Os Botões de Napoleão – As 17 Moléculas que Mudaram a História – Penny Le Couteur e Jay Burreson (15/2015)

arte_OsBotoesDeNapoleao_27.01.11.inddDe vez em quando a gente lê um livro que vale por anos e anos de estudo “formal”. Foi o caso deste.

Segundo relatos históricos, quando as tropas de Napoleão chegaram à Rússia, no rigoroso inverno de 1812, os soldados, famosos pelo asseio e elegância com que se vestiam, mais pareciam mendigos. Uma das hipóteses levantadas seria a de que os botões dos uniformes, feitos de estanho, metal que se esfarela à baixas temperaturas (fato já conhecido à época), tenham se desfeito e os soldados ou seguravam as armas, ou então seguravam os casacos. Partindo desta premissa, os autores, que são professores de química, resolveram listar algumas moléculas que podem ter mudado o rumo da história.

Primeiramente é bom dizer que eles não afirmam que elas realmente mudaram, mas que provavelmente devem ter contribuído bastante, entre outro fatores, para que o curso da história (e o mundo como conhecemos hoje) acontecesse da forma que aconteceu.

O livro apresenta na introdução alguns princípios básicos de química. Porém, nada que assuste. Muito pelo contrário, durante o decorrer do livro, quando eles mostram as fórmulas químicas das moléculas e as reações que as transformam, o pouco de teoria se torna algo agradável, inclusive despertando a curiosidade do leitor.

Além de relacionar moléculas ao curso da história, como o caso da noz-moscada, que foi a responsável pelo acordo entre os Holandeses e Ingleses que resultou na cessão da área hoje conhecida como Manhattan, nos EUA, para os Ingleses, inevitavelmente acaba-se entrando em outros assuntos, como biologia e física.

Um exemplo, no mesmo capítulo sobre a noz-moscada, é a explicação do porque da pimenta nos causar uma sensação de prazer: ao “sofrer a agressão” da pimenta, o nosso cérebro produz endorfina.

Já no segundo capítulo, os autores atribuem as grandes navegações à descoberta do ácido ascórbico e seus efeitos sobre o escorbuto, doença que era fatal para cerca de metade da tripulação dos navios que se propunham a desbravar mares desconhecidos, inclusive citando alguns casos em que toda a tripulação foi acometida pela doença e faleceu.

Outras moléculas muito importantes, principalmente para a formação étnica do continente americano, foram a celulose e a glicose. Como as plantações de algodão (celulose) e cana-de-açucar (glicose) demandavam muita mão de obra, elas provavelmente foram responsáveis pelo comércio escravagista.

Além dos fatos históricos importantes, o livro também tem algumas curiosidades que eram desconhecidas por mim, como por exemplo o fato de o TNT e a pólvora terem a celulose como origem (compostos nitratos + celulose geram explosões, e neste capítulo também teve uma pequena aula de física). Ou como a indústria de corantes foi responsável pelo surgimento das mais importântes indústrias farmacêuticas, especialmente as alemãs.

Gostaria de ter lido este livro quando estava no colegial e ter que decorar a tabela periódica me parecia algo totalmente inútil. Também gostaria que meus professores (de todas as matérias) usassem da mesma didática dos autores, que fizeram com que um tema que normalmente é enfadonho se tornasse muito interessante e divertido.

Be happy! 🙂

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