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Botecando #46 – Sociedade Rosas de Ouro – São Paulo – SP

20150107_232626Ok! Não é um bar, mas tem cerveja, tem música e tem gente se divertindo, então dá para enquadrar na categoria, e afinal de contas quem manda aqui sou eu….hehehe

Como moro na Freguesia do Ó, bairro onde a quadra da escola é situada hoje em dia (para quem não sabe, a Rosas é originária da Vila Brasilândia, inclusive, quando da mudança de localidade, houve uma cisão que gerou o GRES Iracema Meu Grande Amor), já frequentava a quadra há alguns anos (quase uns 20). Porém, havia 4 anos que não ia em ensaio.

20150108_002929O motivo é que o ensaio da Rosas de uns anos pra cá virou “balada”: custa relativamente caro (R$ 30,00 é caro comparando a outras escolas, porém entendo que a escola deve aproveitar a demanda), normalmente tem filas gigantescas e fica muito lotado. Para piorar, agora também está começando muito tarde (mesmo sendo uma quarta feira) e a bateria só entrou quase à meia noite.

Tudo isto acaba tirando um pouco daquele ar de “comunidade”, já o que mais se vê são pessoas que estão ali para mais para azarar e beber, e menos para curtir o samba e aproveitar para interagir com uma realidade que talvez seja distante da dele, além do mais, os valores afastam um pouco as pessoas com um poder aquisitivo menor e que não são associados da agremiação. Sem contar que a maioria das pessoas precisa levantar cedo para trabalhar.

Mas como era a primeira semana do ano imaginei que não estaria tão cheio e resolvi arriscar. O esquema é sempre o mesmo da maioria das escolas: uma roda de samba para esquentar, depois entra a bateria que toca os hinos da escola, eventualmente alguns sambas-enredo antigos e depois começam a tocar o samba do carnaval atual, repetindo inúmeras vezes para que as pessoas o decorem.

Não tem muito luxo (apesar de ser uma das melhores quadras de SP) e os comes e bebes estão disponíveis nos bares da quadra (cada bar é diferente, pois eles são arrendados). Para comer, sugiro bater um belo pernil em uma das barracas da frente antes de entrar (para se preparar para a bebida) e um na saída para dar aquela reforçada.

Infelizmente, cerveja é só devassa (o que me gerou uma baita ressaca!), mas existem outras opções de drinks (caipirinhas, vodka, whisky, etc).

Quanto ao enredo de 2015, achei o tema (“Depois da Tempestade, o Encanto”) bem interessante e com muitas possibilidades no desenvolvimento de fantasias e alegorias. Gostei bastante da letra, porém achei que a música não empolga e a melodia é difícil de decorar.

Os ensaios estão acontecendo todas as Segundas, Quartas (fuja, é o dia mais cheio) e Sextas. Para quem quiser ir, sugiro ir nesta ou no máximo na próxima semana, depois fica praticamente impossível se locomover lá dentro devido à lotação.

Onde: Sociedade Rosas de Ouro (Rua Coronel Euclides Machado, 1066 – São Paulo – SP)
Quando: 07/01/2015
Bom: samba!!!
Ruim: somente cerveja devassa
Site: http://www.sociedaderosasdeouro.com.br/

 

Botecando #8 – Frangó

Frango - Fachada

Eu tenho uma relação de amor e ódio com o Frangó. Vivi praticamente minha vida toda na Freguesia do Ó e conheço o bar há pelo menos 20 anos. Foi um dos primeiros bares que eu frequentei e no qual tive meu primeiro contato com cervejas importadas. Era o bar que eu e meus amigos frequentávamos às sextas feiras depois do trabalho (por já estar perto de casa) e no qual eu chegava e sabia que sempre teria um lugar para sentar e era só pedir uma caipirinha e uma cerveja e relaxar da semana árdua de trabalho.

Porém, no início de 2002 isto mudou. O empresário Washington Olivetto havia sido sequestrado no final de 2001 e, após 53 dias no cativeiro, ao ser libertado, respondeu aos repórteres, quando questionado sobre o que mais sentiu saudades “das coxinhas do Frangó”. Pronto, ai acabaram com o “meu bar”.

As famosas coxinhas do Frangó

As famosas coxinhas do Frangó

Por conta desta propaganda involuntária, o que era apenas um boteco de bairro, conhecido pelos “locais” e por alguns poucos aficcionados em cervejas (o Frangó foi um dos, senão o primeiro, bar a oferecer uma carta com cervejas especiais, sendo que hoje constam cerca de 500 nesta carta!) virou um hit e tudo quanto é gente, de tudo quanto é parte da cidade (quando não de outras cidades) quer conhecer o Frangó.

Para atender as demandas de seu novo público, o bar sofreu algumas modificações: cobriu uma área aberta nos fundos para acumular mais mesas, adquiriu um imóvel ao lado que funciona parte como depósito e parte comportando mais mesas, aboliu o som ao vivo que acontecia, eventualmente, às sextas e sábados e, para mim, o que foi pior, ficou impessoal.

Além disto, devido à alta procura, nas noites de sexta e sábado, e nas tardes de sábado e domingo, é praticamente impossível que não exista ao menos uma pequena espera por alguma mesa.

Afora isto, é um bar bem legal e interessante. Fica instalado num casarão do século 18, ao lado da Igreja da Matriz de Nossa Senhora do Ó, situado no Largo do mesmo nome. A existência do Largo e seus imóveis em volta (tombados pelo patrimônio histórico da cidade), a maioria deles dedicados à gastronomia, faz com que o largo pareça uma cidade do interior e traz um ar bucólico. Eventualmente se pode presenciar novenas e procissões na igreja, o que remete ainda mais à este clima interiorano.

Mas o que impressiona realmente no bar é a carta de cervejas, que é realmente impressionante pela quantidade e variedade, sem contar as raridades encontradas. Impressiona mais ainda saber que, há pelo menos 20 anos este bar se dedica à cervejas especiais, muito antes da moda atual das cervejas gourmet (moda que espero que deixe de existi para se tornar um hábito).

A impressionante variedade de cervejas: mais de 500 rótulos!

A impressionante variedade de cervejas: mais de 500 rótulos!

Quanto ao cardápio, além das famosas coxinhas (confesso que não sou muito chegado nelas, pois não gosto muito de catupiry), constam outros petiscos comuns de bar (pastéis, croquetes, frango à passarinho, etc) e no almoço, são servidos pratos à la carte de muito boa qualidade também (para quem gosta, dizem que a feijoada, às quartas e sábados, é bem suculenta).

Duas sugestões importantes: chegue cedo (se for para o almoço, antes do meio dia, se for da tarde para a noite, antes das 18:00 hrs) e vá de táxi, pois geralmente existem comandos às sextas e sábados na saída do largo (por conta das mãos de direção das ruas, não tem como fugir, além de tudo é mais seguro e hoje em dia mais barato).

Acho que talvez a minha birra atual com o Frangó, que faz com que eu só vá até o bar quando insistam muito, ou quando algum “forasteiro” resolve conhecer e me pede para ciceroneá-lo, tenha a ver com um sentimento de posse, pois afinal, não é mais “meu” bar, o Frangó hoje é de todos.

Onde: Frangó (Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168 – Freguesia do Ó – SP)
Quando: 22/02/2014
Bom: carta de cervejas e petiscos
Ruim: preço e atendimento impessoal
Página: http://frangobar.com.br/