Mate-me Por Favor – Legs McNeil & Gillian McCain – Volumes I e II (3/2014 e 4/2014)

matemeCom o subtítulo de “Uma História Sem Censura do Punk”, este livro, lançado em dois volumes, é uma coletânea de depoimentos (alguns formais e muitos informais) e entrevistas, colhidas pelo editor Legs McNeil (sendo este o criador da revista Punk, que emprestaria seu nome para o movimento) e pela “agitadora cultural” Gillian McCain, dos principais personagens deste fenômeno pop e que cobre basicamente todo o período do Punk, desde sua “gestação” até o seu declínio.

O livro não tem uma linha narrativa e a história é contada através destes depoimentos, que são separados por assuntos e colocados em ordem cronológica. Este approach é muito interessante pois faz com que os diversos pontos de vista, as várias percepções sobre um mesmo assunto ou fato sejam descritas. Um belo exemplo trata-se do confronto entre Handsome Dick Manitoba (codinome sensacional!!!), dos Dictators, e Layne County (à época, Wayne County), que começou com uma brincadeira de Manitoba e terminou com este hospitalizado com a cravicola quebrada.

Dentre os depoimentos utilizados no livro, estão os de nomes como Iggy Pop, Dee Dee Ramone, Malcon McLaren, Richard Lloyd, Angela Bowie, Lou Reed, entre tantos, que participaram diretamente ou influenciaram o movimento.

Confesso que nunca fui fã de Punk como música e portanto nunca procurei entender a história por trás do fenômeno. Para mim, por exemplo, o ápice do movimento e sua consequente explosão havia sido com os Sex Pistols, na Inglaterra, e que depois o movimento havia migrado para os EUA quando na verdade o movimento nasceu nos EUA, chegou à Inglaterra e foi “implodido” pelos Pistols.

Iniciando à partir dos movimentos pré punk ligados à The Factory de Andy Wahrol e a Lou Reed, Nico e os Velvet Undergounds, passando pela cena de Detroit com os MC5 e Iggy e os Stooges, e depois se estabelecendo em Nova Yorque com o CBGB e outros clubes e as bandas que ali se formaram (New York Dolls, Television, Dictators, Ramones, Johnny Thunders and The Heartbreakers), trata-se de um bom guia para tentar entender como um fenômeno cultural deste tipo cresceu e ganhou corpo.

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Por outro lado, é triste ver que toda esta criatividade tinha origem numa cenário de autodestruição (através de drogas, álcool, brigas, amores doentios, sexo sem limites, etc) dos integrantes da cena. O final do segundo volume chega a ser meio triste, pois apesar de toda a cena ser permeada por mortes, no final dela (meio dos anos 80), estas aumentam em número considerável.

É um bom livro e com uma leitura diferente, sem um narrador apenas e contado à partir de depoimentos de várias pessoas, o que faz dele um mosaico bem interessante.

Agradecimentos ao amigo Gera pelo presente!

P.S. Passeando pela web encontrei, sem querer, uma resenha do mesmo livro, escrita na Feedback Magazine, da qual também sou colaborador.

Para ouvir enquanto lê o artigo, o que para mim seria o hino do movimento:

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