O Vôo dos Pombos Mancos – Luiz Sales (05/2016)

O Voo dos Pombos MancosOutro dia em um almoço um colega de trabalho comentou que o pai dele havia escrito alguns livros (com um ou dois publicados, não me lembro a quantidade), achei bem legal e perguntei qual era o nome para ver se encontrava. Alguns dias depois o Roque (meu colega de trabalho) me trouxe “O Vôo dos Pombos Mancos”, a primeira publicação de seu pai, com direito a dedicatória e tudo!

O primeiro fato interessante é que o Seu Luiz Sales criou uma forma diferente de apresentar seus textos. Primeiramente ele criou um personagem/pseudônimo que é o “autor” dos textos, Lancelot Guimarães, que além de escritor “…também era fotógrafo, pintor, escultor e um excelente chefe de cozinha”. Mesmo dentro da literatura, Lance (como é carinhosamente chamado pelos amigos)  é bastante versátil, sendo dramaturgo, romancista, poeta, cantador e rapper. Acontece que Lance desaparece durante uma reportagem fotográfica no Afeganistão e seu amigo, Luiz Antonio D’Oliveira foi o incumbido, através do testamento, de cuidar da biografia e ser o curador da obra de Lancelot Guimarães.

D’Oliveira é o outro personagem/pseudônimo do autor, e a parte interessante é que o autor acaba sendo o biógrafo e o curador de sí mesmo, e mesmo assim com uma certa “distância”, uma certa isenção, provida pelos personagens/pseudônimos.

O livro é basicamente dividido em quatro partes. Na primeira, os dois Luizes (o Antônio d’Oliveira e o Sales) dão uma introdução de como Lancelot nasceu (cada um sob seu ponto de vista: o do personagem fictício e o do autor), cresceu e viveu.

A segunda parte é uma coleção de contos e crônicas. Até por ser muito prolixo, eu admiro os autores que conseguem sintetizar uma estória, com personagens, ambientes e roteiro em poucas páginas, então contos em particular me atraem bastante. Aqui não foi diferente, foi a parte que eu mais gostei do livro. Destaques para o conto-desabafo que dá nome ao livro e ao singelo “A Mocinha Morreu no Fim”.

Eu costumo dizer que não é que eu não goste de vinho, eu não tenho paladar para poder apreciá-lo. Eu não consigo perceber as diferenças de safra, de estilo. Para mim um vinho francês e um Sangue de Boi parecem exatamente iguais. O mesmo posso dizer dos poemas: eu não tenho “paladar” para poemas. Não que eu ache ruim ou chato. Simplesmente não entendo. Não consigo captar a subjetividade por trás dos versos. Até com música acontece isto e muitas vezes me pego entendendo o que o autor quis dizer em um determinado trecho 20 anos depois de ter escutado uma música pela primeira vez (e após ter escutado umas mil vezes). Então assim como fiz com Morte e Vida Severina, eu vou dizer que eu não tenho capacidade para dizer se a terceira parte do livro, uma coleção de poemas, é boa ou ruim.

Na quarta parte, Lancelot se vale do artifício dele mesmo ter um pseudônimo (já estamos no “quarto nível” de inception?….rs) e através de Inocêncio Baluarte nos presenteia com duas pequenas obras de Cordel: a primeira é “A Incrível Saga De Um Garnisé Que Fez Uma Cidade Tremer” que traz toda aquela malícia do duplo sentido tão comum neste tipo de literatura. A segunda obra é “A Revolução Da Robótica Na Constelação Do Serrado”, que além de citar Isaac Asimov, traz uma tirada de sarro com grupos ideológicos que podem ser encontrados hoje em dia em qualquer discussão de internet.

Para fechar com chave de ouro, alguns depoimentos que normalmente vimos nas contracapas de best sellers, com editores e jornalistas elogiando a obra. Claro que todos eles também dados por uma série de personagens fictícios de revistas, jornais e institutos também fictícios.

Be happy 🙂

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