Arquivo anual: 2014

Wanderlust #0

Esta frase resume bem minha opnião

Esta frase resume bem meu pensamento

Wanderlust é uma palavra de origem alemã. Wander quer dizer andar, caminhar, vaguear (no sentido de sair sem destino), passear. Lust significa desejo, vontade, sede por algo, prazer em fazer algo. Portanto Wanderlust, seria algo como “necessidade do prazer de viajar”. Assim como se diz da palavra “saudades” no português, Wanderlust também é uma palavra que não encontra similares em outras línguas e que tem um sentido bem difícil de traduzir (para quem entende um pouco de alemão a compreensão é melhor), tanto que atualmente é adotada, utilizando a mesma grafia e quase a mesma pronúncia, na língua inglesa (algumas pessoas inclusive usam o “W” com som de “V”, como no alemão e ao contrário do inglês, onde o “W” tem som de “U”).

Saindo um pouco da semântica para o significado em sí, o sentimento “Wanderlust” seria o “antônimo” (se podemos assim dizer) do “Banzo”, que era o sentimento de saudade, de vontade de voltar ao lar, enfrentado pelos escravos negros (e que chegava a inclusive se tornar doença). Wanderlust é uma vontade incontrolável de “botar os pés na estrada”.

Usei esta introdução (chata) para inaugurar mais uma seção do meu blog. Como falei no post inaugural deste blog, um dos motivos de eu ter iniciado o blog é compartilhar minhas experiências de viagens, e aproveitando que eu to com uma baita de uma Wanderlust (em abril e junho eu mato esta vontade =) ), resolvi “apelidar” esta seção desta maneira.

Como já dito anteriormente, além da música e da literatura, viajar está no topo das minhas prioridades, das minhas paixões. Isto já vem de muito tempo: eu não sou alguém muito ligado à bens materiais, porém, eu sou muito fissurado por conhecimento, por cultura, por conhecer e entender coisas, pessoas, lugares, culturas, histórias, etc e julgo que a melhor maneira de se adquirir conhecimento e cultura é vivenciando-as.

Eu gosto de chegar num novo país ou cidade e andar no meio da cidade, ir almoçar nos lugares onde os “locais” almoçam, frequentar os bares que eles frequentam, procurar algum lugar (museu, casa de cultura, etc) que conte um pouco da história daquele lugar, mas principalmente de seu povo, enfim, mergulhar dentro daquela cultura.

Este é um dos motivos de eu preferir viajar sozinho: quando você está sozinho você ganha mais tempo de viagem, pois não tem que ficar “negociando” as atividades diárias e nem abrindo mão das coisas que você quer fazer para acomodar coisas que você talvez não queira. Além do que, por estar sozinho, você terá mais probabilidade de conhecer novas pessoas (quando você está viajando acompanhado isto é mais difícil), de fazer contato com as pessoas locais ou mesmo com outros viajantes.

Voltarei em breve com o primeiro post desta coluna.

Top Top #5 – Os 20 álbuns que marcaram a minha vida

Music Passion 1De certa forma dando continuidade ao meu último Top Top, sobre os 10 livros que marcaram a minha vida, vou estender aqui uma outra brincadeira do mesmo tipo que rolou no Facebook a alguns dias atrás. À exemplo da brincadeira / desafio do livro, também pedia-se que listassemos 10 discos importantes para a nossa vida. Como foi muito difícil chegar a somente 10 naquela brincadeira e acabei deixando, com muita dor no coração, um monte de discos de fora, vou aumentar qualitativamente (colocando porque eu considero um disco importante) e quantitativamente a brincadeira, colocando 20 álbuns (e olha que deixei alguns outros de fora).

Os discos aparecem mais ou menos na ordem cronológica em que me marcaram e/ou apareceram na minha vida e basta clicar no link para ouvir alguma música do disco/banda ou o álbum no youtube.

0 – Ney Matogrosso – Promessas Demais
É apenas uma música e não um álbum e nem é uma das minhas preferidas, mas ela entrou aqui como item 0 por ser a primeira música que eu lembro de ter ouvido (lá pelos meus 5 ou 6 anos). Eu sempre careguei a melodia na cabeça e nunca soube que música era, ou mesmo o artista, até que um dia, há uns 8 anos atrás, estava dormindo com o rádio ligado (na Nova Brasil) e tocou esta música. De alguma forma, um pedaço da letra (“não precisava não acenar, precisava não promessas demais”) grudou na minha cabeça e eu lembrei quando acordei. Graças ao nosso amigo Google consegui, depois de mais de vinte anos, descobrir qual música era.

1 – Mozart – Requiém
Até os meus 14, 15 anos, eu tinha contato basicamente com músicas evangélicas (fui criado na igreja até mais ou menos esta idade) e erudita (fiz piano dos 10 aos 14 anos), portanto, ao contrário da maioria das pessoas, meus primeiros contatos não foram com Beatles, Roberto Carlos ou Raul Seixas. Esta obra póstuma do Mozart entra aqui na lista por ter sido a primeira música a realmente mexer comigo. Até hoje sinto um nó na garganta quando ouço esta obra.

2 – Pantanal – Trilha Sonora – Vol 2
Quando esta novela passou eu fiquei encantado com sua trilha sonora. Meu núcleo preferido da novela era o dos violeiros Tibério (Sergio Reis) e Xeréu Trindade (Almir Sater). Entra aqui por ter me “aberto as portas” para a música caipira brasileira (apesar de meu avô sempre cantar e tocar, até este momento não me atraia muito). Curiosidade: um tema muito tocado, especialmente quando apareciam as paisagens do Pantanal, é “No Mundo dos Sonhos”, de Robertinho do Recife, que trata-se de uma versão de Pepperland, do disco Yellow Submarine dos Beatles.

3 – Legiao Urbana – Dois
Aqui começa minha guinada rumo ao rock (provavelmente meu estilo predileto) e consequentemente ao violão. Estava ouvindo num sábado à tarde em casa a Rádio Transamérica e tocou Tempo Perdido. Fiquei doido e no meu próximo pagamento (era office boy na época, aos 14 anos) comprei um walkman vagabundo num camelô e esta fita no Museu do Disco. Ouvia a fita umas 15 vezes ao dia, todos os dias. À partir dai, “roubei” um violão velho do meu avô (tinha até um buraco que foi devidamente tapado com adesivos de campanhas políticas) e comprei algumas revistinhas de cifras para tentar tocar. Além disto, Legião foi basicamente a trilha sonora do meu primeiro namoro.

4 – Deep Purple – In Rock
Foi o primeiro disco de rock internacional com o qual eu tive contato (este disco existe até hoje e está com meu amigo Zé) e onde eu vi que Rock podia ser mais que 3 notas (até então eu estava numas de curtir Legião, Capital, Titãs) e que poderia se misturar inclusive com música erudita (que eu havia estudado).

5 – Led Zeppelin – Led Zeppelin I
Aqui foi minha introdução aos “virtuoses”. Ouvir num mesmo disco blues, rythm’n’blues, rock’n’roll e hard rock, interpretado com maestria por Plant, Page, Jones e Bonham fez eu “pirar o cabeção” e querer ter a música como carreira (sonho abandonado quando percebi que meu talento e minha disciplina eram bem menores que meu amor pela música). A capa do disco foi a primeira camiseta de banda que eu tive.

6 – Rush – A Show Of Hands
Muito antes dos Bill Gates, Zuckembers e Steve Jobs da vida, ser nerd não era legal, não era cool. Ser nerd era ser meio que pária do seu grupo (escola, rua, etc). O Rush sempre foi uma banda de nerds. Então nada melhor para o orgulho de um nerd como eu botar um disco pra rolar e ouvir, como abertura do show, o tema dos Três Patetas. Foi como um: hey, sou nerd sim, e dai?!?! Hoje em dia o Rush está entre as minhas bandas top (junto com Beatles, Pink Floyd e Yes).

Music Passion 27 – Golpe de Estado – Golpe de Estado
Janeiro de 1992!!!! Este foi o primeiro show “grande” que eu vi (com minha camiseta do Led, adquirida na Praça da República). Era uma festa da 89FM no estacionamento do Sambódromo do Anhembi e contou, além do Golpe, com o Ira! (tinha outra banda antes do Golpe, mas não lembro quem era e não cheguei a tempo de ver). Um baterista fantástico, um showman como vocalista, um guitarrista com riffs inconfundíveis e um baixista coeso “ligando” tudo e cantando hard rock (no melhor estilo Led, Whitesnake, Purple) em português. Foi paixão à primeira “ouvida”. Depois disto devo ter visto uns 80, 100 shows do Golpe, sendo eles somente superados pelo próprio Ira!.

8 – Ira! – Música Calma Para Pessoas Nervosas
Já era apaixonado pelo Ira! por conta do “Mudança de Comportamento” e do “Vivendo e Não Aprendendo”, mas este foi o disco em que eu pensei: “Porra! Estes caras são fodas! Querem fazer música e dane-se o resto! Dane-se se vai vender ou não!”. Não chegou a vender duas mil cópias (exatamente 1840 cópias na época, sendo que eu tinha duas: uma ganha, em LP, e outra comprada, em CD), apesar de ser um disco fantástico. Depois deste disco eles subiram ao primeiro posto das minhas bandas nacionais preferidas, pra não sair mais. Com certeza cheguei a ver mais de 100 shows do Ira! (Entre 1992 e 1997 ao menos um por mês!).

9 – Megadeth – Rust In Peace
Em 1993 estava numa época mais heavy metal, com 17 para 18 anos, cabelo comprido (sim, eu tinha cabelo!!!), querendo virar metaleiro para o resto da vida (tocava baixo na época) e este foi o disco que marcou esta época. Este disco é fantástico! Bom de ponta a ponta! Tirei ele (assim como os 3 primeiros do Metallica e mais o Countdown to Extinction do próprio Megadeth) inteiros no baixo, de ouvido, já que não tinha nenhum tab.com ou coisa parecida à época. Tornado of Souls tem para mim o melhor solo de guitarra da história do Heavy Metal, talvez uns dos 10 melhores da história do Rock.

10 – Dream Theater – Awake
Continuando minha saga metaleira, pirei quando ouvi Dream Theater pela primeira vez (na verdade, vi o clipe de Lie na MTV e fui atrás para comprar o CD). Tinha o peso do metal, com a complexidade e os temas longos das músicas eruditas. Cheguei a comprar um baixo de 6 cordas (tenho até hoje) somente para tocar Voices. Foi também minha porta de entrada para o rock progressivo. Mas hoje não tenho mais paciencia para ouvir Dream Theater.

11 – Jamiroquai – Emergency On The Planet Earth
Lá pelo final de 1996 estava totamente naquela vibe “metal”: não ouvia nada que não fosse no mínimo hard rock (a única exceção era o Ira!), não ia em lugar que não tocasse metal, tudo quanto outro tipo de som para mim era uma bosta e coisa de gente burra. Ainda bem que a gente cresce e evolui (quer dizer, a maioria de nós né). Este foi um dos discos que abriram minha cabeça para outras coisas que não fossem rock. Vi o clipe de “Emergency On The Planet Earth” na MTV e pensei: “não é metal, mas é legal e tocam bem!” e ai comecei a me dar mais oportunidades de ouvir coisas novas.

12 – Gilberto Gil – Millenium (coletânea)
13 – Chico Buarque – Millenium (coletânea)
Estes foram outros dois discos que abriram minha percepção para além do rock. Letras fantásticas, misturas de jazz, samba, mpb, rock, baião, forró, ou seja, a mistura que é o Brasil. Através destes discos eu pude abrir muito mais a minha cabeça para o que se faz de bom em termos musicais no nosso país (o que não é pouca coisa). Infelizmente, nas muitas viagens de galera, acabei perdendo os dois CDs (e um do Jair Rodrigues, da mesma série Milleinium, que tinha comprado junto)

14 – Racionais MCs – Sobrevivendo No Inferno
Este foi outro disco que derrubou alguns preconceitos que eu tinha (contra o Rap, Hip Hop, etc) e me abriu as portas para uma nova gama de sons (Funk, Soul, Motown, etc). Foi trilha sonora das viagens roubadas da “Turma do Grampo”.

15 – Funk Como Le Gusta – Roda de Funk
Putz! Este disco e os respectivos shows, com participações mais que especiais (Thayde, Jair Oliveira, Elza Soares, entre outros) na choperia do Sesc Pompéia marcou uma época da minha vida muito boa, onde a gente vivia para se divertir, sem preocupações. A preocupação que tinhamos, à época (eu com 23, 24 anos) era saber qual seria a próxima viagem, a próxima festa. Ganhávamos pouco mas nos divertíamos muito!

Music Passion 316 – Cassia Eller – Com Você…Meu Mundo Ficaria Completo
Ápice da carreira desta escritora fantástica, que infelizmente foi embora cedo, é um dos discos para entrar na história do rock nacional. Também foi trilha sonora do meu segundo namoro.

17 – Yes – Close To The Edge
Aqui já era 2002 para 2003, época que os arquivos de MP3 (assim como os Napsters e Audiogalaxys da vida) começam a se popularizar no Brasil. Sinceramente não lembro o que me fez dar uma “guinada” rumo ao progressivo. Só sei que esta época comecei a baixar discografia do Yes, ELP, Gentle Giant, etc. Também foi trilha sonora do meu terceiro namoro.

18 – Beatles – Abbey Road
Eu sou um fã “tardio” de Beatles. Na verdade só comecei a gostar realmente da banda em 2008, já com mais de 30 anos. Neste ano eu passei praticamente oito meses em Los Angeles, por conta do trabalho, e acabei sendo “convertido” à Beatlemania pelo Tony, marido da minha amiga Rebeca. Foi uma paixão tão avassaladora pela banda que eles entraram em questão de meses no meu top 4 de bandas e, quando fiz minha primeira viagem para a Europa, tive que ir à Liverpool. Quanto ao álbum escolhido, não tem como não considerar como melhor o álbum que traz Something, Here Comes the Sun e o melhor medley da história da música, que ainda termina com a frase que é o meu lema de vida: “and in the end the love you take is equal to the love you make”.

19 – Pink Floyd – Animals
Eu tenho um sério problema com músicas: eu consigo identificar todos os instrumentos usados (diferenciando, por exemplo, um moog de um hammond), os efeitos, as mínimas nuances da harmonia e da melodia, porém eu não presto muita atenção na letra, mesmo quando ela está em português. Ainda bem que certo dia (2009) eu resolvi prestar atenção às letras contidas no Animals, e fui tentar entender o conceito. O disco é baseado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Depois de descobrir isto, fui atrás do livro, o que me despertou uma paixão que há muito estava adormecida: a literatura (quer dizer, eu nunca parei de ler, mas fazia uns 10 anos que eu só lia coisas relacionadas à profissão ou carreira).

20 – Fundo De Quintal – Nos Pagodes da Vida
Vixe! Meus amigos metaleiros (aqueles que eu citei que não crescem….hahaha) vão querer me matar por conta deste. Já havia tido contato com Samba lá para 1999, pois cheguei a tocar violão num grupo de pagode. Porém, fui me apaixonar pelo estilo (ao ponto de comprar um cavaquinho e aprender algumas músicas) ao ver um show do Sombrinha, com a participação do Arlindo Cruz, no Traço de União (no dia 22 de Outubro de 2011, meu aniversário!). Fui atrás para conhecer a história destes dois caras, ai acabei caindo na história do Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Done Ivonne Lara, Almir, Candeia, Cartola….

Bem, no momento são estes álbuns que têm marcado minha vida até agora, mas com certeza ainda tem muita música que vai fazer a trilha sonora dela em momentos importantes.

Botecando #8 – Frangó

Frango - Fachada

Eu tenho uma relação de amor e ódio com o Frangó. Vivi praticamente minha vida toda na Freguesia do Ó e conheço o bar há pelo menos 20 anos. Foi um dos primeiros bares que eu frequentei e no qual tive meu primeiro contato com cervejas importadas. Era o bar que eu e meus amigos frequentávamos às sextas feiras depois do trabalho (por já estar perto de casa) e no qual eu chegava e sabia que sempre teria um lugar para sentar e era só pedir uma caipirinha e uma cerveja e relaxar da semana árdua de trabalho.

Porém, no início de 2002 isto mudou. O empresário Washington Olivetto havia sido sequestrado no final de 2001 e, após 53 dias no cativeiro, ao ser libertado, respondeu aos repórteres, quando questionado sobre o que mais sentiu saudades “das coxinhas do Frangó”. Pronto, ai acabaram com o “meu bar”.

As famosas coxinhas do Frangó

As famosas coxinhas do Frangó

Por conta desta propaganda involuntária, o que era apenas um boteco de bairro, conhecido pelos “locais” e por alguns poucos aficcionados em cervejas (o Frangó foi um dos, senão o primeiro, bar a oferecer uma carta com cervejas especiais, sendo que hoje constam cerca de 500 nesta carta!) virou um hit e tudo quanto é gente, de tudo quanto é parte da cidade (quando não de outras cidades) quer conhecer o Frangó.

Para atender as demandas de seu novo público, o bar sofreu algumas modificações: cobriu uma área aberta nos fundos para acumular mais mesas, adquiriu um imóvel ao lado que funciona parte como depósito e parte comportando mais mesas, aboliu o som ao vivo que acontecia, eventualmente, às sextas e sábados e, para mim, o que foi pior, ficou impessoal.

Além disto, devido à alta procura, nas noites de sexta e sábado, e nas tardes de sábado e domingo, é praticamente impossível que não exista ao menos uma pequena espera por alguma mesa.

Afora isto, é um bar bem legal e interessante. Fica instalado num casarão do século 18, ao lado da Igreja da Matriz de Nossa Senhora do Ó, situado no Largo do mesmo nome. A existência do Largo e seus imóveis em volta (tombados pelo patrimônio histórico da cidade), a maioria deles dedicados à gastronomia, faz com que o largo pareça uma cidade do interior e traz um ar bucólico. Eventualmente se pode presenciar novenas e procissões na igreja, o que remete ainda mais à este clima interiorano.

Mas o que impressiona realmente no bar é a carta de cervejas, que é realmente impressionante pela quantidade e variedade, sem contar as raridades encontradas. Impressiona mais ainda saber que, há pelo menos 20 anos este bar se dedica à cervejas especiais, muito antes da moda atual das cervejas gourmet (moda que espero que deixe de existi para se tornar um hábito).

A impressionante variedade de cervejas: mais de 500 rótulos!

A impressionante variedade de cervejas: mais de 500 rótulos!

Quanto ao cardápio, além das famosas coxinhas (confesso que não sou muito chegado nelas, pois não gosto muito de catupiry), constam outros petiscos comuns de bar (pastéis, croquetes, frango à passarinho, etc) e no almoço, são servidos pratos à la carte de muito boa qualidade também (para quem gosta, dizem que a feijoada, às quartas e sábados, é bem suculenta).

Duas sugestões importantes: chegue cedo (se for para o almoço, antes do meio dia, se for da tarde para a noite, antes das 18:00 hrs) e vá de táxi, pois geralmente existem comandos às sextas e sábados na saída do largo (por conta das mãos de direção das ruas, não tem como fugir, além de tudo é mais seguro e hoje em dia mais barato).

Acho que talvez a minha birra atual com o Frangó, que faz com que eu só vá até o bar quando insistam muito, ou quando algum “forasteiro” resolve conhecer e me pede para ciceroneá-lo, tenha a ver com um sentimento de posse, pois afinal, não é mais “meu” bar, o Frangó hoje é de todos.

Onde: Frangó (Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168 – Freguesia do Ó – SP)
Quando: 22/02/2014
Bom: carta de cervejas e petiscos
Ruim: preço e atendimento impessoal
Página: http://frangobar.com.br/

Cultura de boteco em fotos

Estava navegando na net e encontrei este flickr, que parte de uma idéia fantástica: as pessoas submeterem fotos de, em e sobre botecos e bares em geral.

Tem foto desde bares chiques dos EUA até botecos de pé de estrada pelo interior do Brasil. Fotos de bebidas, de comidas, de lugares, mas principalmente fotos de gente feliz!

Dá para perder umas boas horas: http://www.flickr.com/groups/77782291@N00/

Escolhi algumas fotos meio aleatórias para ilustrar este post:

Para todas as idades…

Salivei agora…

Pagamento é adiantado, com muito amor, por favor!

 

Mate-me Por Favor – Legs McNeil & Gillian McCain – Volumes I e II (3/2014 e 4/2014)

matemeCom o subtítulo de “Uma História Sem Censura do Punk”, este livro, lançado em dois volumes, é uma coletânea de depoimentos (alguns formais e muitos informais) e entrevistas, colhidas pelo editor Legs McNeil (sendo este o criador da revista Punk, que emprestaria seu nome para o movimento) e pela “agitadora cultural” Gillian McCain, dos principais personagens deste fenômeno pop e que cobre basicamente todo o período do Punk, desde sua “gestação” até o seu declínio.

O livro não tem uma linha narrativa e a história é contada através destes depoimentos, que são separados por assuntos e colocados em ordem cronológica. Este approach é muito interessante pois faz com que os diversos pontos de vista, as várias percepções sobre um mesmo assunto ou fato sejam descritas. Um belo exemplo trata-se do confronto entre Handsome Dick Manitoba (codinome sensacional!!!), dos Dictators, e Layne County (à época, Wayne County), que começou com uma brincadeira de Manitoba e terminou com este hospitalizado com a cravicola quebrada.

Dentre os depoimentos utilizados no livro, estão os de nomes como Iggy Pop, Dee Dee Ramone, Malcon McLaren, Richard Lloyd, Angela Bowie, Lou Reed, entre tantos, que participaram diretamente ou influenciaram o movimento.

Confesso que nunca fui fã de Punk como música e portanto nunca procurei entender a história por trás do fenômeno. Para mim, por exemplo, o ápice do movimento e sua consequente explosão havia sido com os Sex Pistols, na Inglaterra, e que depois o movimento havia migrado para os EUA quando na verdade o movimento nasceu nos EUA, chegou à Inglaterra e foi “implodido” pelos Pistols.

Iniciando à partir dos movimentos pré punk ligados à The Factory de Andy Wahrol e a Lou Reed, Nico e os Velvet Undergounds, passando pela cena de Detroit com os MC5 e Iggy e os Stooges, e depois se estabelecendo em Nova Yorque com o CBGB e outros clubes e as bandas que ali se formaram (New York Dolls, Television, Dictators, Ramones, Johnny Thunders and The Heartbreakers), trata-se de um bom guia para tentar entender como um fenômeno cultural deste tipo cresceu e ganhou corpo.

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Por outro lado, é triste ver que toda esta criatividade tinha origem numa cenário de autodestruição (através de drogas, álcool, brigas, amores doentios, sexo sem limites, etc) dos integrantes da cena. O final do segundo volume chega a ser meio triste, pois apesar de toda a cena ser permeada por mortes, no final dela (meio dos anos 80), estas aumentam em número considerável.

É um bom livro e com uma leitura diferente, sem um narrador apenas e contado à partir de depoimentos de várias pessoas, o que faz dele um mosaico bem interessante.

Agradecimentos ao amigo Gera pelo presente!

P.S. Passeando pela web encontrei, sem querer, uma resenha do mesmo livro, escrita na Feedback Magazine, da qual também sou colaborador.

Para ouvir enquanto lê o artigo, o que para mim seria o hino do movimento:

While that on Ruivo’s car…

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Zabomba – Dançar Sem Par:

Botecando #7 – Mango Natural

Com uma aparência que lembra mais uma casa de sucos ou de açai (blerghhh!) feita para surfistas, este bar na zona norte fica localizado um pouco fora dos circuitos de bares da região (Avenida Luis Dummont Villares e Av. Engenheiro Caetano Alvares).

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O que chama a atenção é uma carta de cervejas mais extensas do que bares não especializados (já tomei Guinness lá), o que torna um atrativo para os apreciadores de cervejas especiais da região. Porém, interessa às pessoas da região, por ser um dos poucos atrativos da casa (além da possibilidade de beber fumando na área externa, algo raro hoje em dia, porém apreciado pelos fumantes).

Um ponto ruim foi o atendimento, pois inicialmente havia apenas um garçom na casa, que além de atrapalhado, não foi dos mais simpáticos (garçon de bar tem que gostar de bar!). Depois das 22:00 hrs haviam mais dois garçons, mas ainda com um tratamento muito impessoal, quase beirando o grosseiro.

Mango 2

Sinceramente, vale a pena para quem mora na região, está afim de tomar algumas cervejas diferentes, ou juntar os amigos para ver um jogo de futebol durante a semana, e não quer se deslocar, mas não compensa para alguém que tenha venha de outros bairros ir até lá. É preferível ir ao Bar do Luis ou aos bares existentes nas avenidas acima citadas.

Onde: Mango Natural (Rua Altinópolis, 532 – Água Fria – SP)
Quando: 12/02/2014
Bom: pode-se fumar nas mesas externas e carta de cervejas
Ruim: o atendimento deixa um pouco a desejar
Página: http://www.mangonatural.com.br

Top Top #4 – Os 10 livros que marcaram minha vida (até o momento)

booksNuma destas brincadeiras / correntes do Facebook, um amigo sugeriu que as pessoas que ele havia marcado fizessem uma lista com 10 livros que foram marcantes nas suas vidas. Não precisavam ser obras-primas, não tinha restrições quanto à ficção / não ficção, a única premissa era pensar rápido, sem avaliar muito (o que provavelmente geraria uma lista mais espontânea).

Procurando estender mais esta brincadeira, resolvi colocar aqui estes 10 livros e também explicar o porque que eles me marcaram. Os livros se encontram em ordem alfabética, para não parecer ranking. A única exceção foi feita “À Revolução dos Bichos”, porque acho que ele tem que ser lido antes de 1984 (só por isto):

A Revolução dos Bichos – George Orwell
Mesmo durante o ginásio e colegial, quando eu tinha algumas tendências esquerdistas (graças à maldita doutrinação ideológica), um dos valores que eu sempre preservei foi a democracia, ou seja, o direito de cada pessoa individualmente ou de um grupo de pessoas, traçarem o seu destino. Este livro só veio reforçar este meu princípio. Neste clássico da literatura, Orwell mostra em forma de Fábula como, à partir de uma revolução, um sistema totalitarista se instala. Na maioria das vezes, este sistema é ainda mais cruel do que o que foi deposto.

1984 – George Orwell
Este romance de Orwell poderia ser encarado como uma continuação / extensão de “A Revolução dos Bichos”. Aqui ele demonstra as formas como, depois de instalado, um sistema totalitarista se mantém vivo: através da supressão das individualidades (cada ser é apenas uma peça da engrenagem), da criação de uma “entidade” onipresente que não seja representada por um indivíduo e da sonegação e manipulação das informação. É um alerta para os fanáticos ideológicos / políticos.

books2A Corrosão Do Caráter – Richard Sennett
Interessante livro do sociólogo Richard Sennet. Escrito em 1999, ele trata da relação do homem com o trabalho e como a tecnologia, flexibilização e a “componentização” (a quebra de um trabalho em várias pequenas tarefas, executadas isoladamente) faz com que o trabalho perca o sentido na formação do caráter humano, afinal de contas, ao não ver o significado do todo, aquilo se torna “irrelevante” para quem executa, se tornando apenas um modo de ganhar dinheiro, quando deveria ser motivo de orgulho, de realização pessoal, ferramenta para criar e estreitar laços, etc. Vale a leitura pois, se ao menos a gente não consegue mudar o mundo, ou mesmo nossa empresa ou nosso departamento, ao menos podemos tentar mudar o nosso comportamento, especialmente nos relacionamentos com as pessoas à nossa volta.

A Peste – Albert Camus
Mostra a rotina de uma cidade (Oran, na costa da Argélia), assolada por uma peste que a isola do resto do mundo e como as pessoas se comportam quando submetidas à situações extremas, como isolamento, privação de necessidades, etc. Interessante notar como este livro influenciou outras obras, para citar duas: o livro “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago e o seriado “The Walking Dead”

A Vida Não E Justa – Andrea Pacha
Coleção de histórias colhidas pela juíza Andrea Pacha durante o seu trabalho em Varas de Família. Sao histórias reais de casos que ela precisou mediar e que mostram que a vida não é um conto do fadas onde no final todos serão felizes para sempre, mas que, ao contrário, a vida é composta de vários fragmentos onde alguns serão bons e outros serão ruins, e cabe a nós mesmos fazer com que, ao final, o saldo seja positivo. Tenho vontade de andar com alguns exemplares do livro e distribuir para algumas pessoas que projetam sua felicidade em outras pessoas, pessoas que vivem uma dependência psicológica de namorados, maridos, filhos, etc, ou mesmo pessoas que acham que a vida é um arco íris onde no final existe um pote de ouro para cada um e que, por isto, ela não precisa “correr atrás” e fazer a sua felicidade.

Admiravel Mundo Novo – Aldous Huxley
A estória deste livro retrata um mundo onde os seres humanos seriam produzidos em série e moldados de acordo com as necessidades da sociedade. Novamente, assim como em 1984, demonstra a eliminação do indivíduo para a criação de uma entidade coletiva idealizada por alguns poucos e é também um alerta para pessoas que partilham de ideologias parecidas.

books3Crime e Castigo – Leon Dostoievski
Um ótimo livro para entender um pouco das angústias e dilemas morais, que no caso da estória, afligem o jovem ex-estudante Raskolnikov, que formula e executa um plano para assassinar e roubar uma velha usurária. O argumento dele é que, com o dinheiro roubado ele pode fazer bom uso afim de contrabalancear o crime, colocando em pauta a velha questão moral de “os fins justificam os meios”.

O Estrangeiro – Albert Camus
O livro conta a história de Marsault, um homem despido de sentimentos ou remorsos que comete um assassinato. Durante o julgamento, todos atêm-se à este fato, ao invés do crime em si, como base para sua condenação à morte. Livro muito tenso, mas uma obra prima. Acho que serve como um balizador para que a individualidade e indiferença, que são às vezes necessárias, não se tornem exageradas.

Os Meninos Da Rua Paulo – Ferenc Molnár
Este romance juvenil, que se tornou o livro mais conhecido da literatura húngara, conta a história de um grupo de garotos de Budapeste que fazem parte de um clube (o Clube do Betume) e suas aventuras afim de defender seu território contra a invasão de um grupo rival. Mostra valores que cultivamos enquanto criança e que às vezes nos esquecemos, tais como lealdade, amizade e heroismo. Boa indicação de leitura para crianças e adolescentes.

Virando a Própria Mesa – Ricardo Semler
O livro conta a história do jovem empresário brasileiro Ricardo Semler, e de como ele passou de um “futuro playboy” para um dos empresários mais respeitados fora do Brasil por implementar idéias e metodos de gestão tão raros (como horário flexível, home office, participação dos empregados nas decisões essenciais da empresa, etc) e que deram certo. Também mostra que o trabalho não pode ser apenas um meio, como também não deve ser apenas um fim, mas deve estar em constante sinergia com seus planos de vida. Me fez mudar um pouco a forma de encarar minha profissão e meu trabalho.

While that on Ruivo’s car…

O Rappa - Óbvio

O Rappa – Óbvio