Arquivo anual: 2014

Botecando #27 – Ó do Borogodó – São Paulo – SP

Ó do BorogodoEste é um dos lugares que eu mais gosto de frequentar em SP. É um barzinho simples, montado numa casa pequena e antiga, numa travessa da Cardeal Arcoverde (a primeira depois do cemitério). Não tem muita frescura na decoração (alguns quadros sobre a parede de tijolos), as mesas são de madeira (quando consegue-se alguma mesa), a cerveja é padrão (Original, Brahma, Serramalte, Itaipava, etc) e o cardápio não tem muita variedade.

Porém, o que faz a qualidade deste bar são os grupos que tocam no lugar e os frequentadores. Você quer ouvir música brasileira “de verdade”? Tem algum amigo gringo que está por São Paulo e quer conhecer um legítimo boteco brasileiro? Quer ir num lugar para curtir um som, ver gente de tudo quanto é tipo que está afim somente de ouvir um som, tomar uma cerveja e dançar? Então o Ó do Borogodó é o lugar.

O do Borogodo 2De segunda à segunda se apresentam grupos, compostos de ótimos músicos, que passeiam por vários ritmos da música brasileira: samba, chorinho, mpb, maracatu, forró, entre muitos outros. Tem muita música brasileira que eu fiquei conhecendo porque ouvi nas domingueiras do Ó (para mim o melhor dia, mas os outros também são muito bons).

Como a música é boa e foge do que toca na grande mídia, atrai também um público diferenciado e muito diversificado para a casa: tem senhores, jovens estudantes, casais, gringos, todos afim de aproveitar o som e, se o espaço permitir, dançar um pouco, mesmo que não se saiba dançar.

O melhor dia para mim é aos domingos. O som inicia-se entre 21:00 e 21:30, porém, para conseguir pegar alguma mesa (para pelo menos apoiar as garrafas, já que é impossível não ficar de pé e dançar) precisa chegar na hora que a casa abre, as 20:00 horas. Existem dias em que as 21:00 horas já está lotado e não se consegue entrar. Ai fica fila do lado de fora e o esquema é “só entra se alguém sair”.

O do Borogodo 1Quando lota surgem os poucos problemas da casa: como disse, é um casarão antigo, sem muita infraestrutura, então fica um calor imenso (agora colocaram até um ar condicionado, mas dependendo da temperatura externa, não dá conta), o serviço decai um pouco, pois os garçons têm que atender mais clientes e ainda se locomoverem pelo lugar lotado e na hora de pagar é um sufoco, pois tem apenas um caixa.

Os banheiros também são meio precários, mas estão sempre limpos (na medida do possível, ou seja, em que a clientela também colabora com a manutenção da limpeza).

Mas é um lugar para ir, relaxar, dançar, conhecer pessoas diferentes e interessantes. Só precisa ir com a mente e coração abertos, pois literalmente pessoas de todas as tribos ali se encontram e convivem em harmonia. E não pode ter frescura com lugares apertados e com gente suada, afinal de contas, dançar queima calorias, e mesmo nos dias mais lotados, sempre dá-se um jeito de arrumar um par e espaço para dançar.

Onde: Ó do Borogodó (Rua Horacio Lane 21, Pinheiros – São Paulo – SP)
Quando: 26/07/2014
Bom: grupos ao vivo e público
Ruim: é pequeno e quando lota a qualidade do serviço cai e gera fila na hora de pagar
Página do FB: Ó do Borogodó

Wanderlust #9 – Berlin – Teil 3: die Stadt

Os prédios com espaços no meio, que geralmente são jardins de inverno

Os prédios com espaços no meio, que geralmente são jardins de inverno

Conforme já comentado no artigo anterior, sobre a história da cidade, Berlin nasceu à margem do Rio Spree e acabou crescendo as margens deste rio. Perto do Spree é onde se encontram os bairros mais antigos da cidade, seus mais famosos museus, praças e edifícios.

O Spree hoje é inclusive uma rota turística da cidade, por onde se pode fazer excursões que passam praticamente pela maioria dos principais pontos turísticos.

Porém, com todos os acontecimentos que marcaram a história de Berlin, especialmente as guerras e a divisão da cidade durante a guerra fria, não é difícil imaginar que a cidade apresente uma variedade impressionante no que se refere à arquitetura.

Hauptbahnhof: uma maravilha da engenharia moderna

Hauptbahnhof: uma maravilha da engenharia moderna

Apesar de muitos dos edifícios que foram destruidos durante a segunda guerra terem sido reconstruidos, especialmente na parte oriental (os soviéticos eram bons nisto, na Polônia e em Dresden também existem vários edifícios que foram restaurados exatamente como eram antes dos bombardeios), existe muita modernidade convivendo com certa harmonia com construções antigas. Um exemplo é a Potzdamer Platz. A estação central de trem (Hauptbahnhof = estação de trem principal) é uma verdadeira maravilha da Engenharia e Arquitetura, tendo sido inclusive tema de um programa na Discovery (ou NatGeo, não lembro qual).

Na parte ocidental é onde se encontram os prédios mais modernos, porém, atualmente a parte oriental parece um canteiro de obras, pois apesar de os soviéticos terem reconstruído vários dos edifícios, e até terem construído uma réplica de Moscou na Karl-Marx-Alle, uma imponente avenida com quase 20 metros de largura e prédios simétricos (eles precisavam de um lugar para os desfiles militares), eles focavam esforços no que iria ficar visível para as câmeras de TV e fotografia. Ou seja, nas avenidas principais os prédios foram reconstruidos, ou foram construidas novas e imponentes edificações, porem, atrás destes a cidade era praticamente abandonada, então hoje em dia existem diversos prédios e galpões em estado precário e que estão (infelizmente) sendo demolidos para darem lugar a prédios comerciais e residenciais modernos.

Berlin Karl-Max-Alle

Karl-Max-Alle: uma avenida imponente com edifícios simétricos

Os terrenos que compunham a death strip também estão sendo, aos poucos, alvo da especulação imobiliária. Isto quase gerou um problema: a região à margem do Spree onde se encontra a East Side Gallery, a maior seção do muro ainda de pé e que se transformou em uma galeria de arte a céu aberto, foi adquirida por uma empresa que está erguendo ali um condomínio comercial. Inicialmente o plano era acabar com a East Side Gallery, porém após protestos da população, eles resolveram conservar o muro. Mas a imagem de um prédio comercial entre a East Side e o Spree não é das melhores.

Um outro resquício da guerra fria é a Fernsehturm (simplesmente “Torre de TV”): os soviéticos a construiram como um ato de provocação, para que ela fosse vista de qualquer ponto da cidade, especialmente pelos ocidentais, e conseguiram seu objetivo. Apesar de hoje em dia alguns prédios mais altos já encobrirem a visão da torre, ela é tão grande que se tornou até um ponto de referência: basta você procurá-la para saber em que direção está o centro da cidade. É possivel inclusive enxergá-la por vários minutos enquanto o avião está pousando em um dos aeroportos da cidade. Mas não pense que só os soviéticos eram filhas da puta: os americanos construiam perto dos checkpoints, os pontos por onde era possível passar de um setor à outro e onde os orientais conseguiam enxergar a parte ocidental (a death strip servia também para que o pessoal do leste não tivesse contato nenhum com o do oeste), restaurantes para que o pessoal do oriente soubesse que não havia falta de comida no ocidente.

O moderno convivendo com o antigo na margem do Spree

O moderno convivendo com o antigo na margem do Spree

Os prédios, mesmo os mais novos, têm uma característica diferente do que temos no Brasil. Aqui geralmente a posição do prédio em relação ao terreno visa aproveitar o máximo da luz do dia para as áreas de lazer e para permitir que, ao menos em parte do dia, os apartamentos sejam iluminados pela luz do sol. Em Berlin, geralmente os prédios são construídos “em volta” dos terrenos, tendo um centro aberto (que geralmente são jardins de inverno) e desta forma as “áreas de lazer” e os cômodos principais (geralmente quartos) ficam isolados do vento pela parte externa do prédio. Da mesma forma, as ruas não são retas enormes, mas sim um ziguezague (se olhado do alto), pois isto impede que o vento corra por entre os prédios.

Outra coisa interessante da cidade é que ela é praticamente plana (por isto a Fernsehturm é vista praticamente de qualquer ponto), apresentando poucos morros (Berg em alemão). Esta característica faz com que a cidade seja perfeita para o uso de bicicleta como transporte no dia a dia. Estima-se que existam 2,5 milhões de bicicletas na região metropolitana de Berlin, para uma população de aproximadamente 5 milhões de pessoas.

No fundo, ao centro, a Fernsehturm, que pode ser vista de praticamente toda Berlin

No fundo, ao centro, a Fernsehturm, que pode ser vista de praticamente toda Berlin

Mas uma das coisas que mais me impressiona em Berlin é o seu sistema de transporte público. Exceto se você morar em algum subúrbio muito distante, você praticamente não precisa de carro para se locomover na cidade. Sua rede interligada de trêns urbanos (U-Bahn), suburbanos (S-Bahn), ônibus e bondes (tram) faz com que você consiga chegar em qualquer ponto da cidade sem maiores dificuldades. E para melhorar, as sextas, sábados e vésperas de feriados o metrô funciona 24 horas.

Não sou um profundo conhecedor ou admirador de arquitetura, apesar de me interessar um pouco por urbanismo, mas creio que Berlin deva ser uma das cidades que têm o maior acervo do mundo, quando se fala em estilos arquitetônicos. E mesmo quem, como eu, não tem muito interesse pelo assunto, começa a prestar atenção em detalhes que em outros lugares passariam despercebidos e a andar olhando para o alto, para encontrar alguma surpresa no alto dos prédios ou no topo das igrejas, bibliotecas e museus.

Conversations With God – Neale Donald Walsch (12/2014)

Conversations With GodSegundo o prefácio do livro, escrito pelo próprio autor, este livro lhe foi “revelado” em um momento complexo da sua vida, onde ele estava sem perspectivas e começou a questionar Deus sobre os motivos de nada dar certo em sua vida. À partir disto Deus se revelou para ele através destas conversas.

Primeiramente quero dizer que isto pra mim é bullshit. O autor, que até tem uns conceitos interessantes sobre Deus e religião (falarei mais à frente) pensou e muito bem pensando neste livro. Esta foi minha primeira impressão do livro, já não muito boa.

A segunda também não foi das melhores. Eu simplesmente detesto livro de autoajuda e este é mais um destes tenebrosos livros, bem no estilo de “The Secret”. Apesar dos pesares, mesmo nos livros ruins se encontra algo de bom.

Como dito anteriormente, o autor se propõe, no livro, a descrever o conteudo de uma conversa que ele teve com Deus, onde este responde vários de seus questionamentos, que são comuns à maioria das pessoas normais: por que Deus, em existindo, não dá uma prova concreta e incontestável de sua existência? Qual o propósito do homem na terra? Existe inferno? E o demônio? Por que algumas pessoas boas são “castigadas” por doenças e catástrofes enquanto algumas más não são afetados por estes males?

A forma como o autor (ou o seu Deus) responde às perguntas é o que eu achei interessante neste livro. Quer dizer, algumas respostas eu continuei achando a mais pura besteira, mas o que eu gostei foi da “personalidade” deste Deus.

Mas antes de continuar, quero fazer um “adendo” para explicar minha relação com religiões.

Bem, eu me considero um cara cético. Não tenho religião e não acredito em Deus, mas também não desacredito na existência de um ser superior a ponto de me considerar um ateu. Simplesmente eu acho que religião é questão de fé. Você tem fé em algo, aquilo te faz bem e não faz mal a mais ninguém, está tudo certo. Eu nunca fui tocado pela fé e a mim não faz a mínima falta religião, assim como não me importa se existe ou não um Deus, simplesmente porque a existência ou não dele não vai afetar minha vida.

Porém, eu acho muito interessante as religiões e como as pessoas se comportam em relação à elas e gosto de estudar e, eventualmente, presenciar estas relações (os ritos religiosos, de todas as religiões, me fascinam).

Voltando ao livro e à “personalidade” do Deus “criado” pelo autor, eu acabei gostando deste personagem pois ele é justamente a imagem que eu imagino que um Deus teria, caso ele existisse:

  • Ele não tem forma nenhuma, muito menos humana, mas está presente em tudo: nos homens, na natureza, nos pensamentos, nos sentimentos.
  • Ele não é necessariamente um só, mas pode ser vários deuses, ou várias “versões” de um mesmo Deus (ou Deusa).
  • Ele não é propriedade ou ligado à nenhuma religião ou seita em específico, mas cada uma destas seitas ou religiões, são extensões dele.

E as repostas mais legais, à perguntas do autor, que ele dá no livro foram:

  • Ele não deu o livre arbítrio para o ser humano, para depois criar um monte de regras que estes tivessem que seguir e, caso estes não seguissem, seriam punidos por Ele.
  • Ele não é este ser sádico, que colocou o homem na terra para simplesmente mandá-lo para o inferno para sofrer.
  • Ele não é a solução de todo e qualquer problema, pois com o advento do livre arbítrio, ele também deu ao homem a capacidade de guiar o seu destino e, ao fazer suas escolhas, também arcar com as consequências delas.

O livro entra em detalhes do que seria exatamente Deus e a relação dos seres humanos com ele, que particularmente não me interessaram e/ou agradaram muito, mas ao menos o Deus deste livro é um Deus baseado no amor (como no Novo Testamento) e não um Deus baseado no medo (como no Velho Testamento) e esta visão de Deus é a que acho que realmente pode tornar o nosso mundo um pouco melhor.

Algumas passagens interessantes do livro:

  • Livre arbítrio: “There are those who say that I have given you free will, yet these same people claim that, if you do no obey Me, I will send you to hell. What kind of free will is that?
  • Inferno: “Even if I did hold the extraordinarily ungodly thought that you did not ‘deserve’ heaven, why would I have a need to seek some kind of revenge, or punishment, for your falling? Wouldn’t it be a simple matter for Me to just dispose of you? What vengeful part of Me would require that I subject you to eternal suffering of a type and at a level beyond description?
  • Relação do homem com a natureza: “Nothing, nothing is more gentle than Nature. And nothing, nothing has been more cruel to Nature than man
  • Morte: “…to a doctor or a nurse, death is failure. To a friend or relative, death is disaster. Only to the soul is death a relief – a release
  • Intolerância: “You do worse than condemn – you actually seek to do harm to that which you do not choose. You seek to destroy it. If there is a person, place, or thing with which you do not agree, you attack it. If there is a religion that goes against yours, you make it wrong. If there is a thought that contradicts yours, you ridicule it
  • Amor x Expectativas: “Man often feels he needs a return on his investment. If we’re going to love someone, fine – but we’d better get some love back. That sort of thing. This is not passion. This is expectation
  • Sofrimento: “I am not pleased by suffering, and whoever says I am does not know me. Suffering is an unnecessary aspect of the human experience. It is not only unnecessary, it is unwise, uncomfortable and hazardous to your healt…suffering has nothing to do with events, but with one’s reaction to them
  • Imperfeição humana: “You are making mock of Me. You are saying that I, God, made inherently imperfect beings, then have demanded of them to be perfect, or face damnation
  • Relacionamentos: “You have no obligation in relationship. You have only opportunity. Opportunity, not obligation, is the cornerstone of religion, the basis of all spirituality. So long as you see it the other way around, you will have missed the point
  • Dinheiro: “Most people do what they hate for a living, so they don’t mind taking money for it. ‘Bad’ for the ‘bad’, so to speak…For you, therefore, to receive large amounts of money for what you do would be, in your thought system, taking ‘bad’ for the ‘good’ and that is unacceptable to you

Wanderlust #8 – Berlin – Teil 2: die Geschichte

Brandemburger Tor

Brandemburger Tor (Portão de Brandemburgo) e sua famosa quádriga.

Uma das coisas que mais me atraem nos lugares que visito é a história daquele local. Através da história se explica a arquitetura, o comportamento do povo, os pontos turísticos e históricos e te dá um panorama geral do porque daquele local ser daquele jeito e atrair turistas. Para continuar contando um pouco de Berlin, acho que se faz necessário contar um pouco da história da cidade, especialmente porque alguns fatos são bem recentes (eu vi no Jornal Nacional as cenas das pessoas quebrando o muro e via notícias sobre tensões da guerra fria). Então, neste segundo post sobre Berlin, um pouco dos fatos que moldaram esta cidade fantástica:

Alguns séculos antes de Cristo, a região à beira do rio Spree já era habitada por algumas tribos, porém o primeiro documento em que o nome Berlin é mencionado, então como um povoado, é de 1237. Mais tarde, em 1307, ao se juntar com outro povoado (Cölln), também às margens do Spree (onde hoje se localiza o Nikolaiviertel), se torna definitivamente um município.

Em 1486 torna-se sede do território que atualmente constitui o estado alemão de Brandemburgo. Com a subida de Friedrich Whilhem ao trono de Brandemburgo, em 1640, a cidade desenvolveu-se rapidamente. No início do século XVIII, o sucessor de Friedrich Whilhelm, Friedrich III, transforma Brandemburgo num reino e é coroado como Friedrich I da Prússia e Berlin torna-se a capital do reino da Prússia.

No começo do século XIX, Napoleão derrota a Prússia e ocupa Berlin, levando para Paris a quádriga (biga é um carro utilizado em esportes e combates que é conduzido por 2 cavalos, quádriga é um com 4) que decorava o já existente Portão de Brandemburgo, até hoje uma das atrações mais conhecidas da cidade. Com a queda de Napoleão, a quádriga voltaria para Berlin e seria recolocada sobre o portão.

Ainda na primeira metade do século XIX, começa o processo de industrialização de Berlin, o que acelera o desenvolvimento da cidade.

Na segunda metade do século XIX, Otto von Bismarck, através de guerras contra a Dinarmarca, Áustria e França, consegue unificar os povos de língua alemã sob o Império Alemão, no que é conhecido como o segundo Reich. Berlin se torna então a capital do Império Alemão e recebe diversos projetos de infraestrutura urbana.

No começo do século XX a cidade já tinha quase 2 milhões de habitantes. A primeira guerra mundial, que culminou com a derrocada do Império Alemão, não chegou a impactar consideravelmente a cidade, que continuava a ser capital da Alemanha e seu centro cultural, intelectual e político. Com a nomeação de Hitler ao posto de chanceler, em 1933, a história da cidade começaria a mudar radicalmente.

Primeiramente Hitler pretendia demolir e reconstruir Berlin e, à partir do início da segunda guerra, Berlin sofreria diversas mudanças que a transformaram no que ela é hoje. Primeiramente foram os seguidos bombardeios sobre a cidade que ocorreram por praticamente 5 anos e destruiram a maioria dos edifícios, e depois foi o processo de ocupação pelos vencedores do conflito.

Berlin WallEine geteilte Stadt
Com o fim da segunda guerra e a derrota da Alemanha os quatro países vencedores do conflito (Inglaterra, França, Estados Unidos e União Soviética) resolvem dividir o país em quatro regiões, a serem controladas, temporariamente, por cada um dos vencedores. Berlin ficaria dentro da parte sob controle da URSS, porém, como a cidade era um centro cultural e intelectual, os quatro países negociam na cidade de Potsdam (uma cidade na região metropolitana de Berlin, capital do estado de Brandemburgo, falarei desta bela cidade mais pra frente) que Berlin também seria dividida em quatro setores, cada um sob administração de um dos países.

Aqui vem o primeiro engano de muita gente (inclusive meu): o muro de Berlin, que seria construido mais tarde, na verdade não “dividia” a Alemanha, ou mesmo Berlin, entre duas partes, mas sim cercava a área que estava sob controle dos aliados do oeste, já que a cidade inteira ficava dentro da região sob controle soviético. Ou seja, era uma prisão onde as pessoas queria entrar.

Afim de disseminar sua ideologia e evitar a disseminação da ideologia dos países do oeste, os soviéticos começam a bloquear as fronteiras terrestres, as linhas de trem e até a controlar o acesso fluvial, tanto para cidadãos que sairiam da parte sob seu controle, quanto para os que desejavam entrar. Em 24 junho de 1948, este bloqueio é extendido também para as cargas que chegariam à parte ocidental de Berlin, com a intenção de que os aliados do oeste abandonassem os seus setores, permitindo assim o controle soviético em toda a cidade. Porém, os aliados do oeste montam uma das maiores operações aéreas da história (os acessos terrestres, fluviais e ferroviários estavam bloqueados, porém, existia um corredor aéreo previamente negociado) para abastecer a parte ocidental de Berlin com os insumos necessários. O Berlin Airlift, como ficou conhecido, teve como base o aeroporto de Tempelhof (que até a unificação se transformou também em base aérea americana) e durou até 11 de maio de 1949.

Berlin Wall FallComo as fronteiras com o ocidente estavam fechadas, os residentes da alemanha oriental se dirigiam até Berlin, afim de tomar aviões para outras partes do país e assim fugir da área de controle soviético. E ai começa uma das histórias mais emblemáticas do século passado.

Berliner Mauer
Para impedir a fuga dos alemães orientais para o ocidente (a esta altura, a República Democrática Alemã já havia sido fundada pelos soviéticos), os soviéticos começam a bloquear, começando por pontes que davam acesso aos setores ocidentais (trechos dos rios que cortam Berlin já haviam se tornado “fronteiras” naturais) e estações de metrô e trem (várias estações ficaram desativadas, pois ficavam na ou muito próximo à divisa, elas ficaram conhecidas como “estações fantasmas” – Geisterbahnhöfe), os acessos à Berlin ocidental.

Porém, muitas ruas, parques e terrenos ficavam entre os dois setores e, somente as patrulhas não conseguiam conter as fugas. Em 1961 dá-se o início da construção do muro. Inicialmente alguns trechos foram construidos em ruas ou parques, ou mesmo nas margens dos rios, para evitar a passagem. Muitos prédios tiveram os acessos ao lado ocidental bloqueados, porém, os moradores continuavam a pular as janelas para acessar os setores americano, francês e inglês da cidade.

A Bernauer Straße foi uma das ruas mais utilizadas como rota de fuga, já que as janelas davam exatamente para o lado ocidental. Em determinado momento, os moradores dos apartamentos de frente para o lado ocidental são deslocados para outros apartamentos e as janelas são fechadas com tijolos.

Alguns anos mais tarde, afim de reforçar a segurança, alguns prédios (a maioria dos prédios da Bernauer Straße, por exemplo) seriam demolidos para dar lugar ao muro (a segunda versão, a primeira, construida em 1961 era mais rústica e a segunda, construída ao longo dos anos, é a mais conhecida e feita de blocos pré fabricados) e para compor o que ficou conhecido como a “faixa da morte” (death strip): uma área de segurança próxima ao muro, onde existiam barreiras (geralmente arame farpado), as torres de observação e onde os veículos de patrulha circulavam.

Até a queda do muro, em novembro de 1989, oficialmente morreram 138 pessoas (alemães orientais tentando escapar, alemães ocidentais que estavam próximos ao muro e foram mortos por “acidente” e oficiais que foram mortos por tentarem desertar ou por acidente), porém, como as informações do lado oriental não eram confiáveis e muitas vezes eram manipuladas, imagina-se que este número tenha sido maior.

Além disto, sabe-se que a criação do muro e a restrição de circulação, quando não a separação de famílias e amigos, foi causador de muitos casos de stress e depressão que, provavelmente, podem ter causado a morte de mais pessoas, dos dois lados do muro.

Berlin Wall Fall2Na noite de 9 de Novembro de 1989, já com a URSS à beira do colapso e a guerra fria quase no fim, os cidadãos berlinenses, após a declaração de um oficial do governo da DDR (Günter Schabowski), que se enrolou com as palavras e, ao invés de dizer que a fronteira seria aberta “em pouco tempo” (sobald), disse “imediatamente” (sofort), dezenas de milhares de cidadãos se dirigiram para os postos de controle afim de deixar o quanto antes a parte oriental de Berlin (aliás, cidadãos de outras cidades da DDR também se dirigiram para lá, mesmo sendo tarde da noite), os guardas da fronteira, diante de tanta gente, preferiram recuar, o que possibilitou que muita gente, por conta própria, começasse ali a demolição do muro, criando assim vários “pontos de cruzamento de fronteira” não oficiais.

Em 3 de Outubro de 1990, a Alemanha foi oficialmente reunificada e Berlin recebeu novamente o status de Capital da Alemanha.

Botecando #26 – Empório Alto dos Pinheiros – São Paulo – SP

EAP1

O Empório Alto dos Pinheiros é o paraíso na terra para os apreciadores de cervejas (não gosto de usar a palavra “gourmet”, puta viadagem!!!). Ele é basicamente uma loja especializada em cervejas (mas também se encontram vinhos, cachaças e produtos importados de outros gêneros) que também funciona como um bar.

EAP2O sistema ali funciona um pouco diferente dos bares comuns: você vai até as geladeiras, escolhe a cerveja que quer (pode-se checar o valor num leitor de codigo de barras), vai até um garçom e pede para ele abrir. Ele vai até sua mesa com o copo apropriado e abre a cerveja para você. Tudo é anotado em comandas, que podem ser individuais.

Outra opção são as cervejas nas taps. Normalmente eles disponibilizam até 34 “torneiras” com cervejas dos mais variados tipos e países. Algumas são praticamente fixas (Delirium, Guinness, Weihenstephaner, etc), mas a maioria das torneiras recebem regularmente novas cervejas, inclusive de cervejarias brasileiras.

Aqui uma explicação: o pessoal chama de “chopp” Heineken, “chopp” Guinness, só porque são servidas em torneiras e no Brasil isto é muito comum para chopp. Mas na verdade trata-se de cerveja. Chopp (ou chope) é uma cerveja que não passa pelo processo de pasteurização e raramente, por conta de regulamentos das agências dos demais países, é permitida a venda de produtos industrializados sem que estes passem pelo processo.

Portanto, apesar de até o garçom dizer que tem “chopp” da Guinness, na verdade tem cerveja Guinness da torneira (tap em inglês americano) ou do Barril (Fass em alemão ou cask em inglês britânico).

Eles também tem uma cozinha que prepara petiscos, pratos e lanches muito bons.

EAP3De acordo com a casa, eles comercializam cerca de 700 rótulos diferentes de cervejas, porém, apenas uma parte delas ficam nas geladeiras e as demais são vendidas somente “para viagem” e talvez este seja o único “defeito” da casa. Se bem que imagino que isto seja uma jogada de marketing, pois é praticamente impossível você ir até lá para um happy hour e não levar pelo menos uma meia dúzia para experimentar em casa.

Como cervejeiro da velha guarda (o mercado de cervejas especiais no Brasil é recente, então posso me considerar um “dinossauro”), acho muito legal o sucesso de casas como o Empório Alto de Pinheiros e do interesse do brasileiro por tomar cerveja para apreciá-la e não somente para “matar a sede” ou para encher a cara.

Onde: Empório Alto dos Pinheiros (Rua Vupabussu, 305, Pinheiros, São Paulo, Brasil)
Quando: 16/07/2014
Bom: variedade de cervejas e preço
Ruim: Nada
Site: http://www.altodospinheiros.com.br/

Mal tá a mídia! O rock vai bem, obrigado!

Malta1Todo domingo, nos últimos 2 meses (pelo menos), tenho visto comentários no facebook e grupos de whatsapp sobre como o “rock nacional foi salvo” por uma tal de Banda Malta, Banda Suricato, Banda Jamz. Sei que se trata de participantes do programa Superstar (um The Voice para bandas), da rede Globo.

Como não costumo assistir televisão, e passei as últimas 4 semanas fora do Brasil, nunca tive a oportunidade (ou curiosidade) de ver. Mas diante de tanto burburinho a respeito, especialmente durante a final do programa, fui atrás para conhecer um pouco e realmente me inteirar destes “fenômenos” recem descobertos.

Antes de continuar, um adendo: não assisto TV simplesmente por ter outras formas de entretenimento (livros e séries americanas), não porque eu acho que a TV é “imbecilizante”. TV, livros, música servem primariamente para entreter, e neste ponto a TV brasileira atinge seu objetivo. Aliás, eu inclusive detesto os “caga regras” que dizem que a Globo não acrescenta nada, que Funk não ensina nada. Quem tem que educar e ensinar são os pais e a escola. Como disse, TV, música, etc são apenas formas de entretenimento, e se um Funk ou Sertanejo vende um milhão de cópias (ou tem 10 milhões de views no youtube), ele cumpriu sua função. Aliás, para não dizer que eu nunca vejo TV, além de Fórmula 1 e Futebol, não perco um Esquenta!, simplesmente porque acho divertido.

Mas voltando ao assunto principal, dei uma pesquisada e assisti alguns vídeos destas bandas citadas (e que foram as mais comentadas nas redes sociais). São bandas boas. Porém quando executam covers, não são melhores que a Rockover, Mr Kurk, Armagedon e várias outras bandas covers que tocam na noite paulistana em palcos como o Piu Piu, Wild Horse e Stones. Talvez eles tenham mais recursos (tempo e grana) para adquirirem equipamentos melhores, ensaiarem mais e produzirem melhor suas músicas. Mas não creio que tenham mais ou menos talento do que meus amigos do Le Passage, por exemplo (além das já citadas).

Quanto as músicas autorais, gostei da música que a Jamz tocou no final, mas não faz nada de diferente do que o Jota Quest fazia no começo da carreira, imitando o Jamiroquai. O som da Banda Malta (que foi a vencedora) eu achei bem simples, nada mais que sertanejo com um arranjozinho um pouco melhor, mas nada que “salvasse o rock nacional”.

Aliás, este é o problema: o rock nacional não precisa ser salvo! A disseminação da internet e o acesso à tecnologia de produção musical (hoje com um bom notebook e mais um software você consegue montar um bom estúdio caseiro), fizeram com que a produção musical, que antes era centralizada em grandes gravadoras, se espalhasse, por isto hoje é mais raro ver um grande sucesso estourar nacionalmente. Mas por outro lado, a variedade e quantidade de bandas boas que surgiram nos últimos tempos têm impressionado.

Basta dar uma procurada que você vai achar coisas ótimas como os piauienses do Guardia Nova (Quando Chegar é uma obra prima!), bem como o Violante (um projeto de um dos membros do Guardia Nova), o rock à lá Los Hermanos dos brasilienses do Lafusa (infelizmente a banda anunciou uma pausa), a mistureba dos paulistanos do Zabomba, o hard rock em ingles dos goianienses do Black Drawing Chalks.

Sem contar os caras que estão há tempos na luta, como O Rappa (a melhor coisa surgida nos desde 1990 no rock nacional!) e o Skank (que abandonou aquele pop-ska chato do início de carreira e hoje bebem descaradamente nas fontes dos Beatles e do Clube da Esquina, o que é ótimo!). Tem ainda os “dinossauros” como o Lobão (sempre um ótimo compositor, arranjador e músico), o Paralamas, a volta do Ira! Rola até umas coisas mais pops (pra mim chatas) como o já citado Jota Quest, Lulu Santos e o Capital Inicial.

Um pouco fora do Rock temos a grata surpresa do Bixiga 70, os sempre competentes músicos do Funk Como Le Gusta, a soulzera da Nova Black Rio, os violeiros/rockeiros do Moda de Rock, o jazz “espacial” do Liquidus Ambiento, o jazz/chorinho com cavaquinho(!) do Galinha Caipira Completa e muitos outros.

Ou seja, não falta música de qualidade, o que falta é nego parar de esperar que tudo caia no colo e correr atrás para descobrir coisas boas, até porque, se depender da grande mídia, que também está perdidinha com esta disseminação/democratização da indústria de entretenimento, ela vai “fabricar” sucessos para tentar manter as coisas sob controle.

Então sugiro uma coisa: na próxima edição do Superstar ou do The Voice (ou qualquer outro parecido), ao invés de você assistir o programa inteiro, assista somente a segunda metade, durante a primeira, navegue por sites como A Musicoteca, Trama, o próprio Youtube, entre outros e você verá que existem artistas tão bons (e muitos até melhores, bem melhores), do que os que estarão se apresentando no programa. Inclusive melhores do que os jurados destes programas.

P.S. Sim, o título é um trocadilho infame, por que eu adoro trocadalhos do carilho!!!…..hahaha
P.S.2. Nos links tem “amostras” dos sons destas bandas.
P.S.3. O SESC também tem muito show bom a preços acessíveis, do tipo que dá pra você arriscar ir num show de uma banda desconhecida (convenhamos que hoje com uma googlada se acha videos, mp3s, etc) sem medo de “desperdiçar” dinheiro.

 

Wanderlust #7 – Berlin, teil 1: Die Leute

0901 Berlin - Mauerpark

Karaokê no Mauer Park: o berlinense gosta de atividades coletivas

Ufa! Até que enfim! Esta era para ser a primeira cidade a ser tema da “coluna” Wanderlust do Botecoterapia, mas o negócio começou a ficar interminável e como eu já estava prestes à voltar para cá (escrevo este texto “in loco”), resolvi “soltar” os textos dos EUA (que também foram escritos “in loco”) e o de Parati enquanto estavam “frescos” na memória. O momento é até mais legal, pois pelo fato de terem poucos brasileiros na escola (não conheci nenhum, pois não tem nenhum na minha sala), acabei fazendo mais programas sozinhos e, para ajudar, é mês de copa, e pelo que tenho percebido, os alemães adoram assistir os jogos coletivamente, principalmente no que eles chamam de “WM Public View” (WM é a abreviação de Weltmeister, campeonato mundial).

À exemplo do texto dos EUA, em que quebrei em várias partes, para não ficar algo longo e chato, farei o mesmo com os textos de Berlin. Estou prevendo inicialmente 6 textos, abordando diversos aspectos da cidade, sua gente e suas atrações, porém como estou aqui e as experiências ainda estão sendo vivenciadas, este número pode mudar e, eventualmente, posso até voltar num assunto já tratado. Para iniciar, falarei um pouco sobre os berlinenses.

Os Alemães, por conta de todos os acontecimentos do século passado dos quais eles foram causadores e/ou protagonistas (duas guerras mundiais, guerra fria, muro de Berlin, Holocausto, etc) carregam em si uma culpa enorme.

Além dos vários monumentos em toda a parte para homenagear as vitimas e relembrar estes terríveis acontecimentos (“nós não podemos nos esquecer para que não aconteça novamente”, é a justificativa para tantos monumentos), a Alemanha tem sido um dos principais países à contribuir com causas sociais e humanitárias, com recuperação econômica de outros países e, mesmo com uma recente crise em países da zona do Euro, por culpa única e exclusiva destes, não abandonou o barco para não deixá-los à deriva (fato que poderia desencadear em uma crise bem pior, caso ocorresse). Talvez isto seja uma forma de autopunição na tentativa de expiar os pecados de um passado recente.

Verão é a época de atividades ao ar livre em Berlin

Verão é a época de atividades ao ar livre em Berlin

O Berlinense, por sua vez, já passou por esta fase. Eles tiveram a cidade dividida como um espólio da guerra e viveram uma divisão física e todas as tensões de ser a fronteira entre os contendores da guerra fria. Portanto, seus pecados aparentemente já foram pagos e com isto eles evoluiuram e o Berlinense é acima de tudo tolerante. Ele tem tolerância de gênero, de orientação sexual, de credo, de etnia e tudo quanto é tipo. Em Berlin, a frase “quer aparecer pendure uma melância no pescoço” é totalmente ineficaz, pois por mais que alguém não ache legal ou não goste de alguém com uma melância no pescoço, ele tende, genuinamente, a aceitar e respeitar.

Então ao andar de metrô por aqui você vê gente de todas as etnias, credos, culturas, etc. Os muçulmanos podem usar seus turbantes e barbas sem problemas, vejo todo dia mulheres de burka, você encontra uma senhora sexagenária com o cabelo moicano pintado de rosa, piercing e tatuagens por todo o corpo conversando com moleques de 15 anos vestidos com o melhor da moda nerd, casais homossexuais passeiam sossegadamente de mãos dadas, etc. Existe uma tolerância muito grande também aos imigrantes, sejam eles legais ou ilegais.

Dos países da zona do Euro, a Alemanha talvez seja o que mais consegue lidar com estas ondas migratórias e Berlin, em especial, é uma cidade que recebe e tenta, de algum modo, propiciar oportunidades para estas pessoas.

Além da tolerância, uma outra característica que é inerente aos berlinenses (muito provavelmente pelos mesmos motivos) é aproveitar a vida da melhor forma possível. E para eles, aproveitar a vida não é uma questão de grana, de posses. Eles querem apenas se divertir, tomar sua cerveja, assistir seu futebol, aproveitar os poucos meses de tempo bom ao ar livre, seja fazendo churrasco nos parques, seja apenas sentando na beira de um rio para aproveitar o clima ameno.

O povo é festeiro!

O povo é festeiro!

Estando desta vez sozinho “mesmo”, tenho tido a oportunidade de conversar bastante com alemães, especialmente nas exibições dos jogos da Copa. Uma coisa bem legal que existe por toda a Alemanha e que propiciam uma oportunidade maior de contato são as mesas coletivas em bares, Biergartens, restaurantes, etc. Toda vez que estou numa destas mesas, a pessoa que está do lado puxa conversa, se apresenta e, na medida em que meu alemão permite (quando esta pessoa não fala inglês) acontece uma conversa bastante amistosa, com os alemães muito interessados em saber onde eu moro no Brasil, o que eu faço, o que as pessoas fazem, como é o clima, as ruas, as pessoas.

Aqui um adendo interessante: já é a minha terceira vez na Europa e já fui uma dez vezes aos EUA. Os alemães, ao saberem que sou do Brasil, é o um dos poucos povos (o pessoal do leste europeu também age como eles) que não fala da “mulher brasileira” (no melhor estilo chauvinista, especialmente americanos e ingleses) ou de futebol (especialmente italianos e espanhóis). Ele parece se interessar genuinamente por uma cultura diferente da deles.

Mesmo no metrô ou na rua, se vc está com alguma camiseta engraçada, ou se acontece algo engraçado (como o exemplo do rapaz que foi tirar uma foto e virou o copo de cerveja que estava segurando nele mesmo), eles fazem piadas, dão risada e todo mundo leva na esportiva.

Dizem que os brasileiros são um povo que ri das próprias desgraças. Eu acho que o Berlinense é o povo que, apesar de ter sofrido e causado várias desgraças, aprendeu a rir da vida e sem a necessidade de se fazer de coitadinho, como os brasileiros.

Quer dizer, eles até se fazem um pouco de coitados, pois foram eles que, infelizmente, ficaram sob o controle da antiga URSS e, enquanto o restante do país, que estava sob o controle de EUA, França ou Inglaterra, se desenvolveu absurdamente em menos de meio século, Berlin ficou parada no tempo (inclusive o setor ocidental). Mas acho que este “coitadismo” deles, tem mais a ver com dar uma de pobre (em comparação com o restante da Alemanha, especialmente a região da Bavária, e outros países europeus, Berlin é sim pobre) e pagar menos na cerveja……hehehe.

Afinal de contas, como diz o lema: Bier ist billiger als Wasser, das ist Berlin!

Tá certo que o pragmatismo e o “metodismo” alemão várias vezes são irritantes (e olha que eu sou um cara metódico pra caramba!). A inflexibilidade deles também é algo que é complicado de lidar, ainda mais para nós, por conta do nossa “maleabilidade” (o famoso “jeitinho brasileiro”), mas mesmo assim, de todos os povos que eu conheci, por incrível que pareça, eles são um dos mais amistosos.

Berlin Tempelhof: uma aula de ocupação dos espaços públicos

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Já havia falado no meu texto sobre a Virada Cultural (aqui) que eu acho muito legal os movimentos que ocupam os espaços públicos nas cidades, especialmente nas grandes, onde a “luta” pelos espaços é intensa.

Infelizmente os espaços ficam cada dia mais escassos e existem vários atores que lutam para ocupar estes espaços, entre os principais, destacam-se a própria população, as empresas do ramo imobiliário e, de certa forma até o crime organizado. Quem já jogou War sabe que, quando um jogador conquista um território, se ele se estabelecer ali, fica praticamente impossível retomar aquele espaço. O mesmo acontece com os espaços urbanos nas grandes cidades (a região da cracolândia, em São Paulo, é um grande exemplo).

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Pistas de pouso e taxiamento transformadas em pistas de cooper e ciclovias

Por isto acho que quanto mais a população ocupar estes espaços, estabelecendo aquilo como de uso público, mais as outras “forças” têm que recuar e ceder aquele espaço. Da mesma forma, se a população recua e se contenta em ficar restrita à sua casa, seu condomínio ou a espaços privados de terceiros (shoppings, cinemas, etc), a chance de retomar aquilo que deveria ser usado para um bem coletivo diminui.

Nesta minha segunda viagem à Alemanha tive a oportunidade de conhecer o Tempelhof, um aeroporto desativado que tem se transformado, nos últimos anos, em um parque. A minha curiosidade em conhecer o Tempelhof era justamente por ser um aeroporto, mas ao entender como ele está sendo construido, minha motivação para percorrê-lo praticamente todo era entender um pouco mais deste processo.

A história do Tempelhof
O aeroporto de Tempelhof, que já era usado como pista de lançamento desde o início do século 20, foi declarado oficialmente um aeroporto em 8 de Outubro de 1923. Foi o aeroporto onde a Lufthansa, a maior empresa aérea alemã e uma das maiores do mundo, foi fundada em 1926.

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Jardim comunitário: os moradores do entorno do parque cultivam ali seus jardins

O terminal de passageiros, bem como seus hangares, foram durante muito tempo considerados os maiores do mundo. Foi também o primeiro terminal de passageiros do mundo a ter uma ligação direta com uma estação de trem ou metrô. Por sua imponência e tamanho, ele era um dos símbolos da força e poder do povo alemão durante o regime nacional socialista de Hitler, tendo este inclusive utilizado o aeroporto para um de seus mais célebres discursos, em maio de 1933, que segundo estimativas, foi presenciado por cerca de meio milhão de pessoas.

Durante a guerra fria, com os acessos terrestres e fluviais bloqueados pela URSS, o aeroporto foi muito importante para abastecer o setor ocidental de Berlin de comida, combustível e outros insumos e, durante este tempo serviu, além de aeroporto, como uma base aérea americana.

Após a queda do muro e a unificação da Alemanha, houve uma decisão política de se manter apenas um aeroporto na cidade e o escolhido foi o Schönefeld. Mais tarde houve a decisão de manter um segundo aeroporto, sendo este o Tegel (que originalmente também seria fechado). O aeroporto de Tempelhof foi ocifialmente fechado em 30 de Outubro de 2008, porém 3 aeronaves não puderam decolar naquele dia devido ao mau tempo e só deixaram o aeroporto em 24 de Novembro de 2008, quando então o aeroporto deixou de operar definitivamente.

O Tempelhof era tão grande, levando-se em consideração a época que ele foi construído, que chegou a abrigar uma feira aeronáutica em 1976, que teve inclusive o pouso e decolagem de um 747 da Pan Am, então a maior aeronave comercial em operação.

A ocupação
Com o aeroporto fechado e todo aquele terreno à disposição, a população vizinha ao aeroporto começou a utilizá-lo eventualmente para algumas atividades de lazer. Apesar de terem existido algumas atividades oficiais, como corridas nas pistas e feiras nos hangares, foram as atividades espontâneas que talvez mudaram o futuro do espaço.

Primeiro algumas pessoas começaram a “invadir” aos finais de semana para andarem de bicicleta, de skate ou apenas para correr nas pistas. Nas áreas próximas às entradas, e longe das pistas de asfalto, algumas pessoas aproveitavam a grama para jogarem futebol ou vôlei. Depois as pessoas começaram a fazer churrascos dentro do local, ou a levarem seus cachorros para um passeio sem coleira.

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Curso de minigolf montado pela própria população, com restos de aviões ali encontrados.

Em Agosto de 2009 a prefeitura de Berlin anunciou oficialmente que iria transformar o local em um parque. Porém, diferentemente do que normalmente vemos acontecer, onde o aparelho público chega e define que tipo de atividades existirão no local (por exemplo: terá um campo de futebol, duas quadras de tenis, tantas mesas para piqueniques, etc), como o local já estava sendo usado pela população, o tipo de atividade que está sendo desenvolvida no parque está sendo criada pelos próprios frequentadores conforme a utilização do espaço (a prefeitura só bloqueou acesso a algumas áreas que funcionam como santuário de pássaros).

Atualmente existem duas grandes áreas destinadas à churrasco, um grande campo de futebol, três quadras poliesportivas menores, três “dog parks” onde os donos podem soltar seus cachorros (cada um deles é destinado a determinado porte de cachorro), entre outros equipamentos. Os moradores vizinhos construíram também um “campo” de minigolf, utilizando-se de peças de aviões que estavam abandonadas no local.

Além disto, os moradores mantêm outros projetos dentro do agora parque, como um jardim comunitário, onde estas pessoas vão desenvolver atividades de jardinagem, que na maioria das vezes constitui-se no hobby delas, mas que por falta de espaço nos edifícios onde elas vivem, não seria possível desenvolver.

Assim como aconteceu com a East Side Gallery, que iria ser demolida para dar lugar a prédios comerciais (os prédios estão sendo construídos, mas a galeria foi mantida, mesmo assim a visão de um prédio comercial na beira do Spree, atrás de pedaços do muro de Berlin, não é legal) e a população interviu para que isto não ocorresse, no Tempelhof ocorre algo parecido, com uma intervenção ainda maior da população, seja brigando junto aos órgão para que eles equipem o parque com os aparelhos necessários, seja eles mesmo se unindo e contruindo estes aparelhos.

Ainda bem que eles tomaram a iniciativa pois, se não houvessem tomado, talvez teriamos neste momento um canteiro de obras construindo prédios residenciais, comerciais, ou pior ainda, um shopping naquele local. Parabéns aos berlinenses!!!

Wanderlust #6 – Amsterdam, Holanda

094Eu já disse que se eu tivesse que escolher um lugar para morar este seria os Estados Unidos, porém, para mim um lugar para se passear é a Europa. Por mais que o Brasil e o Caribe tenham praias sensacionais, os EUA tenham alguns lugares bem interessantes (como New York, Philadelphia, a Califórnia e o Hawaii), o que me atrai mesmo é cultura e história e isto na Europa você encontra em cada canto de cada cidade.

Na charmosa Amsterdam não seria diferente e cada edifício, cada parque, cada praça da cidade tem uma história para contar.

Como nas demais viagens que fiz à Europa, não fiz muitos planos sobre o que fazer na cidade (apesar de ter algumas coisas em mente) e, assim que cheguei, aproveitando o restante do longo dia dos verões Europeus , fiz um “reconhecimento” andando cerca de 20kms durante umas 6 horas aleatóriamente, assim pude “descobrir” algumas coisas interessantes (algumas nem tanto!) que poderia fazer nos demais dias na cidade.

Depois de algumas pesquisas em sites sobre as atrações pude montar minha programação, que durou mais dois dias. Parece pouco tempo, mas além das cidades Européias, na sua maioria, serem pequenas (se comparadas à São Paulo ou Los Angeles, por exemplo), o dias são realmente longos no verão, com o sol começando a se por às 22:00hrs, então, para quem tem pique de acordar cedo e resolver aproveitar bastante, dá para passar cerca de 10, 12 horas por dia passeando.

É claro que a gente sempre acaba dando uns tiros n’água ou deixando de fazer alguma coisa interessante, mas o barato de “mochilar” também é este.

Aqui vai um resumo do que eu vi, o que gostei e não gostei, do que poderia ter visto, etc. Além de algumas dicas e observações.

Imperdível:

  • Casa da Anne Frank: se você não leu o livro (O Diário de Anne Frank), primeiramente leia e depois vá conhecer o local. Creio que por mais emocionante que seja e por mais que esta triste história seja contada no Museu, a experiência não será tão intensa como se você soubesse da história pelo próprio protagonista.
  • Museu Van Gogh: museus de arte costumam ser um pouco enfadonhos para quem não conhece muito (meu caso), mas neste caso, como o Museu também conta a história da vida e do desenvolvimento deste artista, foi muito interessante. Eu que não conhecia muito, acabei me interessando mais por sua vida e obra.
  • 144Brouwerij ‘t IJ: esta é uma cervejaria artesanal de Amsterdam que produz cervejas de uma qualidade altíssima. Porém, mesmo para quem não é um apreciador da bebida ou sua história, é imperdível pois fica ao pé de um dos 3 últimos moinhos da cidade, sendo este o único ainda ativo (usado na moagem dos ingredientes da cerveja alí produzida). Além da qualidade, as cervejas são baratas em comparação à outros cafés (assim que se chamam os “pubs” de Amsterdam. Favor não confundir com os coffeshops, que é onde se consome maconha…hehehe). Em média, em uma Heineken ou Amstel (as cervejas populares holandesas), paga-se 6 euros num pint em lugares normais, porém, aqui paga-se entre 2,20 e 3,00 euros para tomar cervejas diferentes e ótimas (copo de 300mls). Sugiro pedir o “sample” de cervejas, que é composto por 5 copos de 100mls de tipos diferentes por módicos 8 euros.
  • Cerveja na Reimbrandplein e na Leidseplein: estas duas praças são cercadas de cafés, restaurantes, coffeshops, lojas de souvenirs e é onde os locais vão ao final da tarde para o happy hour. Os turistas se juntam à estes e vira tudo uma torre de babel bem legal. Para ajudar, aparecem um monte de artistas de rua tocando, fazendo performances, etc. É uma ótima pedida para o final de tarde quando se está cansado de andar e precisa relaxar um pouco.

Não vale a pena:

  • Red Light District: primeiro quero dizer que não sou contra a prostituição, achando inclusive que ela deveria ser legalizada no Brasil. Também sou a favor de que cada um faz o que quer com seu corpo e com sua vida, tendo inclusive o direito de abdicar dela. Porém eu não sei em que lugar do mundo ver seres humanos expostos numa vitrine como se fossem objetos é legal. Eu esperava algo diferente (como na Reeperbahn de Hamburgo, um dia este artigo sai!) e me decepcionei. Só valeu a pena mesmo algumas risadas com as figuras “perdidas” nas proximidades e pelo ótimo bife ancho que comi num fast food argentino.
  • Ice Bar: se você algum dia já teve vontade de entrar num freezer, esta é a oportunidade. Como eu nunca tive, não acabou valendo nem pela cerveja no copo de gelo, já que ela perde o gosto.

Se tiver tempo:

  • Heineken Experience: esta é para os apreciadores de cerveja. Tudo bem que a Heineken é uma cerveja popular (e na Alemanha seria como se fosse uma nova schin ou bavária no Brasil), mas é interessante para conhecer o processo de fabricação de uma cerveja, a história e para comprar alguns souvernirs da marca.

007Deveria ter feito:

  • Passeio de barco pelos canais: este é um que eu sempre acabo não fazendo. Talvez seja porque eu não gosto de passeios em que eu não possa sair na hora que eu quero. Mas deve ser um passeio bem legal. Para os casais, tem opções de passeios com jantar à noite. Ou para os que vão atrás de baladas, eventualmente existem baladas e barcos que percorrem alguns dos canais.
  • Rijksmuseum: eu gosto sempre de, nas cidades que eu conheço, procurar algum museu que conte a história daquela cidade e principalmente daquele povo. No Rijks tem isto e é também um museu de arte. Infelizmente pelo pouco tempo eu tive que deixar este passar, mas, para quem vai à Amsterdam, vale ao menos uma passada pelo seus belos jardins quando à caminho do Museu Van Gogh.
  • Alugar uma bicicleta: eu calculo que andei em 2 dias e meio em Amsterdam cerca de 50kms. Eu gosto de andar nas cidades pois você acaba encontrando alguns tesouros que talvez em outros meios de transporte passassem despercebidos (pela velocidade destes, pela concentração que você tem que ter, etc), porém, talvez devesse ter alugado uma bicicleta durante um dos dias para que eu otimizasse meu tempo.

Dicas e observações:

Hans Jan, o ordenhador, deixando Amsterdam já com vontade de voltar

Hans Jan, o ordenhador, deixando Amsterdam já com vontade de voltar

  • Nas cercanias da Leidseplein existem muitos restaurantes: Indianos, Italianos e muitos, mas muitos Argentinos (tem até um Brasileiro) onde come-se bem por cerca de 10, 12 euros.
  • Como em quase toda a Europa, é praticamente desnecessário alugar um carro e usar o transporte público de Amsterdam é a melhor pedida, até porque a cidade carece de espaços de estacionamento.
  • O preço do cartão de transporte (OV-Chipcart), o bilhete único deles, é meio salgado: 7,50 euros somente o cartão, ai vc escolhe a quantidade de crédito. Creio que 10 euros por dia sejam mais do que suficientes.
  • No transporte público de Amsterdam paga-se pelo trecho percorrido, então não pode esquecer de passar o cartão novamente na hora de descer do bonde ou ônibus, ou quando se deixa a estação de metrô.
  • Mesmo indo e voltando do aeroporto dá para usar o transporte público. Só lembrando que como o Aeroporto fica em outra cidade (Schipol), não se usa o mesmo cartão de Amsterdam e é preciso comprar a passagem à parte (4,70 euros). Tome o Intercity em direção à Estação Central de Amsterdam e de lá é muito fácil chegar a qualquer lugar da cidade de Tram (bonde).
  • O smartfone e alguns aplicativos e sites (Google Maps, Google, Waze e até o Foursquare, já que em alguns lugares, quando se dá checkin tem desconto) são uma ótima ferramenta para procurar lugares. Compensa pagar 20 euros por um chip de internet (na maioria dos Aeroportos da Europa vende).
  • Literalmente em Amsterdam tem um bar em cada esquina! Meu fígado não iria aguentar uns 3 meses morando lá….hahaha.
  • Amsterdam é uma cidade para turistas, portanto, com preço para turistas.
  • Praticamente todo mundo fala inglês na cidade, então é fácil se virar. Porém, com as placas a coisa fica um pouco mais complicada. Ainda bem que a base do alemão me serviu para entender (e bem!) o que estava escrito em placas, museus, etc.
  • A cidade me pareceu um pouco suja, com lixo acumulado em algumas esquinas, entulho na frente de alguns prédios e bitucas em tudo quanto é lugar. Falta muito cesto de lixo.
  • Diferentemente de Berlin, onde em 4 semanas eu não vi sequer uma pessoa que passeava com o cachorro portar sacolinhas para recolher as fezes, em Amsterdam parece que a prática está começando.
  • Eu achava que Berlin era a cidade das bicicletas (segundo cálculos existem cerca de 2 milhões de bikes em Berlin para um total de 5 milhões de pessoas!), porém as magrelas são definitivamente o meio de transporte primário de Amsterdam. Chega a existir trânsito de bike, especialmente próximo à estação central. A topografia da cidade ajuda, já que os únicos aclives que existem são os das pontes. E o pessoal de Amsterdam faz de tudo em cima da bike: come, namora, faz teleconferência, acessa internet no smartfone. Eles são craques em pilotar com uma mão só.
  • Porém, como tenho notado, o comportamente maleducado de ciclista é padrão mundial. Não se respeita pedestre, farol, nada.
  • Aliás, ninguém respeita pedestre: nem ciclista, nem motorista e nem motociclista (os condutores dos bondes eventualmente). Então é bom sempre tomar um cuidado maior na hora de atravessar as ruas, já que a maioria das ruas da região central não possuem farol para pedestre.
  • Além das bikes, Amsterdam é a cidade das motonetas: scooters, bicicletas motorizadas, lambretas, etc. E elas podem circular nas vias destinadas às bikes (e não precisa usar capacete!). Ou seja, cuidado dobrado na hora de atravessar ciclovia (como os ciclistas, eles também não vão frear).
  • Parece que os micro e mini carros também estão sendo bastante disseminados por Amsterdam (e em outras cidades Européias). Existe até um serviço de aluguel de Smarts (car2go) parecido com o sistema de bikes do Itau no Brasil, onde pega-se o carro (elétrico) em algum ponto, paga-se por hora e/ou kilometragem e devolve-se em outro ponto. Os micro carros que têm velocidade máxima de até 40 km/h também podem circular pelas vias destinadas a bikes. Cuidado triplicado então na hora de atravessar uma.
  • Acho que nunca vi tantas mulheres bonitas quando na Holanda. E não é somente aquele biotipo da “loira aguada de olho verde”, já que eles têm outros biotipos, que provavelmente vieram das antigas colônias (ou por terem muitos portos no país), mas todas as mulheres são muito bonitas e charmosas: a loira de olho verde, a morena de olho azul, a ruiva sardenta, a negra, etc.

 

Top Top #11 – Músicas espirituais

Músicas espirituaisAproveitando que o livro que eu estou lendo e o último que eu li, falam bastante sobre espiritualidade, resolvi compilar esta lista com músicas que remetem à este tema.

O título original desta lista quando ela começou a ser formada, há uns 8 meses (qualquer dia eu explico o processo de montagem das listas), era “Músicas Religiosas”, porém, ao dar uma revisada na lista para publicar, eu notei que a maioria delas não faz menção à uma religião em específico, e algumas poucas fazem menção à ícones (Jesus, Santos, etc) destas religiões.

Então notei que espiritualidade, que é você estar bem consigo e com o seu entorno, e que para a maioria das pessoas tem a ver com religião, fosse o melhor título.

Making a long story short, segue as minha lista das 10 melhores músicas que tem espiritualidade ou religião como tema:

10 – Raul Seixas – Gita
O mestre Raul nos presenteou com esta obra prima do rock nacional onde ele fala sobre um ser divino que é tudo, que é atemporal, que está em todos os lugares.

9 – Dream Theater – Surrounded
Como dá para perceber pela lista, apesar de eu não ter fé em nenhum tipo de ser supremo, eu curto esta idéia de que, se existir um ser divino, este ser não tenha uma imagem, um formato (especialmente formato humano), mas que ele nos rodeia. No caso desta música do Dream Theater, como uma luz que envolve.

8 – Arlindo Cruz & Sombrinha – Teu “M” eu trago na mão
Talvez a religião que eu menos tenha tido contato na minha vida tenha sido a católica. Apesar disto, achei este samba dos mestres Arlindo Cruz e Sombrinha muito maneiro, por retratar as várias faces de Nossa Senhora, um dos ícones principais do catolicismo.

7 – Roberto Carlos – Todos Estão Surdos
Este soul/funk do Rei trata de como as pessoas às vezes tem a sua “salvação” na frente do seu nariz e mesmo assim a ignora, assim como ignoram boa parte dos mandamentos das religiões que professam.

6 – Yes – In The Presence Of
Outra que fala como estamos sempre na presença de algo divíno e mesmo as coisas mais simples, como uma flor, têm sua divindade.

5 – Beatles – Inner Light
Beatles (muito mais o George Harrison) fazendo uma “viagem interior”, pelas influências do Hinduísmo. Uma das coisas que acho muito interesante nas religiões orientais é isto: a busca pelo auto conhecimento como base para um entendimento maior.

4 – Zeca Pagodinho – Ogum
Acho que nunca ouvi música onde os intérpretes (tanto o Zeca quanto Jorge) mostram tanta devoção pelos seus credos como nesta.

3 – Jeff Beck – People Get Ready
Este clássico do Rhythm and Blues diz que tudo o que é preciso para alcançar o “reino dos céus” (seja lá a forma como a pessoa o imagina) é ter fé. Aqui numa versão fantástica com a Joss Stone.

2 – Jeff Buckley – Hallelujah
Esta famosa canção de Leonard Cohen ganhou uma versão impressionante do Jeff Buckley. Talvez ela nem entrasse na lista se não fosse por esta interpretação deste gênio que nos deixou muito cedo.

1 – George Harrison – My Sweet Lord
Acho que ninguém conseguiu resumir tão bem a eterna busca do ser humano por este ser divino como o George Harrison.

Axé! Shalom! As-Salamu Alaikum! Amém! Harehama! A paz do Senhor! Namastê! Saravá!