Dexter’s Final Cut – Jeff Lindsay (9/2014)

Dexter's Final CutO primeiro livro da série (Darkly Dreaming Dexter) foi o que deu origem à série televisiva do anti-heroi mais “amado” dos últimos tempos (talvez ele acabe perdendo o posto para o Hannibal!) e este já é o sétimo livro do serial killer que mata serial killers.

Para quem acompanhou ou pretende acompanhar o seriado, vale um esclarecimento: com exceção da primeira temporada da série, que é realmente baseada no livro (apesar de algumas diferenças, especialmente no final), os livros tomaram um rumo totalmente diferente, então, não existe problema em ler e assistir o seriado.

Além disto, existem algumas diferenças entre os personagens: no livro, o Dexter é totalmente sem sentimentos, o que faz com que ele seja mais dissimulado ao fingir os sentimentos de seres humanos normais. As piadas dele no livro também são mais ácidas e sarcásticas. Além disto, no livro, como não existe censura, não existem limites para os palavrões de sua irmã, Deb.

A descrição das cenas de crime também entram em detalhes que, se você for como eu, que monta um filme na sua cabeça, são bem fortes. No ínicio do seriado (três ou quatro primeiros capítulos), as cenas de crime eram bem explícitas também, mas creio que como começou a fazer sucesso resolveram dar uma amenizada.

O estilo de escrita do Jeff Lindsay é bem interessante e fluida e é do tipo do texto que você não consegue parar de ler. Este livro, por exemplo, que conta com 357 páginas, eu lí em 6 dias. E isto porque eu comprei a versão em inglês. Falando nisto, é um bom livro para quem quer aumentar o vocabulário e consequentemente a fluência no idioma. Sugiro adquirir as versões na língua original, já que o Dexter, que é o próprio narrador dos livros, faz umas brincadeiras com palavras, quando se refere à ele mesmo (sempre em terceira pessoa), que creio terem se perdido na tradução. Do meio do nível intermediário de Inglês para cima (B2 da tabela européia), acho já ser possível alguém conseguir ler o livro. No início dá um pouco de trabalho, mas depois de umas 100 páginas a coisa começa a fluir e a necessidade de consultar dicionário diminui bastante pois você começa a entender as palavras pelo contexto.

Neste livro, Dexter é designado para servir de conselheiro técnico para um ator que vai interpretar um perito em um seriado cujo piloto está sendo filmado em Miami. O problema é que, enquanto a equipe de filmagens está na cidade, uma série de assassinatos estranhos começam a ocorrer e Dexter, na ânsia de encontrar o serial killer (e ao mesmo tempo satisfazer seu Dark Passenger), se mete em uma encrenca que vai mudar os rumos da série literária. E que me deixou na expectativa para o próximo livro da série.

O seriado foi bem legal (bem, até a 6ª temporada, pelo menos), mas como o livro sempre foi mais interessante (pelas características do personagem, citadas acima), eu torço para que em algum momento resolvam fazer um filme ou um seriado que seja fiel ao livro.

Botecando #21 – Neptune’s Net

Neptune's Net 1Este é mais um restaurante/lanchonete do que um bar propriamente dito, mas como oferece várias opções de cerveja e é um dos poucos lugares nos EUA que voce consegue beber olhando o mar, vou colocar na categoria de boteco também.

Localizado em frente à praia de Dana Beach, na cidade de Malibu, este bar oferece várias opcoes de frutos do mar (para quem gosta) e conta com geladeiras com os mais variados tipos de cerveja. A coisa funciona no sistema self service: voce vai até a geladeira, escolhe sua cerveja, passa no caixa (onde se pode fazer os pedidos de comidas, incluindo muitos petiscos), paga, escolhe uma mesa e se senta.

Neptune's Net 2O bar é tambem ponto de encontro de motociclistas que o utilizam como ponto de encontro, ou apenas como parada para comer algo, durante os passeios pela Pacific Coast Highway, mais conhecida como PHC-01, a estrada que percorre a costa oeste americana, desde San Diego ate a fronteira com o Canada.

A vista para a praia de Dana Beach é bem legal e podemos inclusive enxergar alguns filhotes de baleia se exibindo. Infelizmente meu celular nao tem um zoom bom e não deu pra tirar foto.

Opcões de cerveja é que não faltam aqui e inclusive eu acabei experimentando uma dark lager da Guinness, que é mais famosa pela sua stout, que eu nem sabia que existia.

O cardápio, para alguem que nao curte frutos do mar como eu, não é lá muito atraente, mas aparentemente, pelo movimento no local, deve ser muito bom e com preços razoaveis.

Vale uma passada para quem estiver por LA e resolver fazer um passeio (praticamente obrigatório), pela PCH-01.

Onde: Neptune’s Net (42505 Pacific Coast Hwy, Malibu, CA)
Quando: 25/04/2014
Bom: beber olhando o mar
Ruim: nothing
Site: http://neptunesnet.com

Botecando #20 – O’Malleys

omalleys 1Putz, eu estava quase me esquecendo de fazer este review. E justo do O’Malleys, que é um dos pubs de São Paulo que eu mais gosto!

O O’Malleys é um dos pubs mais antigos e mais tradicionais de São Paulo (acho que nos dois quesitos ele só perde para o Finnegan’s). Situado na esquina da Rua da Consolação (do lado do Jardins) com a Alameda Itu, fica num imóvei dividido em vários ambientes: logo na entrada se encontra o bar mesmo, ao lado existe uma “saleta” com uma meia dúzia de mesas. Mais pro fundo se encontra um salão um pouco maior, também ocupado por algumas mesas e também o acesso a um pequeno mesanino onde se encontra uma mesa de snooker. Na parte de cima do bar fica a “pista”, com um palco ao fundo.

Em todos os ambientes existem várias TVs que ficam transmitindo constantemente prograções esportivas e, quando existe banda tocando no piso superior, algumas destas TVs “transmitem” a performance da banda (é apenas uma câmera estática em frente ao palco).

Normalmente durante a semana, devido à proposta de ser um pub Irlandês/Inglês e a proximidade com a Avenida Paulista, é reduto da gringaida que está na cidade, principalmente à trabalho.

omalleys 2Uma das coisas que eu mais gosto aqui é que é possível tomar pints de Guinness que são tirados da tap, ou seja, é a Guinness na sua forma tradicional. Os petiscos também são bons e não ficam focados somente na culinária Irlandesa e Inglesa, e pode-se encontrar algumas coisas da culinária mexicana (nachos), americana (burgers) e brasileira (petiscos, tábuas de frios, etc).

As bandas que normalmente se apresentam são de pop/rock internacional. Não sei se é a proposta da casa, mas em todas as vezes que eu fui ao O’Malleys, as bandas focavam num repertório mais anos 80.

omalleys 3Às sextas e sábados, e também no dia de São Patrício, a casa fica lotada (bem menos do que ficava antes da tragédia de Santa Maria, que teve este “lado bom”), o que faz com que enormes filas se formem e a espera ultrapasse as duas horas. Se estiver pensando em ir num dia destes, o ideal é chegar antes das 22:00hrs (antes das 21:00 até) ou depois da 1:00.

Outra coisa ruim, para quem fuma, é a área destinada a fumantes: é um chiqueirinho externo e, devido à proximidade de vários prédios residenciais, só 3 pessoas podem sair para fumar ao mesmo tempo, o que gera uma considerável fila nos dias mais cheios.

Mas é um lugar ótimo para tomar umas com os amigos, especialmente fazer um happy hour nos dias de semana.

Onde: O’Malleys (Alameda Itu, 1529 – Jardim Paulista)
Quando: 15/04/2014
Bom: Guinness on Tap!!!!
Ruim: fumódromo e filas aos finais de semana
Site: http://www.omalleysbar.net/

Wanderlust #2 – San Diego – USA – Apr/2014

San Diego Bay (com o USS Midway ao fundo)

San Diego Bay (com o USS Midway ao fundo)

Em Fevereiro de 1996 eu partia para o que seria minha primeira aventura internacional. Depois de um visto negado e de ter dado um “jeitinho brasileiro” para aprovar o segundo pedido de visto, eu parti num 747 da JAL com destino a LA e depois num ônibus da Greyhound para San Diego afim de fazer um curso de imersão em Inglês.

Na época, tinha apenas 19 anos, mal sabia o verbo “to be” e contava com apenas 500 dólares para passar um mês. Era uma epoca pré internet, onde se conseguia poucas informações sobre o destino, sobre o que fazer, o que visitar e com tão poucos recursos (o curso e a estadia estavam pagas, assim como a passagem, que obtive quase de graça pois trabalhava na época na Transbrasil, mas nem cartão de crédito eu tinha), foi uma aventura e tanto.

O "Ruivomóvel" da vez

O “Ruivomóvel” da vez

Desta vez foi um “pouco” diferente. Apesar do pouco tempo, hoje conto com mais recursos, o que me permitiu inclusive o aluguel de um carro para tirar um lazer (um Mustang 2014 conversivel!). Pena que pude passar apenas 3 dias.

A Cidade
San Diego é uma cidade interessante. Apesar de ser gigante e ficar no estado mais rico dos EUA, talvez por estar no extremo sul da costa oeste e fazer fronteira com o México, é uma cidade meio que “interiorana”. As coisas lá andam num ritmo bem lento, se comparado a outras cidades americanas e mesmo a São Paulo.

Alem de tudo, a cidade é praticamente uma base militar (boa parte do filme Top Gun foi filmada lá).

É impressionante tambem a quantidade de brasileiros que visitam (ou moram, vai saber) San Diego. Eventualmente você está andando pela rua e houve um grupo de pessoas falando português, coisa que, mesmo em Los Angeles ou Nova Iorque, não é tanto comum (a não ser nos centros turísticos ou de compras).

Construida em torno da Baia de San Diego, conta com varias praias e é a sede do Sea World que existe na Costa Oeste (existem outros dois, um no Texas, no centro dos EUA, e outro na Flórida, na Costa Leste). Seu Zoológico é conhecido como “o maior do mundo”, porem creio ser uma denominação exagerada, pois o de Sao Paulo é maior em área ocupada. Talvez o San Diego Zoo seja o que conte com mais espécies de animais.

A cidade tambem é muito bem servida por uma rede de transporte publico composta por ônibus, trens e trolleys, porém, assim como na maior parte dos EUA, um carro é indispensável para quem deseja aproveitar o que a cidade oferece (até por conta da sua grande extensão).

O que ver?
Alem do Zoo, já citado, e do Balboa Parque, que abriga o Zoo, San Diego Downtown, com seus restaurantes e bares, são paradas obrigatórias. Em downtown, à beira da baia, tambem se encontram dois museus interessantes: o USS Midway Museum, um porta aviões aposentado que virou museu, e o museu maritimo (infelizmente não pude conhecer). Seaport Village, também à beira da baia, em downtown, é um passeio interessante: é basicamente uma “feira de artesanato” que fica na beira da baia.

Mas a mim, o que me atrai em San Diego são suas praias, que têm uma composição bem diferente das do Brasil, mas não deixam de ter sua beleza. Desde Imperial Beach, no extremo sul da cidade, já na fronteira com o Mexico, passando por Coronado Beach, que fica na ilha de Coronado e é onde fica o famoso “Hotel Del Coronado”, que já foi utilizado para várias filmagens, passando por Mission e Pacific Beaches, todas as praias têm o seu charme.

O sol se pondo em Sunset Clifs

O sol se pondo em Sunset Clifs

Duas que particularmente me atraem bastante, se é que posso chama-las de praias, já que na verdade eu curto ficar no alto da colina vendo o mar, são Sunset Cliffs e La Jolla.

Sunset Cliffs é a primeira praia no lado norte da baia. Na verdade trata-se de um paredão de pedra com o mar logo abaixo e poucas praias, algumas delas com acesso somente pelo mar. É a praia preferida dos surfistas, que se aventuram a entrar no mar pulando com suas pranchas das pedras e usam o canto sul da praia, que dá acesso ao Sunset Cliffs Park, para sair do mar, tendo que depois praticamente escalar um morro para conseguir efetivamente sair da praia. As casas em frente à praia sao casas simples (pros padrões americanos) e normalmente sao alugadas ou compradas por surfistas que querem ter acesso mais fácil às melhores ondas da região. Eventualmente, no final da tarde, é possível ver golfinhos nadando ao lado dos surfistas e, com um binoculo, avistar algumas tartarugas marinhas.

Children's Poll em La Jolla

Children’s Poll em La Jolla

La Jolla estava bem diferente do que era há 18 anos atrás. Já era meio que uma “Maresias” de San Diego, mas desta vez parece que a ostentação chegou de vez. Mesmo assim não perdeu seu encanto. Tambem é composta por vários paredões de pedra, só que com mais praias e com acesso melhor à elas do que Sunset Cliffs. Aqui sempre é possivel avistar grupos de focas. Existé ate um “santuário”, chamado de Children’s Pool, onde elas ficam se espreguicando no sol durante o dia.

É muito interessante voce voltar para um lugar que voce conheceu há bastante tempo e notar as diferenças que ocorreram durante quase duas décadas. Mas para mim San Diego ainda guarda o mesmo encanto que tinha quando conheci da primeira vez. Uma pena somente não ter encontrado a casa onde fiquei quando estive lá em 1996 (a escola eu achei), mas ao passar pela rua eu lembrei das musicas que faziam sucesso nos EUA naquela epoca e que passavam direto na MTV: Smashing Pumpkins – 1979, Green Day – Brain Stew/Jaded e The Presidents Of The United States Of America – Peaches.

Cotas: a necessidade, os prós e os contras

Level Playing Field 1

Quem alguma vez na vida já jogou futebol na rua, sabe o quanto é importante, na hora do par ou impar, escolher o campo e, em se tratando de uma subida (ou descida, depende do ponto de vista), estar na parte mais alta. Quem joga na parte de cima, além de ter a vantagem de se cansar menos, ainda conta com a ajuda da gravidade, tanto em benefício do ataque, quanto em benefício da defesa, ou seja, o desnível do campo pode favorecer ou desfavorecer determinado time.

Os americanos costumam utilizar a expressão “level playing field” (campo de jogo “equalizado”) para descrever situações onde os “competidores” (sejam no esporte, nos negócios ou na vida acadêmica) têm as mesmas regras, as mesmas oportunidades e o mesmo ponto de partida. É claro que, usando o esporte como exemplo, um atleta pode ter um patrocínio maior e ter mais disponibilidade, para por exemplo, adquirir equipamentos melhores, porém, deve existir um ponto de partida mais equalizado para que a competição não se torne injusta (as divisões por peso e idade nos esportes de luta, por exemplo).

(Antes de continuar, um aparte: eu não gosto muito de utilizar experiências pessoais negativas, pois fica parecendo que é “choro de perdedor” ou que eu estou me fazendo de coitadinho, o que não é o caso. As usarei aqui somente para ilustrar minhas idéias)

Quando no último ano de faculdade, em 2002, já com 25 anos (por diversos motivos não pude cursar uma faculdade antes, aliás, até comecei uma com 19 anos e não pude continuar), fui atrás de estágio, eu senti na pele como pontos de partida diferentes influenciam na vida de uma pessoa. Eu me candidatei para inúmeros estágios, nas mais diversas empresas, especialmente as grandes (era um sonho fazer carreira numa grande empresa).

Porém, quando eventualmente era selecionado para participar do processo seletivo (fato raro), eu entrava na disputa como um azarão. Seja porque os outros “competidores” tinham estudado em colégios de renome (fiz o primeiro e segundo graus em colégios estaduais), seja porque eles puderam ter acesso às melhores faculdades (que ou eram públicas, e apesar de eu achar que estudando com afinco conseguiria uma vaga, eu não poderia deixar de trabalhar para estudar, ou eram mais caras do que a faculdade que eu pude pagar) ou mesmo porque tiveram experiência internacional, sabiam falar 2 idiomas além do português, entre outras coisas.

No final das contas eu fui fazer estágio em uma pequena consultoria de tecnologia, muito mais porque eu tinha um background profissional na área em que eles estavam precisando (e muito porque quem tinha o melhor curriculum, preferia as empresas maiores e de renome).

Por estes motivos, e por achar que a função maior do Estado é proporcionar qualidade de vida aos seus cidadãos, e que, qualidade de vida passa por oportunidades de desenvolvimento, eu entendo que o Estado deve sim interferir para corrigir injustiças e erros, que muito provavelmente foram causados por ele mesmo, e que irão influir no futuro dos cidadãos (e consequentemente da própria nação). Já deixei isto claro no meu artigo de estréia na Feedback Magazine.

Level Playing FieldEu comecei com esta história como um “gancho” para falar do assunto principal do artigo. Há algumas semanas vi algumas pessoas compartilhando a notícia de que a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da câmara dos deputados aprovou uma cota de 20% das vagas para negros em concursos federais. A notícia quase passou despercebida pois as pessoas estava mais preocupadas com a votação do Marco Civil da Internet (Ok! Atualmente, pra muita gente, a Internet é mais importante do que pessoas), porém, pelas poucas pessoas que compartilharam e discutiram sobre o assunto, o que eu mais notei foram extremismos. Tinha quem é contra toda e qualquer cota, pois entendem que, independente de qualquer coisa, as pessoas têm que se esforçar para conseguir algo (talvez elas também achem que as paraolimpíadas sejam uma bobagem e, quem quiser competir, que o faça entre os atletas “normais”). Também tinha quem era totalmente à favor, pois o Estado deve corrigir injustiças do passado. Não vi ninguém discutindo a forma como esta compensação/correção é feita, o que para mim é o maior erro.

Como disse anteriormente, não sou contra estas compensações, porém eu discordo da forma com que elas são feitas atualmente e, principalmente da justificativa.

A principal justificativa para a implementação das cotas raciais (pior que o conceito de raça nem é mais utilizado, e sim o de etnia) é corrigir o mal que foi causado aos negros por conta da escravidão.

Agora eu volto a outra história pessoal. Eu nasci e cresci nas periferias de São Paulo (e até da Grande São Paulo). Meu pai é de Sergipe e também filho de nordestinos, sendo que sua mãe tinha ascendência européia e seu pai era índio. Minha mãe nasceu no interior de São Paulo, sua mãe também tinha ascendência européia (até onde eu sei portuguesa) e seu pai, ou seja, meu avô materno, era um mulato originário da Bahia. Sim, apesar da minha tez branca e jeito europeu, eu sou decendente de índios e negros.

Meu avô, como todos os negros no Brasil, sofreu com falta de oportunidades para estudar (ele era semialfabetizado) e para arrumar emprego (ele trabalhava de segurança noturno), ou seja, ele herdou todos os problemas causados pela escravidão no Brasil. O mesmo aconteceu com o meu outro avô, que herdou todos os problemas (extermínio, escravidão, migrações forçadas, etc) que os índios sofreram na colonização do nosso país. Pois bem, se a justificativa para as cotas raciais é corrigir o grave erro da escravidão no Brasil, como seria possível mensurar que impacto a situação dos meus avôs influenciou a do meu pai (que era torneiro mecânico) e da minha mãe (que cursou até a quarta série e é costureira até hoje) e consequentemente a minha? Será que eu nasci e me criei na periferia, tendo que estudar em colégios público (no meu caso, o famoso “Malocão”, cujo lema extraoficial era “Entra burro e sai ladrão!”), porque meus avôs também não tiveram oportunidades? De que forma seria possível identificar algum impacto disto na minha vida e fazer com que eu também fosse compensado?

Não sou idiota a ponto de falar que eu entendo o que um negro sente quando é preterido de algo, ou mesmo ofendido, por causa da cor da sua pele, apesar de ter presenciado muitos casos (até hoje!), inclusive na família. Mas eu entendo que, apesar da maior parte da população de baixa renda e que, consequentemente, não têm o mesmo “ponto de partida” dos mais abastados, ser formada por negros, existem também muitas pessoas de outras etnias (os índios, como meu avô e boa parte do pessoal do norte e nordeste), que também não puderam ter acesso às mesmas oportunidades. E ai eu entendo que as cotas apenas raciais acabam criando uma “exclusão entre os excluidos” ou uma “inclusão seletiva”, pois o “baiano” (para quem é de São Paulo, ou “paraiba” pra quem é do Rio), que já teve oportunidades negadas no seu nascimento, novamente é colocado de lado em prol de outra “minoria”.

Mas o que mais me incomoda realmente é que estes mecanismos de ajustes são o remédio para o sintoma. E todo mundo fica discutindo como tratar ou não o sintoma enquanto se esquecem da causa do problema. O Brasil já tem um histórico de, pelo menos, 20 anos de uso de dispositivos sociais para diminuir as diferenças e injustiças, que têm sim sua efetividade, porém não vemos uma melhora nas causas do problema, especialmente no que tange à educação (já falei disto em um outro artigo meu).

Eu acho sim que devem existir dispositivos (auxilios, cotas, benefícios, etc) afim de corrigir injustiças do passado e erros que o Estado tenha cometido. Porém, estes dispositivos devem ser muito bem pensados, para que não acabem criando mais injustiças. E o principal: eles devem ser um paliativo enquanto a causa do problema não é solucionada, sendo que esta sim, é que deve demandar a maior parte dos esforços.

E não estou advogando em causa própria, já que eu já estou formado, pós graduado, trabalho numa grande empresa multinacional e consegui, apesar dos pesares, conquistar um certo nível de conforto.

Botecando #19 – Brennan’s Pub

Brennans 1Este legítimo pub Irlandes, aberto em 1972, era um dos lugares que eu mais frequentava enquanto estive em LA, muito pela proximidade de casa (uns 25 minutos andando), quanto pela qualidade do som que sempre rola lá.

Este e um pub “pub” mesmo: aquela “ilha” no centro do bar, com balcão de madeira, um jogo de dardos num canto, uma mesa de snooker no outro e um palco onde as bandas se apresentam.

Geralmente ia de sexta feira, já que como estava lá à trabalho (e trabalhava em horário dobrado, pois são 4 horas de diferença para o Brasil), ir às quintas era meio complicado. Porém é as quintas que ocorrem uma das grandes atrações da casa: a corrida de tartarugas (veja o vídeo que eu fiz aqui).

Brennans 3Quando falo sobre tartarugas correndo a galera acha que é piada, mas realmente ocorre. Em 2008 a casa ficava lotada às quintas por conta da corrida, inclusive com fila de espera, coisa inimaginável para um pub nos EUA. Acho que com a proibição das apostas que ocorriam (hoje em dia não se aposta, mas voce pode “alugar” uma tartaruga e, se ela vencer, voce leva um premio) e o checkpoint do DUI (Drug Under Influence de álcool ou drogas, o nosso famoso comando da lei seca), que fiquei sabendo que ocorre toda quinta feira, a menos de 50 metros do Brennan’s, o publico estava relativamente pequeno.

Mas nao deixa de ser uma diversão ver as pobres tartaruguinhas correndo feito loucas e imaginar o que faz com que elas se comportem deste jeito.

Brennans 2

O pátio onde ocorrem as corridas e também se pode fumar

Uma outra coisa legal do Brennan’s é que, por ter um pátio, é um dos poucos lugares nos EUA que dá pra fumar e beber ao mesmo tempo, já que fumar em locais fechados nos EUA é proibido, assim como beber em lugares públicos é crime (por isto em filme vemos as pessoas escondendo a bebida dentro de sacos, não que isto alivie), então, para sair para fumar, geralmente voce tem que deixar a cerveja dentro do local.

Para quem estiver por Los Angeles e for passar uma quinta feira por lá, este é um programa no mínimo interessante, além do pub em si que é bem legal e vale a pena a qualquer tempo. Só não tente ir no dia de São Patrício pois voce tera que chegar umas 3 da tarde para conseguir entrar (e se conseguir ficar de pé, a festa rola até umas 11 do dia seguinte!)

Onde: Brennan’s Pub (4089 Lincoln Blvd – Marina Del Rey – CA)
Quando: 24/04/2014
Bom: bandas e turtle racing
Ruim: people get too drunk, DUI check point
Site: http://www.brennanspub-la.com/

Wanderlust #1 – Phoenix – USA – Apr/2014

Uma opção no Arizona é pilotar uma Harley por suas belas estradas

Uma opção no Arizona é pilotar uma Harley por suas belas estradas

O primeiro post desta coluna era para ser sobre Berlin, mas estou trabalhando a tanto tempo no texto e está ficando tão longo (pensei até em quebrar em varias partes) que estou pensando em esperar minha proxima ida a Alemanha, que será em Junho, para escrever tudo de uma vez. Enquanto isto, vou falar sobre a minha mais recente viagem, aos EUA, mas irei dividir em 4 partes: uma para cada uma das três cidades que visitei e uma com dicas para quem viaja aos EUA e algumas observacoes ao longo desta estada (e de outras tantas que já tive por aqui).

Primeiramente, vamos falar de Phoenix, no Arizona, que já conhecia e fui novamente afim de visitar um casal de amigos. Mas antes de entrar nos detalhes da viagem em si, quero falar um pouco sobre os americanos.

BR x EUA
Eu sempre ouvi de todos que não conhecem os EUA, que o Americano é arrogante, frio e individualista. Bem, tem um pouco da doutrinação ideológica que recebemos na escola (“os imperialistas que acham que sao os donos do mundo”), mas também tem outros motivos.

O Brasileiro acha o Americano arrogante, o Inglês antipático, o Alemão muito fechado, os Japoneses muito sérios, mas nunca pára para fazer uma autoanálise e a verdade é que o brasileiro é chato. Esta chatisse é causada por muitos fatores, mas os principais são: a síndrome de cachorro vira latas (já falei disto neste artigo), a sua inconveniência e sua invasividade, e são poucas as culturas que toleram estas características.

Alem disto, o brasileiro acha que existe um “socialismo” nas relacões humanas: ele chega em uma roda de pessoas e acha que tem direito ao seu quinhão de atenção, de confiança, quando na verdade, atenção e confiança devem ser conquistados. Nao vou nem falar da mania de contato fisico que brasileiro tem e que é incomum na maioria das outras culturas.

Mas o Americano (assim como o Inglês, o Alemão, o Japonês, e todos os outros), em sua maioria são pessoas muito educadas, receptivas e, diferentemente do Brasileiro, são mais diretos e objetivos. Se ele não gosta de alguma atitude sua, ele vai falar na sua cara, sem rodeios, mas nao quer dizer que ele tem alguma coisa contra você. Ele só não gosta de perder tempo “dourando a pílula” ou “engolir sapo”. E mesmo que ele não goste de você, ele vai deixar isto claro, porém te tratar com respeito.

Alem disto, também falam que os norte americanos (incluindo ai os Canadenses) e os Europeus são individualistas e até egoístas. Não é bem assim. Eles primeiro cuidam de si para depois poderem ajudar os outros e não há nada de errado nisto. E só ver a quantidade de Americanos e Europeus que praticam voluntariado (anônimo!) comparado com os latino americanos que este estereótipo cai por terra.

Pessoas escrotas existem em qualquer cultura mais ou menos na mesma proporção, então nunca é bom generalizar ou estereotipar todo um povo.

Phoenix

Eu, Rebeca e Tony no show do Paul McCartney, em Phoenix, em 2010

Eu, Rebeca e Tony no show do Paul McCartney, em Phoenix, em 2010

Desde que minha amiga Rebeca e seu marido, Tony, se mudaram para Phoenix, este tem sido um destino obrigatório toda vez que vou aos EUA. Da mesma maneira que eles me “acolheram” em 2008, quando estive alguns meses a trabalho em LA (falarei mais sobre isto no post sobre Los Angeles), eles sempre me recebem com carinho e atenção e eu faço questão de passar alguns dias com estas companhias tão agradáveis.

A cidade de Phoenix, no Arizona, é relativamente nova (pouco mais de 100 anos) e um tanto diferente dos demais lugares nos EUA que eu conheço. A cidade é mais horizontal e são poucos edifícios, na sua maioria de empresas ou universidades e geralmente concentrados no centro da cidade.

É uma cidade bem planejada, com vias muito largas e bairros padronizados. Por ser uma cidade nova, não existem muitas atrações históricas (como em NY ou na Pennsylvania, por exemplo), porém conta com algumas poucas atrações intessantes. Uma delas, que eu havia visitado em 2010, é o Museu do Intrumento Musical, que é parada obrigatoria para quem estiver na cidade e que tem interesse e/ou paixão pelo tema e que reúne em sua coleção mais de mil (sim, mil!!!) instrumentos diferentes, das mais variadas partes do globo e de épocas passadas.

Phoenix 2

Sedona: a Campos do Jordão do Arizona

Em 2010 eu também visitei a cidade de Sedona, que fica a pouco mais de uma hora de distância de Phoenix e que costumo dizer que é a “Campos do Jordão” do Arizona: uma cidadezinha no alto das montanhas (lembrando que o Arizona fica no meio de um deserto), com casinhas típicas (neste caso, lembrando casas do velho oeste) e atrações voltadas à gastronomia e às artes.

Phoenix 4

Saguaro Lake

Desta vez tambem conheci o lago Saguaro, que na verdade é uma área inundada por uma represa, mas que forma um belo conjunto para a prática de esportes aquáticos ou mesmo para quem quer apenas aproveitar uma “praia”.

Fora isto, não existem muitos pontos turistícos que fariam alguem se deslocar do Brasil para conhecer este estado americano, porém, para quem estiver por la por algum motivo, vale a pena conhecer estas atrações. Também é possível ir até o Grand Canyon (fica no norte do estado, na divisa com Nevada), saltar de para quedas ou, como eu fiz tambem em 2010, dar umas voltas de Harley Davidson pelas ótimas estradas da região, que cruzam plantações de milho ou desertos.

Para quem curte uma jogatina, tambem existem varios cassinos.

Não é uma cidade, e mesmo um estado, que eu aconselharia alguém a ir conhecer nos EUA. Não porque seja ruim, mas pela falta de mais atrações e por existirem lugares mais interessantes lá para conhecer.

Big Data Marketing – Lisa Arthur (8/2014)

TERADATA CORPORATION

Nos dias de hoje, praticamente tudo o que fazemos deixa um “rastro digital”: corremos de manha usando o Endomondo para fazer o tracking dos nosso treinamentos, depois pagamos nosso café da manha com cartão de crédito (e ainda colocamos “CPF na nota”) e depois usamos o Waze para encontrar o melhor caminho até o trabalho. Basicamente todas as profissões atualmente usam algum tipo de dispositivo que coleta e/ou exibe dados. Usar Twitter, Facebook, Google e algum serviço de e-mail já é parte constante das nossas vidas.

Tudo isto gera um montante absurdo de dados que podem (e devem) ser utilizados pelas empresas para que estas possam criar e oferecer produtos e serviços mais específicos para seu mercado alvo, assim como pautar as estratégias de marketing das empresas.

Este livro trata justamente de todo este montante de dados disponíveis e as estratégias para transformar esta massa de dados em informação relevante, principalmente em como “desenrolar este novelo de dados” (o termo usado é “untangle the data hairball”).

O interessante é que este livro é direcionado aos profissionais de Marketing e foi escrito por uma profissional de marketing de uma empresa de tecnologia que é voltada justamente para o mercado de business analytics: Lisa Arthur, Chief Marketing Office da Teradata.

Ela foca as discussões em 5 itens principais e que devem ser a base para o desenvolvimento de um projeto / cultura de utilização de dados pelas áreas de marketing das empresas:

  1. Get Smart. Get Strategic – os responsáveis pelas áreas de marketing devem usar os dados de forma a desenhar a estratégia de marketing de suas empresas (ou linhas de produtos/serviços, conforme o caso).
  2. Tear Down the Silos – as informações geradas através destes dados devem estar concentradas num ponto único, pois se os dados estiverem em silos, será muito difícil a utilização deles, bem como definir a relevância destes para o negócio.
  3. Untangle the Data Hairball – este é o ponto principal do livro. Não adianta querer usar todos os dados disponíveis, pois isto irá pode fazer com que a empresa acabe perdendo muito tempo apenas em análise de informações. As áreas de Marketing devem identificar quais dados são realmente relevantes para o negócio para então poder utilizá-los.
  4. Make Metrics Your Mantra – os níveis estratégicos da empresa não podem perder tempo analisando relatórios detalhados ou navegando no raw data. Metricas devem ser definidas para que então os dados sejam utilizados para prover estas métricas.
  5. Process Is The New Black – segundo ela, apesar dos profissionais de marketing não serem muito fãs de processos, afim de que a empresa não se perca no emaranhado de dados e informações que são geradas e colhidas, processos devem ser definidos e seguidos à risca.

Outro ponto importante tratado no livro, já focando na implementação das estratégias, diz respeito ao relacionamento entre as áreas de Marketing e IT e de como elas devem trabalhar juntas, quando não eventualmente se tornarem uma só. Nesta parte ela entra um pouco no detalhe da estratégia, dando exemplos de vários tipos possíveis, mas faz uma ressalva muito importante: você pode fazer outsource de IT, porém nunca deve fazer outsourcing da estratégia de IT para Big Data.

É um livro bem interessante, tanto para o pessoal de marketing que está sendo bombardeado com o termo “big data”, quanto para os profissionais de IT, que já tem mais conhecimento dos termos técnicos ligados à big data entenderem o “outro lado”, o do pessoal de Marketing.

Botecando #18 – The Blooze Bar

Blooze 1Acabei indo neste bar, que fica em Scottsdale, região de Phoenix-AZ, dois dias seguidos, a convite do amigo Tony. No primeiro dia fomos ver uma banda que fazia clássicos do Heavy Metal dos anos 80 (especialmente as bandas Glam como Poison e Skid Row), chamada The League of Forgotten Saints.

Uma coisa que eu acho legal nos EUA é que as bandas “cover” realmente entram no clima e utilizam o visual igual ao da banda que estao “homenageando”. Como neste caso, a banda fazia um tributo a todo um movimento, a indumentaria era bem tosca, com um guitarrista usando um tapa olho (depois fiquei sabendo que era de verdade, pois ele nao tinha o olho esquerdo) e o vocalista usando meia arrastão nos bracos e uma tanga de couro (ui!).

Apesar de tocarem poucas musicas que eu conhecia (Peace Sells, do Megadeth, uma do Judas Priest, e algumas poucas outras), pois nós no Brasil temos mais contato com bandas Inglesas, foi uma balada divertida.

O Tony viu um cartaz que anunciava que aos domingos rolava uma Jam de Blues e planejou voltar no dia seguinte com sua Grestch 1967 (igual a do George Harrison) para fazer uns sons (acho que ele estava com abstinencia de palco…hehehe), e no dia seguinte fomos eu e ele (a Rebeca teve que ir trabalhar).

Ouvir algumas (poucas) músicas de Blues ate é legal, especialmente quando voce ouve apenas os sucessos, mas ir para uma Jam nao é muito bom. Primeiro que blues é muito chato: três notas como base e nego solando infinitivamente. Segundo que, como era uma Jam, a qualidade dos músicos era pra lá de questionável.

Mas mesmo assim, para um domingo a noite, foi até agradável e rendeu algumas boas risadas.

Onde: The Blooze Bar (12014 N. 32nd. Street – Phoenix, AZ, 85028)
Quando: 19 e 20/04/2014
Bom: bandas e preço
Ruim: too much red necks
Site: http://www.thebloozebar.com/

Dekanawidah: My Lessons Learned

Dekanawidah

I have been part of a very good collaborative game named Dekanawidah – A Liga das Nações Iroquesas (Dekanawida – The League of Iroque Nations) and would like to share my personal view about the game and the results of it.

Firstly, a brief explanation about the game: the participants are separated into 4 teams. Each team is a ‘tribe’. Since it’s a collaborative game, it means that, even that there are 4 teams playing, they need to work on small goals to achieve the main goal which is shared by all participants. So, or everyone wins or everyone loses. The table is divided in four territories. Each tribe has knowledge and domain about one territory. The tribes need to move on the table by using resources in order to complete each small goals (in the beginning of the game, each team receives 7 small objectives). Inside its own territory, which is known by the tribe settled on it, the use of resources is less than when you are moving inside a territory that you do not know. The teams can share information and trade resources between them. You can even just give resources to other tribes.

During the game I could identify three different and distinct moments.

In a first moment, with the teams ‘sailing through calm waters’, moving inside a known territory with enough resources, they cared about their own goals and expected that the others would take care of theirs in order to accomplish the main goal. In this moment, even if the teams are not using the resources, they weren’t willing to share or trade them with the other teams.

In a second moment, as the game difficult increased, the teams started to care about others’ goals and willing to share their resources, but still in a reactive way (‘if someone ask us, we can help’).

When the game got very difficult, the teams ‘realized’ that, even if they have concluded their own goals, they should help other teams or the entire group would not achieve the main goal. So, the teams that have finished their goals started to offer help in analyze other teams’ objectives, helping them planning and sharing the resources with those teams.

My main concern at the end of the game was: since all participants knew the main goal and the rules (possibility of trades, everyone’s victory or loss, small goals, etc) from the beginning of the game, why do they take too long to start to help each other? Why didn’t they work together since the beginning in order to create a unique strategy to win the game? So, the main lesson that I took from the game was: we do not need to wait for someone ask for our help to work with our colleagues in order to achieve a main goal and, maybe, if we help each other since the beginning of the ‘game’ (a project, a task, etc), the hard times could not come.

Nota: publicado originalmente em 2011 na Newsletter do Application Services, o departamento onde trabalho, na Johnson & Johnson.