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Botecando #32 – Centro Cultural Rio Verde – São Paulo – SP

20141012_202235Domingo é um dia geralmente chato (para mim mais do que a segunda feira). Normalmente você já acorda tarde (e de ressaca), pois foi dormir tarde no sábado, perdendo metade do dia. Depois fica numa preguiça, resolve almoçar as 3 da tarde e vê que o dia foi praticamente embora. Como na segunda é dia de acordar cedo para trabalhar, você geralmente se contenta a assistir a péssima programação de TV de domingo (impressionante, até na TV à cabo!) e ir dormir cedo para encarar o batente no outro dia. Porém, às vezes aparece um passeio de Trabi + Karaoke no Mauer Park, um show do Gilberto Gil ou o aniversário do filho de um amigo com rock ao vivo para fazer do domingo o melhor dia daquele final de semana. E existem domingos em que aparece um ensaio aberto do Clube no Balanço no Centro Cultural Rio Verde.

20141012_203218Vamos por partes e primeiro falar da casa.

Já tinha passado algumas vezes em frente ao Centro Rio Verde e sempre tive curiosidade para saber o que rolava lá. Ele fica na Belmiro Braga, naquela “região de resistência” da Vila antiga que eu falei neste artigo. É um espaço multicultural que foi aberto para promover shows de música, exposições e ser um espaço para eventos, etc.

A decoração é antiga e bem interessante, lembrando um cabaré. A casa conta com boa iluminação, um ótimo sistema de som e um sistema de ar condicionando bastante eficiente. Já curti a página no Facebook e parece que vários eventos interessantes acontecem no local, especialmente ligados as várias vertentes da música brasileira.

20141012_195208O Clube do Balanço eu já conhecia das domingueiras no Grazie a Dio que ocorriam há uns 6 ou 8 anos atrás e era uma das melhores de SP. A trupe do Marco Mattoli foi responsável pelo revival do Samba rock em SP que ocorreu há uns 10, 12 anos atrás. Impossível não notar a evolução da banda, que já era boa, tanto na qualidade individual dos seus músicos, quanto como conjunto.

Além disto a banda também conta com um público cativo que curte dançar o ritmo, é bonito, simpático. Uma galera “do bem” e que quer apenas ser feliz.

20141012_221619Você coloca dentro de uma casa muito legal, uma banda fantástica e um público muito bom, disposto a se divertir da melhor forma possível, então só pode render um ótimo domingo. Era impossivel não notar o sorriso no rosto das pessoas, dos próprios músicos (que estavam se divertindo muito!) e mesmo dos funcionários da casa. E também era impossível eu não abrir um baita sorriso por aquele momento de felicidade coletiva ao som do melhor do samba rock.

Infelizmente passeios de Trabi e shows do Gilberto Gil não são tão fáceis de acontecer em São Paulo, mas ao menos até o final do ano temos mais dois domingos salvos, pois o Clube volta a fazer ensaios abertos nos dias 09/11 e 14/12!

Onde: Centro Cultural Rio Verde (Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena – SP)
Quando: 12/10/2014
Bom: decoração, atendimento, público e Clube do Balanço!
Ruim: nada, foi tudo muito bom!
Site: http://www.centroculturalrioverde.com.br/ e http://clubedobalanco.com.br/

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Botecando #31 – Grazie a Dio – São Paulo – SP

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O Grazie a Dio talvez seja uma das baladas que eu mais frequentei na vida. Na segunda metade da década passada eu praticamente batia cartão lá aos sábados. Às vezes ia aos domingos ou quintas também para curtir um samba rock.

Há uns três anos atrás a Jam Suburbana, com o sensacional Bocato, mandando clássicos da soul music, funk e motown, era obrigatória às segundas feiras. Porém fazia uns 2 ou 3 anos que não ia mais lá.

A sempre ótima Black Rio em ação!

A sempre ótima Black Rio em ação!

Quando vi durante o dia que a Banda Black Rio iria se apresentar não pensei duas vezes em matar as saudades da banda e da casa e prometi pra mim mesmo que iria de qualquer jeito, mesmo com chuva (que começou a cair à tarde), mesmo tendo que terminar um trabalho no final de semana e mesmo que a preguiça atacasse.

As mudanças no layout da casa, que tiraram um pouco da sensação de “aconchego” que a casa tinha, eu já tinha visto (ocorreu há uns quatro anos), o som continua com a ótima qualidade de sempre, tanto nas bandas quanto nos DJs, focando na música negra americana e brasileira, e onde se podem ouvir clássicos que dificilmente se ouvem até em programas de rádio do gênero. Foi através do Grazie a Dio que conheci muito som bom, inclusive a própria Black Rio e o Bocato.

Porém me deu um misto de tristeza e um pouco de nostalgia ao ver o pouco público presente. Antes do início do show da Black Rio, que estava agendado para a 1:00 da manhã mas começou apenas à 1:30 não tinham mais do que 70 pessoas no local, a maioria por conta de um aniversário. Só encheu um pouco mais porque o Pub Crawl finalizou lá e chegaram mais umas 40 pessoas. Ou seja, pouco mais de 100 pessoas.

Odoyá!

Odoyá!

E ai me bateu a tristeza: um lugar tão legal e com um som bom e apenas 100 pessoas para aproveitar uma balada legal, bons DJs e curtir uma ótima banda. Que desperdício! E a nostalgia me bateu ao lembrar como a casa ficava lotada, impossibilitando até a locomoção, há uns 6 ou 8 anos atrás, em shows da própria Black Rio.

Acho que aquela galera que lotava o Grazie a Dio aquele tempo deve ter envelhecido, deixou de curtir balada e o público acabou não se renovando. E ai fiquei mais triste ainda por que estou ficando velho….rsrsrs

P.S. Alguém poderia me informar se este painel dos Beatles é novo? Não me lembro de tê-lo visto antes, mas também não lembro o que tinha no lugar.

Onde: Grazie a Dio (Rua Girassol, 67 – Vila Madalena – SP)
Quando: 26/09/2014
Bom: ambiente e som!
Ruim: infelizmente tá meio caidaço de público
Site: http://www.grazieadio.com.br/

Botecando #30 – Gillan’s Inn – São Paulo – SP

Rush Project mandando um set concentrado na fase progressiva do Rush

Rush Project mandando um set concentrado na fase progressiva do Rush

O Gillan’s é um pub bem novo na cena paulistana e apesar disto, já está em seu segundo endereço. Ficava originalmente na Caio Prado, ali bem próximo à região do Baixo Augusta, mas recentemente mudou de endereço e agora ocupa um imóvel bem maior (com capacidade para até 700 pessoas), entre a Praça da República e a Amaral Gurgel. Apesar de agora estar em uma região que não é conhecida por ser uma região boêmia (quer dizer, existem por ali os “estabelecimentos de entretenimento para adultos”), o que faz com que ele quase passe desapercebido, o imóvel escolhido atende bem ao propósito da casa.

Como indica o nome, o pub tem várias referências a bandas inglesas, especialmente ao Deep Purple e ao seu vocalista mais conhecido, Ian Gillan. Um dos quadros, dos vários existentes, é um desenho do vocalista onde o artista não foi feliz e ficou parecendo um quadro da Samara, do filme “O Chamado”.

GillianO espaço é bem aproveitado, por ser um imóvel comprido e relativamente estreito (a proporção de comprimento X largura deve ser, no mínimo, de 3×1), sendo que em um dos lados existe o bar em sí e no outro um “minicamarote”, em um nível um pouco acima do piso principal. Dependendo da configuração, este piso principal pode estar com mesas ou totalmente vazio, criando uma pista para as pessoas acompanharem os shows em pé. Existe também um mezanino que não cheguei a conhecer (estava fechado).

Estive lá para a comemoração do aniversário da minha amiga Giu, a maior fã do Rush que eu conheço, e claro, a banda que estava se apresentando era o Rush Project, uma banda especializada no repertório do power trio canadense, que conta com músicos competentíssimos. Como um bom pub inglês, a casa foca suas atrações em Rock, Hard Rock e Blues.

Gillian 2Do preço eu nem vou falar mais nada porque parece que já virou padrão long necks de cervejas comuns por mais de R$ 10,00. A copa passou mas os preços para gringo, que ganham em Euro ou Dólar, vieram para ficar.

O atendimento, desde os seguranças, passando pela hostess, pelos os garçons e terminando pela caixa, foi simplesmente excepcional, com pessoas muito bem educadas e com prazer em atender. Talvez precisem ensinar o pessoal tirar a Guinness da torneira, já que eles não esperavam os dois minutos de decantação para depois completar e servir, o que deixa a cerveja gasosa, mas só o fato de encontrar Guinness on tap e curtir um bom rock and roll já vale a pena.

Onde: Gillan’s Inn (Rua Marquês de Itu, 284 – Centro – SP)
Quando: 22/08/2014
Bom: decoração, atendimento e Guinness on Tap!
Ruim: os garçons precisam aprender a tirar Guinness
Site: http://www.gillansinn.com.br

Botecando #29 – O Alemão – São Paulo – SP

Alemao 1Quando eu falo para algum “forasteiro” em tomar cerveja na Freguesia do Ó, a pessoa logo pensa no Frangó. Já falei aqui sobre o bar e minha relação de amor e ódio para com ele. O que pouca gente sabe é que a poucos metros do Frangó existe um bar que também vale a pena ser visitado e que, na minha opnião, não deve em nada para o Frangó.

Alemão 2O Bar “O Alemão”, também instalado em um casarão histórico situado no Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, pode não contar com a mesma variedade da carta de cervejas do Frangó, mas além das populares nacionais (Original,  Brahma, Skol, Heineken, etc), também conta com algumas opções diferenciadas, como Paulaner, Norteña, Erdinger e eventualmente alguma outra.

Um ponto forte da casa são os pratos e petiscos, todos de muito boa qualidade e saborosos. O torresmo é um caso à parte e sou até suspeito para falar. A coxinha deles é bem melhor que as famosas coxinhas do Frangó, não que isto seja difícil (as do Frangó não são ruins, só não tem nada demais e você encontra bem melhores na maioria das padocas de São Paulo, e olha que eu sou um especialista neste quitute). O bolinho de carne deles também é melhor do que o do Bar do Seu Luiz, que praticamente “inventou” o petisco.

Alemão 3Como a própria temática do bar sugere, existem também vários pratos alemães, servidos tanto em forma de petiscos ou como pratos, tais como o Kassler (bisteca de porco defumada), Eisbein (joelho de porco assado), Schnitzel (filé de porco à milanesa) e uma boa variedade de Wursts (salsichões). Já ouvi boas referências a respeito do Filé à Parmegiana servido ali, mas nunca tive a oportunidade de experimentar, já que geralmente vou para beber e acabo ficando só nos petiscos. Como se trata de um bar e restaurante, aceita a maioria dos tickets refeição.

Um outro ponto forte da casa é o bom atendimento (putz, não queria ficar fazendo contraponto com o Frangó, mas não dá para não achar o atendimento do Alemão bem melhor que o deles), com garçons atenciosos e até brincalhões.

A área dos fundos, que é aberta e onde é permitido fumar, também é um atrativo.

Mas, assim como a maioria dos bares da Vila Madalena e de outros redutos da boemia, os preços das cervejas subiu absurdamente no último ano. Pagar R$ 10,00 por uma Original ou Heineken é um pouco caro para uma cerveja popular. Mas no final das contas, os prós acabam compensando os contras nesta casa.

Onde: O Alemão (Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 134 – Freguesia do Ó – SP)
Quando: 09/08/2014
Bom: petiscos e aceita ticket!!!
Ruim: preço
Site: http://www.oalemao.com.br/

Botecando #28 – Valadares – São Paulo – SP

Valadares 1Apesar de sempre ouvir falar no Valadares e morar relativamente perto (a Freguesia do Ó, onde moro, é bairro vizinho da Lapa), nunca havia ido à este boteco. E na verdade nunca perdi nada.

Não que seja ruim e creio que, por ser um bar antigo (funcionando desde 1962), o pessoal do bairro tenha até uma memória afetiva do lugar, mas não tem nada demais que me atrairia, como me atrai, por exemplo, o Bar do Luiz (por causa do atendimento), o Frangó (a carta de cervejas) e alguns outros botecos que gosto de frequentar.

Valadares 2O bar é bem simples, com cara de boteco mesmo (ponto para eles por não terem as frescuras dos tais “botecos chiques”). Decoração simples, mesas e cadeiras de madeira, quadrinhos com frases “engraçadas”, mesas na calçada, etc.

A cerveja (Original) sempre gelada e o atendimento é bom, mas nada além disto.

Talvez o que torne o bar relativamente famoso sejam alguns dos seus petiscos exóticos, que dificilmente são encontrados em outros lugares. Mariscos e polvo (normalmente não se encontram em botecos simples, a não ser no litoral), jiló em conserva (muito bom por sinal) e os dois carros chefes da casa: testículos de boi e a rã à milanesa (que conforme observou o amigo Gera, parece uma barbie empanada).

Valadares 3

A barbie empanada

Como não sou muito chegado a estas estravagâncias culinárias, preferi ficar no básico mesmo e, além do jiló, preferi experimentar as batatas na serragem (batatas assadas com farofa) e o torresmo (bom, mas nada além disto).

Vale a pena conhecer? Vale para contar no meu curriculum de botequeiro (palavra complicada, pode gerar interpretação errônea…hehehe), mas se a proposta é apenas tomar umas geladas, jogar conversa fora e beliscar alguma coisa, prefiro ficar no meu bairro mesmo ou ir para a minha querida Vila Madalena.

Pelo menos o preço é bom, na média de um boteco simples: rachando, a conta deu R$ 43,00 para cada, e olha que tomamos bem!

Onde: Valadares (Rua Faustolo, 463 – Lapa – São Paulo – SP)
Quando: 01/08/2014
Bom: preço e petiscos
Ruim: nada
Site: http://www.aperitivosvaladares.com.br/

Botecando #27 – Ó do Borogodó – São Paulo – SP

Ó do BorogodoEste é um dos lugares que eu mais gosto de frequentar em SP. É um barzinho simples, montado numa casa pequena e antiga, numa travessa da Cardeal Arcoverde (a primeira depois do cemitério). Não tem muita frescura na decoração (alguns quadros sobre a parede de tijolos), as mesas são de madeira (quando consegue-se alguma mesa), a cerveja é padrão (Original, Brahma, Serramalte, Itaipava, etc) e o cardápio não tem muita variedade.

Porém, o que faz a qualidade deste bar são os grupos que tocam no lugar e os frequentadores. Você quer ouvir música brasileira “de verdade”? Tem algum amigo gringo que está por São Paulo e quer conhecer um legítimo boteco brasileiro? Quer ir num lugar para curtir um som, ver gente de tudo quanto é tipo que está afim somente de ouvir um som, tomar uma cerveja e dançar? Então o Ó do Borogodó é o lugar.

O do Borogodo 2De segunda à segunda se apresentam grupos, compostos de ótimos músicos, que passeiam por vários ritmos da música brasileira: samba, chorinho, mpb, maracatu, forró, entre muitos outros. Tem muita música brasileira que eu fiquei conhecendo porque ouvi nas domingueiras do Ó (para mim o melhor dia, mas os outros também são muito bons).

Como a música é boa e foge do que toca na grande mídia, atrai também um público diferenciado e muito diversificado para a casa: tem senhores, jovens estudantes, casais, gringos, todos afim de aproveitar o som e, se o espaço permitir, dançar um pouco, mesmo que não se saiba dançar.

O melhor dia para mim é aos domingos. O som inicia-se entre 21:00 e 21:30, porém, para conseguir pegar alguma mesa (para pelo menos apoiar as garrafas, já que é impossível não ficar de pé e dançar) precisa chegar na hora que a casa abre, as 20:00 horas. Existem dias em que as 21:00 horas já está lotado e não se consegue entrar. Ai fica fila do lado de fora e o esquema é “só entra se alguém sair”.

O do Borogodo 1Quando lota surgem os poucos problemas da casa: como disse, é um casarão antigo, sem muita infraestrutura, então fica um calor imenso (agora colocaram até um ar condicionado, mas dependendo da temperatura externa, não dá conta), o serviço decai um pouco, pois os garçons têm que atender mais clientes e ainda se locomoverem pelo lugar lotado e na hora de pagar é um sufoco, pois tem apenas um caixa.

Os banheiros também são meio precários, mas estão sempre limpos (na medida do possível, ou seja, em que a clientela também colabora com a manutenção da limpeza).

Mas é um lugar para ir, relaxar, dançar, conhecer pessoas diferentes e interessantes. Só precisa ir com a mente e coração abertos, pois literalmente pessoas de todas as tribos ali se encontram e convivem em harmonia. E não pode ter frescura com lugares apertados e com gente suada, afinal de contas, dançar queima calorias, e mesmo nos dias mais lotados, sempre dá-se um jeito de arrumar um par e espaço para dançar.

Onde: Ó do Borogodó (Rua Horacio Lane 21, Pinheiros – São Paulo – SP)
Quando: 26/07/2014
Bom: grupos ao vivo e público
Ruim: é pequeno e quando lota a qualidade do serviço cai e gera fila na hora de pagar
Página do FB: Ó do Borogodó

Botecando #26 – Empório Alto dos Pinheiros – São Paulo – SP

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O Empório Alto dos Pinheiros é o paraíso na terra para os apreciadores de cervejas (não gosto de usar a palavra “gourmet”, puta viadagem!!!). Ele é basicamente uma loja especializada em cervejas (mas também se encontram vinhos, cachaças e produtos importados de outros gêneros) que também funciona como um bar.

EAP2O sistema ali funciona um pouco diferente dos bares comuns: você vai até as geladeiras, escolhe a cerveja que quer (pode-se checar o valor num leitor de codigo de barras), vai até um garçom e pede para ele abrir. Ele vai até sua mesa com o copo apropriado e abre a cerveja para você. Tudo é anotado em comandas, que podem ser individuais.

Outra opção são as cervejas nas taps. Normalmente eles disponibilizam até 34 “torneiras” com cervejas dos mais variados tipos e países. Algumas são praticamente fixas (Delirium, Guinness, Weihenstephaner, etc), mas a maioria das torneiras recebem regularmente novas cervejas, inclusive de cervejarias brasileiras.

Aqui uma explicação: o pessoal chama de “chopp” Heineken, “chopp” Guinness, só porque são servidas em torneiras e no Brasil isto é muito comum para chopp. Mas na verdade trata-se de cerveja. Chopp (ou chope) é uma cerveja que não passa pelo processo de pasteurização e raramente, por conta de regulamentos das agências dos demais países, é permitida a venda de produtos industrializados sem que estes passem pelo processo.

Portanto, apesar de até o garçom dizer que tem “chopp” da Guinness, na verdade tem cerveja Guinness da torneira (tap em inglês americano) ou do Barril (Fass em alemão ou cask em inglês britânico).

Eles também tem uma cozinha que prepara petiscos, pratos e lanches muito bons.

EAP3De acordo com a casa, eles comercializam cerca de 700 rótulos diferentes de cervejas, porém, apenas uma parte delas ficam nas geladeiras e as demais são vendidas somente “para viagem” e talvez este seja o único “defeito” da casa. Se bem que imagino que isto seja uma jogada de marketing, pois é praticamente impossível você ir até lá para um happy hour e não levar pelo menos uma meia dúzia para experimentar em casa.

Como cervejeiro da velha guarda (o mercado de cervejas especiais no Brasil é recente, então posso me considerar um “dinossauro”), acho muito legal o sucesso de casas como o Empório Alto de Pinheiros e do interesse do brasileiro por tomar cerveja para apreciá-la e não somente para “matar a sede” ou para encher a cara.

Onde: Empório Alto dos Pinheiros (Rua Vupabussu, 305, Pinheiros, São Paulo, Brasil)
Quando: 16/07/2014
Bom: variedade de cervejas e preço
Ruim: Nada
Site: http://www.altodospinheiros.com.br/

Minha Virada Cultural – Edição 2014

Virada 01Não é segredo para ninguém o quanto eu amo São Paulo (apesar dos pesares). Inclusive tenho a oportunidade de, devido ao trabalho, morar em uma cidade do interior de SP, não tão distante da capital, porém eu prefiro conviver com o ônus de morar aqui para poder aproveitar o bônus (vida noturna, cultural, amigos, família, etc). Particularmente eu gosto bastante do Centro de SP, local em que trabalhei de 1991 à 2004 (e gostaria de voltar a trabalhar lá).

No centro de SP você encontra todo tipo de pessoas (brancos, negros, índios, nigerianos, bolivianos, ricos, pobres, etc) e de lugares (shoppings, centros comerciais, restaurantes populares, restaurantes luxuosos, hospitais, dentistas). Além de tudo, apesar de bastante descuidada, a arquitetura da região central é bela e, guardadas as devidas proporções (500 anos contra 2 mil!), não deve em nada para as principais cidades da Europa (ao menos as que eu conheço).

Eu fico muito feliz quando existem eventos ou ações que ocupem o centro da cidade (aliás, a cidade toda) afim de proporcionar cultura, esportes, lazer, etc (já falei sobre o Carnaval de rua Paulistano aqui). Ou seja, que procuram fazer com que os paulistas (de nascimento e de coração) aproveitem esta maravilhosa cidade. Talvez o evento mais esperado todo ano seja a Virada Cultural, em 2014 na sua 10ª edição.

Desde 2008, ou seja, da sua quarta edição, que eu aproveito este evento. Nas primeiras edições eu não compareci por conta de preconceitos que eu tinha (“é bagunçado”, “é perigoso”, etc) e que muita gente ainda tem. Mas à partir do momento que eu me permiti ter esta experiência, se tornou um dos meus eventos preferidos e mais esperados do ano.

Este ano não foi diferente e no sábado às 16:00hrs, peguei o ônibus para me dirigir ao centro para aproveitar alguns dos eventos desta festa.

Pobre Paulista
Talvez um dos shows mais esperados este ano foi o retorno da paulistaníssima banda Ira!, após 7 anos de separação e brigas. E acho que não haveria um evento melhor para este retorno do que a Virada Cultural. Eu nem vou falar que o show foi sensacional, porque eu sou muito suspeito, já que o Ira! é minha banda nacional favorita.

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Bandeiras de SP tremulam ao som do Ira!

De qualquer forma eles montaram um set muito bom para esta volta, colocando bastante músicas curtas para tocarem o máximo de músicas possíveis no pouco tempo de show, incluindo no set muitos lados Bs. “Como os Ponteiros de um Relógio” e “Prisão das Ruas” eram duas músicas que eu nunca os tinha visto tocar ao vivo (e olha que eu já vi uns 100 shows do Ira!, chutando bem baixo!).

Não gostei muito dos novos membros da banda, especialmente do baterista, que me pareceu muito “mecânico” (talvez com o tempo ele se solte), mas era um show para curtir e não para ficar analisando qualidade técnica e até o fato do Nasi esquecer e errar algumas letras (como em Tolices) foi parte do espetáculo.

Underground
Depois do show do Ira! dei uma passada no palco São João para assistir um pouco do Tributo ao Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado (a segunda banda que eu mais vi, só perdendo pro Ira!), falecido ano passado.

Da formação original da banda só sobrou o baixista Nelson Britto, porém eles tocaram sob o nome de “Golpe de Estado”. No início da apresentação, que foi anunciada pelo Luis Calanca, da Baratos & Afins (o selo pelo qual o Golpe lançou os primeiros discos, justíssima escolha, aliás), levaram ao palco a famosa Gibson Flying V Preta e Branca que era a marca registrada do Hélcio.

O show foi até legal, mas nestas horas você percebe que esta história de que “ninguém é insubstituível” é uma balela: o guitarrista escalado para “substituir”o Hélcio era muito bom, mas mesmo assim não era o Hélcio e apesar do Nelson estar ali tocando, não parecia ser o Golpe.

Mas valeu a homenagem, já que o Hélcio, além de ser um baita músico, foi uma das pessoas que ajudaram a desenvolver (ou ajudaram a não deixar morrer) a indústria musical brasileira, sendo ele responsável por prover equipamentos de PA para vários shows ocorridos na década de 80 (antes da abertura comercial em que era praticamente impossível importar equipamentos), desenvolver efeitos e amplificadores, etc.

Retirantes
Bixiga 70 era um um dos shows que eu mais queria ver, já que apesar de ter adquirido os dois álbuns da banda, nunca os tinha visto ao vivo.

Aqui vale uma consideração: o brasileiro em geral não é muito ligado em música instrumental, mas vez ou outra uma banda ou músico se destaca e conquista relativa popularidade. Foi o caso da Banda Black Rio nos anos 70, d’A Cor do Som nos anos 80, do Funk Como Le Gusta na década de 2000 e parece que a bola da vez é o Bixiga 70.

Montaram um set bem legal, inclusive permitindo espaços para improvisações e suspresas (como uma versão bem inusitada de Kashmir, do Led Zeppelin). Uma pena que colocaram em um palco secundário e a procura foi grande, o que tornou o espaço um pouco lotado.

Outra coisa ruim foi a “marofa” que se formou no show. Parecia uma névoa de tanta maconha e saí de perto do palco antes do final pois já estava ficando louco de tabela. Eu fumo meu cigarro e bebo minha cerveja e talvez não tenha moral pra falar, mas acho que a galera podia ter um pouco mais de consideração com quem não tá afim de “chapar o côco”.

Depois do show do Bixiga 70, um já tradicional churrasco grego pra dar uma forrada e bora pra casa dormir um pouco pois o outro dia reservava algumas boas atrações também. Estou pensando até em pegar um hotel no centro no próximo ano para aproveitar mais a festa.

Todo Amor ao Jimi
No domingo de manhã, logo as 9:00hrs, teria um show que já havia visto em algumas viradas atrás, mas quis assistir de novo, pois é bem legal, que é o do Pepeu Gomes, um dos melhores guitarristas da história musical do Brasil.

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Pepeu Gomes e a bela Estação Julio Prestes ao fundo!

Mas antes do show, como não poderia deixar de ser para alguém que parece um para ráios de louco como eu, um tiozinho ex-morador de rua resolve pedir cigarro e ai lá se vão 30 minutos ouvindo histórias meio disconexas e sem sentido (“eu tenho 6 profissões: balconista, amigo do cafú…”). Mesmo assim é divertido e o que estas pessoas querem é apenas alguém que lhes dê um pouquinho de atenção e dar um pouco de atenção a outra pessoa não custa nada.

O show do Pepeu começou com uns 20 minutos de atraso, o que me impediu de acompanhar até o final, já que tinha outros planos. Mesmo assim, é bem legal e ele mistura músicas de sua carreira solo, sucesso da época dos novos baianos e algumas homenagens, como um instrumental de “Maracatu Atomico” que ele dedicou ao Chico Science (poderia ter aproveitado e dedicado ao Jorge Mautner, autor da música).

A banda que o acompanha é competente e sabem dosar a quantidade de solos e improvisos para não virar aquela “punhetagem” musical que geralmente existe em shows de música instrumental.

Mas como disse, a agenda estava apertada e as 10 e pouco precisei ir embora rumo ao minhocão para dar uma olhada em como estaria o evento “Chefs na Rua”, que desta vez contou com participação de food trucks e de cervejarias artesanais e importadores de cervejas ditas “gourmet”.

Cerveja é cultura
Desde 2012 ocorre, como uma das atrações da Virada Cultural, o evento “Chefs na Rua”, onde chefes e restaurantes badalados servem algumas de suas criações a preços populares. Este ano o evento ganhou a ótima companhia de food trucks (que parece que vieram para ficar) e de algumas empresas do mercado de cervejarias artesanais (importadores, microcervejarias e uma escola que produziu uma cerveja durante o evento), também conhecidas como cervejas gourmet.

Muito bom este interesse pela cultura cervejeira

Muito bom este interesse pela cultura cervejeira

Devido à recente popularização deste mercado no Brasil, posso me considerar da “velha guarda” dos apreciadores de cervejas gourmet, afinal de contas, frequento o Frangó há uns 20 anos, e fico muito feliz com o aumento deste mercado por aqui. Então claro que não poderia deixar de dar uma passada no evento.

A variedade de cervejas era boa, contando com cervejarias nacionais e importadas e achei muito legal que estavam vendendo “degustações” em copos de 100mls. Pelo que eu percebi haviam muitos “curiosos” em descobrir este fantástico mundo das cervejas, que afinal de contas, assim como a música, a culinária, os trajes, fazem parte da cultura de um povo.

Rapaziada da Zona Oeste
Não posso nem dizer que “vi” o show do RZO, pois na verdade escutei duas músicas quando estava à caminho do palco Luz e passeoi pelo palco Júlio Prestes, mas como eles estavam tocando as minhas duas músicas prediletas do grupo, Paz Interior e O Trem, então vou contar como uma das atrações que eu vi…..hehehe

Qui Nem Jiló
Quando da morte do Jair Rodrigues eu publiquei um post no Facebook falando que, mais do que a perda do artista, a maior perda era da pessoa, já que ele era um ser que, se eu não fosse tão cético, acreditaria ser um espírito de luz ou ter uma aura do bem. A Teresa Cristina é uma destas pessoas também. Só a presença dela no palco já faz você abrir um sorriso.

Além disto, ela canta bem para caramba, sabe montar um repertório fantástico, colocando músicas menos conhecidas intercaladas com grandes sucessos de outros artistas que ela interpreta. Para “ajudar” ela ainda conta com uma competentíssima banda.

Por tudo isto este show acabou entrando no rol de um dos melhores que eu vi em minhas 7 edições de virada cultura, ao lado do próprio show do Jair Rodrigues e do Living Colour, que assisti na virada cultural de 2010.

E agora virou obrigação assistí-la quando ela vier a São Paulo ou da próxima vez em que eu for ao Rio e ela estiver se apresentando.

Underere
Entre a Teresa Cristina e o Pagode 90 (que iria assistir mais pela memória afetiva) tinha a Eliana de Lima e como já estava cansado de andar de um canto pra outro, resolvi assistir tb. Não foi tão legal pois ela está longe de ser uma baita cantora, então acabou valendo também pela memória afetiva.

Enquanto comia um pastel na espera pelo Pagode 90 o tempo fechou (literalmente), mal dando tempo de engolir o ultimo pedaço e correr para a marquise da Estação da Luz. E a chuva acabou trazendo uma agradável surpresa…

Até a acústica da Estação da Luz ajudou.

Até a acústica ajudou.

Proteja o meu Maracatu!
No momento da forte chuva que caiu sobre São Paulo, o Grupo Maracatu Bloco de Pedra, que se apresentaria no Parque da Luz, correu para dentro da estação de trem da Luz e, meio que espontaneamente, começaram a tocar ali mesmo. Um som legal, um público empolgado (e um tanto quanto “emocionado” pelo álcool), a bela arquitetura da estação (que inclusive ajudou na acústica) e a surpresa fizeram desta curta apresentação uma atração bem legal.

Pena que, por não ter sido programada, os seguranças e a administração da estação solicitaram a interrupção da apresentação. Mesmo assim, até eles estavam com boa vontade e permitiram que rolasse mais um pouco.

Mas seria legal se nas próximas edições utilizassem este “aparelho” para programar eventos.

Nem tudo são flores
Como já disse, esta foi minha 7ª Virada Cultural, todas elas sem nenhum incidente comigo ou com conhecidos (e algumas vezes eu varei a madrugada sozinho, como em 2010). É um evento muito legal e São Paulo precisa de mais eventos que ocupem o espaço público. Sua população merece isto. A cidade merece isto.

Eu não gosto muito destas “teorias conspiratórias”, mas é estranho porque enquanto era a gestão Serra/Kassab (que deixou este legado de bom pra cidade) que comandava a cidade, não davam tanta atenção para os incidentes que SEMPRE ocorreram e ocorrerão em eventos deste tamanho (ocorrerão aqui em SP, ocorrem no carnaval da Bahia e do Rio, ocorreriam em NY, em Berlin, em Londres, em qualquer lugar onde você junta uma multidão deste tamanho)

Mas três coisas que vi e ouvi me deixaram com um misto de perplexidade, tristeza e falta de esperança, não em relação ao evento, mas ao rumo que nossa sociedade toma:

  • O comandante da PM assinando seu atestado de incompetência pedindo que o evento seja diurno e com acesso restrito para que exista revista. Ele simplesmente admitiu a falência do sistema do qual ele faz parte, que é o de segurança pública. (e aqui não é uma crítica à instituição, pois a PM fez ótimo trabalho, na medida em que puderam, durante esta virada).
  • O apresentador da Globo perguntando se vale a pena investir 13 milhões num evento como este. O público estimado foi de 4 milhões de pessoas! Quer investimento melhor do que este? Poderiam investir mais ainda e fazer o evento 2, 3, 4 vezes por ano.
  • Das 4 confusões que eu presenciei, 3 delas foram causadas pela Guarda Civil Metropolitana tentando apreender produtos de vendedores ambulantes, o que invariavelmente gerava uma correria generalizada, pois as pessoas inicialmente não sabiam do que se tratava e em um segundo momento a revolta do próprio público, que em uma das confusões quase resultou em agressão aos próprios guardas. Ao invés deles focarem em apreensões, poderiam ao menos neste evento, ajudar na segurança. Seriam muito mais úteis.

Valeu a pena!
Após 10 anos de eventos, nota-se que ele vem progredindo em todos os sentidos. Inicialmente houveram problemas com falta de banheiros e de pontos de alimentação, que já foram solucionados lá pela 6ª edição. Depois o problema da segurança, que também vem melhorando a cada ano.

Nos primeiros eventos eu presenciei algumas confusões (brigas e discussões) entre o público ou entre tribos (roqueiros, punks, pessoal do RAP, Samba, Eletrônico, etc) no caminho entre um palco e outro. Porém, nas últimas 3 ou 4 edições não presenciei nenhuma confusão deste tipo, até porque, hoje a turma do “deixa disso” deve corresponder a pelo menos 90% do público e qualquer tensão é logo aplacada pelo próprio público. Ou seja, o evento está servindo também para aumentar a tolerância das pessoas ao que é diferente.

Em outros anos a quantidade de atrações boas (para o meu gosto, que fique claro) impressionava e ficava até complicado escolher o que eu iria ver. De uns três anos para cá eles aumentaram mais a variedade de estilos, o que fez com que as opções para o meu gosto diminuissem, mas em compensação está atraindo bem mais pessoas (inclusive de outras cidade e até estados, e desta vez vi bastante gringos também). Mas é uma festa popular e é mais do que justo tentar atender à todos os gostos.

Muita gente deixa de ir na Virada Cultural alegando que vai ter muito bandido, drogado, travesti. Sim, o centro é cheio de travestis, prostitutas, drogados, mendigos. Mas antes do nóia, da puta, do traveco ou do dorme sujo, o que existe ali é um ser humano, e se você não consegue ao menos sentir empatia e tolerância por outro ser humano a ponto de não conseguir conviver no mesmo espaço que ele por algumas horas que sejam, então o melhor mesmo é não ir (aliás, o melhor ainda é que você vá viver isolado, pois você ainda não aprendeu a viver em sociedade).

Todas as vezes eu sou sim interpelado por estas pessoas que vivem na região central. Algumas vezes me pedem cigarro, outras a cerveja que estou tomando, alguns poucos me pedem dinheiro (a maioria explica que é pra tomar uma cachaça, afinal cobertor de mendigo é pinga), muitos nem me pedem nada. O que todos eles no fundo querem é alguém que lhes dê atenção, por 5 ou 10 minutos que sejam, ao invés de enjeitá-los, isolá-los, tratá-los como párias da sociedade. E se 10 minutos de minha atenção foram suficientes para melhorar um pouco o dia destas pessoas, isto já me valeu muito a pena. Até mais do que os shows.

Algumas outras fotos:

Virada 06

A lateral do Teatro Municipal, vista da 24 de Maio

Virada 07

Venha correndo Mappin!!!

Virada 08

A frente do belo Teatro Municipal

Virada 09

Estação da Luz

Virada 10

Festa para todos os credos…

Virada 11

…e crenças (instalação no Parque da Luz)

Virada 12

Outro ângulo da Estação da Luz

Virada 13

Não era atômico, mas era um belo Maracatú!

Virada 14

A arquitetura da Estação da Luz me lembrou a da Estação de Hamburgo, na Alemanha (por isto ela não me era estranha quando tomei trem lá)

Botecando #20 – O’Malleys

omalleys 1Putz, eu estava quase me esquecendo de fazer este review. E justo do O’Malleys, que é um dos pubs de São Paulo que eu mais gosto!

O O’Malleys é um dos pubs mais antigos e mais tradicionais de São Paulo (acho que nos dois quesitos ele só perde para o Finnegan’s). Situado na esquina da Rua da Consolação (do lado do Jardins) com a Alameda Itu, fica num imóvei dividido em vários ambientes: logo na entrada se encontra o bar mesmo, ao lado existe uma “saleta” com uma meia dúzia de mesas. Mais pro fundo se encontra um salão um pouco maior, também ocupado por algumas mesas e também o acesso a um pequeno mesanino onde se encontra uma mesa de snooker. Na parte de cima do bar fica a “pista”, com um palco ao fundo.

Em todos os ambientes existem várias TVs que ficam transmitindo constantemente prograções esportivas e, quando existe banda tocando no piso superior, algumas destas TVs “transmitem” a performance da banda (é apenas uma câmera estática em frente ao palco).

Normalmente durante a semana, devido à proposta de ser um pub Irlandês/Inglês e a proximidade com a Avenida Paulista, é reduto da gringaida que está na cidade, principalmente à trabalho.

omalleys 2Uma das coisas que eu mais gosto aqui é que é possível tomar pints de Guinness que são tirados da tap, ou seja, é a Guinness na sua forma tradicional. Os petiscos também são bons e não ficam focados somente na culinária Irlandesa e Inglesa, e pode-se encontrar algumas coisas da culinária mexicana (nachos), americana (burgers) e brasileira (petiscos, tábuas de frios, etc).

As bandas que normalmente se apresentam são de pop/rock internacional. Não sei se é a proposta da casa, mas em todas as vezes que eu fui ao O’Malleys, as bandas focavam num repertório mais anos 80.

omalleys 3Às sextas e sábados, e também no dia de São Patrício, a casa fica lotada (bem menos do que ficava antes da tragédia de Santa Maria, que teve este “lado bom”), o que faz com que enormes filas se formem e a espera ultrapasse as duas horas. Se estiver pensando em ir num dia destes, o ideal é chegar antes das 22:00hrs (antes das 21:00 até) ou depois da 1:00.

Outra coisa ruim, para quem fuma, é a área destinada a fumantes: é um chiqueirinho externo e, devido à proximidade de vários prédios residenciais, só 3 pessoas podem sair para fumar ao mesmo tempo, o que gera uma considerável fila nos dias mais cheios.

Mas é um lugar ótimo para tomar umas com os amigos, especialmente fazer um happy hour nos dias de semana.

Onde: O’Malleys (Alameda Itu, 1529 – Jardim Paulista)
Quando: 15/04/2014
Bom: Guinness on Tap!!!!
Ruim: fumódromo e filas aos finais de semana
Site: http://www.omalleysbar.net/

Todo Carnaval Tem Seu Fim (ou não)

Carnaval

As “fardas”: Tom Maior, Urubó e Bando 7

Ultimamente eu tenho evitado viajar em feriados prolongados. Fiquei em São Paulo no ano novo, fiquei em São Paulo no Carnaval e só vou aproveitar os próximos feriados (Páscoa e Corpus Christi) pois vou emendar junto alguns dias de férias.

Devido à falta de infraestrutura (aeroportuária, rodoviária, hoteleira) e a alta demanda que existe ultimamente, está muito caro para viajar nestes feriados. Isto sem falar no sofrimento de encarar transito, aeroportos lotados, falta de transporte público, falta de água, etc. Então estou preferindo desfrutar os feriados em São Paulo e quando possível viajar em finais de semana normais “esticados”, já que tenho a flexibilidade de horários no meu trabalho.

E o que parecia que iria ser um carnaval calmo e tranquilo se tornou num dos melhores carnavais que eu já passei e, devido aos comentários em redes sociais e às reportagens nos portais de notícias, não foi só impressão minha. Parece que São Paulo está se tornando uma boa opção para esta festividade.

Abaixo um pequeno resumo do que foi meu carnaval.

Urubó

Carnaval - Urubo

Cuidado com seu Ó!!!!

Este simpático bloco, que já desfila na Freguesia do Ó (bairro onde cresci e vivo) desde 2010, me foi apresentado pelo Leandro Moraes (vulgo Tula), um amigo de longa data. Apesar de estar bem no começo, o bloco é de um profissionalismo impar e proporciona aos foliões tudo aquilo que se espera: diversão, pessoas de bem com a vida, marchinhas de carnaval e um ambiente bem familiar. Além do que, para mim, a proximidade conta muito.

Como diz um trecho do hino do bloco, “alegrando a menina e a vovó”, neste bloco existiam desde crianças de colo até pessoas de idade, e todos afim de aproveitar um carnaval mais simples dos que os que se vê, por exemplo, na Vila Madalena. O cenário bucólico, que remete a uma cidade do interior, do Largo da Matriz da Nossa Senhora do Ó (com a praça central com a Igreja e os estabelecimentos comerciais à volta), ajuda muito. Mas realmente, o que faz a diferença é a consciência do pessoal.

O melhor de tudo é que eles realizaram ensaios abertos e ao ar livre desde o segundo final de semana de Janeiro, o que possibilitou que meu carnaval começasse mais de um mês antes da data oficial. Só espero que, com o sucesso do bloco, ele não perca suas características.

Tom Maior

Ala 2 - Índios Laranjas

Ala 2 – Índios Laranjas

Minha amiga Betty Martinez, ao saber que eu estaria em São Paulo durante o Carnaval, me perguntou se eu queria desfilar na Tom Maior e/ou na Pérola Negra, escolas que ela frequenta a bastante tempo. Como também Já frequento escolas (especialmente a Rosas de Ouro) a uns 15 anos, mas nunca estava em São Paulo para desfilar, resolvi encarar o “desafio”.

Desafio aceito, para não fazer feio na avenida, acompanhei três ensaios abertos (o que não foi nenhuma dificuldade…hehe). No dia do desfile chegamos na escola as 23:00hrs da sexta (o desfile aconteceu as 6:05 da manhã do sábado) para podermos nos preparar. Durante a concentração, o clima é de alegria, correria e ajuda mútua. As 3:00 horas da manha seguimos rumo ao Anhembi e a concentração para o desfile ocorreu debaixo de uma chuva chata.

Infelizmente no momento de entrar na avenida, o carro abre alas quebrou, o que impactou o desempenho da escola. Mesmo assim, para marinheiro de primeira viagem, eu achei muito legal e senti até um frio na barriga antes de entrar na avenida. Por mim eu desfilo novamente ano que vem, porém em alguma ala que tenha uma fantasia um pouco menor.

Carnaval - Bando 7

…me deixa ir senão me atraso e o bloco sai.

Bloco 7
Descobri este bloco, que comemorou em 2014 seus 30 anos, através do aplicativo do Catraca Livre. O bloco se concentra na esquina da Rua Girassol com a Rua Purpurina, na Vila Madalena, e na concentração estava rolando um samba de mesa muito bom.

A saida do bloco atrasou cerca de uma hora, pois a chuva insistia em cair. Como chegou um horário em que eles não poderiam esperar mais, sairam do mesmo jeito. O bloco faz um percurso legal pelas principais ruas do bairro, mas o ruim é que eles ficam tocando, repetidamente, o hino do bloco (eventualmente eles tocam algumas marchinhas), o que o torna um pouco massante.

Mas o melhor foi que o bloco deve ter saido com umas 2 mil pessoas e na dispersão, em frente à quadra da Pérola Negra (o então presidente do bloco, que se aposentou este ano, foi um dos fundadores da Pérola e também da Águia de Ouro) creio que já existiam umas 8 mil, pois as pessoas iam fechando suas contas nos bares e se juntando ao cortejo.

Bangalafumenga / Sargento Pimenta

Carnaval - Bangalafumenga

Bangalafumenga agitando Sampa!

No ano passado eu cheguei a ir até este bloco (na verdade 2 blocos tocando na sequência) na Vila Madalena, porém estava tão lotado que não consegui nem ouvir o som (acabei vendo o Sargento Pimenta no Aterro do Flamengo).

Este ano transferiram estes dois blocos cariocas (eles fazem o pré carnaval em SP, mas no carnaval mesmo, saem no Rio) para a Avenida Paulo VI (continuação da Avenida Sumaré), o que foi uma idéia sensacional. Além de não incomodar os moradores, já que ali não existem residências, havia bem mais espaço e o trio pode “sair” (na Vila era um palco).

O Sargento é um bloco que faz versões de marchinhas de sucessos dos Beatles e já é bem famoso, tendo inclusive tocado em um evento dos Beatles em Liverpool. Já o Banga (como é carinhosamente chamado), faz versões carnavalescas de sucessos da música popular brasileira. O Banga tem uma oficina de percursão em São Paulo e, no quarto ano fazendo o pré-carnaval por estas bandas, não precisaram do “reforço” dos percursionistas do Rio. Sinal que tem muita gente em São Paulo interessada em curtir este tipo de carnaval.

Bloco do Ó

Carnaval - Bloco do O

O já tradicional Bloco do Ó

O Bloco do Ó, que este ano saiu pela 10ª vez, é o bloco carnavalesco do bar ‘Ó do Borogodó’ (uma das melhores opções em São Paulo para se ouvir ritmos brasileiros diferentes, como maracatu, jongo, congada, forró, tudo isto misturado com samba e MPB).

É um dos blocos que mais gosto e esta foi a quarta vez que fui no pré carnaval deles. O som é proporcionado pela “Orquestra Carnavalesca do Ó do Borogodó”, que é formada por músicos que compõem vários dos grupos que se apresentam na casa, e concentra seu repertório em marchinhas e sambas antigos.

Este bloco já está ficando tradicional na Vila e atrai bastante gente por causa do som que fazem, pela presença de todo tipo de gente (casais com bebês em carrinhos, pessoas idosas, turistas, gringos, etc) e também pelo fato de ser um dos blocos em que muita gente sai fantasiada (creio que o paulistano ainda é mais “travado” e no máximo coloca um chapéu, um óculos diferente, etc), até por que a própria banda é campeã no quesito “criatividade” de fantasias.

Vai Quem Quer
Depois do Bloco do Ó, emendamos o “Vai Quem Quer”. É um bloco diferente e bem animado, mas não faz muito meu estilo por só tocarem composições próprias.

Bar da Dona Diva
No domingo de carnaval, cai na besteira de sair do Urubó para ir a um bloco que estaria acontecendo na Benedito Calixto. Chegamos lá e estava uma zona só, com uma molecada bebada, tudo sujo, e desistimos sem antes chegar perto do bloco.

No caminho para a Vila na esperança de encontrar algo para fazer, acabamos caido no já conhecido e aconchegante “Sem Saida”, como é conhecido o Bar da Dona Diva. Já falei dele aqui.

Jegue Elétrico
Na segunda-feira demos um tempo no Urubó para tentarmos ver o Jegue Elétrico (o mesmo que estaria no domingo na Benedito Calixto), na Praça Roosevel. O bloco é bem legal pela “fauna” que habita o Centro, especialmente na região do Baixo Augusta, porém, também cai na besteira de ficar repetindo o próprio hino (até que era legal, mas chega uma hora que fica massante).

Foi uma experiência bem legal curtir o Carnaval de São Paulo e para mim acabou “empatando” com o carnaval do ano passado, que passei no Rio. Pena que em São Paulo não tem praia…