Arquivo mensal: setembro 2018

Wanderlust #49 – Las Vegas – Nevada (8/51), Estados Unidos

(09/02/2018-13/02/2018)

Freemont Street – Downtown Las Vegas

Vegas é aquele lugar que é tão insólito, tão diferente de tudo, que virou um “mundo à parte” que todos deveriam conhecer. A cidade se situa no meio do deserto de Mojave e algo tão grande construído literalmente no meio do nada já é algo pra chamar a atenção. Além de ser uma das duas cidades onde se pode beber em público nos EUA (New Orleans é a segunda cidade americana onde o consumo de álcool em público é legal, apesar de ser tolerado temporária ou definitivamente em outras cidades) o estado de Nevada é o único onde a prostituição é legal.

Como a cidade foi erguida há pouco tempo, praticamente do zero e já com o propósito de servir como a Meca dos jogos de apostas, tudo foi pensado para girar ao em torno do tema “diversão” e a cidade parece um enorme parque de diversões. Uma Disneylândia de adultos.

Ficamos hospedados no Circus Circus, um pouco fora do burburinho da strip (já volto nisto), mas que em si é um complexo gigante. O hotel/resort conta até com um parque de diversões indoor, com montanha russa e tudo.

No nosso primeiro dia resolvemos caminhar até Downtown Las Vegas, a parte de Vegas que surgiu antes da cidade virar “Las Vegas”. Por lá se encontram algumas atrações mais antigas, mas a principal delas, com certeza, é a Freemont street, um “calçadão” (parcialmente coberto) onde existem muitos bares, restaurantes, quiosques vendendo de tudo (inclusive bebidas) e, claro, cassinos.

Depois de uma volta por lá, com uma passagem pelo Container Park, paramos para tomarmos umas na ótima cervejaria Banger Brewing. Depois ficamos passeando pela rua e aproveitando os diversos shows, tanto nos palcos quanto os proporcionados por artistas de rua. De lá, seguimos até a cervejaria Hop Nuts Brewing, que fica localizado no Arts District, um bairro com bastante atelies e arte de rua, meio que uma Vila Madalena. Interessante que quase toda cidade grande nos EUA que conhecemos tem um destes. Antes de irmos dormir, ainda tomamos mais umas no bar do hotel.

No outro dia fomos finalmente caminhar pela Strip, com destino até a placa de Welcome Las Vegas. Não tem muito o que falar sobre a strip. A avenida é margeada por enormes hotéis/cassinos, cada um com seu tema (Veneza, França, Império Romano, etc.). Obviamente existem várias lojas, de tudo quanto é tipo. E cada cassino em si e um mundo a parte, com as mais diversas atrações imagináveis. Talvez o mais legal de caminhar pela Strip seja observar a “fauna”, que é a mais variada possível: famílias, gamblers (apostadores), bêbados, grupos de jovens, enfim, tem de tudo.

Fomos até a tal placa, que por sinal é bem supervalorizada (ainda menos que o Hollywood sign), ou seja, valeu apenas pela longa caminhada. Na volta paramos na Beerhaus para umas cervejas e para fazer tempo, já que a noite iríamos assistir ao espetáculo Love, do Cirque du Soleil, com temática dos Beatles. Taí um negócio que eu aconselharia para quem vai pra cidade e não é um apostador: os espetáculos são fantásticos.

Como já tinhamos visto basicamente tudo, na segunda preferimos curtir novamente o clima da Freemont ao invés da Strip, apesar dela estar menos movimentada e não terem mais os concertos. No outro dia, ainda aproveitariamos mais um pedaço de Nevada no nosso caminho para o Grand Canyon, sobre o qual falo no próximo post.

Observações, dicas e considerações:

  • Como pode beber na rua, é comum ver o pessoal andando com uns copos de drinks (de plástico). São copos grandes, de até um metro de altura, geralmente no formato de instrumentos de laboratório de química, mas existem outros formatos (como botas). Normalmente além de servir como containeres para a bebida, vira um souvenir.
  • Os cassinos não têm janelas, tem iluminação bem forte, bem como som alto. Tudo isto para fazer as pessoas perderem a noção do tempo enquanto jogam. Creio ser este também o motivo para ser permitido fumar, assim você não sai e vê que o dia está amanhecendo.
  • Quando nos dirigiamos para a Beerhaus, nos deparamos com um grupo de homens, de todas as idades (literalmente dos 18 aos 80), trajando uma camisa metade amarela e metade preta, com o nome Karlsson escrito. Quando já estávamos em Phoenix (a terceira parada desta trip), acabamos topando novamente com o grupo, que estava curtindo a noite no bar onde o Tony estava tocando. Eles eram um grupo da Suécia que foi fazer uma trip nos EUA acompanhando alguns jogos de Hockey onde alguns jogadores suecos, como o tal do Karlsson joga. Eita mundo pequeno!
  • Ainda não entendi qual a pira de casar em Las Vegas.

Be happy 🙂

McCarran International Airport: ate o Aeroporto e um cassino!

Capelas e mais capelas.

So figuras na Freemont Street

Freemont Street

Circus Circus: sem janelas, muita iluminação e som alto!

Treasure Island

The Mirrage (com o anuncio do show, Love, do Cirque du Soleil)

O famoso Bellagio e suas aguas “dançantes”

Paris, Vegas….hahaha

O superestimado “Welcome to Fabulous Las Vegas Sign”

Luxor

New York-New York

Planet Hollywood (sim, isto e o teto do cassino)

Cassinos são um dos poucos lugares fechados onde se pode fumar

The Venetian – brega pra caramba!!!…hahhaha

The Strip

Freemont Street a noite

Tirolesa na Freemont Street

Bellagio a noite

Unido a Gente Fica Em Pé. Dividido a Gente Cai. – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 16 de Maio de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Há alguns dias um amigo compartilhou um artigo na web e comentou que era para quem defende o sistema de meritocracia. O foco era a qualidade do ensino público. Bem, respondi que, apesar de ter estudado em colégio público (o colegial fiz com este meu amigo), achava o sistema meritocrático o mais justo. Iniciou-se aí uma discussão – melhor, um debate –, onde cada um expunha suas razões e exemplos (de maneira civilizada e sem tentar impor sua opinião sobre o outro, pois é isto que as pessoas racionais fazem).

Ele defendia, por exemplo, os sistemas de cotas (tanto raciais quanto sociais), e exemplificou, dizendo que teve que se esforçar muito para conseguir entrar numa faculdade pública, pois o ensino público não havia nos dado base para concorrer de igual para igual com alunos das escolas privadas. Portanto, a “linha de partida” não era a mesma.

Eu contrapus a opinião dele (apesar de não ser contra cotas), mas por achar que este sistema deve ser temporário e que isto não invalida o sistema meritocrático. E também exemplifiquei, mudando um pouco a perspectiva de avaliação: citei exatamente que entre tantas pessoas que estudaram conosco, muitas destas nem se dignaram a tentar um cursinho para entrar numa faculdade pública (como ele) ou a abrir mão de várias coisas típicas da idade (passeios, viagens, roupas, etc.) para poder pagar a faculdade (como eu fiz), e que não achava justo que as pessoas que não se esforçaram da mesma forma que nós, colhessem os mesmos frutos.

No fundo, nós dois sabíamos e concordávamos que o problema é a falta de investimento na educação pública, tanto fundamental quanto superior, e que todos (ricos, pobres, negros, brancos, índios, etc.) temos direito à educação de qualidade provida pelo Estado, pois todos nós pagamos impostos. Porém, estávamos como dois médicos que ficam discutindo como tratar uma dor de cabeça, enquanto o paciente morre com um tumor no cérebro que já havia sido diagnosticado, ou seja, estávamos discutindo formas de amenizar os sintomas, e perdendo com isto tempo precioso no tratamento da causa.

Isto me levou a pensar em quantas discussões, conflitos e guerras foram causados por pequenas diferenças de ponto de vista. Temos vários exemplos recentes de pessoas e entidades que, na procura por uma qualidade de vida, por um país melhor, vêm se digladiando: é a polícia que bate nos manifestantes (e ambos querem um país melhor, imagino eu), são os manifestantes que matam um cinegrafista (teoricamente o fundo da manifestação é por um país melhor, o que provavelmente era o desejo do cinegrafista), são “vingadores” (que também em teoria buscam uma cidade melhor, mais segura) agredindo e acorrentando um suspeito de crime à um poste (teoricamente ele só quer levar uma vida melhor, apesar de ter escolhido um caminho errado, ilegal), só para citar os mais recentes.

Analisando estes conflitos, nota-se duas coisas comuns em todos estes fatos: uma maioria (povo) que é colocado em conflito constante entre si enquanto uma minoria fomenta este conflito. Só que os segundos estão imunes a praticamente qualquer “efeito colateral” (uma guerra, uma série de protestos violentos, um atentado, etc.) a que os primeiros estão expostos quando os ânimos se exaltam.

E esta característica se repete quando se começa a analisar dados históricos: a luta de classes pregada por Karl Marx e que só aconteceria através da “revolução proletária”, quando aplicada na Rússia foi responsável pelos piores massacres ocorridos no século 20, sendo que o que todos queriam (operários e burgueses), era uma melhoria na qualidade de vida existente naquele país à época. Hitler fomentou o antissemitismo a fim de eximir o seu governo da culpa pelas recessões econômicas da década de 30. Trazendo para a contemporaneidade: existem os fanáticos islâmicos que pregam contra o modo de vida ocidental (especialmente o americano) e incitam seus seguidores a praticar atos de terrorismo contra estes, o que invariavelmente também acaba gerando um ódio recíproco e mais violência, justificada desta forma como “segurança nacional”.

Os Músicos de Bremen: uma fábula que conta como a união faz a força.

Atualmente no Brasil existe o conflito de “espectro político”. Os “pensadores” e políticos fomentam o debate (na verdade um embate) entre esquerda e direita, entre conservadorismo e liberalismo, entre estatismo e privatismo, e enquanto o povo se digladia aqui embaixo, eles estão lá usufruindo da falta de foco deste mesmo povo para atuar em benefício próprio.

Se formos perguntar a qualquer cidadão, independente de sua orientação ou ideologia política, ele vai dizer que quer um país mais seguro, mais oportunidades, desenvolvimento, qualidade na educação, etc. Ou seja, no fundo temos todos o mesmo objetivo final, apesar de discordamos dos meios de obtê-lo.

Ao invés de passarmos tanto tempo discutindo as divergências, seria muito mais inteligente concentrarmos forças para solucionar o que é consenso, fazendo concessões de ambas as partes e provavelmente, quando estes problemas fossem solucionados, o que seria divergência já nem exista mais. Ou seja, é melhor juntos, brigarmos por aquilo que nos une, do que brigarmos entre nós por aquilo que nos divide.

P.S.: O título da coluna foi extraído de inserções do rapper Gustavo “Black Alien” (que fez parte do Planet Hemp) nas músicas Tabuleiro da Cor, da Banda Black Rio, e Um Bom Lugar, do falecido rapper paulistano Sabotage.

P.S. 2: Uma outra “inspiração” para a coluna foi a música Todos Juntos, trilha do filme “Os Saltimbancos Trapalhões” (o melhor filme nacional de todos os tempos!) e da peça “Os Saltimbancos”, ambos adaptações da obra Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, que conta, em forma de fábula, como uma Gata, uma Galinha, um Cachorro e um Burro, todos eles considerados fracos e inúteis individualmente, ao se unirem conseguem expulsar os ladrões de uma residência.

Be happy! 🙂