Duna – Frank Herbert (14/2015)

DunaNunca fui muito fã de livros de estórias fantásticas ou de ficção científica. Não lí e nem ví o Senhor dos Anéis, não me ligo muito em Star Wars ou Jornada nas Estrelas e ainda não senti nenhuma vontade de tentar Game of Thrones. Assisti Matrix mais pelo thriller do que pela ficção (tanto que nem vi o terceiro) e sou fãzaço do “Guia do Mochileiro das Galáxias” porque acho que a obra vai além da ficção ou fantasia e porque o Douglas Adams era um gênio.

Mas outro dia estava assistindo um desses vlogs que fazem listas, que no caso era de best sellers que viraram filmes merdas, e me interessei pelo mote de Duna, a obra prima de Frank Herbert, lançada em 1965. Muito premiado, é considerado o livro de ficção científica mais vendido de todos os tempos e gerou todo um universo de publicações ligadas à ele.

Para se ter uma idéia da importância e influência, o Iron Maiden compôs uma música usando a história do livro. To Tame a Land faz parte do álbum Piece of Mind, de 1983. O Blind Guardian também utilizou a temática do livro em Traveler in Time.

O livro conta a transformação do jovem Paul Atreides, o herdeiro da casa Artreides, no lider máximo de Arakis, o planeta deserto conhecido como Duna. O planeta praticamente inóspito é a única fonte no universo da especiaria melange, que apesar de viciar seus consumidores, estimula neles um aumento da capacidade dos sentidos e das percepções a ponto de, dependendo da quantidade e da forma consumidas, permitir às pessoas a capacidade de enxergar as várias possibilidades de futuro possíveis, de acordo com as ações tomadas no presente. Ou seja, um expansor das capacidades da mente.

Não existe uma referência exata de data, já que além de criar todo um universo, uma história para este universo e diversas culturas e religiões, o autor criou um calendário próprio, mas levando-se em conta as “pistas” dadas no livro, podemos calcular que ela se passaria em cerca 12500 D.C. considerando nosso calendário.

No universo criado por Frank Herbert, após uma revolta dos seres humanos contra as máquinas que haviam controlado o planeta terra, a humanidade, já com tecnologia avançada, coloniza os cantos mais distantes do universo. Como uma das leis após a revolta é nunca construir uma máquina que seja melhor que o ser humano, diferentemente de outras ficções, em Duna as máquinas são meros coadjuvantes ou acessórios de cena e o texto foca mais nas relações humanas e orgânicas.

Outro ponto interessante é que à exceção de alterações genéticas e fenótipas ocorridas por conta do planeta em que cada “tribo” humana se instalou (já que mais de 10 mil anos se passaram desde o início da ocupação humana do espaço), não existem seres com aparência muito diferente da dos humanos. As diferenças ocorreram apenas por conta de adaptações ao ambiente e devido às dietas alimentares.

Não existem vários idiomas nativos, já que provavelmente a colonização ocorreu à partir de apenas um povo da terra, porém, com o intuito de se comunicar sem os outros entenderem, os povos desenvolveram linguagens próprias, num processo inverso do que ocorre hoje em dia.

O mais interessante do livro é como as estruturas de poder são organizadas. Elas são uma mistura, em partes muito proporcionais, de política, religião e negócios. O objetivo maior do Império (que reune todas as casas reais), da Guilda (megacorporação que detém o monopólio do transporte espacial) e das Bene Gesserit (uma espécie de ordem religiosa formada apenas por mulheres) é apenas o lucro e tudo pelo lucro.

Neste processo não importam as pessoas, não importam os planetas. Um planeta pode ser explorado até a exaustão, mesmo que isto signifique a extinção do povo que habita aquele planeta. Guerras, conspirações e assassinatos são aceitos e até “regulados” pelo tripé dominante (Imperio com as casa reais, Guilda e Bene Gesserit). Quando não incentivados.

É um baita de um livro e que te faz pensar como a filosofia, as religiões, as estruturas de poder e as corporações se desenvolvem. O ruim foi apenas chegar ao final do livro e achar que este universo tão pouco “humano”, apesar de habitado por seres humanos, não deve demorar os 10500 anos da estória para chegar. Basta ver como as religiões e as grandes corporações se relacionam com as estruturas de poder, especialmente no Brasil.

Be happy! 🙂

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