Botecando #25 – Paraty 33 – Paraty – RJ – Brasil

Parati 33 3Logo no primeiro dia em Paraty, quando estávamos tomando uma cerveja no Bar Sarau, passou uma promoter distribuindo flyers do Paraty 33 anunciando que, na quinta e sexta, a Banda Forum (que eu já havia assistido em SP, acho que no Wild Horse), iria se apresentar no local. Combinamos de ir na sexta para ver qual era a do lugar.

No dia seguinte, ao voltar da praia, demos uma passada em frente e gostamos do ambiente e decoração do lugar (com várias referências a alguns clássicos como o filme Scarface, a Kombi, e uma porrada de memóriabilia). Além do que, é a única balada no centro histórico.

Parati 33 2Ao chegar e entrar na casa, já somos supreendidos pelo Juan, um argentino que é um dos sócios da casa, e que chamou um dos garçons para que este nos arrumasse uma mesa. Ele conseguiu uma mesa bem de frente pro palco, após realocar um monte de mesas, o que já nos fez ficar fã da casa.

TODOS os funcionários da casa, iniciando pela hostess, passando pelos barmans, os garçons e o próprio Juan, são extremamente competentes no tratamento dos clientes. E não parece ser algo forçado, artificial, o que me faz imaginar que a casa procura justamente pessoas que têm prazer em atender bem para fazer parte de seus quadros.

Toda hora que iriamos fumar estava lá o Juan para puxar papo, contando histórias suas, da casa, de Paraty (ele já mora há 15 anos na região) ou sobre o rock na Argentina. Ele inclusive fez participações cantando com as bandas (além da banda Forum, no sábado, um artista paulistano radicado em Ubatuba, foi o responsável pelo show: Nilo), nos dois dias, versões brasileiras de músicas de bandas de rock argentinas: A Sua Maneira, do Capital Inicial e Que Vez, do Tijuana.

Parati 33 1O atendimento foi tão bom que voltamos no outro dia para almojantar e quando entramos na casa, o Juan prontamente nos reconheceu, chamou o garçon, e pediu para nos dar um tratamento especial, pois na noite anterior ele não pode nos dar a atenção que queria.

As meninas até ganharam VIP para a noite, que haviamos combinado de ser mais light, mas no final das contas, acabamos saindo quase as 3 manha, mas bem felizes por aproveitar uma boa casa e que conta com uma atendimento que deveria ser padrão.

Para não dizer que tudo são flores, R$ 11,30 por uma long neck de Heineken é meio “puxado”, mas como tudo em Paraty, parece que seguem padrão Europeu de preços e só convertem do Euro para o Real, o que prejudica um pouco os brasileiros.

Onde: Paraty 33(Rua Maria Jácome de Mello, 357, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil)
Quando: 02 e 03/05/2014
Bom: atendimento e decoração
Ruim: preços mais caros que SP
Site: http://www.paraty33.com

Botecando #24 – Bar Sarau e Barril Pub – Paraty – RJ – Brasil

Bar Sarau e Barril Pub: irmãos gêmeos!!!!

Bar Sarau e Barril Pub: irmãos gêmeos!!!!

Logo no primeiro dia, na chegada em Paraty, resolvemos procurar algum bar para tomarmos algumas (de leve!!!) e ao dar um passeio pelo centro histórico, encontramos, ao lado da igreja, uma série de bares muito parecidos e resolvemos “apostar” em um deles, que foi o Sarau. No dia seguinte, fomos ao bar do lado, o Barril Pub.

São dois bares distintos, mas são tão parecidos e ficam um do lado do outro que vou falar dos dois de uma só vez para não me tornar repetitivo.

Como todo estabelecimento no centro histórico, eles ficam em casarões preservados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e contam com a arquitetura rústica da cidade como padrão (piso de madeira, bastante pedras, janelas e portas largas) e mesas no calçadão bem irregular (torci meu pé umas 50 vezes, isto sóbrio!!! 🙂 ).

Nos dois existem músicos tocando MPB e alguns sucessos internacionais (como Bob Marley), porém, como os dois bares são colados, para quem fica na rua, o som fica muito confuso quando os dois músicos resolvem tocar ao mesmo tempo e isto é algo que eles podiam melhorar: revezar o som externo, ora tocando o músico de um dos bares, ora tocando o do outro.

Bar SarauO atendimento, como sempre ocorreu em Paraty, foi bastante atencioso, porém sem exageros (à exceção foi o Paraty 33, que falarei mais pra frente).

O que realmente assustou foram os preços. O das bebidas alcólicas era justo e até relativamente barato se comparado aos praticados em SP (R$ 8,00 a garrafa de Brahma de 600mls), porém, o valor das bebidas não alcólicas beira o absurdo: R$ 10 reais por uma água, R$ 13,00 por um refrigerante. Realmente preço padrão Europa (na Alemanha a Erdinger custava € 0,85 enquanto a água custava € 1,50, ou seja, tomar cerveja era questão de economia….hahaha).

Tirando as porções básicas (fritas e calabresa), as demais, especialmente de frutos do mar, também eram um pouco altas, especialmente por se tratar de uma cidade costeira, onde teoricamente os preços deveriam ser mais baratos.

Mas deixando isto de lado, foram noites agradáveis (apesar do frio no dia 30), muito por conta do próprio charme da cidade.

Uma curiosidade: no Barril, excetuando-se o músico, todos os outros funcionários eram argentinos. Aliás, Paraty deve ser a cidade com mais argentinos vivendo fora da Argentina, mais até do que o norte de Florianópolis.

Onde: Bar Sarau e Barril Pub (Rua Marechal Deodoro, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil)
Quando: 30/04/2014 e 01/05/2014
Bom: música ao vivo e atendimento
Ruim: preço para turista europeu
Sarau Bar: https://www.facebook.com/sarauparaty.restaurante
Barril Pub: http://pubchoperiabarriu.blogspot.com.br/

Wanderlust #5 – Paraty – RJ – Brasil

IMG-20140505-WA0009Existem alguns lugares que você conhece e se pergunta “por que é que eu não conheci antes?”. Foi o meu caso quando, há dois anos atrás, conheci a cidade do Rio de Janeiro, e o mesmo ocorreu agora com Paraty.

DSCF7516Situada no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, um pouco após a divisa com São Paulo, esta charmosa e histórica cidade é bastante conhecida por suas ruas de pedras e seus imóveis com janelas e portas largas, além das 3 igrejas, situadas no centro histórico da cidade. E aqui já fica a Dica 1: se for ficar hospedado no centro histórico, não leve mala e tente arrumar um mochilão, pois é difícil andar por lá com malas de rodinhas e invariavelmente você terá que carregar.

Este centro histórico é repleto de restaurantes, bares e lojas, especialmente de artesanato ou cachaças da região.

Além disto, do centro da cidade consegue-se acesso fácil a duas praias: a praia do Pontal e a praia do Jabaquara (uns 20 minutos de caminhada do centro). Porém, estas não são as melhores praias de Paraty, que se encontra bem no centro da baia de Ilha Grande e por isto conta com várias outras praias, bem como ilhas, somente acessíveis através do mar. Mesmo estas duas praias não sendo as melhores, vale a pena conhecer, nem que seja para sentar em alguns dos seus quiosques para tomar cerveja ou mesmo almoçar. Dica 2: é mais barato comer nestes quiosques do que no centro histórico.

DSCF7555Para ter acesso às outras praias e algumas ilhas (muitas são particulares e com acesso proibido), deve-se pegar um catamarã ou mesmo um barco pequeno. No cais, que fica perto do centro histórico, existem vários barcos que saem com programações diversas. Dica 3: fora de feriados prolongados, não precisa comprar o passeio de barco com antecedência e dá para escolher qual catamarã pegar pouco antes da saida deles, que normalmente ocorre às 11:00hrs (se informe na pousada).

Uma outra opção aos catamarãs (que levam de 50 a 100 pessoas), se estiver com um grupo de pessoas (à partir de 5), é alugar um barco menor e combinar o roteiro com o marinheiro. Vai sair um pouco mais caro, mas talvez valha mais a pena.

Para ficar na cidade, existem várias pousadas a preços acessíveis (no caso, pagamos R$ 200,00 / dia num quarto para 3 pessoas, com café da manhã, bem no centro histórico) e também, para quem vai viajar sozinho ou está em grupos pequenos, existem hostels. Dica 4: na praia do Pontal existem 2 hostels bem legais, de frente para o mar.

DSCF7474Paraty é um lugar que dispensa carro, pois muita coisa você faz à pé (o centro histórico é fechado para carros) e para acessar outras praias você vai de barco. Mesmo para Trindade (infelizmente acabei não indo), existem ônibus saindo de 1 em 1 hora. Dica 5: fui de São Paulo até lá de Ônibus e o custo foi de R$ 105,00. Mais barato do que de carro e com mais conforto, já que era semi leito.

À noite o centro histórico da cidade é bem movimentado e o público é o mais variado possível: famílias, casais, grupos de amigos. Como a cidade atrai bastante turista estrangeiro, um ponto negativo são os preços, que têm padrão europeu e acaba saindo meio pesado para os brasileiros. Em alguns bares uma água chega a custar R$ 10,00. Dica 6: tirando o Paraty 33, os demais bares fecham à 1:00 da manhã, portanto, se quiser aproveitar, tente chegar no máximo as 22:00hrs.

Um outro ponto alto foi a simpatia das pessoas que nos atenderam na maioria dos lugares por onde passamos (pousada, quiosques, bares, etc).

Paraty é encantador e espero voltar lá mais vezes, especialmente no pico do verão (a temperatura estava alta durante o dia, mas à noite já esfriava bem), para poder aproveitar mais as demais praias.

(para ver as imagens abaixo em tamanho maior, basta clicá-las)

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Doctor Sleep – Stephen King (10/2014)

Doctor Sleep 1Stephen King é o autor que eu mais lí e que eu considero o melhor de todos os tempos. Muitos podem achar que este “título” é exagerado, já que não faltam bons autores , mas existem alguns fatos que o colocam acima dos demais, mesmo os fora de série.

O primeiro é a quantidade de sua produção. Mesmo se ele fosse um escritor medíocre, só o fato dele escrever 3, às vezes 4 livros por ano (nem estou considerando os contos), já o colocaria, ao menos, como um dos escritores mais profícuos da história. Ele escreve tanto que seu agente pediu para ele escrever menos, para que o mercado não ficasse saturado de “Stephen King” e como ele disse que não consegue não escrever, acabou criando um pseudônimo (Richard Bachman) para lançar algumas de suas obras.

Fora isto, ele tem livros de sucesso em mais de um estilo. Apesar de ser conhecido como o “Mestre do Terror”, alcunha errônea, já que os livros dele na verdade são de suspense, ele já escreveu obras de enorme sucesso em outros estilos. The Green Mile (À Espera de Um Milagre) e The Rita Rayworth and The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade) são talvez os dois maiores exemplos mas podemos citar Under The Dome, The Apt Pupil, The Body – The Fall Of Innocence, Secret Window Secret Garden que são alguns dos seus sucessos que passam por temas como ficção científica, nazismo, adolescência, loucura, entre tantos outros que ele usa de fundo para fazer o que ele faz melhor: construir personagens e explorar suas relações.

Stephen King (aka Richard Bachman)

Stephen King (aka Richard Bachman)

Se você fizer uma busca no IMBD com os títulos de obras do Stephen King aqui citados, você vai encontrar uma adaptação para cinema para todos eles, a maioria muito bem avaliado pelos frequentadores do site (Um Sonho de Liberdade geralmente figura no primeiro lugar). Além disto, se procurar pelo nome, irá encontrar dezenas de obras dele adaptadas para cinema, teatro e TV. E isto é um ponto em que ele também é diferenciado: não existe um escritor que tenha tido tantas obras adaptadas para outras mídias como o Stephen King. E mesmo entre os roteiristas e autores que escrevem exclusivamente para cinema, não existe um cujo conjunto da obra tenha alcançado o sucesso do conjunto de adaptações dele.

Se isto não faz dele um dos maiores autores da história, não sei o que faria.

Em Doctor Sleep, King traz de volta Danny Torrance, o personagem central de um de seus maiores sucessos, The Shinning (O Iluminado). Após uma passagem rápida nos acontecimentos ocorridos logo após a derrocada do Overlook e nas consequências destes acontecimentos, o livro salta no tempo mais de 20 anos para mostrar um Dan Torrance (não mais Danny) seguindo os passos de seu pai como dependente de álcool.

Mais alguns acontecimentos que serão importantes no final do livro e um novo salto no tempo, para quase o momento atual, onde Dan, já na casa dos 40 anos, se vê envolvido com uma menina que possui o mesmo “brilho” que o seu e que se encontra à perigo, da mesma forma em que ele se encontrava no Overlook há mais de 30 anos. E agora é Dan quem tem que assumir o papel que um dia foi de Dick Halloran, e usar o seu brilho para ajudar a menina.

Um livro ótimo! Acho que entra nos top 5 dos que eu li dele. Uma coisa que eu não gostava um pouco no estilo de escrita dele, é que ele fazia uma narração que começava meio modorrenta, entrando em muitos detalhes (muitos desnecessários) e gastando quase metade do livro apenas para definir os personagens, enquanto na conclusão ele dava aquela “corrida”. Neste livro acho que ele dosou esta construção dos personagens ao longo do livro e não precisou entrar em detalhes que seriam desnecessários, utilizando-se inclusive deste recurso do “salto temporal”. Livro indicado para quem gosta de suspense com uma pitada de sobrenatural. E não precisa ter lido / visto “O Iluminado”, pois as referências à primeira obra são bem explicadas durante o decorrer do livro. Mas se você não leu o livro E não viu o filme (que tem direção do mestre Stanley Kubrick e uma atuação fenomenal do Jack Nickolson), não sabe o que está perdendo.

Top Top #10 – Califórnia Songs: músicas que me fazem lembrar do “Golden State”

California 1Para encerrar esta overdose de EUA e especificamente Califórnia, uma lista das 10 músicas que me fazem lembrar deste lugar fantástico. Muitas delas fazem referência direta à lugares no estado e algumas outras simplesmente me lembram a “vibe” de lá.

Pode ser até porque muitas delas eu ouvia de manhã, enquanto dirigia para o trabalho, no Morning Show do Gary Bryan, na K-Earth 101. O programa rola de 5 às 10 da manhã no horário de lá (entre 4 e 6 horas a menos do Brasil, dependendo da época do ano) e toca clássicos de Rock, Soul, Disco dos anos 60 até meados dos anos 90. Fica a dica para quem gosta de ouvir boa música: dá pra ouvir pela Web!

Mas segue então as 10 músicas para uma trip na Califórnia (mais um bônus track):

10 – Bachman Turner Overdrive – Taking Care Of Business
Esta música me lembra muito, não por causa dela em sí (apesar de tocar bastante nas rádios), mas muito mais por causa do comercial da Office Depot, uma loja de materiais de escritório que usa a música na trilha da sua propaganda de rádio, que passa praticamente o dia todo e acaba impregnando….hehehe

california 29 – Steppenwolf – Magic Carpet Ride
Pra mim o Steppenwolf, que surgiu em Los Angeles, bem durante o movimento “Flower Power” é uma das bandas que tem a cara de LA desta época. E para mim eles são melhores que seus contemporâneos por fazerem um som mais pesado. Ao ouvir suas músicas dá pra se imaginar dirigindo uma Kombi ou um Fusca todo colorido pela PCH 1.

8 – The Mamas & The Papas – Monday Monday
Não vou cair na mesmice de colocar “Califórnia Dreaming” do Mamas & Papas, mas não poderia esquecer a banda, que é de New York, mas parecia que tinham nascido no estado errado a ponto de escrever uma música sobre o “sonho californiano”. Preferi escolher outro sucesso deles.

7 – Red Hot Chilli Peppers – Venice Queen
Eu associo o Red Hot à Califórnia antes de conhecer o estado e antes mesmo de falar inglês e entender suas letras, que muitas vezes fazem alusão ao local. O motivo é o filme “Caçadores de Emoção”, com o Keanu Reeves e o Patrick Swayze, em que o Anthony Kiedis faz uma ponta. A mistura de rock, hardcore e funk que eles fazem tem tudo a ver com a mistura de culturas que é Los Angeles.

6 – Doors – LA Woman
Esta não poderia ficar de fora. Além do Doors ser de LA e ter sido formado na UCLA (University of California – Los Angeles) onde seus componentes estudavam, a música retrata um pouco do espírito da cidade e tem até algumas referências que só quem já passou um verão lá conhece, como na frase “Hills are filled with fire“, que se refere ao estrago que os ventos de Santa Ana (uma ventania muito forte e quente, típica do verão californiano, que ajuda a espalhar os incêndios nas colinas), faz.

5 – Tom Petty – Free Falling
Reseda, Mulholland, Ventura Boulevard são locais do Vale de San Fernando (“All the vampires walkin’ through the valley“), que fica ao norte da grande Los Angeles, ainda no condado de LA, e são muito conhecidos, principalmente por terem bastante bares.

4 – Foo Fighters – Good Grief
O Foo Fighters não é de LA, mas seu rock direto e cru é a trilha perfeita para se dirigir por lá, especialmente nas estradas sinuosas que ligam a costa (Malibú) ao Vale de San Fernando, como o Topanga Canyon Road. Foi a trilha desta minha trip.

3 – Stone Temple Pilots – Trippin’ On A Hole In A Paper Heart
Banda com origens em San Diego, é outra que o som tem tudo a ver com o clima californiano e é uma que não para de tocar nas rádios locais.

2 – Steely Dan – Do It Again
A mistura de Rock, Jazz, R&B, Soul e outras coisas mais desta banda me lembra o mesmo “caldeirão” que existe em LA, provavelmente o local com mais variedade de culturas, etnias, credos, mais até do que NY.

1 – Rod Stewart – Maggie Mae
O motivo dela ter entrado em primeiro, além de ser muito tocada, é que ela foi usada no filme “Lords of Dogtown”, que conta a história de como o Skate se popularizou à partir de Venice Beach na década de 70. E o som em sí tem tudo a ver com o local e a época.

Bonus Track – Eagles – Hotel California
Eu iria deixar esta de fora, não porque seja ruim, mas porque ela tocou tanto nas rádios aqui do Brasil que enjoou. Mas além da banda ser Californiana, ela retrata, segundo os autores, o estilo de vida hedonista dos atores da cena musical da região na primeira metade dos anos 70. Uma outra versão que era popular é que ela falava sobre um sanatório em Camarillo, uma cidade já no condado de Ventura, na divisa com o condado de LA, que também servia para estes artistas se internarem para tentar desintoxicação. O sanatório seria o tal “Hotel Califórnia”.

 Be happy!! 🙂

California 3

Botecando #23 – Britannia Pub

Tony jamming with Number 9

Tony jamming with Number 9

Quando estive em LA em 2008 este era o bar em que eu “batia cartão” todos os domingos (inclusive foi o único lugar nos EUA onde ganhei “saideira”, pois lá é muito incomum).

Fica em Santa Monica, no Santa Monica Boulevard, entre a 3rd Street Promenade (vale uma passada por este calçadão antes) e a 4th street, bem no meio do burburinho de Santa Monica.

É um legitimo pub Inglês, com taps de ales e variada opção de pratos tipicos, como Fish’n’Chips e Shepherd’s pie.

A atracão aos domingos (e agora às quartas, fazendo karaokê) é a Number 9 Beatles Tribute band, que atrai além de frequentadores habituais, os turistas que se encontram na região e não resistem ao ouvir algum clássico (ou mesmo algum lado B) dos Beatles e acabam entrando.

Britannia 2O atendimento é muito bom e Richard, o barman, meio que interage com a banda (afinal de contas, fazem quase 10 anos que tanto ele quanto a banda estão lá todos os domingos), inclusive se arriscando a ir para o palco entoar “Something”.

A banda tambem é muito boa e toca praticamente todo o repertorio dos Beatles, inclusive atendendo a pedidos (alias, pedindo que o publico presente escolha as musicas).

O lugar costumava ficar lotado aos domingos, especialmente de turistas estrangeiros, mas infelizmente não ocorreu desta vez (acho que o Hooters que abriram em frente anda roubando clientela….hahaha)

Pra mim é sempre parada obrigatoria quando estiver em LA e aconselho, mesmo para quem nao é muito fa de Beatles, pois o clima é bem legal.

Update
Estava quase me esquecendo e a Rebeca me lembrou: o John Lennon da Number 9 é o Don Mendonça, um brasileiro de São Paulo que já mora lá nos EUA há uns 20 anos!

Onde: Britannia Pub (318 Santa Monica Blvd, Santa Monica, CA)
Quando: 27/04/2014
Bom: Number 9 (Beatles Cover) e atendimento
Ruim: distância do Brasil 😛
Site: www.britanniapub.com

Wanderlust #4 – USA – Dicas e Observações

EUA 1Aqui vou colocar algumas dicas para quem vai viajar aos EUA. Depois de umas 10 viagens, um total de mais de 1 ano lá e o contato praticamente diário com americanos, por conta do trabalho,  acho que tenho know how para isto….hehe (e algumas observações tambem).

No Aeroporto / Avião

  • Se você comprou mais do que pretendia e não cabe em duas malas, compre uma terceira mala, pague o excesso de bagagem e despache. Não tente levar consigo dentro do avião, pois o espaço a mais que você usaria vai faltar para outra pessoa.
  • Existe um motivo para embarcarem os passageiros por setor: agilizar o embarque. Portanto, se você entrar no avião quando não for o seu grupo, você vai ser o causador de algum possível atraso.
  • Seu lugar está marcado, então não precisa fazer fila para tentar ser o primeiro a embarcar.
  • Você gosta de beber? Eu também gosto. Mas durante um vôo contenha-se: é muito desagradável para todos quando alguém passa da conta dentro de um vôo. Sem contar que isto assusta ainda mais passageiros que já tem medo de voar. E lembre-se que, devido à pressão, o efeito do álcool é potencializado em altitude.
  • A tripulação está lá para servir e ajudar os passageiros, mas acima de tudo eles estão lá por uma razão maior: a segurança do vôo. Seja respeitoso e gentil com os comissários.
  • Seus filhos são incontroláveis? Então talvez seja melhor você planejar suas férias para um lugar apropriado (preferencialmente onde não existam outras pessoas) e que seja acessível sem a necessidade de voar. Ninguém é obrigado a aguentar uma criança chutando suas costas durante 7, 8 horas. Som de joguinhos eletrônicos ou DVD da galinha pintadinha por mais de 10 minutos também são insuportáveis. O filho é seu, a responsabilidade é sua, e não de mais ninguém. Se desejou (ou não evitou) tê-los, conviva com isto e altere sua rotina para acomodar esta grande responsabilidade.
  • Não empate os banheiros escovando os dentes, trocando de roupa, se maquiando.
  • Quando o avião pousar, não precisa sair correndo para ser o primeiro a desembarcar. Muito provavelmente quando as malas chegarem na esteira, o último passageiro a desembarcar já estará lá esperando também e sua pressa só vai causar incômodos.

Ao dirigir

  • Quando estiver em um cruzamento com farol, a conversao à direita (se vc se encontra na faixa da direita) é permitida mesmo com o farol vermelho para você, desde que voce respeite o trânsito da via em que se quer entrar e principalmente dê a preferencia aos pedestres, se estes estiverem atravessando. Quando esta conversão nao for permitida vai existir uma indicação (“no turn on red” ou “turn just on green“). Se voce estiver numa situação destas, com o pisca ligado pra fazer a conversão (ou numa faixa exclusiva para conversão) e ficar esperando o farol abrir, pode tomar uma buzinada de alguém que esteja atrás.
  • Falando em pedestres, mesmo quando eles nao atravessam na faixa, a preferência é sempre deles. NUNCA acelere o carro ou buzine se avistar um pedestre atravessando.
  • Nos cruzamentos, quase toda conversão à esquerda (se a mão da via permitir e se não existir indicação contraria) é permitida. Basta esperar a brecha no trânsito para passar (e prestar atenção se não tem pedestre atravessando na via que você quer entrar). Se por acaso o farol estiver para fechar, não se apavore: as pessoas irão esperar quem já estiver no meio do cruzamento terminar a conversão para então sairem. Mas não dê uma de espertinho tentando cruzar se você ainda não tiver passado a faixa que limita o cruzamento. E não acelere impedindo os outros de terminarem a conversão.
  • Não tenho certeza, mas acho que a ultrapassagem pela direita é permitida nos EUA. Então se voce estiver na faixa da esquerda e o carro da sua frente estiver mais lento, apenas corte pela direita e prossiga sua viagem. Nada de dar farol ou então pisca, até porque o cara da frente provavelmente nem vai entender.
  • Andar um pouco acima da velocidade em vias rápidas (freeways, highways e roads) é toleravel (não mais que 10%), na cidade não. Em locais com escola ou em locais onde esteja ocorrendo trabalhos na via NUNCA! Inclusive os valores das multas, que já não sao baixos (bloquear um cruzamento, por exemplo, vale 500 doletas!), dobram em áreas de obras na estrada.
  • Quando existir uma placa pare, num cruzamento sem farol, é para parar totalmente, olhar e depois prosseguir. Nada de dar uma reduzida, uma buzinada e seguir em frente. Mesmo que a visão seja bem ampla e não tenha nenhum carro, se você não parar e tiver um carro de polícia atrás, você vai tomar uma multa.
  • Quando embaixo da placa de Stop estiver escrito “all ways”, significa que não existe via preferencial e todos devem parar. A preferencia é sempre para quem chega na placa antes, ou seja, vai passar um carro de cada vez, em cada uma das vias e/ou direções (não tente dar uma de espertinho e passar na cola do carro da sua frente, pois vai correr o risco de uma batida).
  • A regra acima vale também para um cruzamento com farol quando este estiver inoperante.
  • Em estreitamento de pistas ou alças de acesso à estradas e freeways, também funciona no esquema “um de cada vez”. E o transito flui que é uma maravilha!
  • Quando ouvir uma sirene, encoste o carro à direita. Não basta só abrir a passagem por entre os carros. Tem que encostar e parar o carro mesmo (na estrada, se houver acostamento à esquerda e ficar mais fácil, pode parar à esquerda). E nem tente cruzar um farol, mesmo que ele esteja verde para você, pois corre-se o risco de ser atingido por alguma viatura, e ai vai arrumar encrenca até com a lei.
  • Se for beber, vá de taxi. Você pode se meter em uma encrenca das grandes se for pego por DUI (Drive Under Influence).
  • Excetuando o estado de Nova Jersey, onde existem frentistas nos postos de combustível, nos demais (ao menos que eu conheço), o sistema nos postos é de self service: você mesmo abastece. Para tanto, basta inserir o cartão de crédito no lugar indicado. Provavelmente ele vai pedir para você inserir o ZIP code, que é o seu CEP (do endereço onde a fatura do seu cartão é entregue), então insira os 5 primeiros números do seu CEP e tecle confirma.
  • Caso o procedimento não funcione (para cartões internacionais às vezes não rola), basta ver o numero da bomba (“pump“, e não “bomb“), dirigir-se ao caixa e informar o numero da bomba e o valor que você deseja abastecer ou então informar que você quer completar (“I want to fill it/that up“). Se vc for completar, ele vai ficar com seu cartão e liberar a bomba para que você faça o abastecimento. Assim que estiver completo, volte ao caixa e ele vai passar o cartão com o valor exato.
  • Para pagamento em cash o procedimento é parecido: vá até o caixa, pague o valor exato ou deixe uns 100 dolares com o caixa se for completar. Se for completar, ao terminar, volte ao caixa e pegue o troco.
  • Em todos os postos existem 3 tipos de gasolina. Eu geralmente coloco a mais barata mesmo.

Nos restaurantes

  • Normalmente quando se pede um “prato feito” nos EUA, acompanha uma entrada. Então quando o garçon ou garçonete te perguntar “supersalad?“, ele não está te oferecendo uma “super salada”. Ele esta te perguntando se você quer “soup or salad?” de entrada. 🙂
  • Quando se pede steak, eles perguntam como o cliente deseja (“How’s that cooked?“). Eles usam uma escala de 5 niveis (rare, medium-rare, medium, medium-well e well done, sendo que o rare é o boi praticamente mugindo e o well done é sem nada de sangue, mas sem torrar a carne) para assar a carne. Eu normalmente peço o medium well, que é quase o nosso “ao ponto”.
  • Nos EUA nao se cobra automaticamente os 10% como no Brasil e dar gorjeta é praticamente obrigação. Normalmente a gorjeta se situa entre 10% e 20%. Se você teve um atendimento normal, nada mais, nada menos do que o esperado, deixe 15%. Se o atendimento foi bom, deixe pelo menos 20% (nada impede de deixar mais). Mesmo se o atendimento for ruim, deixe pelo menos 10%, pois a gorjeta não é só para o garçom que te atendeu, mas vai também para a hostess, para o cozinheiro, para o cumim (o cara que traz a comida e tira a mesa).
  • Quando voce paga com cartão de crédito, o recibo para você assinar vem com um espaço para voce indicar o valor da gorjeta (“Tip“). Se não quiser dar em dinheiro (basta deixar dentro da “pastinha” onde vem a conta), pode colocar o valor da gorjeta e o valor total (compra + gorjeta) ali. Quando seu boleto voltar ao caixa, a pessoa informa na maquina onde passou seu cartão, o numero da aprovação e o valor da gorjeta (e pode ficar sossegado, ninguém dá uma de Gerson e coloca valor a mais).
  • O valor da gorjeta é sempre calculado baseado no valor antes dos impostos (indicado na conta, vide abaixo).
  • Em fastfoods e outros lugares onde você não é servido numa mesa, não se costuma dar gorjeta, porém, sempre existe um “tip jar” próximo ao caixa e ai fica a gosto do freguês dar ou não.
  • Nos bares ou pubs, normalmente eles colocam o valor da bebida de uma forma que quando os impostos forem acrescentados seja um valor fechado ou no máximo quebrado em quarters (25 centavos de dólar), afim de facilitar o troco. Normalmente o valor total é US$ 4.25, US$ 5.25, algo do tipo. O barman te dará o troco e você pode deixar as moedas como gorjeta. Se não for o caso, deixe uma nota de um dolar (pensando em apenas uma bebida, se for mais, faça a conta).
  • Geralmente se paga a bebida na hora em que pede no bar, mas voce pode abrir uma conta (tab, pergunte ao barman “may I open a tab?“). Para isto, eles irão ficar com seu cartão de crédito e você faz os pedidos pelo seu sobrenome (se vc estiver fixo num lugar no balcão ou em uma mesa nem precisa). Quando fechar a conta (“The check, please?” ou aquele sinal universal de anotar num papel), eles irão perguntar se voce prefere pagar em dinheiro ou passar no próprio cartão.
  • Seja gentil. Gentileza é bem vinda em qualquer cultura.

Dicas para o pobre ostentação que quer pagar de gatào com carro conversível alugado

  • Não deixe nada em cima dos bancos, porque irá voar
  • Use óculos
  • A estrada não é o melhor lugar para andar com a capota abaixada
  • Use protetor solar no rosto e nos braços. Bastante!
  • Se você for careca, use um boné (bem preso) ou uma bandana.

Diversos

  • A maioria dos cartões que possuem função débito no Brasil também funcionam da mesma forma lá. Ou seja, você pode pagar no débito, sendo que a taxa de conversão utilizada será a do dia do débito (e tem o IOF também).
  • É possível também sacar dinheiro em moeda local da sua conta corrente. Também é utilizado a cotação do dia do saque e é cobrado IOF (normalmente eu saco direto da conta, pois sou isento de taxas no meu banco, e no cartão de crédito, ao sacar grana, você paga uma taxa de saque).
  • Em algumas lojas, como a Best Buy, o processo de pagamento em cartão é um pouco diferente: quando você passa o cartão, se for um cartão multiplo (débito e crédito), o sistema entra automaticamente no modo débito, pedindo a senha. Se a intenção for pagar no crédito, basta apertar cancelar na tela de senha que ele vai perguntar se pretende pagar no crédito.
  • O valor informado nos cardápios, anúncios, vitrines, etc é sempre sem o VAT (Value Added Tax – Imposto sobre Valor Agregado). Cada estado tem um VAT próprio, então leve isto sempre em consideração, principalmente se for fazer compras para outras pessoas, ao repassar os valores (e leve em conta o IOF também).
  • Perfumes e bebidas no freeshop custam basicamente o mesmo que nos EUA, então, para pagar um pouco menos (sem o VAT e sem o IOF, se já quiser pagar em reais), além de evitar ficar carregando peso, sugiro comprar estes itens no freeshop.
  • O waze funciona muito bem (como no Brasil, com a vantagem da rede de dados deles ser melhor), inclusive para encontrar pontos de interesse (restaurantes, hotéis, praias, etc sem a necessidade do endereço) e fugir de transito. Vale a pena comprar um chip (se seu aparelho for desbloqueado) ao invés de alugar um GPS. E mesmo se não for utilizar carro (em NY por exemplo, é besteira andar com carro, além de caríssimo) é uma boa ferramenta.
  • Verifique com seu banco/administradora de cartão de crédito se eles têm seguro para cobrir alguns incidentes/acidentes no exterior. Geralmente os cartões mais top (o AMEX e os Gold e Platinum de outras bandeiras) cobrem uma série de situações gratuitamente: seguro saúde (tem que avisar 7 dias antes da viagem, no caso do Santander), seguro de automóveis alugados, auxilio em caso de perda/roubo de documentos, seguro para bagagem extraviada. Pode-se economizar uma boa grana e evitar dor de cabeça.

Expressões

  • How’s going?” ou “How’s that going?” equivale ao nosso “e ai? tudo bem?”
  • Have a good one!” equivale a nosso “passar bem”
  • Yield“, muito encontrada no transito, significa “dê a preferência”
  • “Xing“, também encontrada no trânsito é a forma contraída de “Crossing” (X = cross + ing), ou seja, “ped xing” = pedestres cruzando e “cycle xing” = ciclistas cruzando.

Alguns pontos de vista

  • Parece que as montadoras fazem carros “ecológicos” (híbridos e eletricos) para que estes não vendam. Só desenho escroto. A exceção é o Volt.
  • Eu danço muito mal. Mas perto dos americanos eu sou um Fred Astaire.
  • Eu achava que ciclistas mal educados, que provavelmente se acham acima de regras, não respeitando faixa de pedestres e nem farol, fossem exclusividade do Brasil, mas pelo jeito é um mal de ciclistas ao redor do mundo.
  • Ver um tiozinho estilo Genival Lacerda cantando Tom Sawyer, do Rush, do começo ao fim, em um bar, foi hilário.
  • In order to keep our familiar environment, alcohol is prohibited beyond this point” (afim de manter o nosso ambiente familiar, álcool e probido a partir deste ponto) dizia a placa afixada no estacionamento do estádio do Dodgers, em LA. However, lá dentro você compra cervejas (e outros drinks) por “módicos” 10 dólares. Hipocrisia pura!
  • É impressionante a quantidade de pessoas que surfam na Califórnia (especialmente em San Diego). É comum você ver um carro parando na beira da praia e de dentro saltar uma família inteira, com 3 gerações (filho/a de uns 15 anos, mãe/pais de uns 35 e avô na casa dos 60), com suas roupas de borracha, prontas para cairem no mar. Ou no final de tarde, carros com “engravatados” parando no estacionamento das praias, a galera botando roupa de borracha para conseguir fazer um surf no final da tarde.
  • Se nos EUA não existissem rednecks seria o lugar perfeito do mundo para morar.
  • Comer no aeroporto é caro em qualquer lugar do mundo!
  • Nunca entrei tão fácil nos EUA: o agente da imigração simplesmente só abriu a boca para falar bom dia. Não fez nenhuma pergunta.
  • O custo de vida nos EUA está bem mais caro do que há 5 ou 6 anos. Basicamente tudo aumentou acima da inflação deles, mas me assustei especialmente com comida/bebida (cerca de 50%), vestuário (até 100%) e combustível (25%).
  • Mesmo com os aumentos, comprar roupa lá, para quem gosta de roupas de marcas famosas, vale muito a pena. Lembrando que algumas marcas famosas para nós (como Tommy, Levy’s, Ecko e mesmo Polo), para eles são marcas populares.
  • Os EUA ainda são o paraíso para quem gosta de consumir eletrônicos. Mas fique esperto para não se empolgar.
  • O preço do combustível é basicamente o mesmo daqui, com a diferença que lá os carros bebem mais e não são flex. Ou seja: está mais barato andar de carro aqui do que lá (e do que na Europa também).
  • Andar de carro conversível não foi tão legal quanto eu imaginava. Valeu a experiência e por poder acelerar um ícone da indústria automobilística americana, o Mustang, mas se a intenção é “andar de cara pro vento” uma moto é infinitamente mais legal.
  • Toda vez que chego no Brasil após uma viagem aos EUA me bate a “depressão Tio Sam”: é impressionante como tudo lá funciona e aqui é sempre uma zona, desde o aeroporto, passando pelo transito, pelas cidades, pelo povo, etc.
  • Esta história de que “quem converte não se diverte” vai me levar à falência um dia.

Acho que algumas coisas (especialmente no trânsito e nos restaurantes), também podem ser aplicadas no dia a dia no Brasil. Não faz mal a ninguem obedecer as leis e ser gentil. Só nao seja hipócrita ao dizer que nos EUA (ou Europa, ou Austrália) tudo funciona e ao mesmo tempo, fazer tudo ao contrario do que você faz lá quando volta ao Brasil.

Até o Homem Aranha foi curtir umas férias na Califórnia!

Até o Homem Aranha foi curtir umas férias na Califórnia!

Botecando #22 – Palladino’s Club

Palladino's 1

Tony e Rebeca me apresentaram o Paladino’s há um bom tempo atrás. Este bar me lembra muito o Fofinho’s Rock Club, em São Paulo, tanto no formato, quanto pela proposta rock.

É um bar de rock “mesmo”, onde bandas de “tributo” (bandas covers nos EUA são chamadas de “tribute bands”) se apresentam. Como eu disse no post do Blooze, é bem legal ver as bandas se caracterizando para inclusive aparentarem como os homenageados. E não que o som fique de lado, muito pelo contrário.

A primeira vez que estive aqui, vi um cover do Ozzy (cujo guitarrista tinha o visual e usava a mesma guitarra do Randy Roads, mas não lembro o nome da banda) e o Bonfire, um cover do AC/DC, com o vocalista com o dente quebrado como o Bon Scott e o guitarrista vestindo terninho escolar e tudo, como o Angus Young.

O casal Cortezza me enganou direitinho, ao dizer que não sabiam quem iria tocar e até sugerindo outro local (Sagent Brush, bem legal, mas que infelizmente não tive tempo para ir) e, quando estavamos para entrar, vi um cartaz escrito “Caress of Steel”, so que não deu nem tempo de ver quando seria, pois a fila andou. Quando fui pagar o cover no caixa (nos EUA geralmente se paga na entrada o cover, e as bebidas paga-se em separado), o cara perguntou se eu estava lá para ver o Rush (quando tem mais de uma banda, eles perguntam quem a pessoa foi ver e dividem o cache proporcionalmente), e nesta hora eu dei meus 12 dólares com o maior gosto do mundo.

O local, como disse, me lembra o Fofinho’s. É bem amplo e tem 3 ambientes: o bar em sí, com algumas mesas de snooker, a pista com o palco (grande!) e um “anexo” da pista com alguns sofás. O atendimento é padrão americano de bar: eficiente e simpático, mas deixe gorjeta, sempre!

Mas fiquei surpreso mesmo foi com a banda: uma competência impressionante!!!! Alias, acho que as bandas covers no Brasil deveriam fazer um estagio com as americanas. Ou as americanas deveriam fazer turnês por aqui, que iriam se dar bem.

O Baterista era um show a parte, tocando e “sentindo” a musica pra valer. O Guitarrista sem frescura, fez o que o Alex faria: direto e reto, estava lá para tocar e se divertir durante o percurso. O vocalista / baixista / tecladista por pouco não substituiria, eventualmente, o proprio Geddy Lee: além de conseguir tocar o baixo muito bem (um belo Rickenbaker 4001), conseguiu levar as partes de teclado numa boa (tanto com as maos, quanto com os pés), apesar de algumas partes já estarem gravadas (mas acho que o Geddy Lee tambem usa deste artificio ao vivo) e, apesar de desafinar um pouco, tinha o tom de voz parecido com o proprio Geddy.

Palladino's 2

E lá se foi uma bela sequência de Rush dos anos 80, que eu particularmente gosto, além de algumas músicas que, se dependessem dos fans, seriam tocadas em todo show do Rush: By Tor and the Snow Dog, Jacob’s Ladder, Working Man, entre outras.

Mas a melhor cena da noite foi um tiozinho, parecido com o Genival Lacerda, que estava quieto no seu canto ouvindo o som. Eu pensei que era apenas alguém que largou a patroa em casa para tomar umas e por acaso encontrou este bar no caminho. Porém, quando começa Tom Sawyer ele canta a musica de cabo a rabo. Prova que o Rush atinge todas as idades, raças, credos, etc.

Onde: Palladino’s Club (6101 Reseda Blvd, Tarzana, CA)
Quando: 25/04/2014
Bom: bandas
Ruim: nothing
Site: http://www.paladinosclub.com

Minha Virada Cultural – Edição 2014

Virada 01Não é segredo para ninguém o quanto eu amo São Paulo (apesar dos pesares). Inclusive tenho a oportunidade de, devido ao trabalho, morar em uma cidade do interior de SP, não tão distante da capital, porém eu prefiro conviver com o ônus de morar aqui para poder aproveitar o bônus (vida noturna, cultural, amigos, família, etc). Particularmente eu gosto bastante do Centro de SP, local em que trabalhei de 1991 à 2004 (e gostaria de voltar a trabalhar lá).

No centro de SP você encontra todo tipo de pessoas (brancos, negros, índios, nigerianos, bolivianos, ricos, pobres, etc) e de lugares (shoppings, centros comerciais, restaurantes populares, restaurantes luxuosos, hospitais, dentistas). Além de tudo, apesar de bastante descuidada, a arquitetura da região central é bela e, guardadas as devidas proporções (500 anos contra 2 mil!), não deve em nada para as principais cidades da Europa (ao menos as que eu conheço).

Eu fico muito feliz quando existem eventos ou ações que ocupem o centro da cidade (aliás, a cidade toda) afim de proporcionar cultura, esportes, lazer, etc (já falei sobre o Carnaval de rua Paulistano aqui). Ou seja, que procuram fazer com que os paulistas (de nascimento e de coração) aproveitem esta maravilhosa cidade. Talvez o evento mais esperado todo ano seja a Virada Cultural, em 2014 na sua 10ª edição.

Desde 2008, ou seja, da sua quarta edição, que eu aproveito este evento. Nas primeiras edições eu não compareci por conta de preconceitos que eu tinha (“é bagunçado”, “é perigoso”, etc) e que muita gente ainda tem. Mas à partir do momento que eu me permiti ter esta experiência, se tornou um dos meus eventos preferidos e mais esperados do ano.

Este ano não foi diferente e no sábado às 16:00hrs, peguei o ônibus para me dirigir ao centro para aproveitar alguns dos eventos desta festa.

Pobre Paulista
Talvez um dos shows mais esperados este ano foi o retorno da paulistaníssima banda Ira!, após 7 anos de separação e brigas. E acho que não haveria um evento melhor para este retorno do que a Virada Cultural. Eu nem vou falar que o show foi sensacional, porque eu sou muito suspeito, já que o Ira! é minha banda nacional favorita.

Virada 02

Bandeiras de SP tremulam ao som do Ira!

De qualquer forma eles montaram um set muito bom para esta volta, colocando bastante músicas curtas para tocarem o máximo de músicas possíveis no pouco tempo de show, incluindo no set muitos lados Bs. “Como os Ponteiros de um Relógio” e “Prisão das Ruas” eram duas músicas que eu nunca os tinha visto tocar ao vivo (e olha que eu já vi uns 100 shows do Ira!, chutando bem baixo!).

Não gostei muito dos novos membros da banda, especialmente do baterista, que me pareceu muito “mecânico” (talvez com o tempo ele se solte), mas era um show para curtir e não para ficar analisando qualidade técnica e até o fato do Nasi esquecer e errar algumas letras (como em Tolices) foi parte do espetáculo.

Underground
Depois do show do Ira! dei uma passada no palco São João para assistir um pouco do Tributo ao Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado (a segunda banda que eu mais vi, só perdendo pro Ira!), falecido ano passado.

Da formação original da banda só sobrou o baixista Nelson Britto, porém eles tocaram sob o nome de “Golpe de Estado”. No início da apresentação, que foi anunciada pelo Luis Calanca, da Baratos & Afins (o selo pelo qual o Golpe lançou os primeiros discos, justíssima escolha, aliás), levaram ao palco a famosa Gibson Flying V Preta e Branca que era a marca registrada do Hélcio.

O show foi até legal, mas nestas horas você percebe que esta história de que “ninguém é insubstituível” é uma balela: o guitarrista escalado para “substituir”o Hélcio era muito bom, mas mesmo assim não era o Hélcio e apesar do Nelson estar ali tocando, não parecia ser o Golpe.

Mas valeu a homenagem, já que o Hélcio, além de ser um baita músico, foi uma das pessoas que ajudaram a desenvolver (ou ajudaram a não deixar morrer) a indústria musical brasileira, sendo ele responsável por prover equipamentos de PA para vários shows ocorridos na década de 80 (antes da abertura comercial em que era praticamente impossível importar equipamentos), desenvolver efeitos e amplificadores, etc.

Retirantes
Bixiga 70 era um um dos shows que eu mais queria ver, já que apesar de ter adquirido os dois álbuns da banda, nunca os tinha visto ao vivo.

Aqui vale uma consideração: o brasileiro em geral não é muito ligado em música instrumental, mas vez ou outra uma banda ou músico se destaca e conquista relativa popularidade. Foi o caso da Banda Black Rio nos anos 70, d’A Cor do Som nos anos 80, do Funk Como Le Gusta na década de 2000 e parece que a bola da vez é o Bixiga 70.

Montaram um set bem legal, inclusive permitindo espaços para improvisações e suspresas (como uma versão bem inusitada de Kashmir, do Led Zeppelin). Uma pena que colocaram em um palco secundário e a procura foi grande, o que tornou o espaço um pouco lotado.

Outra coisa ruim foi a “marofa” que se formou no show. Parecia uma névoa de tanta maconha e saí de perto do palco antes do final pois já estava ficando louco de tabela. Eu fumo meu cigarro e bebo minha cerveja e talvez não tenha moral pra falar, mas acho que a galera podia ter um pouco mais de consideração com quem não tá afim de “chapar o côco”.

Depois do show do Bixiga 70, um já tradicional churrasco grego pra dar uma forrada e bora pra casa dormir um pouco pois o outro dia reservava algumas boas atrações também. Estou pensando até em pegar um hotel no centro no próximo ano para aproveitar mais a festa.

Todo Amor ao Jimi
No domingo de manhã, logo as 9:00hrs, teria um show que já havia visto em algumas viradas atrás, mas quis assistir de novo, pois é bem legal, que é o do Pepeu Gomes, um dos melhores guitarristas da história musical do Brasil.

Virada 03

Pepeu Gomes e a bela Estação Julio Prestes ao fundo!

Mas antes do show, como não poderia deixar de ser para alguém que parece um para ráios de louco como eu, um tiozinho ex-morador de rua resolve pedir cigarro e ai lá se vão 30 minutos ouvindo histórias meio disconexas e sem sentido (“eu tenho 6 profissões: balconista, amigo do cafú…”). Mesmo assim é divertido e o que estas pessoas querem é apenas alguém que lhes dê um pouquinho de atenção e dar um pouco de atenção a outra pessoa não custa nada.

O show do Pepeu começou com uns 20 minutos de atraso, o que me impediu de acompanhar até o final, já que tinha outros planos. Mesmo assim, é bem legal e ele mistura músicas de sua carreira solo, sucesso da época dos novos baianos e algumas homenagens, como um instrumental de “Maracatu Atomico” que ele dedicou ao Chico Science (poderia ter aproveitado e dedicado ao Jorge Mautner, autor da música).

A banda que o acompanha é competente e sabem dosar a quantidade de solos e improvisos para não virar aquela “punhetagem” musical que geralmente existe em shows de música instrumental.

Mas como disse, a agenda estava apertada e as 10 e pouco precisei ir embora rumo ao minhocão para dar uma olhada em como estaria o evento “Chefs na Rua”, que desta vez contou com participação de food trucks e de cervejarias artesanais e importadores de cervejas ditas “gourmet”.

Cerveja é cultura
Desde 2012 ocorre, como uma das atrações da Virada Cultural, o evento “Chefs na Rua”, onde chefes e restaurantes badalados servem algumas de suas criações a preços populares. Este ano o evento ganhou a ótima companhia de food trucks (que parece que vieram para ficar) e de algumas empresas do mercado de cervejarias artesanais (importadores, microcervejarias e uma escola que produziu uma cerveja durante o evento), também conhecidas como cervejas gourmet.

Muito bom este interesse pela cultura cervejeira

Muito bom este interesse pela cultura cervejeira

Devido à recente popularização deste mercado no Brasil, posso me considerar da “velha guarda” dos apreciadores de cervejas gourmet, afinal de contas, frequento o Frangó há uns 20 anos, e fico muito feliz com o aumento deste mercado por aqui. Então claro que não poderia deixar de dar uma passada no evento.

A variedade de cervejas era boa, contando com cervejarias nacionais e importadas e achei muito legal que estavam vendendo “degustações” em copos de 100mls. Pelo que eu percebi haviam muitos “curiosos” em descobrir este fantástico mundo das cervejas, que afinal de contas, assim como a música, a culinária, os trajes, fazem parte da cultura de um povo.

Rapaziada da Zona Oeste
Não posso nem dizer que “vi” o show do RZO, pois na verdade escutei duas músicas quando estava à caminho do palco Luz e passeoi pelo palco Júlio Prestes, mas como eles estavam tocando as minhas duas músicas prediletas do grupo, Paz Interior e O Trem, então vou contar como uma das atrações que eu vi…..hehehe

Qui Nem Jiló
Quando da morte do Jair Rodrigues eu publiquei um post no Facebook falando que, mais do que a perda do artista, a maior perda era da pessoa, já que ele era um ser que, se eu não fosse tão cético, acreditaria ser um espírito de luz ou ter uma aura do bem. A Teresa Cristina é uma destas pessoas também. Só a presença dela no palco já faz você abrir um sorriso.

Além disto, ela canta bem para caramba, sabe montar um repertório fantástico, colocando músicas menos conhecidas intercaladas com grandes sucessos de outros artistas que ela interpreta. Para “ajudar” ela ainda conta com uma competentíssima banda.

Por tudo isto este show acabou entrando no rol de um dos melhores que eu vi em minhas 7 edições de virada cultura, ao lado do próprio show do Jair Rodrigues e do Living Colour, que assisti na virada cultural de 2010.

E agora virou obrigação assistí-la quando ela vier a São Paulo ou da próxima vez em que eu for ao Rio e ela estiver se apresentando.

Underere
Entre a Teresa Cristina e o Pagode 90 (que iria assistir mais pela memória afetiva) tinha a Eliana de Lima e como já estava cansado de andar de um canto pra outro, resolvi assistir tb. Não foi tão legal pois ela está longe de ser uma baita cantora, então acabou valendo também pela memória afetiva.

Enquanto comia um pastel na espera pelo Pagode 90 o tempo fechou (literalmente), mal dando tempo de engolir o ultimo pedaço e correr para a marquise da Estação da Luz. E a chuva acabou trazendo uma agradável surpresa…

Até a acústica da Estação da Luz ajudou.

Até a acústica ajudou.

Proteja o meu Maracatu!
No momento da forte chuva que caiu sobre São Paulo, o Grupo Maracatu Bloco de Pedra, que se apresentaria no Parque da Luz, correu para dentro da estação de trem da Luz e, meio que espontaneamente, começaram a tocar ali mesmo. Um som legal, um público empolgado (e um tanto quanto “emocionado” pelo álcool), a bela arquitetura da estação (que inclusive ajudou na acústica) e a surpresa fizeram desta curta apresentação uma atração bem legal.

Pena que, por não ter sido programada, os seguranças e a administração da estação solicitaram a interrupção da apresentação. Mesmo assim, até eles estavam com boa vontade e permitiram que rolasse mais um pouco.

Mas seria legal se nas próximas edições utilizassem este “aparelho” para programar eventos.

Nem tudo são flores
Como já disse, esta foi minha 7ª Virada Cultural, todas elas sem nenhum incidente comigo ou com conhecidos (e algumas vezes eu varei a madrugada sozinho, como em 2010). É um evento muito legal e São Paulo precisa de mais eventos que ocupem o espaço público. Sua população merece isto. A cidade merece isto.

Eu não gosto muito destas “teorias conspiratórias”, mas é estranho porque enquanto era a gestão Serra/Kassab (que deixou este legado de bom pra cidade) que comandava a cidade, não davam tanta atenção para os incidentes que SEMPRE ocorreram e ocorrerão em eventos deste tamanho (ocorrerão aqui em SP, ocorrem no carnaval da Bahia e do Rio, ocorreriam em NY, em Berlin, em Londres, em qualquer lugar onde você junta uma multidão deste tamanho)

Mas três coisas que vi e ouvi me deixaram com um misto de perplexidade, tristeza e falta de esperança, não em relação ao evento, mas ao rumo que nossa sociedade toma:

  • O comandante da PM assinando seu atestado de incompetência pedindo que o evento seja diurno e com acesso restrito para que exista revista. Ele simplesmente admitiu a falência do sistema do qual ele faz parte, que é o de segurança pública. (e aqui não é uma crítica à instituição, pois a PM fez ótimo trabalho, na medida em que puderam, durante esta virada).
  • O apresentador da Globo perguntando se vale a pena investir 13 milhões num evento como este. O público estimado foi de 4 milhões de pessoas! Quer investimento melhor do que este? Poderiam investir mais ainda e fazer o evento 2, 3, 4 vezes por ano.
  • Das 4 confusões que eu presenciei, 3 delas foram causadas pela Guarda Civil Metropolitana tentando apreender produtos de vendedores ambulantes, o que invariavelmente gerava uma correria generalizada, pois as pessoas inicialmente não sabiam do que se tratava e em um segundo momento a revolta do próprio público, que em uma das confusões quase resultou em agressão aos próprios guardas. Ao invés deles focarem em apreensões, poderiam ao menos neste evento, ajudar na segurança. Seriam muito mais úteis.

Valeu a pena!
Após 10 anos de eventos, nota-se que ele vem progredindo em todos os sentidos. Inicialmente houveram problemas com falta de banheiros e de pontos de alimentação, que já foram solucionados lá pela 6ª edição. Depois o problema da segurança, que também vem melhorando a cada ano.

Nos primeiros eventos eu presenciei algumas confusões (brigas e discussões) entre o público ou entre tribos (roqueiros, punks, pessoal do RAP, Samba, Eletrônico, etc) no caminho entre um palco e outro. Porém, nas últimas 3 ou 4 edições não presenciei nenhuma confusão deste tipo, até porque, hoje a turma do “deixa disso” deve corresponder a pelo menos 90% do público e qualquer tensão é logo aplacada pelo próprio público. Ou seja, o evento está servindo também para aumentar a tolerância das pessoas ao que é diferente.

Em outros anos a quantidade de atrações boas (para o meu gosto, que fique claro) impressionava e ficava até complicado escolher o que eu iria ver. De uns três anos para cá eles aumentaram mais a variedade de estilos, o que fez com que as opções para o meu gosto diminuissem, mas em compensação está atraindo bem mais pessoas (inclusive de outras cidade e até estados, e desta vez vi bastante gringos também). Mas é uma festa popular e é mais do que justo tentar atender à todos os gostos.

Muita gente deixa de ir na Virada Cultural alegando que vai ter muito bandido, drogado, travesti. Sim, o centro é cheio de travestis, prostitutas, drogados, mendigos. Mas antes do nóia, da puta, do traveco ou do dorme sujo, o que existe ali é um ser humano, e se você não consegue ao menos sentir empatia e tolerância por outro ser humano a ponto de não conseguir conviver no mesmo espaço que ele por algumas horas que sejam, então o melhor mesmo é não ir (aliás, o melhor ainda é que você vá viver isolado, pois você ainda não aprendeu a viver em sociedade).

Todas as vezes eu sou sim interpelado por estas pessoas que vivem na região central. Algumas vezes me pedem cigarro, outras a cerveja que estou tomando, alguns poucos me pedem dinheiro (a maioria explica que é pra tomar uma cachaça, afinal cobertor de mendigo é pinga), muitos nem me pedem nada. O que todos eles no fundo querem é alguém que lhes dê atenção, por 5 ou 10 minutos que sejam, ao invés de enjeitá-los, isolá-los, tratá-los como párias da sociedade. E se 10 minutos de minha atenção foram suficientes para melhorar um pouco o dia destas pessoas, isto já me valeu muito a pena. Até mais do que os shows.

Algumas outras fotos:

Virada 06

A lateral do Teatro Municipal, vista da 24 de Maio

Virada 07

Venha correndo Mappin!!!

Virada 08

A frente do belo Teatro Municipal

Virada 09

Estação da Luz

Virada 10

Festa para todos os credos…

Virada 11

…e crenças (instalação no Parque da Luz)

Virada 12

Outro ângulo da Estação da Luz

Virada 13

Não era atômico, mas era um belo Maracatú!

Virada 14

A arquitetura da Estação da Luz me lembrou a da Estação de Hamburgo, na Alemanha (por isto ela não me era estranha quando tomei trem lá)

Wanderlust #3 – Los Angeles – EUA (parte 3 de 4)

Los Angeles 1

O calçadão de Venice Beach

Se eu tivesse que escolher uma cidade no mundo para morar, com certeza esta cidade seria Los Angeles. É a cidade que eu imagino que seria Sao Paulo se o Brasil fosse um país sério (e se São Paulo tivesse praia).

Eu estou falando cidade, mas Los Angeles e mais do que apenas uma cidade. Explico abaixo.

LA County
A estrutura geopolitica dos EUA é um pouco diferente do Brasil. Além da praticamente independência de cada estado da federação (é só ver como existem leis bem diferentes de um pra outro), a organização é um pouco diferente.

Aqui no Brasil temos o país, que é dividido em estados e que, por sua vez, são divididos em cidades/municipios. Nos EUA existe uma outra “entidade”: o condado. O condado fica entre o estado e as cidades, ou seja, um condado é formado por várias cidades e existem vários (quer dizer, dependendo do estado nem tanto) condados dentro de um estado. Seria mais ou menos como se existisse uma entidade para a Grande Sao Paulo, ou a baixada Santista, que reuniria as cidades destas macro regiões. Porém, o condado conta com alguns aparelhos próprios, como a polícia (quando se fala em polícia de NY ou de LA, está se falando do condado, pois não existe polícia no nível de cidade), o departamento de bombeiros (algumas cidades também mantêm bombeiros), alguns tribunais e o Xerife do condado, que é o responsável pela segurança naquela macro região.

O condado de Los Angeles (LA County) é uma região gigantesca de mais de 10 mil quilometros quadrados, que se estende desde Huntington Beach, no extremo sul, ate Calabasas, no extremo norte, e é composto por cidades como a própria Los Angeles, Long Beach, Santa Monica e Malibu. Para se ter uma idéia do tamanho desta região, para sair de Huntington e chegar a Calabasas, utilizandos as Freeways e sem trânsito, demora quase duas horas. Com trânsito não menos que 4.

Nobody Walks in LA
Los Angeles 2Cada uma das cidadezinhas que compoem o condado têm suas peculiaridades e seu charme. Venice Beach é famosa pelo seu estilo mais despojado e pelo seu calçadão, que reúne uma série de artistas de rua e lojas de bugigangas (e muitas lojas de maconha medicinal….hahaha).

Santa Monica é famosa pelo seu pier, que contém alguns restaurantes e um parque de diversões, e por sua vida noturna (restaurantes, bares, clubes, etc), além de ser um região para compras.

Malibú é onde se concentram as casas a beira de praia dos artistas. Hollywood é onde se encontra a indústria cinematográfica, a famosa calçada da fama e o Hollywood Sign. Beverly Hills é famosa pelas casas dos artistas e pelas suas lojas de luxo.

Na Marina Del Rey ficam os iates, barcos e veleiros (foi o lugar onde morei). Huntington Beach é conhecida como praia dos surfistas (uma das poucas realmente boas para pranchinhas, já que o mar da região é mais propício a pranchões ou funboards).

Indo para o Vale de San Fernando (a Hollywood do cinema pornô!), se encontram o que podemos chamar de cidades dormitórios: Calabasas, Tarzana, Sherman Oaks, Canoga Park, entre outras.

Uma coisa que eu notei desta vez é que o transito está terrível, mesmo fora dos horários de pico ou aos finais de semana. As freeways (vias rápidas no meio de cidades) que cortam a região ficavam praticamente paradas das 6 da manha as 10 da noite. Mesmo utilizando o Waze, que me oferecia caminhos alternativos, nota-se que a cidade chegou ao seu limite e me fez pensar em não reclamar mais (quer dizer, já não o faço) do trânsito em SP.

Falando em SP, em Los Angeles também estão tomando medidas um tanto quanto drásticas e impopulares para tentar aliviar o transito e mudar o comportamento dos habitantes. Estão construindo (em regime de urgência) algumas linhas de metrô ligando as cidades mais distantes aos centros comerciais e industriais, construiram algumas ciclovias (já que a topografia ajuda) e, vejam só, também criaram corredores exclusivos de ônibus!

O centro da cidade (Downtown LA) também está sofrendo um processo de revitalização, onde vários predios antigos estão sendo transformados em centros comerciais e alguns deles estão inclusive sendo demolidos para darem lugar a novos prédios comerciais e eventualmente residenciais (também estão tentando atrair as pessoas para morarem perto do trabalho).

Mesmo com a falta de planejamento que ocorreu no crescimento de LA, ainda nota-se que existe ao menos algum planejamento, ao contrário de nossas cidades, onde não existe nenhum.

Espero voltar em breve a LA e, quando voltar, que muitos destes problemas ja estejam solucionados.

There’s no place like home LA

Oakwookd Suites @ Marina Del Rey - aqui onde passei 9 meses fantásticos da minha vida

Oakwookd Suites @ Marina Del Rey – aqui onde passei 9 meses fantásticos da minha vida

Em 2008, devido a um projeto da empresa onde trabalho, passei quase 9 meses praticamente morando em LA. Para quem detesta frio, como eu, já foi ótimo por emendar um verão atrás do outro (sai do Brasil no final do verão, peguei o verão de lá e voltei no final da primavera brasileira). Para ajudar, como estava a trabalho, todas as despesas foram pagas e ficava hospedado num flat a 500 metros de Venice Beach.

Apesar de ter trabalhado dobrado (em função do fuso), valeu muito a pena a experiência. A única coisa que, visitando novamente, eu me dei conta é de como eu podia ter aproveitado mais. Infelizmente, àquela época eu ainda não tinha descoberto os prazeres e as vantagens que se tem ao viajar sozinho, então praticamente não fiz turismo. Inclusive, apesar de 9 meses lá, em vários dos lugares que visitei desta vez não havia ido.

Como disse lá no começo, LA é a cidade que eu escolheria para morar. Quem sabe num futuro próximo eu não tenha uma oportunidade de passar mais uma temporada por lá.