Arquivo anual: 2014

Top Top #7 – Versão Brasileira (de músicas internacionais)

Versao Brasileira 1

Entre as características pelas quais os brasileiros são conhecidos ao redor do mundo, destacam-se a sua criatividade, sua versatilidade e sua capacidade de se adaptar.

Se isto, por um lado gera muitos problemas (o famoso “jeitinho brasileiro”), por outro também fez com que nossa cultura fosse uma das mais ricas (senão a mais), ao menos entre as nações mais recentes. Difícil encontrar um lugar que tenha uma variedade tão grande na área gastronômica, na dança, nas artes e cultura em geral.

Porém, acho que na música é que se encontram os maiores destaques (e talvez os mais reconhecidos fora do Brasil). Por aqui já juntamos Jazz com Samba (MPB), Rock com Maracatu (Manguebeat), Rock com Samba (Jorge Ben), Rap com Samba e Reggae (o Rappa), Rap com Rock (Charlie Brown Jr, Planet Hemp), e não cansamos de misturar “chiclete com banana”.

É claro que toda esta criatividade também pode ser usada para reinventar, além de ritmos, músicas já conhecidas (ou nem tanto). Pensando nisto, resolvi criar uma lista das melhores versões nacionais para sucessos internacionais:

10 – Bruno & Marrone – Se Não Tivesse Ido
Desde a popularização da Internet que as informações fluem mais rapidamente de um país para outro. Se antes demorávamos 6 meses, um ano, para termos aqui o lançamento de um disco ou filme internacional, hoje em dia isto acontece simultâneamente. Além do que, com as novas tecnologias de gravação e edição de áudio, o custo de se produzir uma música está muito baixo. O que temos atualmente, devido à estes fatores, é uma intensa produção musical, seguida de uma rápida e ampla disseminação desta produção. Com isto, muitos artistas têm acesso à outras músicas em quantidade e variedade inimagináveis. Com isto, os artistas populares brasileiros, de várias vertentes (forró, samba, axé, sertanejo), tem aproveitado esta oportunidade para criar versões de músicas que fazem sucesso em outros países, especialmente da América Latina (o contrário também acontece). Esta música do Bruno & Marrone é uma versão de Si No Te Hubieras Ido, do mexicano Marco Antonio Solis e entra na lista para representar todas estas versões e troca de informações que vêm ocorrendo ultimamente. Ah! E também por que acho a versão legal, bem melhor que o original.

9 – Capital Inicial – O Passageiro
Talvez este seja um dos riffs mais inconfundíveis do rock nacional, especialmente para quem nasceu antes de 1980. O que pouca gente sabia à época é que a música é uma versão quase literal de The Passenger, do Iggy Pop. O clip desta música também marca uma época em que os clips nacionais começam a ter uma produção mais caprichada, pois conta da existência da então recém inaugurada MTV Brasil.

8 – Gilberto Gil – Só Chamei Porque Te Amo
Esta é uma das que pra mim sairam melhor que o original. O nível da letra é fraco, mas tanto quanto a versão original, porém a música ficou melhor que a do Stevie Wonder, I Just Called To Say I Love You.

7 – Planet Hemp – Adoled
Eu monto na minha cabeça o filminho dos ensaios do Planet Hemp: os músicos chegam, afinam os instrumentos, ai para passar o som alguém pergunta: “o que vamos tocar?”. No que alguém responde: “A do Led! A do Led!”, talvez por esquecer o título da música do Led Zeppelin (efeito colateral de alguma substância tóxica ilegal?). Depois de vários ensaios acabou virando “Adoled”, uma versão para The Ocean, do Led Zeppelin.

6 – Legião Urbana – Hoje A Noite Não Tem Luar
Hahaha! Lembro quando esta música começou a tocar nas rádios, todo mundo achando que era uma música nova, ou uma “sobra de estúdio” do Legião Urbana. Muito pouca gente sabia que era uma versão de Hoy Me Voy Para Mexico, do grupo portoriquenho, sucesso na primeira metade dos anos 80, Menudo.

5 – Ira! – Vem Ficar Comigo
Gosto muito de sons mais trabalhados, como progressivo, tanto que não sou muito fã de punk. Porém o Ira! é uma das poucas exceções. Tudo o que eles fazem é crú, direto ao ponto, sem enrolação. Com esta versão de Train In Vain, do The Clash, não seria diferente. Só colocaram um pouco da pegada Ira!

4 – Skank – Supernova
O Skank é uma banda que evoluiu absurdamente desde sua estréia. Talvez seja a que banda nacional que mais tenha evoluido ao longo de sua história. Tanto evoluiram que mudaram completamente o estilo, e se você colocar algum disco daquela fase “pop-reggae-ska” pé no saco do início de carreira deles, e as coisas mais recentes, do Maquinarama para cá, para um gringo ouvir, muito difícil ele dizer que é a mesma banda (pode acertar que é o vocalista). Desde o Maquinarama, eles resolveram temperar (eu diria encharcar!) o seu som com suas principais influências: Beatles e Clube da Esquina! O disco Supernova (um dos melhores discos nacionais de Rock das últimas duas décadas), posterior ao Maquinarama, acho que foi o disco que realmente fez a ruptura entre o antigo Skank (que eu detestava) e o atual Skank (que está entre minhas bandas atuais prediletas). Tanto assumiram sua influência que a música título do disco é quase uma cópia de Tomorrow Never Knows, dos Beatles. Tons de guitarra, equalização da bateria, ritmo, etc. É praticamente igual, mas sem ser cópia. Ainda é Skank.

3 – Raul Seixas – Você Ainda Pode Sonhar
Talvez esta seja, ao menos no mundo Rock, uma das primeiras versões de música internacional feita por estas bandas. Não poderia ser de ninguém mais além do mestre Raul, fazendo uma versão da melhor banda de rock de todos os tempos, os Beatles, especificamente para Lucy In The Sky with Diamonds. Apesar de não ser uma tradução literal, a letra tem a mesma idéia. Arrisco até dizer que a letra do Raul é mais bela do que a a original.

2 – O Rappa – Hey Joe
Assim como no caso do Raul (e da posição numero um desta lista, a seguir), o Rappa conseguiu reinventar este clássico do Jimi Hendrix, sem que a letra perdesse o sentido, porém sem tentar fazer uma tradução literal da letra (aliás, estas tentativas geralmente são sofríveis). Além de tudo tem toda aquele estilo “Rappa” de música, que não dá pra definir como Rap, como Rock, como Reggae. É simplesmente Rappa e pronto.

1 – Paulinho Moska – Nunca Foi Tarde
Antes de saber que a música era uma versão de Lover, You Should’ve Come Over, de Jeff Buckley (um artista que infelizmente foi embora muito cedo), eu já achava esta música fantástica, tanto na mensagem que ela traz, quanto na parte musical. Ai certo dia não sei porque cargas d’água descobri Jeff Buckley através desta canção. Me apaixonei pela versão original e fiquei gostando ainda mais da versão do Moska, pela capacidade que ele teve em “traduzir” a mensagem para o português, mas também por traduzir o estilo Jeff Buckley de tocar para o estilo Paulinho Moska. Pra mim é a melhor versão brasileira de uma música internacional.

Bonus Treco – Falcao – Pau No Gato
Só para o artigo não ficar tão sério e manter a veia humorística do blog, esta clássica releitura de Another Brick In The Wall, do Pink Floyd, pelo mestre dos mestre Falcão……kkkkkkkkkkkkkkkk

Be happy!!!! 🙂

Versao Brasileira 2

Botecando #13 – Bar do Xerife

Bar do Xerife 1

Localizado na Rua Guaicurus, na Lapa (um pouco fora dos circuitos de bares da Zona Oeste), é um misto de lavarápido de motos e bar/lanchonete. Portanto, é bastante frequentado por motociclistas (na rua existem várias lojas de motos, peças, mecânicos, etc). Conheci por conta do meu amigo Zé, que se apresenta lá quase que semanalmente com sua banda, Le Passage.

Tem uma decoração que me lembra bastante os bares dos EUA, com bastante flâmulas de moto clubes, caveiras, “lambelambes” de humor. O cardápio também remete à culinária Tex-Mex presente principalmente no Sudoeste dos EUA.

Le Passage + Allan Saffiotti mandando um rock

Le Passage + Allan Saffiotti mandando um rock

Possui algumas mesas na parte interna e um “balcão” e mesas do lado de fora. Também existe um pequeno espaço para as bandas/músicos se apresentarem.

O mais interessante aqui, além do som ao vivo (rock, hard rock e heavy metal, na maioria das vezes), é que os preços são justos tanto para bebidas (R$ 5,00 uma long neck de Heineken ou Budweiser, sempre bem geladas), quanto para comidas. Para comer, cai bem uma das várias receitas de hamburgueres, especialidade da casa.

Mas tem um porém: devido à falta de um sistema de PA (amplificação) geral da casa, as bandas precisam deixar o som muito alto, para que este possa ser ouvido do lado de fora, e ai se torna quase impossível ficar dentro do bar e conseguir conversar.

Ok! Os rockeiros mais puristas vão dizer que rock tem que se ouvir no talo (bem, eu discordo, acho que música tem volume certo para ouvir, nem alto e nem baixo), mas quem procura um bar com música ao vivo, geralmente quer, além da música, poder bater um papo. Não à toa, geralmente o lado externo está totalmente cheio (mesmo em dias mais frios e/ou à noite), enquanto a parte interna fica relativamente vazia (comparado com o ambiente externo).

Acho que eles poderiam fazer um investimento num equipamento de PA, com caixas distribuidas em todos os ambientes (e com retorno para os músicos), e assim distribuir melhor o volume. Uma máquina de flipper, uma mesa de Snooker ou um jogo de dardos também iria “complementar” a proposta do local.

Mas apesar disto, é um bom lugar para tomar umas cervejas, beliscar uns petiscos e ouvir um bom rock’n’roll.

Onde: Bar do Xerife (Rua Guairucurus, 1008 – Água Branca – SP)
Quando: 23/03/2014
Bom: preço, snacks e musica ao vivo
Ruim: som muito alto!
Página: http://www.bardoxerife.com.br/

Botecando #12 – Rancho do Serjão

Rancho do Serjao 2Eu não curto muito balada que toca sertanejo. Eu até gosto de sertanejo. Gosto de Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho e Tião Carreiro e Pardinho, entre outras coisas bem antigas. Gosto bastante do Sérgio Reis e acho o Almir Sater um gênio. Das coisas mais recentes, curto quase tudo do Chrystian e Ralf, bastante coisa do Chitãozinho e Xororó e algumas coisas mais velhas do Zezé di Camargo e Luciano. Mas gosto de ouvir em casa ou no carro (especialmente pegando estrada rumo ao interior) e não em bar.

rancho do serjao 1Talvez seja porque nos bares atualmente só se toca o tal do “Sertanejo Universitário”, que na verdade não tem quase nada de sertanejo e é simplesmente música pop. Pra mim, botou um teclado para substituir a sanfona ou guitarra para substituir a viola, já deixou de ser sertanejo.

Porém, no Rancho do Serjão, uma casa que já conta com quinze anos, eles consigam fazer um bom equilíbrio entre sucessos recentes e pops, com coisas mais antigas. É um dos poucos lugares em que se ouve Crystian e Ralf (e não é Nova York), Mato Grosso e Matias, entre outros.

O bar, que por fora aparenta ser bem maior, fica num pequeno imóvel, quase já fora da Vila Madalena. Conta com algumas mesas e uma pequena pista de dança. Os músicos ficam num pequeno palco e, ao contrário de outras casas do gênero, têm um contato mais próximo com o público, o que permite que eles atendam pedidos da plateia (no “famoso” sistema de mandar o nome da música no guardanapo ou então gritar para o músico….hahaha).

Rancho do Serjao 3O filé ao molho de madeira que alguém da mesa pediu não estava lá estas coisas, mas o frango à passarinho que também foi pedido foi um dos melhores que já comi: praticamente só peito de frango, sem osso, bem frito e sequinho. Só podiam ter colocado alho (bastante!).

A cerveja (Original) também esteve sempre bem gelada e, quando o garçom percebeu que uma das garrafas estava com a boca trincada (nós mesmos não haviamos percebido), fez questão de, por iniciativa própria, trocar todos os copos e nos trazer outras duas garrafas, o que demonstra a preocupação com o bom atendimento.

Pra quem gosta de sertanejo e não quer enfrentar um Villa Country ou um Woods e aproveitar um lugar mais calmo e aconchegante, e ainda de quebra ouvir alguns clássicos da música caipira (é só pedir!), fica a dica!

Onde: Rancho do Serjão (Av. Pedroso de Moraes, 1008 – Vila Madalena- SP)
Quando: 21/03/2014
Bom: ambiente, música e localização
Ruim: ô povo feio!!!!….kkkkk
Página: http://www.ranchodoserjao.com.br/sao-paulo/

Top Top #6 – Músicas de Motel (fucking songs)

Motel 1

Ah! O amor! Sábado à noite, o rapaz pega a namorada na casa dela, a leva em um barzinho com luz baixa, mpb rolando ao vivo, pede uma cerveja para ele e umas caipirinhas para a moça (“bem doce, por favor!”). Meia noite e meia pede pra fechar a conta para seguir a saga rumo à uma maravilhosa noite de amor. Só esqueceu que o pernoite se inicia as duas, então tem que ficar dando voltas de carro pela cidade, já que o período de 4 horas seria insuficiente junto à mulher amada.

Depois de uma pequena fila, uma espera de 1:30 para “prepararem o quarto” (espera esta que quase torna dispensável o próprio quarto, se é que me entendem) o casal adentra a suíte para aquela maravilhosa noite. Claro que não poderia faltar uma trilha adequada, mas….Oh! Wait! Tirando os pastores da madrugada, apenas três rádios funcionam: Antena 1, Alpha FM e Eldorado (isto para a realidade de São Paulo, mas creio que em outras cidades existam as similares).

Cientes de que a sua audiência está sedenta por uma trilha sonora para embalar uma noite de amor, os programadores destas rádios preparam um set list com o que há de melhor na música romântica internacional (incluíndo ai traduções simultâneas, não que alguém vá prestar atenção).

O Botecoterapia orgulhosamente apresenta, as 25 músicas (+ um bonus) mais tocadas nas madrugadas de sexta e sábado nos Motéis, as famosas “fucking songs”:

25 – Eurhytmics – Miracle of love
Milagre é não broxar com esta música.

24 – Haddaway – I Miss You
Esta não deixa saudades.

23 – Chris Isaac – Wicked Games
Jogo duro ouvir, isto sim!

22 – Bryan Ferry – Slave To Love
Só acorrentado pra aguentar.

21 – Tracy Chapman – Fast Car
Esta música até que é legalzinha. Uma das várias desta lista que fizeram parte da trilha de novelas.

20 – Crowded House – Don’t Dream It’s Over
Esta é uma que não tem motivo nenhum para ser tocada como “love songs”, mas ninguém sabe ingles mesmo.

19 – The Cars – Drive
Talvez ficasse melhor como trilha de drive-in.

18 – Double – Captain Of Her Heart
“Capitão do Coração”? Não sei como nenhum grupo de forró brega ainda não fez uma versão (ou ao menos usou o nome para o grupo)

17 – The House Martin – Build
O melô do papel! Trilha sonora da novela Bebê à Bordo. Talvez uma mensagem subliminar alertando para a adoção de métodos anticoncepcionais.

16 – Peter Cetera – Glory Of Love
Periga o cara querer fazer o “golpe da águia”.

15 – Spandau Ballet – True
“Ha-ha-ha-ha-a-ha” – Acho que alguém imaginou que isto fosse um gemido.

14 – George Michael – Careless Whisper
“…sussuros de um bom amigo”, sei!!!….kkkk

13 – Anita Baker – Sweet Love
Ai minha diabetes!!!!

12 – Phil Collins – One More Night
E mais nenhuma vez esta música de novo, por favor.

11 – Jim Diamond – I Should Have Know Better
Ai ai ai…

10 – Simply Red – If You Don’t Know Me By Now
Foi só pra colocar um Ruivo na lista…..hahaha

9 – Glenn Medeiros – Nothing’s Gonna Change My Love For You
Dá vontade é de mudar de rádio.

8 – Sade – No Ordinary Love
Sade normalmente é usada para “o golpe”: o cara chama a mina pra jantar em casa, bota uma coletanea da Sade pra rolar, abre um vinho, e ai o resto é história…

7 – Air Supply – Goodbye
Campeões de tradução simultânea.

6 – Earth, Wind and Fire – Fantasy
Mas o Earth, Wind & Fire é uma puta banda!!!!

5 – Tom Jones – Love Is In The Air
Uma lista de fucking songs sem o Reginaldo Rossi norteamericano não seria uma lista de fucking songs.

4 – Marvin Gaye – Sexual Healing
Porra Marvin Gaye! Você sempre foi um baita músico! Mas cura sexual é de foder. Literalmente!!!

3 – Roxette – It Must Have Been Love
Ah, os bailinhos da época do colégio…

2 – Serge Gainsbourg & Jane Birkin – Je t’aime Moi non Plus
PQP!!! Esta é clássica!!! Rola até um striptease nesta hora….hahaha

1 – Barry White – Just The Way You Are
Deve ser por causa da voz de ator pornô, mas digo uma coisa: não é nada agradável.

0 – Yahoo – Mordida de Amor
Este é um bônus track. Sei lá porque cargas d’água os programadores acham que esta música serviria para embalar algo. Talvez por causa da frase “quando faz amor, se olha no espelho”, bem propícia ao ambiente. De qualquer forma, a trilha sonora de Bebê à Bordo emplacou duas neste Top Top.

E você? Quais as suas músicas de motel preferidas? E não venha me dizer que nunca passou por uma situação destas!!!!

Motel 2

Nuts! – Southwest Airlines’ Crazy Recipe For Business and Personal Success – Kevin & Jackie Freiberg (6/2014)

Nuts Top

A tradução literal de nuts é castanhas, nozes. É também a forma contraida, em inglês, de amendoin (peanuts). Pode também ser usada como uma gíria que significa “louco”, “doido”. Seria mais ou menos o equivalente ao nosso “doido de pedra”. O título (Doidos! – A receita da Southwest Airlines para o sucesso pessoal e nos negócios) faz juz ao objeto de estudo do livro: a companhia aérea norteamericana Southwest Airlines. É claro um trocadilho entre o “doido” e o “amendoim” servido à bordo, que é uma das marcas registradas da empresa.

Surgida no final da década de 60, a Southwest Airlines foi a empresa que desafiou o status quo da indústria de aviação civil da época, que considerava como mercado alvo as pessoas de alta renda. Uma frase muito repetida, quando se tratava do mercado da aviação, à época (e no Brasil até meados da década de 90) era: “existem dois tipos de pessoas: aqueles que podem pagar pra voar e aqueles que não”. Ela foi a precursora do modelo “low cost-low fare”. Além de, afim de reduzir custos, terem eliminado alimentos mais elaborados, substituindo-os pelos amendoins e outros “snacks” (que liberam espaço para mais poltronas e faz com que a preparação do avião para a próxima “perna” seja mais rápida), eles desafiaram a curva de valor do setor ao oferecer vôos muito baratos, em todos os horários e assentos, e em cidades e/ou aeroportos secundários.

Apesar da estratégia de baixo custo, uma das premissas iniciais e que é mantida até hoje é oferecer o melhor serviço possível para o cliente (POS – Positive Outrageous Services, algo como “serviço positivamente impactante”), incluindo, além da qualidade e individualidade no atendimento, o amor e a diversão como ingredientes dos vôos. Ela foi, por exemplo, a primeira companhia a abolir os trajes formais da tripulação e incluir brincadeiras e piadas nas instruções iniciais de vôo.

Shamu I: pinturas diferentes afim de gerar mídia espontânea

Shamu I: pinturas diferentes afim de gerar mídia espontânea

Também foi uma das primeiras empresas do setor a adotar um modelo de gestão mais “humano”, especialmente no que diz respeito ao relacionamento com todos os atores envolvidos (fornecedores, governo, sociedade e, principalmente, funcionários).

O livro passa pela história da empresa e sua luta inicial para conseguir decolar (antes da desregulamentação do mercado americano, na década de 70, uma empresa só obtinha a permissão de voar após autorização de órgãos reguladores, o que tornava o processo sucestível aos lobistas dos players do mercado), alguns percalços iniciais, mas concentra principalmente na cultura que foi criada dentro da Southwest. Cultura esta que provavelmente seja a razão do sucesso. O livro lista algumas “regras de ouro” e condutas que não estão escritas em nenhum livro, mas que são enraizadas na empresa, tais como:

  • Profissionais não precisam candidatar-se: eles esperam das pessoas determinados comportamentos e partem da premissa que os conhecimentos técnicos são passíveis de serem adquiridos. Um dos lemas do “Departamento de Pessoas” (foi uma das primeiras empresas a abolir o nome “Recursos Humanos) é “Hire for attitude, train for skill”’ (contrate pela atitude, treine para o conhecimento [técnico])
  • Mate a burocracia: eles eliminaram vários flows de aprovação de projetos, políticas complexas e escritas e contam com o bom senso dos funcionários na maioria dos casos para que estes possam tomar as melhores decisões para a empresa.
  • Aja como o dono: existe a cultura e incentivos (incluindo aí stock options) para que cada pessoa se sinta dona do negócio e aja como tal. Desta forma, além de gerar um comprometimento maior com a empresa, faz com que as pessoas tomem as melhores decisões afim de que o resultado final seja atingido.
  • Aprenda como um louco: existem vários tipos de programas onde as pessoas realizam temporariamente as funções de outra pessoa. Desta forma, além de criar um melhor ambiente, cria empatia e uma “visão do todo” que ajuda no dia a dia e na tomada de decisões.
  • Não tenha medo de falhar: existe a pratica na empresa de incentivar as idéias e, caso elas não tenham sido as melhores, reconhecer os esforços e aprender com os erros, ao invés de procurar e punir culpados.
  • Celebre as conquistas: uma das características da empresa é celebrar as conquistas, pois é uma maneira de criar memórias, renovar as energias para as coisas que virão, e muito importante, criar e estreitar as relações.
  • Celebre as pessoas com o coração: crie uma cultura de reconhecimento e agradecimento, tanto diariamente, através de um simples “obrigado”, quanto celebrações maiores, que incluem festas, nominações, premiações, etc. Mas faça isto do fundo do coração.
  • Ame: engraçado uma empresa ter o amor como pilares de sua cultura (inclusive tendo um logo que é impresso em tiquetes de passagens), mas é isto que é difundido e pregado na empresa e, pelos exemplos usados no livro, é algo bom genuino.
  • Compaixão pela comunidade: retribua à sociedade o que ela te ajudou a obter. É o certo a se fazer. Mas faça com o coração, e não por obrigação.
  • Faça propagandas não convencionais: invente novas formas de divulgar sua empresa e sua marca. Uma das formas encontradas pela Southwest foi pintar suas aeronaves de forma não convencional. Um evento famoso que chamou bastante a atenção foi o Malice in Dallas: para resolver uma disputa sobre um slogan (“Just Plane Smart”) com a Southwest, o CEO da Stevens Aviation, “Killer” Kurt Herwald, propôs a “Smokin” Herb Kelleher, CEO da Southwest, uma competição de braço de ferro, o que foi prontamente aceito. Além da mídia espontânea antes e durante o evento (até o então presidente dos EUA, George Bush, mandou cartão de boa sorte para os competidores), evitaram gastos com uma disputa no tribunal.
  • Clientes vem em segundo, empregados vem em primeiro: a empresa eliminou a premissa “o cliente tem sempre a razão”. Se ao reclamar o cliente tiver razão, o funcionário será devidamente orientado. Mas se o cliente não tiver razão, a empresa deixa claro que apoia as decisões tomadas pelos seus empregados.

Com este estilo de gestão, que hoje pode ser até comum (especialmente em empresas de inovação, mas ainda não muito em setores mais conservadores, como a própria aviação civil e o setor financeiro), a empresa, além de ter se tornado lucrativa (em 2012 ela registrou seu 41º ano consecutivo de lucros, talvez um caso único no mercado de aviação civil no mundo!), conseguiu abocanhar em algumas oportunidades a “triplice coroa”, que seria o primeiro lugar nas três categorias de estatisticas mantidas pelo departamento de transportes dos EUA: vôos on time, manuseio de bagagens e reclamações dos passageiros.

Colleen Barrett e Herb Kelleher, respectivamente, o coração e a alma da Southwest

Colleen Barrett e Herb Kelleher, respectivamente, o coração e a alma da Southwest

Aconselho bastante a leitura e também é uma dica de presentes para aquele chefe que tem o estilo de gestão que mais parece um capataz.

P.S. Eu li o livro em Inglês e tentei traduzir e/ou explicar algumas expressões utilizadas, mas como não sou tradutor, talvez não tenha ficado muito claro.

Botecando #11 – Boteco São Paulo

BotecoSP2

Este boteco, situado num antigo casarão em uma esquina da Avenida Pompéia, é uma ótima opção para quem quer curtir o clima de Vila Madalena, sem a muvuca que atualmente se tornou a Vila (transito, molecada, briga, estacionamento a 30 reais, etc). Conta com várias mesas na calçada (ótima pedida em dias de calor) e uma pequena área interna com um palco.

IMG-20140318-WA0003

A decoração do bar é repleta de fotos e objetos relativos à cidade de São Paulo, o que faz da casa um pequeno “museu” sobre a cidade, mas o que mais impressiona é a criatividade e qualidade do cardápio. Ele contém, além de pratos típicos (a feijoada, escondidinho, file à Osvaldo Aranha, etc) e lanches, algumas “invenções interessantes”. Desta vez eu provei o filé milanesinha com molho gorgonzola, acompanhado de arroz e salada caprese “em pé”, o que foi uma bela pedida. O restante da galera pediu feijoada, que também foi aprovada por eles.

A cerveja (Heineken), veio sempre no ponto, porém eles também já aderiram à “cerveja de 12 reais” que tomou conta dos bares de SP desde o ano passado. Valor este que (acho que vou me tornar repetitivo) é um verdadeiro absurdo.

Um ponto fraco foi o atendimento, pois havia apenas um garçom responsável por atender as mesas da área externa, o que tornava o serviço demorado, mas nada que fosse insuportável.

BotecoSP3

Sérgio Vinci (esq.) e Fernando Hermes

Uma outra atração do local é a programação musical de bom gosto. Já vi por lá grupos muito bons como: Trio Gato com Fome (samba), Grupo Contraste (samba) e o Quarteto Saquê e Cachaça (um quarteto de samba compostos por descendentes de japoneses!). O som aos sábados à noite fica por conta do Sérgio Vinci, que já conheço desde às épocas do saudoso Caneca Furada, na Freguesia do Ó, e que é para mim, junto com o Elio Camalle, um dos melhores músicos de MPB da noite paulistana.

Durante o almoço a casa também fica aberta, oferecendo seus pratos, tanto no local como delivery.

Onde: Boteco São Paulo (Avenida Pompeia, 2089 – Vila Pompéia – SP)
Quando: 15/03/2014
Bom: comida e som ao vivo
Ruim: atendimento
Página: http://www.botecosp.com/

Todo Carnaval Tem Seu Fim (ou não)

Carnaval

As “fardas”: Tom Maior, Urubó e Bando 7

Ultimamente eu tenho evitado viajar em feriados prolongados. Fiquei em São Paulo no ano novo, fiquei em São Paulo no Carnaval e só vou aproveitar os próximos feriados (Páscoa e Corpus Christi) pois vou emendar junto alguns dias de férias.

Devido à falta de infraestrutura (aeroportuária, rodoviária, hoteleira) e a alta demanda que existe ultimamente, está muito caro para viajar nestes feriados. Isto sem falar no sofrimento de encarar transito, aeroportos lotados, falta de transporte público, falta de água, etc. Então estou preferindo desfrutar os feriados em São Paulo e quando possível viajar em finais de semana normais “esticados”, já que tenho a flexibilidade de horários no meu trabalho.

E o que parecia que iria ser um carnaval calmo e tranquilo se tornou num dos melhores carnavais que eu já passei e, devido aos comentários em redes sociais e às reportagens nos portais de notícias, não foi só impressão minha. Parece que São Paulo está se tornando uma boa opção para esta festividade.

Abaixo um pequeno resumo do que foi meu carnaval.

Urubó

Carnaval - Urubo

Cuidado com seu Ó!!!!

Este simpático bloco, que já desfila na Freguesia do Ó (bairro onde cresci e vivo) desde 2010, me foi apresentado pelo Leandro Moraes (vulgo Tula), um amigo de longa data. Apesar de estar bem no começo, o bloco é de um profissionalismo impar e proporciona aos foliões tudo aquilo que se espera: diversão, pessoas de bem com a vida, marchinhas de carnaval e um ambiente bem familiar. Além do que, para mim, a proximidade conta muito.

Como diz um trecho do hino do bloco, “alegrando a menina e a vovó”, neste bloco existiam desde crianças de colo até pessoas de idade, e todos afim de aproveitar um carnaval mais simples dos que os que se vê, por exemplo, na Vila Madalena. O cenário bucólico, que remete a uma cidade do interior, do Largo da Matriz da Nossa Senhora do Ó (com a praça central com a Igreja e os estabelecimentos comerciais à volta), ajuda muito. Mas realmente, o que faz a diferença é a consciência do pessoal.

O melhor de tudo é que eles realizaram ensaios abertos e ao ar livre desde o segundo final de semana de Janeiro, o que possibilitou que meu carnaval começasse mais de um mês antes da data oficial. Só espero que, com o sucesso do bloco, ele não perca suas características.

Tom Maior

Ala 2 - Índios Laranjas

Ala 2 – Índios Laranjas

Minha amiga Betty Martinez, ao saber que eu estaria em São Paulo durante o Carnaval, me perguntou se eu queria desfilar na Tom Maior e/ou na Pérola Negra, escolas que ela frequenta a bastante tempo. Como também Já frequento escolas (especialmente a Rosas de Ouro) a uns 15 anos, mas nunca estava em São Paulo para desfilar, resolvi encarar o “desafio”.

Desafio aceito, para não fazer feio na avenida, acompanhei três ensaios abertos (o que não foi nenhuma dificuldade…hehe). No dia do desfile chegamos na escola as 23:00hrs da sexta (o desfile aconteceu as 6:05 da manhã do sábado) para podermos nos preparar. Durante a concentração, o clima é de alegria, correria e ajuda mútua. As 3:00 horas da manha seguimos rumo ao Anhembi e a concentração para o desfile ocorreu debaixo de uma chuva chata.

Infelizmente no momento de entrar na avenida, o carro abre alas quebrou, o que impactou o desempenho da escola. Mesmo assim, para marinheiro de primeira viagem, eu achei muito legal e senti até um frio na barriga antes de entrar na avenida. Por mim eu desfilo novamente ano que vem, porém em alguma ala que tenha uma fantasia um pouco menor.

Carnaval - Bando 7

…me deixa ir senão me atraso e o bloco sai.

Bloco 7
Descobri este bloco, que comemorou em 2014 seus 30 anos, através do aplicativo do Catraca Livre. O bloco se concentra na esquina da Rua Girassol com a Rua Purpurina, na Vila Madalena, e na concentração estava rolando um samba de mesa muito bom.

A saida do bloco atrasou cerca de uma hora, pois a chuva insistia em cair. Como chegou um horário em que eles não poderiam esperar mais, sairam do mesmo jeito. O bloco faz um percurso legal pelas principais ruas do bairro, mas o ruim é que eles ficam tocando, repetidamente, o hino do bloco (eventualmente eles tocam algumas marchinhas), o que o torna um pouco massante.

Mas o melhor foi que o bloco deve ter saido com umas 2 mil pessoas e na dispersão, em frente à quadra da Pérola Negra (o então presidente do bloco, que se aposentou este ano, foi um dos fundadores da Pérola e também da Águia de Ouro) creio que já existiam umas 8 mil, pois as pessoas iam fechando suas contas nos bares e se juntando ao cortejo.

Bangalafumenga / Sargento Pimenta

Carnaval - Bangalafumenga

Bangalafumenga agitando Sampa!

No ano passado eu cheguei a ir até este bloco (na verdade 2 blocos tocando na sequência) na Vila Madalena, porém estava tão lotado que não consegui nem ouvir o som (acabei vendo o Sargento Pimenta no Aterro do Flamengo).

Este ano transferiram estes dois blocos cariocas (eles fazem o pré carnaval em SP, mas no carnaval mesmo, saem no Rio) para a Avenida Paulo VI (continuação da Avenida Sumaré), o que foi uma idéia sensacional. Além de não incomodar os moradores, já que ali não existem residências, havia bem mais espaço e o trio pode “sair” (na Vila era um palco).

O Sargento é um bloco que faz versões de marchinhas de sucessos dos Beatles e já é bem famoso, tendo inclusive tocado em um evento dos Beatles em Liverpool. Já o Banga (como é carinhosamente chamado), faz versões carnavalescas de sucessos da música popular brasileira. O Banga tem uma oficina de percursão em São Paulo e, no quarto ano fazendo o pré-carnaval por estas bandas, não precisaram do “reforço” dos percursionistas do Rio. Sinal que tem muita gente em São Paulo interessada em curtir este tipo de carnaval.

Bloco do Ó

Carnaval - Bloco do O

O já tradicional Bloco do Ó

O Bloco do Ó, que este ano saiu pela 10ª vez, é o bloco carnavalesco do bar ‘Ó do Borogodó’ (uma das melhores opções em São Paulo para se ouvir ritmos brasileiros diferentes, como maracatu, jongo, congada, forró, tudo isto misturado com samba e MPB).

É um dos blocos que mais gosto e esta foi a quarta vez que fui no pré carnaval deles. O som é proporcionado pela “Orquestra Carnavalesca do Ó do Borogodó”, que é formada por músicos que compõem vários dos grupos que se apresentam na casa, e concentra seu repertório em marchinhas e sambas antigos.

Este bloco já está ficando tradicional na Vila e atrai bastante gente por causa do som que fazem, pela presença de todo tipo de gente (casais com bebês em carrinhos, pessoas idosas, turistas, gringos, etc) e também pelo fato de ser um dos blocos em que muita gente sai fantasiada (creio que o paulistano ainda é mais “travado” e no máximo coloca um chapéu, um óculos diferente, etc), até por que a própria banda é campeã no quesito “criatividade” de fantasias.

Vai Quem Quer
Depois do Bloco do Ó, emendamos o “Vai Quem Quer”. É um bloco diferente e bem animado, mas não faz muito meu estilo por só tocarem composições próprias.

Bar da Dona Diva
No domingo de carnaval, cai na besteira de sair do Urubó para ir a um bloco que estaria acontecendo na Benedito Calixto. Chegamos lá e estava uma zona só, com uma molecada bebada, tudo sujo, e desistimos sem antes chegar perto do bloco.

No caminho para a Vila na esperança de encontrar algo para fazer, acabamos caido no já conhecido e aconchegante “Sem Saida”, como é conhecido o Bar da Dona Diva. Já falei dele aqui.

Jegue Elétrico
Na segunda-feira demos um tempo no Urubó para tentarmos ver o Jegue Elétrico (o mesmo que estaria no domingo na Benedito Calixto), na Praça Roosevel. O bloco é bem legal pela “fauna” que habita o Centro, especialmente na região do Baixo Augusta, porém, também cai na besteira de ficar repetindo o próprio hino (até que era legal, mas chega uma hora que fica massante).

Foi uma experiência bem legal curtir o Carnaval de São Paulo e para mim acabou “empatando” com o carnaval do ano passado, que passei no Rio. Pena que em São Paulo não tem praia…

Botecando #10 – Choperia Opção

Opcao

A Paulista é um lugar cheio de atrações, tanto culturais, quanto gastronômicas e “etílicas”, mas sempre que eu marco com amigos de tomar umas naquela região (por causa da localização central) acabo parando no Opção.

Este bar fica localizado bem na parte central da Paulista, mais precisamente atrás do MASP e já é um ponto histórico de happy hour para o pessoal que trabalha na região e o pessoal que estuda na FGV (fica a uns 200 metros).

A área externa é um deck em uma pequena e bela praça, que tem sua beleza realçada pelo imóvel e iluminação da choperia. Infelizmente, faz tempo que não vejo o telão, que era gigante e instalado na área externa e costumava passar DVDs de shows de pop/rock (ainda existem TVs que ficam transmitindo shows). Internamente a casa é mais simples, mas contem o básico de um bom boteco e, principalmente, espaço (dificilmente está lotado a ponto de amontoar).

opcao 2

Outra coisa que eu gosto de lá é que este foi talvez o primeiro bar que eu frequento que aboliu os 10% obrigatórios na conta, o que é bom tanto para o cliente quanto para o garçom.

O ponto ruim desta vez foi que eles estão seguindo a onda de outros bares de cobrar R$ 12,00 (pelo menos) por uma garrafa de 600mls de cerveja, o que é um absurdo, mas ultimamente pra fugir disto, só tomando em boteco pé sujo (conheço alguns muito bons!) ou então em casa mesmo (mas não deixa de ser um valor abusivo)

Onde: Choperia Opção (Rua Carlos Comenale, 97 – Bela Vista – SP)
Quando: 13/03/2014
Bom: ambiente e localização
Ruim: preço
Página: http://choperiaopcao.com.br/index.php

Sua Excrecência Senadô Sivirino – Yumbad Baguun Parral (5/2014)

Sua Excrecencia

Yumbad Baguun Parral é o pseudônimo do Alagoano Miguel Cavalcante Félix. Quem frequenta os bares da Vila Madalena já deve ter sido abordado por esta figura singular que, vestido com seu chapéu de couro, circula por entre as mesas vendendo suas obras (Veja também esta ótima reportagem sobre o Parral na revista Piauí).

Como frequentador assíduo da Vila, ele deve ter me oferecido seus livros dezenas de vezes e não sei por que (talvez por sempre andar com pouco dinheiro no bolso, geralmente o suficiente para o estacionamento e um dog) nunca havia adquirido um (e olha que eu sou um ávido consumidor de obras de artistas de rua, especialmente CDs). Na última vez em que ele me interpelou resolvi comprar um de seus livros e escolhi este meio que aleatóriamente.

Sempre imaginei que suas obras fossem mais relacionadas à literatura de cordel ou à sátiras (como ele mesmo as descreve), mas me surpreendi pela profundidade do conteudo deste livro, bem como a lucidez, coerência e isenção com que ele trata de assuntos sérios.

O livro pode ser dividido em três partes principais.

O prefácio foi a parte que mais me chamou a atenção. Trata-se de um ensaio sobre moral, ética, política, cidadania, enfim, do papel do homem na sociedade, tanto quanto relacionado à sua natureza e seu instinto de autopreservação, que quase sempre se choca com o que se imagina o papel de um ser dotado de capacidade de raciocínio, quanto à sua função como parte de um coletivo, de uma sociedade.

A segunda parte trata-se da estória em sí: uma sátira que conta a trajetória de um ser castigado pelas mazelas da vida que sai da mais absoluta miséria até chegar ao posto mais alto do legislativo do “Braséu”, claro, não sem o “apoio” de estruturas e personagens interessados nesta ascensão. É claro que, para se dar bem, tanto na vida e na política, este ser abjeto utiliza de todas as artimanhas amorais, ilegais e anti éticas possíveis.

A terceira e importante parte (que na verdade é inserida antes do epílogo) é um outro tratado, num estilo que mistura Maquiável com Sun Tsu, sobre o poder, a conquista, o uso e a manutenção deste, em forma de uma “bíblia” da política.

Da próxima vez que for à Vila já deixarei separado alguns reais na carteira na esperança de encontrá-lo e adquirir outro de seus livros.

Botecando #9 – Siga La Vaca

SigaLaVaca1

Este estabelecimento, que fica localizado na movimentada Rua Canuto do Val, no bairro da Santa Cecília, faz parte da rede Biroska (que também fica na mesma rua, assim como outros bares da rede) e é um misto de bar, restaurante e videokê.

Na parte inferior, existem um espaço externo com mesas na calçada e um espaço interno. A parte central do piso inferior é bem interessante, com uma árvore como centro de uma “praça”, que tem como tema vacas na decoração. Ao redor desta árvore se encontra uma escada para acesso ao mezanino.

SigaLaVaca2

É no mezanino que se encontra o atrativo do lugar: 3 salas equipadas com videokê. Estas salas contam com algumas mesas, um pequeno palco e televisores e os candidatos a artista podem escolher, dentro de uma lista enorme, suas músicas prediletas para cantar.

No dia em que fui ao local, o atendimento estava relativamente bom, até a sala ficar lotada, o que foi um dos pontos fracos, pois ficava praticamente impossível se movimentar, inclusive para a garçonete. Por outro lado, as cervejas (nas salas de videokê somente long necks ou torres de chopp, e no piso inferior garrafas de 600mls) vieram sempre bem geladas. Não cheguei a comer no local para saber a qualidade dos petiscos.

SigaLaVaca

O local é uma ótima pedida para reunir alguns amigos num happy hour ou para comemorar um aniversário. A localização, na região central, também é muito boa e possibilita até o uso do transporte público para acesso.

Só um porém: eu nunca vi tanta gente que canta mal reunida num só videokê…..hehehe

Onde: Siga La Vaca (Rua Canuto do Val, 97 – Santa Cecília – SP)
Quando: 07/03/2014
Bom: videoke, decoração e localização
Ruim: lotação das salas
Página: http://www.biroska.com.br/sigalavaca/