Arquivo mensal: julho 2016

Botecando #97 – Tiquim – SP

TiquimPassando de carro pelas ladeiras da Pompeia há alguns meses atrás, cruzei a esquina onde fica o Tiquim. Ainda era de manhã e o boteco estava fechado, mas achei interessante e, quando cheguei no escritório procurei informações e descobri que era um boteco “gourmet” que oferecia uma das melhores especiarias da baixa gastronomia paulista, o bolovo.

Fiquei enrolando pra ir mas finalmente fui conhecer. Apesar da proposta ser um boteco gourmet, o Tiquim não acabou perdendo o ar de boteco mesmo. O imóvel, que é pequeno e fica na esquina da Cayowaá com a Cajaíba, é bem montado e basicamente sem frescuras. Algumas mesas se espalham pela calçada, que é cuidada também pelo boteco e possui alguns bancos (para espera), cinzeiros, etc. Ponto positivo para o cuidado com o entorno.

O atendimento não é tão pessoal quanto o boteco do seu bairro (talvez pra quem more por ali seja!!!), mas é simpático e atencioso. Acabamos inclusive conhecendo, nas pausas para o cigarro, alguns habituees do bar (que é muito bem frequentado, diga-se de passagem).

Como estava (muito) frio e os aquecedores estavam ligados, e talvez por isto, fizeram questão de trazer as garrafas de Heineken envoltas naquelas camisinhas de neoprene, para evitar que esquentassem. Pedimos primeiramente a porção de penne frito polvilhado de lemon pepper, é bem boa mas vem bem salgada (é para beliscar mesmo, uma porção para 2 pessoas chega a ser muito).

Ai pra encerrar, é claro que pedi o bolovo, e ai veio a decepção. Sei lá, legal criar releituras, mas acho que mataram um clássico: massa de batata misturado com a carne fazendo a “casca”, apenas meio ovo, complementado por queijo. Não estava ruim, mas não era um Bolovo (com “B” maiúsculo). Acho que poderiam manter a versão original (bolinho de carne recheado com ovo cozido) e fazer as experiências à vontade, mas sem matar o clássico. De qualquer forma valeu conhecer o boteco e voltaria mais vezes (mas iria pedir outra coisa…hahaha).

Onde: Tiquim (Rua Cayowaá, 1301 – Pompéia – SP)
Quando: 22/07/2016
Bom: Boteco com cara e jeito de boteco (apesar de gourmet, sem frescuras)
Ruim: o bolovo não era tudo isto
Facebook: https://www.facebook.com/bartiquim

Be happy! 🙂

Botecando #96 – Sampa Pop Bar – SP

Sampa Pop 01A Rua Casa Forte, ali em Santana, sempre foi um dos redutos da boemia da zona norte, mas fazia tempo que não dava um pulo lá (muito tempo!!!). No aniversário de camarada Regis, tive a oportunidade de conhecer o SambaPop, uma simpática casa.

O imóvel, assim como dos demais bares da região, parece ter sido montado em uma antiga casa, que foi adaptada para acomodar o bar. O que seria o corredor lateral virou um comprido salão com mesas, onde ao fundo fica o pequeno palco, onde neste dia estava rolando MPB e Pop Rock. Onde seria a sala fica o Bar e nos demais cômodos as demais mesas.

Sampa Pop 02Achei a decoração um tanto confusa (muita informação junta), bem como o atendimento também. Por confuso não quero dizer que é ruim, só meio atrapalhado mesmo.

Gostei muito de ter as opções de cervejas diferentes, como Eisenbahn (cuja pilsen podia ser adquirida em versão de 600mls), Baden Baden, etc. No quesito comida, além de porções e lanches, funciona o sistema de espetinhos, o que é bom para quando se tem bastante gente, já que cada um escolhe exatamente o quanto e o que vai comer.

Não é aquele “baita” boteco que a gente recomenda pros amigos, mas é o suficiente para passar algumas horas comendo, bebendo, ouvindo boa música e jogando conversa fora com os amigos.

Onde: Sampa Pop Bar (Rua Casa Forte, 157 -Santana – SP)
Quando: 15/07/2016
Bom: cervejas “diferentes”, espetinho e música ao vivo
Ruim: o ambiente e o atendimento são meio confusos
Facebook: https://www.facebook.com/SampaPopBar
Site: http://www.sampapop.com.br/

Be happy! 🙂

Bilhões e Bilhões – Carl Sagan (12/2016)

Bilhoes e BilhoesBilhões e Bilhões é um livro contendo dezenove artigos escritos por Sagan sobre diversos assuntos e para diversas situações (revistas, discursos, etc). Foi lançado postumamente por sua esposa e colaboradora Ann Druyan.

Os artigos são agrupados em três seções. Na primeira delas, sob o título de “O Poder e a Beleza da Quantificação”, seis artigos apresentam, de forma muito didática, a beleza da matemática e dos números. Mas não é só isto (como diria o locutor do 1406), além da matemática, ele vai inserindo informações sobre física, química, biologia e aproveitando para contar um pouco de história. Além de didática, tudo fica de uma forma fluída e cativante. Me levou a pensar: será que é tão difícil assim para nossos educadores desenvolverem uma nova forma de transmitir o conteúdo para os alunos? Será que precisa separar tudo em “categorias” específicas e fazer com que os estudantes apenas decorem o conteúdo, sem saber como as coisas se relacionam e quais as aplicações práticas? A mim me parece que é pura preguiça, já que caso o estudo fosse desta forma, ele deveriam ter conhecimento em várias áreas, inclusive muitas nas quais eles não se sentem confortáveis.

Em “O que os Conservadores estão Conservando?”, composto por sete artigos, Carl Sagan discorre sobre os impactos que o ser humano tem causado no mundo, quais suas prováveis consequências e como podemos brecar, ou ao menos minimizar o impacto negativo que temos exercido sobre a vida na terra. Um ponto importante que ele traz nestes artigos é que ele até entende o ataque que as empresas, pessoas e políticos ligados à indústria do petróleo faz à teoria do aquecimento global. O que não dá pra entender são pessoas que simplesmente “não acreditam no aquecimento global” lutarem contra. A prudência deveria fazer com que, havendo dúvida, no mínimo estas pessoas se propusessem a modificar seus hábitos (adotando combustíveis renováveis, reclicando lixo, etc).

Na última seção, denominada “Quando os Corações e as Mentes Entram em Conflito”, os temas são diversos, mas dois textos me chamaram muito a atenção. O primeiro foi “O inimigo comum”, um artigo que foi escrito por Sagan para ser publicado simultaneamente em duas importantes revistas, uma americana e uma russa, em tempos de guerra fria e que joga na cara o fato de que as duas grandes nações eram duas faces da mesma moeda, inclusive utilizando o mesmo modus operandi e que o estado de tensão só servia para os déspotas de plantão conquistarem e manterem poder (já havia abordado este ponto de vista em um texto na Feedback Magazine, aqui).

Mas o melhor artigo do livro (e sobre o assunto que eu já lí) é ‘Aborto: é possível ser “pró-vida” e “pró-escolha”?’, escrito em parceria com sua esposa. Ele destrincha as questões morais, históricas, biológicas e sociais para a liberação ou proibição do aborto. Muito interessante é o fato trazido à tona de que a bíblia não proíbe em nenhum lugar o aborto (existe apenas uma citação em toda a bíblia) e que até o meio do século 19 a igreja católica nem se preocupava com o assunto e passou a proibir em seus dogmas por um erro de interpretação de uma descoberta científica. Deveria ser um artigo obrigatório para qualquer um que queira debater o tema (achei o artigo aqui).

O último capítulo (“No Vale da Sombra”) e o epílogo (escrito pela Ann Druyan) mostram um pouco do final da vida deste gênio de nosso tempo, que foi acometido por um câncer contra o qual ele acabou perdendo a luta, mas nunca sem perder o amor pela vida, pelo mundo e pelas maravilhas da natureza.

Be happy 🙂

Botecando #95 – Mandíbula – SP

Mandibula 1Eu acho o centro de São Paulo um lugar fantástico. É uma misturada de gente, de comércio, de opções para comer. Uma verdadeira torre de babel que caracteriza as grandes metrópoles mundiais. O Mandibula, misto de bar e balada localizado no Centro, é um retrato fiel desta “bagunça”.

Montado em uma das lojas da Galeria Metrópole, que já foi famosa por suas agências de turismo e restaurantes pé-sujo que vendiam PFs a preços acessíveis, e que agora tem visto algumas “baladas” se instalando (além do Mandibula, existe um outro local no mesmo andar com pop, rock e MPB e um samba no térreo), é um barzinho simples, sem muitas frescuras nas suas paredes pintadas de preto. Não oferece também muitas opções nos quesitos bebida (cervejas e drinks populares) e comida (apenas algumas porções simples, já que não existe cozinha, como amendoim).

O que diferencia o bar, em primeiro lugar, é o ambiente, que é uma mistura de tudo quanto é tipo de gente, exatamente como é o centro. É mauricinho/patricinha, é nerd, é descolado, é público LGBT. Todo mundo somente afim de se divertir e ouvir um bom som, que é o segundo atrativo do local. Os DJs capricham para tocar o que há de melhor de rock, pop, eletrônico, reggae, soul, jazz, ska e o que mais der na telha. O único critério é tocar música boa.

Onde: Mandibula (Praça Dom José Gaspar, 106, 2o andar – Galeria Metrópole – Centro – SP)
Quando: 08/07/2016
Bom: ambiente e música
Ruim: é bem cheio e meio muvuca pra pegar bebida
Facebook: https://www.facebook.com/mandibvla

Be happy! 🙂

Botecando #94 – Porão da Cerveja – SP

Porão da CervejaEste literalmente faz juz ao nome: é um “quiosque” que fica no subsolo (no acesso à garagem) do mercado Hirota da Santa Cecília e portanto pode passar desapercebido por quem não frequenta o mercado. O que seria um desperdício!

O bar/loja é bem pequeno e formado por dois balcões, além de algumas mesas dispostas do lado de fora. Conta com 3 taps (em câmara fria!), além de opções de cervejas em garrafa, tanto para levar quanto para consumir no local.

A cozinha funciona no esquema de convidados e no dia em que fomos o chefe convidado estava servindo porções de pastel de queijos (era uma mistura de queijos, com os pasteis bem recheados e saboros) acompanhado de um ótimo vinagrete de laranja para “harmonizar” com a Orange Pale Ale da 8 BITS Brew (ótima pedida!) que estava sendo lançada oficialmente no bar.

Se ninguém estiver colocando música para rolar ou se não tiver ninguém tocando, existe uma vitrola e uma série de LPs disponíveis para os clientes discotecarem à vontade! O atendimento também é de primeira e, em conjunto com o ambiente pequeno e com mesas muito próximas, faz você se sentir como se estivesse em casa.

O único ponto “ruim” é que como o mercado fecha às 21:00 horas o bar também precisa ser fechado este horário. Mas é uma ótima pedida para um happy hour!

Onde: Porão da Cerveja (Rua General Olimpio da Silveira, 39 – Santa Cecília – SP)
Quando: 08/07/2016
Bom: cervejas especiais, comida e atendimento
Ruim: fecha cedo!
Facebook: https://www.facebook.com/poraodacervejasp

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Botecando #93 – Titus Bar – São Paulo – SP

Titus BarO Titus bar é um pequeno boteco de cervejas especiais que fica na Bela Vista, quase na divisa com o Bixiga, a alguns minutos da Paulista. O imóvel (que deveria ser uma garagem) é decorado com memoriabilia relacionada à cultura cervejeira e não tem muitos atrativos.

A carta de cervejas é extensa, contando com quatro opções nas Taps e mais de uma centena nas garrafas, sendo muitas de cervejarias nacionais. Vale a pena ficar atento às promoções, que ficam escritas em uma lousa.

Comemos uma porção de calabresa flambada na cachaça que estava bem boa.

O atendimento é simpático, porém formal. Os preços não fogem do padrão de bares de cervejas artesanais (pint na faixa de R$ 20,00)

Vale a pena para quando estiver na região da Paulista ou pra quem mora na região e está afim de tomar umas cervejas diferentes, mas não aconselharia ninguém a se deslocar de longe para conhecer. Não é que seja ruim, muito pelo contrário, mas falta algo mais, talvez um pouco de “personalidade” para compensar o deslocamento.

Onde: Titus Bar (Rua Rocha, 370 – Bela Vista – SP)
Quando: 05/07/2016
Bom: cervejas especiais e comida
Ruim: falta “personalidade”
Site: http://titusbar.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/titusbarcervejas

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Botecando #92 – Deep Bar 611 – São Paulo – SP

Deep Bar 611Depois de muito tempo ensaiando, finalmente conheci o Deep Bar 611. Ele fica ali na Rua Barra Funda, entre as estações Barra Funda e Marechal Deodoro (mais próxima) do metrô, o que já garante o fácil acesso. Além das paredes de tijolo simples, a decoração é baseada em muita memoriabilia ligada à cultura cervejeira, bandeiras de diversos países, pôsteres. Lembra aqueles bares em que o dono vai pendurando pelo estabelecimento tudo o que ganha dos frequentadores.

O ambiente faz você se sentir num pub europeu que os “locais” vão frequentar depois de um árduo dia de trabalho. Ou seja, é aconchegante e sem frescura ou “gourmetização”.

O atendimento é acima da média, com o Fernando, proprietário do bar e responsável pelas criações da ótima Clandestina (“cerveja caseira feita com a mais pura água da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira”) sempre disposto a dar dicas e a explicar o que ele anda fazendo nas suas panelas. Se der a sorte de terem na torneira a India Pale Weizen da Clandestina, não deixe de experimentar. A Stout deles também merece uma menção honrosa.

Além de geralmente terem uma ou duas Clandestinas nas torneiras, sempre existe a opção de Heineken e mais uns 4 ou 5 rótulos. Além de toda a carta de cervejas em garrafas, dos mais diferentes estilos e países.

No quesito rango, experimentei o Fleischbällchen, que é um bolinho alemão que mistura carnes bovina e suina e que estava muito bom.

Olha, taí um bar que, se fosse mais perto de casa, eu iria bater cartão! Tipo se fosse do lado de casa ou do trampo iria dar uma passada todo dia pra tomar um pint só pra relaxar.

Onde: Deep Bar 611 (Rua Barra Funda, 611 – Barra Funda – SP)
Quando: 01/07/2016
Bom: cervejas especiais, comida e atendimento
Ruim: nada
Facebook: https://www.facebook.com/db611

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Maus – Art Spiegelman (11/2016)

Maus - Art SpiegelmanMuita coisa já foi contada sobre o holocausto judeu provocado pelo regime nacional socialista de Hitler durante a segunda guerra. Não faltam relatos, livros (como o comovente “Diário de Anne Frank) e filmes. O museu a céu aberto “Topografie des Terror”, em Berlin, retrata todo o período da ascenção do nazismo até a queda do muro com detalhes impressionantes, suportados por fotos, gravações, vídeos, reportagens e documentos da época.

Mas para mim nada foi mais impactante do que esta obra, que conta no formato de quadrinhos a saga da familia de Art Spiegelman, através da narrativa de seu pai, Vladek Spiegelman, um judeu polonês sobrevivente de Auchwitz.

São vários fatores que fazem com que o impacto seja maior do que qualquer outra coisa que já foi dita ou escrita sobre os horrores deste período negro de nossa história. O primeiro deles é justamente que a história é contada por um sobrevivente, ou seja, alguém que sentiu tudo aquilo na própria pele e que foi moldado pela situação.

O segundo fato é que durante o livro, o autor também escancara o seu difícil relacionamento com o pai, que também foi moldado por aquele período: o pai que exigia muito do filho, pelo fato deste não ter passado por tudo o que o pai tinha passado, enquanto o filho que se culpava por não ter sentido aquilo como seus pais.

E o terceiro é a forma magistral que Art Spiegelman usou para relatar isto. Ele poderia apenas ter escrito um livro, mas como chargista, preferiu traduzir tudo em quadrinhos, num estilo de “Orwelliano” de fábula, onde os judeus são retratados como ratos (Maus em alemão, o que acabou por prover um ótimo trocadilho com o português), os alemães como gatos, os poloneses como porcos, e assim por diante.

Eu já comentei algumas vezes que algumas obras (como A Peste de Camus, Ensaio Sobre a Cegueira do Saramago e mesmo o seriado The Walking Dead) lidam com a forma como o homem abandona qualquer resquício de humanidade quando colocado em situações extremas (e que ameacem os dois primeiros níveis da pirâmide de Maslow). Mas é importante também nunca esquecer que, instados por um líder ardiloso e adeptos de uma ideologia (ou religião), o homem nem precisa chegar à situações extremas para que abandone a sua humanidade, que foi o caso dos alemães, que se compraziam em matar judeus, ciganos, negros, gays, deficientes e qualquer coisa que fosse “diferente” deles mesmos. E que também alguns outros podem apenas seguir este grupo no famoso efeito manada, caso dos Poloneses e até de Judeus que se tornaram adeptos do nazismo.

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Nada De Novo No Front – Erich Maria Remarque (10/2016)

Nada de Novo no FrontAo dezoito anos, o autor viveu de perto as agruras da guerra lutando nas trincheiras alemãs durante a primeira guerra mundial. A guerra deixaria marcas em sua vida (inclusive físicas) que o levaram a tomar notas do que viu e viveu durante seu periodo lutando no front.

Estas anotações viriam a se tornar o romance “Nada de Novo no Front”, considerado uma das mais importantes obras pacifistas de toda a história. As obras de Remarque, que trazem a faceta real e nada gloriosa dos conflitos armados, lhe renderam diversos problemas durante a ascenção de Hitler, que culminaram no seu exílio e até na perda da cidadania alemã.

O livro conta a história do jovem Paul (que poderia ser o próprio Remarque) que, convencido por seus pais, professores e pela sociedade, se alista para lutar pelo exército alemão na primeira guerra e acaba chegando na frente oeste de combate.

A realidade nada glamorosa da guerra é exposta em várias estórias (ou histórias?) que são narradas por Paul, onde eles e seus amigos estão mais preocupados em não morrer de fome e ao menos resistir às várias agruras (além da guerra em sí, às doenças) para tentar voltar para uma vida que eles nem sabem qual é, já que, nesta idade, os sonhos foram todos abandonados.

Apesar de Paul estar sempre disposto a continuar lutando, não consegue entender (como ninguém consegue) o motivo da guerra e qual o seu propósito.

“…uma declaração de guerra deve ser uma espécie de festa do povo, com entradas e músicas, como nas touradas. Depois, os ministros e os generais dos dois países deveriam entrar na arena de calção de banho e, armados de cacetes, investirem uns sobre os outros. O último que ficasse de pé seria o vencedor. Seria mais simples e melhor do que isto aqui, onde quem luta não são os verdadeiros interessados.”

Uma das partes mais tocantes do livro é o momento em que, acuado e isolado em uma trincheira, Paul se vê forçado a matar um soldado francês com sua baioneta e pela primeira vez tem a oportunidade de verificar que aquele soldado é alguém como ele, que também tinha seus medos, tinha seus anseios, uma familia, ou seja, que também é um humano que está ali lutando por algo que não é seu. Assim que consegue fugir e ser resgatado, aquele ser humano deixa de existir e Paul volta a ser o “animal” que quer antes de tudo sobreviver, mesmo não tendo razões para isto.

Um dos melhores livros com a temática de guerra que eu já lí.

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Botecando #91 – Mercearia São Pedro – São Paulo – SP

Mercearia Sao PedroA Mercearia São Pedro, um misto de bar, restaurante e livraria/sebo, é um dos mais tradicionais bares da Vila Madalena.

Situado num grande imóvel (e mais um “anexo”) ali na Rodésia, próximo à Praça Rafael Sapienza, não tem grandes pretensões no quesito decoração: mesas de madeira de boteco simples e um balcão são a parte da decoração do que a gente pode chamar de “bar”. Porém, além disto, conta com algumas prateleiras com muitos livros à venda, a maioria deles de autores brasileiros. Nas paredes e pendurados pelo bar existem pôsteres de filmes e peças de teatro.

Aberto desde a hora do almoço, quando serve PFs e um buffet (paga-se pela “mistura” e pode-se servir à vontade no Rechaud com salada e algumas opções de guarnições quentes), tem na sua cozinha/chapa o seu atrativo principal: às terças e quartas a famosa carne assada e às quintas e sextas, uma deliciosa porção de lascas de pernil. Outras porções (a “Mercearia” é uma das melhores) e os pastéis de feira que circulam pelo boteco (um garçon passa com a bandeija oferecendo e outro vai atrás anotando na comanda) também são dignas de serem experimentadas por qualquer amante da chamada “baixa gastronomia” que se preze.

As cervejas são as populares (Original, Serra Malte, Heineken, etc), que vêm sempre bem geladas. O atendimento não tem aquela “intimidade” típica de boteco, mas também não deixa a desejar, com garçons prestativos e atenciosos.

Infelizmente a parte dedicada aos livros foi bem diminuida depois do incêndio que ocorreu ano passado: creio que o proprietário preferiu “repor” o espaço com mais mesas. Infelizmente um sinal de que livros têm pouca demanda (e aqui faço meu mea culpa: sou consumidor voraz de livros, mas nunca comprei um ali).

É um bom boteco para tomar umas descontraidamente e petiscar umas porções. Também é uma boa opção de comida boa e barata na hora do almoço (inclusive aos finais de semana). Só precisa chegar cedo, tanto pra almoçar (de semana geralmente está lotado já à partir das 12:15) quanto para um Happy Hour: às quintas e sextas é bom chegar até as 17:30 no máximo, sob pena de ter que aguardar alguns bons minutos ou então de ter que pegar umas cervejas e tomar ali pela calçada, de pé mesmo, algo que muito dos frequentadores até preferem.

Onde: Mercearia São Pedro (Rua Rodésia, 34 – Vila Madalena – SP)
Quando: 22/06/2016
Bom: comida e bebida
Ruim: diminuiram a parte dos livros 😦
Facebook: https://www.facebook.com/saopedromercearia

Be happy! 🙂