Arquivo mensal: julho 2020

Tigeren på Jernbanetorget

Wanderlust #63 – Oslo, Noruega

(04/07/2019-06/07/2019)

E aí sim, fomos surpreendidos novamente!

À exemplo do que já havia ocorrido com Edimburgo e Zagreb, uma cidade que só entrou no roteiro porque “estava no caminho” conseguiu um lugar no meu top 5 de cidades favoritas (junto com Lisboa e Berlin, que estou quase colocando como hors-concours para abrir uma vaga!)

Dia 1

Chegamos na estação de trem central de Oslo, vindos do aeroporto Gardermoen, logo de manhã, debaixo de uma chuva que nos fez ficar uma meia hora esperando para podermos então ir até o hotel deixar as malas. Logo de início já achamos a cidade um pouco mais charmosa que as demais, com seus calçadões e bondes passando de um lado para o outro. Malas no locker, fomos bater perna.

A área mais central de Oslo é formada por alguns calçadões de paralelepípedo enfeitados com muitos vasos de flores, de todos os tipos e cores. Como o sol abriu depois da chuva estes calçadões estavam bem movimentados. Fomos “descendo” em direção ao palácio real, passando pelo Stortinget (o Parlamento Norueguês) e a linda praça Spikersuppa skøytebane, que tem um chafariz gigante, convertido em ringue de patinação durante o inverno.

Quando estávamos em frente ao Nationaltheatret (outro prédio muito bonito, mas como toda a cidade é bonita, vou parar de usar o adjetivo de agora em diante), notamos que a rua lateral à praça estava sendo fechada e as pessoas estavam se acumulando nas calçadas. Como bons curiosos fomos lá ver o que era e notamos uma tropa descendo a rua: era a troca da guarda real do Palácio. A tropa, composta por infantaria, cavalaria e uma banda marcial, sai do Karl Johans gate as 13:00 e chega ao palácio às 13:30, onde ocorre a cerimônia de troca, que dura até as 14:00.

Tiramos algumas fotos e continuamos na próxima praça, Studenterlunden Park, que conta com belos jardins (pô, não era mais pra usar adjetivos!) e várias estátuas. De lá subimos a colina até o Det Kongelige Slott (o palácio real) onde pegamos o finzinho da cerimonia (não tem nada demais também, o cortejo é mais bonito – aliás, geralmente o caminho é melhor do que o destino).

Voltamos então para a região dos calçadões e fomos à Oslo Domkirke, a catedral da cidade, que fica no meio de um jardim murado. Junto ao muro que cerca este jardim existem diversos estabelecimentos comerciais, inclusive bares! De lá fomos dar um pulo no Oslo Street Food, uma praça de alimentação com comidas de várias partes do mundo. No final da tarde tem DJ e às vezes som ao vivo. Deu pra notar que o pessoal local vai até lá durante este horário para fazer happy hour. Como o tempo estava bom, tinha bastante gente do lado de fora. Mas como ainda era cedo, só demos uma olhada e fomos continuar o passeio.

Nos dirigimos então para a região de Vulkan, que foi revitalizada recentemente e passou a abrigar uma das várias regiões boêmias da cidade. No meio do caminho passamos pela Kulturkirken Jakob (Igreja de Cultura, e nem precisei do Google Translator para entender!), uma antiga igreja que hoje abriga eventos culturais diversos. Já em Vulkan, demos uma volta pela rua principal, que dá nome à região e passamos no Mathallen um misto de mercado e praça de alimentação (como os existentes em Estocolmo). Mas achamos muito fancy. A rua é legal e tem várias outras atrações, mas infelizmente não voltaríamos mais tarde para ver como é à noite (3 dias foram muito pouco!)

De lá caminhamos até Grünerløkka, uma outra região com bastante bares e restaurantes, mas também com vários ateliês, galerias e brechós. A Olaf Ryes plass (praça, outra que não precisei de dicionário) tem alguns bares bem no meio e outros nas laterais. Em outra praça, Birkelunden, presenciamos uma cena engraçada (no bom sentido): estava garoando e tinha um casal sentado em um banco, debaixo de um guarda-chuva, comendo uma pizza e tomando uma cerveja, totalmente despreocupados com a vida, no melhor estilo Berlin (hmmmm, tá começando a ficar claro agora porque me apaixonei por Oslo!)

Na sequência fomos “abrir” a Schouskjelleren Mikrobryggeri, uma cervejaria charmosíssima, que fica no porão de um pequeno imóvel comercial, que por sua vez fica dentro de uma vila. Tentaram esconder mas conseguimos encontrar!

O bar parece um bunker e em caso de uma guerra nuclear era lá que eu gostaria de me esconder (com todas as ótimas cervejas, claro!) Na volta, como já havíamos decidido, voltamos ao Oslo Street Food para jantar. Escolhemos o Kain, um restaurante filipino muito bom. Eles têm uma ótima barriga de porco ao (molho?) adobo, mas o melhor prato é o tapsilog, que é um picadinho acompanhado por arroz e ovo pochê. A sobremesa de manga, coco e arroz (num estilo tapioca) chama a atenção, mas pode passar, pois é sem graça.

Dia 2

Na Schouskjelleren, eu pedi uma cerveja cujo nome era Tiger alguma coisa. O barman me explicou que a cidade de Oslo é conhecida como Tiger City. Então quando nos deparamos com a estátua de um Tigre ao lado da estação central no outro dia de manhã, já sabíamos do que se tratava.

Da estação seguimos até a Operahuset (Ópera House) Oslo, à beira do Fiorde de Oslo. Vale a pena subir até o terraço, que dá uma ótima vista tanto da baia quanto da cidade. A Operahuset, assim como uma boa parte das atrações de Oslo, ficam no Havnepromenaden, um calçadão que margeia quase toda a costa à beira da baia (que por sinal é bem recortada). Primeiramente fomos em direção ao leste, pois pretendíamos ir até o Ekebergparken. Neste lado do Havnepromenaden existem muitos prédios residenciais novos e uma das atrações é o Sørenga Sjøbad, um complexo de piscinas (inclusive uma com raias olímpicas) construído no fiorde (imagina o gelo!!!). Às margens existe uma praia e alguns decks, e mesmo no início da manhã já havia algumas pessoas por ali aproveitando o sol.

No final do calçadão e tentando achar o caminho do Ekebergparken passamos por Middelalderparken que tem as ruinas de Mariakirkens. Não achamos o Ekeberg (os caminhos no Google eram meio confusos), então andamos somente por Old Town. Uma atração curiosa por ali é o Gamlebyen gravlund, um cemitério sem muros e com algumas trilhas calçadas onde algumas pessoas davam uma corridinha (entre os túmulos!)

Voltamos então ao promenade para continuar a caminhada, agora sentido Oeste. No caminho passamos pelo Barcode Project, um conjunto comercial novo, atrás da ópera, que tem este nome pois os prédios, todos quadrados e quase da mesma altura, mas com larguras diferentes, lembram um código de barras quando olhados de longe. Já no calçadão, notamos que existem algumas “plataformas” dentro da água, boiando, onde alguns grupos de pessoas se reuniam para aproveitar o sol, o mar ou simplesmente para beber (pra acessar precisa de uma escada, já que o nível da água fica bem abaixo do nível do calçadão).

De frente para a Ópera fica o SALT, Havnepromenaden, um espaço com bares, lanchonetes, espaço para shows, exposições. Tinha bastante gente, provavelmente o pessoal que trabalha nos escritórios do Barcode, almoçando por ali. Aproveitamos e paramos para uma cerveja, porque ninguém é de ferro! Continuando a caminhada, passamos pelo Vippa, Havnepromenaden, uma praça de alimentação também à beira do fiorde. Deve ser bem legal comer ou tomar umas por ali, mas demos apenas uma rápida volta e continuamos a caminhada. Passamos em frente ao Akershus Fortress, uma das principais atrações da cidade, porém não entramos, e fomos até a Plac Rådhusplassen, uma enorme praça onde se encontram a prefeitura (Rådhuset) e o musel Nobel (mais um, já que existia outro em Estocolmo).

Continuando a caminhada, fomos dar uma volta em dois bairros novos e bastante movimentados: Aker Brygge e Tjuvholmen. Nesta área existem muitos restaurantes, hotéis, bares e até uma praia, que estava lotada com o pessoal aproveitando os 25 graus de calor!

De lá fomos dar uma bela caminhada, passando por uma área residencial, até chegar ao Vigelandsparken, um dos parques de esculturas da cidade, que é uma das várias atrações imperdíveis de Oslo.

Após toda esta caminhada, merecemos uma parada na Oslo Mikrobryggeri, que também fica numa área menos turística, para tomarmos umas. Na volta, sem querer, acabamos voltando pelo Slottsparken, o parque/jardim do palácio real.

Dia 3

No terceiro dia, pegamos um day-pass do transporte público para irmos às regiões mais distantes. Finalmente, agora de bonde, conseguimos chegar ao Ekebergparken Skulpturpark (que descobrimos que estava a uns 300 metros de onde passamos em Old Town no dia anterior). O Ekebergparken também é um parque de esculturas, só que dedicado a instalações mais contemporâneas (mas tem Dalí, Botero e Rodin). Muito legal mesmo! Tem até camping para quem quiser pernoitar lá.

Depois pegamos o bonde e mais um ônibus e fomos até a Península Bygdøy, mas não vale muito à pena, já que não conta com atrações fora os museus.

Voltamos então ao centro da cidade, próximo à estação central e, seguindo o conselho de um casal de amigos, fomos andar pela beira do canal Akerselva. A caminhada em sí é muito agradável e existem várias atrações interessantes. Uma delas é o (a?) Blå, um conjunto formado por galeria de arte e bar, mais algumas vielas e muros todos grafitados ou ladrilhados. A decoração de tudo ali é bem cool também (a porta do banheiro é uma porta de cofre). Achamos muito mais legal que o Vulkan (que também fica à beira do canal, mas mais à frente).

Grünerhagen é um enorme gramado, também às margens do Akerselva, onde as pessoas vão pra curtir o sol. Kunsthøgskolen i Oslo é a academia nacional de arte, um pouquinho mais acima. Lá quase no final do canal (a área mais central dele) encontra-se a Ringnes Brygghus, uma cervejaria bem legal e muito bem montada, apesar de difícil de achar também. O pessoal gosta de esconder as cervejarias nesta cidade. Nos banheiros da cervejaria tinham diversos artigos de higiene pessoal, como enxaguante bucal, desodorante, cotonete, etc. Mimos interessante para os clientes.

O passeio foi tão agradável que resolvemos voltar pela beira do canal, ao invés de fazer outro caminho e ai aproveitamos para dar uma parada no Blå para algumas cervejas. Já no final da tarde (lembrando que também não escurecia antes das 22:00 horas), voltamos ao Oslo Street Food para comermos no Filipino novamente (o tapsilog é realmente muito bom!)

Observações, dicas e considerações:

  • Fiquei impressionado com a quantidade de carros híbridos e elétricos. Proporcionalmente tem muito mais Teslas em Oslo do que em qualquer parte dos EUA. A caminho do Vigelandsparken resolvi contar quantos híbridos e elétricos tinham estacionados numa rua residencial. Dentre 10 carros, 6 eram elétricos e 2 híbridos (pelo que pude ver). O fato é mais interessante ainda pela Noruega ser o 15º maior produtor de petróleo do mundo.
  • A estação central é muito bem montada, com lojas, lanchonetes. Um bom ponto especialmente para pegar o wi-fi gratuito ou para um lanche rápido.
  • Como todo país de primeiro mundo e com uma cultura avançada, como a do estado de São Paulo, eles colocam purê no hot-dog. 
  • Uma coisa que notamos em Oslo e nos demais países nórdicos foi a quantidade de pais passeando com bebês. Era muito comum ver grupos de 3, 4 homens jovens, cada um empurrando um carrinho (ou levando no colo quando as crianças já eram maiorzinhas). Especialmente nos países latinos parece que esta “obrigação” cabe às mulheres, mas por ali a responsabilidade (e o prazer) de criar uma criança é compartilhado.
  • Como já havia comentado no post sobre Estocolmo, a nudez nos países nórdicos é encarada com naturalidade. É comum ver estátuas ou pinturas de pessoas nuas. Ao longo do Havnepromenaden existiam totens com o mapa da região, informações e fotos, de todas as épocas. Na maioria destas fotos as pessoas nadavam nuas (especialmente nas fotos mais antigas).
  • Os bilhetes do transporte público podem ser adquiridos em lojas de conveniência, como 7-eleven.
  • A caminho da Península Bygdøy passamos por uma fazenda, em plena área urbana. Mais tarde fomos descobrir que se trata da Bygdø Royal Farm, a casa de verão da família real norueguesa. No local se produz derivados de leite e frutas, que são consumidos pela família real e também colocados à venda.
  • A cidade inteira parecia ser um enorme canteiro de obras, com algumas partes sendo revitalizadas e outras modernizadas. Daqui alguns anos ela vai estar totalmente diferente. Já temos uma “desculpa” para voltar. Mais uma!

Be happy 🙂