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O Gene Egoísta – Richard Dawkins (18/2016)

o-gene-egoistaExistem alguns assuntos que, por mais que alguém não vá ser especialista neles, formam um conjunto de conhecimentos nos quais todo mundo deveria ter ao menos uma visão macro, um nível mínimo básico de conhecimento. Basicamente são as áreas de conhecimento que fazem parte do curriculum escolar. Biologia é um deles. Eu ainda não entendo porque deva ser estudado em separado da Química. E porque a Química deva ser estudado em separado da Física. E porque a Física tem que ser estudada a parte da Matemática. E por ai vai. Mas acho que já estou ficando repetitivo neste ponto.

Dentro da Biologia, talvez o assunto mais importante desta base geral seja a teoria da evolução de Charles Darwin e as teorias baseadas nela.

Além destes assuntos, um que deveria constar no curriculum escolar deveria ser aplicação dos conceitos de pensamento científico, metodologia de pesquisa científica (que geralmente é muito mal ensinada nas faculdades) e tudo ligado aos mecanismos de geração de conhecimento, ou seja, à ciência.

Em “O Gene Egoísta”, primeiro livro publicado por Dawkins, em 1976, ele defende a teoria da seleção no nível do gene, em contraponto às teorias da seleção de indivíduo, de grupo e de espécie, aplicando exatamente os métodos científicos (as idéias, hipóteses e teorias podem e devem ser confrontados, mas o método em sí é o que garante o bom funcionamento de todo o sistema).

Segundo esta teoria, cada gene sozinho luta por sua própria sobrevivência e propagação, sendo que ele se alinha a outros genes na medida em que esta união traz mais benefícios do que a competição com estes demais genes. Ou seja, um gene se alia a outro, para formar um determinado “veículo” afim de que ele possa continuar sobrevivendo. O que ele chama de veículo são os seres vivos (todos, desde uma bactéria até o ser humano), que na verdade são apenas meios para que o gene possa continuar se propagando.

Este egoísmo também é repassado para os veículos, que se unem (com veículos de espécies diferentes, em vários tipos de arranjos, ou veículos da mesma espécie, em colônias ou sociedades) ou competem entre si. Deixando de lado simplesmente a teoria biológica e partindo para a filosofia e moral, a teoria torna-se um tanto quanto controversa, já que até o cuidado parental é uma face deste egoísmo (o seu filho tem 50% dos seus genes, assim como seus irmãos, portanto, é interessante cuidar deles para que o gene possa sobreviver).

Dawkins chega ao ponto de mencionar a xenofobia e o racismo como faces desta teoria: o gene produz alguns sinais externos (fenótipos, como cor dos olhos e tom da pele), também com o intuito de que genes de mesma origem, em veículos distintos, possam se reconhecer. Pensando na teoria, faria sentido. A discussão moral, em tese, não caberia aqui.

O mesmo vale para os sinais externos usados na escolha do parceiro com o qual se reproduzir, como a cauda do pavão, que gera um custo grande para o veículo (de energia para produzi-la), mas serve como um indicativo de que os genes que compõem aquele veículo são bons e que a fêmea faria uma boa escolha ao copular com aquele indivíduo, pois desta forma as chances de que seus genes venham a se propagar (os 50% que estariam na cria) seriam maiores.

E ai aparece outra polêmica (das várias do livro), de que a fêmea (independente da espécie), por investir mais na geração de um novo ser (os óvulos são várias vezes maiores do que os espermatozóides em qualquer espécie), tende a selecionar melhor o parceiro e a também investir mais em cuidado parental, enquanto o macho, por produzir uma quantidade enorme de gametas, investindo pouco em cada um deles (e geralmente bem menos na somatória do que a fêmea no óvulo), estaria mais propício a tentar a cópula com o máximo de fêmeas possível e a abandonar as crias à própria sorte.

O livro gerou tanta polêmica que foi “acusado” de ter inclusive colaborado para a ascenção da Margareth Thatcher, que pregava o individualismo acima do coletivo, ao posto de primeira ministra da Inglaterra ao final da década de 1970.

Tanto que nesta terceira edição revisada, o Dawkins faz questão de esclarecer, na introdução e nas notas, que a análise dele não é filosófica, nem moral e nem social e inclusive, erroneamente a meu ver, chega ao ponto de explicitar que ele mesmo votou contra a então candidata Thatcher à época. Se por um lado mostra que ele coloca a ciência acima de suas convicções pessoais, por outro ele parece “pedir perdão” pelo livro e pelo fato das pessoas não terem interpretado corretamente.

O novo capitulo adicionado na segunda edição, de 1989, é o relativo ao que ele denomina memes (sim! Esta palavra tão comum em tempos de internet foi cunhada pelo Dawkins!). Ele traça um paralelo entre o nascimento, a propagação e a “evolução” da cultura, com o mesmo processo executado pelos genes. Ele traz vários exemplos, sendo o mais notável a religião.

Um outro ponto que tem me interessado muito já há alguns anos e que ele traz no livro é o que eu chamo de “mecanismo do ‘vale à pena'”. Como eu trabalho com análise de dados, sempre tem me intrigado como, para quase todas as decisões que o ser humano toma, ele realiza, inconscientemente, milhares de cálculos para ver a relação “custo X benefício” daquilo. Na verdade isto é um mecanismo que existe em diversas outras espécies. Um outro exemplo que eu uso é: quando um leão sabe exatamente quando não vale mais à pena perseguir determinada presa e guardar energia para tentar a sorte com uma outra, ao invés de ficar perseguindo indefinidamente, até que suas forças se esgotem? Dawkins traz o tema, dizendo que, provavelmente a evolução fez com que nossos cérebros fizessem estes cálculos sem que percebamos, da mesma forma que um morcego faz um cálculo complicado para detectar a distância dos objetos através do eco do próprio som emitido (a própria emissão do som já é bem complexa).

O livro é bem longo e cansativo, com o Dawkins sendo até prolíxo ao explicar o mesmo tema diversas vezes, utilizando apenas metáforas diferentes, mas há de se perdoar esta “falha” por se tratar do primeiro livro de alguém acostumado a escrever literatura científica e acadêmica. Apesar disto, é uma leitura que vale a pena, mesmo assim não sendo melhor que os dois outros livros dele que eu li: Deus Um Delírio (o melhor) e O Relojoeiro Cego.

Be happy 🙂

O Relojoeiro Cego – Richard Dawkins (16/2016)

o-relojoeiro-cegoApesar da forma sempre contundente com que Dawkins defende suas idéias, especialmente quando instado a debater entre o Criacionismo e o Evolucionismo, é impossível negar que ele se arma de argumentos e dados que fazem com que fique difícil para qualquer debatedor refutá-lo. É claro que nunca será o suficiente para convencer um crente, mas ao menos deixa aquela “pulga atrás da orelha” em alguém que, por mais convicto de sua fé, ainda tem uma capacidade de raciocínio lógico.

Em O Relojoeiro Cego, Dawkins tenta (com sucesso!) desconstruir a teoria do Design Inteligente, que credita a complexidade da vida na terra (e acima de tudo, à existência da terra e de todo o universo) a um ser superior, alegando que o corpo humano, por exemplo, por ser uma “máquina” tão complexa, só poderia ter sido obra de alguma inteligência ou poder superior.

Se for parar para pensar friamente nesta teoria do “design inteligente” chegaremos a conclusão que ele não é tão inteligente assim, através de varios exemplos. Um dos mais fáceis de se compreender é o do sistema alimentar e respiratório humano, que compartilham boa parte de orgãos e, caso fosse “projetado” por um engenheiro iriamos dizer que, no mínimo, o engenheiro foi descuidado ao ignorar o risco de algum alimento se desviar para a via destinada ao ar (o famoso engasgar).

Por outro lado, os defensores do design inteligente, sempre trazem o exemplo do olho humano, que possui uma tecnologia impressionante, mesmo para o atual nível de desenvolvimento da humanidade. Porém, Dawkins traz vários exemplos de diferentes estágios de desenvolvimento de um orgão fotosensor na natureza, desde os mais simples, até chegar no olho humano (ou o do polvo, que também tem uma complexidade parecida).

Dawkins vai bem mais além, explicando em detalhes os pequenos passos que diferentes órgão de vários seres possam ter dado, adicionando pequenas modificações (anomalias) que, se proviam uma certa vantagem sobre os outros seres da mesma espécie que não tinham estas modificações, teriam grandes chances de serem propagadas para as gerações seguintes, eliminando assim, na concorrência pela sobrevivência, aqueles competidores que não tivessem esta pequena vantagem.

Outro ponto interessante que ele traz é a incrível capacidade de armazenamento de informações que uma simples célula carrega. Eu trabalho com tecnologia da informação e nunca tinha feito o paralelo entre o sistema de armazenamento e processamento de um computador, que é binario, ou seja, onde cada “bit” assume apenas 2 possíveis valores (zero e um) com o de uma molécula de DNA, que pode assumir quatro possíveis valores (G, A, T e C). Por exemplo, um par de bits possibilita a construção de 4 combinações diferentes, enquanto um par de moléculas de DNA possui 16 combinações diferentes. Com 3 bits são possíveis 8 combinações diferentes e com 3 moléculas 64 combinações. Um byte, que é o conjunto de 8 bits, normalmente usado para armazenar uma letra, possui 256 possíveis combinações, enquanto um “byte” de moléculas de DNA possui mais de 65 mil combinações (mais de 8 mil vezes mais do que um byte de computador). Como ele disse no livro: em uma célula de um fungo é possível armazenar uma enciclopédia inteira.

Mas falar em números, tamanhos e tempo quando se pensa na natureza é muito complicado para nossa capacidade de entendimento, já que as razões são muito menores ou imensamentamente maiores do que nossa capacidade de abstração permite.

Talvez seja muito difícil para o ego do ser humano admitir que somos apenas uma obra do acaso, que este planeta nao foi “pensado” para nos abrigar e servir e que, devido à esta improbabilidade estatística de que somos fruto, devemos valorizar esta oportunidade única que temos e, principalmente, respeitar esta oportunidade que os outros também estão tendo.

Quem sabe no dia em que entendermos isto, a humanidade como um todo se respeitará e respeitará este planeta e todos os seres que nele habitam.

Be happy 🙂

Deus Um Delírio – Richard Dawkins (02/2015)

Deus-um-DelirioEngraçado como as vezes um livro aparece na sua vida num momento bem propício. Eu sempre tive uma relação estranha com as religiões. Eu fui criado na doutrina evangélica até os 14 anos de idade, mas nunca tive fé e, graças a minha curiosidade, sempre questionei os dogmas religiosos e a existência de um ser superior (seja ele qual for). Mas também nunca duvidei da existência deste ser (ou seres, dependendo da religião). Simplesmente eu sempre achei que eu não preciso de fé em algo sobrenatural e, desde que a fé alheia não interfira na minha vida eu nunca liguei para religiões em geral. Inclusive eu eu até acho os ritos religiosos muito interessantes.

Mas de uns tempos para cá, especialmente com a ascenção do fundamentalismo evangélico no Brasil e o avanço dos tentáculos de seitas evangélicas sobre Estado brasileiro, eu comecei a rever estes meus conceitos. O livro O Sári Vermelho, que eu li no começo do ano, ajudou a derrubar um mito em que eu acreditava, de que as religiões orientais eram pacifistas e tolerantes. O ataque dos terroristas muçulmanos (sim, é esta a denominação, não adianta dourar a pílula) ao jornal francês Charlie Hebdo foi a gota d’água para eu definitivamente chegar a conclusão de que a religião é sim um mal imenso para o mundo, que não tem como elas não interferirem na minha ou na vida de qualquer pessoa e que as religiões (TODAS) não devem ser apenas ignoradas, mas sim combatidas.

E ai leio este livro do Richard Dawkins, que me traz argumentos infinitamente melhores e com mais embasamento que as minhas próprias conclusões. O livro funciona como se fosse um “Evangelho do Ateísmo”, como o autor propôs que fosse (e ele deixa isto bem claro no prefácio) e é dividido em 10 capítulos que desconstróem alguns mitos das religiões e é respaldado por vários estudos, livros e citações, todos eles devidamente bibliografados ao final do livro, de cientistas, teólogos, celebridades e políticos, religosos ou não. Um dos pontos fortes do livro é justamente desconstruir “teorias” e discursos religiosos. Dentre os 10 capítulos, 3 foram os que me mais chamaram a atenção:

O sexto capítulo trata das raízes da moralidade e desconstrói o argumento de que a ética e a moral são frutos da religião (até porque tanto o Deus da Bíblia quanto a própria Bíblia em sí não são nenhum exemplo de moral, muito pelo contrário). Isto sempre foi um dos meus questionamentos, mesmo quando frequentava a igreja eu já pensava que uma pessoa que precisa ser ameaçada com as chamas do inferno ou “incentivada” com uma vida no paraíso para que pratique atos morais e de caridade só pode ser um canalha ou um interesseiro, mas este capítulo traz uma abordagem do ponto de vista do desenvolvimento da espécie humana para as questões de moral. Não que as razões da moral do ponto de vista da evolução sejam muito altruístas, já que elas se formaram pelo bem da manutenção da espécie, mas ao menos explicam de uma maneira lógica do porque da moralidade e mostra que ela não tem nada a ver com religião.

No oitavo capítulo ele trata sobre os males da religião em sí e das razões para ser tão hostil com todas elas. Um motivo para mim já estava claro há algum tempo: toda religião é fundamentalista ao definir-se como a única certa e buscar a conversão de todas as pessoas à ela ou, quando isto não é possível, a eliminação das demais pessoas e religiões. Não adianta cair no discurso de que “não se pode condenar a instituição por conta de atos de seus membros”, já que se a instituição não existisse, aquele membro muito provavelmente não cometeria aquele ato.

O nono capítulo trata da violência que é doutrinar uma criança em qualquer religião ao invés dar à ela condições de analisar e a opção de escolha, quando ela tiver capacidade para fazer esta escolha. E aqui o livro toca num ponto particularmente interessante para mim. Como disse eu fui criado na doutrina cristã evangélica e, caso não tivesse uma curiosidade natural e capacidade de questionar aquilo que me foi imposto durante anos, provavelmente hoje eu estaria ainda nas garras de alguma igreja, sem a compreensão que tenho hoje do mundo. Poderia falar de várias coisas das quais eu fui privado por conta da escolha que meus pais me impuseram (e nem posso culpá-los já que eles também são vítimas deste ciclo), tais como acesso às artes (cinema, música, etc), TV e à Ciência em geral, mas só o fato eu ter sido levado a acreditar em algo sem a capacidade de questionar já é motivo suficiente para eu concordar plenamente com Dawkins quanto à este tema.

Outro ponto forte do livro é que, ao invés dele cair no lugar comum de utilizar o fanatismo religioso muçulmano, ele prefere usar muitos exemplos do fanatismo cristão americano, o que faz com que as pessoas com capacidade de abstração e análise consigam entender que tudo o que se aplica ao fanatismo muçulmano, também é aplicável à qualquer outra religião.

O livro não é dos melhores, do ponto de vista literário, como muitos fãs de Dawkins também afirmam, mas certamente, dentro do propósito é uma leitura clarificante. Nem posso indicar para amigos que têm fé em algum tipo de religião pois, com quase toda certeza, o livro iria fazer com que elas sintam desprezo e revolta (e talvez até por mim!), mas para aqueles que têm alguma capacidade de analisar fatos e argumentos válidos, independente da fé, é uma ótima leitura.

Algumas citações interessantes:

Joga fora todos os medos de preconceitos servis, sob os quais as mentes dos fracos se curvam. Coloca a razão firmemente no trono dela, e apela ao tribunal dela para todos os fatos, todas as opniões. Questiona com coragem até a existência de Deus; porque, se houver um, ele deve aprovar mais o respeito à razão que o medo cego. – Thomas Jefferson

O espetáculo daquilo que é chamado religião, ou qualquer outro tipo de religião organizada, na Índia ou em qualquer outro lugar, enche-me de horror e já o condenei com freqüência, no desejo de eliminá-lo. Quase sempre ele parece significar crença e reação cegas, dogma e intolerância, superstição, exploração e a preservação de direitos adquiridos. – Jawaharlal Nehru

Temos nomes para as pessoas que têm muitas crenças para as quais não há justificativa racional. Quando suas crenças são extremamente comuns, nós a chamamos de “religiosas”; nos outros casos, elas provavelmente serão chamadas de “loucas”, “psicóticas” ou “delirantes” […] Claramente, a sanidade está nos números. E, mesmo assim, é apenas um acidente da história o fato de ser considerado normal em nossa sociedade acreditar que o Criador do universo é capaz de ouvir nossos pensamentos, enquanto é uma demonstração de doença mental acreditar que ele está se comunicando com você fazendo a chuva bater em código Morse na janela de seu quarto. Assim, se as pessoas religiosas não são generalizadamente loucas, suas principais crenças absolutamente o são. – Sam Harris

“Você é tão bruto, tão pouco sutil, como pode ser tão insensível e mal-educado a ponto de me fazer uma pergunta direta, à queima-roupa, como ‘Você acredita em milagres?’ ou ‘Você acredita que Jesus nasceu de uma virgem?’. Você não sabe que entre pessoas educadas não se faz este tipo de pergunta”. Mas reflita por que é indelicado fazer perguntas tão diretas e factuais para pessoas religiosas hoje em dia. É porque dá vergonha! Só que é a resposta que dá vergonha, se ela for sim. – Richard Dawkins

Você realmente quer me dizer que o único motivo para você tentar ser bom é para obter a aprovação e a recompensa de Deus, ou para evitar a desaprovação dele e a punição? Isso não é moralidade, é só bajulação, puxação de saco, estar preocupado com a grande câmera de vigilância dos céus, ou com o pequeno grampo dentro da sua cabeça que monitora cada movimento seu, até seus pensamentos mais ordinários. – Richard Dawkins

…se as pessoas são boas só porque temem a punição, e esperam a recompensa, então nós somos mesmo uns probres coitados. – Albert Einstein

Mesmo que fosse verdade que precisamos de Deus para ser bons, isso obviamente não tornaria a existência de Deus mais provável, apenas mais desejável (muita gente não consegue enxergar a diferença). – Richard Dawkins

Deus e a Pátria são um time imbatível; eles quebram todos os recordes de opressão e derramamento de sangue – Luis Buñuel

…a religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos gente boa fazendo coisas boas e gente ruim fazendo coisas ruins. Mas, para que gente boa faça coisas ruins, é preciso a religião. – Steven Weinberg

A Bíblia é um guia da moralidade entre os membros do mesmo grupo, contendo instruções para o genocídio, para a escravização de forasteiros e para a dominação do mundo. Mas a Bíblia não é malévola devido a seus objetivos ou à glorificação do assassinato, da crueldade e do estupro. Muitas obras antigas fazem a mesma coisa – a Ilíada, as sagas islandesas, as lendas dos sírios da Antigüidade ou as inscrições dos maias, por exemplo. Mas ninguém sai por ai vendendo a Ilíada como base da moralidade. Ai é que está o problema. A Bíblia é vendida, e comprada, como um guia para orientar a vida das pessoas. E é, de longe, o maior best-seller de todos os tempos. – John Hartung

A religião é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes. – Sêneca

Os fundamentalistas sabem que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado e sabem, desde o começo, que nada os afastará de sua crença. A verdade do livro sagrado é um axioma, não o produto final de um processo de raciocínio. O livro é a verdade e, se as provas parecem contradizê-lo, são as provas que devem ser rejeitadas, não o livro… As pessoas acreditam nos livros sobre evolução não porque eles sejam sagrados. Acreditam porque eles apresentam quantidades imensas de evidências mutuamente sustentadas. Quando um livro de ciência está errado, alguém acaba descobrindo o erro, e ele é corrigido nos livros subsequentes. Isso evidentemente não acontece com os livros sagrados. – Richard Dawkins