Totalitarismo X Democracia – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 20 de Março de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


 

Em Setembro de 2012 fui à Berlin para fazer um curso de imersão no idioma Alemão (estudo Alemão desde 2010). Numa das aulas, para tratar de comparativos e superlativos, o professor usou o tema “coisas importantes”. Quando questionados qual era a coisa mais importante na vida, praticamente todos os alunos (numa sala de 12) e mais o professor foram rápidos em afirmar que era saúde (por curiosidade: Gesundheit, em Alemão).

A exceção foram um Checo, uma Polonesa e uma Russa, todos eles acima dos 40 anos. Para eles, que vivenciaram regimes totalitaristas, a liberdade é mais importante do que saúde, comida, água, ou qualquer outro item, tangível ou não tangível.

Eu sou fã do capitalismo como modelo econômico (e é isto que ele é, e não uma ideologia, como gostam de pregar) por entender que ele é o sistema que mais têm se adaptado à natureza humana e não o contrário, tentando moldar o indivíduo para que ele se encaixe no sistema.

Apesar disto, não tenho nada contra países que utilizam outros modelos, desde que isto seja de vontade da sua população. Um exemplo: nunca critiquei a Venezuela por seu modelo econômico quase de Estado, porque, apesar dos pesares (mudanças de regras no decorrer do jogo, uso massivo da máquina administrativa para fins eleitorais, etc.), a maioria do povo Venezuelano tem aprovado e referendado este modelo. E quem discorda do modelo, tem toda a liberdade (ou tinha até pouco tempo), para tentar convencer a maioria que o modelo é errado ou, em última instância, simplesmente procurar um outro país que lhe agrade e lá ir viver.

Por outro lado, minhas críticas à Cuba não são relacionadas ao seu modelo econômico (ainda) de Estado, mas ao fato de que o modelo vem sendo sustentado à força e sem a expressa concordância do povo cubano. E o pior, quem discorda não pode nem se manifestar contrariamente ou mesmo deixar o país.

Porém uma coisa tem chamado minha atenção (e me deixado perplexo) nestes últimos dias nas redes sociais e portais de notícia: o apoio, quando não a demanda, de muita gente, à estes sistemas.

Como disse, ao contrário do que boa parte dos “anti-esquerdistas” pregam, na Venezuela, até o momento, existe sim democracia. Está claro que o Chavismo está em declínio, pois ele era baseado principalmente no carisma de seu mentor e falecido líder. Isto já ficou claro quando da eleição do Maduro, que foi bem mais apertada do que as do Chávez. Como o modelo econômico implementado no país não se sustentaria no longo prazo, quando este começasse a ruir, seria clara a insatisfação da população, que viria a clamar por mudanças.

Mas o que mais me impressiona é que figuras que sempre foram críticas da repressão ocorrida no nosso país durante a ditadura militar, estarem apoiando as ações de repressão promovidas por Maduro. O Maduro foi eleito democraticamente através do voto e tem todo o direito (quando não o dever) de ocupar a posição que ocupa, porém, os que se sentirem descontentes têm todo o direito de se manifestarem contrários e eventualmente pedir a renúncia do mesmo. Apesar de eu achar que a melhor solução é sempre nas urnas, as vezes o processo deve ser antecipado para evitar danos maiores.

Da mesma forma, chega a ser deprimente a campanha que alguns vêm fazendo nas redes sociais, inclusive agendando uma “Marcha da Família”, para que haja uma intervenção militar no Brasil. Eu discordo da forma com que os governos dos últimos anos têm conduzido o país, mas entendo que, dentro de uma democracia de fato e de direito como a nossa, esta forma está sendo apoiada pela maioria da população e isto deve ser respeitado. Para quem discordar, sobra a opção de tentar convencer os demais e, como disse, em último caso, escolher um outro lugar que lhe apraza para viver.

Nenhum governo totalitário (seja uma ditadura militar, uma teocracia, um governo comunista), por melhor que sejam seus benefícios, será melhor que a pior democracia, simplesmente porque priva o indivíduo de uma das necessidades mais básicas do ser humano, que é a liberdade (de expressão, de ir e vir, de fazer o que quiser da sua vida).

Be happy! 🙂

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