Arquivo mensal: janeiro 2017

O Gene Egoísta – Richard Dawkins (18/2016)

o-gene-egoistaExistem alguns assuntos que, por mais que alguém não vá ser especialista neles, formam um conjunto de conhecimentos nos quais todo mundo deveria ter ao menos uma visão macro, um nível mínimo básico de conhecimento. Basicamente são as áreas de conhecimento que fazem parte do curriculum escolar. Biologia é um deles. Eu ainda não entendo porque deva ser estudado em separado da Química. E porque a Química deva ser estudado em separado da Física. E porque a Física tem que ser estudada a parte da Matemática. E por ai vai. Mas acho que já estou ficando repetitivo neste ponto.

Dentro da Biologia, talvez o assunto mais importante desta base geral seja a teoria da evolução de Charles Darwin e as teorias baseadas nela.

Além destes assuntos, um que deveria constar no curriculum escolar deveria ser aplicação dos conceitos de pensamento científico, metodologia de pesquisa científica (que geralmente é muito mal ensinada nas faculdades) e tudo ligado aos mecanismos de geração de conhecimento, ou seja, à ciência.

Em “O Gene Egoísta”, primeiro livro publicado por Dawkins, em 1976, ele defende a teoria da seleção no nível do gene, em contraponto às teorias da seleção de indivíduo, de grupo e de espécie, aplicando exatamente os métodos científicos (as idéias, hipóteses e teorias podem e devem ser confrontados, mas o método em sí é o que garante o bom funcionamento de todo o sistema).

Segundo esta teoria, cada gene sozinho luta por sua própria sobrevivência e propagação, sendo que ele se alinha a outros genes na medida em que esta união traz mais benefícios do que a competição com estes demais genes. Ou seja, um gene se alia a outro, para formar um determinado “veículo” afim de que ele possa continuar sobrevivendo. O que ele chama de veículo são os seres vivos (todos, desde uma bactéria até o ser humano), que na verdade são apenas meios para que o gene possa continuar se propagando.

Este egoísmo também é repassado para os veículos, que se unem (com veículos de espécies diferentes, em vários tipos de arranjos, ou veículos da mesma espécie, em colônias ou sociedades) ou competem entre si. Deixando de lado simplesmente a teoria biológica e partindo para a filosofia e moral, a teoria torna-se um tanto quanto controversa, já que até o cuidado parental é uma face deste egoísmo (o seu filho tem 50% dos seus genes, assim como seus irmãos, portanto, é interessante cuidar deles para que o gene possa sobreviver).

Dawkins chega ao ponto de mencionar a xenofobia e o racismo como faces desta teoria: o gene produz alguns sinais externos (fenótipos, como cor dos olhos e tom da pele), também com o intuito de que genes de mesma origem, em veículos distintos, possam se reconhecer. Pensando na teoria, faria sentido. A discussão moral, em tese, não caberia aqui.

O mesmo vale para os sinais externos usados na escolha do parceiro com o qual se reproduzir, como a cauda do pavão, que gera um custo grande para o veículo (de energia para produzi-la), mas serve como um indicativo de que os genes que compõem aquele veículo são bons e que a fêmea faria uma boa escolha ao copular com aquele indivíduo, pois desta forma as chances de que seus genes venham a se propagar (os 50% que estariam na cria) seriam maiores.

E ai aparece outra polêmica (das várias do livro), de que a fêmea (independente da espécie), por investir mais na geração de um novo ser (os óvulos são várias vezes maiores do que os espermatozóides em qualquer espécie), tende a selecionar melhor o parceiro e a também investir mais em cuidado parental, enquanto o macho, por produzir uma quantidade enorme de gametas, investindo pouco em cada um deles (e geralmente bem menos na somatória do que a fêmea no óvulo), estaria mais propício a tentar a cópula com o máximo de fêmeas possível e a abandonar as crias à própria sorte.

O livro gerou tanta polêmica que foi “acusado” de ter inclusive colaborado para a ascenção da Margareth Thatcher, que pregava o individualismo acima do coletivo, ao posto de primeira ministra da Inglaterra ao final da década de 1970.

Tanto que nesta terceira edição revisada, o Dawkins faz questão de esclarecer, na introdução e nas notas, que a análise dele não é filosófica, nem moral e nem social e inclusive, erroneamente a meu ver, chega ao ponto de explicitar que ele mesmo votou contra a então candidata Thatcher à época. Se por um lado mostra que ele coloca a ciência acima de suas convicções pessoais, por outro ele parece “pedir perdão” pelo livro e pelo fato das pessoas não terem interpretado corretamente.

O novo capitulo adicionado na segunda edição, de 1989, é o relativo ao que ele denomina memes (sim! Esta palavra tão comum em tempos de internet foi cunhada pelo Dawkins!). Ele traça um paralelo entre o nascimento, a propagação e a “evolução” da cultura, com o mesmo processo executado pelos genes. Ele traz vários exemplos, sendo o mais notável a religião.

Um outro ponto que tem me interessado muito já há alguns anos e que ele traz no livro é o que eu chamo de “mecanismo do ‘vale à pena'”. Como eu trabalho com análise de dados, sempre tem me intrigado como, para quase todas as decisões que o ser humano toma, ele realiza, inconscientemente, milhares de cálculos para ver a relação “custo X benefício” daquilo. Na verdade isto é um mecanismo que existe em diversas outras espécies. Um outro exemplo que eu uso é: quando um leão sabe exatamente quando não vale mais à pena perseguir determinada presa e guardar energia para tentar a sorte com uma outra, ao invés de ficar perseguindo indefinidamente, até que suas forças se esgotem? Dawkins traz o tema, dizendo que, provavelmente a evolução fez com que nossos cérebros fizessem estes cálculos sem que percebamos, da mesma forma que um morcego faz um cálculo complicado para detectar a distância dos objetos através do eco do próprio som emitido (a própria emissão do som já é bem complexa).

O livro é bem longo e cansativo, com o Dawkins sendo até prolíxo ao explicar o mesmo tema diversas vezes, utilizando apenas metáforas diferentes, mas há de se perdoar esta “falha” por se tratar do primeiro livro de alguém acostumado a escrever literatura científica e acadêmica. Apesar disto, é uma leitura que vale a pena, mesmo assim não sendo melhor que os dois outros livros dele que eu li: Deus Um Delírio (o melhor) e O Relojoeiro Cego.

Be happy 🙂

Botecando #102 – Pé Pra Fora – SP

pe-pra-fora-01Acho que fazia mais de dez anos que não ia no Pé Pra Fora, um boteco que fica ali no final da Avenida Pompéia, quase na Heitor Penteado. Mas nem posso dizer que estava perdendo alguma coisa.

O Pé Pra Fora é um tradicional boteco paulistano que já conta com mais de 40 anos. Por mim o ponto sempre foi conhecido como o lugar do “esquenta” ou da “saideira” da balada na Vila Madalena, especialmente porque era o tradicional pé-sujo, com cervejas populares estupidamente geladas, servidas no copo americano, a preços convidativos. Mas infelizmente já não é mais assim.

Na decoração o bar manteve o ar de boteco, com os azulejos brancos, balcao com a estufa recheada de petiscos, prateleiras com os “fortes” e as mesinhas de madeira. Sua área externa é uma boa pedida para dias de calor.

O cardápio oferece uma variedade enorme de pratos e petiscos, e ao menos o torresmo e a linguiça que pedimos estavam muito bons. O problema é o preço, que já não é de boteco. Se tem um negócio que eu não ligo em gastar dinheiro é para comer e beber (além de viagens), mas também não gosto de pagar mais do que um produto ou serviço vale (incluindo a experiencia). R$ 40,00 reais por uma porção de torresmo (e nem era grande) é meio alto até para um “boteco chique”. A de linguiça estava na casa dos R$ 60,00 e a maioria das demais ia para bem além disto.

Valeu para matar a saudade do lugar (e de coxinha, que estava razoavel), mas sinceramente não voltaria e não recomendaria.

Onde: Pe Pra Fora (Av. Pompéia, 2517 – Sumarezinho – SP)
Quando: 28/12/2016
Bom: petiscos
Ruim: preço
Facebook: https://www.facebook.com/Pé-Pra-Fora-313570658686225
Site: http://www.pepraforabar.com.br/

Be happy! 🙂

Botecando #101 – Casa da Luz – SP

casa-da-luz-03O centro de São Paulo é um dos lugares mais legais do mundo. Infelizmente é muito subestimado e por muitas vezes ignorado por todos. A arquitetura é interessantíssima, você encontra de tudo ali em termos de locais e pessoas e até a segurança, ao contrário do que muita gente pensa, é maior em relação à varios outros bairros da cidade. A Luz em particular é uma região que vem sendo revitalizada há algum tempo e, apesar de ainda estar longe do seu potencial, já está bem melhor que do há 20 anos atrás.

Quando apareceu na timeline do Facebook que iria rolar um samba na Casa da Luz, que eu não conhecia, bem no feriado da Independência, não pensamos duas vezes, até porque seria a nossa “saideira” do Brasil. E que bela surpresa aquela portinha, com um corredor escuro, guardava.

casa-da-luz-01O imóvel é um casarão antigo de dois andares, e que conta com mais uma área externa (para fumar ou apenas dar uma respirada). Na parte de cima funciona um misto de café e galeria de artes. Na parte de baixo o bar e a pequena pista. A “decoração” espartana lembra um pouco o Ó do Borogodó, com suas paredes desbotadas, reboque faltando, tecidos de chita separando os ambientes. Muito legal preservarem as característica do imóvel.

O público também lembra muito o do Ó, com pessoas de todos os tipos, querendo apenas ouvir boa música, tomar uma cerveja e se divertir. Nada de mauricinhos de camisa polo ou patricinhas de salto alto. O negócio é conforto e despojo.

Samba do Urso, que era o responsável pela música no dia, também é muito bom (novamente semelhanças com o Ó, já que alguns músicos também tocam na casa da Vila Madalena), tirando a militância chata dos músicos (o bordão “Primeiramente, fora Temer!” além de ser tão idiota quanto o “Tchau querida!” ou o “Bolsomito”, já ficou chato pra caramba).

No mais, vale frisar o sistema de pagamento antecipado do local (tanto para a entrada quanto para as bebidas, feito através de fichas), que sempre é melhor para evitar filas na saída (não sei porque outros locais insistem no sistema de comanda!).

Altamente recomendado!

Onde: Casa da Luz (Rua Mauá, 512 – Luz – SP)
Quando: 07/09/2016
Bom: local, público, samba e sistema de pagamento adiantado
Ruim: militância chata….hahaha
Facebook: https://www.facebook.com/casadaluzsp

Be happy! 🙂

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Onde está Wally? Digo, Ruivo?

Botecando #100 – Bargaça – SP

bargaca-01Eu ja curtia o Bargaça (que tem um bloco carnavalesco com o mesmo nome) no Facebook faz tempo. O bar havia fechado sem eu ter ido conhecê-lo, mas reabriu recentemente. Quando compartilharam o evento “Samba na Rua” eu quis dar uma olhada. E foi um dos melhores sambas que eu curti nos ultimos meses.

O bar fica numa casa lá no comecinho da Aspicuelta, quase na Medeiros de Albuquerque. O imóvel e bem amplo e aberto, e além disto conta com uma bela varanda, onde rola a música ao vivo. Na decoração, grafites e desenhos que remetem ao samba, especialmente ao Cartola. Não sei se é permanente ou itinerante, mas no dia haviam varias camisetas com artes remetendo ao Cartola à venda.

A cerveja Heineken que pedimos estava no ponto e so não pedimos uma caipirinha (que parecia estar bem boa) pois precisávamos ir para um outro evento na sequência. Não sei se tem cozinha, mas no dia haviam dois food trucks parados na porta para quem quisse beliscar algo.

O atendimento tambem foi muito bom, daqueles em que se percebe o prazer dos funcionários em estarem ali trabalhando, mas o destaque realmente foi o samba, comandado por um trio (cavaco, violão de 7 e pandeiro) que mandou varios clássicos.

Pelo que tenho acompanhado no Facebook, praticamente toda semana tem algum evento com música brasileira, então aconselho muito a quem quer um lugar para sentar, tomar uma gelada (a preço justo), jogar conversa fora e ouvir boa música.

Onde: Bargaça (Rua Aspicuelta, 30 – Vila Madalena – SP)
Quando: 03/09/2016
Bom: samba e atendimento
Ruim: nada
Facebook: https://www.facebook.com/BargacaBar/

Be happy! 🙂

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Botecando #99 – Caldereta Cervejas Artesanais – SP

caldereta-01Resolvemos numa sexta ir à Vila para ver se estava rolando um samba que, as vezes, ocorre na calçada da Wisard (entre a Fidalga e a Girassol). O samba estava rolando, mas a melhor surpresa da noite foi bater na portinha do (da?) Caldereta, que fica exatamente do lado de onde o samba rola.

O bar é montado num imovel bem pequeno, conta com um balcao, algumas prateleiras, dois bicos de chopp (agora já são quatro, de acordo com a página do Facebook) e mais dois expositores com garrafas já geladas.

Devido à restrição de espaço, não é possível ter uma variedade grande de rótulos, mas tem um pouco de cada estilo, especialmente de cervejarias brasileiras, que são o suficiente para uma boa diversão.

O atendimento é simpatico e o dono do bar (tô fazendo o review com 4 meses de atraso, então acabei esquecendo o nome) é muito atencioso e conhecedor do material que vende, então pode pedir dicas à vontade.

Como o bar é bem pequeno, vale a visita em um dia sem chuva pra ficar tomando nas mesinhas da calçada. Além do eventual samba (que é patrocinado por outro boteco), vi no facebook que de vez em quando a Calderera promove apresentações de rock na mesma calçada.

Vale a pena colar num sábado ensolarado a tarde pra ouvir o som que estiver rolando (eu sou eclético, curto tanto o samba como o rock – e também samba-rock) e tomar umas artesanais/especiais brasileiras.

Onde: Caldereta Cervejas Artesanais (Rua Wisard, 397 – Vila Madalena – SP)
Quando: 02/09/2016
Bom: atendimento e carta de cervejas
Ruim: e bem pequeno
Facebook: https://www.facebook.com/calderetacervejas/.

Be happy! 🙂

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