Arquivo mensal: agosto 2016

Tecnologia e Sociedade: fiscalização e controle

Fiscalizacao e Controle“Nunca antes na história deste pais se investigou e puniu tanto a corrupção” é uma frase que temos ouvido bastante nos últimos anos. Além da tentativa de justificar seus próprios desvios de conduta, ao querer dizer que os crimes só estão aparecendo porque este governo se deixa investigar (como se fosse atenuante), é também uma forma de “capitalizar” politicamente uma maior capacidade de fiscalização e controle hoje existentes.

Mas como nos ensina a ciência estatística, correlação não implica necessariamente em causalidade. Realmente hoje vemos a corrupção, que inclusive nem era noticiada, sendo punida. Então fica a pergunta: será que realmente hoje se investiga e se pune mais por conta do governo?

Para tentar responder vamos pegar a Tardis e voltar 20 anos no tempo.

Ainda hoje é muito comum vermos em filmes policiais aqueles caminhões ou furgões, com uma enorme parafernália, dois ou três geeks dentro, parados em frente à casa de um suspeito. Os técnicos ouvem e gravam as conversas telefônicas e, caso notem algo suspeito acionam a polícia, que efetua a prisão, enquanto os próprios técnicos correm para o laboratório afim de transcrever as gravações para que estas sejam levadas ao juiz.

No não tão longínquo ano de 1996 era muito fácil inventar despesas no imposto de renda e contar com a sorte de não cair na malha fina, já que a fiscalização ocorria por amostragem aleatória. Se você desse o azar, bastava alegar um engano e fazer a retificação.

Mesmo os poucos escândalos políticos que vieram à tona foram descobertos por conta de desavenças entre os envolvidos que chegaram ao ponto de alguém abrir o bico só para ferrar com o outrora “parceiro” (vide os casos Collor e dos Anões do Orçamento).

Agora peguemos novamente a Tardis e voltemos para 2016.

Supondo que exista alguma suspeita sobre alguém e se faça necessária uma escuta telefônica. O requerente precisa conseguir um mandato judicial e notificar as operadoras de telefonia onde um técnico pode, com alguns poucos comandos, iniciar a escuta. É possível enviar em tempo real os áudios para os computadores do investigador, onde um programa é também capaz de fazer as transcrições praticamente em tempo real. É possível até instalar um programa que busque nas transcrições ou mesmo no áudio palavras chaves e alerte alguém caso as encontre. Através de algoritmos de machine learning é possível que este programa “aprenda” sozinho mais palavras chave.

Hoje se o seu dentista esquecer de declarar o quanto ele recebeu de você e você declarar o pagamento, provavelmente os dois irão cair na malha fina da Receita Federal e seu dentista terá que retificar a dele (ou você eliminar os pagamentos da sua).

Mais exemplos? O projeto piloto da Nota Fiscal Paulista, efetuado em um ambiente com 50 mil cidadãos aumentou a arrecadação a tal ponto que pagou o projeto todo.

Eu uso os serviços de táxi há bastante tempo e posso afirmar que, antes dos aplicativos como 99Taxis ou Easy Taxi, era muito comum tomar um táxi à noite cujo motorista estava sob visível efeito de álcool. Sem contar as condições de manutenção e limpeza do veículo e o comportamento do motorista no trânsito. Com a disseminação dos aplicativos, onde todo cliente é também um fiscal, a qualidade do serviço aumentou bastante e entrar num táxi cheirando a cachaça ou sujo está mais raro.

A própria Prefeitura de São Paulo e a SPTrans, órgão responsável pela regulamentação e fiscalização do transporte público na capital, acabam de instalar um sistema biométrico de reconhecimento facial nas catracas dos ônibus afim de prevenir e punir fraudes no uso de bilhetes especiais, como os dos aposentados e estudantes. Como para obter estes bilhetes é necessário fazer um cadastro, que inclui uma foto, o sistema reconhece se o usuário que fez o cadastro é o mesmo que está passando pela roleta e, caso o reconhecimento não ocorra, o bilhete é suspenso.

Outro dia idealizei algumas possíveis aplicações com o intuito de fiscalizar o funcionalismo público.

A primeira delas eu idealizei após assistir uma reportagem sobre um plantão de um hospital público onde os médicos batiam o ponto e iam dormir. A idéia era mais ou menos assim: as escalas de todos os médicos de todos os hospitais públicos seriam inseridas num sistema. Da mesma forma, cada usuário teria sua “carteirinha do SUS” instalada no celular ou pelo menos um cartão com um QRCode. O médico precisaria escanear no seu aparelho todos os QRCodes (ou linkar com o celular do paciente, caso este tivesse a “carteirinha eletrônica”) dos pacientes atendidos, da mesma forma, todos os pacientes que estivessem em determinado hospital, poderiam verificar a escala de médicos do plantão, indicar o horário de chegada no hospital (isto iria também agilizar a “ficha” que a atendente preenche) e dar um “check in” quando fosse atendido por determinado médico. Desta forma, se um médico não atendesse nenhum paciente durante seu plantão, sendo que durante o seu horário haviam várias pessoas a serem atendidas, poderia cair numa lista de “suspeita”. O próprio paciente poderia avaliar o médico que o atendeu (num sistema parecido com o Uber) e inclusive receber uma remuneração variável de acordo com a sua avaliação (sim, eu sei que o Conselho Federal de Medicina, em mais uma atitude corporativista, proíbe o compartilhamento destas avaliações, mas nada que não possa ser mudado por força de lei).

A outra ideia seria simplesmente utilizar as redes sociais e as tecnologias de big data para identificar padrões de consumo que não condizem com os vencimentos dos funcionários públicos. Os funcionários públicos deveriam entregar anualmente suas declarações de imposto de renda aos respectivos órgãos onde trabalham. O algoritmo iria então rastrear redes sociais em busca de padrões de consumo destes funcionários públicos (e relacionados, como amigos e parentes, já que o uso de laranjas é muito comum em casos de corrupção) e, caso encontre alguma suspeita, levantaria um alerta para os respectivos órgãos fiscalizadores.

Claro, há sempre a questão ética: isto não seria tratar todos como possíveis suspeitos? Mas como diz o ditado, o combinado não sai caro: basta deixar as regras claras antes do jogo começar (durante o edital de concurso para os concursados, a contratação no caso dos comissionados e durante a pré-candidatura, no caso dos eleitos) e, quem quiser obter as benesses de ser um funcionário público, também tem que arcar com o ônus.

Mas respondendo a pergunta inicial: sim, nunca antes na história deste país, ou do mundo, se investigou e puniu tanto a corrupção (e outros crimes), mas isto tem muito mais relação com o avanço da tecnologia, que permitiu que a fiscalização e o controle se tornassem bem mais abrangentes do que eram há alguns anos. O PT foi pego no meio desta fase de ruptura, mas se fosse outro partido no poder, ele também estaria na berlinda. É claro que a tolerância aos desvios de conduta do PT é menor que a dos demais partidos (e é compreensível, já até falei sobre isto aqui), mas se os casos recentes de corrupção ocorressem com qualquer outro partido, ele também iria sofrer as consequências, e talvez até tentasse usar o mesmo discurso do “nunca antes…”.

Be happy! 🙂

Felicidade Foi-se Embora? – Leonardo Boff, Mario Sergio Cortella, Frei Betto (15/2016)

Felicidade Foi Se EmboraA Editora Vozes convidou três dos mais profícuos autores e pensadores brasileiros para discorrerem sobre o tema Felicidade. O pano de fundo da discussão são trechos de sucessos da MPB: Felicidade foi-se embora? A tristeza não tem fim, mas a felicidade sim? É impossível ser feliz sozinho? Cada um dos três discorre, em seções separadas, sobre o tema, e por isto vou avaliá-los também isoladamente.

Frei Betto tem dois grandes problemas: quer medir todo mundo pela sua régua e quer ideologizar qualquer assunto, claro que puxando para a ideologia à qual ele professa, que é o socialismo. Isto posto, para ele a felicidade está sempre no coletivo e nunca pode ser alcançada sozinha. Além disto, bens materiais não podem trazer felicidade. Dentro do conceito dele a felicidade é um objetivo a ser perseguido e que só será alcançado com uma sociedade igualitária, onde tudo seja de todos e todos sejam iguais (e talvez “alguns animais mais iguais que outros”, parafraseando Orwell), para isto, o socialismo é o caminho, sempre em oposição ao “malvado capitalismo” (qual deles? o de 2 séculos atrás? o de hoje? o Canadense? o Americano? o Chinês?). Ou seja, para ele as pessoas só serão felizes em uma sociedade onde todos compartilhem tudo, desde que seja da maneira que ele acredita e numa sociedade que ele idealiza. Pensamento típico de quem não tem o mínimo de empatia e não se coloca no lugar dos outros e, para piorar, não respeita a diversidade (de pensamentos, valores, idéias, etc).

Leonardo Boff também cai no mesmo problema de querer que os seus valores sejam padrão para todos. Mas ao menos escapa da tentação de partidarizar o texto. Ele também acha que felicidade não é um objetivo, mas um estado temporal que pode ser alcançado várias vezes e de diversas maneiras. O problema dele é tentar pintar o mundo como lugar horrível, que só será melhor quanto todas as pessoas forem capazes de alcançar certo nível de felicidade de acordo com os valores dele (espiritualidade, caridade, etc). Achei engraçado um trecho onde ele descreve este “momento da humanidade” onde afirma que “quase todos os vulcões do mundo estão se ativando”. Gostaria de saber de onde ele tirou esta informação. Apesar de tudo, concordo em parte com ele no ponto em que a felicidade é feita de momentos, muitos deles fugazes, e não é um estado constante. Também gostei de algumas citações no seu trecho.

Mário Sérgio Cortella já tem uma opnião um pouco parecida com a minha, de que a felicidade não é um estado constante, mas sim momentos (então o “ser” feliz é uma soma de muitos “estar feliz”), até porque, se fosse um estado constante perderia sentido, como o ar que respiramos, onde só nos damos conta dele quando ele nos falta. Ele relaciona os estados de felicidade com sensações de realização (quando terminamos um trabalho bem feito, terminamos de ler um livro), de contemplação (quando vemos um belo por do sol, ouvimos uma boa música) e de interação (quando nos relacionamos com algum ser vivo, especialmente entre nós mesmos, humanos). De certa forma ele acha que “é possível ser feliz sozinho”, mas que quando esta felicidade é compartilhada e ou originada das interações, ela é muito mais intensa e duradoura. Como quando você vê aquele belíssimo por do sol, mas gostaria que as pessoas das quais você gosta estivessem com você para partilhar este momento. Eu ainda acho que ele tem aquele resquício de querer que outros tenham os mesmos valores que ele, quando diz que a felicidade material é impossível e que a felicidade só pode ser alcançada através da espiritualidade. É uma característica do ser humano um pouco complexa de contornar, realmente.

O que Eu acho? Bem, era para ser uma resenha, mas vai virar uma Ruivopedia. Eu acho que a felicidade é como uma conta bancária: você tem depósitos (momentos de alegria) e saques (momentos de tristeza) e cabe somente à nós mesmos, individualmente, fazer com que no final de nossa jornada (na verdade durante ela, já que ao final nada mais vai importar) este saldo seja positívo. Um constante estado de “saldo positivo” ou pícos (felicidade durante muito tempo ou picos de felicidade extrema seguido por quedas) não são possíveis e podem indicar até um transtorno psíquico (estado de euforia, hiperatividade), bem como o inverso também é preocupante (pode ser depressão). Variações enormes também são anormalidades (bipolaridade). As vezes podemos ter um “depósito” alto (um nascimento de um filho, por exemplo), ou um saque muito impactante (uma morte de um ente querido), mas o saldo médio deve estar sempre próximo do “zero”, preferencialmente acima.

Eu não acredito que seja “impossível ser feliz sozinho”. Muito pelo contrário: você precisa primeiramente ser feliz sozinho, ser autosuficiente em sua felicidade, para depois poder multiplicar e inclusive “fazer doações” a quem talvez esteja com seu “saldo negativo”. Ao contrário dos autores do livro, eu acho que bens materiais podem ser sim causadores de felicidade. Novamente: cada um sabe o que é melhor para si, e quem sou eu para julgar alguém que acha que uma Ferrari vai fazê-lo feliz. Do mesmo modo, acho que não precisa de espiritualidade, do divino para ser feliz. Como ateu e conhecendo alguns ateus, acho até o contrário: quem se dá conta da sua insignificância dentro deste enorme universo, da fulgacidade da vida e de que só temos esta única vida para aproveitar consegue viver melhor, aproveitando estes pequenos bons momentos (depósitos) e relevando e superando mais facilmente os maus (saques). A fé inclusive pode ser a própria causadora da infelicidade no momento em que deixa as pessoas com a “eterna culpa do pecado”, com a tensão de ter que garantir o paraíso (ou uma boa reencarnação) para o além vida, ao cercear e censurar as várias formas de prazer (jogo, sexo, bebidas, drogas), etc.

Be happy 🙂

A Dança do Universo – Marcelo Gleiser (14/2016)

A Danca do UniversoMarcelo Gleiser é um físico e astrônomo carioca que, à exemplo de seus pares Carl Sagan, Neil deGrasse Tyson e Richard Dawkins, além da pesquisa científica se dedica à divulgação científica. Em A Dança do Universo, ele faz um apanhado geral das teorias e mitos sobre a criação do Universo, que ele chama de a Pergunta (com P maísculo, que é simplesmente o “de onde viemos”).

Vou dizer que no início eu não gostei muito do livro. Inicialmente, ao explicar os mitos sobre a criação criados por várias civilizações antigas e que, consequentemente envolviam muita religiosidade. Nesta parte um, composta de dois capítulos e denominada “Origens”, aparentemente ele dava a impressão de querer de qualquer forma justificar uma ligação entre ciência e religião.

Porém durante o desenvolvimento do livro fica claro que o ponto que ele quer demonstrar é que os cientistas não estão e não devem se preocupar com as religiões e, muito pelo contrário, a maioria dos cientistas que foram relevantes para o nível de conhecimento que temos hoje sobre o universo e os fenômenos naturais tiveram na fé um grande motivador. O problema é que muitas destas descobertas contrariavam dogmas religiosos e consequentemente ainda ameaçam o poder (político) das religiões. É bom aqui fazer uma bela distinção entre fé (ou espiritualidade) e religião: a fé é algo intrínsseco e pessoal e religião é a institucionalização da fé.

Seguindo a linha cronológica desde mitos antigos até as descobertas mais recentes da física (e suas vertentes, como astrologia e cosmologia), o autor vai ligando o texto com fatos históricos, biologia, química, matemática e muitos outros assuntos, todos eles relacionados, o que torna a compreensão de conceitos que, quando apresentados isoladamente são chatos e/ou incompreensíveis, bem mais fácil e com algum sentido prático.

Isto novamente me levou a questionar o porque da atual metodologia educacional separar os assuntos em “áreas de conhecimento”, isolando-os e tornando-os mais incompreensíveis. E nem é questão de “reinventar” o modelo educacional, já que no século XVII, o próprio Newton teve uma educação diferente: no primeiro “termo”, denominado trivium, aprendia-se sobre retórica, gramática e lógica (o primeiro ciclo do nosso ensino fundamental deveria se concentrar nisto, e  ainda incluir o inglês “de verdade”), no segundo “termo”, chamado de quadrivium, as aulas eram de geometria, aritmética, música (que envolve muita matemática) e astronomia (poderia ser muito bem ensinado no nosso segundo ciclo do ensino fundamental). À partir dai a base para estudar assuntos específicos (como filosofia, história, geografia, física, química, etc), que poderia ser feita no ensino médio, estaria bem sólida. Não que estes assuntos fossem desprezados durante os primeiros ciclos, mas eles eram “complementos” para o desenvolvimento de habilidades básicas como o desenvolvimento da comprensão de texto, da capacidade de argumentação (e de pesquisa, já que para argumentar você precisa ter uma boa base de conhecimento) e de raciocínio lógico e matemático (raciocínio, não decoreba de fórmula).

Mas voltando à vaca fria, é um ótimo livro, mais um que deveria ser leitura obrigatória nas escolas. Para se ter uma idéia de como ele te prende, eu tenho uma dificuldade para me concentrar e temas como matemática e física nunca foram os meus preferidos e, mesmo assim, cheguei a ler 50 páginas deste livro de uma só vez!

Be happy 🙂

Botecando #98 – Toca do Coelho – SP

Toca do Coelho 01Quem passa ali pelo começo da Teodoro Sampaio, próximo ao Hospital das Clínicas, região onde existem um monte de botecos oferecendo PFs, pode nem notar a existência deste boteco, até porque ele também oferece suas opções de PF. Mas quem se aventurar a dar uma entrada vai descobrir um tesouro para os apaixonados por cerveja (e cultura cervejeira em geral) e baixa gastronomia.

A parte da frente do imóvel é pequena, contando com um grande balcão e umas 6 mesas, porém no fundo há um grande salão com capacidade para acomodar muitas pessoas. A decoração é toda baseada em memoriabilia que remete ao mundo cervejeiro. Mas diferentemente de alguns bares novos, onde a decoração é “proposital”, na Toca (já posso tratar com intimidade!) parece que ela foi sendo feita à medida do tempo, com objetos que o bar deve ganhar dos fornecedores, importadores e até dos clientes (como algumas bugigangas, artesanatos, etc).

O atendimento foi um dos pontos de destaque, com os garçons sendo muito simpáticos e atenciosos e, mesmo sem serem profundos conhecedores de cervejas, se arriscando (e se esforçando) para ajudar os clientes com os poucos conhecimentos adquiridos.

Toca do Coelho 02Como já disse antes, um bar que oferece torresmo já começa ganhando o jogo! E o da Toca do Coelho foi um dos melhores que comi. Apesar de não ser frito na hora e estar acondicionado na estufa, além de muito “carnudo”, estava bem crocante, com a pururuca ainda estralando quando recebia as mordidas. Além disto, foi um dos mais equilibrados que já comi no quesito sal.

Para finalizar mas não menos importante: cervejas, muitas cervejas, de todos os estilos, origens, etc! Além de três cervejas nacionais nas torneiras (acho que podiam investir um pouco mais nisto), várias geladeiras exibindo uma carta que, pelas minhas contas, deve chegar quase nos 300 rótulos, oferecendo desde as brasileiras Way (curitibana) e Cevada Pura (piracicabana) até a tão afamada Deus, da Bélgica (e por um preço interessante!). Aliás foi o único lugar em que consegui encontrar a ótima curitibana Bodebrown.

Não deixem de conhecer!

Onde: Toca do Coelho (Rua Teodoro Sampaio, 507 – Pinheiros – SP)
Quando: 29/07/2016
Bom: boteco de verdade, com ótimo atendimento, muitas opções de cervejas especiais e petiscos
Ruim: podia ter mais opções de taps!
Facebook: https://www.facebook.com/Toca-do-Coelho-138333142901206/?fref=ts

Be happy! 🙂

Os Filhos de Anansi – Neil Gaiman (13/2016)

Os Filhos de AnansiNeil Gaiman é um dos expoentes do que eu chamo de “Escola Douglas Adams de Humor Literário Britânico”. Tá certo que o Douglas Adams bebeu muito na fonte do Monty Python, mas por sua vez ninguém melhor do que ele conseguiu transcrever o estilo das gags visuais do famoso grupo britânico em textos. Infelizmente este gênio nos deixou cedo, mas existem vários outros autores que, mesmo sem intenção, seguem o seu estilo: aquele humor non-sense e ao mesmo tempo cheio de sentido (para quem tiver percepção suficiente para entender as sutilezas), fantástico e ao mesmo tempo realista e que parece que está falando diretamente com você.

Talvez o Neil Gaiman seja o melhor “discípulo” desta escola e, em “Os Filhos de Anansi”, todas estas características estão muito presentes. O livro conta a história de Fat Charlie, um sujeito desajeitado, desafortunado, que passou a vida sendo alvo de piadas e pegadinhas do próprio pai. Após a morte do pai ele descobre que ele era um deus: Anansi, a aranha, com origens na África. Não só isto, descobre ter também um “irmão gêmeo”, este já consciente de que se trata de um filho de um deus e que usa isto a seu bel prazer.

Spider (o irmão), na sua “vida despreocupada de filho de um deus”, coloca Fat Charlie em diversas situações adversas, muitas delas quase trágicas, mas que ao final se tornam cômicas.

As passagens “místicas” do livro são tão surreais que mesmo eu, que monto aquele filminho na cabeça enquanto leio, não consegui imaginar completamente e com clareza os cenários e personagens destas passagens. Muito interessante o Gaiman usar mitologia africana para criar a estória.

Deu até curiosidade agora de ler o SandMan, que pelo que conheço é menos humor escrachado e mais um humor ácido, sútil, que é apenas complemento para suspense e drama. Mas do jeito que Gaiman consegue conduzir bem uma trama, não duvido que seja um livro para se devorar em poucos dias, como devorei as mais de 300 páginas de Os Filhos de Anansi (apenas quatro dias!).

Be happy 🙂