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Top Top #6 – Músicas de Motel (fucking songs)

Motel 1

Ah! O amor! Sábado à noite, o rapaz pega a namorada na casa dela, a leva em um barzinho com luz baixa, mpb rolando ao vivo, pede uma cerveja para ele e umas caipirinhas para a moça (“bem doce, por favor!”). Meia noite e meia pede pra fechar a conta para seguir a saga rumo à uma maravilhosa noite de amor. Só esqueceu que o pernoite se inicia as duas, então tem que ficar dando voltas de carro pela cidade, já que o período de 4 horas seria insuficiente junto à mulher amada.

Depois de uma pequena fila, uma espera de 1:30 para “prepararem o quarto” (espera esta que quase torna dispensável o próprio quarto, se é que me entendem) o casal adentra a suíte para aquela maravilhosa noite. Claro que não poderia faltar uma trilha adequada, mas….Oh! Wait! Tirando os pastores da madrugada, apenas três rádios funcionam: Antena 1, Alpha FM e Eldorado (isto para a realidade de São Paulo, mas creio que em outras cidades existam as similares).

Cientes de que a sua audiência está sedenta por uma trilha sonora para embalar uma noite de amor, os programadores destas rádios preparam um set list com o que há de melhor na música romântica internacional (incluíndo ai traduções simultâneas, não que alguém vá prestar atenção).

O Botecoterapia orgulhosamente apresenta, as 25 músicas (+ um bonus) mais tocadas nas madrugadas de sexta e sábado nos Motéis, as famosas “fucking songs”:

25 – Eurhytmics – Miracle of love
Milagre é não broxar com esta música.

24 – Haddaway – I Miss You
Esta não deixa saudades.

23 – Chris Isaac – Wicked Games
Jogo duro ouvir, isto sim!

22 – Bryan Ferry – Slave To Love
Só acorrentado pra aguentar.

21 – Tracy Chapman – Fast Car
Esta música até que é legalzinha. Uma das várias desta lista que fizeram parte da trilha de novelas.

20 – Crowded House – Don’t Dream It’s Over
Esta é uma que não tem motivo nenhum para ser tocada como “love songs”, mas ninguém sabe ingles mesmo.

19 – The Cars – Drive
Talvez ficasse melhor como trilha de drive-in.

18 – Double – Captain Of Her Heart
“Capitão do Coração”? Não sei como nenhum grupo de forró brega ainda não fez uma versão (ou ao menos usou o nome para o grupo)

17 – The House Martin – Build
O melô do papel! Trilha sonora da novela Bebê à Bordo. Talvez uma mensagem subliminar alertando para a adoção de métodos anticoncepcionais.

16 – Peter Cetera – Glory Of Love
Periga o cara querer fazer o “golpe da águia”.

15 – Spandau Ballet – True
“Ha-ha-ha-ha-a-ha” – Acho que alguém imaginou que isto fosse um gemido.

14 – George Michael – Careless Whisper
“…sussuros de um bom amigo”, sei!!!….kkkk

13 – Anita Baker – Sweet Love
Ai minha diabetes!!!!

12 – Phil Collins – One More Night
E mais nenhuma vez esta música de novo, por favor.

11 – Jim Diamond – I Should Have Know Better
Ai ai ai…

10 – Simply Red – If You Don’t Know Me By Now
Foi só pra colocar um Ruivo na lista…..hahaha

9 – Glenn Medeiros – Nothing’s Gonna Change My Love For You
Dá vontade é de mudar de rádio.

8 – Sade – No Ordinary Love
Sade normalmente é usada para “o golpe”: o cara chama a mina pra jantar em casa, bota uma coletanea da Sade pra rolar, abre um vinho, e ai o resto é história…

7 – Air Supply – Goodbye
Campeões de tradução simultânea.

6 – Earth, Wind and Fire – Fantasy
Mas o Earth, Wind & Fire é uma puta banda!!!!

5 – Tom Jones – Love Is In The Air
Uma lista de fucking songs sem o Reginaldo Rossi norteamericano não seria uma lista de fucking songs.

4 – Marvin Gaye – Sexual Healing
Porra Marvin Gaye! Você sempre foi um baita músico! Mas cura sexual é de foder. Literalmente!!!

3 – Roxette – It Must Have Been Love
Ah, os bailinhos da época do colégio…

2 – Serge Gainsbourg & Jane Birkin – Je t’aime Moi non Plus
PQP!!! Esta é clássica!!! Rola até um striptease nesta hora….hahaha

1 – Barry White – Just The Way You Are
Deve ser por causa da voz de ator pornô, mas digo uma coisa: não é nada agradável.

0 – Yahoo – Mordida de Amor
Este é um bônus track. Sei lá porque cargas d’água os programadores acham que esta música serviria para embalar algo. Talvez por causa da frase “quando faz amor, se olha no espelho”, bem propícia ao ambiente. De qualquer forma, a trilha sonora de Bebê à Bordo emplacou duas neste Top Top.

E você? Quais as suas músicas de motel preferidas? E não venha me dizer que nunca passou por uma situação destas!!!!

Motel 2

Top Top #5 – Os 20 álbuns que marcaram a minha vida

Music Passion 1De certa forma dando continuidade ao meu último Top Top, sobre os 10 livros que marcaram a minha vida, vou estender aqui uma outra brincadeira do mesmo tipo que rolou no Facebook a alguns dias atrás. À exemplo da brincadeira / desafio do livro, também pedia-se que listassemos 10 discos importantes para a nossa vida. Como foi muito difícil chegar a somente 10 naquela brincadeira e acabei deixando, com muita dor no coração, um monte de discos de fora, vou aumentar qualitativamente (colocando porque eu considero um disco importante) e quantitativamente a brincadeira, colocando 20 álbuns (e olha que deixei alguns outros de fora).

Os discos aparecem mais ou menos na ordem cronológica em que me marcaram e/ou apareceram na minha vida e basta clicar no link para ouvir alguma música do disco/banda ou o álbum no youtube.

0 – Ney Matogrosso – Promessas Demais
É apenas uma música e não um álbum e nem é uma das minhas preferidas, mas ela entrou aqui como item 0 por ser a primeira música que eu lembro de ter ouvido (lá pelos meus 5 ou 6 anos). Eu sempre careguei a melodia na cabeça e nunca soube que música era, ou mesmo o artista, até que um dia, há uns 8 anos atrás, estava dormindo com o rádio ligado (na Nova Brasil) e tocou esta música. De alguma forma, um pedaço da letra (“não precisava não acenar, precisava não promessas demais”) grudou na minha cabeça e eu lembrei quando acordei. Graças ao nosso amigo Google consegui, depois de mais de vinte anos, descobrir qual música era.

1 – Mozart – Requiém
Até os meus 14, 15 anos, eu tinha contato basicamente com músicas evangélicas (fui criado na igreja até mais ou menos esta idade) e erudita (fiz piano dos 10 aos 14 anos), portanto, ao contrário da maioria das pessoas, meus primeiros contatos não foram com Beatles, Roberto Carlos ou Raul Seixas. Esta obra póstuma do Mozart entra aqui na lista por ter sido a primeira música a realmente mexer comigo. Até hoje sinto um nó na garganta quando ouço esta obra.

2 – Pantanal – Trilha Sonora – Vol 2
Quando esta novela passou eu fiquei encantado com sua trilha sonora. Meu núcleo preferido da novela era o dos violeiros Tibério (Sergio Reis) e Xeréu Trindade (Almir Sater). Entra aqui por ter me “aberto as portas” para a música caipira brasileira (apesar de meu avô sempre cantar e tocar, até este momento não me atraia muito). Curiosidade: um tema muito tocado, especialmente quando apareciam as paisagens do Pantanal, é “No Mundo dos Sonhos”, de Robertinho do Recife, que trata-se de uma versão de Pepperland, do disco Yellow Submarine dos Beatles.

3 – Legiao Urbana – Dois
Aqui começa minha guinada rumo ao rock (provavelmente meu estilo predileto) e consequentemente ao violão. Estava ouvindo num sábado à tarde em casa a Rádio Transamérica e tocou Tempo Perdido. Fiquei doido e no meu próximo pagamento (era office boy na época, aos 14 anos) comprei um walkman vagabundo num camelô e esta fita no Museu do Disco. Ouvia a fita umas 15 vezes ao dia, todos os dias. À partir dai, “roubei” um violão velho do meu avô (tinha até um buraco que foi devidamente tapado com adesivos de campanhas políticas) e comprei algumas revistinhas de cifras para tentar tocar. Além disto, Legião foi basicamente a trilha sonora do meu primeiro namoro.

4 – Deep Purple – In Rock
Foi o primeiro disco de rock internacional com o qual eu tive contato (este disco existe até hoje e está com meu amigo Zé) e onde eu vi que Rock podia ser mais que 3 notas (até então eu estava numas de curtir Legião, Capital, Titãs) e que poderia se misturar inclusive com música erudita (que eu havia estudado).

5 – Led Zeppelin – Led Zeppelin I
Aqui foi minha introdução aos “virtuoses”. Ouvir num mesmo disco blues, rythm’n’blues, rock’n’roll e hard rock, interpretado com maestria por Plant, Page, Jones e Bonham fez eu “pirar o cabeção” e querer ter a música como carreira (sonho abandonado quando percebi que meu talento e minha disciplina eram bem menores que meu amor pela música). A capa do disco foi a primeira camiseta de banda que eu tive.

6 – Rush – A Show Of Hands
Muito antes dos Bill Gates, Zuckembers e Steve Jobs da vida, ser nerd não era legal, não era cool. Ser nerd era ser meio que pária do seu grupo (escola, rua, etc). O Rush sempre foi uma banda de nerds. Então nada melhor para o orgulho de um nerd como eu botar um disco pra rolar e ouvir, como abertura do show, o tema dos Três Patetas. Foi como um: hey, sou nerd sim, e dai?!?! Hoje em dia o Rush está entre as minhas bandas top (junto com Beatles, Pink Floyd e Yes).

Music Passion 27 – Golpe de Estado – Golpe de Estado
Janeiro de 1992!!!! Este foi o primeiro show “grande” que eu vi (com minha camiseta do Led, adquirida na Praça da República). Era uma festa da 89FM no estacionamento do Sambódromo do Anhembi e contou, além do Golpe, com o Ira! (tinha outra banda antes do Golpe, mas não lembro quem era e não cheguei a tempo de ver). Um baterista fantástico, um showman como vocalista, um guitarrista com riffs inconfundíveis e um baixista coeso “ligando” tudo e cantando hard rock (no melhor estilo Led, Whitesnake, Purple) em português. Foi paixão à primeira “ouvida”. Depois disto devo ter visto uns 80, 100 shows do Golpe, sendo eles somente superados pelo próprio Ira!.

8 – Ira! – Música Calma Para Pessoas Nervosas
Já era apaixonado pelo Ira! por conta do “Mudança de Comportamento” e do “Vivendo e Não Aprendendo”, mas este foi o disco em que eu pensei: “Porra! Estes caras são fodas! Querem fazer música e dane-se o resto! Dane-se se vai vender ou não!”. Não chegou a vender duas mil cópias (exatamente 1840 cópias na época, sendo que eu tinha duas: uma ganha, em LP, e outra comprada, em CD), apesar de ser um disco fantástico. Depois deste disco eles subiram ao primeiro posto das minhas bandas nacionais preferidas, pra não sair mais. Com certeza cheguei a ver mais de 100 shows do Ira! (Entre 1992 e 1997 ao menos um por mês!).

9 – Megadeth – Rust In Peace
Em 1993 estava numa época mais heavy metal, com 17 para 18 anos, cabelo comprido (sim, eu tinha cabelo!!!), querendo virar metaleiro para o resto da vida (tocava baixo na época) e este foi o disco que marcou esta época. Este disco é fantástico! Bom de ponta a ponta! Tirei ele (assim como os 3 primeiros do Metallica e mais o Countdown to Extinction do próprio Megadeth) inteiros no baixo, de ouvido, já que não tinha nenhum tab.com ou coisa parecida à época. Tornado of Souls tem para mim o melhor solo de guitarra da história do Heavy Metal, talvez uns dos 10 melhores da história do Rock.

10 – Dream Theater – Awake
Continuando minha saga metaleira, pirei quando ouvi Dream Theater pela primeira vez (na verdade, vi o clipe de Lie na MTV e fui atrás para comprar o CD). Tinha o peso do metal, com a complexidade e os temas longos das músicas eruditas. Cheguei a comprar um baixo de 6 cordas (tenho até hoje) somente para tocar Voices. Foi também minha porta de entrada para o rock progressivo. Mas hoje não tenho mais paciencia para ouvir Dream Theater.

11 – Jamiroquai – Emergency On The Planet Earth
Lá pelo final de 1996 estava totamente naquela vibe “metal”: não ouvia nada que não fosse no mínimo hard rock (a única exceção era o Ira!), não ia em lugar que não tocasse metal, tudo quanto outro tipo de som para mim era uma bosta e coisa de gente burra. Ainda bem que a gente cresce e evolui (quer dizer, a maioria de nós né). Este foi um dos discos que abriram minha cabeça para outras coisas que não fossem rock. Vi o clipe de “Emergency On The Planet Earth” na MTV e pensei: “não é metal, mas é legal e tocam bem!” e ai comecei a me dar mais oportunidades de ouvir coisas novas.

12 – Gilberto Gil – Millenium (coletânea)
13 – Chico Buarque – Millenium (coletânea)
Estes foram outros dois discos que abriram minha percepção para além do rock. Letras fantásticas, misturas de jazz, samba, mpb, rock, baião, forró, ou seja, a mistura que é o Brasil. Através destes discos eu pude abrir muito mais a minha cabeça para o que se faz de bom em termos musicais no nosso país (o que não é pouca coisa). Infelizmente, nas muitas viagens de galera, acabei perdendo os dois CDs (e um do Jair Rodrigues, da mesma série Milleinium, que tinha comprado junto)

14 – Racionais MCs – Sobrevivendo No Inferno
Este foi outro disco que derrubou alguns preconceitos que eu tinha (contra o Rap, Hip Hop, etc) e me abriu as portas para uma nova gama de sons (Funk, Soul, Motown, etc). Foi trilha sonora das viagens roubadas da “Turma do Grampo”.

15 – Funk Como Le Gusta – Roda de Funk
Putz! Este disco e os respectivos shows, com participações mais que especiais (Thayde, Jair Oliveira, Elza Soares, entre outros) na choperia do Sesc Pompéia marcou uma época da minha vida muito boa, onde a gente vivia para se divertir, sem preocupações. A preocupação que tinhamos, à época (eu com 23, 24 anos) era saber qual seria a próxima viagem, a próxima festa. Ganhávamos pouco mas nos divertíamos muito!

Music Passion 316 – Cassia Eller – Com Você…Meu Mundo Ficaria Completo
Ápice da carreira desta escritora fantástica, que infelizmente foi embora cedo, é um dos discos para entrar na história do rock nacional. Também foi trilha sonora do meu segundo namoro.

17 – Yes – Close To The Edge
Aqui já era 2002 para 2003, época que os arquivos de MP3 (assim como os Napsters e Audiogalaxys da vida) começam a se popularizar no Brasil. Sinceramente não lembro o que me fez dar uma “guinada” rumo ao progressivo. Só sei que esta época comecei a baixar discografia do Yes, ELP, Gentle Giant, etc. Também foi trilha sonora do meu terceiro namoro.

18 – Beatles – Abbey Road
Eu sou um fã “tardio” de Beatles. Na verdade só comecei a gostar realmente da banda em 2008, já com mais de 30 anos. Neste ano eu passei praticamente oito meses em Los Angeles, por conta do trabalho, e acabei sendo “convertido” à Beatlemania pelo Tony, marido da minha amiga Rebeca. Foi uma paixão tão avassaladora pela banda que eles entraram em questão de meses no meu top 4 de bandas e, quando fiz minha primeira viagem para a Europa, tive que ir à Liverpool. Quanto ao álbum escolhido, não tem como não considerar como melhor o álbum que traz Something, Here Comes the Sun e o melhor medley da história da música, que ainda termina com a frase que é o meu lema de vida: “and in the end the love you take is equal to the love you make”.

19 – Pink Floyd – Animals
Eu tenho um sério problema com músicas: eu consigo identificar todos os instrumentos usados (diferenciando, por exemplo, um moog de um hammond), os efeitos, as mínimas nuances da harmonia e da melodia, porém eu não presto muita atenção na letra, mesmo quando ela está em português. Ainda bem que certo dia (2009) eu resolvi prestar atenção às letras contidas no Animals, e fui tentar entender o conceito. O disco é baseado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Depois de descobrir isto, fui atrás do livro, o que me despertou uma paixão que há muito estava adormecida: a literatura (quer dizer, eu nunca parei de ler, mas fazia uns 10 anos que eu só lia coisas relacionadas à profissão ou carreira).

20 – Fundo De Quintal – Nos Pagodes da Vida
Vixe! Meus amigos metaleiros (aqueles que eu citei que não crescem….hahaha) vão querer me matar por conta deste. Já havia tido contato com Samba lá para 1999, pois cheguei a tocar violão num grupo de pagode. Porém, fui me apaixonar pelo estilo (ao ponto de comprar um cavaquinho e aprender algumas músicas) ao ver um show do Sombrinha, com a participação do Arlindo Cruz, no Traço de União (no dia 22 de Outubro de 2011, meu aniversário!). Fui atrás para conhecer a história destes dois caras, ai acabei caindo na história do Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Done Ivonne Lara, Almir, Candeia, Cartola….

Bem, no momento são estes álbuns que têm marcado minha vida até agora, mas com certeza ainda tem muita música que vai fazer a trilha sonora dela em momentos importantes.

Top Top #4 – Os 10 livros que marcaram minha vida (até o momento)

booksNuma destas brincadeiras / correntes do Facebook, um amigo sugeriu que as pessoas que ele havia marcado fizessem uma lista com 10 livros que foram marcantes nas suas vidas. Não precisavam ser obras-primas, não tinha restrições quanto à ficção / não ficção, a única premissa era pensar rápido, sem avaliar muito (o que provavelmente geraria uma lista mais espontânea).

Procurando estender mais esta brincadeira, resolvi colocar aqui estes 10 livros e também explicar o porque que eles me marcaram. Os livros se encontram em ordem alfabética, para não parecer ranking. A única exceção foi feita “À Revolução dos Bichos”, porque acho que ele tem que ser lido antes de 1984 (só por isto):

A Revolução dos Bichos – George Orwell
Mesmo durante o ginásio e colegial, quando eu tinha algumas tendências esquerdistas (graças à maldita doutrinação ideológica), um dos valores que eu sempre preservei foi a democracia, ou seja, o direito de cada pessoa individualmente ou de um grupo de pessoas, traçarem o seu destino. Este livro só veio reforçar este meu princípio. Neste clássico da literatura, Orwell mostra em forma de Fábula como, à partir de uma revolução, um sistema totalitarista se instala. Na maioria das vezes, este sistema é ainda mais cruel do que o que foi deposto.

1984 – George Orwell
Este romance de Orwell poderia ser encarado como uma continuação / extensão de “A Revolução dos Bichos”. Aqui ele demonstra as formas como, depois de instalado, um sistema totalitarista se mantém vivo: através da supressão das individualidades (cada ser é apenas uma peça da engrenagem), da criação de uma “entidade” onipresente que não seja representada por um indivíduo e da sonegação e manipulação das informação. É um alerta para os fanáticos ideológicos / políticos.

books2A Corrosão Do Caráter – Richard Sennett
Interessante livro do sociólogo Richard Sennet. Escrito em 1999, ele trata da relação do homem com o trabalho e como a tecnologia, flexibilização e a “componentização” (a quebra de um trabalho em várias pequenas tarefas, executadas isoladamente) faz com que o trabalho perca o sentido na formação do caráter humano, afinal de contas, ao não ver o significado do todo, aquilo se torna “irrelevante” para quem executa, se tornando apenas um modo de ganhar dinheiro, quando deveria ser motivo de orgulho, de realização pessoal, ferramenta para criar e estreitar laços, etc. Vale a leitura pois, se ao menos a gente não consegue mudar o mundo, ou mesmo nossa empresa ou nosso departamento, ao menos podemos tentar mudar o nosso comportamento, especialmente nos relacionamentos com as pessoas à nossa volta.

A Peste – Albert Camus
Mostra a rotina de uma cidade (Oran, na costa da Argélia), assolada por uma peste que a isola do resto do mundo e como as pessoas se comportam quando submetidas à situações extremas, como isolamento, privação de necessidades, etc. Interessante notar como este livro influenciou outras obras, para citar duas: o livro “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago e o seriado “The Walking Dead”

A Vida Não E Justa – Andrea Pacha
Coleção de histórias colhidas pela juíza Andrea Pacha durante o seu trabalho em Varas de Família. Sao histórias reais de casos que ela precisou mediar e que mostram que a vida não é um conto do fadas onde no final todos serão felizes para sempre, mas que, ao contrário, a vida é composta de vários fragmentos onde alguns serão bons e outros serão ruins, e cabe a nós mesmos fazer com que, ao final, o saldo seja positivo. Tenho vontade de andar com alguns exemplares do livro e distribuir para algumas pessoas que projetam sua felicidade em outras pessoas, pessoas que vivem uma dependência psicológica de namorados, maridos, filhos, etc, ou mesmo pessoas que acham que a vida é um arco íris onde no final existe um pote de ouro para cada um e que, por isto, ela não precisa “correr atrás” e fazer a sua felicidade.

Admiravel Mundo Novo – Aldous Huxley
A estória deste livro retrata um mundo onde os seres humanos seriam produzidos em série e moldados de acordo com as necessidades da sociedade. Novamente, assim como em 1984, demonstra a eliminação do indivíduo para a criação de uma entidade coletiva idealizada por alguns poucos e é também um alerta para pessoas que partilham de ideologias parecidas.

books3Crime e Castigo – Leon Dostoievski
Um ótimo livro para entender um pouco das angústias e dilemas morais, que no caso da estória, afligem o jovem ex-estudante Raskolnikov, que formula e executa um plano para assassinar e roubar uma velha usurária. O argumento dele é que, com o dinheiro roubado ele pode fazer bom uso afim de contrabalancear o crime, colocando em pauta a velha questão moral de “os fins justificam os meios”.

O Estrangeiro – Albert Camus
O livro conta a história de Marsault, um homem despido de sentimentos ou remorsos que comete um assassinato. Durante o julgamento, todos atêm-se à este fato, ao invés do crime em si, como base para sua condenação à morte. Livro muito tenso, mas uma obra prima. Acho que serve como um balizador para que a individualidade e indiferença, que são às vezes necessárias, não se tornem exageradas.

Os Meninos Da Rua Paulo – Ferenc Molnár
Este romance juvenil, que se tornou o livro mais conhecido da literatura húngara, conta a história de um grupo de garotos de Budapeste que fazem parte de um clube (o Clube do Betume) e suas aventuras afim de defender seu território contra a invasão de um grupo rival. Mostra valores que cultivamos enquanto criança e que às vezes nos esquecemos, tais como lealdade, amizade e heroismo. Boa indicação de leitura para crianças e adolescentes.

Virando a Própria Mesa – Ricardo Semler
O livro conta a história do jovem empresário brasileiro Ricardo Semler, e de como ele passou de um “futuro playboy” para um dos empresários mais respeitados fora do Brasil por implementar idéias e metodos de gestão tão raros (como horário flexível, home office, participação dos empregados nas decisões essenciais da empresa, etc) e que deram certo. Também mostra que o trabalho não pode ser apenas um meio, como também não deve ser apenas um fim, mas deve estar em constante sinergia com seus planos de vida. Me fez mudar um pouco a forma de encarar minha profissão e meu trabalho.

Top Top #3 – Os melhores covers dos Beatles

Para retomar o pique após o recesso de fim de ano, uma lista com os melhores covers da melhor banda de todos os tempos, The Beatles:

10 – Frank Sinatra – Something
O próprio Frank Sinatra disse, lá pelo início dos anos 80, que Something tinha sido a melhor canção de amor escrita nos últimos 50 anos. Eu concordo com ele.

9 – Ozzy Osbourne (com Slash) – In My Life
A versão em sí não ficou tão boa, mas é interessante ver um dos ícones do metal cantando Beatles.

8 – Stereophonics – I Saw Her Standing There
Esta versão entrou mais por ser uma das minhas canções favoritas.

7 – Jim Carey – I Am The Walrus
Sim! Ele mesmo: Jim Carey, fazendo uma boa versão de I Am The Walrus. Mas também, com o George Martin produzindo fica fácil.

6 – Dr. Sin – Dr. Robert
Uma das minhas bandas prediletas fazendo uma versão mais pesada dos Beatles. Não podia ficar de fora.

5 – Sheryl Crow – Mother Nature’s Son
Parte da trilha sonora do filme “I Am Sam”, uma linda versão de uma linda canção. Recomendo o filme também.

4 – Eddie Vedder – You’ve Got To Hide Your Love Away
Outra da trilha do filme “I Am Sam”. A voz do Eddie Vedder casou perfeitamente com o arranjo.

3 – A Cor Do Som – Eleanor Rigby
Mais uma prova de que o som dos Beatles é universal. Aqui arranjada numa versão meio frevo, meio Jazz (e algumas outras pitadas de música brasileira).

2 – Jaco Pastorius – Blackbird
Quando um gênio resolve “recriar” uma música de outro gênio, não poderia sair nada menos do que uma versão genial!

1 – Nina Simone – Here Comes The Sun
Eu particularmente não acho a voz da Nina Simone tudo isto (não que não seja boa, mas comparado com outras divas do Jazz), porém, o sentimento que ela consegue colocar em qualquer música é insuperável!

Bonus Track – Moda de Rock – Norwegian Wood
Quando levei uma viola caipira para um amigo americano, à pedido da esposa brasileira dele, esta foi a primeira música que ele tentou tirar. Parece realmente que ela foi feita pra ser tocada na viola.

Bonus “Treco” – Ruivo – Beatles Cover You’ve Got To Hide Your Love Away
Eu toco mal e canto pior ainda, mas ainda assim a não ficou tão ruim. Afinal, é Beatles né?

Top Top #2 – Aposentando Simone: 15 melhores canções natalinas

Há algum tempo atrás, os artistas Ingleses e Americanos, costumavam lançar ao final do ano, compactos (google it!) com novas versões de músicas natalinas, ou mesmo criavam novos temas músicais.

Aqui no Brasil esta moda nunca pegou e, para piorar, na única vez que um artista conseguiu relativo sucesso com algo do tipo, foi com o disco “25 de Dezembro” da cantora Simone, que nos rendeu o clássico natalino repetido à exaustão em shoppings e comércios de rua (inclusive camelôs) desde 1995.

Com o intuito de dar uma contribuição à humanidade, resolvi montar uma lista com as 15 melhores músicas ou versões de canções natalinas (melhores mesmo) para tentarmos que ao menos em um Natal a frase “Então é Natal! E o que você fez?” não cole em nossos ouvidos (basta clicar no título para ver o vídeo no vocêtubo)

15 – John Lennon – Happy Xmas (War Is Over)
Não poderia começar por outra, senão a canção que originou a versão da Simone. Lennon deve começar a se revirar no túmulo quando chega esta época.

14 – Sting – Gabriel’s Message
Gostei do som meio medieval.

13 – The Killers – Don’t Shoot Me Santa
A música e a banda não são lá estas coisas, mas me identifiquei com o Noel ruivo e bem louco.

12 – Twisted Sister – Oh Come All Ye Faithful
Realmente é uma banda de uma música só, mas com várias variações.

11 – Sarah McLachlan – O Little Town Of Bethlehem
Bela canção e bela voz

10 – Paul McCartney & The Wings – Wonderful Christmas Time
Não podia faltar o Paul nesta lista

9 – Dave Matthews Band – Christmas Song
Este Dave Matthews sempre compõe bem, além de ser um baita músico e ter uma baita banda de apoio

8 – Run DMC – Christmas In Hollis
Old school of RAP em ritmo natalino

7 – George Harrison – Ding Dong
Ele consegue fazer uma musiquinha besta ficar boa!

6 – Gerson King Combo – Jingle Black
Uma das tentativas brasileiras que deram certo (a música original é de 1977, esta é uma versão de 2011)

5 – Ramones – Merry Christmas (I Don’t Want To Fight Tonight)
Não curto Ramones (tá, tem umas 3 ou 4 que são até “maomenos”), mas vale pra mostrar que todos os estilos tem suas músicas natalinas

4 – The Beach Boys – Little Saint Nick
Os Beach Boys nunca foram aquela banda sensacional, que arrebataram multidões, ou que mudaram a história da música radicalmente. São sons simples, básicos, mas muito bons de de ouvir

3 – Jackson Five – Santa Claus Is Coming To Town
Nem tem muito pra falar né

2 – Emerson Lake And Palmer – I Believe In Father Christmas
Esta é uma das minha prediletas (quem quiser procurar tem uma versão do Bono, mas ELP é melhor!!!)

1 – James Brown – Soulful Christmas
Não tem como ficar parado

Bonus Track – Garotos Podres – Papai Noel FIlha da Puta
Ah! Não podia faltar esta né?

Frohe Weinhnachten!!!!

Top Top #1 – The Dream Rock Band

Eu me considero uma pessoa bastante metódica. Eu mantenho meus CDs e DVDs, por exemplo, em ordem alfabética (por banda, e dentro da banda, em ordem cronológica). Isto me leva a ter algumas manias. E uma delas, assim como o personagem Rob Fleming, do livro High Fidelity, do Nick Horbny (que também virou um bom filme, estrelado por John Cusack), é criar listas.

Vou aproveitar este espaço e compartilhar algumas com vocês (vou chamar esta “coluna” de Top Top por enquanto, até eu encontrar nome melhor). A primeira delas é a banda de rock dos sonhos, ou seja, quem eu acho que formaria a banda perfeita (e como é uma banda dos sonhos, me permiti colocar músicos que já se foram). Então vamos lá.

Começando pela “cozinha”: a bateria é uma posição que, para mim é indiscutível. Quando me perguntam quem é o maior baterista que já vi respondo na lata: Neil Peart, do Rush. Além de ter uma técnica invejável, é um letrista fenomenal. Também é admirável sua humildade. Um exemplo: há alguns anos atrás, mesmo já figurando no hall dos melhores bateristas, ele decidiu que estava precisando melhorar e foi fazer aulas (alguém consegue imaginar isto?!?) com uma fera do Jazz (Freddie Gruber). Uma outra coisa que me impressiona nele (assim como nos demais membros do Rush) é o tesão que os caras ainda têm em tocar, em desenvolver música, em experimentar, em arriscar. Já são 40 anos na estrada e eles, ao invés de se contentarem com uma fórmula pronta (como os Stones ou o Iron Maiden, por exemplo), sempre estão inovando e cada turnê é uma surpresa e energia indescritíveis.

Passando para o baixo, que foi um dos instrumentos que toquei por um bom tempo, o posto ficaria com o John Paul Jones, do Led Zeppelin. Aqui teríamos vários concorrentes (Cliff Burton, Chris Squire, Geddy Lee, Glenn Hughes), mas a escolha se deve, primeiramente porque, quando comecei a tocar baixo, ele era o cara em que eu me inspirava. Em segundo, porque além de ser um baixista fantástico, o cara toca cítara, bandolin, moog, hammond, entre outros (além de ser produtor). Creio que ele, assim como o George nos Beatles e o Alex Lifeson no Rush, é um daqueles monstros que foram ofuscados pela genialidade de seus companheiros. The Lemon Song e Since I’ve Been Loving You são duas linhas de baixo fenomenais.

Nos teclados o meu voto vai para o Richard Wright, do Pink Floyd. E com volta em cima do segundo colocado (Rick Wakeman). Acho que ‘The Great Gig in The Sky’ já é razão suficiente para a escolha, mas basta ouvir qualquer coisa de Floyd com um pouco mais de atenção para notar que os teclados é que faziam a “cama” para os demais instrumentos no Floyd. Assim como, sem a Guitarra do Gilmour ou as letras do Waters, o Pink Floyd não teria sido o que foi, se não tivesse os teclados do Wright, não seria o Pink Floyd. Uma pena eu não ter conhecido Pink Floyd e Richard Wright quando fazia aulas de piano. Com certeza, assim como foi o John Paul Jones quando comecei no baixo, ele seria uma influência grande. Uma curiosidade: o timbre de voz do Wright é tão parecido com o do Gilmour que normalmente, ao invés do Gilmour “dobrar” as vozes nos álbuns, o Wright fazia os backings nas gravações, o que fazia com que, ao vivo, os vocais saissem praticamente como na versão de estúdio. Dois bons exemplos são Time e Echoes.

A Guitarra é outro posto em que também existiriam muitos concorrentes, mas o meu escolhido seria o George Harrison, dos Beatles. Não pelo virtuosismo, que não era muito a praia dele, mas sim por conseguir fazer coisas simples e maravilhosas. Suas composições nos Beatles não devem em nada para as do John e/ou Paul e seu trabalho solo após o fim dos Beatles foi uma das melhores coisas que aconteceram nos anos 70. E ainda por cima montou o Travelling Wilburys na década de 80. Pena que foi embora muito cedo. Mas ao menos nos deixou Something e Here Comes The Sun.

Bem, no vocal, apesar de existirem vários bons cantores, tem um cara que para mim se sobressai (ou melhor, sobressaia), que é o Jon Anderson, do Yes. As pessoas não curtem muito Yes (como não curtem progressivo em geral), pois realmente é um tipo de som de “digestão” complexa. Até as letras geralmente remetem a temas que, se ouvidos em uma música isoladamente, ao invés de ouvida dentro do álbum, ou sem saber o conceito e o momento na qual foi feita, não fazem muito sentido. Porém, não dá para negar que é uma das melhores vozes que existem. É aguda sem ser irritante. Pena que o tempo e os problemas de saúde castigaram muito a voz do Jon Anderson, mas ao ouvir Soon ou To Be Over, dá para perceber o quanto ele tem um timbre diferenciado.

Agora eu cheguei, para usar um jargão futebolistico, “num problema que todo técnico gostaria de ter”: o que fazer com o Paul McCartney. Sim, porque nenhuma suposta melhor banda de rock de todos os tempos pode deixar Sir Paul de fora (Paul de fora dá um trocadalho do carilho!!!). O cara que está ai até hoje em turnê mundial, enchendo estádios para 50, 60, 70 mil pessoas, que desde 62 emendou hits atrás de hits, não pode ser esquecido. Aqui ele poderia ser compositor e produtor. Poderia também substituir o John Paul Jones no baixo, quando este fosse “fazer graça” no hammond ou bandolin. Poderia também fazer segunda guitarra para o George. Poderia eventualmente fazer um dueto com o Rick: o Rick no Hammond ou Moog e o Paul no Piano. E revezar e fazer backing com o Jon. No final, o único que ele não “incomodaria” seria o Neil.

That’s all folks!!!!!