Superfreakonomics – Steven D. Levitt & Stephen J. Dubner (07/2018)

Superfreakonomics é a continuação do famoso sucesso Freakonomics, onde Levitt e Dubner analisam fatos do cotidiano sob a perspectiva econômica. A principal inspiração de Levitt são os trabalhos do professor Gary Becker, ganhador do Nobel de economia em 1992, que se dedicou a estudar microeconomia aplicada no dia-a-dia. A premissa básica é que o ser humano é movido a incentivos (na verdade, todos os seres, segundo a teoria do Gene Egoísta, defendida pelo Richard Dawkins) e a ideia é tentar identificar quais são os incentivos (positivos e negativos) ligado aos comportamentos da sociedade.

Um tanto diferente do primeiro livro, cada um dos cinco capítulos de Superfreakonomics parte de uma idéia inicial, porém ao invés de focar somente nela, passa por diversos assuntos e exemplos relacionados aos mesmos tipos de incentivo.

Dois fatos ficam evidentes em todos os capítulos e em todos os períodos analisados (que incluem mais de 2 séculos). O primeiro fato é que as mulheres sempre são prejudicadas em relação aos homens, em todas as sociedades e em todos os períodos da história. Um dos vários exemplos que trazem isto à tona é o acompanhamento de dois acadêmicos que mudaram de sexo: a mulher fez a transição para o sexo masculino e passou a ganhar mais à partir de então, enquanto o homem que passou pelo processo contrário passou a ganhar menos (período menstrual e gravidez não seriam “justificativas” neste caso), mesmo ambos mantendo suas credenciais acadêmicas.

O outro fato é como os governos são especialistas em criar mais problemas, ou problemas maiores, do que aqueles que tentam resolver. Eventualmente a intenção é até boa, mas na maioria absoluta das vezes eles desconsideram todas as implicações (as externalidades, que é o termo econômico) das suas decisões.

Como não poderia deixar de ser, o livro traz algumas polêmicas que desagradam adeptos de determinadas ideologias ou crenças. A primeira delas é de que a liberdade sexual da mulher é o que está minando a prostituição, já que como é mais fácil conseguir sexo de graça hoje do que há cem anos atrás, a demanda pelo “produto” tem diminuído. Conservadores e feministas ficariam ambos revoltados com esta conclusão.

Uma outra é de que sim, o aquecimento global existe e ele muito provavelmente é causado pela atividade humana, porém os fatores desencadeantes, bem como as soluções propostas pelos ambientalistas, estão longe de serem eficientes, quando não efetivamente prejudiciais. Um ponto interessante que eles trazem é que é hipocrisia por parte dos países desenvolvidos quererem cobrar o preço de não piorar situação dos países em desenvolvimento, já que foram eles que causaram o desequilíbrio afim de se desenvolverem. Não seria justo os demais países terem o seu desenvolvimento minado e os já desenvolvidos deveriam pagar mais (metas mais arrojadas de redução) para compensar a externalidade negativa causada até então.

Mesmo sem aquela surpresa inicial causada pelo primeiro livro, este ainda traz muitos assuntos interessantes e que te preendem na leitura.

Be happy 🙂

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