Arquivo mensal: março 2018

Sucker’s Portfolio – Kurt Vonnegut (04/2018)

Encontrei Kurt Vonnegut em uma referência do Orwell’s Revenge (agora lembrei que foi onde também encontrei a referência à The Machine Stops), pesquisei pelo autor na Amazon e coloquei alguns títulos dele meio que aleatóriamente na minha lista. Há quase um ano atrás fui comprar alguns livros e resolvi “experimentar” algum do autor, escolhendo este, também aleatóriamente, entre uns dez títulos que que eu tinha salvo.

Sucker’s Portfolio é uma coleção com seis contos e um texto que pode-se classificar como uma crônica. A coletânea foi lançada inicialmente pela Amazon em versão e-book e posteriormente na versão impressa. Os contos são em sua maioria histórias simples, de cotidiano, com uma linguagem fluída e que te leva a grudar no texto até que ele acabe. Mesmo Robotville and Mr. Caslow, um texto inacabado e que pode ser considerado um “conto de ficção científica” é algo factível em um futuro próximo (meio na linha Black Mirror).

Mas o capítulo que eu mais gostei foi o de crônica. Entitulado de The Last Tasmanian, é uma coletânea de pensamentos aleatórios, mas interligados, que o autor teve à partir de um número (1492, o ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América). Pelo que o texto deu a entender, o autor estava sozinho (quer dizer, com o seu gato) e começou a colocar no papel uma série de idéias que eram “sugeridas” pela idéia anterior. Tanto que o texto apresenta muitas vezes a expressão “e por falar nisto”. Achei muito interessante esta forma fluída de colocar idéias no papel. Preciso pegar um tempo para tentar o mesmo exercício algum dia.

Gostei bastante do estilo de Vonnegut e suspeito que ele tende a se tornar um dos meus autores favoritos em dois ou três livros.

Be happy 🙂

Wanderlust #44 – Mystic e New Haven – Connecticut (5/51) – Estados Unidos

(21/Jul/2017-23/Jul/2017)

Yale tem até uma usina termoelétrica própria!

Este post vai ser curto, porque o passeio em si foi curto. Quer dizer, demorou pra chegarmos lá, mas as atrações eram limitadas. Nesta “missão” de conhecermos o maior número possível de estados americanos enquanto estivermos por aqui, fomos desta vez conhecer o pequeno estado de Connecticut, no noroeste dos EUA, região conhecida como Nova Inglaterra (expliquei no post de Boston). Como não conseguimos achar muitas atrações turísticas por lá, decidimos escolher a cidade que seria, teoricamente, a mais movimentada como base. New Haven, além de ter a segunda população do estado, com “impressionantes” 130 mil habitantes (pouco menos que a Freguesia do Ó), é onde fica a Yale University.

Chegamos na cidade na sexta à tarde, demos uma volta rápida e já paramos na Cask Republic para tomarmos umas. Saimos do bar e fomos andar um pouco mais pela região central, que é cheia de bares e restaurantes e paramos novamente, desta vez no The Beer Collective.

No sábado de manhã dirigimos cerca de uma hora até a cidade de Mystic, uma pequena cidade de veraneio que fica num “braço de mar” do Oceano Atlântico. Apesar de pequena, a cidade era bem movimentada, além de ser bem charmosa. Andamos por umas duas horas na cidade, paramos para tomar um sorvete e voltamos para New Haven.

Já em New Haven, fomos conhecer a cidade com um pouco mais de tempo, mas mesmo assim o passeio foi bem rápido. Passamos pela New Haven Green, a praça central da cidade, onde a noite aconteceria um show (e o pessoal já estava se acomodando), alguns prédios antigos que pertenciam à Yale e depois fomos para a região onde a maioria dos prédios da universidade se concentram. Diferente de Boston (MIT e Harvard) e Princeton (uma hora eu escrevo sobre), Yale é aberta e não dá para saber onde começa ou termina a universidade, exceto pelos nomes das escolas nos prédios. Uma diferença também é que os prédios, apesar de seguirem o estilo da Nova Inglaterra, tem um ar mais moderno. Arquitetura interessante.

Paramos no meio do caminho na Three Sheets para algumas cervejas e depois prosseguimos andando a esmo pela cidade. Caminhando novamente perto do hotel encontramos o melhor achado da cidade, o Barcade, um fliperama (com várias máquinas clássicas) com um bar de cervejas especiais. Que idéia fantástica!!!!

Apesar de não ter praticamente nenhuma atração turística, se fosse mais perto (umas duas horas), até que eu voltaria para a cidade outras vezes para curtir os bares e o clima jovial. E pernoitaria em Mystic para aproveitar a pequena cidade de veraneio.

Observações, dicas e considerações:

  • Infelizmente não achamos uma cervejaria na parte centra da cidade para fazer a famosa foto com o sample flight.
  • Connecticut e um nome dificílimo de pronunciar!
  • Pela Internet, música do Gilberto Gil do disco Quanta, de 1997, faz uma pequena referência ao estado.
  • O barman (acho que era dono) do Barcade, ao ver minha camisa do Santos já perguntou de cara: “brasileiro?”, quando respondi que sim ele me disse que era “corintiano” e depois me explicou que teve um grande amigo brasileiro que morava na cidade e que o “convenceu” a torcer pelo Corinthians. Talvez isto também explique o piso à lá calçadão de Copacabana no bar.

Be happy 🙂

Mystic

Mystic

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

New Haven

Barcade, New Haven

Barcade, New Haven

New Haven

New Haven

The Machine Stops, The Celestial Omnibus, and Other Stories – E. M. Forster (03/2018)

Eu vou comprando livros e acumulando e as vezes nem lembro o que me levou a comprá-los. Comprei este livro há alguns (vários) meses atrás e não lembro quem deu a “dica”. O livro é um compêndio de estórias curtas de Edward Morgan Forster, um famoso escritor inglês que eu não conhecia, mas que pelo que eu pude pesquisar, possui uma vasta obra, algumas delas transformadas em filmes e séries pela BBC.

A primeira história do livro, The Machine Stops, é bem interessante e retrata, no melhor estilo distópico, uma sociedade futura onde as pessoas vivem em “vomitórios”, que se tratam de “células hexagonais” em colônias subterrâneas. Estas pessoas passam o dia todo se comunicando através de um sistema interligado (outra previsão do surgimento da Internet?), atendendo e dando aulas. Não há mais a necessidade de sair dos vomitórios porque finalmente chegaram à conclusão de “por que usar transporte para levar as pessoas às coisas, quando é mais fácil levar as coisas às pessoas?” (Amazon?!?!?). E não há a necessidade das pessoas visitarem outros lugares, já que tudo é “lamacento e poeirento” (e a máquina “conecta” as pessoas).

A entidade que controla tudo isto é conhecida como “A Máquina” (The Machine) e, apesar de, em tese, não existir religião nesta sociedade global, os membros acabam cultuando a própria máquina. Um dos membros desta sociedade resolve se aventurar na superfície e descobre que na verdade ainda existe um mundo a ser visto fora dos domínos d’A Máquina. A estória me lembrou muito Der Fisch.

Como gosto do estilo distópico, achei The Machine Stops bem interessante, ao contrário dos demais textos do livro. Apesar do conto principal ser uma estória fantástica, ao menos é algo factível. As demais estórias são fantásticas, mas já vão para o lado do misticismo, especialmente relacionados à um “ente superior que domina a natureza”.

Além de tudo o inglês utilizado é de difícil compreensão. Tive que reler vários parágrafos para poder entender. Encontrei uma versão traduzida de The Machine Stops aqui (tem o texto original e a tradução).

Be happy 🙂

Der Fisch – Lothar Streblow – #tbt

Originalmente publicado na Feedback Magazine, em 15 de Julho de 2014. As opniões do texto não refletem, necessariamente, a minha opnião atual, já que eu sou um ser em constante evolução e que prefere “ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo”.


Numa das aulas de alemão aqui em Berlim tive a grata surpresa de ouvir Der Fisch (O Peixe), uma ficção cientifica no melhor estilo distópico. Criada em 1972 (portanto, em plena Guerra Fria) por Lothar Streblow e produzida pela rádio Bremen, Der Fisch ganhou o prêmio de “Melhor Estória Radiofônica” daquele ano, concedido pelo consórcio das empresas radiofônicas da Alemanha (ARD). Infelizmente, não encontrei uma versão com legendas ou mesmo a transcrição da história. Porém, para quem entende um pouco de alemão, ela pode ser encontrada aqui.

A história é basicamente o diálogo (na verdade, uma sessão de interrogatório) entre um representante do Estado (der Vertreter der Behörde) e um cidadão (que veremos ser, na verdade, um réu – der Geladener) que afirma ter visto um peixe. O problema é que, em 2092 (período em que a trama acontece), as pessoas vivem dentro de redomas de vidro e não existe vida fora desta.

Outro “personagem” importante da obra é um computador (o “sistema”) que guia o representante do Estado e é suprido por ele com informações obtidas do cidadão.

Durante o diálogo, o representante tenta convencer o cidadão de que ele não viu o peixe, afinal isto seria impossível. Portanto, deve ter ocorrido uma simples ilusão de ótica, uma alucinação ou algo do tipo. O cidadão, por sua vez, não esconde a euforia: diante da possibilidade da existência do peixe fora da redoma, a probabilidade de existência humana também é grande.

O cidadão se incomoda muito pela forma com a qual o representante do Estado ignora a possibilidade da existência do peixe, até o momento em que o representante, ao ver que não conseguiria convencer o cidadão, expõe toda a verdade: o Estado (o computador – der Computer) e seus agentes sabem da existência de vida fora da redoma. Entretanto, a vida dos cidadãos é bem melhor na forma como está: confinados dentro da redoma e sem saber o que se passa fora dela.

Neste momento, o representante revela que aquilo não se tratava de um interrogatório, mas sim de um julgamento, onde a negação da vida fora da redoma (consequentemente a aceitação da “verdade” que o sistema impunha ao cidadão) seria motivo para absolvição e a convicção da verdade (da existência do peixe) foi o real motivo para condenação.

No final da estória o cidadão é condenado à reciclagem, ou seja, à morte.

Além da metáfora evidente do sistema vigente nos países do bloco comunista à época (e de sistemas atuais, como o de Cuba, Coréia do Norte e ainda a China), foi interessante notar a similaridade com 1984, além da semelhança dessas duas com a trilogia Matrix.

Quando meu alemão estiver melhor tentarei fazer uma transcrição e uma tradução do texto para vocês.

Be happy! 🙂