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Wanderlust #6 – Amsterdam, Holanda

094Eu já disse que se eu tivesse que escolher um lugar para morar este seria os Estados Unidos, porém, para mim um lugar para se passear é a Europa. Por mais que o Brasil e o Caribe tenham praias sensacionais, os EUA tenham alguns lugares bem interessantes (como New York, Philadelphia, a Califórnia e o Hawaii), o que me atrai mesmo é cultura e história e isto na Europa você encontra em cada canto de cada cidade.

Na charmosa Amsterdam não seria diferente e cada edifício, cada parque, cada praça da cidade tem uma história para contar.

Como nas demais viagens que fiz à Europa, não fiz muitos planos sobre o que fazer na cidade (apesar de ter algumas coisas em mente) e, assim que cheguei, aproveitando o restante do longo dia dos verões Europeus , fiz um “reconhecimento” andando cerca de 20kms durante umas 6 horas aleatóriamente, assim pude “descobrir” algumas coisas interessantes (algumas nem tanto!) que poderia fazer nos demais dias na cidade.

Depois de algumas pesquisas em sites sobre as atrações pude montar minha programação, que durou mais dois dias. Parece pouco tempo, mas além das cidades Européias, na sua maioria, serem pequenas (se comparadas à São Paulo ou Los Angeles, por exemplo), o dias são realmente longos no verão, com o sol começando a se por às 22:00hrs, então, para quem tem pique de acordar cedo e resolver aproveitar bastante, dá para passar cerca de 10, 12 horas por dia passeando.

É claro que a gente sempre acaba dando uns tiros n’água ou deixando de fazer alguma coisa interessante, mas o barato de “mochilar” também é este.

Aqui vai um resumo do que eu vi, o que gostei e não gostei, do que poderia ter visto, etc. Além de algumas dicas e observações.

Imperdível:

  • Casa da Anne Frank: se você não leu o livro (O Diário de Anne Frank), primeiramente leia e depois vá conhecer o local. Creio que por mais emocionante que seja e por mais que esta triste história seja contada no Museu, a experiência não será tão intensa como se você soubesse da história pelo próprio protagonista.
  • Museu Van Gogh: museus de arte costumam ser um pouco enfadonhos para quem não conhece muito (meu caso), mas neste caso, como o Museu também conta a história da vida e do desenvolvimento deste artista, foi muito interessante. Eu que não conhecia muito, acabei me interessando mais por sua vida e obra.
  • 144Brouwerij ‘t IJ: esta é uma cervejaria artesanal de Amsterdam que produz cervejas de uma qualidade altíssima. Porém, mesmo para quem não é um apreciador da bebida ou sua história, é imperdível pois fica ao pé de um dos 3 últimos moinhos da cidade, sendo este o único ainda ativo (usado na moagem dos ingredientes da cerveja alí produzida). Além da qualidade, as cervejas são baratas em comparação à outros cafés (assim que se chamam os “pubs” de Amsterdam. Favor não confundir com os coffeshops, que é onde se consome maconha…hehehe). Em média, em uma Heineken ou Amstel (as cervejas populares holandesas), paga-se 6 euros num pint em lugares normais, porém, aqui paga-se entre 2,20 e 3,00 euros para tomar cervejas diferentes e ótimas (copo de 300mls). Sugiro pedir o “sample” de cervejas, que é composto por 5 copos de 100mls de tipos diferentes por módicos 8 euros.
  • Cerveja na Reimbrandplein e na Leidseplein: estas duas praças são cercadas de cafés, restaurantes, coffeshops, lojas de souvenirs e é onde os locais vão ao final da tarde para o happy hour. Os turistas se juntam à estes e vira tudo uma torre de babel bem legal. Para ajudar, aparecem um monte de artistas de rua tocando, fazendo performances, etc. É uma ótima pedida para o final de tarde quando se está cansado de andar e precisa relaxar um pouco.

Não vale a pena:

  • Red Light District: primeiro quero dizer que não sou contra a prostituição, achando inclusive que ela deveria ser legalizada no Brasil. Também sou a favor de que cada um faz o que quer com seu corpo e com sua vida, tendo inclusive o direito de abdicar dela. Porém eu não sei em que lugar do mundo ver seres humanos expostos numa vitrine como se fossem objetos é legal. Eu esperava algo diferente (como na Reeperbahn de Hamburgo, um dia este artigo sai!) e me decepcionei. Só valeu a pena mesmo algumas risadas com as figuras “perdidas” nas proximidades e pelo ótimo bife ancho que comi num fast food argentino.
  • Ice Bar: se você algum dia já teve vontade de entrar num freezer, esta é a oportunidade. Como eu nunca tive, não acabou valendo nem pela cerveja no copo de gelo, já que ela perde o gosto.

Se tiver tempo:

  • Heineken Experience: esta é para os apreciadores de cerveja. Tudo bem que a Heineken é uma cerveja popular (e na Alemanha seria como se fosse uma nova schin ou bavária no Brasil), mas é interessante para conhecer o processo de fabricação de uma cerveja, a história e para comprar alguns souvernirs da marca.

007Deveria ter feito:

  • Passeio de barco pelos canais: este é um que eu sempre acabo não fazendo. Talvez seja porque eu não gosto de passeios em que eu não possa sair na hora que eu quero. Mas deve ser um passeio bem legal. Para os casais, tem opções de passeios com jantar à noite. Ou para os que vão atrás de baladas, eventualmente existem baladas e barcos que percorrem alguns dos canais.
  • Rijksmuseum: eu gosto sempre de, nas cidades que eu conheço, procurar algum museu que conte a história daquela cidade e principalmente daquele povo. No Rijks tem isto e é também um museu de arte. Infelizmente pelo pouco tempo eu tive que deixar este passar, mas, para quem vai à Amsterdam, vale ao menos uma passada pelo seus belos jardins quando à caminho do Museu Van Gogh.
  • Alugar uma bicicleta: eu calculo que andei em 2 dias e meio em Amsterdam cerca de 50kms. Eu gosto de andar nas cidades pois você acaba encontrando alguns tesouros que talvez em outros meios de transporte passassem despercebidos (pela velocidade destes, pela concentração que você tem que ter, etc), porém, talvez devesse ter alugado uma bicicleta durante um dos dias para que eu otimizasse meu tempo.

Dicas e observações:

Hans Jan, o ordenhador, deixando Amsterdam já com vontade de voltar

Hans Jan, o ordenhador, deixando Amsterdam já com vontade de voltar

  • Nas cercanias da Leidseplein existem muitos restaurantes: Indianos, Italianos e muitos, mas muitos Argentinos (tem até um Brasileiro) onde come-se bem por cerca de 10, 12 euros.
  • Como em quase toda a Europa, é praticamente desnecessário alugar um carro e usar o transporte público de Amsterdam é a melhor pedida, até porque a cidade carece de espaços de estacionamento.
  • O preço do cartão de transporte (OV-Chipcart), o bilhete único deles, é meio salgado: 7,50 euros somente o cartão, ai vc escolhe a quantidade de crédito. Creio que 10 euros por dia sejam mais do que suficientes.
  • No transporte público de Amsterdam paga-se pelo trecho percorrido, então não pode esquecer de passar o cartão novamente na hora de descer do bonde ou ônibus, ou quando se deixa a estação de metrô.
  • Mesmo indo e voltando do aeroporto dá para usar o transporte público. Só lembrando que como o Aeroporto fica em outra cidade (Schipol), não se usa o mesmo cartão de Amsterdam e é preciso comprar a passagem à parte (4,70 euros). Tome o Intercity em direção à Estação Central de Amsterdam e de lá é muito fácil chegar a qualquer lugar da cidade de Tram (bonde).
  • O smartfone e alguns aplicativos e sites (Google Maps, Google, Waze e até o Foursquare, já que em alguns lugares, quando se dá checkin tem desconto) são uma ótima ferramenta para procurar lugares. Compensa pagar 20 euros por um chip de internet (na maioria dos Aeroportos da Europa vende).
  • Literalmente em Amsterdam tem um bar em cada esquina! Meu fígado não iria aguentar uns 3 meses morando lá….hahaha.
  • Amsterdam é uma cidade para turistas, portanto, com preço para turistas.
  • Praticamente todo mundo fala inglês na cidade, então é fácil se virar. Porém, com as placas a coisa fica um pouco mais complicada. Ainda bem que a base do alemão me serviu para entender (e bem!) o que estava escrito em placas, museus, etc.
  • A cidade me pareceu um pouco suja, com lixo acumulado em algumas esquinas, entulho na frente de alguns prédios e bitucas em tudo quanto é lugar. Falta muito cesto de lixo.
  • Diferentemente de Berlin, onde em 4 semanas eu não vi sequer uma pessoa que passeava com o cachorro portar sacolinhas para recolher as fezes, em Amsterdam parece que a prática está começando.
  • Eu achava que Berlin era a cidade das bicicletas (segundo cálculos existem cerca de 2 milhões de bikes em Berlin para um total de 5 milhões de pessoas!), porém as magrelas são definitivamente o meio de transporte primário de Amsterdam. Chega a existir trânsito de bike, especialmente próximo à estação central. A topografia da cidade ajuda, já que os únicos aclives que existem são os das pontes. E o pessoal de Amsterdam faz de tudo em cima da bike: come, namora, faz teleconferência, acessa internet no smartfone. Eles são craques em pilotar com uma mão só.
  • Porém, como tenho notado, o comportamente maleducado de ciclista é padrão mundial. Não se respeita pedestre, farol, nada.
  • Aliás, ninguém respeita pedestre: nem ciclista, nem motorista e nem motociclista (os condutores dos bondes eventualmente). Então é bom sempre tomar um cuidado maior na hora de atravessar as ruas, já que a maioria das ruas da região central não possuem farol para pedestre.
  • Além das bikes, Amsterdam é a cidade das motonetas: scooters, bicicletas motorizadas, lambretas, etc. E elas podem circular nas vias destinadas às bikes (e não precisa usar capacete!). Ou seja, cuidado dobrado na hora de atravessar ciclovia (como os ciclistas, eles também não vão frear).
  • Parece que os micro e mini carros também estão sendo bastante disseminados por Amsterdam (e em outras cidades Européias). Existe até um serviço de aluguel de Smarts (car2go) parecido com o sistema de bikes do Itau no Brasil, onde pega-se o carro (elétrico) em algum ponto, paga-se por hora e/ou kilometragem e devolve-se em outro ponto. Os micro carros que têm velocidade máxima de até 40 km/h também podem circular pelas vias destinadas a bikes. Cuidado triplicado então na hora de atravessar uma.
  • Acho que nunca vi tantas mulheres bonitas quando na Holanda. E não é somente aquele biotipo da “loira aguada de olho verde”, já que eles têm outros biotipos, que provavelmente vieram das antigas colônias (ou por terem muitos portos no país), mas todas as mulheres são muito bonitas e charmosas: a loira de olho verde, a morena de olho azul, a ruiva sardenta, a negra, etc.

 

Wanderlust #5 – Paraty – RJ – Brasil

IMG-20140505-WA0009Existem alguns lugares que você conhece e se pergunta “por que é que eu não conheci antes?”. Foi o meu caso quando, há dois anos atrás, conheci a cidade do Rio de Janeiro, e o mesmo ocorreu agora com Paraty.

DSCF7516Situada no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, um pouco após a divisa com São Paulo, esta charmosa e histórica cidade é bastante conhecida por suas ruas de pedras e seus imóveis com janelas e portas largas, além das 3 igrejas, situadas no centro histórico da cidade. E aqui já fica a Dica 1: se for ficar hospedado no centro histórico, não leve mala e tente arrumar um mochilão, pois é difícil andar por lá com malas de rodinhas e invariavelmente você terá que carregar.

Este centro histórico é repleto de restaurantes, bares e lojas, especialmente de artesanato ou cachaças da região.

Além disto, do centro da cidade consegue-se acesso fácil a duas praias: a praia do Pontal e a praia do Jabaquara (uns 20 minutos de caminhada do centro). Porém, estas não são as melhores praias de Paraty, que se encontra bem no centro da baia de Ilha Grande e por isto conta com várias outras praias, bem como ilhas, somente acessíveis através do mar. Mesmo estas duas praias não sendo as melhores, vale a pena conhecer, nem que seja para sentar em alguns dos seus quiosques para tomar cerveja ou mesmo almoçar. Dica 2: é mais barato comer nestes quiosques do que no centro histórico.

DSCF7555Para ter acesso às outras praias e algumas ilhas (muitas são particulares e com acesso proibido), deve-se pegar um catamarã ou mesmo um barco pequeno. No cais, que fica perto do centro histórico, existem vários barcos que saem com programações diversas. Dica 3: fora de feriados prolongados, não precisa comprar o passeio de barco com antecedência e dá para escolher qual catamarã pegar pouco antes da saida deles, que normalmente ocorre às 11:00hrs (se informe na pousada).

Uma outra opção aos catamarãs (que levam de 50 a 100 pessoas), se estiver com um grupo de pessoas (à partir de 5), é alugar um barco menor e combinar o roteiro com o marinheiro. Vai sair um pouco mais caro, mas talvez valha mais a pena.

Para ficar na cidade, existem várias pousadas a preços acessíveis (no caso, pagamos R$ 200,00 / dia num quarto para 3 pessoas, com café da manhã, bem no centro histórico) e também, para quem vai viajar sozinho ou está em grupos pequenos, existem hostels. Dica 4: na praia do Pontal existem 2 hostels bem legais, de frente para o mar.

DSCF7474Paraty é um lugar que dispensa carro, pois muita coisa você faz à pé (o centro histórico é fechado para carros) e para acessar outras praias você vai de barco. Mesmo para Trindade (infelizmente acabei não indo), existem ônibus saindo de 1 em 1 hora. Dica 5: fui de São Paulo até lá de Ônibus e o custo foi de R$ 105,00. Mais barato do que de carro e com mais conforto, já que era semi leito.

À noite o centro histórico da cidade é bem movimentado e o público é o mais variado possível: famílias, casais, grupos de amigos. Como a cidade atrai bastante turista estrangeiro, um ponto negativo são os preços, que têm padrão europeu e acaba saindo meio pesado para os brasileiros. Em alguns bares uma água chega a custar R$ 10,00. Dica 6: tirando o Paraty 33, os demais bares fecham à 1:00 da manhã, portanto, se quiser aproveitar, tente chegar no máximo as 22:00hrs.

Um outro ponto alto foi a simpatia das pessoas que nos atenderam na maioria dos lugares por onde passamos (pousada, quiosques, bares, etc).

Paraty é encantador e espero voltar lá mais vezes, especialmente no pico do verão (a temperatura estava alta durante o dia, mas à noite já esfriava bem), para poder aproveitar mais as demais praias.

(para ver as imagens abaixo em tamanho maior, basta clicá-las)

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Wanderlust #4 – USA – Dicas e Observações

EUA 1Aqui vou colocar algumas dicas para quem vai viajar aos EUA. Depois de umas 10 viagens, um total de mais de 1 ano lá e o contato praticamente diário com americanos, por conta do trabalho,  acho que tenho know how para isto….hehe (e algumas observações tambem).

No Aeroporto / Avião

  • Se você comprou mais do que pretendia e não cabe em duas malas, compre uma terceira mala, pague o excesso de bagagem e despache. Não tente levar consigo dentro do avião, pois o espaço a mais que você usaria vai faltar para outra pessoa.
  • Existe um motivo para embarcarem os passageiros por setor: agilizar o embarque. Portanto, se você entrar no avião quando não for o seu grupo, você vai ser o causador de algum possível atraso.
  • Seu lugar está marcado, então não precisa fazer fila para tentar ser o primeiro a embarcar.
  • Você gosta de beber? Eu também gosto. Mas durante um vôo contenha-se: é muito desagradável para todos quando alguém passa da conta dentro de um vôo. Sem contar que isto assusta ainda mais passageiros que já tem medo de voar. E lembre-se que, devido à pressão, o efeito do álcool é potencializado em altitude.
  • A tripulação está lá para servir e ajudar os passageiros, mas acima de tudo eles estão lá por uma razão maior: a segurança do vôo. Seja respeitoso e gentil com os comissários.
  • Seus filhos são incontroláveis? Então talvez seja melhor você planejar suas férias para um lugar apropriado (preferencialmente onde não existam outras pessoas) e que seja acessível sem a necessidade de voar. Ninguém é obrigado a aguentar uma criança chutando suas costas durante 7, 8 horas. Som de joguinhos eletrônicos ou DVD da galinha pintadinha por mais de 10 minutos também são insuportáveis. O filho é seu, a responsabilidade é sua, e não de mais ninguém. Se desejou (ou não evitou) tê-los, conviva com isto e altere sua rotina para acomodar esta grande responsabilidade.
  • Não empate os banheiros escovando os dentes, trocando de roupa, se maquiando.
  • Quando o avião pousar, não precisa sair correndo para ser o primeiro a desembarcar. Muito provavelmente quando as malas chegarem na esteira, o último passageiro a desembarcar já estará lá esperando também e sua pressa só vai causar incômodos.

Ao dirigir

  • Quando estiver em um cruzamento com farol, a conversao à direita (se vc se encontra na faixa da direita) é permitida mesmo com o farol vermelho para você, desde que voce respeite o trânsito da via em que se quer entrar e principalmente dê a preferencia aos pedestres, se estes estiverem atravessando. Quando esta conversão nao for permitida vai existir uma indicação (“no turn on red” ou “turn just on green“). Se voce estiver numa situação destas, com o pisca ligado pra fazer a conversão (ou numa faixa exclusiva para conversão) e ficar esperando o farol abrir, pode tomar uma buzinada de alguém que esteja atrás.
  • Falando em pedestres, mesmo quando eles nao atravessam na faixa, a preferência é sempre deles. NUNCA acelere o carro ou buzine se avistar um pedestre atravessando.
  • Nos cruzamentos, quase toda conversão à esquerda (se a mão da via permitir e se não existir indicação contraria) é permitida. Basta esperar a brecha no trânsito para passar (e prestar atenção se não tem pedestre atravessando na via que você quer entrar). Se por acaso o farol estiver para fechar, não se apavore: as pessoas irão esperar quem já estiver no meio do cruzamento terminar a conversão para então sairem. Mas não dê uma de espertinho tentando cruzar se você ainda não tiver passado a faixa que limita o cruzamento. E não acelere impedindo os outros de terminarem a conversão.
  • Não tenho certeza, mas acho que a ultrapassagem pela direita é permitida nos EUA. Então se voce estiver na faixa da esquerda e o carro da sua frente estiver mais lento, apenas corte pela direita e prossiga sua viagem. Nada de dar farol ou então pisca, até porque o cara da frente provavelmente nem vai entender.
  • Andar um pouco acima da velocidade em vias rápidas (freeways, highways e roads) é toleravel (não mais que 10%), na cidade não. Em locais com escola ou em locais onde esteja ocorrendo trabalhos na via NUNCA! Inclusive os valores das multas, que já não sao baixos (bloquear um cruzamento, por exemplo, vale 500 doletas!), dobram em áreas de obras na estrada.
  • Quando existir uma placa pare, num cruzamento sem farol, é para parar totalmente, olhar e depois prosseguir. Nada de dar uma reduzida, uma buzinada e seguir em frente. Mesmo que a visão seja bem ampla e não tenha nenhum carro, se você não parar e tiver um carro de polícia atrás, você vai tomar uma multa.
  • Quando embaixo da placa de Stop estiver escrito “all ways”, significa que não existe via preferencial e todos devem parar. A preferencia é sempre para quem chega na placa antes, ou seja, vai passar um carro de cada vez, em cada uma das vias e/ou direções (não tente dar uma de espertinho e passar na cola do carro da sua frente, pois vai correr o risco de uma batida).
  • A regra acima vale também para um cruzamento com farol quando este estiver inoperante.
  • Em estreitamento de pistas ou alças de acesso à estradas e freeways, também funciona no esquema “um de cada vez”. E o transito flui que é uma maravilha!
  • Quando ouvir uma sirene, encoste o carro à direita. Não basta só abrir a passagem por entre os carros. Tem que encostar e parar o carro mesmo (na estrada, se houver acostamento à esquerda e ficar mais fácil, pode parar à esquerda). E nem tente cruzar um farol, mesmo que ele esteja verde para você, pois corre-se o risco de ser atingido por alguma viatura, e ai vai arrumar encrenca até com a lei.
  • Se for beber, vá de taxi. Você pode se meter em uma encrenca das grandes se for pego por DUI (Drive Under Influence).
  • Excetuando o estado de Nova Jersey, onde existem frentistas nos postos de combustível, nos demais (ao menos que eu conheço), o sistema nos postos é de self service: você mesmo abastece. Para tanto, basta inserir o cartão de crédito no lugar indicado. Provavelmente ele vai pedir para você inserir o ZIP code, que é o seu CEP (do endereço onde a fatura do seu cartão é entregue), então insira os 5 primeiros números do seu CEP e tecle confirma.
  • Caso o procedimento não funcione (para cartões internacionais às vezes não rola), basta ver o numero da bomba (“pump“, e não “bomb“), dirigir-se ao caixa e informar o numero da bomba e o valor que você deseja abastecer ou então informar que você quer completar (“I want to fill it/that up“). Se vc for completar, ele vai ficar com seu cartão e liberar a bomba para que você faça o abastecimento. Assim que estiver completo, volte ao caixa e ele vai passar o cartão com o valor exato.
  • Para pagamento em cash o procedimento é parecido: vá até o caixa, pague o valor exato ou deixe uns 100 dolares com o caixa se for completar. Se for completar, ao terminar, volte ao caixa e pegue o troco.
  • Em todos os postos existem 3 tipos de gasolina. Eu geralmente coloco a mais barata mesmo.

Nos restaurantes

  • Normalmente quando se pede um “prato feito” nos EUA, acompanha uma entrada. Então quando o garçon ou garçonete te perguntar “supersalad?“, ele não está te oferecendo uma “super salada”. Ele esta te perguntando se você quer “soup or salad?” de entrada. 🙂
  • Quando se pede steak, eles perguntam como o cliente deseja (“How’s that cooked?“). Eles usam uma escala de 5 niveis (rare, medium-rare, medium, medium-well e well done, sendo que o rare é o boi praticamente mugindo e o well done é sem nada de sangue, mas sem torrar a carne) para assar a carne. Eu normalmente peço o medium well, que é quase o nosso “ao ponto”.
  • Nos EUA nao se cobra automaticamente os 10% como no Brasil e dar gorjeta é praticamente obrigação. Normalmente a gorjeta se situa entre 10% e 20%. Se você teve um atendimento normal, nada mais, nada menos do que o esperado, deixe 15%. Se o atendimento foi bom, deixe pelo menos 20% (nada impede de deixar mais). Mesmo se o atendimento for ruim, deixe pelo menos 10%, pois a gorjeta não é só para o garçom que te atendeu, mas vai também para a hostess, para o cozinheiro, para o cumim (o cara que traz a comida e tira a mesa).
  • Quando voce paga com cartão de crédito, o recibo para você assinar vem com um espaço para voce indicar o valor da gorjeta (“Tip“). Se não quiser dar em dinheiro (basta deixar dentro da “pastinha” onde vem a conta), pode colocar o valor da gorjeta e o valor total (compra + gorjeta) ali. Quando seu boleto voltar ao caixa, a pessoa informa na maquina onde passou seu cartão, o numero da aprovação e o valor da gorjeta (e pode ficar sossegado, ninguém dá uma de Gerson e coloca valor a mais).
  • O valor da gorjeta é sempre calculado baseado no valor antes dos impostos (indicado na conta, vide abaixo).
  • Em fastfoods e outros lugares onde você não é servido numa mesa, não se costuma dar gorjeta, porém, sempre existe um “tip jar” próximo ao caixa e ai fica a gosto do freguês dar ou não.
  • Nos bares ou pubs, normalmente eles colocam o valor da bebida de uma forma que quando os impostos forem acrescentados seja um valor fechado ou no máximo quebrado em quarters (25 centavos de dólar), afim de facilitar o troco. Normalmente o valor total é US$ 4.25, US$ 5.25, algo do tipo. O barman te dará o troco e você pode deixar as moedas como gorjeta. Se não for o caso, deixe uma nota de um dolar (pensando em apenas uma bebida, se for mais, faça a conta).
  • Geralmente se paga a bebida na hora em que pede no bar, mas voce pode abrir uma conta (tab, pergunte ao barman “may I open a tab?“). Para isto, eles irão ficar com seu cartão de crédito e você faz os pedidos pelo seu sobrenome (se vc estiver fixo num lugar no balcão ou em uma mesa nem precisa). Quando fechar a conta (“The check, please?” ou aquele sinal universal de anotar num papel), eles irão perguntar se voce prefere pagar em dinheiro ou passar no próprio cartão.
  • Seja gentil. Gentileza é bem vinda em qualquer cultura.

Dicas para o pobre ostentação que quer pagar de gatào com carro conversível alugado

  • Não deixe nada em cima dos bancos, porque irá voar
  • Use óculos
  • A estrada não é o melhor lugar para andar com a capota abaixada
  • Use protetor solar no rosto e nos braços. Bastante!
  • Se você for careca, use um boné (bem preso) ou uma bandana.

Diversos

  • A maioria dos cartões que possuem função débito no Brasil também funcionam da mesma forma lá. Ou seja, você pode pagar no débito, sendo que a taxa de conversão utilizada será a do dia do débito (e tem o IOF também).
  • É possível também sacar dinheiro em moeda local da sua conta corrente. Também é utilizado a cotação do dia do saque e é cobrado IOF (normalmente eu saco direto da conta, pois sou isento de taxas no meu banco, e no cartão de crédito, ao sacar grana, você paga uma taxa de saque).
  • Em algumas lojas, como a Best Buy, o processo de pagamento em cartão é um pouco diferente: quando você passa o cartão, se for um cartão multiplo (débito e crédito), o sistema entra automaticamente no modo débito, pedindo a senha. Se a intenção for pagar no crédito, basta apertar cancelar na tela de senha que ele vai perguntar se pretende pagar no crédito.
  • O valor informado nos cardápios, anúncios, vitrines, etc é sempre sem o VAT (Value Added Tax – Imposto sobre Valor Agregado). Cada estado tem um VAT próprio, então leve isto sempre em consideração, principalmente se for fazer compras para outras pessoas, ao repassar os valores (e leve em conta o IOF também).
  • Perfumes e bebidas no freeshop custam basicamente o mesmo que nos EUA, então, para pagar um pouco menos (sem o VAT e sem o IOF, se já quiser pagar em reais), além de evitar ficar carregando peso, sugiro comprar estes itens no freeshop.
  • O waze funciona muito bem (como no Brasil, com a vantagem da rede de dados deles ser melhor), inclusive para encontrar pontos de interesse (restaurantes, hotéis, praias, etc sem a necessidade do endereço) e fugir de transito. Vale a pena comprar um chip (se seu aparelho for desbloqueado) ao invés de alugar um GPS. E mesmo se não for utilizar carro (em NY por exemplo, é besteira andar com carro, além de caríssimo) é uma boa ferramenta.
  • Verifique com seu banco/administradora de cartão de crédito se eles têm seguro para cobrir alguns incidentes/acidentes no exterior. Geralmente os cartões mais top (o AMEX e os Gold e Platinum de outras bandeiras) cobrem uma série de situações gratuitamente: seguro saúde (tem que avisar 7 dias antes da viagem, no caso do Santander), seguro de automóveis alugados, auxilio em caso de perda/roubo de documentos, seguro para bagagem extraviada. Pode-se economizar uma boa grana e evitar dor de cabeça.

Expressões

  • How’s going?” ou “How’s that going?” equivale ao nosso “e ai? tudo bem?”
  • Have a good one!” equivale a nosso “passar bem”
  • Yield“, muito encontrada no transito, significa “dê a preferência”
  • “Xing“, também encontrada no trânsito é a forma contraída de “Crossing” (X = cross + ing), ou seja, “ped xing” = pedestres cruzando e “cycle xing” = ciclistas cruzando.

Alguns pontos de vista

  • Parece que as montadoras fazem carros “ecológicos” (híbridos e eletricos) para que estes não vendam. Só desenho escroto. A exceção é o Volt.
  • Eu danço muito mal. Mas perto dos americanos eu sou um Fred Astaire.
  • Eu achava que ciclistas mal educados, que provavelmente se acham acima de regras, não respeitando faixa de pedestres e nem farol, fossem exclusividade do Brasil, mas pelo jeito é um mal de ciclistas ao redor do mundo.
  • Ver um tiozinho estilo Genival Lacerda cantando Tom Sawyer, do Rush, do começo ao fim, em um bar, foi hilário.
  • In order to keep our familiar environment, alcohol is prohibited beyond this point” (afim de manter o nosso ambiente familiar, álcool e probido a partir deste ponto) dizia a placa afixada no estacionamento do estádio do Dodgers, em LA. However, lá dentro você compra cervejas (e outros drinks) por “módicos” 10 dólares. Hipocrisia pura!
  • É impressionante a quantidade de pessoas que surfam na Califórnia (especialmente em San Diego). É comum você ver um carro parando na beira da praia e de dentro saltar uma família inteira, com 3 gerações (filho/a de uns 15 anos, mãe/pais de uns 35 e avô na casa dos 60), com suas roupas de borracha, prontas para cairem no mar. Ou no final de tarde, carros com “engravatados” parando no estacionamento das praias, a galera botando roupa de borracha para conseguir fazer um surf no final da tarde.
  • Se nos EUA não existissem rednecks seria o lugar perfeito do mundo para morar.
  • Comer no aeroporto é caro em qualquer lugar do mundo!
  • Nunca entrei tão fácil nos EUA: o agente da imigração simplesmente só abriu a boca para falar bom dia. Não fez nenhuma pergunta.
  • O custo de vida nos EUA está bem mais caro do que há 5 ou 6 anos. Basicamente tudo aumentou acima da inflação deles, mas me assustei especialmente com comida/bebida (cerca de 50%), vestuário (até 100%) e combustível (25%).
  • Mesmo com os aumentos, comprar roupa lá, para quem gosta de roupas de marcas famosas, vale muito a pena. Lembrando que algumas marcas famosas para nós (como Tommy, Levy’s, Ecko e mesmo Polo), para eles são marcas populares.
  • Os EUA ainda são o paraíso para quem gosta de consumir eletrônicos. Mas fique esperto para não se empolgar.
  • O preço do combustível é basicamente o mesmo daqui, com a diferença que lá os carros bebem mais e não são flex. Ou seja: está mais barato andar de carro aqui do que lá (e do que na Europa também).
  • Andar de carro conversível não foi tão legal quanto eu imaginava. Valeu a experiência e por poder acelerar um ícone da indústria automobilística americana, o Mustang, mas se a intenção é “andar de cara pro vento” uma moto é infinitamente mais legal.
  • Toda vez que chego no Brasil após uma viagem aos EUA me bate a “depressão Tio Sam”: é impressionante como tudo lá funciona e aqui é sempre uma zona, desde o aeroporto, passando pelo transito, pelas cidades, pelo povo, etc.
  • Esta história de que “quem converte não se diverte” vai me levar à falência um dia.

Acho que algumas coisas (especialmente no trânsito e nos restaurantes), também podem ser aplicadas no dia a dia no Brasil. Não faz mal a ninguem obedecer as leis e ser gentil. Só nao seja hipócrita ao dizer que nos EUA (ou Europa, ou Austrália) tudo funciona e ao mesmo tempo, fazer tudo ao contrario do que você faz lá quando volta ao Brasil.

Até o Homem Aranha foi curtir umas férias na Califórnia!

Até o Homem Aranha foi curtir umas férias na Califórnia!

Wanderlust #3 – Los Angeles – EUA (parte 3 de 4)

Los Angeles 1

O calçadão de Venice Beach

Se eu tivesse que escolher uma cidade no mundo para morar, com certeza esta cidade seria Los Angeles. É a cidade que eu imagino que seria Sao Paulo se o Brasil fosse um país sério (e se São Paulo tivesse praia).

Eu estou falando cidade, mas Los Angeles e mais do que apenas uma cidade. Explico abaixo.

LA County
A estrutura geopolitica dos EUA é um pouco diferente do Brasil. Além da praticamente independência de cada estado da federação (é só ver como existem leis bem diferentes de um pra outro), a organização é um pouco diferente.

Aqui no Brasil temos o país, que é dividido em estados e que, por sua vez, são divididos em cidades/municipios. Nos EUA existe uma outra “entidade”: o condado. O condado fica entre o estado e as cidades, ou seja, um condado é formado por várias cidades e existem vários (quer dizer, dependendo do estado nem tanto) condados dentro de um estado. Seria mais ou menos como se existisse uma entidade para a Grande Sao Paulo, ou a baixada Santista, que reuniria as cidades destas macro regiões. Porém, o condado conta com alguns aparelhos próprios, como a polícia (quando se fala em polícia de NY ou de LA, está se falando do condado, pois não existe polícia no nível de cidade), o departamento de bombeiros (algumas cidades também mantêm bombeiros), alguns tribunais e o Xerife do condado, que é o responsável pela segurança naquela macro região.

O condado de Los Angeles (LA County) é uma região gigantesca de mais de 10 mil quilometros quadrados, que se estende desde Huntington Beach, no extremo sul, ate Calabasas, no extremo norte, e é composto por cidades como a própria Los Angeles, Long Beach, Santa Monica e Malibu. Para se ter uma idéia do tamanho desta região, para sair de Huntington e chegar a Calabasas, utilizandos as Freeways e sem trânsito, demora quase duas horas. Com trânsito não menos que 4.

Nobody Walks in LA
Los Angeles 2Cada uma das cidadezinhas que compoem o condado têm suas peculiaridades e seu charme. Venice Beach é famosa pelo seu estilo mais despojado e pelo seu calçadão, que reúne uma série de artistas de rua e lojas de bugigangas (e muitas lojas de maconha medicinal….hahaha).

Santa Monica é famosa pelo seu pier, que contém alguns restaurantes e um parque de diversões, e por sua vida noturna (restaurantes, bares, clubes, etc), além de ser um região para compras.

Malibú é onde se concentram as casas a beira de praia dos artistas. Hollywood é onde se encontra a indústria cinematográfica, a famosa calçada da fama e o Hollywood Sign. Beverly Hills é famosa pelas casas dos artistas e pelas suas lojas de luxo.

Na Marina Del Rey ficam os iates, barcos e veleiros (foi o lugar onde morei). Huntington Beach é conhecida como praia dos surfistas (uma das poucas realmente boas para pranchinhas, já que o mar da região é mais propício a pranchões ou funboards).

Indo para o Vale de San Fernando (a Hollywood do cinema pornô!), se encontram o que podemos chamar de cidades dormitórios: Calabasas, Tarzana, Sherman Oaks, Canoga Park, entre outras.

Uma coisa que eu notei desta vez é que o transito está terrível, mesmo fora dos horários de pico ou aos finais de semana. As freeways (vias rápidas no meio de cidades) que cortam a região ficavam praticamente paradas das 6 da manha as 10 da noite. Mesmo utilizando o Waze, que me oferecia caminhos alternativos, nota-se que a cidade chegou ao seu limite e me fez pensar em não reclamar mais (quer dizer, já não o faço) do trânsito em SP.

Falando em SP, em Los Angeles também estão tomando medidas um tanto quanto drásticas e impopulares para tentar aliviar o transito e mudar o comportamento dos habitantes. Estão construindo (em regime de urgência) algumas linhas de metrô ligando as cidades mais distantes aos centros comerciais e industriais, construiram algumas ciclovias (já que a topografia ajuda) e, vejam só, também criaram corredores exclusivos de ônibus!

O centro da cidade (Downtown LA) também está sofrendo um processo de revitalização, onde vários predios antigos estão sendo transformados em centros comerciais e alguns deles estão inclusive sendo demolidos para darem lugar a novos prédios comerciais e eventualmente residenciais (também estão tentando atrair as pessoas para morarem perto do trabalho).

Mesmo com a falta de planejamento que ocorreu no crescimento de LA, ainda nota-se que existe ao menos algum planejamento, ao contrário de nossas cidades, onde não existe nenhum.

Espero voltar em breve a LA e, quando voltar, que muitos destes problemas ja estejam solucionados.

There’s no place like home LA

Oakwookd Suites @ Marina Del Rey - aqui onde passei 9 meses fantásticos da minha vida

Oakwookd Suites @ Marina Del Rey – aqui onde passei 9 meses fantásticos da minha vida

Em 2008, devido a um projeto da empresa onde trabalho, passei quase 9 meses praticamente morando em LA. Para quem detesta frio, como eu, já foi ótimo por emendar um verão atrás do outro (sai do Brasil no final do verão, peguei o verão de lá e voltei no final da primavera brasileira). Para ajudar, como estava a trabalho, todas as despesas foram pagas e ficava hospedado num flat a 500 metros de Venice Beach.

Apesar de ter trabalhado dobrado (em função do fuso), valeu muito a pena a experiência. A única coisa que, visitando novamente, eu me dei conta é de como eu podia ter aproveitado mais. Infelizmente, àquela época eu ainda não tinha descoberto os prazeres e as vantagens que se tem ao viajar sozinho, então praticamente não fiz turismo. Inclusive, apesar de 9 meses lá, em vários dos lugares que visitei desta vez não havia ido.

Como disse lá no começo, LA é a cidade que eu escolheria para morar. Quem sabe num futuro próximo eu não tenha uma oportunidade de passar mais uma temporada por lá.

 

Wanderlust #2 – San Diego – USA – Apr/2014

San Diego Bay (com o USS Midway ao fundo)

San Diego Bay (com o USS Midway ao fundo)

Em Fevereiro de 1996 eu partia para o que seria minha primeira aventura internacional. Depois de um visto negado e de ter dado um “jeitinho brasileiro” para aprovar o segundo pedido de visto, eu parti num 747 da JAL com destino a LA e depois num ônibus da Greyhound para San Diego afim de fazer um curso de imersão em Inglês.

Na época, tinha apenas 19 anos, mal sabia o verbo “to be” e contava com apenas 500 dólares para passar um mês. Era uma epoca pré internet, onde se conseguia poucas informações sobre o destino, sobre o que fazer, o que visitar e com tão poucos recursos (o curso e a estadia estavam pagas, assim como a passagem, que obtive quase de graça pois trabalhava na época na Transbrasil, mas nem cartão de crédito eu tinha), foi uma aventura e tanto.

O "Ruivomóvel" da vez

O “Ruivomóvel” da vez

Desta vez foi um “pouco” diferente. Apesar do pouco tempo, hoje conto com mais recursos, o que me permitiu inclusive o aluguel de um carro para tirar um lazer (um Mustang 2014 conversivel!). Pena que pude passar apenas 3 dias.

A Cidade
San Diego é uma cidade interessante. Apesar de ser gigante e ficar no estado mais rico dos EUA, talvez por estar no extremo sul da costa oeste e fazer fronteira com o México, é uma cidade meio que “interiorana”. As coisas lá andam num ritmo bem lento, se comparado a outras cidades americanas e mesmo a São Paulo.

Alem de tudo, a cidade é praticamente uma base militar (boa parte do filme Top Gun foi filmada lá).

É impressionante tambem a quantidade de brasileiros que visitam (ou moram, vai saber) San Diego. Eventualmente você está andando pela rua e houve um grupo de pessoas falando português, coisa que, mesmo em Los Angeles ou Nova Iorque, não é tanto comum (a não ser nos centros turísticos ou de compras).

Construida em torno da Baia de San Diego, conta com varias praias e é a sede do Sea World que existe na Costa Oeste (existem outros dois, um no Texas, no centro dos EUA, e outro na Flórida, na Costa Leste). Seu Zoológico é conhecido como “o maior do mundo”, porem creio ser uma denominação exagerada, pois o de Sao Paulo é maior em área ocupada. Talvez o San Diego Zoo seja o que conte com mais espécies de animais.

A cidade tambem é muito bem servida por uma rede de transporte publico composta por ônibus, trens e trolleys, porém, assim como na maior parte dos EUA, um carro é indispensável para quem deseja aproveitar o que a cidade oferece (até por conta da sua grande extensão).

O que ver?
Alem do Zoo, já citado, e do Balboa Parque, que abriga o Zoo, San Diego Downtown, com seus restaurantes e bares, são paradas obrigatórias. Em downtown, à beira da baia, tambem se encontram dois museus interessantes: o USS Midway Museum, um porta aviões aposentado que virou museu, e o museu maritimo (infelizmente não pude conhecer). Seaport Village, também à beira da baia, em downtown, é um passeio interessante: é basicamente uma “feira de artesanato” que fica na beira da baia.

Mas a mim, o que me atrai em San Diego são suas praias, que têm uma composição bem diferente das do Brasil, mas não deixam de ter sua beleza. Desde Imperial Beach, no extremo sul da cidade, já na fronteira com o Mexico, passando por Coronado Beach, que fica na ilha de Coronado e é onde fica o famoso “Hotel Del Coronado”, que já foi utilizado para várias filmagens, passando por Mission e Pacific Beaches, todas as praias têm o seu charme.

O sol se pondo em Sunset Clifs

O sol se pondo em Sunset Clifs

Duas que particularmente me atraem bastante, se é que posso chama-las de praias, já que na verdade eu curto ficar no alto da colina vendo o mar, são Sunset Cliffs e La Jolla.

Sunset Cliffs é a primeira praia no lado norte da baia. Na verdade trata-se de um paredão de pedra com o mar logo abaixo e poucas praias, algumas delas com acesso somente pelo mar. É a praia preferida dos surfistas, que se aventuram a entrar no mar pulando com suas pranchas das pedras e usam o canto sul da praia, que dá acesso ao Sunset Cliffs Park, para sair do mar, tendo que depois praticamente escalar um morro para conseguir efetivamente sair da praia. As casas em frente à praia sao casas simples (pros padrões americanos) e normalmente sao alugadas ou compradas por surfistas que querem ter acesso mais fácil às melhores ondas da região. Eventualmente, no final da tarde, é possível ver golfinhos nadando ao lado dos surfistas e, com um binoculo, avistar algumas tartarugas marinhas.

Children's Poll em La Jolla

Children’s Poll em La Jolla

La Jolla estava bem diferente do que era há 18 anos atrás. Já era meio que uma “Maresias” de San Diego, mas desta vez parece que a ostentação chegou de vez. Mesmo assim não perdeu seu encanto. Tambem é composta por vários paredões de pedra, só que com mais praias e com acesso melhor à elas do que Sunset Cliffs. Aqui sempre é possivel avistar grupos de focas. Existé ate um “santuário”, chamado de Children’s Pool, onde elas ficam se espreguicando no sol durante o dia.

É muito interessante voce voltar para um lugar que voce conheceu há bastante tempo e notar as diferenças que ocorreram durante quase duas décadas. Mas para mim San Diego ainda guarda o mesmo encanto que tinha quando conheci da primeira vez. Uma pena somente não ter encontrado a casa onde fiquei quando estive lá em 1996 (a escola eu achei), mas ao passar pela rua eu lembrei das musicas que faziam sucesso nos EUA naquela epoca e que passavam direto na MTV: Smashing Pumpkins – 1979, Green Day – Brain Stew/Jaded e The Presidents Of The United States Of America – Peaches.

Wanderlust #1 – Phoenix – USA – Apr/2014

Uma opção no Arizona é pilotar uma Harley por suas belas estradas

Uma opção no Arizona é pilotar uma Harley por suas belas estradas

O primeiro post desta coluna era para ser sobre Berlin, mas estou trabalhando a tanto tempo no texto e está ficando tão longo (pensei até em quebrar em varias partes) que estou pensando em esperar minha proxima ida a Alemanha, que será em Junho, para escrever tudo de uma vez. Enquanto isto, vou falar sobre a minha mais recente viagem, aos EUA, mas irei dividir em 4 partes: uma para cada uma das três cidades que visitei e uma com dicas para quem viaja aos EUA e algumas observacoes ao longo desta estada (e de outras tantas que já tive por aqui).

Primeiramente, vamos falar de Phoenix, no Arizona, que já conhecia e fui novamente afim de visitar um casal de amigos. Mas antes de entrar nos detalhes da viagem em si, quero falar um pouco sobre os americanos.

BR x EUA
Eu sempre ouvi de todos que não conhecem os EUA, que o Americano é arrogante, frio e individualista. Bem, tem um pouco da doutrinação ideológica que recebemos na escola (“os imperialistas que acham que sao os donos do mundo”), mas também tem outros motivos.

O Brasileiro acha o Americano arrogante, o Inglês antipático, o Alemão muito fechado, os Japoneses muito sérios, mas nunca pára para fazer uma autoanálise e a verdade é que o brasileiro é chato. Esta chatisse é causada por muitos fatores, mas os principais são: a síndrome de cachorro vira latas (já falei disto neste artigo), a sua inconveniência e sua invasividade, e são poucas as culturas que toleram estas características.

Alem disto, o brasileiro acha que existe um “socialismo” nas relacões humanas: ele chega em uma roda de pessoas e acha que tem direito ao seu quinhão de atenção, de confiança, quando na verdade, atenção e confiança devem ser conquistados. Nao vou nem falar da mania de contato fisico que brasileiro tem e que é incomum na maioria das outras culturas.

Mas o Americano (assim como o Inglês, o Alemão, o Japonês, e todos os outros), em sua maioria são pessoas muito educadas, receptivas e, diferentemente do Brasileiro, são mais diretos e objetivos. Se ele não gosta de alguma atitude sua, ele vai falar na sua cara, sem rodeios, mas nao quer dizer que ele tem alguma coisa contra você. Ele só não gosta de perder tempo “dourando a pílula” ou “engolir sapo”. E mesmo que ele não goste de você, ele vai deixar isto claro, porém te tratar com respeito.

Alem disto, também falam que os norte americanos (incluindo ai os Canadenses) e os Europeus são individualistas e até egoístas. Não é bem assim. Eles primeiro cuidam de si para depois poderem ajudar os outros e não há nada de errado nisto. E só ver a quantidade de Americanos e Europeus que praticam voluntariado (anônimo!) comparado com os latino americanos que este estereótipo cai por terra.

Pessoas escrotas existem em qualquer cultura mais ou menos na mesma proporção, então nunca é bom generalizar ou estereotipar todo um povo.

Phoenix

Eu, Rebeca e Tony no show do Paul McCartney, em Phoenix, em 2010

Eu, Rebeca e Tony no show do Paul McCartney, em Phoenix, em 2010

Desde que minha amiga Rebeca e seu marido, Tony, se mudaram para Phoenix, este tem sido um destino obrigatório toda vez que vou aos EUA. Da mesma maneira que eles me “acolheram” em 2008, quando estive alguns meses a trabalho em LA (falarei mais sobre isto no post sobre Los Angeles), eles sempre me recebem com carinho e atenção e eu faço questão de passar alguns dias com estas companhias tão agradáveis.

A cidade de Phoenix, no Arizona, é relativamente nova (pouco mais de 100 anos) e um tanto diferente dos demais lugares nos EUA que eu conheço. A cidade é mais horizontal e são poucos edifícios, na sua maioria de empresas ou universidades e geralmente concentrados no centro da cidade.

É uma cidade bem planejada, com vias muito largas e bairros padronizados. Por ser uma cidade nova, não existem muitas atrações históricas (como em NY ou na Pennsylvania, por exemplo), porém conta com algumas poucas atrações intessantes. Uma delas, que eu havia visitado em 2010, é o Museu do Intrumento Musical, que é parada obrigatoria para quem estiver na cidade e que tem interesse e/ou paixão pelo tema e que reúne em sua coleção mais de mil (sim, mil!!!) instrumentos diferentes, das mais variadas partes do globo e de épocas passadas.

Phoenix 2

Sedona: a Campos do Jordão do Arizona

Em 2010 eu também visitei a cidade de Sedona, que fica a pouco mais de uma hora de distância de Phoenix e que costumo dizer que é a “Campos do Jordão” do Arizona: uma cidadezinha no alto das montanhas (lembrando que o Arizona fica no meio de um deserto), com casinhas típicas (neste caso, lembrando casas do velho oeste) e atrações voltadas à gastronomia e às artes.

Phoenix 4

Saguaro Lake

Desta vez tambem conheci o lago Saguaro, que na verdade é uma área inundada por uma represa, mas que forma um belo conjunto para a prática de esportes aquáticos ou mesmo para quem quer apenas aproveitar uma “praia”.

Fora isto, não existem muitos pontos turistícos que fariam alguem se deslocar do Brasil para conhecer este estado americano, porém, para quem estiver por la por algum motivo, vale a pena conhecer estas atrações. Também é possível ir até o Grand Canyon (fica no norte do estado, na divisa com Nevada), saltar de para quedas ou, como eu fiz tambem em 2010, dar umas voltas de Harley Davidson pelas ótimas estradas da região, que cruzam plantações de milho ou desertos.

Para quem curte uma jogatina, tambem existem varios cassinos.

Não é uma cidade, e mesmo um estado, que eu aconselharia alguém a ir conhecer nos EUA. Não porque seja ruim, mas pela falta de mais atrações e por existirem lugares mais interessantes lá para conhecer.

Wanderlust #0

Esta frase resume bem minha opnião

Esta frase resume bem meu pensamento

Wanderlust é uma palavra de origem alemã. Wander quer dizer andar, caminhar, vaguear (no sentido de sair sem destino), passear. Lust significa desejo, vontade, sede por algo, prazer em fazer algo. Portanto Wanderlust, seria algo como “necessidade do prazer de viajar”. Assim como se diz da palavra “saudades” no português, Wanderlust também é uma palavra que não encontra similares em outras línguas e que tem um sentido bem difícil de traduzir (para quem entende um pouco de alemão a compreensão é melhor), tanto que atualmente é adotada, utilizando a mesma grafia e quase a mesma pronúncia, na língua inglesa (algumas pessoas inclusive usam o “W” com som de “V”, como no alemão e ao contrário do inglês, onde o “W” tem som de “U”).

Saindo um pouco da semântica para o significado em sí, o sentimento “Wanderlust” seria o “antônimo” (se podemos assim dizer) do “Banzo”, que era o sentimento de saudade, de vontade de voltar ao lar, enfrentado pelos escravos negros (e que chegava a inclusive se tornar doença). Wanderlust é uma vontade incontrolável de “botar os pés na estrada”.

Usei esta introdução (chata) para inaugurar mais uma seção do meu blog. Como falei no post inaugural deste blog, um dos motivos de eu ter iniciado o blog é compartilhar minhas experiências de viagens, e aproveitando que eu to com uma baita de uma Wanderlust (em abril e junho eu mato esta vontade =) ), resolvi “apelidar” esta seção desta maneira.

Como já dito anteriormente, além da música e da literatura, viajar está no topo das minhas prioridades, das minhas paixões. Isto já vem de muito tempo: eu não sou alguém muito ligado à bens materiais, porém, eu sou muito fissurado por conhecimento, por cultura, por conhecer e entender coisas, pessoas, lugares, culturas, histórias, etc e julgo que a melhor maneira de se adquirir conhecimento e cultura é vivenciando-as.

Eu gosto de chegar num novo país ou cidade e andar no meio da cidade, ir almoçar nos lugares onde os “locais” almoçam, frequentar os bares que eles frequentam, procurar algum lugar (museu, casa de cultura, etc) que conte um pouco da história daquele lugar, mas principalmente de seu povo, enfim, mergulhar dentro daquela cultura.

Este é um dos motivos de eu preferir viajar sozinho: quando você está sozinho você ganha mais tempo de viagem, pois não tem que ficar “negociando” as atividades diárias e nem abrindo mão das coisas que você quer fazer para acomodar coisas que você talvez não queira. Além do que, por estar sozinho, você terá mais probabilidade de conhecer novas pessoas (quando você está viajando acompanhado isto é mais difícil), de fazer contato com as pessoas locais ou mesmo com outros viajantes.

Voltarei em breve com o primeiro post desta coluna.