Wanderlust #15 – Dublin, Irlanda

Dublin 4 - Guinness StorehouseDepois de conhecer Liverpool, a próxima parada nesta minha primeira tour européia era Dublin. Acho que junto com a Austrália (que ainda não conheço), a Irlanda era àquela época o país que eu sempre quis conhecer na vida. E de certa forma ocorreu o mesmo que ocorreu com Londres: a expectativa foi bem maior que a realidade. Não que seja ruim, mas eu imaginava uma outra coisa, especialmente em relação ao povo (do qual falarei daqui a pouco).

Castelo de Dublin

Castelo de Dublin

Ao chegar em Dublin e me registrar no Hostel, que ficava ao lado da Temple Bar, a via boêmia da cidade, fui fazer o de sempre e dar um rolê na cidade para fazer um reconhecimento. Em cerca de 3 horas eu rodei praticamente metade da cidade e já comecei a me acostumar com o fato de que a maioria das cidades européias são pequenas. Depois do passeio, um lanche para dar uma forrada, alguns (vários) pints de Guinness e cama que o outro dia seria corrido.

No outro dia, numa ressaca brava eu fui dar uma volta do outro lado da cidade que eu não havia conhecido e na sequência fazer uma visita na Guinnes Storehouse. A visita guiada à fábrica da Guinness é muito bem montada e faz com que você tenha acesso à toda a história da tradicional marca, ao processo de produção, aprenda a tirar uma Guinness  (aliás, poucos barmans no Brasil sabem). Mas o mais legal é que a visita termina no bar que fica no topo do prédio e de onde se tem uma visão de 360º da cidade. Ou seja, mesmo para quem não bebe e/ou não é muito fã da cerveja, vale muito à pena. Agora, para quem é fã da marca, melhor tomar cuidado para não se empolgar no gift shop da fábrica.

Catedral de St Patrick

Catedral de St Patrick

Depois da visita à fábrica, dei mais algumas voltas pela cidade, o que fez com que eu praticamente conhecesse todos os recantos dela em pouco mais de um dia e meio. Voltei para o Hostel para tomar um banho e fui provar um dos pratos típidos da Irlanda, o Beef Stew, que consiste em um ensopado de carne de ovino com batata e cenoura (lembra muito nosso picadão) e vale muito a pena. Como “digestivo” mandei um Irish Cofee. Não sei como fazem aqui, mas lá, eles fazem este drink com café quente e whisky gelado, sendo que o whisky fica por baixo e o café por cima, e você consegue sentir a diferença de temperatura dos dois. Na sequência desta almojanta (“linner”, que é a junção de lunch + dinner) voltei ao The Quays, o pub que eu havia ido no dia anterior, depois de perambular por vários.

Bem, eu gostei do Quays pois é um lugar mais voltado para turistas e com poucos locais, e aqui volto à questão do início, de porque eu me “decepcionei” em relação ao povo. Eu achava que o Irlandês era do tipo bonachão, festeiro, afeito a conversar (especialmente depois de uns pints), a fazer novas amizades, a querer trocar idéia. Porém, eles são exatamente o contrário disto. Acho que é uma mistura do enfado com turistas que existe, por exemplo, nos parisienses, ou nos habitantes de Praga (existe tanto turista nestas cidades que eles acabam por encher o saco dos habitantes) com desconfiança.

Certificado pela Guinness

Certificado pela Guinness

A “teoria da desconfiança” foi confirmada logo no outro dia, quando visitei o museu de Dublin e entendi um pouco mais da história da cidade e do povo. Depois de visitar eu percebi que entender a história do povo do local que você está visitando é a primeira coisa que se deve fazer ao conhecer um local e cultura novos, até para não fazer julgamentos precipitados como eu acabei fazendo.

Ao visitar o museu, eu aprendi que os Irlandeses, assim como os Poloneses (e falarei deles alguns artigos para frente), sempre estiveram no meio de conflitos dos quais talvez não quisessem fazer parte. Ou então foram feitos de escravos, ora por Ingleses, ora por Nórdicos. Quando a escravatura já não era mais tolerada, por terem um padrão de vida abaixo do da Europa ocidental (até pela distância geográfica), eles se submetiam a combater guerras que não eram deles afim de melhorar suas condições de vida, e com isto eram frequentemente usados como “bucha de canhão”. Isto fez com que eles, como povo, se tornassem arredios.

Museu da Irlanda

Museu da Irlanda

Talvez devesse ter programado mais alguns dias para conhecer o interior da Irlanda, que dizem ser muito bonito. Mas como já falei antes, era marinheiro de primeira viagem em mochilão e o erro é perdoável. Depois de visitar Dublin, a próxima e última parada desta trip foi Edimburgo, uma grata surpresa que conseguiu em apenas poucas horas conquistar o posto de um dos lugares mais legais, com um dos povos mais legais, que eu conheci nestas minhas (ainda) poucas andanças.

Observações, dicas e considerações:

  • Dependendo de onde você ficar hospedado, dá para conhecer praticamente a cidade toda sem precisar de transporte público ou táxi. Minha sugestão é ficar próximo à Temple Bar, mas não tão próximo quanto eu fiquei (meu hostel ficava a 10 metros), pois existe barulho constante.
  • O aeroporto fica afastado da cidade, mas existe opção de pegar um ônibus que deixa em frente ao Trinity College, na região central.
  • Achei que iria encontrar um monte de ruivas lá, mas as Irlandesas têm um estilo estranho: elas descolorem os cabelos, quase num tom branco. E para piorar arrancam quase toda a sombrancelha e passam um lápis preto. Fica muito estranho.
  • A maioria dos bares têm música ao vivo. Geralmente rock, mas alguns com música celta ou folk.
  • É costume dar 15% de gorjeta, mesmo nos pubs, onde você se dirige até o balcão para fazer seu pedido.

Dublin 8 - James Joyce Statue Dublin 9 - The Quay's bar

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