigação. Normalmente a gorjeta se situa entre 10% e 20%. Se você teve um atendimento normal, nada mais, nada menos do que o esperado, deixe 15%. Se o atendimento foi bom, deixe pelo menos 20% (nada impede de deixar mais). Mesmo se o atendimento for ruim, deixe pelo menos 10%, pois a gorjeta não é só para o garçom que te atendeu, mas vai também para a hostess, para o cozinheiro, para o cumim (o cara que traz a comida e tira a mesa).
  • Quando voce paga com cartão de crédito, o recibo para você assinar vem com um espaço para voce indicar o valor da gorjeta (“Tip“). Se não quiser dar em dinheiro (basta deixar dentro da “pastinha” onde vem a conta), pode colocar o valor da gorjeta e o valor total (compra + gorjeta) ali. Quando seu boleto voltar ao caixa, a pessoa informa na maquina onde passou seu cartão, o numero da aprovação e o valor da gorjeta (e pode ficar sossegado, ninguém dá uma de Gerson e coloca valor a mais).
  • O valor da gorjeta é sempre calculado baseado no valor antes dos impostos (indicado na conta, vide abaixo).
  • Em fastfoods e outros lugares onde você não é servido numa mesa, não se costuma dar gorjeta, porém, sempre existe um “tip jar” próximo ao caixa e ai fica a gosto do freguês dar ou não.
  • Nos bares ou pubs, normalmente eles colocam o valor da bebida de uma forma que quando os impostos forem acrescentados seja um valor fechado ou no máximo quebrado em quarters (25 centavos de dólar), afim de facilitar o troco. Normalmente o valor total é US$ 4.25, US$ 5.25, algo do tipo. O barman te dará o troco e você pode deixar as moedas como gorjeta. Se não for o caso, deixe uma nota de um dolar (pensando em apenas uma bebida, se for mais, faça a conta).
  • Geralmente se paga a bebida na hora em que pede no bar, mas voce pode abrir uma conta (tab, pergunte ao barman “may I open a tab?“). Para isto, eles irão ficar com seu cartão de crédito e você faz os pedidos pelo seu sobrenome (se vc estiver fixo num lugar no balcão ou em uma mesa nem precisa). Quando fechar a conta (“The check, please?” ou aquele sinal universal de anotar num papel), eles irão perguntar se voce prefere pagar em dinheiro ou passar no próprio cartão.
  • Seja gentil. Gentileza é bem vinda em qualquer cultura.

Dicas para o pobre ostentação que quer pagar de gatào com carro conversível alugado

  • Não deixe nada em cima dos bancos, porque irá voar
  • Use óculos
  • A estrada não é o melhor lugar para andar com a capota abaixada
  • Use protetor solar no rosto e nos braços. Bastante!
  • Se você for careca, use um boné (bem preso) ou uma bandana.

Diversos

  • A maioria dos cartões que possuem função débito no Brasil também funcionam da mesma forma lá. Ou seja, você pode pagar no débito, sendo que a taxa de conversão utilizada será a do dia do débito (e tem o IOF também).
  • É possível também sacar dinheiro em moeda local da sua conta corrente. Também é utilizado a cotação do dia do saque e é cobrado IOF (normalmente eu saco direto da conta, pois sou isento de taxas no meu banco, e no cartão de crédito, ao sacar grana, você paga uma taxa de saque).
  • Em algumas lojas, como a Best Buy, o processo de pagamento em cartão é um pouco diferente: quando você passa o cartão, se for um cartão multiplo (débito e crédito), o sistema entra automaticamente no modo débito, pedindo a senha. Se a intenção for pagar no crédito, basta apertar cancelar na tela de senha que ele vai perguntar se pretende pagar no crédito.
  • O valor informado nos cardápios, anúncios, vitrines, etc é sempre sem o VAT (Value Added Tax – Imposto sobre Valor Agregado). Cada estado tem um VAT próprio, então leve isto sempre em consideração, principalmente se for fazer compras para outras pessoas, ao repassar os valores (e leve em conta o IOF também).
  • Perfumes e bebidas no freeshop custam basicamente o mesmo que nos EUA, então, para pagar um pouco menos (sem o VAT e sem o IOF, se já quiser pagar em reais), além de evitar ficar carregando peso, sugiro comprar estes itens no freeshop.
  • O waze funciona muito bem (como no Brasil, com a vantagem da rede de dados deles ser melhor), inclusive para encontrar pontos de interesse (restaurantes, hotéis, praias, etc sem a necessidade do endereço) e fugir de transito. Vale a pena comprar um chip (se seu aparelho for desbloqueado) ao invés de alugar um GPS. E mesmo se não for utilizar carro (em NY por exemplo, é besteira andar com carro, além de caríssimo) é uma boa ferramenta.
  • Verifique com seu banco/administradora de cartão de crédito se eles têm seguro para cobrir alguns incidentes/acidentes no exterior. Geralmente os cartões mais top (o AMEX e os Gold e Platinum de outras bandeiras) cobrem uma série de situações gratuitamente: seguro saúde (tem que avisar 7 dias antes da viagem, no caso do Santander), seguro de automóveis alugados, auxilio em caso de perda/roubo de documentos, seguro para bagagem extraviada. Pode-se economizar uma boa grana e evitar dor de cabeça.

Expressões

  • How’s going?” ou “How’s that going?” equivale ao nosso “e ai? tudo bem?”
  • Have a good one!” equivale a nosso “passar bem”
  • Yield“, muito encontrada no transito, significa “dê a preferência”
  • “Xing“, também encontrada no trânsito é a forma contraída de “Crossing” (X = cross + ing), ou seja, “ped xing” = pedestres cruzando e “cycle xing” = ciclistas cruzando.

Alguns pontos de vista

  • Parece que as montadoras fazem carros “ecológicos” (híbridos e eletricos) para que estes não vendam. Só desenho escroto. A exceção é o Volt.
  • Eu danço muito mal. Mas perto dos americanos eu sou um Fred Astaire.
  • Eu achava que ciclistas mal educados, que provavelmente se acham acima de regras, não respeitando faixa de pedestres e nem farol, fossem exclusividade do Brasil, mas pelo jeito é um mal de ciclistas ao redor do mundo.
  • Ver um tiozinho estilo Genival Lacerda cantando Tom Sawyer, do Rush, do começo ao fim, em um bar, foi hilário.
  • In order to keep our familiar environment, alcohol is prohibited beyond this point” (afim de manter o nosso ambiente familiar, álcool e probido a partir deste ponto) dizia a placa afixada no estacionamento do estádio do Dodgers, em LA. However, lá dentro você compra cervejas (e outros drinks) por “módicos” 10 dólares. Hipocrisia pura!
  • É impressionante a quantidade de pessoas que surfam na Califórnia (especialmente em San Diego). É comum você ver um carro parando na beira da praia e de dentro saltar uma família inteira, com 3 gerações (filho/a de uns 15 anos, mãe/pais de uns 35 e avô na casa dos 60), com suas roupas de borracha, prontas para cairem no mar. Ou no final de tarde, carros com “engravatados” parando no estacionamento das praias, a galera botando roupa de borracha para conseguir fazer um surf no final da tarde.
  • Se nos EUA não existissem rednecks seria o lugar perfeito do mundo para morar.
  • Comer no aeroporto é caro em qualquer lugar do mundo!
  • Nunca entrei tão fácil nos EUA: o agente da imigração simplesmente só abriu a boca para falar bom dia. Não fez nenhuma pergunta.
  • O custo de vida nos EUA está bem mais caro do que há 5 ou 6 anos. Basicamente tudo aumentou acima da inflação deles, mas me assustei especialmente com comida/bebida (cerca de 50%), vestuário (até 100%) e combustível (25%).
  • Mesmo com os aumentos, comprar roupa lá, para quem gosta de roupas de marcas famosas, vale muito a pena. Lembrando que algumas marcas famosas para nós (como Tommy, Levy’s, Ecko e mesmo Polo), para eles são marcas populares.
  • Os EUA ainda são o paraíso para quem gosta de consumir eletrônicos. Mas fique esperto para não se empolgar.
  • O preço do combustível é basicamente o mesmo daqui, com a diferença que lá os carros bebem mais e não são flex. Ou seja: está mais barato andar de carro aqui do que lá (e do que na Europa também).
  • Andar de carro conversível não foi tão legal quanto eu imaginava. Valeu a experiência e por poder acelerar um ícone da indústria automobilística americana, o Mustang, mas se a intenção é “andar de cara pro vento” uma moto é infinitamente mais legal.
  • Toda vez que chego no Brasil após uma viagem aos EUA me bate a “depressão Tio Sam”: é impressionante como tudo lá funciona e aqui é sempre uma zona, desde o aeroporto, passando pelo transito, pelas cidades, pelo povo, etc.
  • Esta história de que “quem converte não se diverte” vai me levar à falência um dia.

Acho que algumas coisas (especialmente no trânsito e nos restaurantes), também podem ser aplicadas no dia a dia no Brasil. Não faz mal a ninguem obedecer as leis e ser gentil. Só nao seja hipócrita ao dizer que nos EUA (ou Europa, ou Austrália) tudo funciona e ao mesmo tempo, fazer tudo ao contrario do que você faz lá quando volta ao Brasil.

Até o Homem Aranha foi curtir umas férias na Califórnia!

Até o Homem Aranha foi curtir umas férias na Califórnia!

Botecando #22 – Palladino’s Club

Palladino's 1

Tony e Rebeca me apresentaram o Paladino’s há um bom tempo atrás. Este bar me lembra muito o Fofinho’s Rock Club, em São Paulo, tanto no formato, quanto pela proposta rock.

É um bar de rock “mesmo”, onde bandas de “tributo” (bandas covers nos EUA são chamadas de “tribute bands”) se apresentam. Como eu disse no post do Blooze, é bem legal ver as bandas se caracterizando para inclusive aparentarem como os homenageados. E não que o som fique de lado, muito pelo contrário.

A primeira vez que estive aqui, vi um cover do Ozzy (cujo guitarrista tinha o visual e usava a mesma guitarra do Randy Roads, mas não lembro o nome da banda) e o Bonfire, um cover do AC/DC, com o vocalista com o dente quebrado como o Bon Scott e o guitarrista vestindo terninho escolar e tudo, como o Angus Young.

O casal Cortezza me enganou direitinho, ao dizer que não sabiam quem iria tocar e até sugerindo outro local (Sagent Brush, bem legal, mas que infelizmente não tive tempo para ir) e, quando estavamos para entrar, vi um cartaz escrito “Caress of Steel”, so que não deu nem tempo de ver quando seria, pois a fila andou. Quando fui pagar o cover no caixa (nos EUA geralmente se paga na entrada o cover, e as bebidas paga-se em separado), o cara perguntou se eu estava lá para ver o Rush (quando tem mais de uma banda, eles perguntam quem a pessoa foi ver e dividem o cache proporcionalmente), e nesta hora eu dei meus 12 dólares com o maior gosto do mundo.

O local, como disse, me lembra o Fofinho’s. É bem amplo e tem 3 ambientes: o bar em sí, com algumas mesas de snooker, a pista com o palco (grande!) e um “anexo” da pista com alguns sofás. O atendimento é padrão americano de bar: eficiente e simpático, mas deixe gorjeta, sempre!

Mas fiquei surpreso mesmo foi com a banda: uma competência impressionante!!!! Alias, acho que as bandas covers no Brasil deveriam fazer um estagio com as americanas. Ou as americanas deveriam fazer turnês por aqui, que iriam se dar bem.

O Baterista era um show a parte, tocando e “sentindo” a musica pra valer. O Guitarrista sem frescura, fez o que o Alex faria: direto e reto, estava lá para tocar e se divertir durante o percurso. O vocalista / baixista / tecladista por pouco não substituiria, eventualmente, o proprio Geddy Lee: além de conseguir tocar o baixo muito bem (um belo Rickenbaker 4001), conseguiu levar as partes de teclado numa boa (tanto com as maos, quanto com os pés), apesar de algumas partes já estarem gravadas (mas acho que o Geddy Lee tambem usa deste artificio ao vivo) e, apesar de desafinar um pouco, tinha o tom de voz parecido com o proprio Geddy.

Palladino's 2

E lá se foi uma bela sequência de Rush dos anos 80, que eu particularmente gosto, além de algumas músicas que, se dependessem dos fans, seriam tocadas em todo show do Rush: By Tor and the Snow Dog, Jacob’s Ladder, Working Man, entre outras.

Mas a melhor cena da noite foi um tiozinho, parecido com o Genival Lacerda, que estava quieto no seu canto ouvindo o som. Eu pensei que era apenas alguém que largou a patroa em casa para tomar umas e por acaso encontrou este bar no caminho. Porém, quando começa Tom Sawyer ele canta a musica de cabo a rabo. Prova que o Rush atinge todas as idades, raças, credos, etc.

Onde: Palladino’s Club (6101 Reseda Blvd, Tarzana, CA)
Quando: 25/04/2014
Bom: bandas
Ruim: nothing
Site: http://www.paladinosclub.com