Arquivo mensal: junho 2018

Wanderlust #46 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

(28/Ago/2017-31/Ago/2017)

Pier Mauá

Confome havia falado no último Wanderlust sobre o Rio, a cidade contém várias em uma. Desta vez, com uma passagem rápida somente durante a semana, resolvemos fazer um roteiro pela baixa gastronomia do Rio, especialmente fora dos pontos turisticos (Copacaba, Ipanema e Leblon).

Mas como ninguém é de ferro, já haviamos programado a viagem para podermos curtir o Samba do Trabalhador, uma das melhores rodas de Samba do Brasil, já na segunda-feira. Pegamos o metrô, descemos na Saens Peña, na Tijuca, e demos uma volta pelo centro comercial do bairro. Depois nos dirigimos ate o Renascença Clube e após tomarmos umas duas cervejas (Antárcticas, claro!) na porta, entramos logo no início do Samba (lá pelas 16:30) para garantirmos o nosso lugar. Na saída, no caminho de volta para o metrô, encontramos o Gabriel da Muda, um dos cavaquinistas da roda, que perguntou se a gente não estava no samba, ai começamos a trocar idéia e ele nos chamou para dar um passada no Bar do Momo, que ficava no caminho. Ficamos lá um pouco e já planejamos voltar no outro dia.

Na terça-feira lá fomos nós novamente para a Tijuca fazer um tour pelos botecos da região. Voltamos ao Momo, onde pudemos aproveitar, agora com calma, o ótimo bolinho de arroz (olha que eu não sou chegado neste petisco pois acho sem graça) e a surpreendente guacamole de Jiló. Depois fomos até o Varnhagem, na praça de mesmo nome, onde além de tomarmos umas geladas debaixo de um sol escaldante, também aproveitamos para pedir uma porção mista de bolinhos.

A idéia de fazer um tour pelos botecos da Tijuca surgiu ao acompanharmos os videos do canal Botecos do Edu, então fomos seguir algumas das sugestões. Primeiro passamos no Café e Bar Aldila, uma portinha que, segundo o Edu, tem um dos melhores torresmos do Rio. Achei bom, acima da média, mas já comi melhores. Em seguida fomos até o Cantinho do Céu para mais uma cerveja.

Neste meio tempo o Gabriel havia sugerido por mensagem que fôssemos ao Carioca da Gema. Lá provamos uma otima porção de torresmo e uma coxinha boa (apenas). Infelizmente não havia mais espaço no estômago para provar a porção de polenta com rabada desfiada, que pareceu muito apetitosa.

Quarta de manhã fomos dar uma volta na Praça Mauá para ver como havia ficado após a Copa (passamos lá um pouquinho antes da Copa, em 2014). Ficou bem legal, mas ainda falta um movimento. Poderiam montar um espaço com bares e restaurantes, a exemplo da Estação das Docas em Belém. Antes de nos dirigirmos até Botafogo para explorar os bares da região, passamos para tomar uma caipirinha no Quiosque Terra Vista, em Ipanema, que tem uma das melhores que eu já provei.

Demos uma circulada pela rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, que muitos afirmam ser o mais parecido com a Vila Madalena no Rio, porém não encontramos nenhum boteco digno de nota. Mas seguindo novamente uma dica do Gabriel, fomos até o bar da Cervejaria Hocus Pocus e novamente a dica valeu muito a pena. O lugar é ótimo, as cervejas fantásticas, petiscos deliciosos e atendimento acima da média (a garçonete Gabi é uma atração à parte pela simpatia e alegria).

Foram poucos dias, mas deu pra aproveitar relativamente bem. Pena que não deu pra voltar ao Rio na última vez que estivemos no Brasil. Quem sabe na próxima.

Observações, dicas e considerações:

  • Será que é tão difícil para a rede de transporte público de São Paulo copiar o sistema de vendas de cartões do Rio? Não precisa nem das máquinas automáticas. Basta disponibilizar o cartão para venda nas estações de metrô.
  • O VLT / Tram / Bonde do Rio funciona muito bem, inclusive o sistema com validação do bilhete sem o cobrador. Uma pena que a rede é pequena.
  • Algumas linhas de ônibus do Rio também aboliram os “trocadores” (como se chamam os cobradores no Rio) e têm funcionado. Novamente, parece que só São Paulo não consegue (ou não quer) adotar algumas coisas que dão certo em praticamente todo o mundo no seu sistema de mobilidade urbana.

Be happy 🙂

Samba do Trabalhador – Renascença Clube

Bar do Momo – Tijuca

O supreendente bolinho de arroz do Bar do Momo (surpreendente para mim, que acho o petisco sem graça)

Guacamole de Jiló: este sim supreendente! – Bar do Momo

Bar Varnhagen – Tijuca

Porção mista de bolinhos do Bar Varnhagen – Tijuca

Torresmo do Café e Bar Aldila – Tijuca

Cantinho do Céu – Tijuca

Porção de Torresmo do Bar da Gema – Tijuca

Bar da Gema – Tijuca

Flamengo

Flamengo

Pier Mauá

Hocus Pocus DNA – Botafogo

Quiosque Terra a Vista – Ipanema

Vai Ter Copa! Mas Falta Bom Senso – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 12 de Junho de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Não sei o motivo, mas eu nunca fui pego pelo sentimento ufanista que envolve a Seleção Brasileira, especialmente em épocas de Copa do Mundo. Quando eu era criança eu gostava da festa de ajudar a pintar as ruas, fazer bandeirinhas e do fato de não ter aula nos dias de jogos. Mais adulto eu sempre gostei dos churrascos ou das idas em bares com os amigos para assistir os jogos, muito mais pela festa do que pelo jogo em sí. Mas sinceramente a Seleção não é algo que me emocione ou me empolgue. 

Inclusive eu nem me vejo na obrigação de torcer para a Seleção. Lembro de ter torcido pela seleção brasileira em 1994 (acho que esta foi a Copa em que eu mais me empolguei) e 2002 (bem menos). Em 2010 eu torci pela seleção também, mas dividi minha torcida (na verdade, melhor chamar de simpatia), com as seleções da Alemanha e do Uruguai. Em 1998 eu simpatizava com a Holanda. Da Copa de 2006 eu pouco me lembro pois nem acompanhei muito. Nesta Copa eu gostaria que a Inglaterra ou a Alemanha levassem, não por ser contra a Seleção Brasileira, mas por entender que estes dois países sim, é que são os países do futebol (basta comparar a média de público deles superior à nossa, inclusive com suas divisões inferiores tendo média maior do que a nossa principal) e mereceriam levar. 

Também fui contra a Copa no Brasil e desde a escolha do país como sede eu já havia decidido que iria viajar para fora do país quando esta acontecesse (o que vai ocorrer, dia 18 eu estou “fugindo”). Não porque ela foi conquistada por político A ou B, ou porque eu acho que o país tem coisas mais importantes com o que se preocupar (e tem!), ou porque haveria muita falcatrua envolvida, o que aconteceria com ou sem Copa (corrupção não é um problema da Copa e sim um problema do Brasil). 

Eu simplesmente não concordo com eventos onde o investimento seja público, o risco seja público, mas o lucro seja privado. Desta forma eu também não concordo com as Olimpíadas, não concordo com a Fórmula 1 ou a Indy em São Paulo (apesar de ser apaixonado por automobilismo). Chego inclusive a discordar dos incentivos promovidos à indústria cinematográfica nacional, pelo mesmo motivo: o governo abre mão de impostos para que estas produções sejam desenvolvidas, porém o “patrocinador”, além da isenção, ganha com a exposição da sua marca e a empresa que produziu, ainda tem a chance do filme ser um sucesso, sem o compromisso de devolver os valores investidos para os cofres públicos. Ou apenas e simplesmente reinvestir na própria indústria cinematográfica. 

Entendo que o “legado da Copa” vai ser pequeno. Mas talvez nem existisse se ela não acontecesse. Acho que não precisamos de um evento desta magnitude para cobrarmos dos nossos governantes investimentos em infraestrutura (talvez um dos maiores gargalos no Brasil atualmente) e em outras coisas muito importantes para o desenvolvimento do nosso país. A cobrança deve ser contínua.  

Apesar disto, eu não preciso torcer para que a Copa seja um fracasso, ou para que a Seleção não conquiste o caneco (não vou torcer a favor, mas não preciso torcer contra). Eu quero é que, na medida do possível, a Copa seja uma festa alegre para os brasileiro, que os estrangeiros que estiverem no Brasil sejam bem tratados, que nada de mal aconteça a ninguém e que eles levem uma boa impressão do nosso país, que tem muitos problemas sim, mas que também tem suas muitas virtudes. 

Sinceramente eu acho que você torcer pelo insucesso de algo, só porque não concorda ou não apoiou, uma pequenez muito grande. Coisa de pessoas com a tal “síndrome de cachorro vira latas”, da qual já falei em um  artigo  aqui na Feedback Magazine. 

Inclusive acho que a “grita” dos últimos dias dos tais “movimentos sociais” e dos movimentos sindicais chega a beirar a extorsão, a chantagem, por aproveitarem de um momento crítico de um grande evento para exigir coisas, muita vezes, além do real. Mas como diz um ditado russo: “você pode até dançar com um urso, mas quem vai escolher a hora de parar será ele” e o PT, que alimentou estes “monstrinhos” durante tanto tempo, agora enquanto governo, está sentindo na carne o mal que eles fazem. 

Mas lá de longe, a milhares de quilômetros de distância do Brasil, eu quero pelo menos sentir orgulho de, ao assistir jogos e reportagens sobre a Copa no Brasil em um bar cheio de estrangeiros ou em uma praça, ter a oportunidade de vê-los perceber que que o Brasil é muito, mas muito melhor do que eles sempre imaginaram, que vai além da tríade “bunda, samba e futebol” e que, apesar de todos os nossos problemas, a gente consegue, do nosso jeito, fazer as coisas acontecerem sem dever nada a ninguém 

Be happy! 🙂

Superfreakonomics – Steven D. Levitt & Stephen J. Dubner (07/2018)

Superfreakonomics é a continuação do famoso sucesso Freakonomics, onde Levitt e Dubner analisam fatos do cotidiano sob a perspectiva econômica. A principal inspiração de Levitt são os trabalhos do professor Gary Becker, ganhador do Nobel de economia em 1992, que se dedicou a estudar microeconomia aplicada no dia-a-dia. A premissa básica é que o ser humano é movido a incentivos (na verdade, todos os seres, segundo a teoria do Gene Egoísta, defendida pelo Richard Dawkins) e a ideia é tentar identificar quais são os incentivos (positivos e negativos) ligado aos comportamentos da sociedade.

Um tanto diferente do primeiro livro, cada um dos cinco capítulos de Superfreakonomics parte de uma idéia inicial, porém ao invés de focar somente nela, passa por diversos assuntos e exemplos relacionados aos mesmos tipos de incentivo.

Dois fatos ficam evidentes em todos os capítulos e em todos os períodos analisados (que incluem mais de 2 séculos). O primeiro fato é que as mulheres sempre são prejudicadas em relação aos homens, em todas as sociedades e em todos os períodos da história. Um dos vários exemplos que trazem isto à tona é o acompanhamento de dois acadêmicos que mudaram de sexo: a mulher fez a transição para o sexo masculino e passou a ganhar mais à partir de então, enquanto o homem que passou pelo processo contrário passou a ganhar menos (período menstrual e gravidez não seriam “justificativas” neste caso), mesmo ambos mantendo suas credenciais acadêmicas.

O outro fato é como os governos são especialistas em criar mais problemas, ou problemas maiores, do que aqueles que tentam resolver. Eventualmente a intenção é até boa, mas na maioria absoluta das vezes eles desconsideram todas as implicações (as externalidades, que é o termo econômico) das suas decisões.

Como não poderia deixar de ser, o livro traz algumas polêmicas que desagradam adeptos de determinadas ideologias ou crenças. A primeira delas é de que a liberdade sexual da mulher é o que está minando a prostituição, já que como é mais fácil conseguir sexo de graça hoje do que há cem anos atrás, a demanda pelo “produto” tem diminuído. Conservadores e feministas ficariam ambos revoltados com esta conclusão.

Uma outra é de que sim, o aquecimento global existe e ele muito provavelmente é causado pela atividade humana, porém os fatores desencadeantes, bem como as soluções propostas pelos ambientalistas, estão longe de serem eficientes, quando não efetivamente prejudiciais. Um ponto interessante que eles trazem é que é hipocrisia por parte dos países desenvolvidos quererem cobrar o preço de não piorar situação dos países em desenvolvimento, já que foram eles que causaram o desequilíbrio afim de se desenvolverem. Não seria justo os demais países terem o seu desenvolvimento minado e os já desenvolvidos deveriam pagar mais (metas mais arrojadas de redução) para compensar a externalidade negativa causada até então.

Mesmo sem aquela surpresa inicial causada pelo primeiro livro, este ainda traz muitos assuntos interessantes e que te preendem na leitura.

Be happy 🙂